DOIS VAMPIROS JOGAM SUJO

Jasper's point of view

Doce. Essa era a única maneira de descrever o perfume de Alice para mim. Enquanto caminhávamos até a sua casa eu podia sentir seus sentimentos se misturarem. Empolgação e pânico. Eu podia entender o pânico, afinal de contas eu não fui a pessoa mais amigável hoje. Por mais que eu tentasse, aquele monstrinho que os humanos insistem em chamar de "melhor amigo do homem" estava sempre por perto, me lembrando os lobisomens. Não que os que encontramos em Forks não fossem... Amigáveis. Mas mais uma vez, eles não eram realmente lobisomens. E o cheiro de seu sangue, delicioso, que eu podia ver pulsar por sob sua fina pele, estava quase me enlouquecendo de dor. Eu queria tê-lo em minha boca, afastar aquela queimação que descia a minha garganta.

As vezes eu queria poder ter o mesmo auto controle que Bella ou Renesmee possuíam. Ou pelo menos eu queria que elas não tivessem tanto auto controle, assim quem sabe eu me sentiria mais confiante, sabendo que algum dia eu seria capaz de chegar aonde Carlisle está. Sim, o pânico que ela sentia eu podia entender. Mas a empolgação? Como entender que ela fique empolgada perto de mim quando eu fui quase rude com ela esta tarde? Ou mesmo que ela nem me conheça direito. Aquela criatura pequenina e falante era maravilhosa e encantadora, talvez mais fascinante do que seu sangue parecia para mim, agora. Senti a empolgação diminuir e o pânico aumentar a medida que chegávamos a um prédio de tijolos a vista marrons.

— Bem, chegamos. — ela falou batendo as mãos e em seguida entrelaçando os dedos. Se balançou para frente e para trás uma vez. — Quer entrar? — senti esperança vibrar. Ela realmente havia gostado de ficar perto de mim?

— Não acho certo. Minha família me espera para... Jantarmos. — busquei a palavra que soariam mais humano para aquela hora, e também não seria mentira que eu precisaria de um lanche após tanto tempo com alguém tão tentador quanto Alice era.

— Oh, claro. Famílias normais. — ela riu. — Então, acho que a gente se esbarra por ai. Ou melhor, você e a Zara.

Me arrepiei com a idéia daquela criatura parar sobre mim de novo. Eu provavelmente a mataria. Mas a idéia de vê-la novamente, de alguma maneira, me alegrou.

— Eu conheço o caminho do the pie hole. — sorri e vi seus olhos brilharem.

— Ótimo! — ela exclamou e em seguida limpou a garganta. — Quer dizer, a torta de limão! Você tem de experimentá-la.

Eu ri e ela me seguiu.

— Bem, eu devo ir agora.

— Oh, é. Eu também, minha sobrinha já deve estar chegando. — ele me olhou e mordeu os lábios. O sangue se acumulou em suas bochechas e eu senti um enorme impulso de chegar perto dela, seduzi-la e colocar meus dentes em sua garganta. Mas só a mais leve menção a acabar com sua vida, de nunca mais ouvir sua voz constrangida ou vê-la morder seus finos lábios me deixou triste. Profundamente triste.

— Até algum dia senhorita Brandon. — falei acenando e me afastando.

— Até, senhor Hale. — ela também acenou e com um toque de frustração a vi entrar em casa.

Acelerei o passo, não tanto que um humano em passo acelerado não pudesse me alcançar, mas eu queria sair logo dali, daquela tentação de puro sangue. Eu precisava chegar logo em casa, gritar que não conseguiria me conter naquela cidade e que voltaria para Forks, ou para o Alasca, ou me trancafiaria na Ilha Esme. Essa com certeza era a melhor de todas as decisões. Não tinham pessoas por lá, por tanto, não teria tentações. Poderia caçar quando quisesse, não precisaria ir até o campo, a quase duzentos quilômetros de Londres, para caçar animais de verdade, e não herbívoros. Eu queria gritar o quão fraco eu era e que quase tinha exposto toda a família aquela tarde, quando o vento soprou forte e o cheiro doce e cítrico de Alice invadiu minhas narinas. Parar de respirar não era mais uma escapatória. Não havia escapatória perto de Alice, ela seria uma tentação constante. Eu não seria forte o suficiente como Edward fora a dois anos atrás, para resistir ao sangue de Bella. Eu não era assim. Eu já matei pessoas, eu já gostei de matar pessoas. Eu não me arrependi de matá-las.

— Você não pode falar serio! — ouvi Edward se exaltar quando passei pela porta. Me pergunto a quanto tempo ele estava me ouvindo. — O bastante para poder dizer que você não pode ir embora!

— Edward, vai acordar Renesme... — Bella surgiu da cozinha, sussurrando com a pequena criança albina e de cabelos cor de ferrugem nos braços. A menina me fez rir. Ultimamente Renesme era minha única companhia por aqui, visto que todos os casais estavam em um clima romântico permanente. Eu podia passar o dia todo lhe contando dos aprendizados em Cambridge (ela era muito interessada) ou lhe ensinando a caçar. Ou até mesmo em lhe reconfortar, falando que ela teria uma vida humana normal, quando atingisse a maturidade e não assustasse mais as pessoas com seu crescimento exagerado.

— Eu estou falando serio. — Objetivei calma e inundando o local com a tranqüilidade. Eu realmente estava decidido a deixar Londres.

— Falando serio? — Esme perguntou do topo da escada. Não demorou muito para que todos os vampiros estivessem na sala. Qual é? Eu sei que não sou o irmão/filho/cunhado preferido, então por que se importam tanto em impedir que eu vá?

— Jasper quer ir embora. Conheceu uma humana com um sangue muito... Apetitoso. — Edward escolheu com cuidado as palavras, na tentativa de não me ofender.

— O que? Oh não Jasper, não vá! — Esme deixou a mascara de dor encobrir seu rosto e eu senti a tristeza e pânico em seu ser. Eu sabia que ela não queria perder um filho, mesmo que fosse eu.

— Está errado ao pensar que não faria falta para nós. — Edward argumentou me olhando. Mas eu não achava que estava errado.

— Mais um? — Rosalie bufou ao lado de Bella. Emmett e Carlisle estavam perto da parede de vidro. Revirei os olhos. — Só você e Edward se apaixonam por humanas. Por que não agem como vampiros normais?

— Olha quem fala! — Edward revirou os olhos a encarando. — Você só salvou Emmett porque gostou dele, se não ele estaria morto a muito tempo.

Os olhos de Rosalie lampejaram com raiva para Edward, que sorriu vitorioso. Para eles era como se eu estivesse apaixonado pela garota, e não entorpecido pelo seu sangue!

— Não é a garota? — Edward perguntou, intrigado.

— Não... Não sei explicar. Desejo seu sangue, ele tem um cheiro sem igual. Não poderia ser comparado a nenhum que já passou pela minha garganta em meus tempos com Maria. Mas a idéia de tirar-lhe a vida. A idéia de não vê-la mais falar sem parar, rir ou até mesmo corar, cortou meu, uhm... Coração. Deixou-me triste. — expliquei.

— Pelo amor de Deus, é pedir de mais um vampiro normal nessa casa?! — Rosalie jogou as mãos para os céus e se virou para a cozinha.

— Assim você me ofende! — Emmett murmurou, irritado.

— Se você acha que isso é o certo a fazer, afastar-se para salvar a vida dela. Acho que deve fazê-lo. Nós realmente vamos sentir a sua falta, Jasper. Mas se é isso que você pode fazer para salvar a vida dessa criança, faça-o.

— Não! — Esme argumentou chocada. — Carlisle, não faça isso.

— É Carlisle, não faça. Com quem eu apostarei? Com quem passarei os tediosos dias de compras de Rosalie? Edward virou pai agora, não tem mais olhos para nada. Você não pode ir Jasper! — Parecia que se Emmett pudesse chorar, ele o faria, só para que eu pudesse ficar.

— Evite-a. — Esme ignorou os comentários de Emmett. — Você é forte Jasper. Eu sei que você pensa que não é, mas você é. Só, evite encontrá-la. — Ela sorriu ternamente, e fez tudo aquilo parecer tão fácil.

— Um cheiro desses não é fácil de evitar. — Edward argumento com Esme, lançando um sorriso maliciosa para Bella, que se pudesse corar o teria feito violentamente.

— Por que simplesmente não me deixam ir? — perguntei irritado. — Digam que fugi. Que morri em um acidente de carro. Digam que encontrei meus pais biológicos. Não estamos aqui há tanto tempo para criar especulações. Talvez eu me junte a Chalotte e Peter, ou viva sozinho. Não vou renegar minha dieta. Mas não quero ser tentado a matar Alice.

— Alice Brandon? — a voz despreocupada de Bella fez com que todos os vampiros dali a olhassem. — Desculpem, não sei por que, mas quando você falou Alice logo lembrei da garota que tem aula de Biologia e Literatura comigo. Ela parece ser uma garota legal... — sua voz foi sumindo à medida que falava.

— Devia saber que você a conhecia... — murmurei. — Não seria terrível se eu matasse essa garota que "parece ser legal"?

— Você pode se controlar Jasper. Você nunca, nem se quer quando Renesme nasceu, ficou tentado a atacá-la. E, me desculpe Emmett, Renesme o ama muito, mas Jasper dedica tanto tempo a ela. Ela ficaria arrasada se fosse embora.

Wow, nunca pensei que morasse com vampiros tão sujos quanto esses. Qual é? Usando uma pobre criança para me fazer ficar? Pensei que tivessem mais escrúpulos que isso!

— Oh, por Deus Bella, não meta Renesme nisso! — pedi frustrado. Realmente, o fato de imaginá-la tendo de agüentar um Emmett chato e um Edward carrancudo o dia inteiro, sem eu por aqui para lhe fazer uma devida companhia, era de cortar o coração. A imagem só perdia para a imagem de Alice sem vida.

— O que eu devo dizer a ela quando acordar? "Desculpe querida, tio Jasper a ama, mas teve que partir porque não podia tentar se controlar"? — ela rolou os olhos. — Esperava mais de você.

— Vocês são maus, vampiros muito maus! — desisti me jogando no grande sofá branco. — Vocês jogam sujo, sabiam?

Joguei minha cabeça para trás e apertei os olhos fortemente. Coloquei as mãos no rosto e esperei pela resposta. Ninguém me respondeu. Obvio. Eu ficaria. Mas o que eu faria a respeito de Alice? Seu cheiro já estava em minha mente, seria quase impossível não procurá-la nessa cidade. As vezes eu penso que seria inevitável não esbarrar com ela e seu monstrinho pela cidade.

— E o que eu faço a respeito do meu inferno pessoal? — perguntei, ainda de olhos fechado e com as mãos no rosto.

— Ignore. — Carlisle propôs.

— A mente domina a matéria. — Edward sorriu. Há, para ele era fácil dizer. Ela não precisava mais sentir o cheiro maravilhoso que Bella tinha para ele todos os dias.

— É só por mais uns três, quatro anos. — Esme pediu.

Três, quatro anos. Eles faziam soar como dias para quem tem a eternidade. Mas para quem vive a eternidade, soam mesmo com trinta ou quarenta anos. O tédio pode ser algo perigoso para quem tem o " Para sempre..." pela frente.

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N/A: ahhh. Vocês são muito apressadas, agora que o capítulo dois ta no ar e já querem saber se a Alice vai ser transformada ou não... .-. OAKSOAKSOAKSOKAS. Tenham paciência jovens gafanhotas (?) E sim,a Alice é vidente, só que.. Shhh! Ela ainda não sabe disso :B

Ahhm achei tão bonitinho quando vi minha caixa de e-mail cheia de alertas de review, e quantas pessoas adicionaram Muro da Maravilhas nos Favoritos *-*

Own, vocês fazem meu dia bem melhor meninas. De verdade, obrigada por lerem as idiotices que eu escrevo .-.

xo . xo

Bih.