N/A: leiam ouvindo Decode - Paramore *-----* (.com/watch?v=SSaSY59d2a0). Mesmo esqueminha de sempre, digita w w w . y o u t u b e . (cole o link acima) e emocione-se *-*
Obs: o titulo desse capitulo quer dizer "Perto demais". É uma expressão que quer dizer algo como, perto de mais de descobrir um segredo, ao algo do tipo.
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QUINZE — TOO CLOSE FOR CONFORT
(Perto demais)
Quando cheguei em casa o sol já nascia através das nuvens, iluminando toda a cidade. Domingo, dia de ficar em casa e se esconder do sol. Domingo, dia de ter uma conversinha seria com a família, como descobri assim que entrei em casa. Edward alargou um sorriso de "E você riu de mim..." no rosto. Provavelmente já havia visto tudo em meus pensamentos. Rosalie, ainda fantasiada, batia o pé, encostada no batente da porta da sala de jantar, que jamais foi usada para, de fato, jantar. Bella estampava um sorriso parecido com o de Edward e Carlisle estava, no mínimo, preocupado. Não digo isso apenas pela sua expressão, mas pelo turbilhão de emoções que eu sentia vindo dele. Emmett estava sentado no sofá, indiferente a tudo que ocorria ali, assistindo televisão, e sentada ao seu lado eu vi Esme, o rosto em pura doçura e felicidade.
— Você gostaria de explicar o que diabos aconteceu ontem? — Rosalie perguntou, me encarando com seu olhar demoníaco. Era o mesmo que ela usava quando Emmett fazia algo realmente idiota.
— Vocês não sabem? — perguntei sarcástico e ela sentiu o tom em minha voz.
— Não, nós sabemos o que aconteceu, eu só não entendo porquê diabos você quebrou o nariz do rapaz! Ele podia ter morrido Jasper, e você colocou a mim e a Emmett em uma situação muito delicada — ela estava mais nervosa que o normal e começou a caminhar na minha direção. — Sabe o que aquele cheiro de sangue fresco fez? Emmett quase não conseguiu se controlar. Você colocou todos nós em risco, e pelo que? Por uma humanazinha qualquer?
— Rosalie, controle-se. — Emmett pediu, levantando-se e se colocando ao lado dela.
— Alice não é uma humana qualquer e você sabe disso, Rosalie. — Falei tentando manter a calma. E não do ambiente, mas a minha mesmo.
— Você não deveria ter ido aquela festa. — Carlisle informou, se pronunciando pela primeira vez. Ele estava muito serio, e eu não queria decepcioná-lo uma segunda vez.
— Se ele não tivesse ido, quem sabe o que teria acontecido com Alice!? — Edward me defendeu, e eu sorri, agradecido por ele não ser tão cético, como eu havia sido a respeito dele e de Bella.
— Nós não deveríamos interferi na vida dessas pessoas, Edward. — Carlisle continuou, e eu sabia que aquilo era verdade. Mas eu já havia desistido disso. — Ela deve ter a chance de ter uma vida normal e.. — Esme se levantou e, erguendo a mão, pediu para que ele se calasse.
— Não conseguem ver? Os dois estão apaixonados. — ela sorriu docemente para mim, falando como se aquilo fosse esclarecer todos os problemas.
— Apaixonados.. — Rosalie bufou, revirando os olhos.
— Rose, por favor. Você sabe muito bem o que é isso, afinal de contas foi um amor a primeira vista que a fez salvar Emmett daquele urso. — Esme virou-se de Rosalie para Carlisle, e ainda sorrindo continuou. — E você querido. Não devemos interferir na vida dela? Deveríamos deixar que o que devesse acontecer, acontecesse? Eu deveria ter morrido, mas você não deixou. O que há de tão errado em Jasper querer um humana, quando é claro que três de vocês optaram pelo mesmo? — Ela completou, agora falando com toda a família. — Edward e Bella estão bem juntos..
— Depois de enfrentarem os Vulturi, vampiros recém nascidos, vampiros vingativos... — Rosalie começou a falar, e eu estava pronto para pular em seu pescoço. Mas ela continuou. — Não me oponho a idéia de que, futuramente, venhamos a ter mais uma irmã. Essa garota, Alice, me agrada bastante. O que não me agrada é o fato de colocarmos a ela e a nós mesmos em risco. E se ela não quiser ser uma de nós? E se ela ficar com medo quando descobrir tudo? E se os Vulturi descobrirem e não forem tão amigáveis quanto foram com Bella e Edward?
— São tantos "e se..." — Bella murmurou, rolando os olhos. — Deixem que ela escolha. Ela sabe o que sente e o que deve ser melhor para ela mesma. Se não devemos interferir na sua vida, então devemos lhe dar a chance de escolher o que fazer com sua vida.
O silêncio reinou na sala, e eu podia ver que Edward e Bella, assim como minha mãe, eram a favor. Eram a favor de deixar Alice escolher. Emmett era indiferente. Eu sabia que quando conhecesse Alice, gostaria dela. E ele realmente não se importava se ela fosse humana, vampira ou meio vampira. Rosalie ainda era relutante e todos nós sabíamos o motivo principal; ela nunca escolheria isso para ela mesma. Carlisle ainda pensava, pensava muito.
— Você realmente a ama? — ele perguntou, preocupado.
— Não sei. — falei verdadeiramente. — O que é o amor? É gostar da sensação de ferro descendo a sua garganta? É sentir seu coração bater, mesmo sabendo que isso é impossível? Falar de amor e sentir são duas coisas diferentes.. — pensei em voz alta, e Carlisle sorriu.
— Faça o que achar melhor para você e para ela. Mas, por favor, tome cuidado.
Balancei a cabeça positivamente devagar. Carlisle subiu as escadas, Bella e Edward ocuparam-se com os gritos de Reneesme, exigindo que os dois fossem até seu quarto, e Emmett fez questão de levar Rosalie para o quintal da casa, para que ela se acalma-se. Eu fiquei ali só, com Esme me encarando com um sorriso largo no rosto.
— Você não vai falar nada como "Eu te disse", vai?
— Não. — ela sorriu e seus olhos brilharam. Ela me lembrava aqueles pais no dia da formatura do colegial, que choram ao pensar que seus filhos já são adultos e logo estarão indo para a faculdade. — Estou tão feliz por você. Não sabe como me deixava triste que você fosse o único que desejasse do fundo da alma que pudesse dormir e fugir do mundo. Você tem vida. — ela sorriu, caminhando em minha direção, me abraçando. — Eu já amo essa garota. Já a amo por fazê-lo brilhar e parecer "vivo" novamente. — ela afrouxou o abraço e fungou. Senti que ela estava realmente feliz, mas não entendi o fato de chorar por isso.
— Eu não queria que fosse ela que me fizesse "ter vida" — confidenciei, usando suas próprias palavras.
— E por que não?
— Porque ela é humana! — falei o obvio e Esme me olhou com um olhar repreendedor.
— Nunca diga isso. O amor age de maneiras distintas. Você não sabe o que essa garota tem a oferecer para você, ou o que você pode oferecer a ela...
— Ela tem tudo, Esme. O que eu poderia dar a ela? — a cortei, me sentido mal educado quando o fiz.
— Tem certeza? Você não pode ter certeza. Às vezes o que poderia ser "tudo" para você, não é para ela. Às vezes ela pode ter uma blusa cor de rosa, quando ela realmente precisa de uma vermelha. — ela falou carinhosamente, tentando me explicar algo que eu tinha certeza que eu não entenderia. — Você passou tantos anos se controlando, tantos anos recluso. Por que não se da uma chance? Não tenha medo de ser feliz...
Alice's point of view
Entrei em casa tentando não fazer barulho, o que foi bastante inútil, visto o estado em que eu me encontrava. Derrubei alguma coisa na sala e tropecei em alguns bichinhos de Anna no caminho para o meu quarto e sim, eu bati a testa na porta, antes de entrar no mesmo. Tentei massagear a minha testa, mas doía de mais, então desisti. Quando ia começar a tirar a fantasia eu vi a luz do corredor acender e depois de alguns segundos, Cynthia aparecer amarrando seu robe preto, na porta do meu quarto.
— Você não ia ficar na casa de Izzie? — perguntou sonolenta, e eu me virei para olhá-la, com os olhos semicerrados devido a luz.
— Ah droga, esqueci disso. — falei alto, fazendo a minha cabeça pulsar. — Porcaria.. Mas também, porque ela não estava perto? — murmurei para mim mesma.
— O que aconteceu com a sua fantasia? — minha irmã perguntou, se aproximando de mim e elevando meu braço, observando o rasgo que tinha ali. — Quem trouxe você para casa? O que aconteceu Alice? Como você esqueceu dos seus amigos? — ela perguntou freneticamente nervosa, me deixando nervosa também.
— Não aconteceu nada. Eu estava dançando e me perdi deles. Vou precisar concertar isso antes de devolver e eu preciso de um banho. — falei tirando a fantasia. Eu não queria que ela fizesse mais perguntas, tudo que eu queria era que ela esquecesse tudo aquilo. Eu queria esquecer tudo aquilo.
— Alice, o que aconteceu e quem a trouxe para casa? — tornou a perguntar autoritária, e as lágrimas logo brotaram em meus olhos. Malditas lágrimas traidoras! — Ali, você está me preocupando...
— Se eu te contar, você tem que jurar que não fará nada que eu não queira! — pedi tentando impedir as lágrimas de caírem. Totalmente inútil.
— Alice o que aconteceu?
— Prometa! — me exaltei.
— Eu prometo, me conta little sis.
— Quem me trouxe para casa foi Jasper, o filho do Dr. Cullen... — Falei tomando fôlego, começando pela parte que menos me abalava. Quer dizer, que menos me abalava de uma forma ruim.
— E porque ele o trouxe para casa?
— Porque ele achou.. Uhm.. Perigoso eu ficar sozinha, ou entrar na casa atrás de Izzie.
—E porque ele achou isso perigoso? — ela me olhava calma, mas seus olhos estavam assustados e eu não conseguia olhar dentro deles.
— Ele achou que Michael pudesse vir atrás de mim, de novo. — desviei meus olhos dos dela, e encarei meus pés.
—E qual o perigo disso?
— Ele poderia querer se vingar, por Jasper ter me.. Afastado dele.
— Querida, Michael fez algo com você que você não queria?
Ergui meu rosto, sentindo uma lágrima escorrer por ele e a olhei. Ri nervosamente.
— É isso que você pergunta as vitimas de estupro que chegam ao hospital? — Cynthia abriu a boca em um O e me encarou paralisada por vários segundos.
—Isso é muito serio Alice, precisamos ir a policia. Eu só vou me trocar e..
— Não, não! Nós não vamos a lugar nenhum! — protestei irritada.
— Alice, isso é serio. E se acontecer de novo? Isso não pode ficar assim!
— Você prometeu que não faria nada que eu não quisesse. Por favor! — pedi secando as lágrimas de meu rosto. — Eu só quero um banho e dormir e esquecer. — desmoronei sentada em minha cama.
— Ali...
— Por favor. — pedi cobrindo o rosto com as mãos.
Sentia as mãos de minha irmã na minha cabeça, e em seguida ela deixou um beijo ali.
— Se acalme e durma um pouco, a gente conversa melhor amanhã pela manhã. — e ela saiu do quarto, me deixando ali, sentada sobre a cama.
Eu não sabia o que me aterrorizava mais. As imagens de antes ou depois. A lembrança de Michal por todo o meu corpo, ou a lembrança do meu corpo tão próximo ao de Jasper. Jasper! Agora eu até mesmo me permitia a pensar no nome dele, no rosto dele, no toque gelado de sua pele, no seu aroma...
Deus, eu iria enlouquecer muito em breve, com as lembranças que não queriam me abandonar.
Me levantei e comecei a tirar a fantasia. Deixei o paletó sobre a minha cama e me encaminhei para o banheiro. Um banho rápido pra tirar o cheiro de Michael e da Bebida do meu corpo, e depois me enfiei na minha camisola de seda lilás da Victoria's Secret, que eu havia ganhado de Sarabeth no meu aniversario de 17 anos. Me deitei na cama e puxei o paletó dele bem perto do meu rosto, o abraçando e sentindo aquele cheiro. Adormecendo com aquele aroma tão bom.
Os sonhos vinham todas as noites. Eu tinha dois tipos de sonhos, aqueles que eram realmente sonhos, e aqueles que significavam algo. Aqueles que me renderam um tempo internada no hospital quando eu tinha sete anos. Aquele que eu aprendi a ignorar. Aqueles que as pessoas costumavam chamar de visões. O que eu tive esta noite se encaixa, definitivamente, na segunda categoria.
Uma pessoa corria por entre as arvores do bosque com uma agilidade impressionante, ela parecia apenas um borrão. O céu era branco de nuvens com apenas algumas frestas por onde os raios do sol escapavam. Perto dali, um rebanho de cervos se alimentava das folhas baixas molhadas pelo orvalho da manhã e bebia água de um riacho. Minha garganta ardeu. A pessoa foi diminuindo o passo até parar por completo atrás de alguns arbustos. Eu podia sentir sua sede queimar em minha garganta. Foi quando um filete de nuvens se abriu exibindo-o sobre a luz do sol. Jasper. Sua pele brilhava na luz, eram como diamantes dos mais caros, aqueles que mais brilham. Como se milhares deles estivessem encravados em sua pele, lançando arco-íris no ar. Ele esperou por um momento, e então se jogou contra o rebanho, agarrando o maior dos cervos e se deliciando com seu sangue. Eu pude sentir o queimar em minha garganta ceder, mas não o suficiente. Seriam necessários outros cervos. Ele jogou a carcaça seca e sem vida de lado e se preparou para atacar novamente...
Ai eu acordei, subitamente. Passei a mão na garganta, sentia um leve queimar ali. Apertei os olhos e balancei a cabeça. Uma visão. O que isso queria dizer? Ou melhor, o que Jasper era? Caçando animais, bebendo sangue, brilhando a luz do sol, mais rápido que um carro de Formula 1. Olhei o relógio que marcava onze e meia da manhã e me joguei novamente na cama. Aquilo não fazia sentido. Nada daquilo fazia sentido para mim. Adormeci novamente, sem sonhos.
O sol atravessou as cortinas do meu quarto, e seus fracos raios tocaram meu rosto. Uma cena linda, se não fosse o fato de eu estar de ressaca e da dor muscular que aquela "coisa" que colocaram na minha bebida me causava, fora o sonho/visão que eu havia tido com Jasper. Aquilo era perturbador. Abri os olhos lentamente, tentando me acostumar com a claridade. Me sentei na cama e esfreguei os olhos, percebendo que a maquiagem da noite anterior ainda estava ali. Olhei no relógio. Três horas da tarde.
Me levantei e fui até o banheiro, passei o removedor de maquiagem e lavei meu rosto. Eu não sei se para acordar ou para perceber que nada daquilo havia acontecido. Infelizmente eu apenas acordei, porque tudo aquilo havia acontecido. Amarrei meu cabelo em um pequeno rabo-de-cavalo e voltei para o quarto. Vesti minha calça xadrez rosa de flanela e uma blusa qualquer. Liguei o computador, eu tinha algumas pesquisas para fazer. Passei pela cômoda pegando meu sidekick e indo em direção a cozinha, com minha barriga roncando. Havia oito chamadas perdidas de Izzie e Sarabeth no meu celular, e mais duas mensagens.
"O que diabos aconteceu com Michael? Por que você não impediu seu amiguinho de quase matá-lo? I."
"O
que aconteceu? Estou preocupado. Você está bem?
Amor, Tom."
Ignorei a mensagem de Izzie que exigia explicações e decidi responder apenas a de Tom, afinal, ele não julgava sem saber da historia.
"Eu
estou bem. Esqueci que iria dormir na casa de Izzie e vim para a
minha. Pergunte ao seu irmão o que aconteceu.
Amor, A."
Ignorei as ligações também. Eu precisava primeiro ter respostas a respeito do meu sonho, depois eu me preocuparia com os outros.
— Está com fome? Pedi italiana. — Cynthia sorriu do sofá para mim.
— Faminta. — sorri me dirigindo ao forno. Minha cabeça latejando pela claridade.
— Tem aspirina no armário. — ouvi sua voz mais próxima e a vi parada, debruçada sobre a bancada da cozinha.
Sorri para ela e tirei meu almoço do forno, tomando primeiro a aspirina.
— Ali, eu preciso lhe contar uma coisa. — ela disse, e eu gelei. Era tudo que me faltava ela querer voltar ao assunto que eu queria esquecer.
— Você prometeu. — murmurei sem me virar para ela, pegando talheres.
— Eu sei, eu não fui a policia, mas eu falei com os Watson. Michael está no hospital, parece que foi um soco muito bem dado pelo seu amigo. — ela continuou a falar enquanto meu corpo relaxava. Eu não sabia o que havia saído da conversa, mas tudo era melhor do que ir a policia e ser apontada na rua como a problemática, mais uma vez.
— Ele mereceu. — falei colocando o prato sobre a bancanda e me sentando, mandando a primeira garfada de ravióli goela abaixo.
— Sim. A sra. Watson ficou escandalizada, jurava que o filho nunca faria isso. Fiquei com raiva dela, achando que você seria capaz de inventar algo desse tipo. — Cynthia revirou os olhos. — Michael não diz o motivo pelo qual apanhou e nem o porquê de não ter revidado. Ela sabe da historia, só não quer acreditar. — ela ia continuar, mas quando desviei os olhos prestando mais atenção em minha comida do que nela, ela decidiu encurtar. — Em fim. Eu só disse que não iríamos da queixa, mas que eu não queria Michael perto de você novamente.
— Tudo bem. — dei de ombros, fingindo indiferença.
Ela me observou comer por alguns instantes e depois bateu o pé.
— Eu e Anna estamos vendo alguns desenhos. São infantis e bobinhos, mas se quiser se juntar a nós...
— Eu tenho uma pesquisa para fazer... Para o colégio. — falei. Era a verdade, eu tinha mesmo uma pesquisa para fazer. Eu não poderia chegar amanhã no colégio, contar o meu sonho barra visão para Bella e esperar que ela me explicasse.
Continuei a comer, mas nem sentia o gosto da comida muito bem. Eu estava com pressa. Levei alguns minutos para perceber que Cynthia ainda estava parada bancada, me olhando comer.
— O que foi? — perguntei de boca cheia. Eu estava com pressa e não queria voltar ao assunto "Michael".
— Você está mesmo bem? — ela perguntou mordendo o lábio inferior, e eu bufei, enfiando a ultima garfada de ravióli goela abaixo. — Quer dizer, você sabe que se quiser falar com... Outra pessoa, você pode.
— Outra pessoa? — perguntei quando terminei de engolir. — Alguém como a Dr. Sanders, lá em Tulsa? — falei irônica. Eu não procuraria "ajuda especializada" por algo que não estava nem me atingindo.
—Alice, por favor... — Cynthia começou, mas eu não deixei que ela terminasse.
— Eu não quero passar nem perto de um lugar como aquele! — quase gritei. Me levantei e deixei o prato na pia, pretendendo voltar ao meu quarto. Mas é claro que ela não deixaria.
— Você não vai voltar ao hospital... Você sabe disso, a situação é diferente. — ela bufou, impedindo a minha passagem.
— Sim, bem diferente. Eu não sou mais um menininha de sete anos de idade e uma mente fértil. — ainda irônica. Sentia as lágrimas brotarem em meus olhos pelas lembranças. Ou melhor, a falta delas. — Nunca passou pela cabeça de ninguém que eu era muito criativa? Que eu não tinha "visões" ou estava ficando louca? Que eu era apenas uma criança? — levei a mão aos olhos, impedindo as lágrimas de caírem. Eu odiava tocar naquele assunto tanto quanto ela odiava.
— Não culpe papai e mamãe por isso, eles estavam assustados! — minha irmã me repreendeu, e uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Droga!
— Eu não culpo eles. Os médicos que não deveriam ter aceito algo do tipo. Tratar uma criança com eletro choque?
— Alice...
—Eu não preciso de ajuda. Eu estou muito bem, nada abalada. Você está fazendo mais do que não é! — gritei me desviando dela.
— Ali, por favor...
— Não. — bradei — Você tem noção do que ter a sua mais remota lembrança como uma criança de nove anos? Não. Você não sabe. Você lembra de quando ganhamos Fluffy, o gatinho que morreu antes de você vir pra cá. Você lembra do natal em que o papai se vestiu de duende porque as fantasias de papai noel haviam acabado, você lembra de tudo que aconteceu nos meus primeiros oito anos de vida. Eu não. Então não me peça para confiar em alguém que fez isso comigo. — limpei as lagrimas que escorriam pelo meu rosto e corri para o meu quarto, batendo a porta atrás de mim.
Eu estava com raiva. Raiva por ela não acreditar que eu estava bem. Eu estava bem! Ela tratava como se ele realmente tivesse conseguido algo de mim. Eu estava mais do que bem. Eu estava ótima, Jasper havia aparecido. Havia sol e brilho na minha vida. E apesar das duvidas e quase-certezas, nada poderia me fazer desistir dele. Não era o tipo de sentimento que você desiste. Não era o tipo de coisa fácil de abrir mão; a comodidade, o reconforto, a felicidade, o carinho... Tudo que eu sentia perto dele era maior do que qualquer sentimento que eu tive por qualquer outro garoto. Com ele era diferente, com ele era amor.
Ouvi a porta do quarto começar a se abrir, rangendo. Me virei pronta para brigar com Cynthia, se esse fosse o caso, mas quando vi quem era me apressei a secar as lágrimas. A pequenina parada na minha porta havia me pego desprevenida. Ela ainda trajava pijamas, ela os adorava e não gostava de ter de se trocar para ficar em casa nos finais de semana. Anna me olhou curiosa até que eu disse que ela podia entrar.
— Tudo bem com você? — perguntei interessa pelo que a teria tirado dos seus tão amados desenhos animados.
— Sim. Eu só queria perguntar uma coisa. — ela disse tímida e envergonhada. E eu estranhei. Desde quando a minha monstrinha era tímida e envergonhada?
— O que aconteceu, monstrinha? — perguntei sorrindo, tentando lhe soar confiante.
— Nos desenhos, as fadas realizam desejos, certo? — concenti com a cabeça, sentando na cadeira de rodinhas que ficava em frente ao meu computador e pegando-a no colo. — Então, eu vi suas asas. Você é uma fada? Eu sempre achei isso. Queria fazer meu pedido pra você, porque vai demorar muito até que a fada do dente apareça... — eu ri. De verdade. Era tão engraçado ver aquela garotinha que tinha alma de uma velha de 50 anos, realmente agir como uma criança de três/quatro anos.
— Vou lhe contar um segredo, ok? — falei sorrindo confidente, e ela abriu os olhinhos entusiasmada. Eu não iria acabar com a felicidade dela, eu não iria estragar o momento mais criança que eu já havia presenciado. Não deveria ser um desejo tão difícil, deveria? — Sim, quando eu visto minhas asas, eu sou uma fada. E posso realizar o seu desejo, se você me contar ele. E se você realmente quiser que ele se realize.
Anna deu pulinhos no meu colo e eu ri mais uma vez. Ela segurou meu rosto entre suas mãozinhas gorduchinhas e me fez olhá-la nos olhos, aquelas grandes bolas de gude azuis.
— Eu quero ver você e a mamãe felizes. Eu quero que a mamãe fique com o Doutor, ele faz ela rir e atender o telefone com saltinhos. É engraçado, ela fica bem. E eu gosto dele. E eu quero que o moço loiro seja seu amigo, você sorri tão engraçado e feliz perto dele. — fiquei pasma com as palavras dela, e as ultimas até mesmo me fizeram corar. — E você fica tão feliz. Mais feliz do que quando a Wanda briga com alguém, ou o Cosmo age como um idiota ou quando o Timmy faz pedidos realmente idiotas. — ela tomou fôlego e me olhou sorridente, saltando do meu colo. — Eu quero vocês felizes.
— Nós somos felizes. — sibilei corada.
— Então as quero mais felizes. — ela sorriu e saiu correndo do meu quarto.
Nem a ela eu enganava? Ok, ok. Eu só deveria convencer a mim mesma. Bela trouxa sou eu.
Girei na cadeira e me "rolei" até o computador. Abri o navegador da internet e me deixei envolver pelas minhas duvidas e quase-certezas. Entrei no google e parei. Tamborilei os dedos na mesa pensando no que eu colocaria ali. O que eu pesquisaria? Jasper Hale?
É, parece bom o suficiente. Digitei no campo designado para isso o nome "Jasper Hale Cullen" e dei enter. Aguardei poucos instantes antes que a pagina se abrisse.
"Resultados 1 - 10 de aproximadamente 406.000 para jasper hale cullen (1,10 segundos)"
Ok. Meu queixo foi ao chão. Haviam milhares de Jasper's no mundo com seus milhares de blog, flog, my space, devian art e etc... O que eu faria? Olhei as primeiras páginas, mas desisti quando cheguei na décima quinta. Eu queria algo imediato, e ele não parecia o tipo de garoto que mantinha um site na internet.
Foi então que eu me lembrei de Cambridge. Eu poderia pesquisar pelo nome dele no site da universidade. Mas logo a minha idéia foi barrada, quando eu vi que para abrir a pagina sobre os alunos eu teria que ser aluna. Por que ele não poderia estudar em Oxford? Ai eu teria o cadastro de ex-aluna de Cynthia. Mas não, Oxford também seria muito longe. Relacionamentos a distância não dão certo.
Não, não. Nada de relacionamentos Alice, apenas amizade. Você só quer descobrir quem é o seu novo amigo. Ou seria o que? Humpf.
Mas ai eu lembrei da fraternidade. Se ele estava na fraternidade, era porque ele conhecia alguém de lá, ou porque ele mesmo morava lá! A-há, peguei você agora Jasper. Procurei pelo nome da fraternidade no site oficial da universidade e entrei lá. Dei graças a Deus quando o campo para pesquisa abriu sem que eu precisasse inserir mais informações.
Digitei lá apenas o Hale, mas nada apareceu. Digitei Jasper e cinco opções apareceram. Pelas fotos percebi que nenhum era ele. Então optei pelo Cullen. E apenas um foi encontrado, sem foto, apenas o nome "Emmett Cullen". Pensei que ignorar, visto que não era o nome pelo qual eu procurava, mas me intrigou o fato de terem o mesmo sobrenome que o Dr. Carlisle. Eu não achei Cullen um sobrenome assim tão comum para que duas famílias que não fossem relacionadas, morassem na mesma cidade e tivessem filhos na mesma universidade.
Levei o cursor até o nome e cliquei em cima. Uma nova janela abriu e levou alguns segundos até carregar, e quando o fez a página decepcionou. Apenas os campos obrigatórios estavam respondidos. Seu nome; Emmett Cullen, Seu estado civil; namorando; Sua idade, vinte e um anos; Seu curso; Educação Física; e sua residência (a única que não decepcionou) Kingdon Valley, Londres. Definitivamente eles eram irmãos. Mas era triste que não tivessem mais informações. Voltei a minha pesquisa no google e decidi mentalizar o que me fazia ter tantas duvidas sobre Jasper.
Primeiro: eu tive uma visão com ele. Eu aprendi que assim como não devo contar as pessoas sobre elas (elas podem me achar maluca e decidir que tratamento de choque não machuca nada e é super eficiente), eu também devo acreditar nelas. Nunca me enganei quando segui minhas visões.
Segundo: na minha visão ele corria pela floresta com uma velocidade sem igual. Qualquer corredor de formula 1 ficaria no chinelo. Ele era apenas um borrão na floresta, e eu acho que ele não era o The Flash, obrigada.
Terceiro: ele atacava e bebia o sangue de um cervo. E ele gostava disso. E minha garganta ardeu quando os cervos apareceram. O queimor diminuiu quando o sangue lhe desceu a garganta. Era como comida. Era prazeroso. Era bom.
Quarto: com um soco fraco ele quebrou o nariz de Michael e o fez ir parar no hospital, tão assustado que não queria nem mesmo inventar uma desculpa plausível para não ter rebatido ou por ter apanhado.
Quinto: ele estava sempre tão gelado! Era como pegar um gelo nas mãos em pleno inverno. Aquilo não me incomodava, na verdade eu sempre gostei de frio, e o toque dele me fazia bem. Eu sei como eu já havia desejado sentir aquele toque tantas vezes antes... Ok, FOCO Alice! Ah, sim.. A pele tão pálida. De todos eles. Mesmo que sejam ingleses ou até mesmos pólo-nortenses (isso existe?) não há uma razão para serem tão brancos e frios! E duro! Quando esbarrei nele, parecia que eu tinha me chocado com a parede de concreto!
Sexto: isso não devia vir parar aqui, mas a família é realmente linda. Isso não é normal. Todos eles tão bonitos. E cheirosos! Deus, o cheiro de Jasper... Só me lembro de respirar quando aquele cheiro esta perto de mim para que possa buscar um pouco mais daquele aroma maravilhoso.
Sétimo: estranhamente, seus olhos são cor de topázio, como mel. E na festa, quando o vi batendo em Michael, me tirando dali, seus olhos eram negros. Eram carvão puro, com um brilho de ódio vingativo.
Bem, esses eram os básicos mesmo. Agora eu só precisava dar um jeito de buscar aquilo pela internet. Então vamos lá, digitei no navegador "Pele branca+gelada+olhos mudando de cor+força+beleza+sangue+rapidez" e dei enter.
"Resultados 1 - 10 de aproximadamente 32 para Pele branca+gelada+olhos mudando de cor+força+beleza+sangue+rapidez (1,10 segundos)"
Alguns sites de vendas apareceram, e lá pelos últimos, com pouquíssimos acessos eu achei um que me interessou. Lobos de La Push. O nome me chamou atenção, e as palavras destacadas ainda mais. Levei o cursor até o link e cliquei. A pagina demorou a abrir por completo, o que me frustrou um pouco. Havia varia categorias: dicionário, lendas, fotos, vídeos, etc. O cursor foi quase que por vontade própria sobre as fotos, e quando depois de uma eternidade, as fotos abriram, eram apenas da praia (incrível, diga-se de passagem) de La Push e da reserva Quileute de lá, e nos vídeos a mesma coisa.
Quase desisti, mas antes decidi tentar o "Lendas". E me surpreendi. Passei por um historia longa sobre o nascimento dos guerreiros espíritos e como nasceram os "Lobisomens". Eu ri daquilo. Fui obrigada. Lobisomens? Serio mesmo? Mas bem, não poderia rir muito. Eu estava atrás de historias que comprovassem que eu não fosse louca e que Jasper não fosse totalmente humano.
Passei por outra história, que me chamou mais atenção. A do sacrifício da terceira esposa. A parte que logo atraiu meus olhos começou aqui "...Um ano depois, duas donzelas makahs desapareceram de suas casas na mesma noite. Os makahs chamaram os quileutes de imediato, que encontraram o mesmo fedor adocicado em toda a aldeia makah. Os lobos partiram a caça novamente. Só um deles voltou. Era Yaha Uta, o filho mais velho da terceira esposa de Taha Aki e o mais novo do grupo. Trouxe uma coisa que nunca fora vista em todos os dias dos quileutes — um cadáver estranho, frio e duro como pedra, que ele carregava aos pedaços. (...) Yaha Uta descreveu o que aconteceu: ele e os irmãos encontraram a criatura que parecia um homem mas era duro como granito, com as duas filhas makahs. Uma menina já estava morta, branca e exangue no chão. A outra estava nos braços da criatura, que tinha a boca em seu pescoço. Ela podia estar viva quando eles chegaram a cena horrenda, mas a criatura rapidamente rompeu seu pescoço e atirou o corpo sem vida ao chão quando eles se aproximaram. Seus lábios brancos estavam cobertos com o sangue da menina e os olhos cintilavam vermelhos. (...) As historias contam que A Fria era a coisa mais linda que os olhos humanos já tinham visto. Parecia a deusa da Alvorada quando entrou na aldeia naquela manhã;"
Corri até o dicionário. As peças começavam a se encaixar na minha cabeça. Procurei pela palavra Fria, e a definição foi bem grossa: sanguessuga, bebedora de sangue, chupadora de pescoços, vampiro.
A palavra caiu como um baque em mim. Logo eu, a garota que adorava romances como Vampire Kisses e Vampire's Academy, apaixonada por um verdadeiro e legitimo vampiro. Isso não podia ser. Eles não existiam. Eu deveria estar louca. Mas era uma contradição. Eu nunca errei. Eu sabia que estava certa. Ele não era humano. A palavra me assustou. Eu tive medo.
Vasculhei por mais uma sessão "Descobertas". E por mais ridículo que possa soar, eu realmente acredito que ele seja um "frio".
Como você sabe que conheceu um vampiro?
Fácil. Tudo nele atrai você. São caçadores perfeitos. São bonitos, cheirosos, ágeis, fortes. Você não conseguiria escapar nem que quisesse. Sua pele é extremamente branca e gelada, duro como mármore. Seus olhos variam de cor, de acordo com a alimentação deles. Sangue humano os deixa com os olhos vermelhos, bem alimentados. Olhos negros são olhos famintos.
Fique atenta. Nenhum vampiro é confiável. Se o vir, fuja.
Postado por: Leah Clearwater
Webmaster Lobos de La Push
Olhos cor de topázio significavam o que? Que ele ainda não estava faminto, mas que poderia estar? E do que me interessava. Eu estava apaixonada por ele, e não deveria. Ele era um vampiro.
Pelo amor de Deus, um vampiro!
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N/A: não me matem pela falta de beijo nessa cap também. Assim, próximo capitulo é o ultimo antes da "sessão fluffy" dessa fic *-* eu prometo que no próximo tem. Esse foi quase como um explicação para o "porque" e para o "como" do próximo capitulo, ok? Eu sei que isso deve estar meio confuso, mas eu prometo que vocês entendem no próximo capitulo, que se deus quiser, vem na sexta o/
mmmbenavides, ah o Jasper conta logo. Quer dizer, só acrescenta explicações, visto eu a Ali tem visões (H). espero que sua vida de uma desacelerada. Odeio quando tudo corre tanto, eu nem vejo o tempo passar!
Babisy, prefiro mil vezes Jasper a Edward. Eu amo ele, mas sei lá. O Jasper me fisgou desde o começo. Acho que ele manipula meus sentimentos G_G HAHAHAHA. Ahh cara, não existe palavra para descrever o Jasper. Eu acho que Jasper já deveria ter virado adjetivo a muito³ tempo. HAHAHAHA.
Jully, HOHO³ a amizade evolui sim. No próximo capitulo eles voltam a se encontrar. Não que vá ser fácil para o Jasper, claro. Ele vai ver o que uma garota é capaz de fazer. ALICE RULES (H)
Senti falta da, Allyson M. Black, Rocks e da Becca Donnelys no capitulo passado. Espero que seja a falta de tempo e não coisas piores. :D
Até sexta (?).
xo . xo
Bih.
