Gina

Eu observava com uma ponta de inveja o magnífico casal que Gui Weasley e Fleur Delacour formavam. Os dois estavam sentados no meio da grande mesa de jantar em que eu e minha família, os Weasley e os Delacour, além de alguns parentes destes últimos, estávamos. Tínhamos chegado à França naquele dia e fomos convidados para um jantar na casa da família da noiva – a palavra "mansão" faria mais jus àquela moradia, uma casa campestre enorme e belíssima do século XIX.

Mais arrebatadores do que a residência com seus móveis antigos, inúmeros quartos e cômodos elegantemente decorados, Gui e Fleur pareciam brilhar. Não literalmente, é claro, mas eles estavam tão estupidamente felizes e eram tão magníficos e altivos que era impossível não admirá-los. Os dois formavam o casal mais bonito, no sentido de serem donos de uma beleza natural cruelmente invejável, que eu já havia visto. Gui era lindo! Ruivo como todos os Weasley, tinha piercings e tatuagens, além de um ar de cafajeste que te fazia suspirar. Fleur era uma dama; se não visse que os dois combinavam tão bem, nunca diria que aquela jovem com olhar de Audrey Hepburn formaria um casal tão admirável com um rapaz que usava jaqueta de couro e brinco na orelha. Todavia, por ironia do destino, eles haviam se conhecido, se apaixonado, decidido casar e agora causam inveja a todos, inclusive a mim. Não duvidava que o "felizes para sempre" dos contos de fadas existisse para eles. Os dois se olhavam como se não houvesse ninguém mais no mundo e como se o próprio mundo não importasse – só eles, tão gratos por ter um ao outro, importavam.

Não era esse amor ao mesmo tempo arrebatador e sereno ou a felicidade certa que ambos encontrariam depois do "Eu aceito" que eu invejava. Era o fato deles serem um casal, o simples fato de declararem isso ao mundo e poderem gritar com toda a força "Eu te amor".

Em outros tempos, essa alegria simples negada a mim doeria mais, porém naquela noite de 11 de agosto, quando eu completava 17 anos, essa inveja não me perturbava. Eu podia olhar para ela com calma e distância. Ela existia, mas não me fazia sofrer. Eu conversava com Rony, Harry, Hermione e os outros Weasley e lançava olhares, como todos, ao belo casal no meio da mesa, porque era impossível não se encantar com dois seres tão bonitos.

Quando o prato de entrada foi servido (por empregados impecavelmente vestidos), observei Gui levar as mãos de Fleur aos seus lábios e beijá-las. Foi um gesto tão natural e ao mesmo tempo tão íntimo que me senti incomodada por estar olhando-os. Fitei minha própria mão, que parecia sem graça e fria. Ao meu lado, Harry comia e eventualmente conversava com Rony, Hermione, Fred e Jorge Weasley – gêmeos muito brincalhões e irmãos mais velhos de Rony, que era o caçula da família e ainda tinha como irmãos Percy e Charlie. Ele estava melhor naquela noite, mais sorridente e receptivo, provavelmente por estar cercado dos amigos. Aquele rapaz ao meu lado quase que parecia o Harry de antigamente. Se não fosse pela sombra que vez ou outra escurecia seu olhar, diria que ele não havia mudado nada.

Contudo, eu sabia que ele estava diferente. Tentava segurá-lo e trazê-lo de volta à superfície, mas era difícil mantê-lo a salvo contra sua própria vontade. Sentia que Harry estava afundando e não havia muito o que eu pudesse fazer. Mas não iria desistir.

O jantar estava ótimo e correu tudo muito bem, apesar das piadas de Fred de Jorge sobre o futuro casal Weasley. Depois que a sobremesa foi servida, as pessoas começaram a se dispersar. Rony e Hermione foram um dos primeiros a se retirarem – provavelmente para curtir a noite no quarto que estavam dividindo –, então eu e Harry ficamos conversando com Percy e sua namorada, uma vez que os gêmeos e Charlie tinham saído para a gandaia, ou pelo menos foi isso que deu a entender, apesar das minhas dúvidas que aquele recanto campestre da França tivesse alguma festa decente.

Com a mesa mais vazia, pude observar melhor a família Delacour. Fleur tinha herdado seus cabelos loiros e olhos incrivelmente azuis de seus pais, que apesar de bonitos não tinham a beleza perturbadora da filha. De nenhuma das filhas, aliás, porque Fleur tinha uma irmã mais nova – Gabrielle, uma miniatura quase exata, mas sem a graciosidade e suavidade da noiva de Gui. Ela tinha 14 anos, mas eu diria facilmente que Gabrielle tinha 18 ou 19, pois assim parecia.

Durante todo o jantar, eu reparei e sei que ele também, a jovem Delacour ficou lançando olhares cobiçosos a Harry. Me diverti com isso, ao contrário do que aconteceria alguns meses atrás, quando ficaria enciumada. Ela parecia tão... predadora encarando Harry daquele jeito. Apostava que aquela garota era um Draco Malfoy de saias.

O resto da família Delacour, alguns anciões e homens e mulheres de meia-idade, não me chamou atenção, por isso não lhes dei uma segunda olhada. Sabia que diversos quartos do hotel em que eu estava hospedada – porque por maior que fosse aquela casa, jamais suportaria a todos – estavam reservados para convidados do casamento. Até sábado, vários Delacour, Weasley e outras pessoas encheriam Le Refuge, o "pequeno" castelo que era o hotel.

- Quando será que vamos embora? – Harry me perguntou quando nos dirigimos à sala de estar, onde seria servido o café – Estou de saco cheio desse jantar. Os franceses são tão pomposos!

- Mas eles têm pontos fortes também.

- Como quais?

- Elegância, Paris, Edith Piaf, Nouvelle Vague...

- O melhor do cinema.

- Exact.

Recusei o café servido aos poucos convidados que ainda não tinham se retirado, mas não neguei uma taça de vinho. Observei que Harry, além da taça de vinho, se serviu de uísque, vodka, licor e quaisquer que fossem aquelas outras bebidas dispostas no bar. Notei que papai, ao meu lado, também estava de olho em Harry. Durante todo o tempo em que mamãe ficou conversando avidamente com Molly Weasley e Apolline Delacour, Harry bebeu mais do que seria adequado. A companhia da Mademoiselle Gabrielle talvez tenha incentivado-o, mas devo ser justa. Ele nunca foi forte para bebidas, e ela não o brigou a engolir uma dose atrás da outra.

Admito que fiquei um pouco incomodada quando aquela garota se aproximou de Harry, depois de alguns minutos de uma conversa da qual não ouvi nenhuma palavra, e praticamente se colou a ele. Fingi prestar atenção na conversa de mamãe, mas mantive meus olhos nos dois. Gabrielle era bonita e francesa demais para ser ignorada por qualquer homem. Se ela não tivesse uma beleza tão bárbara, não me sentiria perturbada. Não era o fato de Harry estar obviamente interessado demais nela a causa do meu desconforto, mas a verdade óbvia que ela era muito mais bonita do que eu. Não invejei a atenção que Harry lhe deu, mas invejei aquela beleza resplandecente que ela e Fleur compartilhavam. Eu não era feia, sabia disso, mas nunca seria bonita como elas.

Quando papai cansou dos sorrisos e conversas fiadas, nos chamou para ir embora. Observei Gabrielle, no bar, sussurrar qualquer coisa no ouvido de Harry e ele sorrir, então me olhar. Percebi que ele queria me provocar, que eu ficasse com ciúmes. Isso quase me fez rir. Ele só está fazendo isso porque está bêbado, pensei, apesar de não estar totalmente certa. Era triste e decadente demais um ser humano tentar chamar atenção de outro fazendo ciúme, ainda mais quando o fracasso do plano era uma premissa. Tal como estava certa de que o Sol nasceria no dia seguinte, estava certa de que Harry nunca me deixaria por outra pessoa.

Gabrielle e Harry se despediram com uma troca de olhares. Eu e minha família desejamos boa noite a todos e fomos levados até a porta por Gui e Fleur. O carro que papai havia alugado estava nos esperando nos terrenos da propriedade. Abri a porta de trás para Harry, que logo se jogou no banco. Quando me sentei ao seu lado, ele deitou e colocou a cabeça no meu colo. Ele não tinha se aproximado de mim uma única vez nos últimos dias, era sempre eu que tomava a iniciativa, mas naquela noite, sem se importar com mamãe e papai no banco na frente, ele foi até mim. Claro, ele provavelmente estava bêbado, mas isso era um detalhe.

Os olhos de Harry se fecharam pouco antes de papai perguntar:

- Você está bem, Harry?

- Ele está dormindo – respondi.

- O tédio não lhe dá direito de beber – papai observou. – Aquele jantar foi um saco, mas se eu resolvesse encher a cara toda vez que ficasse entediado, já seria um alcoólatra.

- James! – mamãe ralhou – O jantar foi fascinante!

Mamãe derramou elogios sobre os Delacour e o casal formado por Gui e Fleur, mas depois pareceu prestar atenção no que papai havia dito. Harry tinha bebido muito? Era coisa de adolescente, ele estava em uma fase estranha. Será que eles deviam mandá-lo ver um psicólogo?, papai questionou. Bobagem, disse mamãe, psicólogos são para famílias que não têm diálogo.

- Mas nós não temos diálogo com o Harry, Lily! – ralhou papai.

O silêncio foi a resposta de mamãe; eu quase podia ver as engrenagens do cérebro dela funcionando. Harry não ia gostar de saber das ideias dos nossos pais sobre ele, e eu nem sei se ia contar. Ele precisava agir de forma mais natural e isso eu já havia lhe dito.

Levava uns 15 minutos da casa dos Delacour até o hotel. O trajeto, a não ser pela breve conversa entre meus pais, foi feito em silêncio. Por alguns minutos a paz reinou entre nós quatro enquanto papai dirigia, mamãe pensava qualquer coisa e eu acariciava Harry, passando as mãos por seus cabelos e bagunçando-os mais do que o normal.

ooOoOoOoOoOoo

Com mamãe e papai à sua frente, Harry se arrastou escada acima no hotel reclamando da falta de elevador. Andei ao seu lado, temerosa que ele caísse e rolasse pelos degraus, dizendo o óbvio: aquela construção era antiga demais para passar por reformas para receber um elevador. Ele sabia disso, mas a bebida provavelmente o fez esquecer.

Harry não estava bêbado – ainda, pelo menos. O efeito do que havia ingerido começava a aparecer, mas ele estava mais sóbrio do que ébrio.

Quando enfim chegamos ao 3º e penúltimo andar, mamãe tentou ajudá-lo, mas Harry se livrou de mim e dela e seguiu rumo ao quarto que estávamos – eu e ele – dividindo.

- Ele provavelmente vai cair na cama e dormir até amanhã à tarde – falei.

- Gina – o tom de voz da mamãe era pura preocupação -, se ele não dormir ou se um de vocês precisarem de qualquer coisa, por favor, me chame.

- Está bem.

Ela me deu um beijo e entrou em seu quarto atrás do papai. Eu caminhei até onde Harry estava lutando contra a maçaneta e enfiei a mão em seu bolso. Tirei a chave e abri a porta.

- Pode entrar agora.

Ele se atirou na cama de roupa e tudo e fechou os olhos. Com um suspiro de cansaço, entrei atrás dele e fechei as janelas e cortinas do quarto, um cômodo decorado ao estilo art nouveau, tal qual o hotel. Guardei a chave da porta no meio das minhas coisas, só para o caso de um Harry bêbado acordar no meio da noite e resolver fazer passeios inapropriados.

Por um momento o observei, então entrei no banheiro e tirei as roupas. Sob a água quente do chuveiro, procurei relaxar e dissipar as preocupações. Ao voltar para o quarto, enrolada na toalha, me surpreendi ao encontrar Harry fitando o teto.

- Pensei que estivesse dormindo – comentei, abrindo o bonito armário que fazia parte da decoração do quarto. Não havia muitos móveis ali, apenas o armário, duas camas de solteiro, uma mesinha em um canto e um tipo de sofá de dois lugares.

- Perdi o sono – Harry se levantou; seus olhos verdes estavam muito claros. – Quero ir embora daqui. Odeio esse hotel, é como estar em casa! Lily e James estão a quatro quartos de nós.

Muito agitado, ele tentou abrir a porta, que estava trancada. Procurou as chaves nos bolsos, olhou ao redor e me encarou.

- Cadê as chaves?

- Onde você pense que vai?

- Ao bar.

- Você já bebeu muito por hoje.

- Posso fazer outra coisa, então – tinha algo estranho em Harry, será que era por causa da bebida? Ele parecia um pouco eufórico ou desesperado, como se tivesse cheirado muito, o que eu tinha certeza que não havia acontecido.

- Como o quê? Esse não é a nossa cidade, Harry. Estamos em uma comuna francesa com 3 habitantes por quilômetro quadrado, bem longe do centro. Tudo que você vai encontrar por perto é vegetação, árvores e a estrada. Você não tem aonde ir a essa hora.

O barulho que ele fez ao dar um soco na porta foi grande, parecia que algo tinha desmoronado dentro de quarto.

- Devia ter ficado com a Gabrielle, ela é muito mais divertida!

Resolvi lhe ignorar, afinal estava bêbado. Dei as costas a Harry e voltei minha atenção ao armário. Estava pegando a camisola quando senti um par de mãos agarrar meus braços.

- Você não se importa? – Harry esbravejou – Cadê o ciúme louco que você sentia por mim? Agora eu posso ficar com qualquer uma que você não está nem aí?

- Você não ficou com ela, Harry, vocês apenas conversaram.

- NÃO FIQUEI PORQUE NÃO QUIS!

- Não duvido.

- PODERIA TROCAR VOCÊ POR ELA!

Nos últimos dias, eu tinha notado que Harry queria não precisar de mim. Ele desejava não me amar e se esforçava para acreditar nisso – que de fato não me amava. Por isso não me perturbei com seus gritos; eram brados falsos, eu sabia e ele também. Contudo, ele repetiu tanto que não precisava de mim e podia me deixar que por fim, esgotada, respondi com frieza:

- Você nunca me trocaria por outra pessoa. Talvez você me deixe por covardia, mas jamais por amar outra mulher.

Me arrependi do que disse assim que pronunciei a última palavra. Ele estava bêbado, eu não devia dar ouvido às suas provocações, muito menos lhe dizer coisas cruéis. Harry não era covarde, só estava com medo.

- Desculpa, Harry.

Ele me soltou e caminhou novamente até a porta, tentando abri-la em vão. Enquanto Harry descontava a raiva que tinha de mim ou do mundo na madeira antiga, observei-o calada. Por fim ele se cansou e debruçou na parede, escondendo o rosto. Ouvi quando começou a chorar. Me aproximei devagar e toquei seu ombro; ele me abraçou e continuou chorando.

Algum tempo passou. Queria dizer alguma coisa, mas tinha certeza que nenhuma palavra ia alcançá-lo. Eu senti um déjà vuruim, que não desejava reprisar. Há 4 dias Harry tinha chorado em meus braços daquele mesmo jeito. Quantas vezes mais isso ia acontecer?

Por fim ele me soltou, levando as mãos ao rosto molhado. Tirei a toalha e sequei suas lágrimas, que eram tantas que desconfiei que ele havia chorado toda a água do corpo. Harry me encarou dos pés a cabeça e pensei que, incrível!, mesmo arrasado ele era dolorosamente bonito. Aquela beleza que incomodava por não ser sua, por você não ser a dona. Mas felizmente eu era a dona daquele homem.

Senti mais uma vez os braços de Harry ao redor do meu corpo. Como dessa vez eu estava nua, senti o contato da pele dele contra a minha. Suas mãos desceram pelas minhas costas, nádegas, coxas e subiram novamente, enquanto a boca dele beijava meu pescoço. Eu sabia o que ia acontecer, mas não fiquei com medo como da primeira vez. Receava a dor, mas o único jeito de parar de senti-la era me acostumando com um corpo dentro do meu, coisa que só aconteceria quando o sexo se tornasse banal. E ele não seria banal se eu não o fizesse sempre.

Ele não disse nada, nem eu. Foi fácil tirar sua camiseta, mas foi ele quem abriu a calça. Meus lábios estavam contra os dele quando Harry pegou minhas coxas e me levantou contra si; minhas pernas se prenderam ao redor do seu quadril e senti a parede fria contra as costas.

Doeu como da primeira vez. Harry me penetrou com mais facilidade, mas a dor que senti e os gritos que soltei diziam o contrário. Era bom senti-lo dentro e fora de mim, porque a conexão entre nós era poderosa, mas não era prazeroso. O ato em si demorou bem mais do que na vez anterior, e em determinado momento Harry parou dentro de mim. Meu corpo tremia, parecia que ia se partir em dois de tanta dor...

Abri os olhos e encontrei seu rosto muito próximo do meu, as respirações aceleradas. Havia novas lágrimas no rosto dele, como eu sabia que tinha no meu. Quando ele recomeçou o movimento, muito devagar, só fazendo a dor piorar, eu o beijei. As lágrimas dele se misturaram às minhas, assim como nossas línguas se misturaram. Eu sabia que ele estava se sentindo culpado por transar com a irmã a alguns metros dos pais. Suas lágrimas eram de dor tanto quanto as minhas, mas as dores tinham origens diferentes.

Lamúrias e gemidos de prazer acompanhavam o pranto e os movimentos de Harry; eu me calei - mordi os lábios com tanta força que senti o sangue na boca. Tentei me concentrar no corpo contra o meu, nos olhos verdes que eu fitava e me fitavam de volta, na respiração que sentia contra a minha pele, na testa contra a minha, nas mãos que apertavam meu corpo, minhas unhas curtas se cravando nas costas e ombros dele, as nossas lágrimas misturadas, o suor de um e de outro. Tudo isso ou o fato dele estar tão forte e há tanto tempo dentro de mim fez a dor diminuir um pouco, então apaziguar mais e mais, porém ela ainda estava ali, impossível negar. Quando estava certa que não suportaria mais e que minha carne ia se rasgar como um tecido vagabundo, senti o gozo de Harry se espalhar dentro de mim. Continuamos na mesma posição, abraçados e unidos, até a respiração dele se acalmar. O sofrimento dos olhos de Harry estava misturado a um brilho – era satisfação – que me fez sentir muito especial. Eu tinha a capacidade de deixá-lo satisfeito mesmo que também fosse a razão da sua perturbação.

Ele me soltou e senti minhas pernas moles, sem forças para suportar meu peso. Sem dizer nada, Harry tirou o resto de suas roupas e se jogou em uma das camas. Depois de um momento, apaguei as luzes e me apertei ao lado dele. Assim que deitei ele me abraçou. Lembro com perfeição do peso da cabeça de Harry sobre a minha barriga, da sensação das lágrimas quentes dele caindo na minha pele, dos corpos nus roçando embaixo das cobertas, das minhas mãos em seus cabelos rebeldes e do silêncio profundo em que nenhuma palavra foi trocada. Então, tudo se dissipando quando caímos no sono.

ooOoOoOoOoOoo

Acordei com a luz do sol batendo nos meus olhos. As janelas e cortinas haviam sido abertas e dava para ver que o dia lá fora estava glorioso. Quando levantei e olhei o céu, ele pareceu mais claro e mais baixo do que na Inglaterra. A vista era fabulosa: os prados verdes e as eventuais árvores eram os únicos habitantes daquela terra. Não havia nenhuma construção visível a não ser o próprio hotel. Me senti em um cenário de filme!

Pensando em chamar Harry para dar uma volta nas redondezas e explorar o lugar, entrei no banheiro. Esperava encontrá-lo ali, mas ao abrir a porta me deparei apenas com o vazio. Ele não estava lá.

Foi impossível não lembrar na noite anterior. Mesmo que o momento já tivesse passado e não restassem indícios do nosso pequeno "crime" no quarto, restavam no meu corpo, naquela dor levemente incômoda entre minhas pernas. Sabendo que Harry não poderia ter ido longe – não dessa vez, já que não havia muitos lugares para se esconder -, resolvi tomar um banho antes de ir procurá-lo. Quando desci ao saguão, limpa e devidamente vestida, ignorei minha fome e fui direto à recepção. Perguntei à moça que trabalhava ali se por acaso ela tinha visto um rapaz alto, de cabelos negros e olhos verdes. O nome dele era Harry Potter, era meu irmão e estávamos dividindo o quarto 308. Ela respondeu que sim, tinha visto o meu irmão no restaurante.

Corri até lá. Assim que entrei vi um Harry calado e emburrado sentado ao lado de um James Potter preocupado.

- Bom dia, filha – papai cumprimentou quando me juntei a eles.

- Bom dia. Já estão tomando o café da manhã?

- Tentando. Infelizmente esse hotel não serve ovos mexidos ou bacon e tivemos que nos contentar com isso – ele apontou os pães, bolos e um e outro pedaço de torta que estavam sobre a mesa.

- Parece apetitoso.

- Mas ainda prefiro o café da manhã britânico.

- Com toda a gordura para entupir nossas veias e nos matar mais cedo do que o devido – Harry comentou, abrindo a boca pela primeira vez desde que me juntei a ele e papai.

- Exatamente – papai rebateu com o mesmo tom frio e cortante de Harry -, para entupir nossas veias, porque você também toma esse café da manhã todos os dias e nunca reclama. Senta direito!

Harry arrumou sua postura; antes estava sentado de qualquer jeito, como se estivesse esparramado no sofá da nossa casa. Percebi que papai estava perdendo a paciência, coisa muito, muito rara.

- Cadê a mamãe? - resolvi mudar de assunto.

- Foi à casa dos Delacour para ajudar nos preparativos do casamento.

- Com licença – Harry esvaziou sua xícara de café e se levantou com pressa. Antes que eu tivesse tempo de engolir a comida e chamá-lo, ele já estava longe.

Ouvi papai soltar um suspiro cansado. Ele olhou para mim e sorriu com uma ruga de preocupação em seu rosto. Pensei em perguntar o que tinha acontecido entre ele e Harry antes de eu chegar, mas já podia imaginar. Papai provavelmente havia questionado-o sobre a noite passada e seu comportamento recente, e Harry tinha dado respostas vagas e ficado ainda mais emburrado. Bem, nada diferente dos últimos dias.

- Também já terminei – dei um beijo em papai e saí do restaurante. Não vi Harry no saguão e subi para o quarto correndo, imaginando que ele estava lá. Quando abri a porta afoita, dei de cara com a arrumadeira.

- Bonjour.

Para disfarçar minha ânsia e entrada súbita do quarto, escovei os dentes e peguei meu iPod. Antes de descer novamente olhei pela janela. Vi uma silhueta muito semelhante à de Harry andando para as terras além do hotel, em um ponto em que havia meia dúzia de árvores.

Fui atrás dele sem pensar duas vezes. Quando cheguei lá embaixo já não via vestígios de seu paradeiro, mas segui rumo às árvores. Chegando lá pude ver Harry ao longe; ele parecia andar sem rumo.

Me dediquei a segui-lo à distância, perdendo-o de vista uma e outra vez, porém sempre encontrando-o de novo. O sol estava forte e não havia sombras naquele prado infinito, todavia Harry continuava a andar. Pensei em anunciar minha presença, só que a curiosidade falou mais forte. Aonde ele estava indo? Parecia apenas seguir em linha reta, mas haveria algum destino naquele trajeto? Estávamos na comuna de Campestre-et-Luc, na região de Languedoc-Roussillon, em uma área campestre muito longe da cidade. Até animais eram raros por ali; duas ou três vezes vi uma vaca pastando ou um pássaro no céu, mas nada além disso.

Tínhamos andado tanto que olhando para trás já não era possível ver o hotel. A bateria do meu iPod havia acabado e eu estava morrendo de sede, mas Harry continuava andando sem parar e eu seguia seu encalço. Em determinado momento o perdi de vista quando ele cruzou um pequeno morro. Os músculos das minhas pernas queimavam ao chegar naquele ponto. Avistei-o vi à direita, bebendo água em um riacho que parecia uma linha pintada na terra. Ele cruzou a ponte vagabunda sobre o rio e caminhou para uma casa de madeira, abandonada e caindo aos pedaços, que tinha por ali. Assim que ele sumiu na entrada sem portas da residência estranha, desci o morro atrás dele. Também parei no riacho para beber água, então atravessei a ponte frágil e segui para a casa velha. Quando entrei no que um dia parecia ter sido uma sala, observei que o telhado estava danificado em vários pontos. Dava para ver o céu através das telhas quebradas.

Vasculhei a residência com cuidado, temerosa em encontrar algum bicho ou um estranho. Passei por uma cozinha e copa quase vazias, um cômodo que supôs um dia ter servido de corredor e um quarto grande, com uma cama muito velha. O lençol que cobria a cama chamou minha atenção, era obviamente novo apesar de sujo. A peça destoava não apenas daquele quarto de paredes nuas e podres, mas de toda a casa. Era um lençol com desenhos de flores em tons fortes, vivo demais para a apática moradia. Devia ter sido colocado ali em algum momento de um passado não muito distante, provavelmente estendido por dois amantes – as camisinhas e garrafas de bebidas vazias em um canto justificavam essa suposição.

Havia mais dois cômodos na casa, dois lugares onde Harry podia estar. Andei entre a poeira e a palha esparramada pelo chão para encontrar um segundo quarto totalmente deteriorado. No terceiro e último cômodo, o telhado estava inteiro, e a grande janela tornava perfeitamente possível ver o dia lá fora. Talvez tenha sido por isso que Harry escolheu aquele quarto para se abrigar.

Ele estava esparramado no chão, sem camisa e com os All Stars velhos jogados em um canto. O sol que entrava pela janela batia em seus cabelos, mãos e braços. Desejei ter trazido minha câmera para registrar aquele momento, fotografando-o naquela posição. Ele parecia sereno, tão diferente dos últimos dias! Até mais bonito estava.

Fiquei parada no umbral por um tempo que me pareceu infinito, mas que certamente não durou mais do que alguns segundos. Harry abriu os olhos e me encarou como se já soubesse que eu estava ali, observando-o.

- Me sinto em paz – ele abriu um sorriso. Retribui o riso e deitei ao lado dele, não antes de tirar também meus tênis. - Poderia ficar aqui para sempre. Poderia morar aqui.

- Nessa casa velha no meio do nada?

- Nessa casa velha no meio do nada. Me sinto em paz – repetiu, então me fitou. - Nenhum fantasma me assombra aqui, nem Lily, nem James. Aqui a gente poderia viver nosso amor sujo.

- Sem nem mesmo sua consciência para te atormentar?

Senti que o lembrei de algo ruim.

- Sem ninguém para dizer que nossa relação é errada, talvez ela soe certa.

- Ninguém diz que ela é errada, a não ser você, Harry, porque ninguém sabe sobre nós.

- Sirius desconfia.

- Desconfiança não é certeza.

- Às vezes acho que James também desconfia.

Me calei, querendo concordar e discordar ao mesmo tempo. Não sabia o que dizer, pois cada hora tinha um palpite sobre papai.

- Além deles – Harry continuou -, toda a sociedade diz que é errado, que incesto é errado.

- Já tivemos essa conversa antes, mas os papéis estavam invertidos. Os argumentos a favor eram seus e os contras, meus.

Ele permaneceu me encarando por um tempo, então súbita e gravemente disse:

- Eu te amo, Gina, mais do que qualquer coisa. Mas o fardo desse amor é pesado demais.

Eu fiquei zangada ao escutar aquilo, mas não zangada com Harry, e sim pelas palavras dele.

- Não vou desistir de você. Não vou deixar você se perder desse jeito, Harry. A gente chegou muito longe para morrer na praia.

- A praia está distante, Gina.

- Não de mim. E estou disposta a me jogar na água para te socorrer, se for preciso.

Ele sentou e passou a mão no rosto, preocupado. Eu havia invadido seu refúgio e roubado sua paz.

- Não desiste de mim – pedi, subitamente exausta e desesperada. Sentia lágrimas nos meus olhos quando me aproximei dele. - Por favor, não desiste de mim!

Abracei-o e lembrei na noite passada, da discussão que tivemos e eu lhe dizendo que ele só me deixaria por covardia. Era besteira, tudo besteira! Quando Harry me abraçava daquele jeito, eu tinha certeza que nunca nos separaríamos.

- Longe de Lily, James e tudo mundo, talvez... - ele não terminou a frase – Preciso me afastar da minha vida, Gina, é o único jeito.

- Isso já está acontecendo, Harry! Você vai para a universidade e vai ficar longe.

- Longe de todos, inclusive de você.

- Só por um ano. Também pretendo ir para Sheffield, então vamos ficar juntos e viver tudo que não podemos viver agora. Vamos fazer amor todas as noites e ter uma casa só pra gente.

- Nada disso muda o fato que você é minha irmã, meu sangue.

Aquela era a verdade mais incontestável e terrível. Não havia nada que eu pudesse lhe dizer para reverter a situação.

- Você vai ter que conviver com isso, Harry.

- Eu convivo com isso há 17 anos! Quase duas décadas de culpa e martírio!

Ele agiu como se a culpa de tudo aquilo fosse minha, e isso me magoou. Além de chateada, eu fiquei furiosa pelo seu drama!

- Se você acha que nós não valemos a pena, que você não me ama o suficiente para aguentar um pouco de culpa, tudo bem. - estava sendo contraditória, mas também estava cansada daquela merda toda – Me deixe. Nossa relação acaba e cada um segue sua vida.

- Não posso viver sem você, Gina.

- Você não pode viver comigo, não pode viver sem mim... O QUE VOCÊ QUER, HARRY? - me afastei dele, furiosa e desgastada – DECIDA! MINHA VIDA ESTÁ SUSPENSA ESPERANDO POR VOCÊ! - chutei a parede, mas aquela velharia era surpreendentemente resistente e meu pé latejou - DROGA!

Ficamos eu e ele, cada um em um canto do quarto perdidos em pensamentos. Enquanto secava minhas lágrimas, o silêncio entre nós me perturbava. Ele durou minutos terríveis, até que foi quebrado pela voz triste do Harry:

- Tenho saudade dos meus tempos de menino. A felicidade se resumia a um gol em uma partida de futebol. Naquela época eu tinha alguém a quem chamar de "pai" e "mãe", alguém a quem pedir socorro. Você lembra das nossas brincadeiras? Das tardes em que passávamos brincando na banheira, dizendo que ali era o nosso mar? Esse tempo parece tão distante! Você começou a me perturbar desde cedo...

- Não quero ouvir.

- ...e as coisas só foram piorando. Quando eu tinha 12 anos já sabia que gostava de você mais do que seria prudente.

- Não quero ouvir!

- Depois o ciúme de infância se tornou uma obsessão. Hoje é minha desgraça. Meu alimento e meu veneno.

Não queria escutar o que ele tinha a dizer, sabia que ia doer, já doía. Mas não consegui mover minhas pernas para fora dali.

- Os banhos do meu tempo de menino me limpavam, mas não importa quanta água e sabão eu use hoje, nunca consigo me sentir limpo. Às vezes nem quero – ele se colocou de pé, deu alguns passos na minha direção. - Eu tinha prometido a mim mesmo que nunca mais ia transar com você, porém sabia que essa era uma promessa vã antes mesmo de pronunciá-la. - senti a mão quente de Harry no meu rosto, me fazendo encará-lo – Eu te machuquei ontem? Doeu e sangrou como da primeira vez?

- Não. Não como da primeira vez.

- Eu transo com você e me sinto culpado depois – ele encostou a testa na minha, fechando os olhos -, mas na hora esqueço tudo. Na hora vale a pena.

Eu já estava traindo a mim mesma. Mal tinha acabado e brigar com Harry e me rendia a ele com a maior facilidade. Deixava seus lábios vagar pelo meu rosto, suas mãos abaixar as alças do meu vestido, me tocar entre as pernas, sua boca tomar a minha...

- Gosto de te ver gemendo de prazer – ele sussurrou no meu ouvido -, quero te ver assim quando eu estiver dentro de você.

Quando deitamos no chão estávamos sem roupa. Não pensei em mais nada além dele e do seu corpo, então dos lábios e língua que subiam do meio das minhas pernas beijando meu ventre, estômago, seios, pescoço. As coisas simplesmente aconteceram, talvez por isso tenha sido diferente das outras vezes. Ele estava dentro de mim e a dor importuna que eu sentia começou lentamente a se tornar uma dor boa, ainda incômoda, mas também gostosa. Quando me dei conta, meus gemidos soavam como os do Harry, de prazer. E as sensações que eu sentia cresciam e se misturavam de uma forma estranha, avolumando-se como uma bola de neve. Ouvi Harry dizer alguma coisa, mas não compreendi o significado das palavras. Tudo parecia distante, como se estivesse me desprendendo do meu próprio corpo, elevando meus sentidos. Enquanto Harry se movimentava sobre mim, enquanto nos beijávamos e tentávamos ficar mais e mais próximos e unidos, tive a certeza que estava me perdendo naquela descida deliciosa e frenética rumo ao êxtase...

Ouvi uma voz estranha, lamúrias. Só depois percebi que os sons vinham de mim, agarrada ao corpo de Harry, que também gemia. Senti os últimos movimentos dele, depois seu coração batendo tão forte no peito quanto o meu. Eu ainda estava ao redor dele, ele ainda dentro do meu corpo. Quando as respirações se acalmaram, ele caiu ao meu lado. Fitei a paisagem além da janela. O céu. É, certamente eu tinha chegado ao paraíso.

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Era de tarde quando chegamos ao hotel. Subimos as escadas sem trocar uma palavra, conscientes que havia assuntos pendentes entre nós. Estávamos famintos, mas a ânsia por comida não era maior do que a ânsia que sentíamos um pelo outro. Antes de ligar para o serviço de quarto e pedir qualquer coisa, fizemos o que havíamos feito a manhã toda: sexo.

Aquele foi o primeiro de loucos dias que viriam. Tomamos um banho, pedimos comida e a esperamos bem longe um do outro para não correr o risco de estar em uma situação constrangedora quando batessem na porta. Harry tinha começado a falar da noite anterior quando ouvimos um toc, toc, toc.

Me fartei com um pouco de tudo, depois fiquei observando Harry. Fazia dias que ele não comia com tanta vontade. Isso me deu esperanças, tudo ficaria bem. Fechei os olhos e, deitada na minha cama, repassei as cenas daquela manhã A linha do meu raciocínio foi se perdendo devagar, e a última coisa que pensei foi em como eu havia ficado tanto tempo sem ter Harry daquele jeito, praticamente 17 anos sem sentir o corpo dele unido ao meu e aquela conexão mágica e...

Quando abri os olhos já era noite. O céu estava negro, então devia ser tarde.

- Que horas são? - questionei. Harry estava em sua cama folheando...

- Ei, isso é meu! - arranque o caderno de desenho dele – Você não devia estar olhando!

- Por quê? São muito bons.

- São só rascunhos. Está tudo mal feito, não era para ninguém ver.

Nos últimos dias, diante do silêncio e distância de Harry, eu havia desenhado, ou pelo menos tentado, bastante. Cheguei a esboçar a paisagem que via do quarto do hotel, mas não ficou grande coisa.

Senti as mãos de Harry me puxando. Quando sentei ao lado dele, ele pegou o caderno das minhas mãos. Abriu em uma página que tinha um grande desenho de um nariz.

- Gosto de desenhar detalhes – justifiquei. - É como se eu tivesse só algumas peças de um quebra cabeça.

- É o meu nariz e – ele virou uma página – meu olho, minha mão... Suponho que essa sobrancelha também seja minha.

Dei de ombros.

- Você é meu vício, o que posso fazer? Pelo menos nos desenhos vou te ter para sempre.

Toquei os cabelos bagunçados dele, e ele tocou meu rosto. Pensei que Harry fosse dizer alguma coisa realmente importante, mas se limitou a me beijar. Os roupões que estávamos vestindo logo estavam esparramados pelo chão.

Passamos o dia no quarto e grande parte da noite acordados entre gemidos, toques e prazeres sem fim. Quando papai bateu na nossa porta pela manhã, convidando para tomar o café com ele, eu tinha acabado de fechar os olhos. Resmunguei que ainda estava com sono e voltei a dormir.

Passaríamos outro dia trancados no quarto, mas nos obrigamos a descer para o almoço. Mamãe estava mais uma vez na casa dos Delacour, papai questionou sobre nossa ausência no dia anterior e Harry voltou temporariamente ao seu ao estado de silêncio e martírio, mas fora isso ocorreu tudo bem. Quando subimos, nos atiramos novamente na cama.

O humor de Harry, pelo menos comigo, estava melhor, porque ele andava distraído demais para se preocupar com qualquer coisa. Contudo, se eu o deixasse por alguns minutos, a preocupação voltava a deformar sua face. No início da noite saí por um tempo para ver mamãe, que tinha voltado dos Delacour e me chamava, e ao voltar encontrei Harry sentado na cama com a cabeça entre as mãos.

- O que foi?

- Nós somos muito imprudentes, Gina.

- Por quê? – sentei ao seu lado preocupada. Ele parecia aflito.

- Eu não usei camisinha e você não toma pílula.

Ah, essa era sua preocupação. Eu já tinha pensado naquilo.

- Toda vez que eu durmo com você – Harry continuou – digo a mim mesmo: "Essa é a última vez", portanto não me preocupo em prevenir algo que não vai voltar a acontecer. Mas nunca é a última vez, sempre acontece de novo e de novo...

- Não se preocupe, Harry, eu não vou engravidar.

- Como você sabe? É perfeitamente possível!

- Nós não daríamos tanto azar assim, e mesmo que déssemos, tudo bem. O aborto não é ilegal na Inglaterra.

- Sou contra o aborto.

- Tenho certeza que você não seria contra em um caso como esse.

Senti a mão de Harry na minha barriga. Eu podia imaginar o que se passava na cabeça dele.

- Você sabe que isso nunca vai acontecer – garanti. – Eu não poderia explicar a uma criança que seu pai também é seu tio. Isso é muito pra mim.

Ele me encarou e por um longo tempo não falamos nada. Para dizer a verdade, aquela conversa me incomodava. Não gostava da possibilidade sobre a qual conversávamos, mas mais assustador era pensar em um bebê nos meus braços.

- Lembra daquele filme – perguntei – em que o protagonista tem um filho que é um bicho, um tipo de monstro?

- "Eraserhead".

- Isso, o filme "Eraserhead", do David Lynch. O bebê é um monstro asqueroso, porque é uma metáfora da responsabilidade assustadora, terrível e monstruosa que é cuidar de uma criança. Nem tudo são flores, Harry.

Ele assentiu, e tive certeza que entendeu o que eu quis dizer. Tive também a impressão que Harry ia dizer algo mais, porém foi interrompido por alguém batendo na porta.

- Sim? – perguntei para quem quer que estivesse do lado de fora.

- Cheguei, ruiva. Abre a porta pra mim!

- Porra! – Harry pegou suas roupas espalhadas pelo chão e se dirigiu ao banheiro. – Vê se o dispensa logo.

Quando a porta se fechou atrás de Harry, ajeitei mais ou menos a cama e (depois de mais batidas insistentes) atendi minha visita.

- Até que enfim! – Draco entrou fazendo um escarcéu – O que você estava fazendo aqui que demorou para abrir?

- Estava escolhendo uma roupa para a despedida de solteira de Fleur, é hoje. – Draco tinha se atirado na cama de Harry e ficou me encarando – O que você quer?

- Você, obviamente.

- Estou falando sério.

- Eu também.

- Bem, se é só isso, pode sair – abri a porta. – Boa noite, Draco. Te vejo amanhã no casamento.

- Gina, você está ótima com esse cabelo. Muito sexy!

- Obrigada.

- Quando você cortou?

- Na segunda-feira.

- Tem alguma coisa diferente em você além do cabelo – ele parou à minha frente. – O que é?

Dei de ombros. É claro que eu não podia dizer a ele o que estava diferente em mim, mas fiquei satisfeita que tivesse notado. Na verdade, eu só tinha cortado os cabelos porque queria que minha aparência refletisse a mudança que eu sentia ter acontecido dentro de mim.

- Você está melhor assim, de qualquer forma – ele abriu seu clássico sorriso sacana e colocou as mãos na minha cintura ("Draco, por favor", alertei-o). – A gente podia celebrar esses tempos de mudança com uma noite de sexo selvagem, que tal?

- Acho que não é uma boa ideia – uma voz respondeu por mim. – Não com a minha irmã.

Draco me soltou e eu pensei que ele e Harry fossem terminar a briga que haviam começado na última vez em que se encontraram, mas para minha surpresa isso não aconteceu. Malfoy riu e bateu nos ombros de Harry.

- Não se preocupe, cara, vou cuidar bem dela. E não precisa me pedir desculpas por aquela discussão no seu aniversário, já te perdoei. Entendo que a falta de sexo pode deixar um homem louco, e como você...

- Ok – interrompi o discurso -, Draco, já deu. Você já fez seu convite, eu recusei, agora pode ir.

Ele abriu ainda mais o sorriso, só para provocar Harry, e saiu, mas não antes de colar os lábios nos meus por um segundo.

- Você não devia dar corda a ele – Harry passou a chave na porta, certamente para impedir Draco de entrar caso ele resolvesse dar meia volta.

- Você conhece o Draco, ele é assim, sempre foi. E não se esqueça que ele também é seu amigo. Você não devia ser tão rude com ele.

- Agora você é a defensora dele?

- Não, sou defensora da amizade de vocês.

Harry bufou.

- O que Lily queria com você, no fim das contas?

- Falar da despedida de solteira de Fleur, que vai ser hoje – comecei a procurar uma roupa adequada entre as coisas que tinha levado. – Não sei o que vestir... O que se usa em uma despedida de solteira?

- Você vai?

- Vou. Vai ser aqui no hotel, no salão. Você não vai à despedida do Gui? Papai disse que vai ser na cidade, em uma boate.

- Rony comentou qualquer coisa sobre isso quando ligou essa tarde. Ei, Gina – ele se aproximou de mim até estar perto o suficiente para me tocar -, por que a gente não fica aqui aproveitando a noite?

Como dizer não a uma proposta tão atraente?

- Está bem. Eu desço por 15 minutos, então volto para ficar com você.

- 15 minutos é muito tempo.

- Não se preocupe – eu abri a braguilha de Harry e enfiei a mão lá dentro -, ainda temos duas horas antes da festa começar.

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Deixei Harry no quarto e saí para a primeira despedida de solteira na minha vida. Tinha acabado de cruzar um corredor rumo às escadas quando vi uma cena inusitada, para não dizer bizarra. Eu parei e me perguntei se realmente estava vendo o que achava estar vendo ou se era uma alucinação.

É claro que era uma alucinação. Na vida real, Luna nunca beijaria Draco. Em um mundo são, eles não se agarrariam no corredor de um hotel à vista de qualquer um. Portanto, como eu estava sonhando, virei para o outro lado e fiz o caminho mais longo até as escadas. Provavelmente eu cairia, quebraria o pescoço e acordaria.

Todavia, cheguei ao térreo inteira e ainda sem acreditar nos meus olhos. Luna e Draco? Eles estavam saindo? Estavam transando? Desde quando? E por que ela não me disse nada? Éramos melhores amigas! Eu sequer sabia que ela já tinha chegado ao hotel, muito menos que estava tendo um caso com Draco Malfoy. Caramba! Isso sim era uma surpresa e tanto.

Mais surpreendente ainda, porém, foi aquela sensação de traição que senti. Draco vivia dando em cima de mim, mas eu mal dava às costas e ele estava com a minha melhor amiga. Claro, era Draco, ele fazia coisas desse tipo. Sem contar que não existia nada entre nós, nada o mínimo concreto pelo menos, a não ser uma estranha atração. Eu não tinha o direito de ficar aborrecida.

Ainda estava um pouco sem chão quando me juntei à mamãe, Hermione, Molly e outros rostos familiares – que certamente tinham chegado ao hotel enquanto eu estava trancada no quarto com Harry -, como Tonks e Narcisa. Havia ainda inúmeras cabeças loiras espalhadas por ali, certamente pertencentes ao clã Delacour.

Cumprimentei e conversei com todos as conhecidas, e com algumas desconhecidas também, mas continuava pensando em Luna e Draco. Eram nove da noite e as mulheres estavam chegando para a festa, da qual não estava muito disposta a participar.

- Você está aérea – Hermione, ao meu lado, comentou.

- Luna e Draco estão transando – soltei do nada. – Você sabia disso?

Para minha total e crescente incredulidade, minha amiga respondeu:

- Sabia.

- Sabia?

- Sabia sim. Luna me disse.

- Ela disse pra você? - Eu era a melhor amiga dela! Por que ela não havia dito para mim?

Mione pareceu um pouco desconfortável, mas respondeu:

- Disse sim. Olha, Gina, me desculpe, mas acho que você perdeu um pouco de prestígio com a Luna. Ela terminou com o namorado, ficou arrasada e infeliz e você nem estava lá para ela. Você anda totalmente por fora do que acontece com a gente, aqueles a quem chama de "amigos". Você e o Harry estão afastados, mal conversam e parecem estar sempre com pressa quando estão conosco. Não dividem mais nada, então por que deveríamos fazer isso?

As palavras de Hermione acabaram comigo. Era a pura verdade e eu sabia. Havia algum tempo que eu e Harry estávamos nos afastando dos nossos amigos e imergindo cada vez mais em nosso próprio mundo.

- Sinto muito – foi tudo que consegui dizer. – Você está certa.

Ela apertou minha mão.

- Se estiver acontecendo algo... Bem, na sua casa ou entre seus pais, você sabem que podem contar com a gente, né? Você e o Harry não precisam suportar tudo sozinhos.

- Sei disso. Obrigada, Hermione – dei o melhor sorriso que consegui, mas tenho certeza que não foi o suficiente. Não tinha jeito. Havia um abismo entre eu, Harry e nossos amigos. Um dos muitos que teríamos de suportar para viver nossa relação. – Acho que vou subir.

- Mas você acabou de descer...

- Acho que essa despedida de solteira não vai ser legal. Estou cansada.

Vi o desapontamento na expressão de Hermione. Acho que por um momento ela acreditou que as coisas poderiam voltar a ser como antes, mas não podiam. Para ter Harry a despedida era inevitável - e começou naquele verão.

Um pouco triste com esse pensamento, deixei o salão e segui rumo ao meu quarto. Parei no meio do caminho e sentei nas escadas. Alguns hóspedes passaram, porém continuei imóvel atrapalhando o trajeto deles. Pensava nos meus amigos quando, de repente, a pessoa que eu queria ver apareceu.

Luna passou por mim e, um segundo depois, deu meia volta.

- Meu Deus, Gina! Seu cabelo!

Sorri pela sua surpresa.

- Você gostou?

- Está lindo! – ela sentou ao meu lado e ficou me encarando. Será que eu estava tão diferente assim por causa do corte?

- Todo mundo estranha – comentei. – Quando minha mãe e Hermione viram o que fiz, quase enlouqueceram. Mas resolvi mudar, então cortei.

- Você ficou ótima. A propósito, feliz aniversário atrasado. Agora você tem 17 anos! Como você se sente?

- Adulta – respondi com sinceridade. - Com um enorme fardo sobre as costas, mas forte o suficiente para carregá-lo.

Seria impossível explicar o que aquilo significava. Nem mesmo Luna, a pessoa que eu ainda considerava minha melhor amiga, apesar do adeus inevitável que um dia viria, entenderia minha relação com Harry ou o quanto eu o amava.

- Não seja dramática, Gina.

- Alguma novidade? – mudei de assunto.

- Novidade? Não, nenhuma. - pausa - Quer dizer...

- O quê?

- Eu... - Luna riu – Esquece. Não é importante.

- Não, me diz – insisti -, quero saber.

- Ok. Eu transei com o Draco. Mais de uma vez.

Ela falou aquilo como se estivesse comentando o tempo ou que comprou um novo par de sapatos. Esse era o jeito Luna de ser.

- Ele pode ser um cara legal, mesmo que não pareça – minha amiga continuou.

- Você gosta dele?

Luna riu ou, sendo mais justa, gargalhou.

- Gostar do Draco? Eu? Claro que não!

- Quando eu vi vocês dois no corredor – foi difícil esconder o riso – parecia o contrário.

- Você viu? – ela não estava surpresa. – Se você sabia, por que me fez contar?

- Estava curiosa para saber se ia compartilhar isso comigo.

- "Isso" acabou hoje. Draco não faz o meu tipo.

- Nem o meu.

- Mas ele é gato. Um cara para pegar, mas não para namorar.

- Luna!

- O quê? É verdade! Draco é bonitão, mas também é um canalha.

- Ele é bonito de um jeito bem clichê: alto, forte, cabelos loiros, olhos azuis...

- Só que todo mundo adora um bom clichê, Gina. Eles são irresistíveis, por isso são tão populares.

- Quando isso começou? Você e Draco, quero dizer.

- No aniversário do Harry. Draco estava meio estranho, eu estava solitária... Quando me ofereceu uma carona para casa, acabou dormindo por lá.

- Que coisa estranha – comentei – você e Draco. É tão... inusitado.

- Só não é mais inusitado que você e Draco. Eu sei muito bem que andaram se pegando por aí.

Senti meu rosto queimar.

- O gato comeu sua língua? - Luna perguntou. Dessa vez, ela tinha um sorriso presunçoso no rosto.

Esperei algumas pessoas que estavam descendo as escadas passarem e me defendi:

- Isso não é exatamente verdade.

- O Draco me contou, Gina. Eu sei. Só não entendo por que você não me falou sobre o que estava acontecendo entre vocês.

- Não está acontecendo nada entre nós. Aconteceram coisas, mas nada demais.

- Acho que ele gosta de você.

- O Draco não gosta de ninguém, Luna, só dele.

- Acho que ele disfarça muito bem, isso sim - ela se pôs de pé. - Vou para a festa, mas vou te dar um conselho antes. Dê uma chance ao Draco, mas não lhe dê seu coração. O cara em questão é Draco Malfoy, não se esqueça.

Ela me deu um beijo na testa e desceu. Seus cabelos loiríssimos balançavam a cada passo que dava.

Certamente Luna seria confundida com um membro da família Delacour.

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Queria me jogar nos braços de Harry e transar a noite toda, mas quando entrei no quarto vi que ele dormia. Provavelmente estava cansado por causa do sexo, ou então exausto de pensar sobre os nossos problemas. Apostava que, assim que havia dado as costas, ele tinha vestido sua armadura e voltado a se afligir sobre as mesmas questões de sempre: eu e ele, papai e mamãe, nossa relação.

Se pudesse ganhar um presente de aniversário especial, se pudesse escolher qualquer coisa no mundo, optaria por ver Harry sempre daquele jeito: em paz. Tão tranquilo quanto quando dormia.


Aos leitores:

Pensei que esse capítulo não fosse ficar pronto nunca! Escrevê-lo não foi tão complicado, mas na hora da revisão nada parecia se encaixar, deu um trabalhão!
Lamento a demora com a atualização. Não só fiquei agarrada com meus afarezes diários como esse fim de E4P está sendo bastante complicado. Mesmo com todos os contratempos, porém, espero que vocês continuem acompanhando a história. Reparei que, ultimamente, muitos leitores sumiram, e ando sentindo falta de vocês. A você que continua lendo e comentando, obrigada!
Queria escrever mil coisas sobre as personagens, observações das cenas, situações, coisas que pensei e não escrevi, mas vou deixar isso para o posfácio, que não tarda a vir. A fic realmente está chegando ao fim, terá no máximo mais dois capítulos. Espero finalizá-la em novembro, vamos ver se vou conseguir.
=)

Beijos,
Lanni!

PS: Antes que alguém pergunte: não, a Gina não vai ficar grávida. Detesto fics com gravidez!


Respostas as reviews:

ooo Pedro Henrique Freitas: Os questionamentos do Harry são tão válidos que já me tiram o sono. Fico pensando em como vou resolver as coisas em E4P. Eu tenho um fim para o Harry e a Gina, sempre tive, o problema é como chegar até ele.
O Harry também é, até certo ponto, racional, mas pode ficar irracional com facilidade. Ele está realmente confuso com tudo o que está acontecendo, mas gosta demais da Gina. Nunca planejei separá-los, nem pretendo fazer isso agora.
É realmente estranho chegar ao fim de E4P. Eu penso em tudo que já escrevi, em como desejei chegar a esse ponto (o final) e agora a história estão tão difícil! As personagens estão bem complexas, e eram bem imaturas no começo. Se eu fosse começar a escrever a fic agora, faria um texto menos romântico e mais cruel, porém não posso dizer que não estou satisfeita de como a fic fluiu. Gosto de E4P, e não porque ela é minha. Beijos, Pedro!

ooo Lizaaa: Hahaha! A história está ficando mais difícil agora, e as personagens mais complexas. Acho que isso afeta a narração, mas é sempre bom saber que os leitores ainda sentem empatia pela trama. Acho que quando você não desperta nada no outro não vale a pena. Beijão!

ooo Maria: Nossa, a atualização demorou bem mais do que eu pretendia! Acabou dando tudo errado nos últimos dias, mas consegui enfim postar o capítulo. Espero que tenha gostado! Beijo!

ooo Tammie Silveira: Engraçado você falar das falhas das personagens, porque isso é algo importante na fic. Nunca quis fazer um Harry e uma Ginas perfeitos. Era essencial eles terem falhas, cometerem atos considerados errados pela sociedade - e não estou falando do incesto, mas de coisas menores, como consumir drogas. Não estou aqui para dizer se isso é certo ou errado, mas para mostrar que as personagens fazem isso, porque elas são comuns, ordinárias, um "ser humano" como qualquer outro, com qualidades e defeitos.
Também nunca quis escrever com E4P uma história de amor perfeita. Isso aqui não é conto de fadas. Acho a relação do H e da G um pouco utópica, um amor tão forte que só existe na imaginação, mas a história deles também tinha de ser construída com momentos ruins.
O Harry. Me surpreendi quando descobri que a maioria dos leitores gosta mais dos capítulos dele, que são mais "contidos". O Harry é difícil, descrevê-lo seria impossível. Desde o início pensei nas "metades da laranja" para construir o Harry e a Gina, os imaginei como um ser humano que foi divido em dois, o que justifica certas semelhantes entre eles, como quanto a pensamentos e atitudes. Porém cada um foi "criando" seu próprio caminho, e o Harry traçou o dele com todas as suas falhas, sem escondê-las - não que a Gina tenha escondido as dela, mas acho que ele é mais temperamental e falível.
Quanto à mistura de sentimentos, acho que ao mesmo tempo eles confundem e não confundem o amor fraterno e o romântico. Contudo, lembre-se de uma coisa: Harry e Gina são um só, um ser único separado em dois. Que tipo de amor uniria essas duas metadas? O fraterno? O romântico? Aliás, faz diferença? Beijão, Tammie!

ooo Monica Black Malfoy: Tenho achado esses últimos capítulos torpes porque eles estão difíceis de escrever. Esse fim da história está complicado!
"Será que Harry tem peito para encarar tudo para ficar com Gina?" Acho que essa resposta já foi dada. Pense em todas as vezes que eles ficaram separados. Sempre voltaram depois. Beijo!

ooo Thamires: Está sendo difícil para o Harry, mas ele vai superar, você vai ver no próximo capítulo. As coisas vão se ajeitar! Beijo!

ooo ingrid albuquerque: Então fique tranquila, porque você não vai morrer do coração! Aliás, logo você vai ter todas as respostas, porque a fic está realmente no fim. Beijo!

ooo Hugh Black: Acho que essa fase toda é de transição. A fic toda, na verdade, faz parte de um grande momento de mudança, quando a relação do Harry e da Gina é definida. E o desenrolar, o grande final, não demora muito mais. Beijo!

ooo Anna Weasley Potter: Concordo com você. Está sendo difícil para o Harry, mas ele podia ao menos tentar entender a Gina neste momento. Ela está sendo muito forte suportando tudo sozinha. Mais uma coisa: cabelo cresce fácil, então reúna coragem e corte o seu sim! Beijo!

ooo fermalaquias: Oh, obrigada! É bom que você tenha gostado tanto assim da minha fic, mas vou te desapontar: Harry e Gina são irmãos, não tem jeito. Beijo!

ooo Mariana BeC: Que bom que está gostando da história! Antigamente, quando eu costumava achar vez ou outra uma fic que me agradasse, também ficava lendo direto, sem parar - coisa que ainda faço com livros. É tão bom quando uma trama nos prende!
Você vai saber logo, logo se eles vão ficar juntos no fim, pois estamos realmente no final da história. Tenha só mais um pouquinho de paciência. Beijo!