QUATRO – O FUTURO É SUBJETIVO, O DESTINO NÃO
Jasper's point of view
As tardes sempre eram os momentos mais tediosos. Durante a manhã eu estudava, e durante a noite vagava pela cidade. Era bem mais seguro assim, e Londres tinha um "que" de solidão durante a noite, que me fazia sentir bem. As tardes, por mais divertidas que poderiam ser, sempre eram tediosas. As brincadeiras com Reneesme não duravam muito tempo, uma vez que Emmett não conseguia não falar de sexo por mais de quinze minutos, e os jogos de baseball ou qualquer outro esporte começavam a ficar chatos. Claro, depois de tanto tempo na mesma rotina você acaba se cansando. Eu queria poder dormir. Oh, como eu queria.
— Jasper, será que você pode me ajudar? — ouvi Esme perguntar da porta da cozinha. Estávamos apenas eu, ela, Rosalie e Renesme em casa. Edward e Bella ainda estavam no colégio, e Emmett deveria pegá-los quando viesse da universidade e Carlisle estava no hospital.
Levantei-me e caminhei até onde o som de sua voz e seu cheiro vinham. Na cozinha estavam ela, Rosalie e Renesme. Rosalie brincava com a pequena, enquanto ela entornava uma mamadeira grande cheia de leite. Esme me olhou preocupada.
— Precisamos ir ao mercado. — esclareceu ela. Franzi a testa, mas logo entendi. Reneesme crescia rápido, quer dizer, em três meses já aparentava ter quase um ano, e seu consumo de alimento humano crescia cada vez mais, uma vez que tentávamos não ter de lhe alimentar com sangue. Ela não gostava muito do sangue animal, e talvez dessa maneira ela não sentisse dificuldade em ficar perto de humanos.
— Querem que eu fique com ela para que possam ir?
— Não posso ir com Esme, estou esperando Emmett para sairmos. — Rosalie informou. — Eu fico com o bebê até Bella e Edward chegarem e você e Esme vão ao mercado.
Ela explicou com uma naturalidade que não pensei que Rosalie possuísse. Esme me jogou as chaves do carro e começou a anda. Ok, já percebi que eu não controlo totalmente a minha vida. Mas vamos, ir ao mercado por ser algo... Diferente. Não é algo que eu me lembre ter feito em vida, e não é algo que eu sentia necessidade de fazer, depois que virei vampiro.
— Não esqueçam de comprarem coisas mais sólidas! — Rosalie gritou de dentro da casa. Não que fosse necessário gritar, eram apenas hábitos que trazíamos da vida humana.
Caminhamos até o Corvette preto que eu havia adquirido a pouco tempo. Era injusto que todos tivessem um carro veloz, menos eu. Sentei-me no lugar do motorista e Esme já estava no lugar do carona. Quando desci a subida que leva até a casa, me deparei com o jipe enorme de Emmett entrando. Ah, que senso de oportunidade.
— Me diga que não fizeram isso apenas para me tirar de casa, se fizeram, minta pra mim. — Pedi enquanto me dirigia com velocidade até o mercado mais próximo. Eu realmente não sabia onde ele ficava.
— Perdoe querido, mas você parecia tão... Entediado. — ela se desculpou com um sorriso materno tão carinho. Era impossível você ficar bravo com Esme, não conseguia nem mesmo ficar irritado por mais de três segundos.
— Eu estava entediado. A eternidade pode ser muito longa.
— Ela fica mais longa quando não se tem ninguém para dividi-la. — ela soltou uma indireta que eu entendi muito bem. Mas preferi fingir que não.
— Eu tenho vocês para dividi-la, não é mesmo?
— Você sabe que não é esse tipo de companhia que eu me refiro, Jasper. — ela disse autoritária, mas sem perder a doçura e carinho que uma mãe tem.
— E você espera que eu encontre tal... Companhia em uma humana, da qual eu desejo desesperadamente beber o sangue? — acho que vi um mercado na rua de trás, vou voltar.
— Edward conseguiu, porque você não conseguiria? Edward é tão superior Jasper?
— Nesse caso sim. Edward ama Bella. Ele morreria se ela deixasse de existir... — eu tentava dar o mesmo sentido as palavras quando falava, que elas tinham em minha cabeça. Mas há muito tempo atrás eu descobri que cabeça de mãe não funciona como a sua.
— Você se importa com a garota. Você ficou triste ao imaginá-la morta.
— O que não diz que eu não a mataria. Quem sabe se eu não poderia viver com isso? Eu ficaria triste algum tempo, mas passaria. Sempre passou... — e foi como se aquilo parasse a conversa. Talvez ela tivesse entendido o que eu quis dizer. Que eu não sou controlado o suficiente para me permitir amar aquela criatura tão linda, graciosa e... Cheirosa.
Parei o carro no estacionamento indicado aos clientes do supermercado e acompanhei Esme até lá. Era estranho entrar em um lugar tão fechado, tão cheio de sangue... No meu tempo como humano nunca fiz compras, e agora aqui estou eu. Atrás de minha mãe procurando alimentos que eu desprezo, para minha sobrinha.
— Rosalie disse que ela precisa de alimentos sólidos. Será que você pode procurar por isso? — Esme me perguntou, enquanto olhava distraída alguns materiais de higiene pessoal, os únicos itens que nós, como vampiros, comprávamos.
Acenei com a cabeça e comecei a vagar pelo mercado com um carrinho de compras. Essa seria uma cena que eu tenho certeza que você jamais imaginaria.
Alice's point of view
— Vejamos.. — falei com Anna, enquanto procurava na lista o que mais nós precisávamos. Ah, é claro. Estava faltando as porcarias que tanto gostamos de comer. Agora, onde ficava o corredor com isso? Tenho quase certeza que não estaria escrito "Porcarias" na placa. Droga!
Estava tão distraída que só parei quando senti o carrinho não se mexer mais. Merda, será que nada funciona direito? Como se o meu dia já estivesse perfeito o suficiente, agora o carrinho do mercado decide não funcionar! Ótimo, ma-ra-vi-lha.
— Me desculpe, eu estava tão distraído. — ouvi aquela voz musical falar e eu tenho certeza que meu coração parou. A esperança voltou a correr pelas minhas veias. Ma-ra-vi-lho-so!
— Oh, não foi totalmente sua culpa, sr. Hale. Tenho certeza que se eu olhasse por onde ando e não pensasse aonde diabos se escondeu o corredor dos salgadinhos, não teríamos batido. — tentei sorrir diplomaticamente, mas tenho certeza que o que estava ali era um sorriso abestalhado, maior que a minha cara.
— Tudo bem, acho que não precisamos envolver a policia nisso. Os carros estão intactos. — ele sorriu e piscou para mim, o que fez eu me perder naquele mundinho tão idiota e ridiculamente maravilhoso que eu havia inventado. — Será que teria alguma chance de você saber onde fica o corredor com os cereais? — ele perguntou arqueando uma sobrancelha olhando uma pequena folha de papel nas mãos.
Abri a boca para falar e tudo que saiu foi um murmúrio sem sentido. Ai que vergonha. Balancei a cabeça de leve para guardar o meu mundinho particular para mais tarde e tentei responder agora, com palavras mais compreensíveis.
— S-sim. Acho que é o corredor seis. Ou o cinco. Eu estava indo para lá, se quiser vir comigo. — dei de ombros, tentando parecer indiferente. Mas como era difícil. Eu costumava ser melhor atriz antes.
— Se você não se importar. — ele sorriu novamente. Deus, o que ele estava tentando fazer comigo? Me matar do coração? Só podia ser.
Dessa vez eu voltei a terra quando Anna murmurou algo inteligível e irritado.
— Você esta muito irritada hoje, preferia ficar com Sarabeth? — falava com ela enquanto nos dirigíamos para o corredor de número seis. Passamos pelo cinco e eu achei o corredor que eu procurava, precisava ir ali antes de ir embora.
Anna cruzou os bracinhos gorduchinhos em frente ao peito e fez bico junto da sua cara de "oi eu sou do mal". Ela estava irritada e impaciente, como sempre.
— Não se preocupe, você vai ter muito tempo com Sara quando ela for cuidar de você na sexta. — falei quase como por vingança. Eu sabia o quanto ela odiava ficar com Sarabeth e ser transformada em uma boneca viva.
Ouvi risadas ao meu lado e foi difícil não conter o rubor que tomou conta do meu rosto. Estávamos entrando no corredor dos cereais.
— Desculpe, mas este monstrinho me irrita às vezes, então eu tenho que retribuir. — falei encarando minhas compras.
— Tudo bem, eu sei como é. Crianças ficam entediadas muito rápido.
— Tem irmãos mais novos? — Alice! Ele não fala dos irmãos, lembra?
— Uma sobr.. — ele parou a frase como quem começasse a falar de mais. — Uma sobrinha.
— Oh. — foi tudo que eu consegui soltar. Encarei a prateleira de cereais enquanto Anna murmurava todos os nomes dos quais ela queria. Todos continham açúcar de mais, e acho que não preciso comentar o quanto crianças ficam ativas com açúcar.
— Qual você recomenda para uma criança de.. Uhm.. Um ano e meio. — ele perguntou distraído com as varias marcas e nomes.
— Bem, crianças tendem a ficar muito animadas com muito açúcar. Eu prefiro levar o Capitão, ele é colorido e gostoso... E admito que quem come mais sou eu, e não Anna. — dei um sorriso para ele.
— Capitão será.
Ficamos algum tempo conversando sobre alguns tipos de cereais. Ele falou um pouco da sobrinha e parecia ter um afeto tão bonito por ela. Anna ainda resmungava e cruzava os braços gorduchos. Agora ela estava irritada por ficar parada por muito tempo. Jasper conversou com ela, e ela soltava cada frase como se fosse adulta. Eu tinha que rir daquele minúsculo pedaço de gente, fingindo ser tão adulta. Acho que é isso que acontece quando ela passa tempo de mais cercada de médicos. Senti meu celular vibrar dentro da bolsa, dei uma olhada discreta na mensagem que Cynthia me mandara.
"Estarei ai em quinze minutos. Finalmente sai mais cedo. Acho que estou começando a criar uma espécie de claustrofobia de salas de cirurgia. Amo você. Beijos, big sis."
Eu, Jasper e Anna nos dirigíamos para os caixas e fiz careta para a mensagem. É claro que eu não a queria ali tão cedo. Quer dizer, era como se eu precisasse desesperadamente de tempo com ele. Paramos no caixa 8 e eu comecei a colocar minhas compras na esteira do caixa, quando percebi uma mulher ruiva, com o rosto em forma de coração, a pele bem branca e que não aparentava mais de 30 anos, caminhar distraída com alguns pacotes de fraldas nas mãos, na direção de Jasper.
— Qual será o tamanho de Renesme, ela está crescendo tão rap... — ela parou a frase no meio quando percebeu minha presença ali. Tentei desviar meu rosto do seu. Mas era impossível. Ela era muito bonita, e me encarou com um sorriso terno nos lábios. — Sua amiga, querido? — perguntou a Jasper com um tom de "eu te disse" na voz. Ri involuntariamente e Jasper desviou os olhos de mim para a mulher ao seu lado. Ele parecia desconcertado.
— Es.. Mãe. — disse meio que com vontade de correr dali. Ri mais uma vez. — Essa é Alice. Alice, essa é minha mãe, Esme.
Ela sorriu abertamente e estendeu a mão para apertar a minha. Seus olhos de um dourado lindo, idênticos ao de Jasper. Ela parecia jovem de mais para ser a mãe dele.
— Muito prazer.
— O prazer é meu. — respondi sorrindo enquanto apertava a sua mão. Ela tinha um toque tão gelado quanto o dele. — A senhora parece tão jovem para uma mãe. — comentei, mas ela pareceu não gostar muito. Seu sorriso largo foi diminuindo até uma fina linha nos lábios. Ai eu me lembrei. Adotados. Poxa Alice, você realmente é um gênio.
— Lice.. — ouvi a voz distante de Cynthia, e quando vi Anna abrir um sorriso largo percebi que ela estava perto de mais.
Jasper me olhou cordialmente e sua mãe sorriu mais uma vez.
— Jasper, querido. Pode levar as compras para o carro? Eu vou logo depois, só preciso pagar. Foi um prazer Alice. — e Esme saiu de cena. Deslumbrante e graciosa, fiquei de boca aberta.
— Oi. — ouvi Cynthia por trás de mim. — Lice, leve Anna para o carro, aqui está tão frio. Deixe que eu cuido disso. — ela falou apontando para as compras no caixa.
Peguei a minúscula menina de três anos no colo e comecei a andar com ela para fora do mercado, mal notei quando Jasper se aproximou.
— Acho que temos de parar de nos encontrar assim. — ele disse risonho, enquanto caminhava na direção de um Corvette preto, estacionado na segunda fileira de carros.
— Não podemos lutar contra o destino. — Respondi, o seguindo, mesmo sabendo que o carro de Cynthia estava mais longe.
— Destino. — ele falou com desdém.
— Não fale assim! O futuro é muito subjetivo, já o destino. Não há como lutar. — falei tentando impor a minha voz, mas ela saiu mais como uma teimosia de criança pequena.
— Esta insinuando que você é o meu destino? — Anna riu no meu colo e eu corei, virando o rosto para longe do Corvette preto.
— N-não. Só estou dizendo que não podemos lutar contra o destino. — dei de ombros, e aos poucos criei coragem para olhá-lo, esperando que ele não me olhasse. Estava enganada. Virei o rosto mais uma vez e Anna riu de novo. Lhe lancei um olhar mortífero.
— Talvez você tenha razão.
— Eu tenho. — sorri triunfante. Se havia uma coisa que você deveria saber era que, não se luta contra o destino. Você muda o seu futuro quando muda de opinião, mas o seu destino! Tem pessoas e lugares que são o seu destino, e não importa as suas decisões, você sempre chegara lá, e conhecera as pessoas.
— É, talvez você esteja mesmo no meu destino. — ele sorriu de canto e caminhou até a traseira do carro.
O vi guardar as compras e então lembrei que já deveria estar no carro de Cynthia.
— Uhm, acho melhor eu ir. — falei com pouca vontade, era meio obvio que eu não queria o deixar.
— É, acho que nos esbarramos por ai. Afinal de contas, você está no meu destino. — ele sorriu e eu o acompanhei, corando mais um pouco, se é que isso fosse possível.
Acenei com a mão livre e comecei a caminhar para o carro de Cynthia, a mesma estava a alguns passos atrás de mim. Ela tinha um sorriso no rosto que denunciava seus pensamentos, e eu sabia que não eram bons.
— Quem era? — perguntou interessada.
— Ninguém.
— Alice, ele é meio que notável de mais para ser ninguém. — Ela respondeu frustrada e eu pude sentir que havia revirado os olhos.
— Namorado! — Anna bateu as palminhas gorduchas e riu escandalosa.
— Não é não! — protestei aos berros, como uma criança da terceira serie. Cynthia riu atrás de mim e conversou algo com Anna que eu não pude entender. Essa maldita linguagem mãe e filha ainda me mata!
O Corvette preto passou por nós, os vidros tão escuros que eu mal pude distinguir as formas ali dentro, mas eu podia ter certeza de que Jasper sorriu para mim. Oh Alice, por favor, sem devaneios, vamos voltar as historias de contos de fadas?
Coloquei Anna sentada na cadeirinha e tive certeza de que ela estava bem presa, antes de me sentar no banco da frente. Cynthia ligou o radio em uma estação qualquer e limpou a garganta. Tudo que pude me perguntar foi se seria um interrogatório a respeito de Jasper, ou um sermão a respeito de sexo, já que ela achava que ele era meu namorado.
"Quem me dera", pensei comigo mesma, antes de ouvir o que ela tinha a dizer.
— Vai me dizer quem ele é? — Ah, o interrogatório!
— Uhm... Você quer mesmo saber? — perguntei com cuidado. Cynthia nunca parecia interessada de mais na minha vida.
Ela bagunçou os curtos cabelos loiros e me olhou quando parou o carro na saída do estacionamento.
— Se eu não quisesse não perguntaria. É mesmo o seu namorado? Porque se for, acho que precisamos ter uma conversinha sobre... — ela continuou a falar. Ah, o sermão sobre sexo seguro. Wow, se ela soubesse que isso não acontecia nem na minha mente... ainda.
— Cynthia, Cythia! — chamei tentando impedi-la de me descrever as terríveis conseqüências da irresponsabilidade. — Ele não é meu namorado. Nem mesmo o conhecia até ontem. Eu o conheci no The Pie Hole, e esbarrei com ele no parque ontem. E hoje o encontrei aqui. Não é nada de mais. Apenas um conhecido. — olhe para Anna sentada na cadeirinha e falei em tom irritado e brincalhão. — essa monstrinha que tem uma imaginação muito fértil para a idade dela.
Anna riu de mim e bateu palmas mais uma vez, fazendo Cynthia rir. Ela murmurou algo como "Estamos a deixando tempo de mais com Sarabeth" e continuou a dirigir. Quando a babá estava ocupada, Sarabeth sempre cuidava de Anna, adorava ter uma bonequinha viva, e Anna odiava isso. Eu meio que a usava como vingança, quando Anna não me obedecia.
Encostei a cabeça no vidro do carro e fiquei observando as gotas da chuva que começava a cair, fraca, no vidro do carona. A água caia e lavava qualquer sujeira. Tudo que tinha pela frente. As vezes eu desejava que ela pudesse lavar pensamentos, assim quem sabe ela levasse Jasper embora, e meu coração não palpitasse mais, cada vez que eu pensasse em seu nome. Estúpidos sentimentos, para que eles servem mesmo?
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N/a: ahhhh gente, eu amei todos os comentários, serio, fico super feliz com eles! Animam meu dia *-*
Ah, só pra constar, ignorem a dieta e o crescimento hiper-mega-master-blater-sonico da Nessie, e os meus vampiros também são mais sociáveis que os da tia Steph. (pelo menos foi o que uma amiga me disse :F)
Então, tava na hora do Jasper ganhar um carro né? Por que será que ele é o único que não tem um? :~ tadinho do meu Jazz. Aliás, link do carro no meu perfil ;D
Ahh, mas e ai? O que estão achando dessa insanidade? Está boa? Está ruim? Podem falar, criticas construtivas são sempre bem vindas, e ajudam muito!
Agora eu vou que estou mortinha, mortinha. .-.
xo . xo
Bih.
