Uma das outras muitas coisas ruins de se fazer aniversario em Dezembro, de preferência na véspera da véspera do Natal como eu, é que você pode muito bem passar o dia no shopping comprando presentes que não são para você.
Scorpius estava na brinquedoteca, acredite ele é um amor de pessoa, mas pode ser muito irritante quando esta entediado, por isso meu pai pagou duas horas e meia de diversão para ele. E eu? Bem, eu estou na livraria com minha tia Bellatrix, ela é uma mulher um tanto extravagante e até louca como diz mamãe, mas ela é fiel a família até o ultimo fio do cabelo preto dela.
Discretamente eu via a prateleira de contos eróticos, mais especificamente os gays. Minha imaginação ia longe depois que eu lia um desses, principalmente porque eu me transformava no personagem e podia me ver claramente na situação de prazer e luxuria. Peguei um sobre meu tema favorito, cawboy...ahhh adoro imaginar um homem alto, com botas e chapéu, calça jeans apertada e camisa xadrez. A pele bronzeada pelo trabalho, o corpo grande e musculoso...hum...de preferência com cabelos pretos e olhos verdes...posso até imaginar o gosto dele em meus lábios e..
- Você vai levar isso? – minha tia perguntou, observando a capa do livro por cima do meu ombro – Já leu os sobrenaturais? São ótimos...imagina você numa floresta com um homem lobo? Pode imaginar o quão bom isso pode ser? – Minha mãe estava certa...minha tia era louca.
- Tia Bella, esses livros são de contos gays – eu sussurrei, sem antes olhar em volta para ver se não tinha ninguém ouvindo.
- Dãã eu percebi isso, só porque eu não sou um homem gay, não significa que eu não possa ler contos destinados há homens gays. Eu gostos de homens oras..e..se eu fosse um homem, eu seria gay então não a nada que me impeça de ler esses livros. – ela jogou seu longo cabelo cacheado para trás e o amarrou com um fita de cetim.
- Agora seu danadinho... – ela beliscou meu nariz – Pegue três desses ai, que eu vou te dar de presente.
Eu estava lendo uma revista sobre fotografia, meus três livros bem escondidos no funda da cesta, quando eu olhei pela vitrine...quando eu olhei pela vitrine...ohh Deus...o homem dos meus sonhos estava do outro lado.
Harry James Potter, 25 anos, professor substituto de Historia no Colégio Municipal de Dunstable...meu professor...o cowboy de minhas fantasias. Pelo que eu sei ele era ex-jogador de basquete da liga semi-profissional, eu tinha entorno de um metro e setenta e alguma coisa e ele deveria passar dos um e noventa, eu mal chegava no seu ombro. Harry tinha um estilo rock'n roll, com seus jeans surrados, jaqueta de couro e coturnos. Harry tinha um brinco na orelha direita e dirigia uma Harley barulhenta e poderosa. Toda vez que eu o via montado na moto eu acreditava piamente que ele era um Deus, imortal, onipotente e inalcançável.
Eu me escondi com a revista e lentamente fui andando pela loja, acompanhando seus passos. Ele entrou na loja de discos, pendurou seu capacete no ante-braço, reparei na corrente de prata na sua perna direita, ela começava na frente e terminava no bolso, talvez fossem suas chaves. Tia Bella se aproximou lentamente ao meu lado, se escondendo com a revista também, ela espirou Harry um instante e então riu.
- Ele não faz o estilo cowboy – comentou virando uma pagina.
- Não mas ele é tão...
- Único? – ela completou para mim – Porque você não vai la e fala com ele?
- Por Deus Tia, ele é meu professor e é oito anos mais velho que eu, e eu duvido muito que ele vá ficar com comigo, um menor de idade, homem e seu aluno – eu respondi um pouco histérico.
Ela me empurrou com um movimento do quadril e falou com uma voz sedutora.
- Querido, quem arrisca não petisca e seu fosse você já teria caído... Não... Me jogado na rede daquele ali – ela me olhou e mexeu a sobrancelha de forma sugestiva.
Eu não pude reprimir um sorriso, minha Tia Bella era uma mulher extravagante e sem pudores, sempre com um copo de whisky na mão e um cigarro na outra, usava delineador de mais e um batom vermelho escuro que lhe caia muito bem.
- Vamos, temos que encontrar meus pais na praça de alimentação.
Eu olhei Harry uma ultima vez, ele conversava com um ruivo tão grande e tão alto quanto ele.
- Já esta na hora de cortar o cabelo querido – minha mãe disse de noite, quanto estávamos fazendo biscoitos natalinos. Meu cabelo já estava chegando na metade das costas.
- Quem sabe eu corte antes do ano novo – disse, pegando a bisnaga para decorar os biscoitos em forma de arvore.
Minha Tia Bella morreu vinte anos após minha morte, mas eu nunca a vi aqui no meu céu.
