apmp 16- i'm tired of your games

Um mês se passou e agora eu podia com toda a segurança dizer que Edward estava em um de seus terríveis e detestáveis picos de auto-isolamento, pelo menos comigo. Não sei se ele estava se esforçando ou apenas deixando aflorar mais um lado seu mas toda vez que se dirigia à mim, parecia com meu pai, ou melhor, uma versão rabujenta de um pai 30 anos mais velho que o meu. Minha mãe apenas achava graça, me dizia que era o jeito dele cuidar de mim e independente do que fosse, aquilo me irritava. Ele sabia parecer uma criança mimada fazendo birra quando queria.

Um mês também de agonia pela espera da resposta de alguma das faculdades para as quais me inscrevi, pelo menos pude relaxar, ou melhor, pude desfrutar um mês de companhia quase diária de uma Alice também de férias e louca para renovar o próprio guarda-roupas e o meu também mas não posso reclamar, foi bom.

Descia as escadas, com um vestido simples verde escuro que havia vestido. Chegando na cozinha para o café, encontro minha mãe com uma carta em mãos, mal contendo as lágrimas e um Edward incrédulo.

-...Alguém morreu?-Pergunto, estranhando e já ficando preocupada com a situação.

-Minha filha! Minha filhinha...-Minha mãe corre e me abraça.- Chegou uma carta de faculdade...A primeira...

-O QUE? ONDE?-Pergunto agitada, mal retribuindo o abraço, desesperada para pegar a carta e saber se havia sido aceita.

-Aqui.- Edward estende para mim.

-Eu fui aprovada?- Pergunto, já com borboletas no estômago. Eram só meus sonhos que estavam em jogo.

-Não sei, Bella.- Minha mãe enxuga as lágrimas.- Não abrimos, você que tem que fazer isso.

-E por que as lágrimas?-Falo com uma sombrancelha erguida, pegando a carta.

-Por que essa faculdade é na Califórnia...Do outro lado do país...-Ela volta a chorar

-Ai, mãe...-Suspiro apenas, abrindo logo o papel, não acreditando nas palavras que eu lia.- AI MEU DEUS...

-O que foi? Meu amor, essa é só a primeira, outras virão...-Minha mãe tentava me consolar

-EU FUI ACEITA! L.A. AÍ VOU EU!- Começo a praticamente pular de alegria.

-Edward...-Minha mãe se apoia nele, possivelmente já tendo dor de cabeça ou algo do gênero por imaginar a filha sozinha numa faculdade nessa cidade.

-Esme...Calma, é mérito dela...E como você disse, é só a primeira...Ela não precisa ir para essa, deve ter alguma outra com o mesmo curso e mais perto...

-O que?! Não! Essa era a que eu mais queria! Eu passei e minha conta de fundos para a faculdade dá para pagar tranquilamente a mensalidade.

-Bella, antes de mais nada, meus parabéns.- Minha mãe vem até mim e me abraça novamente.- Segundo, eu sei que sua poupança cobre tudo e mesmo que não cobrisse nós daríamos um jeito, não é dinheiro o problema...Eu só...Não esperava ver minha filhinha indo morar tão longe tão cedo...

-Mãe...Eu tenho 17 anos, quase 18 e é algo natural...Não é como se eu fosse viver de festas...

-Bella, o que sua mãe está tentando dizer é que nos preocupamos muito com você para de uma hora para outra te deixar ir sozinha para uma cidade tão grande...Claro que confiamos em você mas sim, haverão festas, rapazes e outras coisas, nós dois também fizemos faculdade.

Apenas olho para ele. Quer dizer que agora ele voltaria a ser compreensivo?

-Eu sei...Vem, vamos sair para comemorar, você merece. No caminho ligamos para seu pai, Alice e Jasper, eles vão ficar felizes também.- Ela dizia isso mas eu sabia que no fundo ela esperava que meu pai vetasse minha ida para lá, não por maldade mas ela sempre foi um pouco protetora demais

-Preferem fazer isso sozinhas?- Edward pergunta, ainda parado onde estava. Acho que ele deve ter percebido meu jeito com ele.

-Claro que não, você é da família, vem junto.- Minha mãe sorri para ele.

-Eu vou trocar de roupa então.- Sorrio, guardando minha carta preciosa no envelope e saindo da cozinha.

Ao entrar no meu quarto e fechar a porta, volto a encarar o papel. Era simplesmente a melhor carta que eu havia recebido na minha vida. Meus sonhos estavam encaminhados, juntamente com meu futuro. Receber uma notícia dessas é uma das maiores realizações que tive na vida. Eu fui capaz e boa o suficiente para entrar na faculdade que eu quis, no curso que acredito ser a minha vocação. Mas então, por que apesar do delicioso frio na barriga de quem tem todo um novo horizonte pela frente, sinto um aperto no peito como quem tem de deixar algo para trás para correr atrás desse sonho?