Algumas semanas se passaram. O trabalho de Edward e de minha
mãe continuava a consumir quase que por completo o tempo dos dois, mas ainda
assim minha mãe parecia bastante feliz e Edward, bom, ele continuara sério como
sempre, talvez mais sério do que já o vira antes. As coisas com Jasper também
iam bem. Descobri nele um grande amigo e confidente. Passávamos muito tempo juntos e minha única hesitação era quanto a forma como correspondia a seus sentimentos. Parecia-me injusto tê-lo como melhor amigo enquanto ele me via como mulher. Ah sim, assim que minha mãe voltou Edward tentou fazer a cabeça dela contra Jasper, coisa que ela me contou numa tarde quando foi ao meu quarto para termos uma "conversa de mulher". Obviamente ela viu a atitude dele como protetora e tudo mais, mas eu de certa forma me irritei e devolvi a intromissão dele com alguns olhares de reprovação que ele nunca entendeu, mas depois de um tempo pareceu se conformar e desistiu de tentar me entender. Para ser sincera, eu mesma já estava desistindo de tentar entender o que se passava comigo...

–Bellaaa! –Ouço a voz de Alice vindo lá de baixo. Tínhamos
combinado de passar o fim de semana juntas em sua casa...uma espécie de festa
do pijama que terminaria em um interrogatório pois ela já havia me dito que estava me achando um pouco estranha ultimamente. Na época, apenas consenti e não dei explicações, acho que terei que dá-las agora.

–Já estou indo! –Grito do meu quarto, terminando de me
arrumar. A porta estava aberta e já estava de saída, só faltava colocar a
mochila nas costas e descer.

–Se preferir, posso avisá-la que já vai, assim não precisam
gritar desta forma. –Sua voz aveludada me faz esquecer de tudo. Fazia tempo que
não o ouvia assim, não sei se por mal nos encontrarmos em casa ou se era porque ele evitava mesmo falar comigo.

–D-desculpe...não quis incomodá-lo...- Viro-me e o encontro encostado no batente da porta.

–Não falo por isso Bella, mas não é bom ficar gritando desse jeito...-Sinto minhas pernas amolecerem diante de seu olhar doce para mim.

–Certo...-Ok, agora devo parecer uma idiota, parada no meio do meu quarto, encarando-o sem dizer absolutamente nada.- É...eu...

–Bellaaaaaa! –Ouço Alice gritar ainda mais, me tirando de meus devaneios

–Eu...tenho que ir! –viro-me e pego minha mochila, colocando-a nas costas.

–Certo. Divirta-se. –Ele diz quando paro em frente a ele, me despedindo. Sua mão vai até meu rosto e o acaricia levemente enquanto fala.

–...-fico corada por sentir seu toque. Ele percebe e sorri ainda mais. Apesar de não ter a menor vontade, saio dali. Alice me esperava e também não era certo deixar que esse tipo de coisa acontecesse entre nós dois.

–Tchau. –Falo para ele, sem olhar para trás enquanto desço as escadas. Chegando na sala, encontro uma Alice impaciente, batendo o pé no chão e com a mão no relógio.

–A senhorita por acaso não tem horas!- Apesar da repreensão, ela não estava brava.

–Alice! – Abraço-a. Como senti falta dela e de poder me abrir com ela. Durante todas essas semanas estivemos em prova e mal conseguimos nos falar, somente alguma coisa ou outra banal muito rápida pelo computador ou telefone.

–Calma, Bella, está tudo bem, não falei por mal, eu me adiantei também, não se preocupe.-Ela fica preocupada. Ela sempre se preocupa muito comigo.

–Vamos então?- Apenas sorrio para ela, que sorri de volta.

–Claro!

Vamos então para sua casa, parando apenas num mercado no caminho para comprar sorvete, pipoca e mais umas besteirar para comermos enquanto conversamos e vemos filmes. Chegando em sua casa, ela me ajuda a arrumar minhas coisas. Quando terminamos, é quase noite, afinal, mais conversávamos do que arrumávamos. Ela finalmente senta-se na cama, me chamando para sentar ao seu lado. Era hora de esclarecer algumas coisas para ela. Ela como minha melhor amiga merecia saber e eu também devia isso para mim mesma, pois guardar tudo isso sozinha era demais e estava acabando comigo. Passamos horas conversando, ela apenas me ouvia, sua expressão era de serenidade e compreensão. Num certo ponto da conversa, não consegui mais segurar e lágrimas rolaram por meu rosto. Era difícil, era doloroso e me parecia ser o pior de todos os pecados e erros que algúem poderia cometer, mas tinha de admitir, até porque negar e esconder não resolveu nada, que eu havia me apaixonado por Edward.