Andei o mais rápido que pude até a saída, não esperaria táxi nenhum, estava com a cabeça cheia demais e precisava de um pouco de ar.

Enquanto eu descia a rua, um volvo prata reduz a velocidade até quase parar, para poder me acompanhar.

-Bella, entre no carro.

-Não Edward. -Respondi com o rosto virado. Meus olhos ainda estavam vermelhos por causa do choro e eu não queria que ele visse isso.

-Bella...você está...chorando? - Ele perguntou, pelo tom de sua voz parecia incrédulo, mas não me virei para conferir.

Não ouvi nem vi nada. A única coisa que percebi foi alguém parado muito próximo a mim, me envolvendo em seus braços.

-E-edward?- Chamei por ele, surpresa.

-Me desculpe meu anjo...jamais deveria ter falado com você daquele jeito, nunca quis te machucar, pelo contrário Bella, faria de tudo para fazê-la feliz.

OMG! O que é tudo isso?! Meu anjo?! O que aconteceu com aquele Edward de poucos minutos atras?!

-Eu...eu...porque está dizendo tudo isso?

-Porque eu cometi um erro terrível Bella, e só tive consciência disso quando percebi a tristeza em sua voz.

-...

-Vem, vamos para casa.

-Ok...- Eu estava pasma.

Por ser hora de final de expediente, o trânsito estava impossível e muito lento, e também começava a esfriar.

Depois de uma hora e meia parados na avenida congestionada, minha barriga, contra a minha vontade, começou a roncar de fome. Edward apenas rio.

-Com fome Bella?

-É...um pouco.

-Podemos parar e comprar algo se quiser.

-Está bem.

Uns quinze minutos depois, o trânsito começou a melhorar e nós pudemos continuar nosso caminho. Antes de irmos para casa, Edward parou em um restaurante italiano, o que foi ótimo por causa do tempo que agora estava bem mais frio, e compramos comida para viagem.

Fomos o mais rápido possível para casa, pois não queríamos que o jantar esfriasse. Chegando ao nosso apartamento, Edward arromou a mesa e nos serviu. Pouco tempo depois estávamos a mesa, jantando.

A refeição estava ótima, e a companhia de Edward só tornou as coisas ainda melhores. Ele foi muito atencioso e se ofereceu para dar na minha boca um pouquinho do seu prato para que eu experimentasse.

A essa hora, o Sol já havia ido embora, e as primeiras estrelas da noite surgiam no céu que agora possuía um tom lilaz.

Nosso vizinho, James, que era músico, começou a tocar piano em seu apartamento e começamos a ouvir a doce melodia que enchia o ambiente. Edward fechou os olhos e começou a prestar atenção na música. Acho que nunca o vi tão relaxado.

-Eu costumava tocar, sabia. -Ele disse, ainda de olhos fechados .

-Mesmo?!- Me surpreendi, Edward já tinha mil e uma qualidades, e ainda assim, quanto mais eu o conhecia, mais coisas boas eu descobria nele.

-Sim, fiz aula a partir dos sete anos e ganhei um piano aos treze. Lembro-me de como foi difícil convencer meus pais a me darem um piano naquele natal, mas de tanto que eu insisti, ele acabaram concordando. Naquela noite, não parei de tocar piano para a minha mãe, ninguém conseguia me afastar da sala nesse dia. -Seu sorriso agora era maior.

Sorri de volta. -É verdade, piano é muito bonito mesmo. Poderia te ver tocar algum dia?

Ele não respondeu, apenas se levantou, ainda sorrindo e veio até mim.

-Me concede a honra de uma dança? - E estendeu a mão para mim.

-Eu não danço muito bem... -Eu estava sem jeito.

-Não tem problema, eu te ensino.

Sorri e segurei sua mão. Ele me levou até o meio da sala e começamos a dançar conforme o ritmo da melodia. Edward encostou minha cabeça em seu peito e beijou minha cabeça. Ele me conduzia perfeitamente, com movimentos calmos, suaves e muito, mas muito intensos. Permanecemos assim por longos minutos, sempre muito próximos, com Edward nos girando lentamente, até que a múscia parou e nos separamos.

-Você não dança mal. -Ele disse, ainda próximo de mim.

-Você sempre consegue despertar o meu melhor lado Edward.

Nessa hora, ele levou a mão até meu rosto, acariciando-o levemente, e se aproximou ainda mais. Seus olhar agora era mais sério e intenso e eu podia sentir sua respiração em minha face. Com muita cautela, ele estreitou a distencia entre nossos rostos. Ficamos separados por apenas alguns poucos centímetros.

-Bella...eu...

Meu celular começou a tocar. Que droga! Edward pareceu pensar melhor e se afastou de mim, ele parecia frustrado. Não consegui me mover. Era muita coisa para assimilar de uma única vez, aém do que, já estava sentindo falta da proximidade com Edward.

-Não vai atender?

-Sim, vou...

Corri até o sofá, onde tinha largado a minha bolsa com o celular.

-Alô? Jasper...que surpresa...6ª a tarde? Preciso ver se vai dar, mas depois eu te ligo, Tchau.

Edward olhava incréculo para mim.

-Desculpe, era o Jasper.

-Eu percebi. -Sua voz não era mais tão doce como antes. -Ele te chamou para sair?

-É...

-E você vai?

-Não sei Edward...

-Entendo. -Ele fez silêncio por um tempo. Enquanto isso, uma nova melodia começou a ser tocada, agora mais lenta, melancólica.

-Vou para o escritório adiantar algumas coisas do trabalho, boa noite Bella.

-Mas ainda é cedo, e não vai ficar para ouvir a música?

-Não mais... -Ele se virou e saiu da sala, me deixando sozinha e novamente confusa.

Algum tempo depois, minha mãe chegou. Ela estranhou o fato de Edward ter se trancado no escritório e não ter saído mais. E, para falar a verdade, essa situação está acabando comigo, definitivamente precisava sair um pouco.

Na mesma noite, liguei para o Jasper e aceitei seu convite. A melodia daquele fim de tarde e o cheiro do perfume de Edward que eu nunca senti tão vivo em mim, não saíam da minha cabeça, juntamente com suas palavras inacabadas.

"-Bella...eu..."

Será que alguem dia saberei o que tudo aquilo quis dizer?