Harry
Estava sozinho em uma das mesas espalhadas pelo jardim dos Delacour. Gui e Fleur tinham se casado havia pouco, e agora todos festejavam. A decoração estava bonita, o dia estava radiante, as pessoas pareciam alegres enquanto dançavam ou conversaram com os amigos. Tudo era luminoso, menos eu. Me sentia inquieto em meio a tanta felicidade.
Não que estivesse de mau humor, apenas não estava com ânimo para uma celebração. Os pensamentos sérios que ocupavam minha mente não combinavam com uma festa de casamento. Havia acordado cedo para assistir à cerimônia, então sido arrastado para a festa e sequer tinha tido tempo de conversar com Gina. As coisas entre nós estavam suspensas, mas já era hora de dar um jeito nisso. No dia seguinte voltaríamos para casa, então eu teria de arrumar as malas e partir para Sheffield. Em quinze dias as aulas e uma nova vida começariam, portanto não podia deixar nada mal resolvido. Eu tinha tomado uma decisão e queria anunciá-la logo.
Quando olhava para Gina, que valsava graciosamente com James, a ideia de deixá-la parecia uma piada. Eu realmente havia pensado nisso poucos dias atrás? Como poderia suportar viver longe dela justo agora, quando já tinha provando tanto de seu amor e me embriagado dele? Seria duro demais. Seria estúpido demais.
Viver sem ela não era uma opção. Eu já tinha feito minha escolha. Ou melhor: nunca tive escolha, era uma sina. Não precisava me enganar mais.
Eu a queria para sempre. Claro como água, esse pensamento, ao brotar em minha mente na noite anterior, tomou conta de mim com uma força avassaladora. Agora que a semente havia sido plantada, já não era possível ignorá-la. Queria ficar com Gina, definitivamente. Incrível como, depois da decisão ser tomada, tudo parecia tão fácil.
Entretanto, eu sabia que as coisas não seriam fáceis. Se fossem, não se trataria de mim e de Gina. Talvez eu até chegasse a dar para trás em algum momento, porém ela estaria lá para mim. Sempre.
ooOoOoOoOoOoo
Me dirigi até onde Gina e James dançavam. Fui parado por um momento por Gabrielle Delacour, que tentou me arrastar com ela com um papinho sobre a maravilhosa decoração do seu quarto. Aquela francesinha era uma graça, por isso perdi alguns minutos em uma conversa cheia de segundas intenções, mas que não me convenceu. Quando a garota me deixou, vi que Gina estava dançando com Draco. Isso me aborreceu.
Lembrei da conversa que tivemos ontem, dela defendendo-o. Peguei uma taça de champanhe de um garçom que passava e bebi em um gole só. Draco era meu calcanhar de Aquiles, não tinha jeito, mas se queria a paz com Gina, seria tolerante. Deixei a taça sobre uma mesa e respirei fundo antes de seguir até os dois. Reparei com orgulho ferido que eles estavam próximos demais, conversando alguma coisa com semblantes sérios.
Ouvi apenas resmungos da conversa antes de enfim alcançá-los. Tentei dar um sorriso sincero ao interrompê-los, mas sei que não tivesse sucesso.
- Posso roubar minha irmã por um segundo? - minha máscara de falsa simpatia resistiu ao olhar de Draco. Pensei que ele fosse me ignorar ou arrastar Gina para longe, mas surpreendentemente ele se afastou dela e partiu. Muito fácil, pensei.
Quando tomei o lugar de Draco naquela valsa lenta, Gina abriu um sorriso caloroso. Mas suas artimanhas não iriam me distrair.
- O que ele queria com você? - perguntei.
- O de sempre: nada. Draco só fala besteiras, você sabe como ele é.
Ela se calou, mas havia algo incomodando-a. Algo que discutiu com Draco e a perturbou.
- Você está mentindo – sussurrei no ouvido dela.
Jorge Weasley passou ao nosso lado dançando escandalosamente com uma loira bonita, sorrindo para todos. Quando o casal se foi, Gina respondeu:
- O que Draco sempre quer? Conquistas, passatempos... e perturbar você, Harry. Ele gosta de provocar, você sabe.
- Olha – enquanto ela falava, meus olhos fitaram um ponto no outro lado do jardim -, Sirius está aqui, na minha direção. Vou te deixar. Me encontra no salão da casa em dois minutos.
Antes que Gina pudesse dizer qualquer coisa, ela estava sozinha. Passei por James e Lily, que dançavam apaixonados, além de muitos outros casais, no caminho até a casa. Entrei no corredor e depois no salão, onde havia apenas uma dúzia de pessoas. Sentei no canto mais isolado e me servi de outro drink enquanto esperava Gina.
Ela apareceu pouco depois, andando com elegância sobre os sapatos altos. Ela estava belíssima, muito atraente dentro de um vestido azul marinho. Por um instante me imaginei arrastando-a escadas acima para transarmos escondido em um cômodo qualquer. Era uma ideia interessante...
- Agora você foge do Sirius como o diabo foge da cruz? - ela pegou meu copo e tomou um gole da bebida.
- Estou tentando ser prudente, só isso.
- Então você devia agir com mais naturalidade, principalmente com nossos pais.
- Por favor, não comece a falar de Lily e James. Não estrague meu dia.
- Ok, já não está aqui quem falou.
Ela apoiou a cabeça no encosto do sofá e me fitou. Me vi incapaz de fazer outra coisa a não ser olhá-la de volta. Estava perdido. Perdido naqueles olhos, naquele corpo, naquela voz suave, nas suas ideias e manias. Estava perdido por amá-la. Só pensava nisso enquanto continuava encarando-a, observando cada detalhe e cada sarda de seu rosto. Sequer parecia que tinha mais alguém naquele salão, pois eu só enxergava Gina. Como seria bom se só existisse a gente no mundo...
- Quero transar com você – disse. - Vamos embora daqui.
- Foi pra isso que interrompeu minha dança, para dizer que queria transar?
Minha mão alcançou seu rosto e ficou ali, sentindo sua pele.
- Não. Te interrompi porque queria conversar. Ainda quero, mas a gente pode transar antes. Por favor, vamos embora.
- A festa mal começou, Harry.
- Essa festa está um saco!
- Não está não! Está divertida.
Recolhi minha mão e me afastei de Gina.
- Divertida por que Draco Malfoy fica flertando com você e murmurando segredinhos no seu ouvido? - o desdém deixou minha voz tão diferente que ela nem parecia minha.
- Não comece. Por favor, não de novo.
- Você ainda vai defender o Draco? Por quanto tempo...?
Ela se levantou, mas consegui detê-la antes que se afastasse.
- Harry, me larga – seu tom era educado. - Não quero brigar hoje. Não quero uma discussão para estragar as lembranças de um casamento tão bonito.
- Também não quero brigar. Desculpe - soltei-a. - Mas, por favor, vamos embora. Não estou com clima para festas.
- Você não está com clima para nada ultimamente. E mesmo que eu topasse ir, como chegaríamos ao hotel? É uma hora de caminhada até lá.
- Pegamos o carro que James alugou, depois ele e Lily pegam uma carona com os Malfoy, com Sirius ou sei lá com quem.
- Harry...
- Por favor, Gina. A gente precisa conversar.
Foi a curiosidade dela que venceu. Meu tom sério a preocupou e instigou, por isso Gina usou sua lábia e arrancou a chave do carro de James. Assim, quinze minutos depois estávamos indo embora.
Enquanto dos dirigíamos à multidão de carros estacionados, eu a Gina começamos a ouvir algo. Pareciam...
- Gemidos – Gina falou. - Isso são gemidos?
- Parece que sim.
Nós cruzamos alguns carros em direção ao som. Quando nos aproximamos de um belo esportivo vermelho, o barulho aumentou. Não precisei me aproximar muito para ver o que estava acontecendo, nem Gina.
- Pelo amor de Deus! - ela reclamou, dando meia volta – Por que eles não arrumam um quarto?
- O banco traseiro certamente parece mais interessante.
- É, mas aqui é quase um lugar público! Não é lugar para o Draco e a Gabrielle transarem! Cruzes!
- Com ciúmes? - minha pergunta era para provocar, mas também estava curioso com a resposta.
- Não, enojada com a falta de respeito que eles têm com os outros. Vamos embora.
ooOoOoOoOoOoo
Mal eram uma da tarde quando chegamos ao hotel. Nosso quarto já havia sido limpo e arrumado, e o sol da tarde, que entreva pelas janelas abertas, iluminava tudo.
Gina tirou os sapatos e o vestido, então abriu as torneiras da banheira. Enquanto esperava o banho ficar pronto, ela começou a retirar a maquiagem. Sentei na cama observei seus movimentos, seu corpo, a lingerie que vestia, seu duplo refletido do espelho do banheiro. A dúvida começou a renascer dentro de mim, as incertezas...
- O que foi? - de repente Gina estava do meu lado, me olhando.
- Eu... - me calei, e ela tocou minha testa.
- Sua ruga de preocupação está voltando – seus lábios tocaram o ponto em que antes estava sua mão. - Não deixe isso acontecer. Você fica melhor quando não está se martirizando por nada. Tive uma ideia – ela começou a desabotoar minha camisa -, por que não tomamos um banho juntos? Que tal?
Tive de sorrir, afinal a ideia era muito atraente. Gina foi tirar o resto da maquiagem enquanto me ocupei das minhas roupas. Quando arrancava a calça, falei:
- Vamos embora amanhã.
- Eu sei. E o melhor é que teremos o resto das férias só para nós dois. Não vai ser ótimo? - ela se virou para mim, sorridente.
- Sim, principalmente levando em consideração que vai ser difícil ficarmos juntos nos próximos dois semestres – o suspiro que soltei me pareceu muito cansado.
- Vamos pensar nas dificuldades quando elas aparecerem, ok?
- Elas já estão batendo na nossa porta, Gina.
Ela fechou a torneira da banheira e jogou sabão lá dentro, me ignorando propositalmente.
- Gina?
- Sempre o mesmo assunto! - o tom de voz dela aumentou – Sempre as mesmas coisas! A gente sempre chega no mesmo ponto, Harry: suas dúvidas, seus medos, seus sentimentos! Por favor, não estrague o que estamos vivendo aqui!
- E o que estamos vivendo aqui? Comparado a todos os anos que temos, esses dias não são nada!
Ela entrou dentro da banheira e afundou na água. Vi seu corpo imerso e esperei. Esperei e esperei, então quando pensei que Gina ia morrer por falta de ar, ela emergiu. Puxou as pernas para si e se espremeu em um canto da banheira, me ignorando mais uma vez.
Também entrei na água e sentei no lado aposto a ela. Fiquei esperando ela dizer alguma coisa ao mesmo tempo em que esperava eu mesmo tomar uma atitude. Queria dizer que íamos ficar juntos e que tudo terminaria bem, porque essa era minha decisão, mas as palavras não saíam. Como eu podia ter certeza que as coisas dariam certo?
Nesse momento, percebi que estava me deixando tomar pelo medo. Diferente de como me senti na festa de Gui e Fleur, não estava mais certo de nada, pelo contrário. Estava temeroso. Mas nunca fui um homem, um garoto que não enfrentou seus medos. Esse não era eu.
- Gina – ela me fitou -, eu quero ficar com você. Sempre. Mas isso não vai ser fácil, porque... Bem, pelo que nós somos.
- E o que nós somos, Harry?
Ela queria que eu dissesse, e foi isso que fiz:
- Irmãos. As coisas nunca serão fáceis por causa disso.
- Não são fáceis porque você complica tudo, seu cabeça dura - ela se aproximou de mim até ficar bem próxima. - Eu te amo.
- Eu também.
O contato com o corpo molhado e escorregadio dela me excitou. Gina estava colada em mim...
- Harry, o que está acontecendo aqui? - ela questionou, interrompendo nosso beijo – O que, afinal, você quer me dizer?
Minha garganta pareceu seca; tive de pigarrear para encontrar a voz.
- Olha, eu quero, definitivamente, ficar com você, mas... Às vezes eu posso ser contraditório quanto a isso, Gina. Se você ficar comigo...
- Eu sempre vou estar com você, Harry, mesmo quando estiver longe. Mesmo com você do outro lado da Inglaterra.
- Vou sentir saudades.
- Sei disso, eu também vou – ela me deu outro beijo. - Ei, nunca transamos dentro de uma banheira, não é?
- Não ainda.
ooOoOoOoOoOoo
- Falei com três imobiliárias, agendei dezenas de visitas, mas não sei quais apartamentos vão estar disponíveis a essa altura. Mas visite todos, Harry, para ter opções. E, por favor, seja prudente. Não vá escolher um lugar para morar só porque é o melhor para dar festas ou...
- Já entendi, Lily – cortei-a.
Estava almoçando com minha família enquanto ouvia as várias recomendações de Lily a respeito da minha futura escolha de apartamento em Sheffield, onde iria morar por pelo menos oito semestres. Tinha apenas duas semanas para resolver tudo: arranjar um apartamento, comprar alguns móveis, levar minhas coisas... Me despedir de Gina, ao menos por um tempo.
- Ótimo. Bem, sobre a viagem de volta...
- Você já disse! Não precisamos de mais recomendações!
- Está tudo bem, mamãe – Gina se intrometeu para apaziguar as coisas. - Nós entendemos, não se preocupe.
Nós – eu e Gina – íamos voltar para a Grã Bretanha naquela tarde, "aos cuidados de Sirius", como disse Lily. E enquanto retornávamos para nosso país sob a tutela de meu padrinho, ela e James iam partir em uma nova lua de mel, que duraria até setembro. Ou seja: o fim das férias seria livre para eu e Gina. Ia aproveitar esse meio tempo para arranjar um canto para morar em Sheffield, e é claro que ela iria comigo.
- Me liguem assim que chegarem na Inglaterra – Lily pediu. - Vou ligar sempre para vocês. Se tiverem algum problema ou precisarem de algo, me liguem, não importa a hora. Vou deixar meu cartão de crédito com você, Harry, mas não vá gastar à toa. Só use...
Ela não parou de falar até a hora de irmos. Podia ver nos olhos de Gina o pedido para eu ser mais tolerante com Lily e James, e para agradá-la tentei fazer isso. Até abracei meu pai e beijei minha mãe antes de partirmos com Sirius.
A volta para casa aconteceu sem grandes acontecimentos, mas me deixou tenso. Durante o trajeto até o aeroporto e a viagem até a Inglaterra, Gina e Sirius ficaram conversando o tempo todo. Eu coloquei meus fones de ouvido e deixei a imaginação voar. Quando enfim chegamos à Grã Bretanha, ansiava por meu quarto e minha casa.
Tomamos um táxi e, em Maldon, deixamos Sirius em frente ao prédio em que ele estava morando. Depois de uma pausa rápida na lanchonete Três Vassouras (para comprar hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes) e na farmácia (de onde Gina levou anticoncepcionais e um teste de gravidez, que graças a Deus deu negativo), enfim estávamos em casa. Era bom e estranho chegar naquele lugar. As lembranças de Lily e James sempre estariam ali para me perturbar, mesmo na ausência deles. Aquele era meu castelo mal assombrado...
- Harry, dá licença.
Saí da porta para Gina entrar. Ela jogou sua bolsa e mala no chão, passando por mim para abrir as janelas. Estava faminto, então fui até a cozinha. Uma camada fina de poeira cobria cada canto do lugar, o que era incrível, pois havíamos ficado poucos dias fora.
Depois de abrir toda a casa, ligar para Lily e James e provavelmente desfazer suas malas, Gina se juntou à mim. Ela ia falar alguma coisa, como reclamar da bagunça que fiz na cozinha ou algo do tipo, mas desistiu. Comemos em silêncio e então subimos. Era cedo, fim de tarde, mas estávamos cansados. Tão exaustos que, às oito da noite, já dormíamos. E sequer transamos.
ooOoOoOoOoOoo
Por mim, teria passado bons dias em casa com Gina antes de sequer aparecer na esquina, mas ela queria resolver as coisas em Sheffield logo. Assim, na tarde seguinte pegamos um trem e cruzamos o país. No fim das contas era melhor, porque ficava livre daquilo de uma vez.
A viagem foi muito melhor do que a fizemos no dia anterior, na companhia de Sirius. Desta vez, eu e Gina estávamos sozinhos, ainda que cercados de estranhos. Mas tínhamos a liberdade de passar o tempo todo com as mãos dadas ou abraçados. E eu não me cansava de ficar perto dela, pois a vontade que tinha de senti-la nunca passava. Logo que chegamos ao nosso destino e entramos no táxi, eu a beijei, esquecendo momentaneamente que podia ter feito isso antes, afinal estávamos em um lugar onde ninguém nos conhecia e onde não conhecíamos ninguém. Estar longe de tudo era uma maravilha!
Naquela noite, no hotel, sem Lily e James no quarto ao lado – como quando na França -, nos divertimos mais do que nunca. Filmes trash na TV, papo furado, sem nenhum assunto sério, piadas, pizzas e cervejas, além de muito sexo, foram nossos passatempos. Queria que todos os momentos, todos os dias fossem como aqueles.
Mas como nada dura para sempre, na manhã seguinte tivemos de sair e ir procurar as imobiliárias que Lily havia contatado. Em todas nos disseram a mesma coisa: os melhores apartamentos já estavam alugados. Visitamos alguns lugares sem achar nada interessante, depois batemos perna. Encontramos um cinema, vimos um filme e voltamos para o hotel. No dia seguinte, depois de mais uma noite sem regras, as visitas continuaram. Uma das imobiliárias tinha vários apartamentos interessantes, apesar de serem todos longe da universidade. Não queria pegar ônibus ou metrô todos os dias, mas era a única opção àquela altura.
Por fim escolhi, com a definitiva opinião de Gina, um sobrado, em cujo térreo funcionava uma loja que consertava eletrônicos. O lugar não era grande nem pequeno, e, segundo o agente imobiliário, o bairro era bom. O apartamento tinha uma cozinha americana, uma sala, um quarto e um banheiro razoável, com banheira – que era essencial. Segundo Gina, "era perfeito". Ela gostou mais do que eu, e apesar de querer algo mais moderno, sem aquelas janelas enormes que iam do chão até quase o teto, assinei o contrato. Poderia me mudar em dois dias, foi o que disse o cara da imobiliária.
Todavia, não ia adiantar nada me mudar, porque sequer tinha um móvel. O lugar precisava de tudo: sofá, geladeira, cama... tudo. Gina estava tão animada, tão extasiada com a ideia de decorar "nossa casa", como ela dizia, que decidiu sair naquele mesmo dia para começar as compras.
- Precisamos ir a uma loja de móveis antigos! - ela falou, animada.
- Não quero morar em um museu, Gina, mas em um lugar confortável.
- Podemos conseguir os dois! Vem!
Felizmente era tudo caro demais na loja de móveis antigos, mas rodamos a cidade e achamos uma loja de móveis usados, porque Gina não estava disposta a ter nada de primeira mão. Lá ela comprou uma cama, que desconfiei estar cheia de cupins, e um armário. Mas me recusei a levar a estante vagabunda que o vendedor queria nos empurrar. Precisava de um lugar decente para meus livros e DVD's.
O dia terminou assim, na busca incessante de Gina. E na quinta-feira as compras continuaram. Ela viu milhões de coisas, entrou em dezenas de lojas, mas quando a noite caiu tínhamos tudo – do panos de prato ao guarda-roupa e dos talhares à cama -, inclusive o colchão, que foi, definitivamente, a melhor compra – me diverti à beça com Gina na loja.
Na sexta-feira depois do almoço, fechamos a conta no hotel, pegamos nossas coisas e partimos para a imobiliária, onde peguei a chave do sobrado. Eu estava animado. Gina andava tão alegre, sorridente e faladeira que me contagiou. Para falar a verdade, só o fato de estar longe dos rostos e lugares conhecidos me deixava mais leve. Estava em paz. Quase que podia esquecer da minha vida e só me concentrar em Gina. Era abençoado estar em um lugar estranho.
Antes de entrar naquela que seria minha nova casa, peguei Gina no colo e, como recém-casados, a levei para dentro. O lugar estava fechado e empoeirado, mas não nos importamos. Transamos ali mesmo, no chão da sala, antes de fazer qualquer outra coisa. Só um bom tempo depois começamos a abrir as janelas e, com vassouras e esfregões comprados havia pouco, limpamos o apartamento e colocamos o que já tínhamos no lugar: toalhas no banheiro, copos, pratos e talhares no armário da cozinha, tapetes pela casa...
- Uma empregada é outra coisa que preciso – comentei quando terminamos. Nesse momento exato, a campainha tocou. Estavam entregando o colchão, que colocamos no quarto e cobrimos com um lençol muito chamativo que Gina escolheu. Só era necessário aquilo para nossa casa: um lugar para dormirmos e transarmos. O resto era supérfluo.
Naquela noite, fizemos algo que ainda não havíamos feito: saímos para explorar a cidade. Era libertador andar sem rumo ou pudores com Gina, sem a preocupação de encontrar um conhecido em casa esquina.
Jantamos em um restaurante tailandês, assistimos a um musical amador e, por fim, chegamos a uma boate. O lugar estava apinhado de gente, a maioria da nossa idade ou com seus vinte e poucos anos, e meio sufocante. Mas no geral foi uma boa noite. Beijar Gina em público, dançar e me divertir com ela livremente era uma novidade, e era excelente.
- Posso me acostumar a isso facilmente – quase gritei para Gina, a fim de que ela me escutasse apesar da música alta.
- A isso o quê?
- Ficar com você, assim – mais um beijo, mais uma vez perdido nela, nos seus lábios, sua pele... - Eu te amo.
- Eu sei. E acho que você está um pouco bêbado também, Harry.
Eu ri, mas era verdade. Tinha bebido pra caramba!
Ficamos na festa até não aguentarmos mais, e lá pelas cinco da manhã resolvemos ir embora. Então aconteceu algo curioso.
Enquanto esperava Gina sair do banheiro para iniciar nossa jornada em busca de um táxi, vi uma garota ruiva passar por mim. O cabelo dela era grande demais para ser Gina, mas por um momento esqueci disso. Puxei a menina e a virei para mim. De início apenas nos olhamos, então, do nada, ela me beijou.
Podia por a culpa na bebida, e esse foi um dos fatores, mas correspondi porque quis. Ficamos nos beijando e nos agarrando, minha mente misturando as imagens da ruiva desconhecida com as de Gina, por um bom tempo. Nunca cheguei a saber o nome da garota, mas ela era bem bonita.
O fato é que ficamos ali até eu conseguir me concentrar e lembrar do que estava fazendo antes que ela aparecesse. Gina. Onde ela estava?
A ruiva desconhecida perguntou alguma coisa enquanto eu, sem me importar, me enfiei no banheiro feminino. Uma ou outra garota reclamou, mas ninguém deu muita importância por eu estar ali.
- Gina? Gina? - gritava, mas não tinha resposta. Nisso a menina continua falando atrás de mim, sem que eu escutasse nada. Minha cabeça estava girando e meu estômago embrulhando. Definitivamente não havia sido uma boa ideia misturar o tempero tailandês com vodka e cerveja.
Voltei à pista de dança com a ruiva em meu encalço e crente que nunca mais ia encontrar Gina. Mas aí ela se materializou na minha frente, e eu estava tão mal e atordoado que nem me importei mais com a garota louca me seguindo.
Fomos embora e, no caminho até a porta, a outra ruiva ficou para trás. Assim que atingi o ar fresco me senti melhor, porém o mal estar piorou quando entramos no táxi e ele começou a andar.
Não conhecia a cidade, então era impossível saber se estávamos perto ou não do meu apartamento. Mas eu via bares, locadoras, clubes, lanchonetes, supermercados, casas, centenas delas, via toda a cidade passar por mim em um borrão, e o enjôo aumentava. Fechei os olhos apertado e torci para não vomitar, e por muito tempo fiquei assim. Só abri quando senti a mão de Gina no meu ombro e sua voz dizendo que havíamos chegado.
Não sei como subi as escadas, mas o fiz. Lembro que, assim que entramos na sala, corri para o banheiro e coloquei toda a comida e bebida do dia para fora. E lá estava Gina ao meu lado, passando a mão no meu cabelo e chamando minha atenção ao mesmo tempo que me confortava.
De alguma forma me aguentei de pé para tomar um banho e depois caí na cama, que era nosso colchão recém entregue. Tudo se apagou com muita facilidade e, no meio do breu, surgiu um sonho bizarro em que eu chegava em uma cidade nova e todo mundo ali era vampiro e queria me pegar, já tinham até transformado Gina, então quando não havia mais escapatória...
O toque de um celular me acordou. Sequer abri os olhos na esperança que o barulho parasse e pudesse voltar ao meu sono, mas o som continuava. Preciso colocar as cortinas, pensei enquanto me levantava sob a luz forte do Sol, que entrava pelas janelas.
Achei o celular de Gina sobre sua mala. O nome na tela dizia "Mamãe", mas nem a pau eu ia atender Lily. Era de tarde e ela certamente estava fazendo sua ligação diária para saber se tudo estava bem. Recusei a chamada e desliguei o aparelho. Antes que Lily pudesse ter a brilhante ideia de me ligar, desliguei meu celular também. Estava muito feliz longe de tudo para uma ligação me importunar.
Entrei no banheiro a procura de Gina, mas ela não estava ali nem em lugar nenhum. Achei sobre a caixa da minha nova televisão, no verso na nota fiscal, um bilhete que dizia que ela tinha ido ao supermercado e voltava logo. Ótimo, ela havia saído. Tomara que passasse na drogaria e comprasse aspirina, porque eu estava com uma dor de cabeça do caramba.
Me atirei no colchão e escondei a cabeça sob os travesseiros. Quando estava quase pegando no sono de novo, a porta bateu e soube que Gina tinha voltado.
- Harry?
- Lily ligou – falei -, mas não atendi. Recusei a ligação e desliguei os celulares.
- Por quê? Mamãe vai morrer de preocupação, pensando que a gente foi raptado ou morto e por isso não a atendemos. Vou ligar pra ela.
Ouvi os passos de Gina, o celular sendo religado, sua conversa com Lily. O colchão ao meu lado afundou e soube que ela estava deitada ali. Podia escutar tudo que Gina falava com nossa mãe, que perguntou por mim com um tom de preocupação na voz. Desde que fomos embora da França, no domingo, só tinha falado com ela uma vez, na tarde em que assinei o contrato do apartamento. Sabia que estava magoando e preocupando-a, mas para mim era melhor assim. A distância entre nós amenizava minha dor e meus demônios. Não era bom nem começar a pensar nisso, porque...
- Ela quer falar com você – Gina, com uma vez suplicante, comentou. - Atende a mamãe, Harry, por favor – senti os lábios dela em minhas costas, me dando um beijo casto. - Por favor!
Foi só porque Gina pediu que emergi de baixo das travesseiros e peguei o telefone.
- Oi, Lily.
- Harry! - a voz dela, estridente de alegria, quase fez minha cabeça rachar. - Que saudade! Como você está, meu filho?
- Com sono.
- Sono? Deve ser... o quê? Por volta das três da tarde aí na Inglaterra? Você não anda dormindo à noite não?
- Claro que sim – minha mão alcançou os cabelos curtos de Gina, que estava deitada me observando -, só saí ontem.
- Já fez amigos aí?
- Só alguns – apoiado no cotovelo, deitei ao lado de Gina. - Olha, Lily, preciso desligar. A campainha tocou, acho que vierem entregar os móveis.
- No sábado?
- Hã... é, no sábado. Tchau, Lily.
Desliguei o telefone e imediatamente me apossei de Gina, deitando sobre ela e lhe roubando um beijo caloroso.
- Você está muito bonita hoje. Resplandecente.
Ela soltou uma gargalhada gostosa. Observei como fechou os olhos por um instante e apertou-os no meio da risada, para então voltar a me encarar. Ela era adorável.
- Acho que você ainda está bêbado, Harry.
- 'To com uma dor de cabeça horrível, mas até isso pode esperar - minha boca alcançou a dela mais uma vez e ouvi Gina gemer sob meu corpo. Estava cheio de tesão naquela tarde, e fui logo enfiando as mãos embaixo de seu vestido e tirando sua calcinha...
- Nossa, que violência – Gina falou, mas estava sorrindo. E gostando. - Que bom que você dormiu sem roupa, assim poupa tempo.
Mais um beijo, e eu já estava dentro dela. Então vieram os gemidos, os toques, mais beijos, corpos colados, perdidos nos movimentos... e por fim a abençoada liberdade.
Saí de cima dela e ficamos ali, abraçados, até estarmos com os corações calmos de novo. Minha cabeça ainda doía, mas isso não era nada. Estava feliz com Gina e era só isso que importava. Disse-lhe isso.
- Estou feliz também – ela garantiu. - Quando for embora e te deixar sozinho, vou morrer de saudades.
- Também vou.
- Vai nada. Você vai ficar feliz por poder trazer todas as garotas que conhecer pra cá e transar com elas até não aguentar mais.
- Não vou fazer isso, Gina. Eu amo você.
- Verdade? - a descrença em sua voz era clara – Não acredito. Se quando eu dou as costas para ir ao banheiro você já se pega com alguém, imagine quando eu voltar para casa.
- Ela me agarrou! - me defendi. Gina estava falando da ruiva da noite anterior, é claro.
- Isso não importa, e eu não me importo por vocês terem se beijado – ela me encarou. - O que eu estou dizendo, Harry, é que você pode fazer o que quiser quando eu não estiver aqui. Da mesma forma que eu vou fazer o que quiser enquanto estiver sozinha.
- Não, de jeito nenhum eu...
- Harry, não vamos fazer promessas que não vamos cumprir. O que importa é que quando estamos juntos, realmente estamos juntos. Temos esses momentos, essa rotina ordinária e por isso mesmo encantadora de acordar ao lado um do outro, ir ao supermercado, arrumar a casa, lavar a louça... Conquistamos isso juntos, e vamos manter isso para sempre, porque não vou deixar nada disso se perder, e nem você.
- Não, não vou.
Ela sorriu e me abraçou, ao que a apertei contra mim.
- Daqui a um ano, Harry, vou me mudar para cá. Quando terminarmos a faculdade, diremos a mamãe e papai que vamos trabalhar em um lugar distante e iremos para bem longe.
- Podemos ir para os Estados Unidos. Sempre quis conhecer Nova York.
- Talvez. O importante é que esse lugar seja distante, então vamos construir nossas vidas e ficar juntos para sempre.
- Para sempre – repeti. - Para sempre.
E não duvidei que as coisas entre nós fossem eternas. Não naquele momento, com Gina em meus braços e o sol da tarde nos banhando. O momento era perfeito, nosso amor sublime e a distância de todos os tormentos era enorme. O futuro prometia ser brilhante.
FIM
Aos leitores:
Ufa! Acabou.
Sinceramente, não foi fácil chegar até aqui. Os últimos capítulos foram difíceis, principalmente o derradeiro, que demorou três meses para vir à tona. Não gostei muito dele, porque achei meio corrido, as coisas acontecendo rápido demais... pareceu artificial? De qualquer forma, o Harry e a Gina tiveram o fim que sempre desejei. Agora, o mais importante: o que você achou do final de Entre 4 Paredes?
Agradeço a todos os meus pacientes leitores que me acompanharam nesta jornada incrível que foi E4P. Em pouco mais de dois anos, construí essa história com e para vocês. Obrigada, obrigada e obrigada por tudo!
Em fevereiro pretendo voltar com Perdidos na Rotação. A fic vai entrar agora em uma nova fase, de certa forma, mas antes de recomeçar a escrevê-la preciso lê-la toda, pois já faz muito tempo desde que mergulhei naquele universo pela última vez.
Um grande abraço saudoso!
Lanni
Respostas as reviews:
ooo ingrid albuquerque: Ingrid, infelizmente seu pedido de uma postagem rápida não foi atendido, mas por fim consegui publicar o último capítulo da fic. Espero, de verdade, que fique feliz com ele. Obrigada por me acompanhar até aqui. Um enorme beijo, a gente se "vê" por aí!
ooo NiRvAnIcA: Obrigada pelo "VocÊ escreve PERFEITAMENTE!". Talvez te deixe um pouco desapontada ou frustrada com esse último capítulo, talvez nele eu não escreva tão bem assim, porém espero que goste. Um super beijo!
ooo Pati Mello: Olá, Pati! Antes de tudo, agradeço sua review e por acompanhar a fic. Espero que goste do fim que planejei.
Em segundo lugar, achei seu comentário um tanto curioso. Isso porque eu já tratei de incesto, consumo de drogas, homosexualidade, bissexualidade, traição e, porque não dizer?, promiscuidade nas minhas fics - principalmente em Perdidos na Rotação -, e essa é a primeira vez que alguém se diz contra uma abordagem minha com todas as letras. Realmente é interessante: nenhum dos leitores tratou o incesto das personagens de E4P como algo errado, sujo, sórdido, mas você se posicionou quanto ao que a Gina disse sobre o aborto.
Eu, particularmente, sou contra o abordo, mas a favor da sua descriminalização. Todavia, minha opinião não interessa quando escrevo. Eu dou vida às personagens e tenho comigo que meu compromisso é fazer isso com honestidade. A Gina não gosta muito da ideia, mas não vê o aborto com algo errado. O Harry já vê. É a opinião deles, não a minha. Da mesma forma que é escolha da Gina de Perdidos da Rotação ser promíscua, o que não significa que eu seja.
Assim, respeito também sua opinião, como você disse que respeita a minha, mas não concordo quando diz que fui imprudente na forma como tratei "a questão de uma possível gravidez da Gina". Se escrevo uma história, devo narrar as coisas como elas são dentro da trama que construí. Além do mais, nunca quis fazer personagens bonitinhas, adoráveis, muito pelo contrário. Acho que nada é tão humano quanto as falhas, portanto personagens falíveis são importantes. Dia desses escrevi na resposta de uma review: "Nunca quis fazer um Harry e uma Ginas perfeitos. Era essencial eles terem falhas, cometerem atos considerados errados pela sociedade - e não estou falando do incesto, mas de coisas menores, como consumir drogas. Não estou aqui para dizer se isso é certo ou errado, mas para mostrar que as personagens fazem isso, porque elas são comuns, ordinárias, um 'ser humano' como qualquer outro, com qualidades e defeitos". Portanto, fique à vontade para dar sua opinião, fazer comentários, compartilhar algo que achar interessante. Mas saiba também que vou continuar a me manter fiel à minha história, mesmo que para isso tenha de ir contra o socialmente aceito.
Não me arrependo do que escrevi. Mais de uma vez, para mais de uma pessoa, eu disse que não conseguia escrever algo que parecia destoar da postura da personagem. O pensamento da Gina, o que ela disse ou deixou de dizer, é reflexo do que ela é agora: uma pessoa endurecida, que viu que seus sonhos de menina eram tolices e tem de suportar um fardo enorme. Se ela vai ser julgada por isso, e se eu vou ser julgada por ser fiel à minha personagem, bem, atire as pedras.
Agora, como ser humano, concordo com você quando diz que o aborto é uma decisão séria. Como disse, sou contra, mas não sou ninguém para julgar alguém que já fez ou que é a favor. Cada um cuida do próprio corpo e faz com ele o que bem entender. A minha opinião é que o Estado não tem direito de tirar essa sua opção de escolha. Optando por tal ou qual caminho, em uma democracia é preciso ter liberdade para guiar nossas ações.
Foi sugerido que eu deveria "pensar melhor antes de dissipar esse tipo de exemplo (aborto) pela internet". Bem, primeiro eu não dei exemplo, mas citei a questão no texto. Não escrevi "Gina fará um aborto" e, mesmo que escrevesse, a fic tem classificação "M", para maiores de 18 anos, pessoas que teoricamente têm bom senso o suficiente para saber se devem ou não se deixar influenciar por isso ou aquilo, o que não é minha intenção, de qualquer forma. Caso contrário, o que dizer de filmes como "4 meses, 3 semanas e 2 dias", onde toda a película aborda o caminho para se fazer um aborto? Ou do clássico "Lolita", que narra a relação de uma menina e um homem mais velho? Quem assistir a esse último longa vai sair atrás de garotinhas por aí? Quem ver "Dexter" vai virar um serial killer? Quem gostou de "Cães de aluguel" é a favor da violência? A arte vai além dos preconceitos - não ouso dizer minhas fics são arte, não sou prepotente, estou apenas exemplificando. "Lolita" não seria dolorosamente sufocante, e bonito até (aqui me refiro ao livro), se não fosse o protagonista perturbado que gosta de "ninfetas". Se isso ou aquilo tivesse deixado de ser escrito/filmado/encenado porque é um assunto polêmico ou incômodo, fala de assassinato ou mostra a miséria da alma humana, seria censura. A mesma censura que minha fic sofreria se eu deixasse de escrever algo que é essencial para a história e que é importante para a personagem porque pode ser uma "má influência" ou um "mau exemplo".
Em conclusão, sua review é muito válida e é bacana questionar um assunto abordado na fic. A discussão do tema é interessante e, por isso mesmo, acho que acertei ao tratar do tópico em E4P. Todavia, creio que a abordagem que dou não é a questão importante, mas sim do que trato. Um grande abraço!
ooo fermalaquias: De fato a esperança é a última que morre. Acredito que até este capítulo final alguém esperava uma surpresa, como eu desdizendo o que falei em toda a fic e revelando que Harry e Gina não são irmão. Mas no universo de E4P eles são.
Não se preocupe com o interesse da Gina com Draco/Luna, porque a relação dos dois realmente foi passageira. Não há caroço nesse angu, como diria minha avó. Mas Gina e Draco... terminou meio em aberto, não? Um beijo!
ooo Kellysds: Nesta que acredito ser a última vez (pelo menos em E4P), agradeço suas palavras gentis. Fico feliz que você não tenha conseguido imaginar o que vinha por aí, pois caso contrário eu ia me frustar. O objetivo sempre foi fazer uma história diferente, portanto, surpreendente.
"A fic é narrada em primeira pessoa, eu tento saber em que ponto da vida a Ginny está, se ela narrava do presente ou do futuro e de qual futuro, não consigo saber e me sinto estúpida!" Ela narra do futuro, pois você pode perceber que a narração tanto da Gina quanto do Harry é sempre no passado. Mas qual momento exato do futuro é difícil especificar. Isso fica para sua imaginação.
Agradeço todas as suas reviews e por ter acompanhado a história até aqui. Espero te "ver" por aí! Beijo!
ooo Patty Carvalho: É uma pena, mas tudo que é bom dura pouco - ou nem tão pouco, já que a fic levou mais de dois anos para ser concluída. Mas acabou, agora é definitivo. Beijo!
ooo Thamires: É, Thamires, um dia E4P ia acabar e esse dia chegou, apesar da demora. Agora é olhar para frente e continuar com os outros projetos.
Gostou do fim do Harry e da Gina? Você disse que queria algo feliz... Falou também que tinha esperança deles não serem irmão, mas são.
Obrigada por ter acompanhado a fic. Um super beijo!
ooo Niina Weasley Potter: Olá, Niina! Fico feliz que tenha resolvido escrever, mesmo que seja agora, no fim. Tal como você, também espero que eu ganho o Oscar algum dia, rs. Seria muito interessante. Obrigada pela review, beijo!
ooo Hugh Black: Uau! Se você não via como a fic acabar em mais dois capítulos, imagine em apenas mais um! E sim, Harry e Gina são irmãos, como sempre disse, rs.
Infelizmente, acredito, os amigos dos nossos protagonistas não aceitariam muito bem a relação deles, por isso é mais fácil eles se afastarem de tudo que os fazem sofrer ou traga recordações difíceis. Se esconder é ruim, portanto a distância para o casal sempre foi bem vinda. Espero que tenha gostado do fim. Beijo!
ooo gisllaine farias: O Harry vai para a faculdade, mas ele voltará para ver a Gina de vez em quando sim. Não acho que ela terá de correr atrás dele... Ela não fará isso, nem ele, mas se fosse acontecer seria o contrário do que você disse: Harry correria atrás da Gina. Obrigada por tudo que disse sobre a história e por tê-la acompanhado até aqui. Fico feliz, de verdade. Um grande beijo!
ooo Monica Black Malfoy: Olá, Monica! Espero que tenha gostado desse capítulo também, até porque foi o último. Sobre a distância dos amigos, ela será melhor para o Harry e a Gina. Eles se bastam. Beijo!
ooo Bruxinha Potter Weasley: É... tantas coisas, informações e reações! Tantas que temo que as coisas tenham ficado rápidas e artificiais demais. O que achou do fim? Draco e Luna acabou mesmo, isso te garanto. Eles são muito diferentes. Beijo!
ooo Pedro Henrique Freitas: Pedro, nem posso acreditar que essa é minha última resposta a uma review sua em E4P. Você foi um dos leitores que, de fato, construiu a fic junto comigo, porque estava sempre por aqui. Agradeço por isso, de verdade. Também não vou esquecer suas análises sempre tão precisas e bem construídas, elas merecem ao menos uma citação neste fim.
Quando disse que faria E4P menos romântica se fosse escrevê-la agora, digo que tiraria os momentos doces e propriamente românticos e faria um texto mais cruel. Mais dramático, de certa forma.
Nunca pretendi separar o casal no final, apesar de ter pensado em outras possibilidades para o fim.
Também acredito que Draco/Luna seriam "um casal interessante", mas não nessa fic. Em um outro texto, algo do tipo Further Education, talvez.
Você comentou sobre Draco e Gina, mas não vou falar nisso, pelo menos não por hora. Tenho certeza que vão acabar perguntando sobre eles e terei de citar a questão em meu posfácio.
Nunca assisti Dexter, mas tenho interesse. Vou tentar ver esse ano.
A gente continua se falando, Pedro. Espero te "ver" novamente pelo menos quando voltar a atualizar Perdidos na Rotação. Um grande e sincero abraço.
ooo Yami Umi: Os dois, Harry e Gina, são filhos de Lily e James. São irmãos, apesar das esperanças nunca morrerem, mesmo quando confirmei os laços dos dois. =)
De qualquer forma, eles não precisam de desculpas para ficar juntos. Isso é simplesmente inevitável. Beijos!
ooo RaFa Lilla: E4P nunca pretendeu se assemelhar a Maninho, até porque eu nunca quis o tom de comédia desta última fic na minha. Mas a base das histórias é a mesma: irmãos apaixonados um pelo outro - apesar do H e da G de Maninho não serem irmãos de fato.
Espero que tenha gostado do fim, Rafa. Obrigada por acompanhar E4P até aqui. Super beijo!
ooo Anna Weasley Potter: O James e a Lily nunca saberão do Harry e da Gina, mesmo que eventualmente pensem sobre isso. Sabe aqueles pensamentos absurdos e ilógicos que às vezes temos? No máximo serão essas ideias que passarão pela cabeça deles.
Você estava certa ao dizer que Harry sofreria uma mudança, até porque ele se afastou das coisas que lhe são familiar. Assim é mais fácil para acreditar em seu futuro com a Gina.
Que mal lhe pergunte, você prestou vestibular para quê? Beijo!
ooo Ana Paula Smith: Hahaha, que bom que gostou da fic. Não só a continuei como a finalizei. Espero que tenha apreciado o fim do Harry e da Gina. Beijo!
ooo chyaros: Aí está o fim da fic! Demorei, mas publiquei-o, o que não poderia deixar de fazer. Na sua review, você disse que ainda não tinha lido Perdidos na Rotação. Espero que o faça, é minha fic favorita das que escrevi. Beijo!
ooo Pati Black: Espero que o final não tenha te desapontado, pelo menos não muito. Você disse que estava ansiosa por ele, e aí está. Obrigada por me acompanhar até aqui. Espero ainda te "ver" por aí! Super beijo!
ooo BarBara NirvaNica 4EVER: Gina e Draco? Não, a fic é H/G! Mas quem sab não podem ter algo? Isso fica para a sua imaginação, já que E4P chegou ao fim. Beijo!
ooo gatinha: Obrigada! Espero que tenha achado o fim interessante também! Beijo!
ooo leorah: Bem, não demorei tanto assim para postar desde a sua review, há duas semanas. Aqui está o fim, espero que tenha apreciado. Beijo!
ooo Anna Paula: Te matar de curiosidade nunca foi minha intenção, portanto postei o capítulo final. Espero que goste, beijo!
ooo Camille Abbott: Obrigada, Camille! Espero que o fim não tenha te desapontado, já que estava esperando-o com ansiedade. Espero que tenha sido realmente surpreendente. Beijo!
ooo julia: Que bom que nunca imaginou "ler uma história como essa", pois minha intenção sempre foi escrever uma fic diferente, sem semelhanças com o que tem por aí. Torço para que tenha gostado do fim. Beijo!
