SEIS — CLOCKS
(Horas)
Jasper's point of view
Tédio. Acho que eu já comentei o quanto isso pode ser mortífero para alguém que tem o "para sempre" pela frente. Era sexta-feira de manhã, o sol iluminava toda a cidade, e por isso nós estávamos "escondidos" em casa. Eu estava jogado no sofá da sala, enquanto ouvia Emmett jogando videogame no andar de cima, Edward, Bella, e Esme estavam pela floresta caçando, enquanto Rosalie tomava conta de Renesme. Mais uma vez, eu era o único mergulhado no tédio. As coisas não tinham muita graça por aqui.
— O que você está fazendo? — ouvi a voz dilacerante de Rosalie perguntar, enquanto ela se aproximava, sem a bebê nos braços.
— Poxa Rose, até hoje eu nunca havia pensado que as loiras eram realmente burras. — falei com sarcasmo. O que eu estava fazendo? Dançando em volta de um arco-íris. Háhá.
— Estou vendo o que você está fazendo. Mas eu quero saber, o que você está fazendo com a sua vida!
— Uhm... Pergunta difícil. Vivendo da maneira mais convencional para todos? — ainda com o sarcasmo acido na voz. Eu não estava para papo hoje.
Eu sabia que não ia demorar muito, e logo uma almofada vôo na minha cabeça.
— Deixe de ser idiota, Jasper. Eu prometi a Esme que falaria com você. Ela está preocupada. Não vai a faculdade há três dias, não sai de casa para nada se não caçar e ficar se lamuriando pelos cantos! — ela brigou, elevando os braços ao ar e bufando em seguida.
— Eu não fico me lamuriando pelos cantos! — me defendi, sentando-me no sofá. — O que você espera que eu faça?
— O que eu quero que você faça? O QUE EU QUERO QUE VOCÊ FAÇA? — ela gritou com raiva, e eu tinha certeza que se pudesse estaria vermelha de tanta raiva. — Que você levante essa bunda do sofá e volte a escola. Que você vá conosco a festa beneficente que o hospital onde Carlisle trabalha está oferecendo, que você pare de se lamuriar porque tem medo de matar uma humana!
— Eu não vou sair de casa, Rosalie. — tentei falar o mais pacifico possível. Eu realmente não tinha paciência para discutir, não com Rosalie.
— E você pode me dizer por que cargas d'água você não vai sair de casa? — seu tom de voz ainda era irado, e suas mãos agora pousavam em sua cintura.
Rolei os olhos e joguei a cabaça para trás.
— É impossível! — quase gritei — Toda vez que eu saio de casa eu dou de cara com Alice, e eu estou falando Rosalie — tornei a olhá-la. — Se eu encontrá-la eu vou matá-la!
— Então mate-a logo e volte a ser o mesmo Jasper de antes! — ela falou como se a solução fosse muito simples e eu fosse um estúpido que não a via.
— Eu estou falando serio Rosalie, eu posso matá-la. — Ameacei mais uma vez. Eu provavelmente não mataria Alice... Não intencionalmente. Mas o cheiro dela, o sorriso. Me levavam além do meu corpo. Eu não conseguia pensar direito perto dela.
— Então vá, está esperando o que? Acabe logo com isso!
—Eu não posso matá-la. Eu não quero voltar a ser aquele monstro de antes. — bufei escondendo o rosto nas mãos. Deus, Rosalie podia ser tão insuportável quando decidia me fazer encarar meus demônios.
— Então seja homem e seja forte! — ela protestou, dando as costas para mim e seguindo escadas acima. Acho que ela deixou Reneesme com Emmett e tinha medo das conversas que ele poderia ter um uma criança com uma mentalidade tão avançada quanto a dela. — E pelo amor de Deus, faça algo para Bella parar de se sentir a melhor amiga da sua humana inútil. — soltou com raiva.
Epa. Melhor amiga? O que Bella pensava que estava fazendo? Ela havia enlouquecido de vez, era isso?
— Como assim melhor amiga? — gritei para ela.
— Pergunte a Bella. — respondeu antes de desaparecer para dentro de seu quarto.
Pro inferno, eu perguntaria mesmo para Bella. Ela que me aguarde!
Alice's point of view
A semana foi simplesmente horrível e dolorosa. Eu não suportava mais ficar com meus amigos, eu não suportava mais a voz de Izzie me perguntando como eu estava, ou Thomas contando as horas para a festa de Kyle no sábado. Eu precisava de uma injeção de animo. Eu precisava desesperadamente ver Jasper. Uma necessidade ridícula, visto que eu o conhecia tão pouco, e o tinha visto apenas algumas vezes.
Mas tentei lembrar a mim mesma de que ninguém manda no destino.
Estava deitada na minha cama, passava das cinco e meia da tarde, e eu tinha vários desenhos em minhas mãos, enquanto Zara estava deitada em cima de mais alguns. A dor de cabeça havia cedido, e eu já não sentia mais nada, obrigada neusadina! Ouvi alguém bater três vezes na porta do quarto e em seguida ela foi aberta.
— Já tomou banho? — minha irmã perguntou, me arrancando de meus loucos devaneios.
— Banho? Não, por quê?
— Ali! A festa do hospital, ela começa as oito. — me informou, e então toda a agenda do meu dia veio a cabeça. Claro, a festa!
— Oh, desculpe, eu me esqueci completamente. — falei fazendo Zara sair de cima dos meus desenhos e os juntando, para guardar.
— Tudo bem, mas faça de tudo para não nos atrasarmos muito. — ela ia fechando a porta quando soltou um "Ah" e retornou. — Pode fazer o favor de ligar para Sarabeth e pedir-lhe para vir o quanto antes?
Acenti com a cabeça e ela saiu do quarto. Me joguei na cama e os desenhos que estavam em minha mão se espalharam pelo chão do quarto. Eu não estava com vontade de ir a lugar algum, eu não tinha vontade de fazer nada, mas eu tinha uma festa para ir e pessoas que eu não conhecia para agradar, pois minha irmã era residente do terceiro ano, e residente-chefe do maldito hospital!
Peguei o telefone e disquei sem dificuldades o numero de Sarabeth, enquanto ajuntava todos os meus desenhos do chão. Chamou três vezes antes que a mãe dela atendesse, e passasse a ela.
— Sara? Tudo bem? — perguntei por pura formalidade.
— Mary! Tudo ótimo, nossa eu estava mesmo para te ligar. Será que tem como vocês arranjarem outra babá? — Perguntou muito animada.
Ótimo, isso mesmo. O-ti-mo!
— Não Sara, não tem como arranjarmos outra babá. O que aconteceu, pensei que gostasse de ficar com Anna!
— E eu gosto, ela é minha bonequinha preferida. Mas Brian me chamou para jantarmos, e eu acho que essa é a noite, Mary!
Rolei os olhos.
— Primeiro, pare de me chamar de Mary, e segundo: A noite? — perguntei intrigada, até onde eu sabia a única "a" noite com Brian Austin era sexo.
— Desculpe, Alice. — ela falou o nome com desde e eu rolei os olhos mais uma vez. — Sim, a noite em que ele me pede em namoro, finalmente!
— Finalmente? — perguntei não me agüentando e rindo. — Sara, vocês estão saindo a menos de uma semana.
— Hey, pare de estragar as minhas fantasias. Uma garota pode sonhar! — ela falou irritava. Com certeza uma garota pode sonhar, e no meu caso ficariam tudo para sempre em sonho. — Então, será que tem como Anna ficar com outra pessoa?
— Tudo bem Sara, não se preocupe. Eu vou dar um jeito. Divirta-se. — desejei, e dessa vez foi de verdade. Ela era uma pessoa mais agradável quando namorava e era iludida. Quem sabe dessa vez o cupido não agia certo perto dela?
— Obrigada Ma... Alice. Devo-te uma. Mas agora eu preciso desligar porque ainda não encontrei uma roupa decente.
— Boa sorte. — "Você vai precisar". Pensei comigo mesma, e desliguei o telefone.
Então, minha solução seria levar Anna a festa, e cuidar eu mesma dela. Pelo menos, quando ela ficasse com sono eu teria uma desculpa para me ausentar da festa, precisaria tomar conta dela!
Sai do meu quarto quase que de arrasto, e parei em frente a bancada da cozinha, onde Cynthia lia alguma revista medica.
— Sis, temos um problema. Sarabeth não pode ficar de babá hoje — ela ia começar a formular uma frase com muitos palavrões quando eu a impedi. — mas eu posso. Levamos Anna para a festa e eu tomo conta dela, não se preocupe.
— Mas.. Ela vai ficar com sono cedo. Não deveria se sacrificar tanto. Tenho certeza de que você vai gostar da festa, e que podemos achar uma outra babá.
— Assim em cima da hora? Só se for uma babá eletrônica, sis! É sexta a noite, quantas garotas você acha que ficam em casa em uma sexta a noite?
Cynthia resmungou alguma coisa e fez uma careta, eu apenas ri. Eu não contaria a ela que não iria gostar da festa super-chique-e-beneficiente, e que Anna era um trunfo para fugir da festa.
— Ok. Ok. Acho que vou levá-la ao banho então. — ela disse se levantando e indo em direção a sala, aonde Anna assistia aos Baby Loney despreocupada. — E você, trate de se arrumar logo, já são quase sete horas.
Exagerada minha irmã, não eram nem seis e meia. Mas fiz o que ela mandou. Eu levaria muito tempo até escolher entre um Dior e um estilista desconhecido, entre escolher o melhor sapato e os melhores acessórios. Eu levaria muito mais tempo na maquiagem e no cabelo. Bem, eu não gostaria da festa, mas isso não me impede de me arrumar. Ninguém sabe.
Depois de um banho — bem demorado, devo dizer. Me desculpe aquecimento global! — vesti minhas roupas intimas e sequei o cabelo com a toalha. Soltei-a em um canto e parei em frente ao espelho, decidindo qual vestido ficaria melhor para a noite estrelada e com uma bela lua cheia no céu. Preto era básico demais, senhora demais, e eu tinha apenas dezessete anos. Acabei optando pelo modelo rosa pálido sem mangas e com um decote leve. Ele era justo até a cintura, e dali se abria, três camadas de tecidos diferentes, onde as cores variavam bem levemente, de rosa pálido para rosa antigo. Possuía alguns desenhos de rosas em um tom de lilás no torso, era leve e gracioso. Perfeito. E eu tinha o adereço perfeito para usar com ele, um camafeu que ganhei de minha mãe no meu aniversario de seis anos. Ele havia sido de minha bisavó, e depois de tantos anos a corrente enferrujada foi substituída por perolas pequenas e rosadas. Eu adorava ele, e eram raras as ocasiões que permitiam o uso de uma jóia tão bela.
Ainda de cabelos molhados, sem maquiagem e descalça eu sai do quarto, a procura de Cynthia e Anna. Ouvi risadas vindas do quarto da monstrinha e parei na porta. Acho que nenhuma das duas percebeu minha presença. Minha irmã tentava vestir um vestido rosado e rodado, que deixava Anna parecida com uma princesa, enquanto ela lutava e pediu por uma calça e blusa. No final Cynthia venceu, e Anna bufou, cruzando os bracinhos em frente ao peito. Cynthia a reconfortava, prometendo que ela não precisaria usar um vestido daqueles por no mínimo três meses, mas você sabe, crianças nessa idade não tem uma noção tão boa de tempo. Mesmo eu tendo certeza de que a mentalidade de Anna poderia ser comparada a de uma senhora de 50 anos. Inteligente, vivida e muito, mais muito rabugenta. Eu ri da cena e voltei ao meu quarto.
O vazio recém-descoberto não me abandonava jamais. Ele ia embora nas ocasiões em que a garota Cullen, ou melhor, Bella, falava comigo. Nunca falamos sobre sua família, seus gostos ou nada do tipo, mas eu sempre falava de mim. E ela parecia não se importar. Eu perguntei se ela iria cursar psicologia, como o irmão, e ela não me respondeu, apenas riu. O vazio se fazia mais presente quando eu desenhava Jasper, quando minhas dores de cabeça voltavam, e quando eu sentia falta de meus pais. Em quatro anos, eu nunca pensei tanto neles como eu penso agora. Quer dizer, eles foram embora e levaram o meu lugar no mundo. Eu não tinha pai nem mãe, eu não tinha quem olhasse e cuidasse de mim, eu tinha apenas a mim mesma, e acho que saber que os Cullens, por mais que amassem os pais adotivos, também não tinham ninguém por eles, me fazia sentir uma empatia por eles.
Era engraçado como eu me perdia em pensamento quando o assunto era eles, e sempre precisava ser arrancada de lá por alguém.
Cynthia bateu três vezes na porta, mas dessa vez não abriu, apenas gritou um "Sete e quinze" e mais nada. Acho que ela também estava atrasada.
Voltei ao meu banheiro e comecei a secar os cabelos. Sobre a luz do banheiro eles ganharam um tom avermelhado, e eu me permiti perder alguns minutos o observando. Terminei de ajeitar as pontas desfiadas para cima, e me virei para o estojo de maquiagem. Pó, blush, deliniador, lápis de olho, rimel, sombra clara, e por fim um batom rosado. Me senti uma boneca de porcelana quando terminei, e fui obrigada a rir.
— Está pronta? — ouvi a voz de Cynthia vindo do meu quarto e sai do banheiro gritando que só faltavam os sapatos.
— Uau. — falei sorrindo. — Você está linda, big sis.
Ela sorriu envergonhada e deu um giro.
— Você acha? — ela encolheu os ombros.
— Definitivamente. — sorri observando seu vestido preto e longo. Sobre a saia caia um véu de tule preto dois centímetros maior que a saia de cetim fosco, tinha uma corpete também preto bem diferente, feito em linhas horizontais, não possuía mangas e tinha um decote em V, com uma pequena jóia prata abaixo do busto. Ela usava sandálias de tiras também pretas, e o cabelo bem penteado, era adornado por um arco prateado. Ela estava radiante. — Eu posso fazer uma pergunta? — pedi atrevida.
Ela deu de ombros e eu fui até meu closet, procurando os sapatos ideais. — Isso tem algo a ver com o Dr. Connor, que ligou para você umas 50 vezes essa semana? — eu estava de costas para ela, e havia acabado de achar os sapatos que fariam um par perfeito com meu vestido, mas tinha certeza absoluta de que ela estava vermelha.
Me virei para ela e, pimba! Vermelha como carmim! Me sentei ma cama e comecei a calçar os sapatos. Eles eram fechados na frente e nos calcanhares, as partes fechadas pareciam uma teia de aranha, em uma cor de lilás misturados com rosa claro, quando terminei de calçá-los fique de pé e a olhei.
— Então?
— Bem... — ela começou se levantando mas não me olhou. — Acho que está na hora de começar a viver. Nathaniel foi há três anos atrás, Ali.
Nós caminhávamos para fora do meu quarto e eu abracei sua cintura, tentando lhe mostrar que estava realmente feliz com aquilo.
— Já passou da hora, sis. Eu espero poder conhecê-lo hoje. — sorri para ela.
— Você vai. — ela piscou e foi buscar Anna, que tentava arrancar as sandálias dos pés, enquanto assistia a televisão. Peguei as chaves do carro de minha irmã e saímos porta a fora.
Afinal de contas, talvez essa festa não fosse uma total perda de tempo. Ela estava fazendo Cynthia feliz.
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N/A: então, esse capitulo não é bem o mais legal, eu prefiro o sete e o oito *-*
Eu sei que vocês gostam dos POV's do Jazz e tals, mas eu sempre me identifico mais com a Alice. .-. Mas prometo que estou trabalhando em colocar mais POV's dele nessa fic. *O*
E, Obrigada pelas reviews meninas *-* Lais, Milla Mansen Cullen, Teyas, mmmbenavides, Natália, Deisok-chan, Jully e LoveBlack Cullen. Wow, foi só eu pedir sete reviews, e no mesmo dia eu já as tive! Obrigada mesmo. Eu queria ter postado no domingo, mas minhas aulas só começaram segunda, ai eu fui adianda e só pude postar hoje. Desculpem. Se eu tiver mais 7 reviews para esse capitulo na sexta eu posto o sete. Prometo que é mais legal que esse.
E, cara, mmmbenavides, eu to realmente tentando colocar isso em pratica, fazer ele sentir o que a Alice sente e tudo, mas é meio estranho porque eu não sei bem bem como é isso, mas eu tento imaginar. E só não mostra mais porque os dois não ficam tanto tempo juntos, mas apartir do capitulo 11 as coisas vão mudar. ;D
Em fim, acho que é isso. E, ah, pra quem gostou da musica do ultimo capitulo é só falar que eu deixo o link pra baixar ela.
xo . xo
Bih.
