- Eu não acredito, obrigado! – eu gritei e pulei nos braços do meu pai e em seguida na minha mãe.

- Nos queríamos ter te dado antes, mas...- meu pai deu de ombros – fica como presente de ultimo ano do colégio.

- Ohh não tem problema – eu disse feliz. Não que tenhamos problemas financeiros, somo uma família de classe media, mas comprar uma câmera Canon ultimo modelo, mais vinte quatro rolos com 30 fotos, não é coisa mais barata do mundo. Tenho certeza que as horas extras do meu pai nas terças e quintas e metade de seu décimo terceiro foi para me dar isso, faz com que esse presente seja mais especial ainda.

Eu adoro tirar fotos, acredito que é a única forme de capturar a essência de um momento, antes que ele vá embora. Seu eu pudesse, seria fotografo da vida selvagem, talvez um investigador.

Eu lembro de ter fotografado tudo e todos naquele dia, tirei fotos dos meus pais dançando em frente a lareira e depois quando eles se beijaram apaixonadamente em baixo do visgo. Scorpius com Rufus furtando biscoitos. Tia Bella e a Vovó discutindo sobre o sweaters.

Me joguei varias vezes na cama, tirei varias fotos: do meu aniversario, todos com chapéus pontudos e coloridos, outro bolo menor também cheio de confetes, meu pai tirou algumas também. Eu sei que hoje, em sua mesa do escritório, há uma foto nossa desse dia, eu estava agarrado em suas costas e com o queixo apoiado em seu ombro. Nossos sorrisos são idênticos, assim como a cor dos cabelos, eu o amo tanto. Ele acende uma vela para mim toda noite antes de dormi.

-Draco acorda, acorda. É Natal! É Natal ! – meu irmão gritou histérico, entrando no meu quarto e pulando na minha cama.

- Ta certo, ta certo. Já acordei, posso pelo menos ir no banheiro antes? – Scorpius se sentou na cama e esperou, balançando as pernas freneticamente. Ele nunca abriu seus presentes, de natal ou aniversario sem mim, ele controlava sua ansiedade infantil e me esperava.

- Agora vamos, vamos ver o que Papai Noel te trouxe – ele me da a mão e descemos as escadas. Apesar de Scorpius ter cinco anos, eu acho que ele tem um entendimento sobre o mundo, muito melhor que muita gente.

Não esperava receber tantos presentes, eu disse a Scorpius que Papai Noel preferia me dar menos presente porque alem de ser próximo do meu aniversario havia crianças que precisavam de mais brinquedos do que eu. Corri e peguei minha câmera, queria registrar aqueles momentos de alegria do Scorp, sabe... Quando se descobre que Papai Noel não existe, o Natal pode perder um pouco da excitação, por isso quando ele for mais velho, quero que ele se lembre do quão mágico o Natal pode ser.

- Mãe, estou indo cortar o cabelo – disse, um dia antes do ano novo – Devo comprar uma manta nova para o pic nic?

- Sim querido – ela pegou um punhado de dinheiro na bolsa e me deu – compre uma camisa nova pra você.

Narcissa Malfoy era linda, muitos dos meus amigos tinham uma queda por ela. Meu pai dizia que ela era como uma fada, e que o seduziu com apenas um olhar. Eu tenho os mesmos olhos cinza que ela, o mesmo rosto fino e nariz arrebitado.

Naquele dia, no caminho, passei em frente a casa do Sr. Granbell, ele era um viúvo solitário e triste, tinha um gato gordo e velho. Ele era jovem para um viúvo, tinha cabelos mel e olhos pretos, era ex-fuzileiro e tinha um problema na perna. Minha prima, Dora, dizia que ele era charmoso, com um que de mistério. Não, meu assassino não era ele, era alguém mais próximo, alguém dócil e gentil, acima de qualquer suspeita.

Comprei a manta para o pic nic de ano novo. Havia uma queima de fogos no parque central, onde as famílias estendiam cobertores e faziam o ultimo jantar do ano. Entrei na barbearia do Sr. Longbotton, ele era um simpático senhor. Seu filho, Neville, tinha a mesma idade que eu, só que não nos falávamos muito porque ele era do segundo ano e eu do terceiro, devido a datas de aniversario eu acabei ficando um ano adiantado.

- Então, pronto para o ultimo corte do ano – Sr. Longbotton disse enquanto eu sentava na cadeira.

Eu ri e sentei na cadeira e tive a capa colocada em volta do meu pescoço.

- Seu cabelo é lindo rapaz – admitiu Sr. Longbotton – Diga-me que não ira cortá-lo muito, sim?

- Não, não – eu sorri para ele – apenas três dedos gordos, um pouco abaixo do ombro ta bom.

- Três dedos gordos humm? – ele sorriu- Tudo bem agora fique paradinho.

Eu fechei os olhos e fiquei lá, o radia toca um jazz antigo, um grupo de garotas passou pela porta, elas riam e conversavam sobre um Fred beijou uma Angelina. Ao longe eu ouvi um caminhão tira-neve. Então... Minha mente gelou, começou como um ruído ao longe, que foi crescendo, crescendo. Eu reconheceria aquele barulho em qualquer lugar, o ronco daquele motor, tão singular como o dono.

Eu não tive coragem de abrir os olhos, não mesmo... Por mais que eu quisesse olhar ele passar eu... humm...não vou arriscar meu cabelo. Então, para o meu total pânico e desespero o ronco da moto parou, eu podia ouvir o barulho do motor trabalhando bem perto e então se desligando. Oh Meu Deus. Oh Meu Deus. Eu podia ouvir passos pesados na calçada, e então o barulho do sino indicando que a porta foi aberta e...e..

- Boa tarde Sr. Potter

Ele esta aqui! O cowboy das minhas fantasias, o homem com quem eu sonho todas as noites, a pessoa que eu gostaria de gastar rolos de fotos inteiras só pra tentar capturar sua essência.

- Ei Frank – ele cumprimentou.

Harry tinha uma voz rouca, sensual. Variavam com o sarcasmo e a raiva, mas minha curiosidade é saber como ficara sua voz cheia de paixão.

- Como foi o Natal?

- Bem, bem – ele suspirou.

- Vai cortar o cabelo hoje?

- Sim, talvez fazer a barba também – ele respondeu com uma voz sonolenta.

Eu abri os olhos lentamente, so um pouquinho. Ele estava sentado no banco ao lado da entrada, bem atrás de mim mais a direita. Ele estava lendo um revista qualquer, o tornozelo apoiado no outro joelho. Tinha tirado a jaqueta e so usava uma blusa de manga comprida azul marinho, a barba já despontava no rosto, o deixando com um ar mais velho. Ele tinha uma postura tão relaxada e despreocupada, tão lindo em sua simplicidade. Meus dedos coçaram por minha câmera.

Se me fosse concedido apenas um dia. Um único dia. Vinte Quatro Horas. Eu passaria com Harry Potter. Eu o jogaria sobre as folhas do outono, nadaria com ele no lago, dançaria com ele ao entardecer, rolaria na lama, comeria bolo de chocolate, lhe compraria um chapéu, descobriria formas nas nuvens, brincaria com ele na chuva, suplicaria para ele me amar tão intensamente que eu derreteria em suas mãos.

Então, Harry ergueu o rosto e olhou diretamente nos meus olhos através do espelho. Meu coração parou de bater no ato, ele tinha os olhos verdes, não de um tom qualquer, mas era escuro, verde floresta e me olhava tão intensamente, que acreditei que ele podia ver minha alma naquele momento.

Eu nunca precisei de muitas palavras para que Harry me entendesse, nossa cumplicidade estava nos olhares, no toque e nos abraços demorados. Ele pensa em mim todas as manhas, tem uma foto minha em sua cabeceira e um enorme Dragão Branco tatuado em suas costas. Às vezes eu apareço em seus sonhos, o abraço e digo que o amo.

Eu encontrei seus pais aqui no céu, ele tem os olhos da mãe.