Gina

Eu não ouvia nada. Trancada no banheiro do corredor, dentro da banheira, não escutava absolutamente nada, nem sequer resquícios das vozes de papai e mamãe no andar de baixo. Cercada pela água quente pensava em Harry, perguntando-me onde ele estava, se estava bem. Ele tinha desaparecido durante tarde e já era noite. Quando ele voltaria? E por que havia fugido?

Imergi na água e prendi a respiração. Podia ver atrás de minhas pálpebras Harry correr pela rua, desaparecendo na esquina. Depois que ele se foi eu ainda procurei-o, mas não o encontrei. Peguei a chave, entrei no carro e dei voltas pelo nosso bairro e pela cidade, mas nada do Harry. Ele não havia levado o celular, só estava com a roupa do corpo. E se ele resolvesse fazer uma loucura? Se fosse atacado ou atropelado? Ele poderia precisar de algo e eu não estaria lá para ajudar!

Emergi quando não aguentava mais e meu peito ameaçava explodir pedindo por ar. O desconforto pela falta de oxigênio não era maior do que a dor que eu sentia entre minhas pernas. Diferente do que as pessoas falavam, fazer sexo não foi prazeroso, mas doloroso. Extremamente doloroso. A dor, misturada a uma ardência estranha, ainda incomodava, mesmo depois de horas terem se passado.

Talvez eu estivesse machucada, talvez fosse uma dor natural, mas definitivamente não era culpa do Harry. Tudo que fiz, fiz porque quis. Será que era por isso que tinha sumido, por que pensou que havia me machucado? Não entendia seu desaparecimento! Eu tinha feito algo errado? Agi mal? Se não fosse por mim, ele estaria em casa em vez de vagando por aí?

Quando mamãe e papai chegaram da Molly e do trabalho, depois de eu ter procurado por Harry e jogado os lençóis e qualquer outro vestígio do que fizemos no lixo, eu lhes disse que ele havia ido à casa de Neville. Esperava que Harry voltasse logo, antes da noite cair, mas ele não tinha retornado. Minha mentira teria de aumentar. Eu podia falar que ele havia ligado para mim e avisado que iria dormir por lá, pois os garotos iam sair. Isso justificaria a ausência de Harry até, talvez, o início da tarde do dia seguinte. Mas e depois? O que eu diria para mamãe e papai? E se eles resolvessem ligar para os Longbottom, como seria? Se Harry demorasse dias para voltar? Havia tantas perguntas sem respostas! A principal questão, porém, era o porquê de Harry ter fugido.

Era angustiante não saber ou entender nada. Eu esperava que Harry ficasse feliz depois que eu enfim me entregasse a ele, mas ele agiu como um louco! Pior do que a dor que eu senti quando ele estava dentro de mim era a dor de perdê-lo tão bruscamente depois. Eu queria que as coisas ficassem bem entre nós, mas havia dado tudo errado!

Desejava que ele voltasse e me explicasse sua reação, até lá de nada adiantaria tentar achar respostas. Com esse pensamento, puxei a tampa da banheira e a água começou a descer. Só então notei que sob a espuma a água estava avermelhada. Era sangue, meu sangue.

- Droga.

Esperei aquela água suja desaparecer ralo abaixo e liguei o chuveiro. Só sai do banho quando senti que minha pele e minha alma estavam limpas.

Peguei meu roupão e fiz menção de vesti-lo, mas desisti. Eu tinha praticamente 17 anos, era hora de deixar as coisas de criança de lado. Abri a lata de lixo e joguei a peça ali. Adeus, Peter Pan, adeus, Sininho. Não havia mais Terra do Nunca para mim.

Enrolei-me em uma toalha e observei meu reflexo no espelho. Procurava algo diferente, porém eu era exatamente a mesma – fisicamente, pelo menos, mas me sentia diferente. A transformação não era por eu ter feito sexo, mas porque perder a virgindade me fez perceber que eu tinha ido longe demais, mais longe do que eu jamais imaginei que chegaria com Harry. Se eu havia renunciado ao meu bom senso e consentindo em dormir com ele, era porque eu faria qualquer coisa por ele. Eu me sentia parte de Harry e pertencente a ele. Eu sabia que nada nem ninguém significariam mais para mim do que ele significava. A gente era mesmo para sempre, como ele tinha dito. Se Harry quisesse, eu fugiria com ele. Estava pronta para abandonar tudo e todos, porque eu o amava. Não, era mais do que amor – era necessidade. Uma vez eu havia dito que ninguém pertencia a ninguém, mas estava errada. Ele era meu, eu era dele. O amava e como prova do meu amor eu abandonaria tudo, começando pelos meus preconceitos. Se ele voltasse, nunca mais me preocuparia em ser sua irmã. Sim, a gente havia nascido do mesmo ventre e tínhamos o mesmo sangue correndo nas veias, mas e daí? Eu passaria por cima de quem quer que fosse para viver nossa relação. Mesmo – e isso seria muito difícil – que fosse preciso enfrentar nossa família. Tudo tinha mudado em mim. Se fosse preciso percorrer céus e terras para encontrá-lo e ficar com ele novamente, se fosse necessário matar ou morrer, assim eu faria.

ooOoOoOoOoOoo

- Oi, meu bem – mamãe cumprimentou da cama quando apareci em seu quarto.

- Harry ligou. Ele vai dormir na casa do Neville; aparentemente eles vão sair com um pessoal.

- Estranho que ele não tenha falado comigo...

- Deve estar chateado por ser obrigado a ir àquele casamento – papai, que lia um livro, opinou.

- Acho que é isso mesmo – eu disse. – Boa noite. Vou dormir.

Era cedo e eu não estava com o menor sono. Quando deitei fiquei pensando em Harry, me torturando com as mesmas perguntas de antes. Onde ele estava? Por que havia fugido? Ia voltar? O que seria de mim se ele não voltasse?

Aquela noite foi muito longa. Os minutos pareciam se arrastar e durar horas. Às três da manhã e eu desisti de ficar deitada e me levantei. Vesti um casaco, calcei os tênis e depois de sair de casa fazendo o mínimo de barulho possível, comecei uma nova jornada em busca do Harry. Fui a pé desta vez, procurando-o com mais paciência por meu bairro. Só voltei para casa, frustrada por não encontrá-lo, quando o dia começava a amanhecer.

Subi para o meu quarto e chorei por horas. Eu o queria comigo! Por que ele tinha partido? Seria por culpa? Era possível, bem possível.

Aquela era uma manhã de sábado. Papai não trabalhava, portanto ele e mamãe estariam em casa. Eu queria ficar sozinha, por isso resolvi sair. Não eram nem nove da manhã quando deixei um bilhete para os dois e entrei no carro.

Eu havia escrito aos meus pais informando que ia passar a manhã na casa da Cecil, uma colega de escola. Obviamente era mentira. Me peguei dirigindo até Basildon. Talvez Harry tivesse conseguido uma carona e chegado até lá. Ele podia estar na porta do cinema que frequentávamos ou perambulando por aquelas ruas. Todavia, a viagem foi em vão. Procurei avidamente por ele, mas não o encontrei. Senti tanta raiva! Como ele ousava desaparecer e me deixar desesperada daquele jeito? Como ele podia fazer isso comigo?

Não liguei para casa para perguntar se Harry tinha voltado porque seria suspeito, mas quando mamãe me ligou, convidando-me para almoçar fora com ela e papai, percebi pela conversa que ele ainda não havia retornado. Obviamente meus pais não estavam preocupados. Se Harry tinha saído com os amigos para farrear, teriam ido dormir muito tarde e acordariam mais tarde ainda. Mas eu sabia que ele não estava com nenhum amigo, muito menos tinha farreado na noite anterior. Ele estava em algum lugar muito bem escondido de mim.

Voltei para casa pouco depois das duas. O lugar estava vazio. Pensei em sair para procurar por Harry novamente, mas desisti. Se ele não queria ser encontrado, não seria. Vaguei pelos cômodos da casa e me atirei no quintal sob o sol. Lembrei da vez que vi Harry assim, atirado na grama, e das tantas outras vezes que brincamos ali quando crianças. Meu estômago roncou, porém me recusei a levantar e comer algo. Colocaria tudo para fora mesmo.

Senti calor com as roupas que vestia. Ultimamente, para disfarçar os hematomas dos braços, só estava usando camisetas de mangas e aquele dia eu ainda vestia uma calça jeans. As peças me fizeram soar, incomodando-me, mas eu estava muito triste para me importar a ponto de trocar de roupa. Só queria que Harry voltasse para casa.

Levantei dali quando ouvi uma voz me chamar – era papai. Não sei se eu havia dormido ou não, mas o tempo pareceu correr rápido. Ao me colocar de pé o sol já tinha se posto.

- Filha, o que você estava fazendo deitada no quintal?

- Só observando o céu.

- De olhos fechados?

- Acho que peguei no sono – entrei em casa, mas mal dei três passos no corredor e papai voltou a me chamar.

- O quê? – respondi sem parar de andar.

- Harry já chegou?

- Acho que não.

- Bem, é melhor ele chegar antes que sua mãe volte.

- Onde ela foi? – eu já tinha alcançado as escadas.

- Na casa da Molly, onde mais? Aquelas duas só pensam em fazer um casamento perfeito.

Em vez de ir para meu quarto, entrei na sala de estar do segundo andar. Me sentei na varanda e observei a rua. Se Harry voltasse, eu o veria antes que ele chegasse em casa.

Não demorou muito e papai apareceu. Ele trazia um copo de suco, que me deu.

- De laranja – explicou, sentando ao meu lado.

Me obriguei a beber o suco. Cada gole descia com dificuldade, minha garganta parecia estar fechada. Senti a mão do meu pai no meu cabelo e tive vontade de chorar. Quando era pequena, era só correr para o colo dele que ele resolvia tudo. Mas e agora?

Abracei-o e quando percebi já estava vertendo lágrimas. Seus braços sempre foram um porto seguro, mas percebi que já não podiam me acalmar.

- O que foi, Gina?

- Nada.

Ele não insistiu, e fiquei grata por isso. Papai sempre soube lidar bem comigo. Ele perguntou da escola, da minha vida e do que andava fazendo nas férias, sobre meus filmes e livros prediletos, se continuava desenhando (desenhava sempre, quase todos os dias). Tudo isso me distraiu um pouco dos problemas, o que provavelmente era a intenção do papai. Quando me deixou, ainda me sentia triste, mas também menos angustiada.

Enquanto observava a noite cair e as luzes da rua se acenderem, continuei me questionando sobre Harry. Sentia um temor crescente de que ele não retornasse, mas ele precisava voltar. E voltar antes de mamãe aparecer.

Todavia, infelizmente, ele não voltou antes dela. Vi o carro da minha mãe aparecer na rua e ir aumentando de acordo com que se aproximava da nossa casa. Ela estacionou e me viu na varanda.

- Ei, filha – cumprimentou, acenando.

- Oi.

Mamãe entrou em casa e, em silêncio, fui até a escada e observei-a de longe, na sala, torcendo para que não perguntasse por Harry. Ela tirou a bolsa e os sapatos e foi em direção ao papai, que estava preparando drinks no bar. Eles conversaram algo em uma voz muito baixa, tão baixa que não pude ouvir, e os olhos de mamãe fitaram o teto. Sabia que eles falavam de mim.

Quando ela começou a subir as escadas, corri de volta para a varanda. Escutei passos atrás de mim e logo foi a vez de mamãe aparecer ao meu lado.

- O que você está fazendo ai? Seu pai disse que ficou a tarde inteira sentada nessa varanda.

- Estou só observando a rua.

- Observando ou vigiando? – ela sentou ao meu lado – A lua está bonita. Acho que é época de lua cheia, não?

- Não sei.

A ouvi suspirar.

- Você vai me dizer o que está acontecendo, Gina?

Não respondi.

- Isso tem alguma coisa a ver com o Draco? – continuou ela.

- Draco? – estranhei - Por que teria algo a ver com ele?

- Não sei, me diz você.

- Não tem nada a ver com ele, porque não tem nada acontecendo, mãe. Relaxa.

Ela respirou fundo e se levantou. Ouvi seus passos se afastarem e, então, pararem.

- Onde Harry está, Gina?

Desviei os olhos da rua e encarei-a pela primeira vez naquela noite. Meu coração batia descompassado.

- Eu não sei – falei da forma mais convincente que consegui –, acho que na casa do Neville.

- Ainda? Peça para ele falar comigo assim que chegar.

Ela se foi, me deixando sozinha e ainda mais preocupada. E se Harry não chegasse logo e mamãe resolvesse ligar para os Longbottom? Ela descobriria que ele não estava lá...

Eu só podia torcer para que ele voltasse em breve. Se já não fosse de noite e eu me sentisse tão cansada, iria procurar por ele. Mas estava no meu limite. Naquele dia, tudo que eu podia fazer era sentar e esperar que Harry retornasse.

Vi carros passarem pela minha rua, pessoas saírem e chegarem de casa, assisti a um grupo de garotas, que eu conhecia apenas de vista, passarem bem arrumadas diante do meu portão. Só não vi Harry.

Em algum momento papai voltou à sala. Perguntei por mamãe, ele disse que ela dormia e eu respirei aliviada. Pelo menos a barra estava limpa até a manhã seguinte.

- E você, não vai dormir, Gina? – ele questionou.

- Ainda está cedo.

- Nem tão cedo assim. Bem, estou no quarto trabalhando em alguns esboços. Se precisar de mim, me chame.

Assenti, mas eu não iria chamá-lo mesmo que o teto desabasse. Eu só queria ficar sozinha, já que não era possível estar com Harry.

Depois de algum tempo que papai se foi, me acomodei no sofá. Harry ainda perturbava meus pensamentos. Eu queria desaparecer, queria que o chão se abrisse para eu me enfiar dentro dele, porque assim não sentiria toda aquela angústia. Com esse desejo em mente, caí no sono. Quando abri os olhos, percebi que a noite já tinha virado madrugada. Um ar frio entrava pela porta aberta.

Voltei ao meu posto na varanda, observando a rua, e notei uma silhueta sentada na calçada em frente à minha casa. Meu coração acelerou, cheio de esperança. Era um homem, definitivamente, e pela forma e pelo tamanho podia ser Harry.

Desci as escadas pulando um e outro degrau. Quando alcancei a porta de entrada estava sem ar. Que seja Harry, que seja Harry, implorava a ninguém em específico. Abri a porta e saí para a noite. A rua estava completamente vazia e me pareceu assustadora enquanto eu cruzava o espaço até o portão.

- Harry? – eu já sabia que era ele. Graças a Deus!

Ele se levantou muito devagar e me encarou. Seus olhos estavam vermelhos, mas não foi isso que chamou minha atenção, e sim sua aparência. Ele estava péssimo, parecia cansado, abatido e faminto, como se tivesse andando por dias e dias um uma mata, perdido, lutando para sobreviver. Porém ele estava em casa agora. Tudo ia ficar bem.

ooOoOoOoOoOoo

Abri o portão baixo de madeira que delimitava nosso jardim e me aproximei de Harry. Seu cabelo estava sujo e ele cheirava a suor, mas estava bem, pelo menos fisicamente. Eu o abracei e ele me abraçou de volta. Nunca mais iria soltá-lo, nunca mais ele desaparecia dos meus olhos.

- Fiquei tão preocupada – falei entre lágrimas. Ele não disse nada, mas eu podia ouvir seu choro convulsivo, forte, e sentir suas mãos trêmulas contra mim.

Deixei-o chorar, mesmo que não entendesse o motivo daquele pranto. O meu era de felicidade, mas e o dele? Quando Harry se acalmou, voltei a encará-lo. Sequei suas lágrimas me perguntando por onde ele tinha andando. Eu faria essa pergunta mais tarde.

- Senti sua falta – disse eu. - Temi que nunca mais fosse te ver.

Minhas mãos descansaram em seu rosto e, por um longo momento, apenas o observei saudosa. Então o beijei, sentindo seus lábios e língua contra os meus. Havia um desespero – uma dor, uma fome – em seu beijo que eu não compreendia.

- Vem – puxei-o para dentro de casa, mas não sem antes olhar ao redor para ver se alguém tinha nos visto, mas não, a rua continuava vazia.

Não soltei a mão de Harry enquanto cruzávamos em silêncio a sala e subíamos as escadas, tomando cuidado para não acordar mamãe e papai. Quando chegamos ao quarto dele, deixei-o e fui encher a banheira. Harry precisava tomar um banho e descansar. Enquanto abria as torneiras, observei-o mais uma vez. Ele estava estranhamente calado. Olhava ao redor como se sentisse deslocado... Harry me pegou olhando-o e sorriu, entrando no banheiro.

- Nós precisamos conversar – essas foram as primeiras palavras dele desde que havia voltado e sua voz parecia rouca pelo desuso. – Como você está?

- Bem, apesar de quase ter morrido de preocupação por sua causa. – Observei-o tirar as roupas com gestos calmos e jogá-las no lixo, como se não quisesse nenhuma lembrança de por onde andara - Onde você se meteu, Harry?

Ele deu de ombros e entrou na banheira. Só quando estava lá dentro, na água quente, que me deu uma resposta decente:

- Estive andando pela cidade.

- Por quê? Pra quê? Você faz ideia de como me senti depois que você me deixou? Eu senti tanto medo! Pensei que não fosse mais voltar.

- Eu não ia. Mas aí pensei em você, em nós... e aqui estou.

Ele começou a lavar os cabelos, nós dois em silêncio. Sentei no chão, perto da banheira, e fiquei olhando-o. Queria abraçá-lo e beijá-lo, cuidar dele para que Harry nunca mais partisse. Era um alívio tê-lo novamente comigo. Como para me certificar que ele estava realmente ali, toquei seu rosto. Ele me fitou, depois se aproximou e me beijou de um modo muito brando. "Desculpa", seus lábios formularam sem emitir som algum.

- Por que você saiu correndo daquele jeito? – perguntei – Fiquei tão confusa! Milhões de coisas podiam ter acontecido com você e eu nunca saberia.

Ele suspirou.

- Eu tive que ir.

- Por quê?

- Eu não podia suportar...

Esperei que terminasse a frase, mas ele não disse mais nada.

- Não podia suportar o quê, Harry? Você se arrependeu...?

- Não, não me arrependi, só... Não consegui parar de pensar em Lily e James – ele bufou e se recostou na banheira, fitando o teto. - Não suportei a culpa. Sem contar que agi mal com você, te machuquei.

- Sim, você me machucou. Partiu meu coração quando saiu daqui naquele jeito.

- Antes fosse só seu coração que eu tivesse partido.

Me levantei, um pouco furiosa, um pouco chateada, e saí de perto dele. Ele agia como se tivesse me forçado a algo, como se tivesse cometido algum crime!

- Harry, não aja como se você fosse o vilão e eu a vítima, porque estou cansada de ser a donzela em perigo dessa história! E você, definitivamente, não é o cara mau!

- Você não sabe o que diz, Gina.

- Não me trate como uma criança! Se você é culpado por algo, eu também sou! Eu consenti, eu quis fazer sexo com você.

- Eu te persuadi.

- Não! Quer dizer, sim, você me persuadiu, mas e daí, Harry? Já aconteceu e eu não me arrependo. – respirei fundo, tentando me acalmar – Eu só queria que nada mudasse entre a gente.

- As coisas já mudaram.

- Nossa relação só ficou mais forte.

- Mais errada.

- Estou cansada do certo e errado! – Observei-me no espelho, encarando aquela Gina que dias atrás não reconheceria como sendo eu – Não me importo mais.

- Com o quê?

Fitei Harry, que me encarava da banheira.

- Com tudo. Três meses... Três dias atrás eu era uma pessoa completamente diferente do que sou hoje. Tinha dúvidas e medos muito maiores do que eu, mas tudo se foi. Eu não me importo mais, Harry, só quero ficar com você.

Ele parecia distante, como se pensasse em algo. Passou um longo tempo antes que voltasse a falar:

- Na sexta-feira você me disse, naquela cama – ele apontou seu quarto -, que eu era seu irmão e que não deveríamos evitar essa verdade. Então, hoje, você me diz pra gente esquecer tudo e ficar juntos?

- Não, você me entendeu mal. Eu quero ficar com você mesmo sendo meu irmão. Estou cansada de me importar com isso – respirei fundo; não, eu não ia chorar –, só quero viver.

- E quanto a Lily e James?

- Nós lidamos muito bem com eles até agora, não?

- E a culpa?

- Estou cansada de me sentir culpada por algo que eu não sou culpada! Eu não pedi para amar você, Harry, aconteceu! Se tem um culpado é Deus, que me fez amando você.

- Isso significa que você não sente mais culpa? Ou asco? – o deboche e a incredulidade eram claros em sua voa.

- Eu nunca senti asco de você, e definitivamente não significa que não sinto mais culpa. Eu só decidi não me importar mais com isso.

- Por quê?

- Porque eu amo você e quando fiz sexo com você, tudo pareceu certo.

- Eu te machuquei.

- Eu estou aqui e estou bem, Harry, você não me machucou! Sim, você foi rude e doeu, mas apesar do ato ser sido muito doloroso, a experiência foi... Boa. Sentir você dentro de mim foi tê-lo como parte do meu corpo, como uma extensão de mim. Como se, depois de muito tempo, eu tivesse encontrado uma pedaço de mim que nem sabia que faltava. Isso vai soar totalmente clichê, mas me senti completa pela primeira vez na vida. E por ser completa, agora, é que eu não estou disposta a te deixar – sequei minhas lágrimas e sorri. – Só para constar, fico feliz que tenha me persuadido a fazer sexo com você. Já não há mais nenhum ponto de tensão entre nós, o que é bom.

Harry assentiu. Calado, com gestos lentos, ele saiu da banheira e vestiu o roupão. Quando passou por mim ele tocou meu rosto, mas continuou andando, sem sequer me olhar. Por um momento temi que fosse partir de novo, mas ele deitou em sua cama.

- Vou pegar algo para você comer – eu disse, saindo do quarto - Deve estar faminto.

Desci e me demorei na cozinha. Era como se precisasse de alguma resposta de Harry – se ele ia ou não continuar comigo -, porém isso era besteira. Ele mesmo tinha dito que éramos para sempre. Certo?

ooOoOoOoOoOoo

Harry ainda estava deitado na cama quando voltei. Quando me viu ele se sentou, abrindo espaço para que eu pudesse me acomodar. Sentei à sua frente, com a bandeja entre nós.

- Estou morrendo de fome – ele falou ainda calmo, quase lerdo, antes de abocanhar um sanduíche, e só voltou a dizer algo depois de devorá-lo todo. – Isso está muito bom.

- Obrigada – meu estômago roncou, me lembrando que eu só tinha tomado um suco de laranja. Me servi de um sanduíche também, mas mais para acompanhar Harry do que por vontade de comer.

- Decidi para qual universidade vou – ele comentou.

- Verdade? – aquela era uma boa notícia – Para qual?

- Sheffield. É bem longe daqui, vou ter que sair de casa.

- Infelizmente.

- Felizmente, Gina. Não posso mais viver aqui. Não posso olhar para você sem pensar em Lily e James no quarto ao lado. Esse não é mais o meu lugar.

Eu toquei sua mão.

- Essa sempre vai ser a sua casa.

- Minha casa talvez, mas não meu lar. Meu lar será onde você estiver e onde Lily e James não estiverem. – Harry deixou seu terceiro sanduíche pela metade na bandeja; ele parecia chateado - Não posso mais viver com eles, é por isso que vou para Sheffield.

Eu entendia, por isso apenas assenti. Se era assim que Harry ia lidar com o que sentia, evitando mamãe e papai, eu apoiaria.

- Você não vai dizer nada? – ele questionou.

- Você já decidiu tudo. Eu concordo.

- Verdade?

- Sim. Você tem um jeito de lidar com as coisas, eu tenho outro. Contanto que fiquemos juntos tudo vai estar bem.

Ele suspirou e pegou seu sanduíche novamente, voltando a devorá-lo. Um novo silêncio caiu entre nós e eu aproveitei para observar bem o rosto de Harry. Ele estava limpo e renovado, mas ainda parecia exausto.

- Sabe, por um momento nessa minha andança – Harry recomeçou - cheguei a me perguntar se... Se não seria melhor contar tudo para Lily e James.

Parei no meio o gesto de levar o sanduíche à boca. Precisei de um instante para conseguir encarar Harry.

- É o que você quer? – perguntei aflita. Ele deu de ombros. Eu devolvi o sanduíche à bandeja, o estômago começando a embrulhar, e tentei respirar fundo, mas o ar não vinha.

Já podia imaginar a desgraça que seria. Nossos pais nos colocariam para fora ou ficariam tão envergonhados que tentariam se matar? Porque certamente uma das duas coisas aconteceria. Mamãe e papai ficariam tão desapontados! Eu lamentava ter de fazê-los sofrer, realmente lamentava...

- Gina?

- O quê? – Eu só podia pensar na desgraça que estava por vir...

- Você faria isso por mim, contaria a Lily e James sobre nós?

- Não vai ser fácil, mas... Podemos fazer isso.

- Então você faria isso por mim?

- Sim – afirmei, engolindo minhas lágrimas.

Harry escondeu o rosto nas mãos, como se estivesse desesperado. Não entendi aquilo. Eu não tinha concordado em fazer o que ele havia pedido?

- O que é, Harry?

Em meio à minha própria aflição, coloquei a bandeja no chão e me aproximei dele, fazendo com que me encarasse. Seu rosto era uma máscara indecifrável.

- O que é? – repeti.

- É que... – ele suspirou – Sempre pensei que eu fosse o mais forte de nós dois. Que você, tão frágil, precisava de mim para lidar com essa relação estranha, mas é o contrário. Você é a parte forte e eu, a frágil.

Naquele momento, quando Harry disse aquilo, percebi que era verdade. Sempre havia pensado que eu era o elo fraco da nossa relação, mas era ele. Pelo menos tinha passado a ser ele agora que tudo havia mudado.

- Você está assim por isso?

- Não, estou nervoso porque a sua coragem me assusta. Eu nunca poderia contar para Lily e James sobre nós, porém você faria isso por mim – ele deu de ombros. - Sou um covarde.

- Não, Harry, você não é! Você é corajoso! Para viver o que a gente vive é preciso ser corajoso, e você realmente é – sequei as lágrimas que não consegui conter e segurei o rosto dele entre minhas mãos. - Você está confuso agora, mas é um homem incrível! Tenho orgulho de você, Harry. Se não fosse por você, provavelmente nunca chegaríamos até aqui. Você, no passado, sempre foi aquele que me puxou, que segurou a minha mão e me incentivou a continuar. Como você pode se dizer covarde quando é tão bravo?

As mãos dele alcançaram meus ombros, e ele encostou a testa à minha. Fechei os olhos tentando não me perder, não cair em um turbilhão de lágrimas...

- Eu amo você, Gina – ouvi Harry murmurar.

Assenti e senti os lábios dele se colaram aos meus. Havia uma coisa entre nós. Era a necessidade um do outro, aquele estranho sentimento que ia além do amor que eu havia reconhecido no dia anterior. E enquanto a gente se beijava e se abraçava estirados na cama, percebi que estávamos chorando.

- Harry?

Senti uma emoção indefinida quando ele me olhou com aqueles olhos tão incrivelmente verdes cheios de lágrimas. Era uma coisa quente e grande, uma felicidade quase dolorosa no peito. O amei naquele instante como jamais havia o amado antes. Amei cada detalhe dele, cada recanto do corpo e fio de cabelo. E percebi que não havia nada para lhe dizer, que tinha lhe chamado em vão. Por isso falei o que sentia:

- Amo você. Neste momento, te amo mais do que nunca.

Foi um beijo muito calmo o que se seguiu. Todo o desespero e aflição de antes tinha desaparecido. Ele me abraçou e por um longo, longo tempo nós ficamos apenas ali, um e outro.

Eu contei a Harry o que tinha feito em sua ausência – basicamente procurei-o. Falei que havia dito a nossos pais que ele estava na casa de Neville, portanto essa era uma história que ele tinha de confirmar quando Lily o questionasse – e com certeza ela o questionaria. Ele me falou que não conseguiria encarar nossos pais nunca mais.

- Principalmente James – Harry acentuou. – Como eu vou olhar na cara dele sem me sentir desconfortável, sabendo que transei com você? Gina, você é a menina dos olhos dele, e eu deflorei você!

- Deflorou? Que palavra arcaica!

- É sério, Gina. James me mataria se soubesse.

- Ele não vai saber, ninguém nunca vai saber. Nós somos discretos, e no próximo semestre você vai para a faculdade, então não vai precisar se preocupar mais com isso. Mas por hora faça um esforço, ok?

- Ok.


Aos leitores:

Ufa! Nem acredito que cheguei ao fim. Este certamente foi um dos capítulos mais difíceis de escrever. Foi uma tarefa árdua tentar expressar os sentimentos da Gina nesse momento. Acho que, mesmo agora que o capítulo já está pronto, não consegui fazer isso direito. Me parece que escrevi apenas um rascunho, umas palavras distorcidas, sobre o que a Gina realmente sente. Entendem?
O que acharam deste capítulo? Foi totalmente diferente do que pensaram, depois do que aconteceu no capítulo anterior? Foi muito ruim? Muito estranho? Compreendem a atitude das personagens? Se não, perguntem, também estou aqui para tirar dúvidas.
Talvez essa mudança da Gina - uma mudança um pouco disforme e indefinida para mim, porque não posso dizer exatamente o que mudou na garota, mas algo mudou - pareça muito súbita, apesar de eu ter tentado explicá-la (espero ter conseguido). Todavia, digo de uma vez: na verdade a mudança foi gradual, só que a Gina só a percebeu quando estava completa.
Bem, fico por aqui. Me sinto exausta. Este capítulo demorou 3 semanas para ficar pronto, chegando nessa forma, que espero que não lhes desagrade por completo. A essa altura da fic, agradeço profundamente aos leitores que estão me acompanhando, porque vocês são a única coisa que me faz continuar a escrever. Como ja falei aqui, para que eu escreveria se ningém fosse ler? Obrigada, gente, de verdade!
Uma última coisinha: é bem provável que eu poste o próximo capítulo no dia 9/9, então comentem tudo o que têm para comentar até lá! Ou seja, deixem reviews, ok? Sempre fico feliz em "ouvir" o que vocês têm a dizer.

Abraços enormes,
Lanni.

=)


Respostas as reviews:

ooo Hugh Black: Olha, a coisa toda entre o Harry é a Gina é complicada, então a primeira transa deles também teria de ser. Não soaria verdadeiro se não fosse. Todavia, coisas "boas" virão por aí, então espere e verá. *smile*
O Harry vai mesmo embora para a universidade e a Gina vai ficar solitária, porém é só por um ano! É preciso suportar as pedras para chegar ao fim do percurso. Beijo!

ooo Monica Black Malfoy: Nossa, capítulo surpreendente? Que bom! Acho que surpresas são boas, não?
É claro que a Gina cederia, afinal essa é uma fic Harry e Gina. É claro também que eu não podia divulgar essa informação antes - que eles transariam, não que a fic é H/G, o que é óbvio. Quanto ao Harry, ele só precisa de uma boa noite de sono e tempo para digerir o que aconteceu. Ele não vai deixar a Gina. Beijos!

ooo fairy malfoy: Uma hora a ficha sempre cai, não? A do Harry demorou muito, mas caiu também. Acho que, no momento, os dois - H e G - estão confusos. O que não significa que as coisas que eles dizem e fazem no momento não são verdadeiras. Beijo!

ooo Lizaaa: É, eu não poderia ter escrito de outro modo. As coisas entre eles nunca foram fáceis, então por que eu deveria abrandar agora? Não soaria verdadeiro se eu fizesse isso. É assim que a fic é. Beijos!

ooo ingrid albuquerque: Acho que o Harry já "tinha se tocado" sim. Ele entendia a relação dele com a Gina, mas no capítulo anterior ele foi além - ele compreendeu o que isso significa, em toda sua extensão e gravidade, algo que a Gina já tinha feito. Beijo!

ooo gabi chorona: Não acho que o Harry tenha sido cruel ou algo assim, o problema é que a Gina estava muito tensa. Ok, ele poderia ter sido mais gentil, mas ele não conseguiria, ou melhor, não conseguiu. As coisas aconteceram como deveria e ponto, rs.
É claro que a Gina vai se recuperar, e eles não vão entrar em crise. Draco? Talvez... É possível, mas não é provável. Vamos ver o que espera pelos personagens no casamento do Gui e da Fleur. Beijo!

ooo G. Granja: Eu ouvi a música que você recomendou (Wish you were here) e gostei muito. Gosto dela para a fic, mas não sei se seria a música tema do Harry e da Gina. Você acha que seria?
É, realmente não dava para ser uma transa "lindinha e perfeitinha". Você não concorda que soaria muito falso? Quer dizer, eu queria mostrar a vida e o relacionamento dos dois, e nem tudo são flores. Por isso é necessário um pouco de dor e sofrimento às vezes - nossa, que cruel! Beijo!

ooo Bruxinha Potter Weasley: Concordo com você, nada entre eles (até agora) seria totalmente feito sem culpa ou seria bem encarado. Pouco coisa nessa fic e bonitinha e ideal (talvez nada), e a primeira transa deles não seria mesmo assim.
Acho que o Harry sempre entendeu o que tinha com a Gina, mas nunca compreendeu - o que vai além de entender. A Gina não, ela já compreendia o relacionamento deles em toda a sua extensão, portanto ela está pronta para dar um passo adiante, enquanto o Harry ainda não está. Ele só vai lidar com isso, porque a Gina está lá para segurar sua mão, dizer que tudo está bem e tirá-lo do seu desespero. Beijo!

ooo Thamires: Ah, certamente a Gina ficou confusa, um pouco louca ou desesperada até. Mas ela permanece inteira, pronta para abrir os braços para o Harry e dar força a ele. O que é bom, porque caso contrário essa relação acabaria aqui.
Acho que o final da fic será perfeito - levando em consideração que a a fic não é exatamente um modelo de romance. Espere e verá, rs. E obrigada pela review "grande". Beijo!

ooo gisllaine farias: Adoro leitores novos. Vocês sempre tem algo fresco à acrescentar na fic.
Uau, superou todas as expectativas? Isso é muito lisongeiro, agradeço. Acho que surpresas são boas, não? É tão entediante qando uma trama sai exatamente como imaginamos.
Acho que todo mundo imagina as primeiras vezes das fics de forma meio clichê - pétalas de rosa, palavras sussurradas, "eu te amo" mencionados e tal -, mas eu não sou assim. Não escrevo coisas do tipo porque gosto que minhas histórias sejam verossímeis, as mais próximas possíveis da vida real. E a vida real não tem amores perfeitos, que começam na adolescência e duram para sempre - a não ser que seja algo tão trágico e brutal como o que o Harry e a Gina de E4P tem.
Acho que o fim da fic será perfeito dentro das limitações da trama. Continue lendo que verá! Beijo!

ooo Grace Black: Oh, obrigada. Também gostei do capítulo passado. Acho que tudo fluiu normalmente, ou seja, como deveria.
Sabe que há muito tempo, quando imaginei a primeira transa do Harry e da Gina, imaginei que seria no banheiro? Mas as coisas mudaram quase ao acaso, então aconteceu diferente.
Acho que a minha dificuldade em escrever esse capítulo se deu por algo que você comentou na sua review. Eu queria mostrar como a mudança da Gina se deu, mas eu precisava fazer isso sem trair "tudo o que eles já passaram, todos os dilemas morais". Na verdade a mudança da Gina foi gradual, o que aconteceu foi que ela só percebeu quando (esta mudança) estava completa, como já falei.
Você definiu tudo com perfeição e entendeu: "a Ginny pensou em tudo antes, por isso ela resistiu tanto a dar esse passo, enquanto o Harry só visualizou todo o problema do amor deles depois do ato".
Harry dar um brecada? É possível, mas não se esqueça de algo: a Gina está lá para dar uns empurrões nele. Ela não vai deixar ele se afastar tão fácil assim. Continue lendo que vai entender tudo! Beijo!

ooo Anna Weasley Potter: Acho que a maioria dos meus leitores esperavam uma cena romântica e bonitinha, mas, como escreveram em uma review, se eu fizesse isso seria traição a tudo que Harry e Gina já viveram. A história deles não é romântica e bonitinha, é dura e difícil.
É claro que o Harry não pensou muito na Gina na hora H, mas ele se importa com ela, e ela com ele, obviamente. Se eles vão continuar juntos? Nos próximos capítulos sim, mas no fim... Bem, você vai ter de continuar lendo para descobrir. Beijo!

ooo sophie caine: É, o Harry ficou mesmo bem confuso, sem falar na Gina! Mas tudo está acontecendo como deveria, o que signifca que nada figiu do meu controle ainda - e espero que não fuja.
Acho que se a Gina não fosse tão forte e durona, se não tivesse a maturidade que tem (ela é mais madura do que o Harry) e se não tivesse compreendido há muito tempo a natureza da relação deles, eles iriam se separar agora para nunca mais. Mas a Gina é tudo isso que falei, então ela está lá nesse momento para não deixar o Harry se perder. Beijo!

ooo Pati Black: Bem, aí está o novo capítulo. Certamente ele não é cheio de acontecimentos como o anterior, mas apenas uma extensão dele. De qualquer forma espero que tenha gostado. Continue lendo e não suma, ok? Beijo!