No dia seguinte, não queria me levantar. Sentia-me terrivelmente culpada por ter uma quase noite romântica com o esposo de minha mãe. Isso era absurdo! Não sei como eu...

-Toc, toc

Coloquei o travesseiro no rosto. Não queria saber de ninguém naquele momento.

-Bella, sou eu, Edward, já está na hora de levantar.

Olhei para o relógio e era 1.15 da tarde, de fato estava tarde, mas era preferível que eu não o visse. Meu telefone toca, era Jasper.

-Alô...?- Minha voz mais parecia um gemido.

-Bella, está tudo bem?

-Ahaam...- Bocejei.

-Então a senhorita é dorminhoca?- O ouvir rir do outro lado da linha.- Bom, eu queria te convidar para vir aqui em casa.

-Eu? N-na sua casa?

-Sim! Pois sair com você para um local público está fora de questão!- Seu tom era de bravo mas era peceptível seu bom humor.

-Jasper!- Tentei parecer ofendida.

-Brincadeira linda.

-E quando seria isso senhor brincalhão?

-Que tal hoje, as 5 horas? Posso passar ai e te buscar.

-Ok, estarei pronta.

-Até depois Bella.- Sua voz demonstrava carinho.

-Até.

Desliguei o telefone e resolvi descer, afinal se continuasse dormindo ia acabar com o rosto mais inchado do que ele já estava.

Desci as escadas, ainda de pijama e fui até a geladeira buscar um copo de suco de laranja. A casa estava muito silenciosa. Tudo bem que Edward era discreto, mas isso já era demais.

Passei em frente ao seu escritório e encontrei a porta entreaberta. Pela brecha, pude ver o pido de madeira agora coberto do que me pareciam ser lençóis cor creme. Abri a porta um pouco mais para bisbilhotar, afinal isso era totalmente incomum. O encontrei sentado em um banco pequeno, o rosto manchado de tinta e em frente a ele havia uma grande tela que ganhava cor com suas pinceladas.

Ah, qual é! Médico, toca piano, corpo escultural, traços perfeitos e ainda pinta? Isso é revoltante! é coisa demais para um homem só, e ainda pior, um homem comprometido.

Fiquei tão absorta com minha indignação interior que perdi a noção de tempo e espaço.

Quando reparei, Edward eatava na minha frente, com o pincel na mão e havia me sujado de tinda na ponta do nariz.

-Ei!

-Quem mandou ser enxerida!

-Só...não sabia que você pintava...

-Fiz curso durante um tempo.- Ele deu de ombros.

-E, o que está pintando?

-Isso é segredo.

-Ah Edward, fala sério!

-É serio dorminhoca. E achei que não se levantaria mais daquela cama.

-Acordei com o telefonema de Jasper.

-Ah...E o que ele queria?

-Conversar...E bom, já que é segredo, vou embora e te deixo com o seu quadro.

-Promete? Seus olhos brilharam numa falsa tentativa de parecer comovido

-AHH!- Virei-me e sai dali.

As poucas horas até o horario combinado com Jasper se passaram e eu já descia as escadas, ponta com meu vestido preto que ia até meus joelhos, para esperá-lo. Encontrei Edward sentado no sofá com seu óculos de leitura e um de seus livros. Ele me olhou de forma estranha.

-O que faz com essa roupa?

-Vou sair, oras.

-Com Jéssica e Ângela?

-Não, com Jasper.- Sua postura se enrijeceu.

-E aonde vão?

-Para a...casa dele...

-O que?- Ele parecia estar prestes a explodir de raiva.

O interfone toca, mas Edward parece não ouví-lo.

-Sabe o quanto isso pode ser perigoso?- Decidi brincar um pouco com ele.

-Ah, relaxa, ele deve ter preservativos.

-ISABELLA!- Xi...o tirei do sério demais...aproveitei que Jasper já havia chegado e saí dali o mais rápido possível antes que ele me impedisse de sair.

Como sempre, fui muito bem recebida por Jasper. Descobri que seu apartamento era perto do de Alice e em poucos minutos havíamos chegado. Seu apartamento era pequeno mas aconchegante. Também era muito masculino. Qualquer um que entrasse perceberia que a decoração fora feita por e para um homem.

Enquanto o jantar não ficava pronto, conversamos, ouvimos música (descobri que o tipo preferido de música dele é Jazz) e também nos conhecemos mais um pouco. Jasper era alguém muito agradável para se estar, ele parecia ter o dom de fazer as pessoas ao seu redor se sentirem calmas, tranquilas.

O jantar estava bom. O prato principal foi carne assada. Jasper confessou ser um grande amante de carne.

Quando eram quase 10 horas da noite, ele me levou para casa. Em frente ao meu prédio e ainda em seu carro, nos despedimos, despedida essa que terminou em um beijo singelo e tranquilo. Jasper foi muito gentil e carinhoso ao me beijar e pareceu ficar feliz por ser correspondido da mesma forma.

Chegando em casa, encontrei todas as luzes apagadas. Ao acender a da sala, levei um susto ao encontrar Edward no sofá, do seu lado havia uma taça e uma garrafa de vinho que estava quase vazia.

-Edward?

-Bella!- Ele levantou-se rapidamente e me abraçou.- Enfim chegou, não sabe como me deixou preocupado! Ele não tentou nada com você não é?

-Edward, eu...

-O que foi?

-Nós...nos beijamos...- Minha voz soou baixa, sentia-me mal por algum motivo.

-Não...Bella, porque? Você não sabe que eu...-Ele não terminou a frase.

-Você bebeu?

-Isso não importa mais...

-Claro que importa! Seu bem estar me importa e muito!

-Não quero estragar sua noite te preocupando comigo.

-Mas Edward...

-Boa noite Bella...espero que essa escolha a faça feliz...

-Como assim? Porque está fazendo isso?- Lágrimas escorriam dos meus olhos. Vê-lo daquele jeito, decepcionado, acabou comigo por dentro.

Não obtive respostas para minhas perguntas. Edward trancou-se em seu quarto e não saiu mais naquela noite. No dia seguinte, acordei com minha mãe em meu quarto. Ao que parece, Edward fora buscá-la no aeroporto com um buquê de flores.

Sentia-me vazia. Recebi uma mensagem de Jasper me desejando bom dia, ele parecia muito feliz pelo que aconteceu na noite anterior. Tamém vi minha mãe sorrindo, feliz por ganhar flores de Edward. Talvez fosse assim que as coisas deveriam ser.