N/A: Se eu fosse vocês, leria esse cap ouvindo essa musica:

.com/watch?v=tRP4B0Or_k8 (Wherever you will go – The Calling) vai ficar melhor .-.

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UM – CONTATO DE PRIMEIRO GRAU (PARTE DOIS)

Ficamos, como de costume, muito tempo no The Pie Hole, eu fui a primeira a pedir a conta, lógico. Eu precisava ir para casa, passear com a Zara, não é fácil ter uma labrador dentro de um apartamento, e depois ainda precisava estar em casa até as sete da noite, quando a babá chegava com Anna.

Me despedi das meninas e coloquei meus fones de ouvido, hoje eu estava com humor para ouvir 3 doors down. Eu sei, um pouco romântico de mais. Acho que foram os efeitos do meu príncipe encantado em uma armadura brilhante. Wow, acho que passei dos limites nos meus devaneios, eu mal o tinha visto e já estava o chamando de meu. Ri daquilo tudo e quase fui atropelada por um táxi ao atravessar a rua que me levava a River Lane, a minha rua. Distraída, sempre muito distraída. Não deixaria Cynthia ficar sabendo disso, eu poderia ter problemas, como ele revogar meu ipode. Não, não. Isso não era nada racional, que tipo de pessoa vive sem musica?

Abri a portar do prédio e parei perto das caixas do correio, tirei as cartas de lá e subi os cinco lances de escadas até o quarto andar, a cobertura que era alugada por minha irmã e dividia entre quatro mulheres, se você contar com Zara junto. Abri a porta e o torpor de ar quente me invadiu. Foi maravilhoso. Logo pude sentir as patas de Zara no meu estomago, quase me jogando no chão. Não é que a cadela seja um monstro de tão grande, sou eu que sou terrivelmente minúscula e de aparência frágil, mas acredite, eu posso agüentar muita coisa. Só por me olhar você não diz que eu sobrevivi a morte de ambos os pais e uma mudança de continente tudo junto. É, só de olhar pra mim você não faz idéia da minha vida.

— Hey garota, eu não esqueci de você! — falei sorrindo e passando a mãos pelo seu pelo bege. Ela abriu a boca deixando a língua de fora, era claro que ela ria. Desde que Cynthia havia se mudado para Londres, Zara era minha única companhia em Tulsa, e desde que me mudei para cá, ela continua sendo. Minha irmã é residente do terceiro ano em um hospital bem conceituado aqui de Londres, quase não a vejo. Pra falar a verdade, só a vejo de manhã, ela trabalha nos turnos noturnos. Sai uma ou duas horas antes de eu chegar do colégio, e já Anna é uma bebê incrível. Tem três anos e fica na creche do meio dia as sete da noite. Durante a noite ela é minha responsabilidade, durante a manhã, responsabilidade de Cynthia.

— Me espere trocar de roupa, já volto. — pisquei para Zara e corri para o meu quarto. Fui tirando minha bota Jimmy Choos assim que entrei, e as coloquei em um canto. Já o uniforme — uma saia de pregas xadrez vermelha e uma blusa social branca (a gravata tinha sido banida pelos alunos) — atirei em um canto perdido do quarto. Arrumaria quando chegasse em casa se REALMENTE tivesse tempo. Vesti rapidamente um jeans qualquer e uma blusa marrom. Puxei meu moletom de Oxford — sim, eu puxava um pouco o saco de minha irmã, ela era louca por aquela universidade — e calcei um tênis. Procurei pela coleira de Zara e pelo meu livro da vez "Os sete". Vampiros sempre me intrigaram. Parei perto de Zara e ajeitei a coleira por de baixo de seu lenço vermelho, puxando-a porta afora. Tranquei-a em seguida e descemos as escadas, saindo na rua em direção ao Hyde Park, era um lugar bom, calma e com muita grama e patos para Zara brincar. Ela era uma cadela bastante amigável.

Zara não demorou para reconhecer o parque, o que nos fez inverter os papeis. Era ela que me levava para passear agora. Bem, deve ser isso que as pessoas pensam ao ver uma garota do meu tamanho levando um labrador para passear. Ela me puxava e as vezes eu pensava que ia acabar enfocando-a. Ela estava ansiosa pelos patos. Ela era uma cadela bem estranha, mas estranha de uma maneira legal. Observei todos aqueles casais felizes (e deprimentes, diga-se de passagem) no parque, algumas crianças correndo, pipas coloridas no céu. Era tudo tão... Familiar. De uma maneira estranha eu me senti deslocada ali.

— Alice! — ouvi aquela voz me chamar. Revirei os olhos, claro. Lá vinha Thomas, provavelmente com mais alguma idéia brilhante em mente.

— Tom... Você por aqui! — falei com sarcasmo e ele fez careta, me fazendo rir.

— Não diga que a Zara decidiu te trazer para passear?! — ele falou como se aquilo fosse novidade.

— Ela estava se sentindo boazinha hoje. — entrei na brincadeira. Era legal e fácil conversar com Tom. Eu sempre achei que ele e Izzie faziam um casal maravilhoso. Os dois eram perfeitos um para o outro. Um sempre terminava a frase do outro, eles sabiam tudo a seu respeito, eram tão... Lindos juntos. Às vezes eu me sentia deprimida perto deles, quer dizer, que garota não sonha com um namorado perfeito assim? Um cavaleiro em seu cavalo branco com sua armadura brilhante, vindo de encontro a você. É, acho que eu sonho de mais.

— E ai? Você vai no sábado? — ele perguntou enquanto se divertia me observando segurar Zara.

— É, vai rindo. — dei um soco em seu ombro, rindo em seguida. — Não, o que tem no sábado?

— Ah nããão Alice. O que tem no sábado? A festa dos dezessete anos do Kyle, horas! — ele bufou revirando os olhos. — E nós vamos.

— Nós? Você e a Izzie, certo?

— Sim, e você e a Sarabeth e mais um monte de gente.

— Oh não, Tom. Você está enganado, eu não vou. Esta muito em cima da hora e... — eu fui cartada por um olhar fuzilante de Tom. Ele bufou e revirou os olhos, passou o braço pelo meu ombro e começamos a andar.

— Alice querida, como você quer arranjar seu príncipe encantado se você não sair de casa? Além do mais, hoje é segunda-feira, não é em cima da hora não!

— Tom... — eu comecei a argumentar. Eu sabia que eu tinha uma defesa, quer dizer, pra que eu precisava mesmo de uma defesa? Se eu não quisesse ir eu não iria, eu tenho vontade própria e livre arbítrio. — Essa semana vai ser bem corrida no colégio, além do mais eu tenho uma festa do hospital onde a Cynthia trabalha para ir na sexta, e eu preciso ficar de babá no sábado, você sabe disso.

— Alice, você terá todo o sábado durante o dia para descansar da festa na sexta, e tenho certeza que Cynthia não se importaria de ficar com a filha dela durante a noite para que você possa se divertir.

— Thomas, eu estou falando serio, não enche!

— Eu vou ligar para Cynthia, você está pronta para ouvir um sermão as quatro da manhã quando ela chegar do plantão? — ele perguntou desafiador e arqueou uma das sobrancelhas. Seu sorriso era, como sempre, vitorioso.

O que aconteceu com o meu livre arbítrio e com a minha liberdade incondicional? Que controle todo era esse que todos tinham da minha vida, menos eu mesma?

— Ok, ok. Você venceu! Satisfeito?! — perguntei bufando e passando um dos braços por cima do meu estômago.

— Muitíssimo. Mas ficarei mais quando dançarmos na festa. — fui obrigada a rir ao lembrar das festas em que Tom decidia dançar.

— Ah, você parece um afetado dançando. Me lembro perfeitamente de Like a virgen na festa de dezesseis anos da Sarabeth. Aliás, nós a temos gravada.

Ele riu e deu uma tapinha de leve no meu ombro, inclinou a cabeça para trás e fingiu uma gargalhada.

— Amiga assim você acaba comigo. Mas não se preocupe que esse ano você vai dançar comigo!

— Só se você agir feito homem! — anunciei. Ele tirou o braço do meu ombro e paramos de andar. Pelos seus olhos ao olhar porá o relógio ele estava atrasado para algo.

— Não posso prometer nada, amiga. Mas agora eu preciso ir Lice. Se cuida gata. — beijou minha bochecha e saiu correndo na direção oposta a que andávamos. Ele era ótimo, ótimo mesmo. Mas isso não atenuou minha irritação por ele estar me obrigando a ir a essa festa idiota. Kyle, quem é Kyle? Eu tenho quase certeza que nem o conheço! Será ele aquele garoto magricela que eu sempre vejo com as toalhas do time de Lacross.. Oh, não! Kyle é o atacante do time de rugbi de Saint Patrick.

De repente eu não sentia mais a coleira de Zara da minha mão e a próxima coisa que vi foi sua pelagem bege no ar, sobre alguém no chão. Rosnados baixos vinham de lá, e eu podia ouvir alguém lutando com ela.

— Zara, não! Saia daí! — gritava com ela, quando finalmente consegui segurar sua coleira e, incrivelmente, puxá-la. — Oh meu Deus, me perdoe. Espero que ela não tenha o machucado, ela é muito brincalhona. — falei estendendo a mão livre para o garoto no chão. Ele olhou para mim e eu vi aqueles olhos penetrarem nos meus. Eu sabia que era ele.

Ele não precisou da minha ajuda para se levantar. Limpou suas roupas e então olhou para mim, sorrindo frustrado. Ou ao menos era o que parecia.

— Tudo bem, foi só um acidente. — ele acentuou.

— Wow. Nesse caso. Você esta me perseguindo? — perguntei em forma de brincadeira, mas não tenho certeza se ele entendeu. Arqueou uma das sobrancelhas e me olhou confuso. É lógico que ele não lembrava de mim, porque lembraria?

— Desculpe, não era minha intenção dar-lhe essa impressão. — se desculpou muito formal, e eu me perguntei em que época ele vivia.

— Não, você me desculpe. Eu tentei fazer uma brincadeira e, não teve muita graça. — dei de ombros. — é lógico que você não vai se lembrar de mim.

— É meio difícil esquecer um rosto como o seu. — ele falou sorrindo tímido. Pude sentir o sangue subir para o meu rosto e se acumular em minhas bochechas. Ele ficou rijo, e precisou de alguns segundos para voltar ao normal.

— Então, estava voltando para o the pie hole? Eles estão abertos.

— Ainda me convencendo a comer aquela torta? — ele riu e começou a andar, eu senti necessidade, um necessidade desesperada de segui-lo. Aquilo não era normal, pelo menos não para mim.

— Bem, você realmente não sabe o que esta perdendo. — murmurei, observando o chão em que pisava. Senti seus olhos em meu perfil, mas não fui capaz de olhá-lo. Olhar para ele era como me perder em algo. Tinha alguma coisa nele que me prendia, que me dizia, melhor, que gritava "Potencial". Talvez ele tivesse potencial para ser o meu cavaleiro em um cavalo branco e de armadura brilhante.

E lá vou eu em mais um delírio absurdo. Eu mal conheço o rapaz e de repente já planejo ter filhos com ele? Opa Alice, acho que você esta indo um pouquinho longe de mais. Ou talvez tenha apenas ficado louca. Eu sinceramente voto para a alternativa de ter ficado louca.

— É talvez eu não saiba. — continuamos a andar até alguns bancos que estavam ali. Eu me sentei e soltei a corrente de Zara para que ela pudesse correr por ali. Sussurrei para ela não correr atrás das pessoas e nem derrubar ninguém, eu pelo menos acho que ela me entendeu. Ele se sentou ao meu lado, mas continuamos em silêncio. Desviei meus olhos para o lago ali ao lado e mordi meu lábio.

— Então, aonde você estuda? — perguntei finalmente criando coragem de olhá-lo.

— Como? — ele parecia perdido em algo. Parecia perdido em algo em mim.

— Nunca vi você em Saint Patrick e, bem.. Ela é uma das melhores escolas que eu conheço, pelo menos daqui de Londres. — expliquei, e ele continuava perdido em algo.

— Oh, sim. Não, eu e meus irmãos cursamos Cambridge. Dois deles apenas, estudam no terceiro ano.

— Uhm, irmãos. Você têm muitos? — perguntei, era impossível conter a curiosidade.

— Alguns. Mas se não se importa, eu prefiro não falar sobre eles.

— Oh, desculpe. Muita intromissão da minha parte. — mordi meu lábio e me obriguei a olhar o lago novamente. Uma brisa leve soprou do meu lado direito, trazendo o um cheiro adocicado e delicioso com ela. Eu inspirei aquilo fundo, e ouvi o garoto ao meu lado suspirar.

— Você estuda em Saint Candence, certo?

— Eu? Como você sabe? — perguntei assustada e meio frustrada por ele ter interrompido a minha absorção daquele cheiro maravilhoso.

— Você perguntou de Saint Patrick. Saint Candence faz parte dela certo? É a escola para garotas.

— Oh, sim sim. — sorri. Aparentemente ele não queria falar da família, mas parecia não se importar de falar de si mesmo. — Você estuda o que em Cambridge? — novamente aquela curiosidade;

Me permiti olhar seu rosto e foi como uma armadilha. Certamente havia algo ali que me intrigava. Eu sentia vontade, desejo, ânsia de tocá-lo. Mas seria falta de educação, e toda vez que minha mão fazia menção para pegar-lhe o rosto, eu reprimia o movimento, envergonhada.

— Psicologia. — ele respondeu pura e simplesmente. Foi duro que ele tenha respondido apenas com uma palavra. Eu já me sentia uma tagarela em meio de pessoas tão falantes como Thomas, Izzie e Sarabeth, imagine perto deste rapaz... Rapaz, era incrível como ele me fascinava e eu nem sabia seu nome. — Os sete? — ele tornou a perguntar arqueando uma sobrancelha e olhando o livro que eu, sem perceber, estava agarrando fortemente. Ri.

— Não vai rir. Mas eu acho vampiros fascinantes. Quem nunca desejou viver para sempre? Quer dizer, por que só os príncipes têm lugar em contos de fadas? Por que os vampiros têm de ser sempre os vilões?

— Eles são os vilões. — ele respondeu com certo desconforto. Dei de ombros.

— Não. Já imaginou como seria se fosse um vampiro que tivesse acordado a Branca de neve, e não um príncipe?

— Sim, o final não seria "E viveram felizes para sempre..." — ele reforçou sua tese, ainda desconfortável.

— Não, seriam sim. Por que ele teria que matá-la? Será que não é possível existir um vampiro que consiga controlar seus instintos? O que o sangue humano tem de melhor que o animal. Além do mais, ele seriam jovens eternamente. Nada de imaginar a Branca de neve, tão linda... Envelhecendo e perdendo sua beleza...

— Envelhecer não parece uma coisa ruim para mim.. . — ele não me olhava mais. Voltara a ficar rijo, suas mãos se apertavam e eu podia ver seus tendões. Me encolhi no moletom, talvez ele tenha se irritado.

— Provavelmente não para você, mas muitas pessoas ficam irritadas com esse fato. — destaquei.

— Você fica?

— Não. Mas não reclamaria de ser mordida e viver jovem para sempre. — ri, mas ele não achou graça, nem mesmo relaxou. — Posso fazer uma pergunta? — pedi, mordendo meus lábios. Parecia que ele estava a ponto de me esganar.

— Pois não? — ele se atreveu a me olhar, mas acho que se arrependeu, logo seus olhos focaram o horizonte a nossa frente.

— Qual o seu nome?

Ele gargalhou e relaxou um pouco, mas eu ainda podia ver seus tendões marcados por baixo de sua pele branquíssima. Sua pele era linda, simplesmente linda.

— Desculpe, foi falta de respeito não me apresentar a você. Me chamo Jasper Hale, senhorita.

Eu ri da parte do "senhorita", ninguém jamais me chamara de "senhorita" na minha vida inteira. Ok, os amigos dos meus pais e de minha irmã me chamavam, mas eles eram nascidos a tipo, cinco séculos atrás!

— Alice Brandon. — me apresentei, estendendo a mão. Não senti necessidade de falar o Mary, vai que ele também pega de me chamar assim. Ok agora estou falando como se eu fosse realmente vê-lo novamente.

Ele hesitou em apertar a minha mão, mas quando fez pude sentir sua mão gelada como gelo, pensei em puxar logo minha mão de lá, mas uma corrente elétrica que me deixou arrepiada e ao mesmo tempo empolgada me impediu.

— Você deve estar morrendo de frio. — falei sem pensar, e logo me reprimi em pensamentos. Como eu falava sem necessidade!

— É, não é exatamente frio. As estações frias me deixam assim. Sua mão é quentinha. — ele observou, e eu olhei para elas. Realmente elas estavam quentes.

— É, talvez eu fique doente, gripe sabe? — revirei os olhos, isso sempre acontecia nessa época do ano. Talvez me servisse para desculpa no sábado.

Ficamos alguns segundos em silêncio quando eu senti as grandes patas de Zara no meu colo. Ele me olhava confusa, e Jasper voltou a se apertar. Olhei para ela e então para o céu. O crepúsculo já caia, e eu logo me lembrei da babá chegando com Anna e eu não estaria em casa. Olhei no relógio em meu pulso e constatei. Seis e meia. Eu tinha pouco mais de vinte minutos para chegar em casa.

— Droga. — murmurei. O olhei com pesar nos olhos. O tempo havia passado tão rápido, mas eu não queria deixá-lo. Não agora. — Eu preciso ir. — lutei para que as palavras saíssem em voz alta.

Passei a coleira pelo pescoço de Zara novamente e peguei meu livro, segurando-o firme contra o peito. Levantei-me e o olhei.

— Obrigada pela companhia esta tarde, senhor Jasper Hale. — falei rindo. Na verdade, eu tentava adiar o máximo possível aquela partida. Era como se eu quisesse chorar. Um absurdo atrás do outro.

— Foi um prazer. — ele respondeu se levantando. — Será que posso acompanhá-la até em casa?

E a esperança voltou a bater no meu peito. Um sorriso enorme se instalou no meu rosto ao perceber que eu teria mais quinze minutos com ele. Nem que fossem dez, ainda sim seriam mais palavras e ações para eu poder sonhar esta noite. Esta perfeita noite.

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N/A: ahhh, eu tenho review *-* pensei que nunca teria o/ OASKOASKAOKSAOSK. Espero realmente que estejam gostando, porque eu estou simplesmente amando escrever essa fic *-*

Obrigado por lerem, e não esqueçam de postarem suas reviews ;D

E, ah. Os cullens aparecem sim, mas não tanto quando o casal principal, Alice e Jasper *O*

Relembrando que a Alice é humana, ok?

Bih.