Olá amores!
Demorei para aparecer, huh? Mas cá estou com mais um capítulo!=D
Todo mundo gostaria de Edward né? Ele é muito fofo e compreensível. E não gente, a Vanessa não escutou nada, eu não faria isso com ela, coitada. Ia ser um trauma pra vida toda! rs
Sobre aquele telefone suspeito do 'hospital' vocês descobrirão nesse capítulo de quem era. A Esme realmente foi muito compassiva com a Bella, como sempre os Cullen são uns amores, não seria aqui que eles armariam um barraco, exceto pela Alice, rs...
Nesse capítulo também nós vamos descobrir qual é o 'problema' do título e tem a ver com a Rosalie...
Vou parar de falar e deixar vocês lerem...
Ah, obrigada por todas as lindas reviews!! E boas vindas aos novos leitores...
Nos vemos lá embaixo...
Capítulo XXVII: Trouble
Edward POV
Despertei sentindo pequenos beijos depositados em meu pescoço e aos poucos iam subindo para o meu rosto. O cheiro de Bella me fazia tão dependente que eu podia ficar o dia todo sentindo aquele aroma de morangos que vinha de seu cabelo. Sentia seus dedos macios e suaves percorrendo meu peito, causando arrepios em todo meu corpo.
- Assim eu vou ficar mal acostumado. – resmunguei, ainda de olhos fechados – Vou querer acordar assim todos os dias. – completei.
- Eu prometo fazer isso todos os dias. – a voz límpida e suave me fez abrir os olhos e achar dois olhos cor de chocolates, brilhantes e me encarando, cheios de paixão.
- Eu vou cobrar. – falei, sorrindo enquanto ela se espreguiçava em meus braços – Estou com fome. – resmunguei, bocejando – Vamos tomar um café? – sugeri, beijando-a preguiçosamente.
- Eu posso fazer alguma coisa, vamos lá. – ela disse animada, estalando sua mão em minha perna.
- Você cozinhando? – sibilei, desacreditado – Ah, eu vou querer ver, com certeza. – levantei, procurando minha roupa que estava espalhada pelo quarto.
- Isso é seu. – ela gargalhou pegando minha boxer que estava no chão e jogando em mim – Cozinho melhor que você. – apontou o dedo em meu rosto.
- Qualquer um cozinha melhor que eu. – mordi seu dedo.
Ela bufou, dando as costas para mim e saiu do quarto. Terminei de me vestir e antes de descer passei no quarto de Vanessa que estava vazio, provavelmente ela já estava na cozinha com a mãe. Desci até a cozinha e as duas estavam lá, as mulheres da minha vida. Vanessa estava sentada no balcão olhando Bella girar as panquecas no ar, gargalhando.
Aquela cena me fez lembrar das outras mulheres da minha vida. Alicia, Jessica e minha outra Vanessa, tinha que ligar para elas e saber como andavam as coisas. Fazia algum tempo que não recebia notícias de Alicia e isso não era bom. Justo nesse período, perto do dia que seu marido morrera.
- Paaaai, vem aqui. – Vanessa gritou de dentro da cozinha, ela mal notara que eu estava encostado no batente da porta, observando-as. Caminhei até ela que sorria e quase pulava de felicidade – Eu que fiz essa panqueca, come. – quase enfiou o garfo em minha goela junto com a comida.
- Vanessa, devagar. – Bella repreendeu-a.
- Muito bom. – falei, tirando o garfo da minha boca e mostrando uma cara harmoniosa para Vanessa – Acho que você já pode montar um restaurante, ficou muito bom. – acrescentei e ela gargalhou, seu rosto vermelho.
Ela pulou em meu colo e deu um beijo estalado em minha bochecha, depois desceu e saiu correndo para a sala dizendo que ia assistir televisão. Bella continuava a fazer nosso café quando eu a abracei por trás e beijei seu pescoço. Senti seu corpo vibrar numa risada.
- Eu te amo. – murmurei em seu ouvido.
- Nossa, você está mesmo meloso. – Bella falou, virando seu rosto e dando um selinho em mim – Eu também te amo, agora pode me soltar? – reclamou, com a jarra de leite quente nas mãos – Vou acabar te queimando. – reclamou, passando por mim.
- Tem certeza que posso comer isso? – perguntei, roubando uma das suas panquecas – Se eu cair morto aqui fique sabendo que a culpa será toda sua. – provoquei, dando um tapa em sua bunda quando ela passou por mim, bufando, o que a fez ficar mais irritadiça ainda.
- Eu não teria tanta sorte. – ela retrucou, piscando em minha direção.
- Claro que não, a sua sorte maior foi ter me encontrado. – sibilei, convencido.
- Vá à merda. – ela gargalhou e eu a puxei pela cintura, beijando seus lábios vagarosamente.
Durante todo o café o clima estava alegre e descontraído, Vanessa era uma figura e tudo o que ela falava me fazia gargalhar. Ela era muito avançada para a sua idade, sempre inteligente e sabia como irritar Bella melhor que eu.
Depois que terminamos, Bella precisava ir para o trabalho e Vanessa para o colégio, claro que eu fiquei de motorista já que ainda não estava realmente empregado no hospital. Deixei Bella na redação da revista onde ela trabalhava e depois me dirigi para a escola de Vanessa.
Parei em frente ao colégio e ela saltou do carro, quase pulando. Resolvi acompanhá-la até a porta de sua sala e ela não fez nenhum objeção a isso, pelo contrário, ela quase me arrastou para dentro da sala de aula junto com ela, mas eu disse que não poderia ficar e ela entendeu.
- Pena que minha professora não está aqui, eu queria que você a conhecesse, ela é legal. – comentou, um pouco aborrecida.
- Não tem problema, outro dia eu passo aqui e você me apresenta, tudo bem? – perguntei, passando a mão em seus cabelos ruivos, bagunçando-os.
Ela assentiu e entrou para a sala. Saí dali e segui em direção à saída, estava tão distraído que mal notei quando uma mulher parou repentinamente em minha frente. Pisquei algumas vezes até perceber Gabriella, estupefata e parada em minha frente. Eu também fiquei surpreso, na verdade, eu estava sem reação nenhuma, não sabia o que fazer.
- Quem é vivo sempre aparece. – Gabriella disse, sorrindo – Ontem você mal me deixou falar ao telefone. – ela reclamou, com um sorriso triste em seus lábios. Ainda sim ela mantinha uma distancia considerável de mim.
- Er... eu estava ocupado. – murmurei, ainda surpreso por encontrá-la aqui – Não podia atendê-la. – completei.
- Você arrumou outra mulher, Edward. – não foi uma pergunta e eu podia ver ser olhar decepcionado ante a sua afirmação – Quem é? – indagou, sua voz um pouco tremida.
- Isso não é hora nem lugar, Gabriella. – falei, seco.
- Se você não falar comigo hoje eu sei que nunca mais falará comigo de qualquer jeito. – retrucou – Aliás, o que você numa escola primária em Nova York, Edward? Você mora a três milhas* daqui Edward, em Los Angeles. – ela sibilou, curiosa e frustrada.
- Gabriella, nós podemos, pelo menos, sair daqui? Conversar em outro lugar que não seja num corredor de uma escola? – perguntei, exasperado, minhas mãos corriam por meu cabelo, desalinhado-os ainda mais.
- Não posso, estou a caminho de uma aula, Edward. – ela resmungou, seus braços cruzados em frente ao corpo – Eu só quero saber isso, depois eu prometo que te deixo ir embora sem maiores confusões. – ela murmurou, levantando uma sobrancelha e o lado esquerdo de seus lábios se arquearam num sorriso malicioso
- Tudo bem. –suspirei derrotado, sabia que ela não me deixaria em paz enquanto eu não o fizesse – Eu estou aqui porque vim trazer minha filha ao colégio. – pude ver sua boca se abrindo em um pequeno "o" e lhe faltaram palavras – Sim, eu tenho uma filha.
- Mas como? – ela balbuciou – Não pode... mas você... ela... quem... – ela não conseguia formar uma frase completa ou que fizesse sentido. Sua boca se abriu e ela ensaiou alguma coisa por uns cinco minutos, mas depois voltou a fechá-la.
- Eu disse que esse não era o melhor momento para falarmos, Gabriella. – resmunguei, bravo – Mas agora você vai querer uma explicação. – resmunguei novamente, a puxando pelo braço e a levando para uma sala vazia que estava próxima de nós dois. Abri a porta bruscamente e entramos – Eu nunca te contei isso, Gabriella, mas eu fui casado, antes de conhecer e ainda sou casado, nunca cheguei a me separar perante à lei. – falei e ela escutava atentamente, sua expressão era totalmente de surpresa – E ela foi um dos motivos pelos quais eu mudei para Los Angeles, ela me abandonou, ela fugiu enquanto éramos casados e isso me deixou totalmente perdido. – respirei fundo.
- Ela estava grávida. – Gabriella sibilou, seus olhos estavam marejados – E você vai voltar para ela. – não foi uma pergunta.
- Já o fiz. – murmurei.
- Eu preciso ir para a sala de aula, as crianças estão me esperando. – falou, ajeitando sua roupa e limpando as lágrimas de seus olhos – Adeus. – murmurou, sem olhar em meus olhos.
A segurei pelo antebraço.
- Você quer conversar sobre isso? – perguntei, sentindo pena em vê-la nesse estado.
- Me solta, Edward. – sibilou e eu soltei.
- Se você precisar de qualquer coisa você pode me ligar. – falei, vendo-a sair.
É, eu tinha o dom de estragar a vida das outras pessoas.
Bella POV
Cheguei à redação, mal conseguia fazer tudo que o Peter estava pedindo, eram tantas coisas a serem editadas para que a revista chegasse as bancas na data prevista que eu queria que me desdobrar em duas para fazer tudo o que estava sendo jogado em minha mesa.
Carmem resolvera, justo hoje, ficar doente e uma outra – incompetente, diga-se de passagem – veio em seu lugar. Eu estava quase arrancado os meus cabelos com a pinça quando meu celular tocou. Peguei-o e no visor o número não identificado piscava incessante.
- Alô. – murmurei, meio distraída, digitando uma matéria.
- Bella? – a voz de Alice me fez quase derrubar o telefone – Está podendo atender? Posso ligar mais tarde se você quiser. – acrescentou, rapidamente.
- Não, posso falar, Allie. – disse, feliz por Alice estar ligando por vontade própria para Bella – Está tudo bem?
- Oh sim, está tudo bem. – falou – Eu estou ligando para saber se você gostaria de almoçar comigo, se você estiver disponível, claro. – Alice como sempre muito cuidadosa.
- Tudo bem, estou disponível sim. – confirmei – Você pode passar aqui e depois nós iremos para o restaurante que você escolher. – sibilei, sorrindo – Eu saio meio-dia.
- Ok, estarei aí. – murmurou – Até daqui a pouco.
- Até. – respondi e ela desligou, logo em seguida.
Aquele almoço seria no mínimo tenso depois daquela briga de ontem. Alice e eu tínhamos muitas roupas para lavar, nós duas precisamos nos entender. Eu não agüentava mais aquela Alice que não gosta de nada nem de ninguém, aquela não tem piedade ou dó das outras pessoas. Eu queria minha amiga de volta, do jeito que ela era há algum tempo atrás. E eu tinha que conseguir isso.
Continuei o resto da manhã trabalhando e fazendo milhares de coisas ao mesmo tempo, realmente minha assistente chata fazia falta, adorava a organização dela, porque eu sempre me perdia em tamanha bagunça e a substituta não sabia fazer de um jeito que não deixasse pior do que já estava.
Até a hora do almoço eu consegui fazer um pouco mais da metade do que eu tinha que fazer, aquilo estava muito bom, mas em outros tempos eu já teria terminado. Saí para fora da redação, encontrando Mike Newton no elevador, sim ele mesmo. Aquele mesmo que eu conheci em Forks que fora meu primeiro namorado. E também minha primeira decepção amorosa.
- Oi Bella. – ele disse.
- Oi Newton. – respondi, como sempre eu tratava de ignorá-lo. Ele não merecia nem que eu falasse com ele, canalha.
- Bella, eu estava pensando se nós... – não deixei ele terminar aquela frase.
- Não, não vou sair com você, seu brocha. – por sorte a porta do elevador se abriu e eu saí, ainda praguejando contra o cretino.
O Porshe amarelo de Alice já estava parado em frente à saída da redação, agradeci silenciosamente. Entrei no carro e Alice sorriu para mim. O caminho até o restaurante, que era perto foi silencioso, ninguém se atreveu a dizer nada e a tensão no ar era palpável. Deixamos o carro no estacionamento do restaurante e seguimos para dentro, nenhum de nós duas falou qualquer coisa.
A hostess nos colocou em uma mesa, afastada, exatamente para que pudéssemos conversar sem sermos motivo de toda atenção no recinto. Esperamos que a moça saísse e Alice abriu a boca para falar algo, mas a fechou novamente.
- Me desculpe. – ela sussurrou após alguns segundos, olhando em meus olhos – Eu não queria te ofender dizendo todas aquelas coisas ontem à noite, eu sinto muito, Bella, mas eu perdi o controle da situação. – sibilou, sua voz era quase uma súplica.
- Alice, eu não vou dizer que fiquei feliz com o que eu escutei ontem, ninguém gosta da verdade sendo jogada em sua cara do modo como você o fez. – suspirei, olhando nos olhos verdes de Alice – Mas você falou tudo o que eu precisava ouvir Alice. Antes eu não pude ver, mas agora eu vejo e me arrependo muito de todas as merdas que eu fiz no passado. – comentei.
- Mas ainda sim eu não tinha o direito, Bella. – resmungou – Por isso eu peço desculpas.
- Eu também preciso lhe pedir desculpas, Alice. – murmurei – Você era minha melhor amiga e eu não tinha nenhum direito de fazer isso com você, você sempre esteve do meu lado quando eu precisei e eu deveria ter lhe telefonado, deveria ter feito o mínimo que fosse para você não ficar sozinha. – suspirei, triste.
- Bella, nós duas erramos, eu sei disso perfeitamente. – Alice disse, séria – Mas eu não quero ficar remoendo isso mais, quero fazer igual ao meu irmão e seguir em frente, ninguém vive somente do passado. – seus olhos estavam marejados – Eu quero minha amiga de volta e agora eu entendo o que você sentiu, Bella, porque eu também serei mãe. – uma lágrima escorreu por sua bochecha quando disse isso.
- Alice, meu bem. – eu sorri entre as lágrimas que também desciam por meu rosto – Uma criança na sua vida e de Jasper será um presente. Vocês merecem isso, aposto como Jasper está feliz... – não consegui me segurar e levantei para abraçá-la.
- Estou tentando me acostumar a essa ideia. – ela murmurou, depois que eu a soltei do abraço e voltei para o meu ligar – Eu não queria esse filho, Bella, não é porque eu tenho medo que Jasper vá ou não aceitar, porque eu o conheço muito bem e sei que nunca faria isso comigo, mas eu nunca estive empolgada em ser mãe... – sua voz era apenas um sussurro e ela não olhava em meus olhos, ela estava envergonhada pelo o que estava dizendo.
- Não se preocupe, Alice, você será uma boa mãe. – incentivei, acariciando sua mão por cima da mesa – Toda mãe de primeira viagem sente esse tipo de insegurança, mas ser mãe é um privilégio tão compensador que você vai gostar da experiência. – falei, fazendo-a sorrir.
- Eu prometo melhorar em relação a isso. – sorriu, realmente querendo sorrir – Só preciso me acostumar com essa ideia e esquecer todo a neura da minha cabeça. – ela acariciou minha mão – Vamos comer, estou morta de fome. – gargalhou e eu concordei.
- E eu prometo te ajudar nisso. – ela assentiu, seus olhos brilharam de felicidade.
- Obrigada Bella, eu te amo. – murmurou.
- Eu também te amo, Allie. – falei, dando risadas.
- Isso ficou tão meloso. – ela fez uma cara de nojo e logo após estávamos gargalhando novamente.
Conversávamos e colocávamos toda nossa conversa de anos em dia, Alice estava tão radiante e mudada, agora sim parecia a minha Alice dos tempos de Forks. Estava tão entretida na conversa que quando meu celular tocou, eu quase pulei de susto, peguei o celular e vi que era Rosalie.
- Oi Rose. – atendi, animada.
- Bella? – sua voz era apenas um fio – Você pode vir até aqui, estou precisando de você. – sua voz falhou várias vezes durante a frase – Por favor? – ela desabou no choro.
- Tudo bem, querida, estou indo. – falei, minha voz soava muito séria.
Desliguei o telefone e Alice me olhava curiosa.
- Alguma coisa aconteceu com Rose, pode me levar até o meu apartamento? – perguntei e ela já estava chamando a hostess para fechar a nossa conta.
Alice saiu em disparada pelas ruas, indo o mais rápido que podíamos. E a voz de Rosalie ao telefone não saia de minha cabeça parecia que ela estava... sofrendo. Chegamos ao meu apartamento em dez minutos. Subimos rapidamente, pela escada mesmo, abri a porta com os dedos tremendo e quando dei a primeira olhada em meu apartamento foi um susto.
Estava todo revirado, os moveis menos jogados pelo chão, a televisão estava espatifada perto da estante onde ela ficava. Estava horripilante, parecia o palco de alguma briga entre brutamontes. Pulando algumas coisas largadas no chão, segui até o quarto de Rosalie, o resto da casa estava no mesmo estado ou pior que a sala.
Entrei no quarto de Rosalie e a notei, espremida entre a cama e uma cômoda, estava sentada no chão frio, abraçando seus joelhos e escondendo o rosto entre as pernas. Seu longo cabelo loiro estava bagunçado e tinha uma aparência maltratada.
Cheguei até ela, que levantou o rosto para mim e, então, a raiva tomou conta de todo o meu corpo. Seu rosto estava cheio de hematomas e coberta de sangue, já seco. Seus braços também tinham vários hematomas roxos e grandes. Ela se jogou em meus braços e eu tomei cuidado para não apertá-la demais.
Seu choro silencioso molhava minha camisa e eu afagava seu cabelo. Ela estava desolada e eu estava com muita raiva que eu poderia matar aquele bastardo, eu tinha certeza que fora ele quem fez essa atrocidade contra ela. Todas as flores que ele lhe mandava todos os dias tinham um motivo sádico e doentio. Cada vez que ela apanhava dele queria se desculpar e sempre a convencia a voltar com ele.
Pude ver o rosto horrorizado de Alice na porta do quarto olhando aquela cena e logo depois pegou seu celular, discando rapidamente algum número. Eu queria fazer os devidos curativos em Rosalie, mas eu sabia que havia alguns ferimentos graves. Com delicadeza, levantei-a e a guiei-a para o banheiro, precisava limpar o rosto para saber exatamente onde estava o ferimento.
Sentei-a no vaso sanitário e peguei uma toalha úmida, comecei limpar seu rosto com suavidade, não querendo forçar seu rosto frágil e dolorido. Seu olhar estava vazio e apenas as lágrimas escorriam por seu rosto, nenhuma palavra foi dita. Ela me deixou limpar os locais onde tinha sangue.
Não demorou muito para que Edward entrasse no banheiro, me assustando. Ele estava com uma expressão séria e fria, em suas mãos ele trazia uma maleta com suas coisas.
Ele se ajoelhou na frente de Rosalie e aos poucos ia fazer os curativos, escondendo as marcas deixadas por aquele monstro. Rosalie ainda continuava inexpressiva, às vezes, conforme Edward ia mexendo nos machucados um lampejo de dor passava por seus olhos, mas era rápido demais. Deixei Edward fazer seu trabalho e fui para a sala, me surpreendendo ao ver Emmett e Alice conversando aos sussurros.
- Eu sei quem fez isso. – murmurei, eles olharam imediatamente para mim – Só preciso que ela confirme, mas eu tenho certeza que o namorado dela fez essa monstruosidade. – sibilei, raivosa.
- Será que ninguém escutou? – Alice indagou, possessa – Não é normal você escutar tudo sendo quebrado e achar que é normal, olha o estado desse apartamento, aposto que isso gerou o mínimo de barulho suspeito. – afirmou, indignada.
- Eu não sei, Alice. – falei – Aqui é um apartamento por andar e o de cima só tem gente nas férias e eu no andar debaixo mora o Jacob, ele não está em casa hoje, está viajando. – expliquei – Seria muito difícil alguém escutar qualquer coisa nessa situação. – disse-lhe, séria.
- Não importa, Alice, já está feito. – Emmett se pronunciou, seus olhos estavam raivosos – Eu farei de tudo para colocar esse canalha na cadeia e não haverá dinheiro no mundo que o tire de lá, ou eu não me chamo Emmett Cullen. – esbravejou.
Ninguém disse mais nada, Emmett estava mais do que certo e eu o apoiaria em qualquer coisa pra colocar esse homem atrás das grades. Nós começamos a arrumar o apartamento, Emmett ajudou pegando as coisas mais pesadas, realmente, tinha feito um belo estrago no apartamento.
Edward apareceu algum tempo depois, seu rosto ainda era frio e revoltado.
- Ela precisa descansar. – avisou para mim.
- Eu vou levá-la para o quarto. – disse, correndo para o banheiro e encontrando-a aos prantos novamente – Vamos, meu bem, vou te levar para descansar um pouco. – acalmei-a.
Coloquei-a no meu quarto que era o menos destruído, talvez porque estivesse trancado. Deitei-a na cama, sua aparência era deplorável e digna de dó. Ela deitou em meu colo assim que eu sentei na cama ao lado dela.
- Foi o Royce. – ela sussurrou.
- Eu sei. – eu murmurei.
- Obrigada por tudo, Bella. – ela sibilou, a voz entrecortada.
- Rose, você é minha melhor amiga e isso é o mínimo que eu posso fazer por você.
- Obrigada mesmo assim, seria horrível sem você aqui. – disse Rosalie com a voz falhando.
- Eu sempre estarei aqui. – murmurei, acariciando seus cabelos.
- Chama o Emmett aqui? – perguntou, sonolenta.
- Claro. – falei, colocando-a apoiada em seu travesseiro.
Saí do quarto olhando a frágil mulher em minha cama, quase adormecida. Meu estomago se revirava em pensar o que ela tinha sofrido hoje mais cedo. Corri até a sala e Emmett conversava com os irmãos.
- Emmett, ela está te chamando. – avisei, ele quase foi correndo até o quarto.
Fui até Edward e sentei em seu colo, encostando a cabeça em seu ombro e ele acariciou minhas costas, beijando o topo de minha cabeça. Ele estava tenso, Edward como qualquer pessoa em sã consciência odiava violência e ainda mais violência contra uma mulher. Fiquei sentada em seu colo vendo Emmett entrar em meu quarto, deixando-os ter seu momento a sós.
Dando-lhes a privacidade que mereciam.
Emmett POV
Estava tão revoltado com aquela situação que eu podia matar o desgraçado com as próprias mãos e ainda não seria o suficiente para me acalmar. Era muita covardia dele agredir uma mulher dessa maneira, ainda mais agredir Rosalie que nunca machucaria alguém. Quando Bella me disse que ela me chamava meu coração deu um salto dentro do peito, ela não se esqueceu de mim, assim como eu não esqueci dela em nenhum momento de minha vida.
Entrei no quarto numa quase penumbra, avistando o pequeno corpo na cama, encolhido em posição fetal. Nem de longe parecia a minha Rosalie. Cheguei até a beirada da cama e sentei de leve tentando não acordá-la, mas para minha surpresa ela ainda não tinha adormecido e assim que eu sentei, ela se arrastou para perto de mim. Seus braços finos enlaçaram minha cintura, assim como seu corpo que se arrastava para cima do meu.
Rodeei-a com meus braços, como se quisesse protegê-la. Ela aninhou sua cabeça em meu peito, aspirando profundamente, me acomodei no centro da cama e tentei deixá-la mais confortável para que dormisse, mas ela se recusou, continuou em meu colo, espremida contra mim.
- Quero ficar assim. – ela murmurou, colocando o rosto na curva de meu pescoço.
- Tudo bem, minha Rose. – sussurrei, acariciando seu cabelo.
- Obrigada, ursão. – ela tentou dar uma risada, mas desistiu, provavelmente sentiu dores.
- Disponha, ursinha. – murmurei contra seu cabelo.
Depois de um tempo, apenas acariciando seus cabelos com delicadeza, pude sentir sua respiração ficar lenta e pesada. Ela tinha dormido. Respirei fundo, sentindo o perfume dela, ainda como havia guardado em sua memória, me atingir, fazendo que com que suspirasse pesadamente.
Faria tudo para fazê-la feliz novamente.
Bella POV
Ainda estávamos na sala quando algum tempo depois Emmett saiu de meu quarto, sozinho. Seu rosto estava tenso, porém estava controlado.
- Ela dormiu, quando ela acordar eu faço questão de levá-la para dar queixa. – disse, sério – Eu posso passar a noite aqui com ela, se você não se incomodar, não quero que aquele canalha volte aqui e surpreenda vocês durante a noite. – explicou.
- Claro, Emm. – concordei, levantando do colo de Edward – Nós vamos até casa de seus pais pegar a Vanessa e depois vamos para casa, qualquer coisa que ela quiser pode me ligar, não importa o horário. – falei, séria.
- Obrigado por me deixar ficar ao lado dela. – Emmett murmurou, sua voz cheia de emoção.
- Eu que tenho que agradecer, ela precisa de você aqui. – sorri, abraçando ele.
Ele riu baixo, retribuindo o abraço. Alice e Edward saíram e eu os segui, todos estavam calados e o ar estava pesado. O silêncio sepulcral permaneceu até que chegamos na casa dos Cullen e Vanessa apareceu sendo carregada por Jasper, os dois gargalhavam.
- Mãe! Pai! – ela exclamou assim que nos viu. Jasper a colocou no chão e ela veio correndo e pulou nos braços de Edward – Achei que vocês iam me deixar morando aqui. – falou, beijando meu rosto.
- Você acha que ia se livrar de mim assim tão facilmente, bebê. – Edward fez questão de enfatizar a última palavra, Vanessa soltou um muxoxo, respirando fundo.
Ficamos algum tempo lá, até contarmos tudo para Esme e Carlisle enquanto Alice e Jasper distraiam Vanessa. Esme e Carlisle ficaram chocados com toda a história, Esme queria trazer Rose para cá de qualquer jeito, ela queria cuidar de Rose. Entretanto, a convenci que era melhor que ela descansasse hoje e esperássemos até que ela quisesse falar sobre isso conosco.
Chegamos em casa e Vanessa não demorou muito para dormir no sofá da sala, assistindo televisão. Edward a levou para o quarto dela, ajeitando-a na cama, eu estava no quarto, mandando algumas coisas para o editor da revista.
- Vou tomar um banho. – Edward informou, jogando na mesinha de cabeceira seu celular, a chave do carro e sua carteira.
Assenti, vendo de relance ele tirando a camisa e entrando no banheiro. Soltei uma risadinha, balançando a cabeça e voltando a fazer o que eu tinha que fazer. Poucos minutos depois do celular de Edward tocou.
- Bella, você pode atender? – Edward gritou no banheiro.
- Claro. – respondi, me arrastando pela cama até o celular. Peguei o pequeno aparelho e em sua tela piscava o nome 'Alicia', sem pensar duas vezes atendi a chamada – Alô. – falei, um pouco seca.
- Ed? - a voz feminina doce disse do outro lado da linha.
- Não, aqui é a Bella. – falei, querendo saber quem era a mulher.
- Oh, oi Bella. - a moça disse como se já me conhecesse há muito tempo – Aqui é Alicia, uma amiga de Edward de Los Angeles. – explicou, bastante animada – Ele está?
- Ele está no banho. – resmunguei, mordendo meus lábios, inconfortável com aquela conversa.
- Ah, hum... você pode pedir para ele me ligar depois? – perguntou, eu podia sentir um sorriso em sua voz – Fale que é importante e que estamos morrendo de saudades dele. – disse, com uma voz irritantemente doce que afetava meus tímpanos.
- Pode deixar que eu aviso, Alicia. – respondi contra minha vontade.
- Obrigada, Bella. – sibilou – Foi um prazer falar com você. – sua voz estava cheia de animação, a qual que não entendia.
- Foi um prazer. – repeti, ironizando – Até mais.
- Tchau Bella. – ela disse e eu desliguei o telefone.
Joguei o celular de volta onde estava antes e me joguei de costas sobre os travesseiros que estavam ali. Fazendo uma careta me perguntava quem era a mulher. Talvez ela fosse alguém que Edward estivesse tendo um relacionamento antes deles voltarem. Talvez fosse uma amiga. Eu não fazia ideia, mas o ciúmes estava tomando conta de meu corpo.
Edward saiu do banheiro, enrolado em sua toalha, aquela cena me fez resfolegar, como sempre, mas dessa vez eu desviei o olhar e voltei ao meu trabalho. Pelo canto dos olhos o observei passando por mim e indo até o guarda-roupa.
- Quem era? – perguntou, um pouco desinteressado.
- Alicia. – respondi tentando não transparecer minhas emoções – Ela disse para você ligar para ela e que era importante. Ah, ela também disse que estava com saudades de você. – foi impossível não perceber a ironia na última frase.
- Bella... – ele suspirou, eu não olhei para ele.
Ele trocou de roupa tranquilamente, depois veio até mim e pegou o notebook que estava em meu colo, fechando-o e colocando na cômoda. Olhei para ele que estava com o rosto tranquilo que me deixava calma.
- Posso explicar? – perguntou, levantando meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos, assenti e ele continuou – Alicia não é nada do que você está pensando, eu juro para você, Bella. – ele murmurou, sério – Ela é apenas uma grande amiga minha, eu fiz o parto da filha dela e ela me escolheu como padrinho da Vanessa. – explicou.
- O nome dela é Vanessa? – perguntei, surpresa.
- Sim e por mais difícil que seja de acreditar, eu que escolhi o nome da menina. – sorriu, acariciando meu rosto suavemente – E só para isso ficar ainda mais inacreditável, elas nasceram no mesmo dia, no dia do seu aniversário. – murmurou, sorrindo bobamente – Alicia é só uma amiga, ela nunca quis nada além disso comigo e eu também nunca quis mais nada do que nossa amizade, ela me ajudou muito, sempre. – Edward disse e eu me senti mal imediatamente, eu sabia o porque ele tinha se sentido mal.
- Desculpa, eu só... – eu nem conseguia terminar a frase.
- Tudo bem, minha esposa ciumenta. – ele riu, beijando meus lábios rapidamente – Eu só quero que você saiba que eu não estou e nunca vou te trair, eu te amo. – as palavras dele me atingiram e eu mordi os lábios para não chorar.
- Eu também te amo. – minha voz saiu esganiçada.
Ele sorriu, me beijando lentamente, aproveitando cada segundo daquele momento à sos. Ele se acomodou na cama, levando-me consigo, ele deitou ao meu lado, com as mãos em minhas costas me puxando para mais perto. Minhas mãos brincavam com o cabelo dele, meus dedos se deliciando com a textura suave dos fios cor de bronze.
- Estou cansada. – murmurei, sorrindo.
- Tudo bem, vamos dormir então. – ele concordou, nos cobrindo com o edredom.
Eu bocejei novamente e ele me puxou para mais perto de seu corpo, me aconcheguei ali sentindo o cheiro de seu perfume. Ele acariciava meu cabelo e murmurava minha canção de ninar, rapidamente fui arrastada para um sono profundo.
Edward POV
Acordei sozinho na cama, escutei Bella cantarolando desafinada no banheiro e o barulho da água caindo, senti uma vontade imensa de tomar um banho junto com ela, mas olhei para o relógio e percebi que estava atrasado, hoje era o meu primeiro dia no hospital onde eu consegui um emprego.
Troquei de roupas rapidamente e desci para a cozinha, preparando as coisas mais fáceis para o café da manhã, afinal eu não sabia cozinha muito bem. Vanessa desceu saltitante com seu uniforme escolar e seu casaco de frio.
- Você que está cozinhando hoje? – perguntou, rindo.
- Sim, mademoiselle. – falei, e ela me olhou desconfiada.
- O que significa isso? – perguntou, curiosa.
- Senhorita. – respondi, colocando uma xícara de leite quente em sua frente.
- Legal, que língua é essa?
- Francês, querida. – respondi, tomando um gole de café fumegante, aquecendo cada parte por onde passava.
- Você me ensina a falar francês? – perguntou, animada. Por alguns instantes vi Alice em minha frente.
- Um dia, mon amour. – murmurei, rindo – É muito difícil e leva tempo. – expliquei quando ela fez um bico.
- Ta né? – resmungou, fazendo uma careta e olhou para o copo em sua frente – Eu não tomo leite, lembra? – sua voz estava cheia de ironia.
Eu dei um sorriso envergonhado e ela caiu na gargalhada enquanto eu tirava o copo de perto dela. Bella entrou na cozinha já arrumada para o trabalho, quando passou por mim seu perfume de morango me fez suspirar.
- Você quer café, Vanessa? – Bella perguntou, colocando uma xícara vazia em sua frente. Ela assentiu e Bella encheu a xícara.
- Eu esqueci que ela tinha alergia a leite. – comentei, envergonhado.
- Tudo bem, amor. – Bella me acalmou – Ela sabe que é alérgica, ela sempre vai lembrar você. – ela sorriu, juntando nossos lábios num beijo rápido.
Depois do café, levei Bella para o trabalho e depois deixei Vanessa em sua escola, desejando não encontrar com Gabriella em algum canto do colégio. E não encontrei. Segui para o meu trabalho pensando em comprar um carro para que Bella não ficasse tão dependente de mim.
Cheguei ao hospital com alguns minutos de sobra, logo conheci a diretora do hospital que me apresentou a todos e fez explicou como funcionavam as coisas, não era muito diferente de todos os outros hospitais que trabalhei.
Encontrei Carlisle algumas vezes pelos corredores, mas nunca tínhamos tempo para parar e conversar mais que dois minutos. O dia estava um pouco corrido hoje. Pela tarde Alice me ligou dizendo que buscaria Vanessa no colégio e também avisou que Emmett havia levado Rose até a delegacia, e ela tinha dado queixa de Royce.
Meu turno estava quase acabando quando meu celular vibrou em meu bolso. A primeira pessoa em que pensei foi Bella, mas quando atendi fiquei surpreso ao escutar a voz de Alicia do outro lado da linha.
- Edward? – ela perguntou, cautelosa, talvez pelo modo como eu suponho que Bella deva ter falado com ela ontem.
- Olá Alicia. – falei, animado – Tudo bem, querida?
- Oi, Ed. – ela suspirou – Estou bem, mas preciso conversar com você. – ela disse, respirando pesarosa – É importante. – acrescentou.
Entrei em uma das salas vazias e sentei-me na beirada de uma cama vazia, preocupado com o que ela tinha a dizer.
- Pode falar, Alicia. – murmurei, passando a mão em meus cabelos, nervoso.
E então, o que acharam desse capítulo?
Edward, Bella e Vanessa, finalmente convivendo como uma família, não é lindo?
Alice começando a se redimir...
Rosalie sofrendo com violência do namorado e não contando para ninguém, foi tenso e o Roye foi um canalha!
Emmett mostrando que ama a Rose e ama muito, até teve direito a um POV, o que vocês acharam?
Bella cheia de ciúmes da Alicia, será que ela realmente será um problema na vida deles?
E o que será que a Alicia tem para dizer? Façam suas apostas, rs...
Falem tudo o que acharam desse capítulo lá nas reviews!
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Beeijos, May
