Gina

Eu estava confusa. Mais confusa do que quando peguei Harry e Cho se agarrando na festa da escola. Era uma confusão diferente, de outra natureza.

Primeiro havia Harry. Nada mudara em relação a ele, eu continuava gostando dele do mesmo jeito, se não mais, porém era impossível encontrar a voz quando pensava em lhe contar o que havia acontecido entre eu e Draco. Eu não tinha coragem.

Um medo enorme me dominava quando eu pensava nisso. Seria lógico que Harry não se importasse, afinal ele estava com Cho e tinha traído nosso antigo trato na mesma tarde em que me envolvi com Draco. Mas quem disse que a lógica importava? Eu sabia que a emoção dominaria e temia o que pudesse acontecer. E se eu contasse e Harry ficasse com tanta raiva de mim que resolvesse transar com Cho? Não sei se isso seria bom ou ruim, mas não queria que acontecesse.

Eu não podia, não conseguia contar a ele e tinha medo que Harry descobrisse. Ao mesmo tempo, eu sabia que ele sabia que eu estava escondendo algo.

Além disso, havia nossa relação insana. Estávamos de férias, mamãe ainda estava trabalhando, então (apesar dos meus temores) toda e qualquer hora que ficávamos sozinhos em casa estávamos nos agarrando em algum lugar. Toda e qualquer hora, fazendo de tudo, tudo mesmo, menos sexo propriamente dito – exatamente como Harry estava fazendo com Cho.

Algo mudou depois do que aconteceu na casa de Draco. Eu não conseguia me controlar.

Em segundo lugar, havia Cho. No acampamento, eu, em um momento de fragilidade, havia esquecido que a detestava tanto e lhe dei corda. Nós conversamos e vi que ela não era tão mal assim. Queria detestá-la, mas isso já não era possível. Ela era, infelizmente, uma boa garota. Um dia eu cheguei a triste conclusão que, se eu não pudesse ficar com Harry, gostaria que Cho ficasse.

Então, em terceiro lugar, Draco. Ai, que vergonha! Eu nunca, jamais, nem em um milhão de anos, teria me comportado com ele como me comportei se não estivesse chapada. Mas fumei o baseado e tudo pareceu engraçado, bonito, possível e... deu no que deu. Só de imaginar eu ficava corada – não sei se de vergonha ou se pelas lembranças das sensações que ele provocou em mim.

Era estranho que eu amasse tanto Harry e, uma e outra vez, me pegasse pensando naquela fatídica tarde com Draco? Será que ele era realmente bom no quesito pegação ou aquelas eram só lembranças confusas de uma mente chapada?

Apesar de eu amar Harry mais do que tudo, às vezes... Às vezes, como em alucinações, me imaginava voltando à casa de Draco e me metendo novamente com ele na cama só para ver se ele era realmente tudo que eu me lembrava. Esses pensamentos se tornavam piores pelo fato deles serem possíveis. Quer dizer, eu não podia me meter na cama com Harry, nossa relação torpe não permitia, mas com Draco... Ele não era da família nem nada assim.

No acampamento, acho que Harry não percebeu, Draco ficava me olhando de um jeito muito perturbador. Eu tentei evitá-lo, morta de vergonha pelo nosso pequeno episódio, assim como ainda estava evitando-o. Com as férias, era mais fácil não vê-lo.

Ao mesmo tempo eu não podia deixar de pensar que ele havia sido muito bacana comigo. Eu me ofereci para Draco e ele disse não, porque eu estava chapada. Essa atitude me surpreendeu quando, no dia seguinte ao "incidente", totalmente sóbria, pensei no assunto. Talvez Draco não fosse tão mau quanto parecia, talvez ele escondesse algo bom por baixo daquela aparência de predador. Eu estava enlouquecendo ou tinha alguma lógica no meu raciocínio?

Por tudo isso, por meus pensamento com Draco, não podia culpar Harry por ficar com Cho. Eu, pela primeira vez, realmente o entendia.

ooOoOoOoOoOoo

Nas férias do ano anterior, eu, Harry e nossos amigos havíamos passado vários dias nos divertindo na piscina da casa dos Malfoy. Draco nos convidava quase todos os dias e nós íamos.

Naquele ano, mal julho começou, com seu calor terrível, e Draco fez novamente o convite para uma tarde à beira da piscina. Ele estava tentando agradar Harry e ganhar novamente sua confiança, então fez questão que ele fosse. Garantiu que pelo menos Rony e Hermione também estariam lá, e se Harry quisesse poderia chamar Cho.

Harry não chamou Cho, ele queria me poupar desse encontro. Mas na verdade eu não queria ir à casa de Draco. Cheguei mesmo a dizer a Harry que ele fosse e levasse Cho consigo, porém quando comecei a soar muito suspeita, vesti o biquíni, arrumei minhas coisas e, com a esperança de acontecer um milagre e eu não encontrar Draco, saímos.

Por todo o caminho pedi para que Deus me ajudasse. Era a primeira vez que eu lembrava Dele em muito tempo. Tentava não pensar muito Nele, já que eu estava totalmente perdida.

Não havia muita gente na casa do Draco. Era apenas ele, eu, Harry, Rony, Hermione e Luna. Seis pessoas. Seria impossível evitar o anfitrião.

Narcisa e Lúcio ainda estavam viajando, então não tinha muitas regras ali. Havia bebida à vontade, mas eu nem cheguei perto de nada - não com Draco próximo e as lembranças da última vez que havia usado drogas perto dele nítidas em minha mente.

Grudei em Luna, porque Draco, Harry, Rony e Hermione estavam muito entretidos numa conversa. Pelo que entendi, ninguém acreditava que Draco havia sido aceito e que em setembro iria estudar na University College London. Eu e Luna também não acreditamos. Essa era uma universidade rigorosíssima e Draco Malfoy não era o que se podia chamar de estudioso.

Mas quando ele voltou com o resultado dos seus A-levels e a carta da universidade, calou todo mundo.

- Uau – Hermione falou com o que eu tinha certeza ser uma ponta de inveja, apesar dela não querer estudar na University College London -, parabéns, Draco. Então eu acho que você vai mesmo entrar para a UCL e se tornar um advogado.

- Como todo bom Malfoy.

Foi nesse momento que ele resolveu vir até Luna e eu e, repentinamente, inventei que precisava ir ao banheiro e desapareci.

Era uma atitude infantil, mas me meti no banheiro mais inacessível que encontrei: o da casa da piscina. Uma vez lá, fiquei observando o teto, as paredes e a decoração e pensei no meu medo de encarar Draco. Não podia ser tão mau assim, não é? Não era como se eu fosse morrer de vergonha.

- Ou talvez eu morra. Droga!

Resolvi sair dali porque já estava há muito tempo no banheiro. Na porta, congelei. Draco estava sentado numa cama, exatamente à frente de onde eu estava parada.

- Pensei que ia ficar se escondendo aí a tarde toda – ele se levantou parecendo ocupar todo o espaço da casa.

- Eu não estava me escondendo, estava usando o banheiro – minha voz saiu firme, mas por dentro eu tremia.

- Não estava não.

Como ele sabia? Como?

Ficamos nos encarando por um longo minuto. Quando me movi para sair, depois de descobrir que não conseguiria falar, ele se colocou na minha frente. Ainda tentei fazer o percurso por outro caminho, porém Draco continuou me impedindo.

- Quero sair – dessa vez minha voz não saiu firme.

- Levanta esse rosto, Gina. Olha para mim.

Olhei-o, mas só por um segundo. As imagens do que eu havia feito nele, nós enroscados em sua cama, surgiram na minha mente e me fizeram desviar os olhos. Que vergonha, que vergonha, que vergonha, que vergonha...

- Por que você está fugindo de mim? – havia um tom de riso em sua voz.

- Não estou – dei um passo para trás, porque ele deu um passo na minha direção. Ainda não conseguia olhá-lo, em vez disso encarava o chão.

- Está sim, desde aquele dia em que veio aqui em casa.

- Draco – com o coração disparado no peito, respirei fundo e me enchi de coragem -, vamos esquecer isso. Eu estava fora de mim e, se não fosse por isso, nada nunca aconteceria. Então vamos passar uma borracha em tudo e fingir que não aconteceu.

Novamente ele me impediu de chegar à porta de saída. Segurou meus braços, me mantendo perto dele.

- Eu não consigo parar de pensar em você – a voz dele no meu ouvido não me fez arrepiar como a de Harry fazia – e você me pede para esquecer? Não, de jeito nenhum!

- Draco, por favor...

- Eu estava errado sobre você, Gina! Pensei que fosse uma garotinha boba, cheia de não me toques, mas eu 'tava errado. Você é ousada, é...

- Draco, por favor! - eu precisava sair dali, não queria ouvir o que ele dizia, mas ele não me deixava ir.

- Ei, ei – ele me segurou mais forte; não, não dava para fugir. – Eu não vou fazer nada. Só quero conversar.

- Não tenho nada para conversar com você.

- Ah, tem sim.

- Eu estava chapada, Draco, totalmente fora...

- Mas você não está chapada agora. E você gostou, eu sei.

Abri a boca para protestar, mas me calei. Não mentiria convincentemente.

- E eu gostei de ficar com você – ele continuou, a mão se entrelaçando aos meus cabelos molhados. – Antes eu sabia que você não queria nada comigo, só dava em cima de você para me divertir, mas agora... talvez eu tenha uma chance.

- Se você não me soltar, eu vou gritar – ele não me atendeu, mas começou a depositar pequenos beijos ao longo do meu pescoço. Eu estava desesperada, sentindo um misto de medo e excitação. – Vou... hã... chamar o Harry. Draco, pára... – não foi mais do que um murmúrio.

A boca dele encontrou a minha. Não pude me libertar do seu abraço, nem sabia se queria isso, não sabia de mais nada, inclusive do porquê de estar correspondendo ao beijo dele. Talvez fosse por causa nossos corpos colados e quase nus, mal cobertos pelo biquíni e pela sunga, e da sensação que isso causava. Talvez.

- Gina, você é tão quente!

- Draco... ai, é melhor a gente parar – ele andou para trás até que nos fez cair sobre a cama. Não parecia querer parar.

- Não, senhora. Hoje você está no seu estado normal e eu posso aproveitar.

Foi esse comentário, mais do que qualquer coisa, mais até do que meu pensamento preso em Harry, que fez a lucidez brotar na minha mente. Precisei de toda a minha força para afastar Draco um pouco.

- Draco, não. Eu não vou transar com você.

- Mas outro dia mesmo...

- Não! Eu... – aquilo era embaraçoso – Eu sou virgem. Não vou perder minha virgindade com você.

- Vou ser gentil.

- Não, Draco, não!

Levantei-me como pude. Estava certa que chegaria à porta quando ele me segurou novamente.

- Por que não?

- Porque eu quero que seja com alguém que eu ame e eu não amo você.

Naquele momento percebi que todo o tempo que perdi pensando em como seria ficar com Draco foi exatamente isso: uma perda de tempo. Uma dúvida, uma curiosidade. Ele nem era tão bom quanto as minhas lembranças traiçoeiras se recordavam. Eu não amo você, havia lhe dito. Eu amava Harry, queria Harry ali comigo. Por mais que os beijos de Draco fossem agradáveis e distraíssem, ele não era quem eu queria. Não de verdade.

- Você é igualzinha ao seu irmão.

- E me orgulho disso. Agora, com licença – tentei soltar meu braço, mas ele ainda o segurava firmemente. – Draco, me larga!

Ele respirou fundo e eu tive medo pela primeira vez. Se ele quisesse fazer alguma coisa comigo, naquela casa da piscina vazia, eu não tinha a mínima chance de escapar. Draco certamente percebeu meu temor, porque disse:

- Ei, Gina, calma! O que acha que eu vou fazer? Se quisesse te agarrar, teria feito isso aquele dia aqui em casa.

- E por que não fez?

- Porque te conheço a vida inteira e me importo com você. E sei que nunca me perdoaria se eu me aproveitasse da situação, porque mais que estivesse louquinha para transar comigo.

- Eu estava chapada! – me defendi, porque só estaria "louquinha para transar com ele" se estivesse mesmo drogada.

- Eu sei, essa foi sua salvação - Draco era muito forte, mais do que Harry, me segurava com uma só mão, mas eu não conseguia me desvencilhar dele. – Para de lutar que eu te solto.

Encarei-o. Ele parecia dizer a verdade, então parei de fazer força para me libertar. Ele me largou.

- Você é bruto – meu braço estava avermelhado –, me machucou.

- Não machuquei. Só ficou um pouco vermelho, daqui a pouco passa – ele foi para trás de mim e tocou minha cintura. – Já que não vamos transar hoje, que tal se brincássemos um pouquinho? – ele beijou meu ombro.

- Não. Eu não gosto de você – falei com sinceridade, mas sem muita disposição. – Sem querer te magoar, Draco, mas você é uma perda de tempo.

- Então vamos perder tempo juntos.

- Não – não foi um protesto muito forte. Eu podia sentir suas mãos subirem para meus ombros e seus lábios no lóbulo da minha orelha.

- Sim – ele me virou para si. – Sim.

ooOoOoOoOoOoo

- Onde você estava? - Luna me questionou – Demorou séculos!

- Estava na casa dos Malfoy conversando com Bridget – Bridget era uma das empregadas. – Ela me passou uma receita ótima de bolo com geléia.

Harry me olhou com desconfiança.

- Pensei que tivesse pegado essa receita por telefone na semana passada.

Merda, merda, merda!

- Não, você se enganou – torci para a minha voz não tremer com a mentira, mas era um esforço inútil. Logo notei que Harry não acreditou em nenhuma das minhas palavras. Para mudar de assunto, perguntei por Rony e Hermione.

- Desapareceram juntos – Luna informou. – A gente sabe que eles...

- MADEIRA! - Algo caiu na piscina espalhando água para todo lado. Era Draco.

Porra!Eu havia dito a ele para esperar meia hora e só então sair da casa da piscina. Por que Draco tinha de fazer tudo do jeito dele?!

Quando fitei Harry, ele parecia ter tido uma revelação tamanha era sua concentração em seus pensamentos.

- Acho melhor nós irmos, Gina – a voz séria dele era um anúncio de que as coisas iam desabar. Ele sabia. Simplesmente sabia.

- Ah, mas a festa vai começar agora! – Draco rebateu animado, passando o braço pelos ombros de Luna – Está cedo.

- Acho melhor irmos – Harry repetiu com aspereza, já vestindo suas roupas.

- É, é melhor – murmurei, saindo da água.

- Parece que teremos de nos divertir sozinhos, meu bem – ouvi Draco dizer a Luna enquanto me vestia. Riria do comentário dele se não estivesse tão nervosa. Tudo que podia pensar era que estava ferrada, ferrada, ferrada.

No caminho de volta para casa, em um silêncio sepulcral, soube que tinha de contar tudo ao Harry. Ele parecia já saber da metade mesmo. Talvez fizesse algo que me magoasse, mas eu não podia mais mentir para ele daquele jeito.

Esperei que chegássemos em casa para começar. Harry parecia prever que eu lhe diria uma bomba, estava muito calado e aborrecido.

Ele subiu para o quarto batendo os pés com força. Não havia me olhado nem me dirigido a palavra desde que tínhamos saído da casa dos Malfoy. Eu estava com medo do que ia acontecer, mas fui atrás dele.

O chuveiro estava ligado no banheiro. Eu me encostei à soleira da porta, temerosa.

- Harry – comecei, notando as roupas que ele havia tirado e jogado no chão -, eu preciso te dizer...

- Eu sei – sua voz era pura dor e raiva, uma raiva quase sólida de tão legítima. – Eu sei. Vocês são péssimos, Gina, péssimos em dissimular. Principalmente você!

- Eu sinto...

- Draco! – ele abriu a porta do boxe e se enrolou numa toalha. – Draco! PORRA! O Draco, Gina? O Draco?! - Harry deu um murro na parede, xingando.

Não sei por que, mas eu estava chorando. E entre lágrimas contei tudo para ele, tudo, tudinho, toda a verdade sobre como eu estava chateada por ele demorar na casa de Cho, que fui ver Hermione e Luna, depois Draco, que eu fumei e a gente se pegou, e meu desconforto no acampamento e toda a situação daquela tarde...

Enquanto eu falava, Harry não me olhou nenhuma vez. Ele ficava andando de um lado para o outro, sentava na cama, levantava, então voltava a sentar, e vestia uma bermuda, novamente andava de um lado para o outro, chutava algo, voltava para a cama e...

- DIGA ALGO! – eu ainda estava parada na soleira, mas já sem nada a dizer, pois tinha contado tudo – GRITE COMIGO, MAS DIGA ALGO, HARRY!

Sequei as lágrimas e fui até ele, que estava sentado em sua cama, os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça nas mãos. Abracei-o como pude.

- Ele não gosta de você – Harry falou um par de minutos depois -, ele vai transar com você e depois te dar um pé na bunda. É o Draco. É isso que ele faz.

- Nós não vamos fazer sexo, Harry. As coisas entre nós apenas aconteceram. Não é algo que eu planeje que se repita, eu nem gosto dele.

- Mas você adoraria que tudo se repetisse, não?

- Que importa? Eu gosto de você, quero você! Draco... Ele foi um passatempo, uma distração, só isso. Ele não representa nada.

- EU PRECISO SABER! - Harry me fitou. Estava chorando. – Você gosta de ficar com ele? Gostaria que a situação de hoje, de vocês dois juntos, se repetisse?

- Não faça isso, Harry, não...

- RESPONDE!

- Por que sempre voltamos ao mesmo ponto? Por que a gente sempre tem as mesmas brigas, sempre fazemos as mesmas perguntas um pro outro? O que importa além...?

- RESPONDE!

Respirei fundo. Pensei bem antes de dar a resposta que Harry queria, ou seja, a resposta sincera.

- As coisas com Draco são fáceis porque eu não me importo com ele. E se não me importo, nada é levado a sério e não tem importância. Então sim – as lágrimas voltaram a escorrer sem que eu pudesse detê-las -, eu gosto de ficar com ele, por tesão e porque o que eu sinto por ele não me assusta de tão intenso que é!

Harry não disse nada, mas eu sabia que ele estava pensando no que falei. Momentos depois, perguntou:

- Você gosta dele?

- Não, claro que não – Por que eu tinha que ficar chorando como uma panaca?

- Não se apaixone por ele.

- Não seja idiota! Não posso me apaixonar por ele, já estou apaixonada por você.

- Porque se você se apaixonar por ele, ele vai te machucar. Será que Draco está fazendo isso para me provocar?

- Isso o quê?

- Ficando com você.

- Ah, Harry – sequei as que eu esperava ser minhas últimas lágrimas daquela tarde -, não seja tão prepotente.

- Ele me disse no dia em que a gente brigou que ia transar com você. Que queria.

- Isso não é verdade.

- Você acha que eu estou mentindo?

Não, ele não mentia, eu sabia.

- Eu amo você, Gina, não vou... – ele secou suas lágrimas – Eu só não quero que você se machuque.

- Harry, você fala como se... Como se o que existisse entre a gente tivesse acabado – eu queria chorar de novo. – Você está terminando comigo?

- Não, não – seus incríveis olhos verdes, vermelhos pelas lágrimas, me fitavam com intensidade –, nunca!

- Eu te amo. Você ainda me ama?

- Sim, para sempre!

- Não vai dormir com a Cho por que eu fiquei com Draco, né?

- Essa é uma boa sugestão, mas não, Gina, não vou.

Ele me beijou. E foi um beijo tão doce, amoroso e bom que tive certeza que nenhum beijo jamais se igualaria aos beijos de Harry.

- Eu estou com medo de te perder – ele me sussurrou. – Draco é muito melhor do que eu. Quando você ver isso...

- Cala a boca. Cala a boca, Harry. Eu e Draco somos como você e Cho. Atração, desejo. Uma válvula de escape. Nada de importante.

- Não existe mais válvula de escape, Gina. A gente chegou num ponto no nosso relacionamento em que as coisas não têm mais volta. Nós fomos tão longe que não dá para frear ou retroceder, só dá para seguir em frente.

- Eu sei. É verdade – abracei-o forte. – O que a gente faz?

- Nada. Seguimos em frente, como estamos fazendo. Você com Draco, eu com Cho. E nós dois juntos entre quatro paredes.

Aquilo era o mais próximo que Harry conseguia chegar de me dizer que estava tudo bem por toda a coisa entre eu e Draco. Continuaria tudo bem se nossas regras não fossem quebradas. E quando nós dois fôssemos um do outro, Draco e Cho já não teriam importância alguma.


Aos leitores:

Olá! Como vocês estão? Eu estou bem, apesar de sem tempo. Foi por isso, aliás, que sumi - meu novo estágio me consome! As coisas aconteceram de repente e me pegaram desprevenida, então não estou conseguindo dar conta de tudo. Logo, as fics ficaram um pouco de lado, mas vou tentar atualizar pelo menos uma vez ao mês.
Espero que tenham gostado do capítulo. Ficou repetitivo? Um pouco dramático? Ou foi no ponto? Para aqueles que andaram me questionando sobre Draco e Gina, espero ter esclarecido alguma coisa.
Espero a review de vocês! Agradeço por estarem lendo a fic e me acompanhando.

Beijos e abraços,
Lanni.


Respostas as reviews:

ooo pissycrul: Acho que o Harry até que reagiu bem ao saber do Draco, não? Ele está tentando se controlar mais, porque sabe que se ele pode, a Gina também pode ficar com alguém. Bem, vamos ver onde isso vai dar. Até!

ooo ryanne: Ah, aí está o novo cap. Ele demorou, mas chegou. Espero que tenha gostado dele também. Abraço!

ooo Anna Weasley Potter: Acho que a Gina deixou o Harry avançar mais na relação deles porque ela precisava dele naquele momento. Ela queria ter dele tudo que podia, queria dar a ele tudo que podia. Ela queria tê-lo por completo, em todos os sentidos, ou o mais próximo possível disso. Beijo e até!

ooo Patty Carvalho: É fato que o Draco é um cretino, mas ele tem seus momentos de bondade, rs. Beijo!

ooo thamires: Eu estava postando com certa frequência nas férias, mas agora é impossível atualizar a fic sempre. E, viu, a Gina demorou um pouco, mas contou tudo sobre ela e Draco para o Harry. Abraço!

ooo Kellysds: Ah, enganar todo mundo era o que eu queria, rsrs... Abraço!

ooo Lizaaa: Obrigada! O fim da fic ainda não está próximo, mas estamos chegando lá. Espero terminar tudo até o fim do ano, mas quem sabe? Abraço!

ooo Grace Black: Ah, eles não podiam ter feito sexo, não é? Quer dizer, a primeira vez do Harry e da Gina tem de ser um com o outro... Só não sei se de fato será assim, apesar de que isso seria o ideal.
Eu também gosto de ver a Ginny crescer, e das descobertas dela e de Harry. Aliás, as descobertas vão continuar, rs. Abraço!

ooo Pedro Soares: Sim, Reviravoltas foi minha primeira fic, e não foi grande coisa, rs. Ela não faz mais meu estilo de escrita. Abraço!

ooo Melissa 0927: O Harry só deixa eventualmente a Gina de lado quando está com a Cho. E é claro que ele gosta mais da irmã do que da "namorada". Só que as coisas podem mudar, não é? Ou talvez não.
Acho que o Harry aceitou bem a coisa toda com o Draco, no fim das contas. Quer dizer, ele percebeu enfim que se ele pode ficar com alguém, a Gina também pode. Beijo!

ooo sophie caine: Hahaha! Claro, claro. As coisas entre Harry e Cho não podiam ir muito adiante, não é? Não seria muito legal, já que essa é uma fic Harry e Gina. Abraço!

ooo Pedro Henrique Freitas: Olá, Pedro!
O Draco foi mesmo sincero no pedido de desculpas. Quer dizer, ele e o Harry são amigos e, no fim das contas, tinham de ficar bem.
Cho faz o Harry deixar a Gina de lado, porque o Harry quer deixá-la de lado de vez em quando. Explicando melhor: o que ele sente por ela é sufocante e, como a Gina disse (mais ou menos) nesse cap, é bom e fácil ficar com outra pessoa porque não tem todos aqueles sentimentos te pressionando. Mas toda vez que o Harry volta para a Gina, ele só pensa nela.
A Gina só estava desconfortável com o Harry por causa do que aconteceu com o Draco mesmo, porém agora ele já sabe da verdade e está tudo ok, na medida do possível. Beijos e até!

ooo Diana W. Black: Oh, adoro leitores novos! Sangue fresco é sempre bem vindo!
Obrigada pelas palavras gentis. Fico satisfeita que esteja gostando da fic, eu tenho um carinho muito grande por E4P que espero dividor com vocês, leitores. Abraço!

ooo Blair: Puxa, que bom que gostou! Eu tentei fazer exatamente isso em E4P: algo diferente. Espero que continue acompanhando a história e que eu continue te "vendo" por aqui. Abraço!