Harry
Eu estava no meu quarto lendo um livro, deitado confortavelmente na cama, quando Lily entrou repentinamente trazendo Gina pela mão. Ela parecia brava e Gina assustada, o que fez meu coração disparar. Estava perdido. Nossos pais haviam descoberto tudo sobre nós...
- Que história é essa de não ir ao casamento do Gui, Harry? – Lily questionou quase aos gritos – Os Weasley são nossos amigos desde sempre!
Fiquei aliviado quando percebi que o motivo da fúria era o casamento de Gui Weasley e Fleur Delacour, ao qual nem eu nem Gina queríamos ir. Teríamos de viajar até a França! Tudo bem, era um país vizinho e uma viagem rápida, mas casamentos são muito chatos. Seria bem melhor ficar em casa e aproveitar o lugar vazio. Talvez eu até conseguisse transar com a Gina...
- ...entendeu, rapazinho? – Lily perguntou, chamando minha atenção. Assenti, apesar de não ter ideia do que ela falava - Ótimo. Quarta-feira, dia 11, nós vamos subir no avião e ir para a França, quer queira, quer não. O que significa que vocês dois têm exatos 6 dias para planejarem tudo.
- Mamãe – Gina interrompeu -, por que não podemos viajar na véspera do casamento? Por que temos de ir antes?
- Gina, eu prometi a Molly que ajudaria nos últimos preparativos e não posso fazer isso daqui.
- Você pode ir na frente – sugeri - e depois a gente vai.
- Nada disso, Harry! Vocês vão comigo e com James. Não entendo a ânsia dos dois em ficarem aqui, sempre gostaram de viajar!
- Bem – tentei pensar em algo - tem muitas coisas da faculdade para resolver.
- Você já devia ter feito isso, Harry. Falta menos de um mês para o início das aulas e você ainda nem sabe para qual universidade vai no próximo semestre! Essa é outra coisa a decidir até o dia 11. Ou toma uma decisão ou eu tomo por você.
Detestava quando Lily, de alguma forma, brigava comigo ou chamava minha atenção. Me fazia parecer uma criança.
- Se for para Sheffield, você ainda precisa arranjar um lugar para morar – lembrou Gina, que estava bem atrás de Lily. – A essa altura os alojamentos já estão todos lotados.
- Outra dor de cabeça! – Lily exclamou, parecendo estressada – Deus, nem nas minhas férias eu tenho descanso! Preciso ligar para algumas imobiliárias...
Ela saiu do quarto batendo a porta. Meu olhar cruzou com o de Gina, que ria.
- Mamãe está certa, Harry, você precisa resolver isso. Não pode ser tão difícil escolher entre Essex ou Sheffield.
- Pode sim – garanti, voltando a me deitar. Eu tinha me matriculado em duas universidades, as duas ótimas, mas havia prós e contras que pesavam na minha escolha sobre qual estudar.
Essex sempre foi meu sonho, mas se fosse para lá teria de morar sob o mesmo teto de Lily e James pelos próximos anos. A universidade era perto o suficiente para que eu pudesse ir e voltar de carro todos os dias, porém eu não queria mais ficar naquela casa, onde era difícil ter alguma liberdade com Gina. O que fazia de Sheffield a melhor opção. Era longe, eu teria de morar sozinho e Gina poderia tentar ir para lá no próximo ano. Se ela conseguisse - e ela era excelente aluna, então conseguiria -, ficaríamos longe de todo o nosso passado, de tudo e todos que conhecíamos. Ter uma casa só para nós era uma ideia muito agradável. Todavia, para isso eu teria de suportar um ano longe dela. Sem contar que eu sempre quis estudar em Essex...
- Vai ser difícil no próximo semestre sem você aqui – Gina comentou, parando de frente à cama.
- Eu estava pensando justamente isso.
- Vai ser difícil independente de qual universidade cursar. Se for para Essex, só vou te ver à noite e nos finais de semana, quando você tiver tempo livre. Se for para Sheffield, só vou te ver em alguns finais de semana – sua voz estava triste.
- Ei – puxei-a para perto de mim -, não pense nisso agora. Ainda temos um mês juntos.
- Vou sentir sua falta o tempo todo.
- Eu também.
ooOoOoOoOoOoo
Na sexta-feira eu e Gina saímos para comprar algumas coisas necessárias à nossa inevitável viagem. Ela aproveitou que seu aniversário estava chegando para escolher um presente. Foi um dia cansativo, o shopping estava cheio e visitamos várias lojas. Gina tentava parecer contente, mas havia algo estranho nela desde o dia anterior. Às vezes ela ficava muito calada e concentrada, como se estivesse pensando sobre algo muito sério.
Eu também devia estar pensando em coisas sérias, como para qual universidade iria, mas decidi adiar essa escolha o máximo possível. Uma hora ou outra Lily acabaria tomando a decisão por mim se eu não o fizesse...
- Harry, vem cá! – ouvi Gina chamar. Olhei ao redor e vi sua cabeça para fora de um provador de roupa.
- O que foi? – me aproximei.
- Entra aqui.
Olhei de um lado para o outro, notei que ninguém reparava em mim e entrei ali com Gina. Era um espaço bem apertado para duas pessoas.
- Fecha pra mim, por favor – ela me deu as costas, mostrando o zíper aberto do vestido que experimentava.
- Feito.
Gina olhou no espelho, claramente se avaliando com crítica.
- Ficou ótimo em você – comentei quando ela perguntou minha opinião.
- Eu poderia estar vestida com trapos e você ainda diria que estou ótima – estranhei o tom rude dela; não falei nada, mas obviamente minha cara me denunciou.
- Desculpe – ela pediu. – Abra o zíper, por favor.
- Você não vai levar esse vestido? – ela tirou a peça e pegou outra, azul escura, entre as milhões que estavam no provador.
- Vou, mas não posso usar um modelo tomara-que-caia no casamento do irmão do Rony.
- Por quê?
Gina não falou nada, mas me mostrou seus braços, cheios de hematomas causados por mim, com uma expressão de aborrecimento.
- Ah, certo. Entendi.
Agachei em um canto e fiquei observando, em silêncio, ela experimentar peça por peça. Pensei em falar que a preferia sem nada do que com qualquer um daqueles vestidos, mas achei que Gina não receberia com bom grado meu comentário. Ela estava estranha mesmo. Quando tentei me aproximar, e eu apenas a cerquei com meus braços, ela me empurrou.
- Estamos em uma loja, Harry, pelo amor de Deus! Por que não vai me esperar lá fora?
- Você que pediu para eu vir aqui!
- É, para me ajudar a vestir um vestido, que eu já experimentei. Pode sair.
Aquela tarde foi muito longa. Gina estava tensa e me deixou tenso. Quando falei que não queria comprar nada, apenas ir para casa, ela quase gritou comigo, dizendo que eu não tinha roupa para usar no casamento do Gui. Para agradá-la eu comprei um jeans e um paletó de camurça, e só.
- Podemos ir embora agora? – perguntei ao sairmos da loja.
- É claro.
Enfim nos dirigimos ao estacionamento, onde estava nosso carro. Todavia, como aquele não era meu dia de sorte, vi Cho na fila do elevador. Tentei pensar em uma desculpa para sair correndo dali, porque nosso rompimento não foi exatamente amigável, mas então as portas se abriram e Gina entrou naquele pequeno espaço de metal. Tive de entrar atrás dela.
- Olá, Cho – cumprimentei por obrigação.
- Olá, Gina – Cho fez questão de me ignorar -, como vai?
- Bem, e você?
Cho deu de ombros.
- Indo.
- Eu vi os documentários que você me emprestou – Gina continuou -, são geniais! Não se preocupe, não esqueci de devolvê-los, ainda vou fazer isso.
- Tudo bem, pode ficar com eles o tempo que quiser. Ainda estou com aquele seu livro, "Norwegian Wood"...
Tive de escutar a conversa amigável e incômoda entre Gina e Cho até chegarmos ao subsolo do shopping, onde ficava o estacionamento. Parecia até que elas faziam de propósito! Agora as duas eram amiguinhas?!
Praticamente atropelei o pessoal que também estava no elevador na minha pressa de sair dali. Cheguei ao carro bem antes de Gina e, quando ela apareceu, eu já tinha jogado todas as bolsas de compras no porta-malas e dado a partida. Não falei nada até pararmos no primeiro sinal vermelho.
- Você e a Cho estão se dando muito bem, hein?
- Ela é legal, você sabe.
- Sei? Ela não anda sendo muito legal comigo ultimamente.
- Harry – pela primeira vez naquele dia Gina me olhou com alguma simpatia -, você a magoou. É claro que ela está tentando parecer durona e resistente para você.
- Eu a magoei por você.
Gina respirou fundo.
- É, lamento por isso.
O sinal abriu e continuei dirigindo.
- Quer parar em algum lugar para comer? – perguntei.
- Não era você quem queria chegar em casa logo? Vamos para casa!
Obedecendo à madame, nos levei direto para casa. Assim que estacionei, ela foi abrir a porta sem ao menos pensar em me ajudar com as sacolas.
- Ótimo – falei com ironia, entrando em casa atrás da Gina. – Obrigado pela força!
- Mamãe não está, foi na Molly – ela balançou um bilhete. – A casa é só nossa.
- Você não vai me dar uma mão aqui?
- Deixa de ser reclamão – Gina pegou algumas sacolas e subiu, comigo em seu encalço.
Deixei as bolsas dela no seu quarto e joguei minha única sacola de compras no armário. Eu posso arrumar isso depois, pensei enquanto me atirava na cama.
Observei Gina passar duas ou três vezes diante de sua porta, que estava aberta. Por fim ela entrou no meu quarto e se dirigiu ao banheiro. Não falou nada comigo, que fique registrado.
Levantei e encostei na soleira da porta, observando-a. Ela tirou a camiseta e, quando se virou, deu de cara comigo.
- O que foi, Harry?
- Estou tentando entender o porquê de você estar estranha.
- Não estou estranha – ela ligou o chuveiro e não me olhou.
- O que eu fiz de errado ontem? Porque desde ontem você está estranha comigo.
Ela não disse nada. Eu bufei e voltei para a cama.
Ouvi o chuveiro ser desligado e logo Gina reapareceu no meu campo de visão. Ela se deitou ao meu lado e apenas me fitou.
Observei seu corpo magro, as sardas dos ombros e a pela clara, e senti vontade de me aproximar e tocá-la. Em vez disso fitei-a também.
- Às vezes eu te odeio, Harry. Te culpo por ser meu irmão, apesar disso não ser culpa de ninguém. Eu te amo e te quero tanto que é difícil suportar – ela fez uma pausa e encarou o teto – Então de vez em quando fico com raiva do que sinto por você. Desculpe.
Por mais estranho que possa parecer, entendi perfeitamente a explicação de Gina e até senti empatia. Ás vezes eu sentia o mesmo.
- Tudo bem.
Alguns minutos se passaram em absoluto silêncio. A mão de Gina encontrou a minha e ela entrelaçou os dedos nos meus, voltando a falar:
- No dia do seu aniversário, eu e Draco estávamos conversando sobre sexo.
- Que apropriado! Provavelmente o tema favorito do Draco.
- Harry!
- Ok, desculpe. Continue.
- Bem, nós estávamos conversando e eu me peguei pensando em desculpas para dar a ele sobre o porquê de eu ainda não ter transado. Acho que consegui despistá-lo, apesar de não ter sido muito sincera, pois, é claro, o motivo de eu não ter feito sexo ainda é porque você é meu irmão.
- Não diga isso!
- É a verdade, Harry, por que devemos evitá-la? – os olhos de Gina estavam cheios de lágrimas, e isso me afligiu – Não há uma mágica ou poção que possamos fazer para mudar isso, então vamos avaliar as coisas como elas realmente são.
- Gina...
- Me deixa falar, porque se não disser isso agora, não vou dizer nunca.
Assenti. Ela respirou fundo, secou os olhos e continuou:
- Você é meu irmão, e é tão estranho dizer isso, porque eu sei que você é meu sangue e minha carne, mas eu não sinto isso. Eu amo você de um modo... – ela escondeu o rosto no travesseiro por um momento, provavelmente para chorar. Não me movi, não mexi um dedo, pois senti que iria despedaçar se fizesse isso. Um tempo depois Gina continuou: - Eu amo você de um modo inapropriado e errado, mas eu amo você e sempre vou me odiar por isso. É melhor não pensar nessas coisas, porque é difícil enfrentá-las, mas... Às vezes é necessário. Bem, a questão é... – ela respirou fundo novamente - Eu estou falando isso porque... Porque em um mês você vai estar na universidade e por mais que a gente se ame, tudo pode acontecer.
- Eu nunca vou te deixar, Gina, a gente é para sempre! Se esse é o seu medo, eu já diss...
- Harry, fica quieto, por favor! – ela fundou, engoliu o choro e continuou – Você pode estar longe daqui no próximo semestre e eu realmente queria... Queria, bem, deixar com você algo que fizesse se lembrar de mim, mas eu não estou preparada para transar.
- Tudo bem, tudo bem, meu amor! Eu não me importo, isso não tem importância, a gente...
- Não, isso importa! – quando Gina tocou meu resto, percebi que sua mão estava fria – Importa, pois eu nunca vou estar pronta, porque você é meu irmão, mas... Há coisas na vida que você nunca vai se sentir pronto para fazer, tem simplesmente de reunir coragem e ir adiante. Entende, Harry?
O silêncio que caiu seria suficiente para ouvir um alfinete cair.
- Não – murmurei, não sendo muito sincero e com o coração disparado.
- Eu quero que você sempre se lembre de mim, não importa o que aconteça. Quero ser lembrada como uma mulher especial para você, não como sua irmã. Quero – ela engoliu em seco - dar seu presente de aniversário hoje.
Aquele foi o instante mais longo da minha vida. Do momento em que Gina acabou de falar até o que eu me coloquei sobre ela, beijando-a, o tempo pareceu não passar.
ooOoOoOoOoOoo
As mãos de Gina nos meus ombros estavam trêmulas. Quando ela tentou tirar minha camisa, estava tão nervosa que falhou. Me afastei e arranquei minhas roupas em poucos segundos, tirando também seu short e calcinha. Ela me abraçou quando voltei a me colocar sobre ela, beijando seu maxilar, pescoço e colo. Sua pele era quente e doce e ainda trazia vestígios do perfume que costumava usar.
O sutiã foi a última peça dela que tirei. Ela tinha mamilos pequenos e rosados, que ficaram duros na minha boca. Eu ouvia a respiração pesada de Gina e sentia seu peito subir e descer. Sabia que seus olhos estavam fechados, como sempre ficavam quando eu a tocava. Ela estava com medo e era um medo tão sólido que eu quase podia senti-lo. Quanto a mim, não sentia medo, mas ansiedade e excitação.
Em retrospecto, acho que fui muito afoito com Gina naquele dia, mas não consegui me controlar. No começo eu a tocava por puro deleite, apenas observando-a e apreciando a sensação do seu corpo em contato com o meu. Então um monstro no meu estômago, faminto por aquele corpo, acordou. Eu queria tudo intensamente e enquanto a beijava, minhas mãos se movimentavam sobre sua barriga, descendo até o meio de suas pernas com o que só posso chamar de ferocidade. Ouvi Gina, quase imóvel sob mim, gemer – de dor ou prazer, não sei - enquanto a tocava.
Imagine um homem perdido em um deserto por dias. Ele anda e anda sem achar nada. A sede que sente é tanta que a cada instante, a cada segundo ele deseja morrer para parar de sentir aquilo. Ele acha que não consegue mais ir adiante, mas surpreende a si mesmo dando um passo de cada vez. Então, quando realmente está prestes a morrer, acha água. E sua sede, fome, cansaço e ânsia são tão intensos que ele se joga no oásis e morre afogado. Eu fui este homem aquele dia com Gina.
- Harry – ela me chamou. Minhas mãos apertaram seu quadril quando voltei a beijar sua boca. Não havia mais nada entre nós. Eu precisava aproveitar esse momento antes que ela mudasse de ideia...
- Olha para mim – pedi, a respiração ofegante. Quando ela abriu os olhos, me guiei para dentro dela. Meu gemido de prazer soou tão alto que o dela, de dor. – Abre os olhos – pedi novamente, indo mais uma vez para dentro dela. Outro gemido de prazer e de dor ecoou no quarto. E outro e mais outro, enquanto eu tentava atravessar a carne dura e chegar ao fundo de Gina, difícil de alcançar.
- Está doendo – as mãos delas apertavam meus ombros com força; as minhas seguravam seu rosto, se perdiam em seus cabelos. Eu a fitava a todo instante, enquanto secava suas lágrimas e enquanto nossos lábios se tocavam.
- Já vai passar – eu mal conseguia encontrar a voz para falar.
Ela parecia mais atraente assim, frágil e temerosa. Eu conhecia cada curva do corpo dela, cada sarda e detalhe, mas me senti pela primeira vez diante de Gina. Eu a queria com a fome e fúria que experimentava. Puxei suas pernas para cima do meu quadril e penetrei novamente dentro dela, assim seria mais fácil...
- AI! Ai, Harry!
Finalmente dentro dela, carne contra carne. Sequei outras lágrimas, gemendo contra seus lábios. Fiquei comigo, fique comigo, pensava em meio às sensações e ao deleite. Ela estava invocando prazeres em mim que eu desejava que ela também sentisse, mas foi impossível não ser egoísta e deixar de pensar em Gina. Eu a sentia comigo, me olhando e abraçando; ela era quente e apertada ao meu redor, enquanto eu entrava e saía de dentro dela e meus movimentos se tornavam mais intensos. Eu a sentia sob mim lutando contra o próprio corpo, contra a própria dor, o maxilar trancado...
A curva de seu pescoço foi meu lar quando me derramei dentro dela, satisfeito, com o coração disparado e a respiração ofegante. Me senti relaxado, bem como nunca antes. Gina ainda me abraçava forte.
Segundos ou minutos se passaram até qualquer um de nós se mover. As mãos de Gina tocaram meus cabelos e eu a fitei. Ela me beijou, mas no milésimo de segundo antes de fechar os olhos, vi Lily em sua expressão. Enquanto a língua dela estava na minha boca, quando já não havia tensão entre nós, mas eu ainda estava dentro dela, pensei na minha mãe, aquela mulher que eu sempre chamei de Lily. Será que eu havia me dado conta antes do quanto ela e Gina eram parecidas? As duas pareciam a mesma pessoa para mim naquele instante...
Afastei-me de Gina o suficiente para encará-la. Por trás de seus olhos, as sombras de James e Lily me fitavam. A culpa me invadiu através da expressão de dor e do rastro de lágrimas na face de Gina.
- Não - repeli suas mãos quando ela tentou me tocar. Levantei da cama e observei seu corpo por um instante.
Foi como se eu compreendesse, pela primeira vez na vida, em toda a complexidade e dimensão da situação, a gravidade do meu relacionamento com Gina. Ela realmente era minha carne e meu sangue, e tal fato me atingiu como uma revelação. Eu feri minha carne e derramei meu sangue, porque a feri e derramei o sangue dela. O líquido vermelho estava em mim, em Gina e no lençol. A vergonha se juntou à culpa e eu me dirigi ao banheiro, ligando o chuveiro afoito por me livrar de qualquer vestígio dela.
Ouvi Gina me chamar enquanto eu estava sob a água. Ela apareceu na porta do banheiro, vestindo a minha camisa, no momento exato em que terminei o banho rápido.
- Aonde você vai? – ela indagou enquanto eu colava a primeira roupa que tinha pegado no armário. Enfiei os tênis, com os pés molhados e sem meias, com a voz questionadora e preocupada de Gina em meus ouvidos.
Harry, aonde você vai? Harry, aonde você vai?, ela perguntava enquanto eu escapulia escada abaixo. Não podia mais ficar naquela casa. Nem sei se um dia poderia olhar novamente para Gina sem lembrar de Lily ou James e da desonra que joguei sobre minha família – porque eles eram minha família. Eu ainda escutava os brados de Gina quando saí e comecei a correr rua afora, correr cada vez mais rápido, sem direção ou destino.
Aos leitores:
Ok. Acho que vocês estavam esperando por isso há um tempo, certo? Provavelmente esperavam também que as coisas não fossem exatamente assim na primeira vez do Harry e da Gina, mas eu não podia fazer uma cena bonitinha e doce - soaria muito falso. Agora eu adoraria saber a opinião de vocês sobre o capítulo e a fic. Acho que já dá para perceber que estamos dandos os primeiros passos ao fim, não?
Tomei algumas liberdades neste capítulo no que se refere ao ingresso nas universidades britânicas, mas nada que altere a fic. Até a próxima atualização!
Abraços,
Lanni.
Respostas as reviews:
ooo Grace Black: Oh, obrigada! Fico feliz em te surpreender, tramas óbvias são chatas. E este capítulo, foi surpreendente ou óbvio? Você teve a cena da transa do Harry e da Gina, como desejou. Beijo!
ooo D. McGuiller: Acho que um pouco dos dois - Draco é assim mesmo e esse é um papel que ele gosta de desempenhar.
Ah, com certeza o Harry atingiu o limite dele. Ele está um pouco perdido neste momento, mas vamos ver o que vem por aí agora. Beijo!
ooo Lizaaa: E este capítulo, o que achou? Beijo!
ooo Patty Carvalho: É, eu sou um pouco trágica e gosto de drama, mas essa história não termina em morte - não há nada de Romeu e Julieta aqui. Continue lendo que você vai saber onde a fic vai dar. Beijo!
ooo G. Granja: Deu calor? E esse cap? Não foi exatamente uma NC, mas apenas o que a fic pedia. Beijo!
ooo ingrid albuquerque: Haha, aí está o novo capítulo. Não suma, hein! Beijo!
ooo Thamires: Sim, a Gina vai perder a virgindade com o Harry logo... ou melhor, já perdeu! Acho que todos esperavam por isso, não? Beijo!
ooo Anna Weasley Potter: Olá, tudo bem! Falando sobre o seu comentário, todo o relacionamento entre o Harry e a Cho foi parte do processo de amadurecimento (ou algo assim) dele. Sem contar que eu precisava de conflitos para a trama.
Será que o Draco gosta mesmo da Gina? Acho que vou deixar isso para cada leitor decidir, porque eu realmente não sei. Beijo!
ooo Hugh Black: Hahaha, obrigada! Será que você vai continuar gostando da Gina depois deste capítulo? Beijo!
ooo Pedro Henrique Freitas: Pedro, seu comentário me incomodou, porque mostrou que eu não fui muito clara no capítulo passado. Quando a Gina deu todas aquelas justificativas ao Draco por não fazer sexo era, na maior parte, apenas meias verdades. Ela não podia dizer o motivo real, então deu outros. Tentei corrigir isso neste capítulo, consegui?
Poxa, mas é claro que a Gina ia dormir com o Harry, eles são o shipper da fic! Ta, as coisas não foram ou serão muito fáceis, mas tudo tem de acontecer assim.
O Harry nunca vai conseguir controlar totalmente a agressividade dele, o ciúme, mas as coisas entre ele, Gina e Draco não serão exatamente como você pensou. Talvez você veja menos sobre isso do que deseja.
Vamos ver a viagem para a França. Algo importante, de certa forma, vai acontecer por lá.
Eu acho que nunca vou dar uma resposta definitiva sobre o Draco gostar ou não da Gina, porque isso não é algo que eu saiba. Quer dizer, usando uma frase de Glee, Draco não é um quadrado, ele tem mais do que quatro lados.
Beijo, Pedro!
ooo Juli-chan: Ah, que bom que resolveu ler a fic até o fim, assim ganho uma nova leitora. Adoro novos leitores, que trazem opiniões frescas sobre a trama. Agradeço as palavras gentis e, como você pôde ver (ler, na vedrade), sim, Harry e Gina transaram neste cap. Beijo!
ooo Tammie Silveira: Oh, tudo bem por desaparecer, mas realmente espero que você leia a fic. Acho que ela está bem emocionante a essa altura. Harry é muito ciumento, isso é fato. Ele é assim, vai ter de aprender a lidar com isso na vida. A Gina, ao contrário, é mais pacífica agora. Beijo!
