Gina
Sirius foi embora da nossa casa na quinta-feira. No dia em que ele partiu, eu e Harry ficamos morrendo de medo. E se ele resolvesse fazer algum comentário de última hora? Se chamasse mamãe ou papai para um canto e...? Nossa, não é bom nem pensar! Apesar de acreditar sinceramente que Sirius era um obstáculo que havíamos vencido, ele me preocupava – sempre preocuparia. Porém era um alívio não tê-lo mais por perto. Pelo menos assim, eu e Harry poderíamos voltar a ter alguns momentos para nós em paz.
Harry completou 18 anos no sábado seguinte à saída de Sirius lá de casa. Preparamos uma festa surpresa para ele, e é claro que ele só soube disso na hora H. Mamãe pediu para eu distrai-lo (ela teria pedido isso a Cho, mas a essa altura todos já sabiam que eles não estavam mais juntos) e fomos até o nosso cinema em Basildon. Depois de assistir a um filme antigo, comemos um hambúrguer e voltamos para o carro, pois começava a chuviscar.
- Que tarde estranha! – resmungou Harry ao bater a porta atrás de si – Ainda faz sol e começa a chover.
- Eu gosto das chuvas de verão.
- Prefiro que chova quando estou seguro dentro de casa. Vem cá.
Ele me puxou e me beijou; logo eu estava sentada no colo dele no banco apertado, com o volante incômodo contra as minhas costas. Felizmente a rua onde estávamos era deserta demais para que alguém nos visse, o que seria embaraçoso.
- Vamos transar – Harry pediu enquanto eu abria sua braguilha. – Me dá esse presente de aniversário, por favor, Gina, por favor...
- Não posso.
Eu andava pensando em fazer a coisa com ele, talvez até mesmo no seu aniversário, mas sempre me faltava coragem quando chegava a hora derradeira.
- Por favor, Gina... Ah! – ele gemeu quando minha mão entrou na sua cueca – Isso... mais rápido.
- Não.
- Sim.
- Não! Não seja teimoso – beijei-o e apertei mais meus dedos ao redor dele, indo mais devagar ainda.
Harry abaixou minhas alças e abriu os primeiros botões do meu vestido. Um arrepio subiu pela minha espinha quando ele deslizou a língua sobre o bico do meu seio; podia sentir suas mãos firmes na minha cintura, enquanto a minha começava trabalhar mais rápido nele. Eu o sentia pulsar entre meus dedos e sabia que não demoraria para que ele gozasse.
Quando isso aconteceu, ele me apertou e descansou a cabeça entre meus seios. Sentia o coração dele bater acelerado ao me inclinar para pegar lenços de papel em minha bolsa. Nesse instante ouvi meu celular tocar. Desconfiei que fosse mamãe, e logo minha suspeita se confirmou.
- Alô? – falei enquanto limpava meus dedos - Sim, mamãe, sou eu...
Harry continuou recuperando o fôlego apoiado no meu peito durante todo o tempo em que falei ao telefone. Fui discreta o suficiente para que ele não desconfiasse que o tópico da conversa era sua festa surpresa de aniversário. Enquanto atendia mamãe, minha mão livre passava pelos cabelos de Harry, mais rebeldes do que nunca.
- Você precisa de um corte – falei ao encerrar a ligação.
- Só preciso de você – ele beijou meu colo, pescoço e subiu até a minha boca. – Vamos fugir.
- Vamos para casa, isso sim – saí com dificuldade de cima dele, pois não havia muito espaço ali. Me sentia feliz por não ter mais um volante contra as minhas costas.
- Tenho uma ideia melhor. Vamos atravessar o Canal da Mancha, fugir para a França e criar novas identidades. Aí viajamos para a Guiana Francesa, nos casamos e vivemos felizes para sempre.
- Guiana Francesa? Por que não podemos ficar em Paris?
- É uma cidade muito visitada, algum conhecido poderia nos ver um dia.
- E com que dinheiro faríamos tudo isso?
- Limpamos nossa poupança antes de ir.
- Lá não tem dinheiro para sobrevivermos o resto da vida, Harry.
- Mas dá para fugirmos. – Ele se virou sério para mim – Se eu quisesse desaparecer você iria comigo?
Senti o sorriso desaparecer do meu rosto. Havia algo de lúcido demais em Harry para que eu não me preocupasse. Fugir era algo sobre o qual eu já tinha pensado, mas nunca havia considerado essa uma opção realmente possível.
- Harry, você está brincando, não é?
- Você iria comigo, Gina? Desapareceria para nunca mais ver Lily, James, Sirius, Luna, Hermione... Você iria?
Ajeitei-me em meu banco e fixei o olhar em um ponto qualquer à minha frente. Abotoei meu vestido sentindo o coração disparado. Pelo rabo do olho, vi Harry arrumar a própria roupa.
- O único lugar aonde vamos hoje é para casa – respondi -, então vamos logo, antes que escureça.
Ele suspirou cansado ao meu lado e ligou o carro.
- Você está certa. Lily recomendou que chagássemos cedo.
ooOoOoOoOoOoo
- SURPRESA! – uma multidão anunciou assim que chegamos. As luzes da sala foram acesas; Harry ficou pasmo com a comemoração inesperada e com o coro que entoava "Parabéns para você", do qual eu fazia parte.
Não é todo dia que se faz 18 anos, e acho que Harry realmente gostou daquela festa. Ele parecia contente enquanto era parabenizado por um e por outro. Uma fila, formada pelo pessoal da escola, os Lupin, os Malfoy, os Weasley e outros, se formou para cumprimentá-lo. Até eu fiquei atordoada no meio daquela gente toda.
Tenho de admitir que mamãe e papai se esforçaram. Uma tenda havia sido montada no nosso quintal, onde várias mesas também estavam espalhadas. Por sorte ali não estava chovendo, porque senão estragaria a decoração. Havia até garçons e um bar!
- Vocês capricharam mesmo – comentei com papai, parado próximo ao bar, observando o quintal quase vazio. A maioria das pessoas ainda estava na sala, cercando Harry e lhe dando os parabéns.
- Só se faz 18 anos uma vez na vida. Ano que vem a festa é sua, Gina.
- Nem me lembre!
Por cima do ombro olhei para Harry, que conversava com Simas Finnigan e Blás Zabini. Nossos olhares se cruzaram por um segundo e ele sorriu, mas logo alguém se pôs em nosso caminho.
- Olá! – a voz conhecida me disse – Como vai Gina? Mal te vi essas férias.
- Estou bem, Luna, apenas... ocupada.
- Ocupada nas férias?
- É, estou ocupada descansando – Ou melhor, ficando com Harry.
- A gente precisa marcar alguma coisa. Podemos sair um dia desses!
- Claro – eu tentava ver Harry novamente, mas muitas pessoas ainda o cumprimentavam. Aquela conversa com ele no carro sobre fugir tinha me deixado encucada, mais do que eu gostaria de admitir.
- Quando formos para a França... Você vai ao casamento de Gui Weasley e Fleur Delacour, não é, Gina?
- Mamãe comentou algo sobre isso, mas para ser sincera prefiro ficar por aqui. Vou tentar convencê-la a me deixar faltar esse casamento – o meu plano e o de Harry era ficar e aproveitar a casa só pra gente.
- Se conheço sua mãe, duvido que consiga essa proeza, mas boa sorte. De qualquer forma podemos nos divertir muito por lá. Ouvi dizer que as festas francesas são as melhores!
- E onde ouviu isso? – enquanto conversávamos, Luna e eu nos sentamos em uma das mesas do quintal, deixando papai entretido em um bate-papo com o barman.
- Por aí. Olha só quem deu as caras! – Luna olhou para um ponto acima da minha cabeça - Olá, Draco.
Virei e vi Draco Malfoy parado atrás de mim. Ele estava com o usual sorriso de mau caráter no rosto.
- Ei, Luna. Soube que você terminou com o seu namorado, é verdade?
- Ai, meu Deus! – exclamei – É verdade, Luna? Por que você não me disse? – eu não estava sabendo de nada daquilo!
- Não terminamos, só estamos dando um tempo. Precisamos respirar, sabe?
- Isso...
- Ótimo! – Draco me cortou – Enquanto você dá um tempo no seu relacionamento, que tal sairmos um dia desses? Ouvi dizer que você adora animais. Tenho um nas minhas calças que você adoraria conhecer.
- Meu Deus, não acredito que ouvi isso! – encarei Draco incrédula. Ele não tinha dito aquilo, tinha?
- Aonde você vai? – Luna perguntou quando me levantei para sair dali.
- Subir por um momento – não estava com paciência para as escrotices de Draco Malfoy.
- Não se preocupe – Draco gritou –, tenho energia para aguentar as duas. Não fique com ciúmes, Gina!
Enquanto abria espaço entre as pessoas, encontrei vários conhecidos da escola, inclusive Rony e Hermione, que estavam se agarrando em um canto da sala de estar. Havia gente espalhada por toda a minha casa e eu não conseguia um espaço para mim. Harry não estava em lugar algum. Precisava falar com ele ou não teria paz.
Depois de muito procurar, o encontrei conversando com Sirius no jardim.
- Sirius – os interrompi -, acho que Remo está te procurando.
- O Aluado? Onde ele está?
Tinha certeza que havia passado por Remo no corredor em frente à cozinha, e disse isso a Sirius, que trocou mais algumas palavras com Harry e enfim o deixou sozinho. Eu o encarei por um momento. Me senti exausta. O som da música que tocava em nossa casa chegava até nós ali no jardim.
- O que foi? – questionou Harry.
Aproveitei que não havia mais ninguém ali e o abracei forte. Não ia largá-lo nunca mais!
- O que foi, Gina? – ele repetiu.
- Nada.
- Nada?
- Nada.
- Alguma coisa aconteceu, o que é?
Ergui os olhos e o encarei.
- Deu alguma coisa errada? – perguntei – Com Sirius, quero dizer.
- Não, ele só estava me dando umas dicas para reconquistar Cho. Não vou colocá-las em prática, não se preocupe.
- Não estou preocupada com isso.
- Qual a sua preocupação?
Mordi os lábios.
- Você... Você não estava falando sério quando comentou sobre fugir, não é? Sei que eu mesma já falei sobre isso várias vezes, mas eu não quero realmente deixar todo mundo. Eu só disse da boca para fora...
- Então você não vai comigo?
- Você vai embora mesmo? – meu estômago embrulhou e meu coração parecia que ia explodir no peito.
- Se eu fosse você iria comigo?
Fechei os olhos e assenti. Eu me detestaria por isso, sentiria uma falta enorme da minha família e dos meus amigos, mas acompanharia Harry aonde quer que ele fosse, se assim desejasse. Foi isso que lhe disse.
- Então você só partiria comigo por causa do meu hipotético pedido, Gina?
- Não. Eu partiria porque te amo e preciso de você.
Ele estava sério e silencioso como quando no carro. A cena durou apenas alguns segundos, mas pareceu que foram longas horas.
- Essa é a resposta que eu esperava. Não se preocupe – ele garantiu -, nunca te pediria tanto. Sei que deixar tudo para trás seria difícil para você. Na verdade seria difícil para mim também.
Respirei mais aliviada depois de ouvir aquilo, apertando com toda força meus braços ao redor dele. Permaneceria assim para sempre se Harry não tivesse segurado meu queixo e me feito encará-lo.
- Não falei sério quando comentei sobre fugir, mas falei sério sobre o presente de aniversário que quero que você.
- Não comprei nada para você ainda, Harry. Pensei que poderíamos ir ao shopping um dia desses...
- O que eu quero não precisa ser comprado.
- E o que você quer?
- Você.
- Eu já sou sua, seu tolinho! Estou aqui.
- Não – ele abriu um sorriso –, eu quero você. Sua virgindade.
Tentei sorrir, mas tenho certeza que não consegui.
- Eu sei que você ainda não está pronta, Gina, mas não vou conseguir esperar para sempre – ele suspirou. - Depois a gente continua esse papo, preciso voltar para a minha festa – ele me deu um beijo na testa e se afastou como se tivesse acabado de comentar o tempo. – Pensa no que eu disse! – gritou da porta da sala.
Fiquei paralisada no jardim por mais um momento. Meu estômago parecia mais revolto do que antes. Não imaginei que ele fosse pedir um presente tão difícil de dar.
ooOoOoOoOoOoo
Do meu quarto eu podia ouvir a música que tocava lá no quintal. Fechei a janela, puxei as cortinas e deitei na cama, ficando no breu absoluto. Meus olhos estavam abertos, mas tudo que eu podia ver era o leve contorno dos móveis na imensidão negra.
Era pouco mais de nove da noite e eu havia abandonado a festa de Harry. O que me perturbava naquele momento era a história do "presente de aniversário". Ele nunca me forçaria a nada, sabia disso, mas temia e desejava ceder se ele insistisse um pouco. Eu pensava o tempo todo em fazer sexo com Harry! Eu queria, porém...
Deitada de costas para a entrada do quarto, vi a luz do corredor inundar o cômodo quando minha porta foi aberta. Não me virei para ver quem estava ali, mas só podia ser Harry. Ouvi a porta ser trancada e passos se aproximarem da minha cama. Sapatos caíram no chão e meu colchão afundou. Como tantas vezes já havia feito, ele se deitou. Sentia sua respiração em meu ouvido.
- Hoje não está chovendo.
Pulei da cama, fugindo dos braços que me cercaram. Na pressa de alcançar o abajur, caí de joelhos em um impacto surdo. Meu coração estava a mil.
- O que você está fazendo aqui, Draco? – consegui acender o abajur e encarei enfurecida aquele cretino. Como ele ousava...?
- Vim atrás de você.
- A festa é lá embaixo!
- Não estou interessado na festa, ruiva, só em você – ele tentou me puxar, mas não deixei. Estava muito brava!
- Sai daqui agora!
- Depois de todo o trabalho que tive para me livrar de todo mundo e subir? De jeito nenhum!
- Draco, vou chamar meu pai se você não sair!
- Gina, você tem quase 17 anos. Se vire sozinha, pelo amor de Deus! E não aja como se nunca tivéssemos ficado sozinhos. A gente já fez muita coisa em um quarto.
- Quem te ouve falando acha que eu sou uma galinha – mais calma, me sentei na cama. Draco, muito folgado, estava espalhado sob meus lençóis – Se manda daí.
- Deita aqui comigo.
- Draco, hoje eu não estou em um bom dia.
- Está de TPM?
- Por favor, saia.
- Não.
Respirei fundo e procurei me controlar. Se ele ficasse calado, eu até podia fingir que não havia mais ninguém ali além de mim.
Deitei no menor espaço e mais longe de Draco possível, lhe dando as costas. Mas ele era bem chato e voltou a me abraçar. Pensei em gritar com ele e lhe socar, mas não estava com ânimo suficiente para isso.
- Draco, o que você quer afinal?
- Hoje não está chovendo.
- E daí?
- Aquele dia, no meu carro, você disse que a gente ficaria junto quando não estivesse chovendo.
- Eu não disse isso. Você está distorcendo...
- Sempre cobro as promessas que me fazem, Gina.
- Ainda bem que não te prometi nada então.
- Aí que você se engana – ele me fez encará-lo, mas virei o rosto quando tentou me beijar. – O que foi agora?
- Draco, já disse que não estou em um bom dia.
- Ultimamente você sempre está em um dia ruim quando nos encontramos – ele parecia um pouco chateado, mas me deixou em paz. Pelo menos havia entendido meu "não" – O que foi dessa vez, ruiva?
- Meu nome é Gina, se você não sabe.
- Eu sei, mas preciso te chamar de um modo mais íntimo agora que somos amantes.
Eu tive de rir.
- Draco, a gente não é amante.
- Isso é só uma questão de tempo. Podemos dar um jeito nisso agora mesmo se...
- Não, obrigada.
Draco resmungou qualquer coisa inteligível. Observei-o tirar um cigarro do bolso e brincar com ele, passando-o entre os dedos. Me perguntei como ele podia tratar o sexo com tanta banalidade. Esse era meu ponto fraco, mas para Draco era algo que ele provavelmente fazia todos os dias, como tomar banho ou escovar os dentes. Não era justo!
- Ei – falei, interrompendo meus pensamentos -, você não vai acender isso aqui, não é? – ele estava segurando um isqueiro, prestes a acender o cigarro – Não quero meu quarto cheirando a maconha. O que papai e mamãe vão pensar?
- Que a filhinha deles fuma, ora. Eu divido com você.
- De jeito nenhum – tomei-lhe o cigarro, que guardei na gaveta da mesinha de cabeceira. – Você é inacreditavelmente importuno.
- E você me recusa todos os prazeres que posso ter na vida – ele se aproximou novamente; senti sua mão nos meus cabelos.
- Draco – alertei.
Ele me puxou, mas foi um gesto quase automático desviar do beijo dele.
- Só um beijo!
- Não.
- Puxa! Quem é o cara, Gina?
- Que cara?
- O cara a quem você é tão fiel.
Seria fácil mentir, afinal eu vivia uma mentira. Mas exatamente por minha vida ser tão cheia de mentiras que resolvi dizer uma meia verdade:
- Alguém que realmente vale que a pena. Que eu amo de verdade.
- Se ele é tão bom assim, por que não estão juntos agora? Ele é casado, mais velho, algo assim?
Assenti.
- Algo assim – confirmei.
- Ele é um filho da puta de sorte.
- Isso é um elogio?
- Um elogio a você.
Draco raramente dizia algo bom sobre alguém de graça, e a surpresa do gesto me fez fitá-lo. Aí pensei que talvez o elogio não tivesse sido totalmente de graça, porque dessa vez não pude fugir do seu beijo.
- Draco, eu disse não – falei lutando contra ele.
- Realizei todas as minhas fantasias... Bem, nem todas, ainda não comi a Megan Fox – essa última parte ele pareceu falar para si.
- Ela é inalcançável.
- É verdade. De qualquer forma, como eu dizia, realizei todas as minhas fantasias, menos a de transar com você, Gina.
- Jamais perderia minha virgindade com você.
- Então dá logo para alguém e depois vem para mim!
- Não é tão simples, Draco.
- Claro que é! Basta abrir as pernas que o cara faz o resto. O que pode ser mais fácil?
Babaca! Será que ele realmente não entendia ou estava apenas tirando sarro de mim?
- A primeira vez é muito importante. Você não entenderia, é homem.
- Gina, sexo é super valorizado. É só ir lá e fazer. Depois que acontecer você vai se perguntar: é só isso?
Pensei em Harry, que provavelmente passeava entre os convidados da festa. Será que ele pensava como Draco?
- Não me sinto pronta.
- Olha – Draco se sentou -, há determinadas coisas na vida que você nunca vai se sentir pronta para fazer. Você simplesmente tem de reunir coragem e ir adiante.
- Para você foi assim? A primeira vez, quero dizer.
- Não, mas quando fiz minha primeira tatuagem... – ele bateu no braço, balançando a cabeça – Nunca gostei muito de agulhas.
- Ok, mas... De onde eu tiro essa coragem? Eu não tenho.
- Gina, vai me dizer que você não quer transar?
- Eu quero, mas...
- Se você quer, você pode. Seja corajosa. Então, vamos trepar?
- Não!
- Vamos lá!
- Draco, já disse que não! Será que você só sabe falar disso?
- Ok então – ele me puxou para tão perto de si que eu podia sentir sua respiração –, vou falar de outra coisa. Será que você pode pelo menos fazer um boquete em mim? Eu sonho com esses lábios – ele roçou a boca na minha – no meu...
Toc, toc, toc. Alguém bateu na porta.
- Quem é? – perguntei, ouvindo Draco reclamar da interrupção.
- Sou eu - a voz do Harry respondeu.
Merda! Meu coração disparou. Olhei da porta para Draco e novamente para a porta. Harry não ia gostar de saber quem estava ali comigo.
- Gina, abre.
- Estou indo!
- Seu irmão é um estraga prazeres – Draco falou em meia voz enquanto eu me levantava -, só chega na hora errada.
- Cala a boca, Draco – eu pensava em qual desculpa daria para não atender Harry...
- Diga que está trocando de roupa - Draco sugeriu, lendo meus pensamentos.
Como se Harry nunca tivesse me visto pelada!
- Já sei – sussurrei, caminhando até a porta -, vou dar um jeito de tirar Harry daqui e depois você desce, ok?
- Não me importo que ele me veja – Draco respondeu no exato momento em que Harry me chamou mais uma vez.
- Aqui estou - abri uma brecha da porta e encarei-o. - Olá.
- Você demorou – ele empurrou a porta, mas meu pé impedia que ela avançasse; o cenho de Harry se franziu - O que foi?
- Nada – fechei a porta, ficando com ele no corredor -, só está muito quente no quarto. Vamos descer – puxei sua mão, mas não demos mais do que alguns passos. Ele parou e não se moveu mais – Harry?
- Ouvi alguma coisa no seu quarto. Tem alguém ali? – ele indicou a porta.
- Não. Olha – me aproximei dele, nervosa, falando baixo o suficiente para que Draco não escutasse -, acho que a gente precisa conversar. Vamos para o seu quarto e ficar um tempo por lá, só nós dois.
Ele abriu a boca para responder, mas não disse nada. Quando avançou em direção à minha porta, segurei seu braço.
- Não! – Droga! Soube naquele instante que tinha acabado de me entregar.
- O que tem lá, Gina? – Harry estava intrigado, talvez até um pouco preocupado – Por que não posso entrar?
- É uma surpresa. Seu presente de aniversário – completei, torcendo para ele cair nessa.
- Você disse que não tinha comprado nada para mim.
- Era mentira.
Ele me encarava com atenção, e senti que estava me lendo, avaliando se acreditava ou não naquela história. Obviamente não acreditou, porque partiu para cima da porta...
Que foi aberta por Draco.
- E aí, cara – ele cumprimentou Harry do modo mais banal possível. – Tudo bem?
Mentalmente me xingava pela minha estupidez. Poderia ter evitado aquilo! Apoiei na parede do corredor e fitei meus pés, que me pareceram muito interessantes. Meu estômago revirava mais uma vez e podia sentir os olhos de Harry em mim. Ele já devia estar imaginando o que Draco fazia em meu quarto, mesmo que nada demais tivesse acontecido ali.
Neste momento, senti Draco passar por mim e ergui os olhos ligeiramente. Harry o encarava com a expressão mais terrível que eu já havia visto nele. Fiquei com medo, assustada de verdade! Eles iam brigar.
- Sai daqui antes que eu quebre a sua cara – pela voz de Harry, não duvidava que ele fosse mesmo partir para cima de Draco.
- Acho que isso não vai rolar.
- Draco, por favor, vá – me intrometi, temendo pela segurança dos dois.
- Ele é seu irmão, Gina, não seu dono!
- Exatamente por ser o irmão dela – rebateu Harry – tenho de protegê-la de canalhas como você!
- Não! – coloquei-me entre eles, que já avançavam um para cima do outro – Draco, desça. Eu me entendo com Harry.
- Não vou te deixar sozinha com ele!
- Vou ficar bem. Vá, por favor!
Draco bufou e nos deu as costas, saindo corredor afora. Seus passos bateram contra os degraus da escada com violência.
Virei-me para Harry temerosa. Ele me fitava com desprezo, e isso doeu.
- Você é inacreditável! – ele entrou no meu quarto soltando fogo pelas ventas. Entrei atrás dele e fechei a porta – No meu aniversário, Gina! Durante a minha festa!
- Desculpe.
Ele veio até mim. Parecia um cão raivoso.
- Por que você mentiu? Por que não disse que ele estava aqui com você?
- Porque você não ia gostar, como ficou comprovado, e porque hoje é seu aniversário, sua festa, como você mesmo disse.
Um soco atingiu a porta, bem ao lado da minha cabeça. Meu coração disparou no peito.
- O que vocês fizeram? – ele perguntou com raiva.
De alguma forma me senti decepcionada com Harry por sua pergunta. Essas cobranças loucas não condiziam com o Harry que eu conhecia, não completamente. Por que às vezes ele ficava tão enlouquecido? Por que não podia pelo menos tentar ser mais compreensivo?
- Por favor, não faça isso.
- O que vocês fizeram? – ele repetiu entre dentes.
- Harry...- senti vontade de chorar.
- Você chupou ele, ele chupou você... O QUE VOCÊS FIZERAM?
- Eu não perguntava os detalhes do seu relacionamento com Cho, então não queira saber...
- AGORA VOCÊ TEM UM RELACIONAMENTE COM DRACO?
- Não! Eu só...
Um dos meus perfumes que estavam sobre a penteadeira quebrou, pois Harry agarrou-o e atirou-o longe.
- NÃO SOU TÃO TOLERANTE COMO VOCÊ! – ele gritou – NÃO POSSO SUPORTAR VOCÊ COM ELE SOB O MEU TETO!
- Eu aguentava você e Cho – minha voz, tímida, soou baixa.
- NÃO SOU VOCÊ! – ele agarrou meus braços – O QUE VOCÊS FIZERAM?
- Nada...
- ME DIGA! – ele me sacudiu e bati minha cabeça contra a porta. – ME DIGA!
- Harry – lamentei, chorando. Ele estava realmente me machucando e quando percebeu isso me largou. Escorreguei até o chão, pois minhas pernas não suportaram o peso do meu corpo.
Um tempo considerável passou, então o senti perto de mim de novo. Harry me levantou e me carregou até a cama. "Sinto muito, sinto muito", ele murmurava no caminho, "Eu te amo, desculpa".
Eu fiquei com tanta raiva dele! Por que ele tinha de fazer aquelas coisas? Por minha fúria e minha angústia, o ignorei. Chorei, chorei, chorei e fingi não escutar suas desculpas, então ele saiu e fechou a porta.
ooOoOoOoOoOoo
Abri meus olhos, mas nada vi. A escuridão era absoluta. Saí da cama e puxei as cortinas. Pela janela vi o quintal bagunçado e vazio lá embaixo, com a tenda e as mesas armadas. Havia copos, guardanapos, pratos e talheres espalhados para todo lado.
Acendi a luz do quarto e me olhei no espelho da penteadeira. Havia marcas de mãos nos meus braços, além de um galo que sentia latejar na cabeça. Peguei um casaco fino no armário e vesti para disfarçar os hematomas. Não era a primeira vez que Harry me machucava, afinal.
Eu estava faminta, por isso desci. No caminho para a cozinha encontrei mamãe e papai sentados no sofá, conversando e tomando vinho. A sala estava uma verdadeira zona.
- Que horas são? – perguntei, roubando um pequeno sanduíche de uma bandeja cheia de quitutes. O aperitivo estava gelado, mas estava bom.
- Duas e pouca – mamãe respondeu, parecendo um pouco alta – Onde você se meteu durante a festa? Foi tão divertida! Não te vi.
- Estava cansada, subi e acabei dormindo.
- Você perdeu o aniversário do seu irmão – falou papai. – Todo mundo perguntou de você.
Dei de ombros.
- Todos já foram?
- Não, tem alguns amigos seus lá fora, na tenda.
Roubei mais dois sanduíches e deixei o casal feliz sozinho. Quando cheguei ao quintal, vi Rony, Hermione, Parvati e Padma, Simas, Dino, Neville e Lilá, o pessoal da escola mais próximo de Harry, conversando com ele. Estavam todos sentados em círculo sob a tenda, montada originalmente para servir de pista de dança. Eles pareciam estar se divertindo com algum jogo.
– Sua vez – Simas falou, apontando Lilá, e ela começou a gaguejar qualquer coisa na qual não prestei atenção, pois olhava Harry.
É claro que ele também me fitava. Minha raiva dele havia desaparecido com o sono, mas eu ainda estava chateada.
Demorou mais um tempo até que todos resolveram ir embora. Rony e Hermione ficaram por último e nós três conversamos bastante enquanto eu me banqueteava com a comida e bebida que havia sobrado. Harry tinha desaparecido, o que era excelente. Devia ser cerca de quatro da manhã quando tranquei as portas, apaguei as luzes e subi. Estava sem sono nenhum.
Por força do hábito, entrei no banheiro de Harry e me despi (mamãe e papai já dormiam). Só quando liguei o chuveiro me dei conta que devia estar tomando banho no outro banheiro, mas então já era muito tarde.
Sob a água quente, ouvi a porta do quarto ranger. Era ele. Fechei os olhos e continuei lavando a cabeça, porque assim não iria vê-lo nem que Harry ficasse na minha frente.
- Estava assistindo TV – ele comentou sem que eu tivesse perguntado. Pela proximidade da voz, ele estava dentro do banheiro – Gina? Gina?
Passei o condicionador e lhe dei as costas.
- Desculpe – ele resmungou. Eu continuei calada, observando agora os pequenos azulejos brancos da parede.
Estava concentrada ensaboando meu corpo quando ouvi a porta do boxe abrir. Nem pude virar para socá-lo ou empurrá-lo, pois os braços de Harry se fecharam ao meu redor.
- Desculpe por ser tão ciumento – ele falou no meu ouvido -, nunca mais vou ser tão horrível - ele beijou minha nuca e me apertou mais. Queria dizer alguma coisa, mas não consegui - Eu tenho muito medo de te perder.
Se ele não estivesse nu, seria mais fácil de eu reagir. Em vez disso, deixei uma das mãos dele subir pelo meu tronco, seio e pescoço e virar meu rosto. Nossos lábios se encontraram e não pude pensar em mais nada.
- Eu odeio você. – falei – Odeio você por ser assim. Odeio por me desarmar desse jeito. Odeio...
Me virei em seu abraço e o apertei também contra mim. Eu o amava. Essa era a minha desgraça.
Aos leitores:
Eu disse que aconteceriam coisas neste capítulo, mas acabou que ficou para o próximo, desculpe.
Agradeço a todos que comentaram e mostraram que ainda estão aqui, acompanhando a história. Obrigada pelo apoio e até o próximo capítulo (acho que vão amá-lo!).
Beijos,
Lanni.
Respostas as reviews:
ooo Grace Black: Rs, rs... Demorei, mas dei novamente as caras por aqui. Tensa a fic? Talvez, mas tudo que acontece é necessário, inclusive Harry romper com Cho. E agora o Sirius foi embora, o que é uma pena para você, que gosta dele. Abraço!
ooo Thamires: Ah, que bom que não vai desistir de E4P! Assim espero! Abraço!
ooo fairy malfoy: Puxa, não deu mesmo para escrever antes, portanto fiquei um tempo sem atualizar. Mas agora estou de volta! Abraço!
ooo Anna Weasley Potter: Obrigada! Espero que você tenha apreciado este capítulo, porque foi maior, como queria. Abraço!
ooo Srta. Monica Black: Ei! Que bom que adora histórias complicados, porque E4P realmente é assim! Mas os nós da trama começam a se desfazer. Abraço!
ooo ingrid albuquerque: Os dois sofrem porque as coisas para eles não são fáceis. Quanto ao Sirius, Harry e Gina não vão precisar se preocupar tanto como ele agora. Abraço!
ooo Priscila Soares: Pois é! A situação é complicada, mas tudo começa a desenrolar (ou enrolar ainda mais, depende do ponto de vista) a partir de agora. Abraço!
ooo Lizaaa: Ah, continuei! Aqui está o novo capítulo. Abraço!
ooo Pedro Henrique Freitas: Olá, Pedro! Como sempre, agradeço pelas suas palavras tão gentis, rs.
Você comentou do Draco, do que aconteceu entre ele e Gina. Talvez ele gosta dela, mas se gosta é do jeito dele, é claro, e realmente nem teria se dado conta disso.
Ah, Harry certamente precisava terminar com Cho, pois só assim as coisas com Gina vão andar.
"Viagem de James/Lily para o casamento de Gui... Quando vai ser isso? Sirius vai? Harry e Gina vão?" Logo, para mais detalhes espere e continue lendo. Abraço!
ooo Hugh Black: Viu, eu nem demorei para atualizar desta vez. Não faz nem uma semana que postei o capítulo passado. Obrigada pelas palavras, e quanto à sua dúvida ("eles vao ficar juntos mesmo?"), continue lendo e terá a resposta. Abraço!
ooo Patty Carvalho: Não deu mesmo para postar antes, estava muito ocupada! Estou doida para voltar a escrever PnR, provavelmente tanto quanto você deseja lê-la, mas para isso preciso terminar E4P antes. Abraço!
ooo Kellysds: Eu estava com saudade de escrever também! Obrigada pelo comentário sobre os últimos capítulos, espero que goste dos próximos também. Abraço!
ooo sophie caine: O Harry precisava romper com a Cho, era a única forma dele seguir adiante com tudo do modo como eu queria. Uhh, será que o Draco tem mesmo coração? Rs. Abraço!
