Gina
Era a segunda semana de junho e os dias estavam cada vez mais quentes. Na escola, tudo estava uma confusão: as provas e o fim do semestre se aproximavam; estávamos todos estudando bastante.
Mesmo com tarefas e compromissos, eu e Harry resolvemos tirar aquela tarde de folga. Andávamos tão ocupados que quase não sobrava tempo para ficarmos juntos, então, apesar da sensação de culpa me seguindo como uma sombra, mal nos desgrudamos por algumas horas. Porém foi só muito depois de voltarmos do colégio que nos atiramos na cama dele e ficamos... namorando, na falta de palavra melhor.
Uma coisa que eu gostava em Harry era que ele me fazia rir. Às vezes nos momentos mais impróprios, às vezes entre um beijo e outro... Quando caí na gargalhada pela sua imitação barata do zelador da nossa escola, o Sr. Filch, estávamos no meio do caminho para um momento especialmente indecente, e todo o clima foi embora. Mesmo assim, quando tentei sair da cama e me recuperar, Harry não deixou. Então fiquei ali e procurei acalmar o fôlego, mas essa era uma tarefa difícil com ele me prendendo sob si e ainda me fazendo rir.
- Não foi tão engraçado...
- Foi sim – eu mal conseguia falar pelo riso.
- "Foi sim" – ele me imitou com uma voz fina e estranha, muito diferente de como a minha era. – Vem cá.
Ele tentou me beijar, mas explodi numa gargalhada escandalosa. Harry bufou e se jogou ao meu lado, deixando-me em paz.
Levou alguns minutos para que eu parasse de achar graça em algo que já nem sabia o que era. Quando por fim encarei Harry, ele parecia meio aborrecido. Indaguei-o com o olhar. O que estava acontecendo?
- Eu pensei que essa era a nossa tarde – ele reclamou. – Nós mal chegamos perto um do outro com James e Lily em casa, e com todos os trabalhos e provas...
- Ah, para de reclamar! - coloquei-me sobre ele e o beijei lenta e demoradamente. Eu estava ficando muito boa em matéria de beijos, além de meio abusada – A gente pode continuar de onde paramos.
Eu podia sentir suas mãos em mim, uma na minha coxa e outra apertando minha cintura. Quando ele rolou e ficou por cima novamente, suas mãos subiram para os meus seios e seus lábios começaram a descer em beijos pelo meu pescoço e colo. Foi impossível manter o foco na realidade e não sentir apenas as mãos e os lábios de Harry, mas depois de algum tempo consegui me recuperar e afastá-lo o suficiente para fitá-lo. Eu podia sentir nitidamente o quão excitado ele estava apesar da barreira do meu pequeno short e de sua bermuda, as únicas peças que vestíamos.
- É a minha vez – minha voz saiu com uma languidez que me surpreendeu.
Deitamos lado a lado e, enquanto nos beijávamos, minhas mãos trabalharam no botão e zíper da bermuda dele. Quando o toquei, senti a pele macia de seu membro, sua rigidez e tamanho. Eu estava ficando muito boa naquilo também, Harry que o diga.
Ignorei a pontada excruciante de culpa e continuei a doce tortura de Harry. Tocá-lo daquela forma podia ser errado, mas revirava meu estômago de excitação. Eu estava fazendo descobertas, assim como ele. Todos os nossos gestos de amor e intimidade eram passos para um mundo novo, não-explorado e extremamente perigoso.
Separei nossos lábios e línguas e encarei Harry. Seus olhos estavam fechados, a respiração ofegante, as mãos apertando meu tronco. Ele estava tão perto de mim...
Entretanto, ao mesmo tempo em que estávamos próximos, estávamos longe um do outro. Havia uma barreira invisível entre nós. Um laço eterno, intransponível e imutável. Um laço familiar.
Esse pensamento desencadeou muitos outros e, sem aguentar mais, me levantei num rompante e fui até o banheiro. Tirei o resto da roupa e entrei embaixo do chuveiro, esfregando com força a bucha na pele. Queria tirar toda aquela sujeira, todo o nojo que sentia por mim mesma, toda a culpa...
- Gina – Harry, ainda arrumando a bermuda no lugar, estava na porta –, por que você está chorando?
Só então percebi que soluçava alto.
- O que você está fazendo? – ele continuou, preocupado. Eu não respondi, ainda esfregava meu corpo com violência. Pouco depois, suas mãos firmes arrancaram a bucha de mim e me fizeram olhá-lo - Quer arrancar o couro, Gina? Sua pele está vermelha de tanto esfregar...
Eu não escutei o resto do que ele disse. Deslizei na parede até me sentar na banheira e chorei, chorei e chorei. Engraçado, nós sempre terminávamos no banheiro. Engraçado também como eu estava dada a mudanças de humor naquela tarde; trinta minutos antes estava gargalhando alto.
Senti a mão de Harry em meus cabelos.
- Nunca mais... vamos fazer isso – falei entre as lágrimas. – Nunca mais... eu vou fazer nada isso. Me sinto suja, repugnante...
- Tudo bem, Gina, tudo bem.
Contudo, eu sabia, e Harry também, que no momento em que nossos lábios se colassem novamente, perderíamos o controle.
Ele me deixou sozinha. Sequei-me e vesti minhas roupas; a blusa que eu usava aquela tarde estava jogada em cima da escrivaninha dele. Quando fiquei decentemente vestida, sentei na cama ao lado dele, que me observava.
Harry me abraçou forte, ao que retribuí. Seus braços eram reconfortantes ao meu redor, mas me faziam ter uma noção ainda maior do nosso crime, do nosso segredinho sujo. Era inevitável eu não chorar e lamentar por nós, inevitável não me entregar à culpa, ainda mais àquela altura, quando nossa relação se tornava cada vez mais crítica.
E nós tínhamos maneiras diferentes de reagir à repulsa e à atração que sentíamos um pelo outro. Eu me lamentava em alto e bom som; Harry se lamentava no silêncio amargurante que interiorizava. Ele às vezes podia dar a impressão que não se importava muito com a nossa estanha relação, mas o peguei mais de uma vez chorando baixinho durante a noite.
- Para de chorar, Gina, por favor. Eu nunca mais chego perto de você, mas para de chorar – a voz dele estava baixa, fraquinha. Dolorida.
Seu carinho e cuidado por mim me amarguraram ainda mais. Quando o beijei, foi com a agonia que me atormentava.
Era tão, tão injusta a nossa situação! Era um castigo? Deus havia resolvido nos punir por alguma coisa que tínhamos feito em outra vida? Por que amar Harry tanto e nunca poder tê-lo? Por quê?!
Ele me distraiu desses pensamentos quando me fez fitá-lo e disse:
- Seja forte também, Gina. Estou cansado de ser forte por nós dois.
Novamente a voz fraca e dolorida. Vezenquando Harry podia aparentar ser de ferro, mas no fundo, no fundo tinha o coração tão mole quanto o meu.
Eu parei de chorar, é claro. Liguei o som e coloquei uma boa música para tocar. Nos deitamos e ficamos observando, pelas portas abertas da pequena varanda do quarto, o movimento das nuvens no céu.
Tivemos muitos momentos ternos juntos naquele verão, mas de poucos me lembro com tanta saudade. Eu podia sentir Harry me abraçando por trás, o peito contra as minhas costas, suas mãos nas minhas, sua respiração em meu pescoço. Fui tomada por um carinho por ele tão grande, tão doloroso e forte que senti as lágrimas voltarem aos meus olhos. Lutei contra elas e consegui afastá-las, então virei-me no abraço e apertei Harry com força.
Seu cheiro era um conforto, assim como seus braços ao meu redor, sua pele cálida. Meu coração, ferido de amar errado, parecia falhar de vez em quando de tanta ternura. A voz de Harry, parecendo surgir de muito, muito longe e aumentando gradualmente, quebrou nosso silêncio:
- Quem diria que viver ia dar nisso, hein?
Eu podia pedir que ele se explicasse, mas entendi bem suas palavras.
- Quem diria, não? - minhas mãos alcançaram seu rosto, ele fechou os olhos. Como muitas vezes já havia feito, toquei, explorando com suavidade, suas sobrancelhas, pálpebras, cílios, nariz, maças do rosto, lábios... - Eu já disse que sua beleza dói em mim? Você é tão bonito que dói. Dói, Harry.
Não o deixei falar. Beijei-o. Foi um beijo diferente de qualquer outro que trocamos aquele dia: muito suave e leve, pouco mais que um roçar de lábios.
- Gina?
- O quê?
Demorou um pouco até que Harry voltasse a falar:
- Eu queria dizer o quanto eu gosto de você.
- Eu sei disso.
- Eu amo você.
- Eu amo...
Ding-dong. A campainha tocou lá embaixo; Harry e eu nos separarmos.
- Será que é James e Lily?
Muito cedo – disse eu -, ainda falta mais de trinta minutos para as cinco horas. Além do mais, eles tem a chave.
Desci descalça para atender a porta. Quem seria tão torpe para atrapalhar nossa tarde, o momento perfeito meu e de Harry? Abri a porta para descobrir. Se Papai Noel estivesse parado ali, minha surpresa não teria sido tão grande.
ooOoOoOoOoOoo
- Oi, Gina. Harry está?
Meio minuto atrás eu estava serena ao lado de Harry, mas ao ver Cho Chang diante de mim, toda a tranquilidade que me cercava evaporou e foi substituída por irritação, raiva, zanga.
- Sim – minha voz soou ríspida, apesar dessa não ter sido minha intenção.
- Eu posso vê-lo?
Tive vontade de socar aquela garota sorridente e bem-educada à minha porta. Não, você NÃO PODE ver o Harry!
- Claro, entre.
Foi com má vontade que me afastei para ela passar. Respirei fundo tentando me acalmar. Equilibro é a palavra da vez, pensei. Eu iria me manter bem e equilibrada. Bem e equilibrada para que Harry também se mantivesse bem e equilibrado quando o meu caso, quando eu arranjasse um, aparecesse na porta da nossa casa sem ser convidado.
Ou será que Harry havia convidado Cho para ir ali? Afinal, que merda aquela garota estava fazendo na minha casa?!
- Eu vou chamá-lo – fechei a porta de entrada e me dirigi às escadas. – Sente-se e fique à vontade.
Meus pés bateram com força e fúria nos degraus. Entrei numa lufada no quarto de Harry e desliguei o som, encarando-o com os braços cruzados e a expressão fechada. É claro que ele sentiu o perigo.
- O que foi? – sua expressão era pura intriga ao sentar-se na cama – Quem era na porta?
- Adivinha.
- Hum... O carteiro?
- Não – falei entre dentes -, Cho Chang.
Percebi a raiva oprimida na minha voz e o quão perto estava de fazer uma cena. Fechei os olhos e respirei fundo tentando me acalmar. Eu não fazia cenas mais, não fazia. Quem fazia cenas era a velha Gina. Agora eu era uma nova Gina Lily Potter. Uma nova garota.
O raciocínio funcionou. Mais calma, abri os olhos para encontrar um Harry confuso a dois passos de mim.
- Cho?
- Cho, Harry, Cho Chang. Você sabe quem é ela, não? Se você não lembra...
- O que ela quer?
- Falar com você.
Eu estou mais calma. Eu estou mais calma. Eu estou mais calma. Eu estou...
- Por quê?
- NÂO SEI! – respirei fundo de novo – Ela está te esperando na sala.
Harry passou por mim em disparada, depois voltou e segurou meus ombros.
- Eu amo você, Gina – após me dar beijo rápido, ele caminhou para fora do quarto e para o andar de baixo.
Assim que ele sumiu de vista veio a desolação. Sentei na cama e abracei bem firme os meus joelhos. O que ela queria com ele? O que ela podia querer com ele que tinha aparecido sem avisar ali, na nossa casa, no meio da tarde?
Tive vontade de descer e dar uma olhada no que estava acontecendo, porém não o fiz, sabia que isso seria inadequado. Cho poderia estranhar minha presença ali, desconfiar do meu nervosismo. Além do mais, seria estranho. Que tipo de irmã segura fica segurando vela do irmão propositalmente?
Fui para o meu quarto. O dia estava claro; o céu, limpo. Fiquei enrolando ali, não fiz nada além de andar de um lado para o outro. Quando olhei o relógio, mais de meia hora já havia se passado. O que eles estariam fazendo agora? Talvez nos braços um do outro no sofá?
Resolvi que não seria estranho se eu resolvesse ir à cozinha beber água e no caminho desse uma boa olhada naqueles dois na sala. Um gesto casual que escondia minhas intenções.
Contudo, encontrei a sala vazia ao chegar lá. Nada, ninguém, nenhum som. Meu coração acelerou no peito. Onde eles estavam? Onde eles estavam?!
Enquanto me fazia esses questionamentos, caminhava rumo à cozinha. Comecei a ouvir vozes baixas que foram aumentando de acordo com meus passos. Antes de chegar ao fim do corredor já sabia que Harry e Cho estavam na varanda, de onde vinham os murmúrios da conversa.
Pareceu que caminhei quilômetros da sala à cozinha, mas foram apenas alguns metros. Meu coração ainda batia rápido no peito quando abri a geladeira e tirei a garrafa d'água. Pelas janelas e porta abertas, eu podia escutar com clareza o que era dito na varanda. Eles conversavam sobre humoristas da TV, era Cho quem falava agora. Harry riu forte e alto, de um jeito muito relaxado. Sua risada me causou um calafrio na espinha, um medo... Ploft!
Pulei de susto e, se não estivesse de chinelo, teria cortado o pé em meio aos cacos de vidro; cacos, esses, da garrafa d'água que antes eu tinha em mãos.
- O que foi? – Harry apareceu na cozinha e, vendo a bagunça de água e vidro, se preocupou – Ta tudo bem? Você se cortou?
- Ela machucou? – Cho apareceu atrás dele.
- Eu estou bem - ainda estava parada em frente à geladeira aberta. Apressei-me para limpar aquilo, mal olhando para Harry e Cho ao passar por eles ao ir buscar o material de limpeza.
- Precisa de ajuda, Gina?
- Não, Harry, obrigada.
Nossos olhos se cruzaram por um instante; não sei o que ele viu nos meus, mas os dele me questionavam.
Limpei a bagunça que tinha feito ao som da conversa dos dois. Harry havia ficado preocupado com meu pequeno incidente, mas agora seu tom de voz era novamente normal e relaxado. Ele ria com facilidade e a cada risada eu tinha a certeza que iria perdê-lo. Besteira, é claro. Eram só risadas, eu estava colocando coisas na cabeça.
Entretanto, não consegui me livrar da sensação de desconforto, então assim que terminei minha limpeza saí da cozinha. Talvez a distância deles melhorasse meu ânimo. Ou talvez uma boa bebida fizesse isso.
No bar, me servi de um ótimo uísque do papai. Eu havia esquecido como era doloroso ver Harry e Cho juntos; saber que eles estavam juntos era uma coisa, vê-los e ouvi-los era outra.
Mal servi minha segunda dose e a porta da sala se abriu revelando papai e mamãe. Nem tinha percebido que já era hora deles chegarem.
- Olá, Gina – papai veio até mim e depositou um beijo no topo da minha cabeça. – Se aventurando com as minhas bebidas? Está tentando fazer algum drinque?
- Não abuse, hein, Gina! – mamãe estava subindo as escadas – Somos liberais, mas não gostamos dos nossos filhos bêbados.
- Ta, mamãe.
- Cadê o Harry?
- Na varanda.
Durante o meu curto diálogo com mamãe, papai deu a volta no bar e remexeu em suas bebidas.
- Uísque tem que ser com gelo – ele depositou duas pedrinhas no meu copo e preparou uma dose para ele. – Saúde!
Brindamos a nada e quando papai subiu as escadas, fui com ele. Atravessamos a ante-sala do seu quarto e chegamos ao dormitório.
- Lily? – papai chamou.
- Aqui – mamãe saiu do closet trocando de roupa; nessa altura eu já estava atirada na cama dela. – Gina, o que foi?
- Nada.
- Está meio amuada...
- Estou bem.
- Cadê o Harry? – foi papai quem perguntou, sua voz vindo do banheiro além do closet - Sempre que chegamos vocês estão juntos, fofocando sabe Deus o quê.
- Ele está na varanda.
- Fazendo o quê?
- É, fazendo o quê? – repetiu mamãe, trocando as sapatilhas por chinelos.
- Sei lá... Deve estar se agarrando com aquela garota.
- Garota? – a voz de mamãe soou cheia de curiosidade – Ele está com uma garota?
- É, com a tal de Cho – acho que nenhum dos meus pais percebeu o desprezo na minha voz.
- Sério? – mamãe desapareceu do quarto em um instante. Eu tinha certeza que ela havia ido dar uma olhada em Harry e Cho.
Não demorou muito para que ela voltasse. Na verdade, ela voltou lá de baixo antes de papai terminar o banho. Sua expressão estava radiante.
- Ela é um amor! Linda e bem-educada. James, você tem que dar uma olhada...
Tapei minha cabeça com o travesseiro, mas não adiantou nada. Ainda ouvia mamãe conversar com papai sobre Cho, falando que ele tinha de descer para dar uma olhada nela; que ela e Harry ficavam bem juntos; que Harry nunca tinha trazido nenhuma garota em casa antes, então eles deviam estar namorando sério.
- E já não era sem tempo – papai retrucou. – Começava a me perguntar se ele não era gay.
- James!
- Eu não teria nada contra, Lily, é só que isso é algo que eu gostaria de saber.
Sorri pelo pensamento deturpado de papai. Harry não era nada gay, isso eu sabia dizer melhor do que ninguém.
A única coisa que me despertou do meu casulo foi o comentário de mamãe sobre descer para fazer o jantar...
- ...porque eu não vou oferecer comida tailandesa de restaurante para a namorada do meu filho na primeira vez que ela vem aqui.
- O QUÊ? – meu tom foi indevidamente alto – Ela... Cho vai ficar para o jantar?
- Eu faço questão que ela fique.
Voltei a me atirar na cama. Ouvi os passos da mamãe saindo do quarto e corredor afora, depois, apenas o silêncio. Então, quando uma mão tocou meu cabelo, tomei um susto e abri os olhos na esperança que fosse Harry.
- O que foi? – papai perguntou – Você está mesmo amuada, sua mãe está certa.
- Estou com dor de cabeça.
- Está? – assenti, apesar de não estar sentindo nada – Vou pegar um remédio para você.
Fiquei sozinha novamente e voltei a fechar os olhos. Ia me concentrar só na minha respiração, só no inspirar e expirar, assim deixaria minha mente livre de qualquer outra coisa. Inspirar e expirar, inspirar e expirar, inspirar e expirar... Até que papai voltasse com meu remédio.
ooOoOoOoOoOoo
Deitada na cama dos meus pais, eu podia ver papai sentado em sua escrivaninha. Portas duplas e elegantes separavam os dois cômodos que formavam o quarto dele e de mamãe: o dormitório, onde eu estava, que era o quarto propriamente dito; e a ante-sala, que servia de escritório e biblioteca para papai e cuja porta também era do tipo dupla e elegante.
- O que você está fazendo?
- Oi? – papai nem levantou os olhos do que escrevia.
- Perguntei o que está fazendo.
- Um esboço.
Levantei-me e fui até ele. Já era de noite, provavelmente quase na hora do jantar.
Olhando por cima dos ombros do papai, vi que ele desenhava um prédio.
- Está muito bonito.
- Está?
- Está, pai.
Ele tirou os olhos do seu desenho e me fitou.
- Lembra, Gina, que quando você era pequena vivia me imitando? Desenhando edifícios e tentando fazer maquetes...
- Lembro que uma vez você trouxe uma maquete para casa e eu quebrei.
- É, mas foi minha culpa, não devia ter deixado você sozinha com a maquete. Você era muito pequena, tinha uns cinco anos.
- Acho que eram quatro.
- É, talvez. Eu lembro que depois que você quebrou a maquete, você começou a chorar e cismou de fazer outra. Estava tão bonitinha, aquela meninha magrela tentando arrumar meu trabalho estragado... Tanto que eu nem me zanguei. Harry até tentou te ajudar, mas, bem, não de certo.
- Claro que não, eu só tinha quatro anos e Harry, cinco.
Papai sorriu e voltou a desenhar. Ele desenhava muito bem. O prédio que ele esboçava parecia mesmo um prédio, nos mínimos detalhes. Não era só um retângulo com quadrados que representavam janelas, como meus desenhos infantis costumavam ser. Ele podia desenhar qualquer coisa bem, fosse pessoa, objeto ou animal.
- Quer tentar? – papai pegou uma grande folha em branco e me passou – Você costumava desenhar bem.
- Não, eu nunca desenhei bem.
- Você sempre desenhou bem, Gina. Só precisa de um pouco de técnica.
Ele ficou me olhando em expectativa. Por fim, com um suspiro e um sorriso, aceitei sua sugestão.
- Não vai ficar muito bom, você sabe.
- Vai ficar ótimo.
- O que eu desenho?
- O que você quiser.
- Ta bom.
Sentei na cadeira oposta a de papai, ficando de frente para ele. Sua mesa era grande o suficiente para nós dois e ainda sobrar espaço.
O lápis em minha mão deslizou pelo papel com facilidade. Desenhar me pareceu muito simples, e me diverti sem ver o tempo passar...
- Muito bom – papai tinha deixado de lado seu trabalho e olhava o meu. – O Harry, não é?
Voltei os olhos para o meu papel com incompreensão. Me surpreendi ao ver que sim, era verdade, eu tinha desenhado o rosto de Harry - sem nem mesmo perceber.
Papai tirou o desenho das minhas mãos e passou a observá-lo.
- Eu ia te desenhar – comecei a inventar -, mas aí percebi que o Harry era mais fácil. Não...
- Está ótimo, Gina. Você devia investir nisso, tem um traço firme. Daria uma boa arquiteta.
Meio encabulada pelo elogio inesperado, sorri.
- Bem, na verdade... Eu estava mesmo pensando em fazer arquitetura.
Percebi que peguei papai de surpresa, mas o fato era que eu tinha mesmo pensado naquilo. Afinal, no próximo ano teria de ir para a universidade, não?
- Eu ficaria muito feliz se isso acontecesse. Ter para quem deixar a empresa seria ótimo, mas não quero te pressionar, nem ao Harry. Ele quer ser sociólogo e, se depender de mim, vai ser. Você pode fazer o que quiser profissionalmente.
- Mas não há nada que eu realmente queira, então pensei... Não sei ainda, foi só algo em que pensei. Não tenho certeza se...
- JANTAR! – a voz de mamãe chegou lá de baixo, nos interrompendo.
- Vamos jantar – papai se pôs de pé -, estou faminto. Outra hora conversamos sobre isso, temos muito tempo.
Ao descer as escadas com papai, meu desenho de Harry devidamente guardado no bolso, torci para aguentar aquele jantar. Talvez eu pudesse dar uma desculpa, dizer que estava sem fome... Não, não, isso seria pior, porque aí eu ficaria imaginando o que estava acontecendo ali embaixo.
Para somar às surpresas do dia, mamãe havia arrumado a sala de jantar. Quase nunca comíamos na sala de jantar, sempre usávamos a mesa da cozinha.
Harry e Cho já estavam lá quando chegamos, sentados um ao lado do outro. Sentei-me ao lado de mamãe e de frente a Cho. Costumava sentar ao lado de Harry, mas naquela noite meu lugar já estava ocupado. Papai se sentou no seu lugar de sempre: na ponta da mesa, o lugar do anfitrião.
Não comi quase nada e mal ergui os olhos do meu prato. Falei pouco também; usei a desculpa de ainda estar com dor de cabeça, mas na verdade só estava com raiva. Raiva de Cho por estar ali com a minha família, raiva de Harry por tê-la recebido bem, raiva de mamãe e papai por serem gentis e agradáveis com ela. Do que ouvi no jantar - e estava prestando muita atenção na conversa -, meus pais e Cho se deram muito bem.
Quase tão calado quanto eu só estava Harry, que praticamente só falava algo quando era perguntado. Nas poucas vezes em que nossos olhares se cruzaram, ele me pediu uma desculpa silenciosa, que ignorei ao me concentrar na minha raiva, que aumentava mais e mais.
Naquela noite, mamãe questionou Cho com discrição, de um modo muito sutil e carinhoso. Tenho certeza que Cho não se sentiu constrangida ao responder as perguntas sobre si, seus gostos e preferências, seus pais e o lugar onde morava.
Desconfiei que papai percebeu as faíscas que cruzavam a mesa entre mim e Harry, mas ele não falou nada.
Por incontáveis vezes naquele jantar, me imaginei esganando Cho, pulando em cima dela, revelando toda a verdade sobre mim e Harry só para ver sua cara de choque, mas é claro que não fiz nada isso. Tudo que fiz foi responder suas perguntas com indiferença e monossilabicamente. Aquela vaca!
Quando todos acabaram de comer, eu já estava fervendo de fúria. Levantei-me com pressa e deixei minha cadeira cair, mas não voltei para pegá-la. Se eu tivesse que ficar mais um minuto no mesmo cômodo que aquelazinha, ia fazer uma besteira.
Subi quase correndo para o meu quarto. Troquei de roupa, escovei os dentes, fechei a janela, apaguei as luzes e me joguei na cama. Não era nem nove horas, mas e daí se eu queria dormir?
Me virei de um lado para o outro e nada do sono aparecer. Mamãe subiu e me chamou para a sobremesa, mas eu menti que minha dor de cabeça estava insuportável – tão insuportável quanto uma certapresença indesejada, quase completei. Não sei se consegui enganá-la, mamãe é esperta, mas ela me deixou em paz.
Assim, fiquei me remoendo na escuridão do meu quarto. Às vezes sentia vontade de chorar, mas era uma vontade que logo passava e era substituída pela raiva, insegurança, medo... Me perguntava quando Cho ia embora. E será que ela ia voltar? Eu tinha certeza que mamãe havia convidado-a para voltar, ela tinha achado Cho "um amor". Argh!
A luz do meu quarto se acendeu incomodando meus olhos. Pisquei e vi Harry parado na soleira, uma taça nas mãos.
- Sorvete – ele ergueu a taça e entrou no quarto; percebi que trancou a porta. – Sobremesa atrasada. Já são...
- Ela já foi? – apressei-me em perguntar, sentando-me. Não precisei explicar quem era "ela", Harry sabia.
- Não. Está terminando de ajudar Lily a encher a lava-louças.
- Ah, que gentil! A nora perfeita! – debochei.
Ele se sentou na cama. Ofereceu-me o sorvete, que eu não quis.
- Vou colocar aqui, caso mude de idéia – depositou a taça na mesinha de cabeceira e aproximou-se de mim. – Não posso demorar...
- Então vá embora.
- ...tenho que levar Cho em casa.
- O quê?!
- Lily me intimou a levá-la em casa, e ela está certa. Pegar um ônibus a essa hora pode ser perigoso.
- Você não vai ficar por lá, né?
- É claro que não – sua mão alcançou e entrelaçou a minha -, vou voltar para casa, para você. Não é isso que seu acordo idiota sobre relacionamento aberto diz? Que não importa com quem a gente saia, o importante é que no fim sempre vamos voltar um para o outro?
Não respondi e, no silêncio que caiu, nós continuamos apenas nos fitando. Pouco depois, ele continuou:
- Você está brava comigo?
- Não. Estou brava com ela. O que ela está fazendo aqui? Você a convidou?
- Não, não convidei Cho.
- Então o que ela veio fazer aqui em casa?
- Ela veio atrás de mim.
- Pra quê?
- Ela disse que queria me ver.
- Por quê?
- Porque estava com saudades, foi o que ela disse – pausa - Desculpa, Gina.
- Tudo bem – respirei fundo desviando os olhos dos dele; não queria que Harry visse minhas lágrimas -, não é culpa sua. É só que eu não estava preparada para isso hoje.
Gentilmente, Harry segurou meu queixo e me fez fitá-lo. Seus olhos refletiam devoção por mim. Eu o amei tão intensamente naquele instante que me atirei em seus braços.
- Promete? Promete que sempre, sempre vai voltar para mim?
- Sempre, Gina. Sou egoísta demais para te deixar, não sei o que seria de mim sem você. Não existe Harry sem Gina.
- E não existe Gina sem Harry.
Ele me beijou. Foi explosivo e ardente no começo, mas depois se tornou cálido e sereno. Quando nos afastamos, estávamos ambos sem fôlego.
- Preciso ir – ele falou.
- Ta.
Harry demorou mais do que o necessário para se levantar. Parecia temeroso em sair.
- Levo o sorvete?
- Leva.
Ele assentiu e pegou a taça. Aproximou-se novamente e tomou minha boca na sua com uma violência rara nele. O beijo tirou meu controle e amoleceu meu corpo.
- Agora eu vou mesmo, Gina – as palavras sussurradas contra meus lábios demoraram a ser assimiladas por meu cérebro, apesar de eu ouvi-las perfeitamente.
Quando me dei conta, Harry já não estava ali comigo. Suspirei em pesar e me estiquei na cama. Ele ia voltar para mim. O importante era que ele ia voltar.
ooOoOoOoOoOoo
Fiquei protegida no silêncio e escuridão da sala de estar do andar de cima da casa, olhando da varanda para a rua sem movimento. Eram pouco mais de nove horas quando Harry saiu para levar Cho em casa, e agora eram cerca de dez horas. Onde Cho morava, hein? Harry já devia estar de volta, não?
Me atirei no sofá perfeitamente branco daquela sala vazia. Eu não devia enfiar coisas na cabeça. Não devia pensar tolices. Não devia imaginar que ele havia resolvido entrar para conhecer a casa e, principalmente, o quarto de Cho. Não, essas eram ideias tolas, Harry não faria isso.
Então por que eu não conseguia espantar a angústia? Por que estava desesperada? Tinha me comportado relativamente bem dias antes, quando ele foi ao encontro com Cho. Por que o nervosismo logo agora? Por que eu estava tão inquieta?
No fundo eu sabia a resposta. É, eu sabia. Eu estava à flor da pele porque agora a coisa toda havia crescido. Já não era algo apenas entre eu e Harry, agora mamãe e papai tinham aprovado Cho. Ela tinha ido até a minha, a nossa casa. Ela havia sido recebida de braços abertos. Ela tinha feito Harry rir! Quando eu tinha feito Harry rir, rir de verdade, gargalhar, pela última vez? Eu não lembrava... Podia ter sido no dia ou no mês anterior.
Eu sabia que Harry voltaria para mim e que ficaríamos juntos, mas era impossível calar as dúvidas e os medos. Porém tudo melhoraria, eu tinha certeza. Com o tempo eu me acostumaria às mulheres entrando e saindo da nossa casa e da nossa vida, mulheres que, a vista de todos, seriam as mulheres de Harry. Todavia, eu e ele saberíamos que na verdade elas não eram dele. Não elas, apenas eu.
Só que eu também sabia que a primeira vez era sempre a pior. A primeira vez que peguei Harry e Cho juntos doeu como nada nunca havia doído, mas acabei me acostumando à ideia dele ter outras, assim como a de eu ter outros. Havia pensado sobre pseudo-namoradas dele virem até a nossa casa, mas não tinha passado por isso ainda. Aquela noite havia sido a primeira vez e, como muitas das primeiras vezes relacionadas a Harry, havia doído. Aquela era a minha prova de fogo e, apesar dos pesares, eu estava passando por ela. Era difícil, mas eu estava inteira, ainda firme na minha decisão de relacionamento aberto e acreditando que Harry não iria me desapontar. Ele não faria nada com nenhuma garota que já não tivesse feito comigo - esse era nosso trato e ele iria cumpri-lo como tinha feito no dia que levou Cho ao cinema.
Lembrei-me, então, de como ele estava confiante e risonho ao voltar do encontro com Cho na semana anterior, muito diferente de como esteve aquela noite ali em casa, quando se mostrou nervoso e aflito na minha presença, sempre com desculpas silenciosas. Eu sabia que ele estava sofrendo por mim, que...
- Gina?
- AH! – dei um berro alto pelo susto – Oh, mamãe, é você.
- Quem mais seria? Só podia ser eu ou seu pai. Fecha essa varanda e vai deitar. Eu pensei que já estivesse dormindo.
- Estou sem sono...
- É a dor de cabeça de novo?
- É, acho que é.
- Quer tomar algo?
- Não, é coisa boba. Tenho certeza que já vai passar.
Fomos para a sala de TV, onde papai estava. Deitei com a cabeça no colo dele e quando suas mãos começaram a vagar por meus cabelos, fechei os olhos. Ficamos os três assistindo a um entediante jogo de futebol. Meus olhos foram ficando pesados, pesados, pesados...
Algo me balançava, e foi nesse momento que despertei sonolenta. Papai estava me levando para a cama.
- Que horas são?
- Dez e meia. Durma, Gina.
Na cama, virei-me e me aconcheguei aos lençóis e travesseiros. Pensei vagamente sobre Harry, se ele já tinha voltado ou não, mas o sono me envolveu antes...
Quando abri os olhos, a casa estava em absoluto breu e silêncio. O relógio digital no meu criado marcava 1:02 AM. Da mesma forma que dormi pensando nele, levantei pensando em Harry.
Foi fácil encontrar seu quarto no escuro, eu conhecia bem o caminho. Quando acendi a luz, meu peito apertou indefinivelmente. Ele não estava na cama e nem no banheiro. Ninguém estava no banheiro do corredor também, nem na sala de TV ou na de estar. Corri para o andar de baixo...
Ele não fez isso comigo, ele está em casa, tem de estar! Ele não ficou com ela...
A sala do térreo estava vazia, o bar também, a cozinha... minha última esperança. Acendi a luz sentindo o coração na garganta. Nada. Vazia também.
Senti o chão gelado sob mim, a parede às minhas costas, as lágrimas escorrerem. Como ele pôde? Como ele pôde?
- Como ele pôde?! Como?! - as imagens de Harry enroscado com Cho vinham em flashs - Como?! Como...?
- Gina, o que você está fazendo aí?
Pensei primeiro que era uma alucinação auditiva, mas, ao abrir os olhos, o alívio e a felicidade me preencheram. O rosto familiar e bonito de Harry estava ali, junto do resto de seu corpo.
- Harry!
- O que você está fazendo aí? – sua voz não trazia nenhum resquício do desconforto de antes, apenas curiosidade. – Por que está chorando?
Sequei as lágrimas e me ergui enquanto ele vinha até mim. Tantas vezes havíamos nos abraçado forte aquele dia, mas daquela vez eu apertei-o até meus braços doerem.
- Pensei que você tinha ficado com Cho – minha voz era tão baixa quanto meu abraço era intenso. – Pensei que estava dormindo com ela.
- O quê?
- Sua cama está vazia, não te encontrei em lugar nenhum...
- Mas eu to aqui, estava na varanda - ele me levou para fora, para a varanda, onde nos sentamos. – Olha como o céu está bonito.
- Está mesmo – mas eu não estava preocupada com o céu, estava preocupada com ele. – Que horas você voltou? Por que ainda está usando a mesma roupa de quando saiu? O que aconteceu?
- Voltei pouco depois das dez e meia, você já...
- Demorou.
- Demorei, é verdade, mas quando cheguei à casa de Cho, os pais dela fizeram questão que eu entrasse...
- E você entrou?
- Eu tive que entrar.
- Hum – minhas mãos me pareceram muito interessantes.
- Ficou chateada?
- Não, não.
- Gina, olha para mim – olhei-o. – Eu tive de entrar, não dava para fugir.
- E o que você fez dentro da casa da Cho? Conheceu o quarto dela? – rancor e provocação sombrearam minha voz.
- Não, Gina, eu tomei uma xícara de chá, troquei algumas palavras com os pais dela e voltei para casa.
- Sei...
- Gina, é verdade.
Harry podia mentir para mim, mas seus olhos jamais mentiriam. Então eu soube que ele estava mesmo falando a verdade.
Ele saiu da varanda e entrou na cozinha. Eu fitei o céu com sua lua grande e estrelas brilhantes. Meus olhos se fecharam quase sem eu perceber.
Senti uma pressão gelada na minha bochecha. Era Harry me dando um beijo.
- Quer sorvete? – ofereceu ele.
- Quero, obrigada.
Tomei a taça das suas mãos e, enquanto comia, tentei ignorar o temor que crescia em mim. O fato dele ter conhecido os pais de Cho não torna tudo mais terrível, repetia a mim mesma, não torna.
Acabou que dividimos todo o pote de sorvete; Harry, como sempre, comeu muito mais do que eu.
- Que tal – sua mão em minha nuca fazia uma pressão gostosa e seu sussurro em meu ouvido me causou um arrepio – subirmos? Vamos dormir juntos, como nos velhos tempos.
- Perigoso demais, Harry. A gente anda se comportando muito pior do que antes, mamãe e papai...
- Vamos ser cuidadosos. Trancamos a porta e colocamos o despertador para tocar.
Não precisei pensar muito.
- Ta, tudo bem, mas vamos logo que amanhã cedo tem aula.
Ele tirou alguns fios de cabelo do meu rosto e, antes que entrássemos novamente em casa, se aproximou devagar. Primeiro nossos olhos se fecharam, depois nossos narizes se tocaram, então já podíamos um sentir a respiração do outro. Nossas bocas se encontraram com a segurança de quem já conhece bem um ao outro.
Acima de nós, a noite era nossa única testemunha.
Aos leitores:
UM ANO DE ENTRE 4 PAREDES!
UAU! Há exatos 365 dias atrás, no dia 30 de novembro de 2008, eu postava o primeiro capítulo desta fic. Agora, um ano depois, já acumulamos 17 capítulos e 240 reviews. Gente, MUITO OBRIGADA POR TUDO! Por lerem, deixarem review e, principalmente, por terem me apoiado nesse projeto que a princípio eu não sabia se daria certo. Estou muito feliz com o resultado que a fic está tendo, assim como estou praticamente certa que dentro de mais um ano ela estará acabada.
Esse mês, como presente a vocês, eu postei quatro capítulos. Em contrapartida, vocês deixaram reviews ótimas. Sou muito grata àqueles que comentaram nos três últimos caps e que comentarão nesse, o aniversário da fic foi comemorado com sucesso. Obrigada, obrigada, obrigada!
Sobre esse capítulo, ele saiu um pouco diferente do que eu pretendia, mas está tudo aí. Aconteceu o que tinha de acontecer e ainda mais. A partir de agora, Harry e Cho... Não, não, não devo dizer. Ninguém quer spoilers, não é?
Pude notar pelas reviews que as pessoas gostam mais dos capítulos do Harry do que dos da Gina. Nossa, eu realmente me surpreendi com isso! Os capítulos dele são mais difíceis de escrever, então o comentário de vocês me deixou feliz e crente que estou fazendo um bom (ou pelo menos decente) trabalho.
Bem, é isso. Hoje fico por aqui. Em breve atualizarei Perdidos na Rotação, não deixem de ler.
Beijos enormes,
Lanni.
PS: Vi algumas reviews de pessoas que nunca tinham comentado antes. Onde vocês estavam se escodendo, hein?
Respostas as reviews:
ooo Kellysds: É estranho eu ter uma noção tão exata da fic enquanto vc's só ficam com as suposições. Às vezes acho que estou dando tantas dicas do que vai acontecer... Mas acho que é só impressão. Boa sorte com as suas escritas! Beijo.
ooo Anna Weasley Potter: H e G não são santos... Eles são adolescente britânicos e vivem como tal. Fazem o que todos os outros fazem: se divertem, bebem, saem... Inclusivem fumam e se drogam eventualmente. Esses "falhas" (ou assim chamadas pela sociedade pseudo-moralista) os tornam mais reais ao meu ver.
A surpresa da Gina foi a Cho aparecer, mas a essa altura vc já sabe disso. Beijo!
ooo Grace Black: É, a relação do H e da G está cada vez mais delicada, e a G às vezes não sabe como lidar com isso. Mas como o único jeito é seguir em frente, e ela continua caminhando.
"(...) James elily vão prestar mais atenção neles". J e L vão prestar mais atenção um no outro, apesar de manterem os filhos ao alcance.
"Sempre achei o Harry muito distante como filho..." Acho que ele quer ser distante como filho, porque assim é como se ele se sentisse menos membro da família, o que consequentemente o faz se sentir menos culpado de ficar com a Gina. É uma lógica complexa e sutil.
Vou atulizar PnR até a semana que vem, então fique de olho. Beijo!
ooo Patty Carvalho: Não devo demorar para atualizar PnR não, porém talvez só faça isso semana que vem, porque essa semana eu tenho provas terríveis esperando por mim. Mas depois disso... férias! Então vou poder escrever um pouco mais. Beijo!
ooo Lizaaa: É, o cap passado foi, de certa forma, um avanço. Harry e Gina estão cada vez mais próximos, a relação deles cada vez mais perigosa... Beijo!
ooo thamiresbr: Olá! Adoro novos leitores, então seja bem-vinda. Olha, a Gina e o Harry não são adotados, eles são irmãos mesmo - laços de sangue e tudo. Mas fica tranquila, eu tenho um bom final reservado para eles. Beijo!
ooo Carol Good God: Hahaha... Harry ou Gina filhos do Snape? Não mesmo! Eles são filhos da Lily e do James, pode ficar tranquila.
"Gente qual será a surpresa da Gina? Será que a Cho vai aparecer do nada e se apresentar como namorada do Harry?!?!?!" Bem, vc quase acertou. Na verdade, acertou a primeira parte: ela apareceu na porta dos Potters, apesar de não ter se apresentado como namorada do Harry. Beijo!
ooo fairy malfoy: Ah, a "nova tempestade"... Ela nem será realmente uma tempestade, está mais para uma chuva meio forte. A Gina às vezes é contraditória, mas as coisas estão avançando no seu ritmo. Vamos ver até onde chegam. Beijo!
ooo Tatamcr: Oh, obrigada! Eu tbm acho que nesses tempos é realmente difícil encontrar algo que a vale a pena ler. As fics andam mt gastas, com o mesmo enredo, sempre mt parecidas. As coisas diferentes são raríssimas de aparecer. Beijo!
ooo Lie Malfoy: Espero que, a essa altura, vc já tenha conseguido chegar ao último capítulo postado (este). Fico feliz por vc estar lendo a fic, é sempre bom atrair novos leitores a essa altura do campeonato.
Obrigada pelas palavras tão gentis e animadoras sobre as capítulos do Harry. Faz parecer que todo o esforço para escrevê-los vale a pena. Continue acompanhando a fic, ok? Beijo!
ooo RaFa Lilla: "Acho q consigo vislumbrar para onde vai a sua fic!" É? E para onde vc acha que ela vai? Sobre o Nick, não, ele não vai aparecer novamente - mas se eu mudar de idéia e ele reaparecer, será uma participação irrelevante.
"Triângulos são tão bons! hihi..." Bem, Gina, Harry e Cho são um triângulo. Beijo.
ooo Pati Black: Esse mês é o aniversário da fic, por isso as várias atualizações. Vc ficou curiosa sobre o que em relação as notas do fim do capítulo? Sobre a supresa da Gina? Se for, a surpresa dela era a visita da Cho. Até mais, beijo!
ooo Melissa 0927: Oh, todos amamos H/G! Eles são adoráveis juntos! Fico feliz que esteja gostando da fic e espero que continue acompanhando. Beijo!
ooo Kel Minylops: Ainda não sei se essa briga do James e da Lily vai ficar só nisso, talvez eu acrescente algumas coisinhas referente a ela no futuro. Não sei... rs. Beijo!
ooo Pedro Henrique Freitas: Pedro, acho que a essa altura você e todos já sabem que a (desagradável) surpresa que a Gina teve foi a visita da Cho, algo totalmente inesperado. Coitada, ficou com o coração na mão! Mas eu acho que ela exagerou um poquinho, entretanto. Até a próxima. Beijo!
