O momento foi cortado quando Frank puxou a capa e começou a espanar os fios de cabelos soltos. Eu pisquei um pouco surpreso, não voltei a olhar para Harry, ajeitei meu cabelo e sai da cadeira.
- Obrigado – disse analisando o corte, totalmente ciente de que Harry me olhava através do espelho – Ficou ótimo.
Eu peguei minha carteira e paguei pelo corte, então para o meu total desespero, Frank saiu da loja, pedindo para Harry esperar um minutinho porque ele iria comprar café. Eu peguei minha sacola e me preparei mentalmente para passar por ele. Eu não olharia novamente, não mesmo. Se Harry Potter olha-se para mim novamente, em entre muitas coisas que poderiam acontecer era que eu explodiria ou derreteria ou os dois juntos.
Eu estava a, exatamente, cinco passos de me livrar daquela situação quando Harry resolveu falar comigo.
- Você é Draco Malfoy certo? – ele perguntou me olhando.
- Er...sim – respira Draco, respira. RESPIRA. Você não pode se fazer de idiota agora.
- Eu lembro de você das minhas aulas, como vai?
- Bem – sussurrei. Ahh meu Deus, ele se lembra de mim? Será que ele percebeu como eu fico secando ele na sala de aula?
- Vai estar no parque amanha?
Minha mente falhou pro um segundo. Será que ele me pediria pra encontrá-lo lá? Passar o ano novo juntos? Eu acho que fiquei alguns segundos olhando pra ele com cara de bobo. Até que eu lembrei que tenho voz e sei falar.
- Sim, estarei lá.
Harry me deu um olhar enigmático por um momento, seus olhos verdes me tragaram para outro mundo, onde so existia nos dois. Se eu pudesse me perderia neles para sempre, dizem que os olhos são as janelas da alma e eu daria tudo para passar mais tempo olhando e desvendando a alma dele.
- Eu vou passar essa virada de ano sozinho – por um momento ele pareceu sem graça, ele passou as mãos pelos cabelos de um jeito que eu so pude classificar com sexy e desleixado – Se importaria se eu me reunisse a você e sua família?
- Claro que não – eu respondi rápido – Podemos nos encontrar no portão do parque umas... 20:30?
Ele franziu o cenho.
- Combinado – e então me deu o sorriso mais perfeito de todos. Seu rosto se iluminou, seu sorriso atingiu os olhos e me roubou o ar. Novamente minhas mãos coçaram por minha câmera e precisava capitar aquele sorriso.
Naquele dia eu não soube como eu cheguei em casa, não lembro de ter caminhado ou falado com o vizinho, minha mente so pensava naquele sorriso. Harry não é uma pessoa que se abre para qualquer um, ele é educado e ate simpático mas so mostra seu verdadeiro eu para poucos, ele sorri muitos, mas sorrisos como esses, que chegam ao seus olhos ele só os dedica a mim.
No dia seguinte, na hora marcada eu estava na frente do portão principal do parque. Nos sempre chegávamos mais cedo, para pegar um bom lugar, minha mãe adorou a toalha de picnic que eu escolhi. Eu disse que, um amigo ia passar o ano novo com a gente e meus pais não se importaram, é claro que eu tive que dizer a Tia Bella que era o Harry. Ela me deu um olhar malicioso e disse.
" – Um beijo na virada do ano da muita sorte sabe...?"
Eu apenas fingi que não escutei. Eu já estava agradecendo aos céus por Harry Potter ter marcado um encontro comigo, eu dancei sozinho no meu quarto. Não era um encontro propriamente dito, mas estava ótimo.
Coloquei minha roupa nova, uma calça branca meio justa, um suéter de gola dupla de um verde escuro bonito e tênis branco, alem do casaco pesado por cima. Mesmo que tenham tirado a neve do parque e houvessem varias fogueiras espalhas ainda fazia muito frio.
A moto de Harry parou alguns metros, do outro lado da calçada. Usava seu típico jeans, um suéter cinza e uma jaqueta de couro.
Lindo.
Ele veio caminhando em minha direção, seus olhos fixos em mim, eu me encostei mais na pilastra, como se ele viesse crescendo em minha direção.
- Boa noite, Draco.
- B-boa Noite, Sr. Potter.
Ele soltou um riso descontraído e passou a mão pelos cabelos, tão charmoso.
- Me chame de Harry, Draco. – novamente, eu gostaria de dançar, ele me chamou pelo primeiro nome e ainda pediu para que eu o chamasse de Harry.
Eu o levei até onde minha família estava, os apresentei. Como sempre, todos foram amáveis, Tia Bella foi simpática até de mais, e me mandou olhares sugestivos enquanto sentávamos para a ceia.
Harry se sentou ao meu lado, quando eu lhe entreguei o prato, ele segurou minha mão mais demoradamente e me sorriu. Senti meu coração bater mais de vagar, não sei se sobreviveria até o fim da noite.
"Harry era aquele tipo de pessoa pela qual todos se apaixonam facilmente, ele conseguia cativar a todos e eu, fui o sortudo de receber seu amor.
Harry tem aquela forma intensa e flamejante de amar. Ele me fez arder com seu amor todos os dias de nossa vida juntos. Suas mãos deixam marcas de brasa em minha pela, eu ainda posso sentir o calor delas, seus dedos ásperos rosando em mim delicadamente e a forma apaixonada com que nos amávamos, as vezes no tapete da sala, ou na escada, porque simplesmente não podíamos esperar para chegar ao quarto.
Nosso amor era tudo e eu descobri que nem a morte, poderia abalar esse amor."
- Os fogos já vão começar – Scorpius gritou. Todos começaram a se acomodar para assistir.
Harry olhou pra mim, com um sorriso enigmático, se levantou e me estendeu a mão, em um convite silencioso. Lancei um olhar rápido aos meus pais, que sorriram.
Meu coração batia rápido, eu estendi a mão devagar, nossos dedos se tocando lentamente, faísca de eletricidade percorreram meu corpo, e eu tenho certeza de que ele sentiu o mesmo.
Assim que nos levantamos, ele me puxou e caminhamos rapidamente pelas pessoas em direção as arvores. Em um cume mais alto, Harry me puxou e se colocou na minha frente, de costas para os fogos.
- Mas você não vai ver os fogos...- eu tentei argumentar com a parte do meu cérebro que ainda funcionava.
- Eu vou ve-los – então ele se aproximou – So que refletido nos seus olhos.
.DEUS.
Ele esta se inclinando para mim? Sim ele está! Caramba, Harry Potter vai me beijar.
Os fogos explodiram no céu, so que a única coisa que eu conseguia pensar, era nos lábios quentes que se enconstavam nos meus.
Até hoje eu me lembro como eu me senti. Meu estomago se revirava em ansiedade, a língua quente de Harry acariciava suavemente a minha, pedindo passagem, me incentivando a retribuir o beijo. Eu segurei forte em seu casaco e ele me segurou pela cintura, porque se não fosse por isso eu tinha certeza que eu iria cair no chão.
Os beijos de Harry sempre tiveram a capacidade de me fazer voar. Nos gostávamos se sentar no sofá, eu em seu colo, e nos beijávamos por longos períodos de tempo. Era doce e suave. Eu me sentia a dez metros do chão, flutuando em seus braços em seu amor.
Às vezes, eu o vejo daqui, ele acaricia os lábios e sussurra meu nome.
