N/A: ahh, eu realmente recomendo que leiam esse capitulo ouvindo Keep me up all night, dos The Gliteratti. (.com/watch?v=h84PqQBEAB4) é só digitar o w w w . y o u t u b e . (cole o link acima) \o
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CINCO — VAZIO
Quando acordei na manhã de quarta-feira, tudo que eu queria era não ter que ir ao colégio, não ter que ver Izzie e sua birra comigo, não ter que escutar as idiotices de Tom e o egocentrismo de Sarabeth, ainda mais agora que ela começava a sair com Brian. Garotos sempre pioravam a humor dela. Me senti ridícula e estúpida por não querer passar tempo com os meus amigos, isso não era e nem deveria ser normal. Porém, agora tudo o que eu queria era mais tempo. Mais tempo para pensar em Jasper, para me fixar naquele mundinho que eu criei para nós dois, mesmo que somente na minha cabeça.
Eu estava começando a acreditar veemente que era algo em seu destino. Quer dizer, porque eu esbarraria tanto com ele se eu não tivesse um papel importante no destino dele ou ele no meu? Wow, pensar nisso era a pior parte, fazia a minha cabeça doer.
Mesmo sem vontade eu sai da cama, me troquei, me maquiei e escolhi ir para o colégio com sapatos Prada, para dar um descanso as minhas botas Jimmy Chooes favoritas. Não cumprimentei nem conversei direito com Cynthia na manhã. Eu não queria fazer isso. Sai de casa o mais rápido possível com a desculpa de que eu teria prova e precisava terminar uns exercícios.
A rua estava extremamente vazia, e eu quase nem vi pessoas andando na rua. O vento era gelado e cortante e as nuvens estavam cinzas no céu. Hoje seria um dia chuvoso, muito chuvoso. Quando estava me aproximando do portão do colégio, percebi o mesmo Corvette preto do dia anterior parado no acostamento, e a garota de cabelos castanhos e o garoto de cabelos cor de bronze saíram rindo do carro. A garota me olhou e sorriu, e eu me senti bem. Os dois entraram no colégio e quando o carro passou por mim com o vidro do motorista aberto se afastando, eu pude ver Jasper. Ele ria com uma loira sentada no banco do carona, ambos muito parecidos. Eu reparei em detalhes de mais — como os lábios vermelhos da loira, seu cabelo vibrante, uma bolsa Dolce & Gabanna nas mãos, sua beleza desumana — mas tenho certeza que eles não repararam em mim.
Assim que o Corvette desapareceu, eu senti um vazio dentro de mim de novo. Era como se eu tivesse perdido o meu lugar no mundo. Me lembrava o dia em que os militares apareceram na casa de minha tia Agatha. Quando eles falaram que meus pais haviam falecido. Naquele dia eu perdi meu lugar no mundo, eu perdi a razão, e eu me perdi em quem eu era. Nem mudar de cidade ou ficar perto de Cynthia havia devolvido meu lugar no mundo. Eu ainda sentia um buraco ali, eu ainda sentia que faltava algo. Embora agora eu soubesse quem eu sou, e tivesse razões para viver, eu ainda não tinha lugar no mundo, e quando aquele Corvette foi embora sem seu motorista notar minha presença, foi como se ele levasse o meu lugar embora. Foi como se eu não soubesse mais aonde devesse estar.
— Hey, Mary. Ficou maluca? Vai se molhar toda. — vi Sarabeth parar ao meu lado e colocar seu guarda-chuva sobre nossas cabeças.
Passei as mãos pelos cabelos e os senti úmidos. Fiquei tempo demais observando o vazio no horizonte, que não notei a chuva fina começar a cair, que não notei os pequenos pontinhos manchados que ela estava deixando na camurça preta do meu Prada. Que não percebi o frio que aquilo causava. O que está acontecendo comigo?
— Você está se sentindo bem? — ela perguntou, não muito interessada, enquanto me guiava para a parte coberta do pátio do colégio.
Ela falou mais alguma coisa que eu não prestei atenção, e logo o sinal bateu. Me despedi de Sara enquanto me encaminhava para aula de literatura. Procurei por Izzie pelos corredores, mas não a encontrei. Será que ela estava tão magoada que iria matar a aula de literatura para não me ver? Será que ela é tão egocêntrica assim? Oh, e por que eu ligo tanto? Eu já pedi desculpas, e já aturei o mau humor dela muitas vezes, por que ela não pode aturar o meu?
Entrei na sala de aula e todos já estavam lá. Izzie não estava, mas a menina Cullen (que eu não consigo lembrar o nome) estava. Ela sorriu de novo para mim, e eu retribui, sentando sozinha no lugar que dividia com Izzie. Sim, aquela mesma que deveria ser a minha melhor amiga.
A professora entrou na sala muito empolgada falando de Razão e sensibilidade, um livro que eu realmente desprezava. A historia era muito bonita e tudo, mas eu realmente preferia ler livros sem ser obrigada, e livros de mistério. Prendem mais a sua atenção, romance e drama somente nos cinemas. É, filmes de terror não tem graça, só me assustam. Foi fácil, muito fácil me desligar da aula e me fazer invisível ali. Comecei a rabiscar as ultimas folhas do meu fichário e quando percebi o que eu estava desenhando, quis poder arrancar o meu subconsciente e bater nele. Mas, Jasper estava desenhado tão bonito que seu desenho quase me hipnotizou. Rolou mais alguns desenhos, a professora recitou algumas partes do livro, e quando o sinal bateu, eu não sabia de nada que havia passado na aula de literatura. Só vi que, escrito no quadro, estava que deveríamos entregar um trabalho sobre os cinco primeiros capítulos de Razão e Sensibilidade na semana que vem.
"Acho que ainda tenho o meu trabalho em algum lugar." Pensei comigo mesma. A escola em Londres estava atrasada e eu já havia feito esse trabalho em Tulsa, há uns quatro anos atrás. O segundo tempo era livre, e eu me sentei em uma parte coberta, perto do portão de Saint Patrick, de onde podia-se ver o campo de lacrosse, aonde alguns garotos — inclusive Tom — jogavam debaixo da fina chuva. Voltei a minha atenção as ultimas paginas de meu fichário e tornei a desenhar. Não era algo que eu controlava, quando eu via já estava desenhando, e minha cabeça doía. Isso me lembrava alguns desenhos assombrosos que eu fazia quando tinha seis anos de idade, como da vez em que desenhei Brookie Heartz presa em algum lugar. Não identificaram o lugar, somente a garota. A mesma que estava desaparecida. Fui a fofoca de Tulsa por um bom tempo, até mesmo depois de encontrarem o corpo sem vida da garota. Não gosto de lembrar dessa época. Foi uma época distante das pessoas e muito... Emotiva. Mas mesmo assim, o que eu fazia agora, me lembrava essa época. Os outros alunos que assim como eu tinham aula livre também estavam sentados não muito afastados de mim. Era um lugar amplo e coberto, especial para os dias como hoje. Vi Izzie passar pelo meu lado, mas não me olhou, foi em direção a aula de economia e simplesmente me ignorou! Ela estava fazendo guerra por causa de ontem? O que eu fiz de tão ruim assim? Era guerra que ela queria, era guerra que ela teria! Orgulho próprio é algo que muitos deveriam ter!
Estava tão obsorta na minha ira que só percebi sua presença quando sua voz aveludada se pronunciou.
— Belo desenho. — ela elogiou, me olhando de cima.
A olhei abestalhada. Os Cullens não falavam com ninguém. Eles não demonstravam interesse em falar com ninguém. Então por que ela falava comigo? Quer dizer, quando eu os via no almoço era como se eles fossem modelos em uma sessão de fotos. Lindos, admiráveis e Intocáveis.
— Obrigada. — murmurei quase que inaudível. Ela se sentou ao meu lado, ainda com um sorriso e ajeitou o cabelo sobre os ombros.
— Meu irmão ficou bonito nos seus traços. — ela falou com voz divertida e eu corei violentamente. Droga! Havia esquecido que o desenho a que ela se referia era parte da insanidade da minha mente, em que insistia em transformar Jasper em meu príncipe encantado, e colocando-o em meu destino.
— Oh, isso. Quer dizer.. — tropecei nas palavras fechando o fichário e a olhei com um sorriso de desculpas.
— Não se preocupe, será nosso pequeno segredinho. — ela riu e piscou para mim. Soltei um suspiro de alivio.
— Alice Brandon. — me apresentei.
— Bella S.. — ela cortou a palavra no começo e fez uma careta. — Cullen. — ela tornou a sorrir.
Talvez ela não estivesse acostumada a usar o nome adotivo. Eu sei que eu nunca me acostumaria. De alguma maneira eu me sentia bem conversando com ela. Não vazia, ou sem lugar. Eu me sentia simplesmente bem. Talvez por que ela fosse como eu, talvez pelo fato de ela ter perdido os pais, assim como eu. Pelo fato de sermos parecidas, nesse quesito. Por que isso era tudo no que éramos parecidas. Eu nunca chegaria ter uma beleza tão grande quanto a dela. Ela podia ser modelo.
Trocamos mais algumas palavras, referentes ao tempo, e como era odiada a prova de biologia que teríamos na manhã seguinte, mas não mais de 20 minutos que ela estava ali, o garoto ruivo se aproximou, chamando com alguma desculpa que eu não dei muita bola. Os dois ficavam lindos juntos. E sim, deveria ser meio.. Uhm, esquisito achá-los um casal bonito, visto que eram irmãos (mesmo que adotivos), mas eles eram o casal mais bonito do colégio, definitivamente.
— Até outra hora Alice. — ela acenou coma a cabeça e o seu sorriso branco ainda estava ali. Eu sorri em resposta a ela e ao garoto ao seu lado, que também me lançou um sorriso.
Os dois saíram aos risos de perto de mim, e o vazio voltou. Talvez o vazio fosse apenas uma falta de companhia. Talvez eu devesse ficar mais com os meus amigos, eu só não sei como, visto que eu não quero ficar com eles. Mais meia hora de passou e o sinal tocou, ma fazendo ir em direção a aula de francês. Eu gostava da aula de francês, eu gostava de francês. Mas hoje, eu não estava gostando de nada e isso era irritante, frustrante. Eu queria que o almoço chegasse logo, queria por em pratica e ver se o vazio sumia quando eu encontrasse meus amigos. Se eu ainda tivesse amigos. Eu amo Tom, e sei que ele me ama, mas também sei que se Izzie não quiser se sentar perto de mim no almoço, ele não se sentara, e não sei se gosto da idéia de ser a vela de Brian e Sarabeth, principalmente quando eu não gosto de Brian. Saímos apenas uma vez e ele cruzou todos os sinais possíveis. Quase o denuncie por abuso sexual, e agora, enquanto ando em direção a mesa em que ele divide com Sara, eu acho que foi uma tremenda burrada não fazê-lo.
Me sentei na mesa e soltei minha bandeja, quase vazia — se não fosse o pacote de batatinhas e a soda limão — em minha frente. Logo depois Izzie e Tom se sentaram a mesa. Izzie finalmente voltava a falar comigo. Com cautela, sem perguntar de mais, sem dar respostas muito longas. Mas sempre sorrindo. Acho que estávamos fingindo que nada aconteceu. Mas o negocio é o seguinte, eu não estava para reconciliações hoje. Eu nem prestava atenção nela.
Na verdade, toda a minha atenção estava na mesa no canto do refeitório, uma mesa pequena onde o ruivo e Bella estavam sentados. Eles conversavam animados e riam. Suas bandejas intocadas. Como eu disse, eles pareciam modelos em uma sessão de fotos, e o resto eram apenas sacos de ossos e carne que eu não dava a mínima.
— Você está me ouvindo? — Izzie perguntou tocando o meu braço. Me assustei com o toque de sua mão quente e dei um pulo no banco. Ela me olhava intrigada. — Onde está a sua cabeça hoje, Lice?
Balancei a cabeça levemente tentando afastar todos aqueles pensamentos confusos. Eu queria me concentrar e dar uma resposta convincente e que não a fizesse me interrogar e querer saber como eu me sentia. Eu sempre falei a respeito de tudo com Izzie, ela era minha melhor amiga, mas parecia que ela não iria entender. Eu nunca a vi como eu estou, ela nunca se apaixonou por alguém que mal conhecia, ela não perdeu os pais, ela não tinha lembranças doloridas, e ela não se sentia vazia mesmo perto dos amigos. Sim, o vazio ainda não havia ido embora.
— Muito longe. — murmurei em um suspiro, abrindo minha latinha de soda limão e dando um pequeno gole.
— Você está se sentindo bem? Quer ir a enfermaria?
— Não Iz, eu estou bem. Só preciso de um tempo sozinha. — falei pegando o saquinho de batatas e a latinha de soda na mão, me levantando da mesa.
— Lice, espera. — ela gritou atrás de mim. Ótimo. Eu pedi para ficar sozinha, mas é claro que Izzie nunca me deixaria sozinha. Ela não era esse tipo de amiga. — Você quer conversar? Esta acontecendo alguma coisa?
— Não Izzie, eu não quero conversar. Eu não quero falar, eu só quero ficar sozinha! — falei ríspida me virando para ela. Eu sabia que eu iria magoá-la novamente, e que dessa vez ela não daria o braço a torcer. Senti meus olhos arderem e lutei para as lágrimas não caírem.
— Alice, o que deu em você? Ultimamente você tem estada muito irritante. — ela falou com raiva. E lá se vai quatro anos de uma amizade até então perfeita.
— Olha, me desculpa se eu estou parecendo uma megera, mas eu realmente preciso ficar sozinha, e o seu interrogatório não me ajuda em nada!
— O que você tem! Eu hein... — ela falou mais calma.
— Saudades. — menti. Mas talvez não fosse mesmo mentira. Aos doze anos em Tulsa, a vida parecia bem mais fácil. Quando minha mãe fazia biscoitos, e quando eu jogava baseball com meu pai no quintal, a vida também parecia mais fácil. Quando eles estavam vivos tudo era mais fácil. Então sim, também eram saudades.
Ela soltou uma exclamação e entendeu. Pediu desculpas e se afastou. Eu sai o mais rápido possível no refeito e corri para o banheiro do colégio. Me tranquei em uma das cabines e pretendia ficar ali por horas, não me importando quais aulas eu perderia. Eu estava me sentindo mais vazia ainda. Eu queria gritar. E eu queria saber. O que estava acontecendo comigo? Eu estava soluçando em um banheiro do colégio, eu queria desesperadamente ver Jasper, pois ele me acalmava, e eu queria mais do que nunca que meus pais estivessem aqui. Eu queria que tudo fosse diferente, e acima de tudo eu queria que a dor de cabeça horrível que eu sentia fosse embora, e que eu parasse de sonhar com coisas absurdas.
Por que eu não podia ser vazia e ficar em paz?
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N/A: ai gente, fiquei triste. No penúltimo capitulo tiveram sete reviews, e no ultimo só quatro .-. Vamos lá, no mínimo sete reviews para o próximo capitulo. Eu, particularmente, acho que a fic está ficando melhor a partir do capitulo seis \o/, eu adoro o capitulo seis e o sete. Então, ahh, estou tão viciada em Leah que ontem nem escrevi em Muro da Maravilhas, só escrevi uma song sobre ela e o Sam. Mas não sei se eu posto, parece que ninguém aqui gosta muito dos dois x.x
Anyway,
Ray, muito obrigada pelo comentário e pelos elogios, e Loveblack Cullen, não enlouqueça (mais ainda?) por essa fic. *O* eu não descanso até terminá-la. Jully, o ministério da saúde adverte, viciar nessa fic não trás perigos a saúde. *O* que bom que você ta gostando. Milla Mansen Cullen, eu também adoro os POV do Jasper, mas eu tenho medo de escrever. Vai que sai muito ridículo, ou eu não saiba fazer direito. :~
Mas, espero que gostem do capitulo meninas, e vamos lá, 7 reviews para o próximo post \o/
xo . xo
Bih.
