N/A: leiam ouvindo Decode - Paramore *-----* (.com/watch?v=SSaSY59d2a0). Mesmo esqueminha de sempre, digita w w w . y o u t u b e . (cole o link acima) e emocione-se *-*

Obs: sim, decode em dose dupla essa semana. Porque essa musica é perfeita (L)

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DEZESSEIS – DIRTY LITTLE SECRETS

(Segredinhos sujos)

Eu dormi ainda sem acreditar. Eu tinha medo de amar ele. Medo de machucá-lo. Ele sentia a garganta dele daquela maneira quando me via? Quer dizer, como eu senti quando vi os cervos? Queimar como ferro em brasa? Eu não queria que ele sofresse para ficar comigo, mas eu ainda conseguia ser egoísta o suficiente para querer tê-lo e me sentir vazia, sem lugar e estúpida quando ele não estava por perto.

Tentar dormir aquela noite foi a coisa mais inútil que eu pude tentar. Eu não conseguia para de pensar nele. Em como eu o queria ali comigo, mas em como eu não queria que ele se sentisse mal por isso, que ele sofresse por isso. Eu desejava que existisse uma maneira de ficarmos juntos sem que ele sofresse. Se fosse preciso, acho que eu poderia sofrer no lugar dele, certo?

Quando o relógio despertou eu dei graças a Deus. Eu não conseguia mais ficar naquela cama pensando, mas ainda sim eu queria pensar mais. Na verdade eu queria respostas. Uma resposta. Eu não iria arriscar parecer ridícula ao me declarar para ele sem saber, se ele gostava mesmo de mim. Não que eu não lembrasse da noite de sábado, mas ele podia ter dito aquilo apenas para me confortar.

Quem sabe?

Me coloquei de pé em um pulo e corri para o banheiro. Lavei o rosto e arrumei o cabelo, passei uma maquiagem leve para esconder as olheiras da noite em claro e em seguida, deslizei para dentro do meu uniforme. Calcei minhas sapatilhas e puxei pelo meu material, largando-o sobre uma cadeira na cozinha, enquanto procurava pelo café da manhã.

Anna corria com um ursinho, ainda de pijama, pela sala. Ela estava elétrica. Eu ri.

— Deus do céu, o que deu nela essa noite? — perguntei rindo, enchendo minha tigela com cereal e leite.

— Já faz duas semanas que ela está assim. Está trocando as horas, acorda tão elétrica. Estou achando que ela possa ser hiperativa. — Cynthia deu de ombros, voltando ao seu café, enquanto Anna tentava deixar seu ursinho sentado sobre as costas de Zara, o que era um pouco difícil, mas nenhuma das duas desistiam.

Zara estava adorando a brincadeira e me senti culpada por esquecer que ela tinha apenas três anos de idade e que precisava brincar. Olhando as duas me senti mais surpresa do que ontem. Havia a alma velha de Anna deixado seu corpo e sido substituída por uma alma de criança? Ri mais uma vez e notei que eu estava apenas as observando por muito tempo. Assim como Cynthia continuava a me encarar.

— Perdeu algo aqui? — perguntei rindo, levando uma colherada de cereal a boca.

— Você está tão feliz, não parece normal. — ela continuou bebericando seu café.

Rolei os olhos, engolindo meu cereal.

— Não posso ficar feliz? — levei mais uma colherada a boca.

— Só achei que estaria mais abalada, com tudo que aconteceu e... — fiz força para engolir o cereal praticamente inteiro e a interrompi antes que voltássemos ao assunto desagradável.

— Cynthia, por favor! Não aconteceu nada, Jasper chegou rápido. Michael não teve chance. Dá pra você desencanar? — larguei minha tigela praticamente cheia de comida sobre o balcão e caminhei para o banheiro, com Cynthia nos meus calcanhares.

Peguei a escova de dentes e passei a pasta dental, escovando os dentes o mais rápido possível.

— Não deixa de ser algo serio. Não acredito que você não está dando bola para isso. — ela parou no batente da porta.

Céus, eu não teria um segundo de paz? Não aconteceu NA-DA! Por que era tão difícil entender? Meu príncipe encantado chegou bem na hora com seu cavalo branco para me salvar!

Ou seria mais sensato dizer; meu vampiro com seu corvette preto?

— Não aconteceu nada! — falei exaltada, lavando minha boca. Guardei a escova de dentes e passei rápido por minha irmã — Esqueça esse assunto, ok?

Me virei para Cynthia enquanto terminava de guardar alguns livros na minha mochila. Ela me olhou irritada e cruzou os braços sobre o peito, ia começar a falar novamente, mas eu não dei chance.

—Olha, estou atrasada para a aula. Vejo vocês a noite — falei passando pela sala e deixando um beijo em Anna e em Zara. — Até mais.

Sai de casa o mais rápido possível. Essa manhã poderia ficar pior? Bati a porta logo após sair e joguei a mochila sobre os ombros, ouvindo meu sidekick apitar enquanto descia as escadas. Abri o bolso da frente de minha mochila e o tirei de lá. Ele piscava.

"Qual é? Vai me ignorar? Por que respondeu o Tom e não a mim? O que eu fiz dessa vez? Pensei que fossemos amigas, Brandon. Estou brava com você. I."

HAHAHA, ótimo. Eu tinha de lidar com uma irmã chata, uma sobrinha hiperativa, um vampiro que eu amava e ainda com uma melhor amiga que não da espaço?

Rolei os olhos e digitei uma mensagem rápida, simples e eficaz.

"Por que eu não quis responder você pelo telefone. Eu sei que não bastaria apenas uma mensagem. Nunca basta. Falo com você no colégio. Não fique brava.

Amor, A."

A quem eu queria enganar? Ela nunca aceitaria apenas aquilo como resposta. Estava quase saindo do prédio quando o aparelho apitou mais uma vez.

"Corra para o colégio. Vou ter um filho se você não chegar logo. Estão comentando coisas sobre sábado. Amor, I."

Estão comentando? Comentando o que? Não podia ser, ela queria mesmo travar uma conversa pelo sidekick? Como ela queria que eu corresse para o colégio no frio que fazia agora pela manhã e digitando na merda desse aparelho?

"Estão comentando o que? Sobre a festa? Que mer..." — a mensagem ficou pela metade. Uma rajada de vento fez todo o meu cabelo grudar no meu rosto. Foi inevitável não levantar a cabeça para arrumá-los, e quando eu o fiz, eu vi ele.

Céus, como ele poderia ficar tão majestoso vestido tão simples? Apenas de sobretudo preto e jeans escuro? Encostado naquela carro divino. O Corvette havia se tornado meu carro preferido há muito tempo. Ele me encarava preocupado e quando nossos olhos se encontraram, um sorriso tímido que me tirou o fôlego, se formou em seus lábios.

— Bom dia. — ele disse cordial, sem se desencostar do carro, ou tirar as mãos de trás de suas costas.

Seus olhos estavam lindamente dourados. Me hipnotizaram de cara. Me prenderam a seu rosto. Eu esqueci de respirar, eu esqueci de me mexer, eu esqueci quem eu era. Acho que até meu coração parou de bater, porque quando eu voltei a mim mesma eu estava ofegante, e meu coração era acelerado.

— Oi. — respondi levando a mão que segurava o aparelho até o coração. Sacudi a cabeça para tentar lembrar tudo que eu tinha a dizer.

O vento soprou mais uma vez e fez meus cabelos voarem na direção de Jasper. Ele enrijeceu logo. A dor. Eu pude senti-la em mim. Eu sabia qual era a sensação. Eu estava o machucando. Eu não queria machucá-lo. Eu precisava sair dali.

— O que está fazendo aqui? — a curiosidade foi mais forte. Maldita, vou ouvir Izzie reclamar porque demorei a chegar e ainda vou deixá-lo mal. Ah, bela garota você é, Brandon.

— Acho que precisamos conversar. — ele disse fraco, abaixando o rosto. — Acho que devo ser sincero com você.

De verdade? Era serio mesmo que ele ia me contar tudo? Ah, mas eu já sabia. Eu já havia descoberto. Eu só não acreditava realmente. Talvez eu devesse contar a ele. Só para ver se ele ia ficar preocupado ou rir da minha idiotice. Não custava tentar. Custava?

— Eu sei o que você é. — murmurei cabisbaixa, e me arrependi quando ergui a cabeça. Ele me encarava com dor.

— Como?

— A pele branca e fria, a força, a rapidez, o corpo duro como pedra. Os olhos mudando de cor... — falei mais para mim mesma do que para ele, como se tentasse decorar aquilo.

—Como você... — ele não terminou a frase. Parecia que ele acreditava naquilo tanto quanto eu.

Acredite, estou sendo sarcástica. Eu falava como que para tentar me convencer da verdade, e ele confirmou isso. Querer saber como eu sabia disso era confirmar, certo? O olhei surpresa, e ele com dor. Dor, dor, dor... Sempre dor. Eu precisava sair dali. Eu não queria que ele sofresse por minha culpa. Eu não queria.

Meu sidekick apitou mais uma vez. Olhei do aparelho para Jasper e pensei rápido.

— Você não é o único com segredos... — comecei a me afastar dele, andando o mais rápido possível, embora eu soubesse que ele poderia me alcançar rapidamente.

—Alice, espere. Eu quero falar com você. — ele começou a caminhar na minha direção. Mas ele não aceleraria. Havia mais pessoas ali, embora estivessem alheias a nossa conversa.

—Desculpe, estou atrasada. — gritei e virei rapidamente a esquina, me deparando com duas garotas que eu realmente não gostava; Brianna e Violet.

Violet, a mimadinha filhinha do papai que se acha a modelo só porque mede um e setenta e dois e é mais magra que o meu mindinho, e é lógico, sua fiel escudeira Brianna, não menos mimada, magra ou alta. Serio, essas garotas tinham problemas. Quem adicionava 250 ml de silicone aos seios aos 15 anos de idade?

Olhei para trás rapidamente e não vi mais Jasper. Ou o Corvette preto. Abri meu sidekick e é lógico que a mensagem era de Izzie.

"Acho que Tom se perdeu. Ainda não chegou ao metrô. Vou me atrasar um pouco. Já planeje como vai me contar. I."

Rolei os olhos. Eu sabia o que ia falar. Michael me agarrou, Jasper não gostou e bateu nele. Eu fui embora com ele e fim de papo. Eu sabia até mesmo o que ela falaria, e já estava preparando as respostas na minha mente, mas a conversa das duas garotas inutilmente fúteis a minha frente me chamou a atenção.

— ... Ela estava totalmente se oferecendo pra ele. Eu sei que estava. — Violet disse jogando os cabelos para trás. Rolei os olhos.

— A Brandon fazendo isso? Não consigo imaginar. Ela parece a Madre Tereza de Calcutá. — Brianna disse rindo e eu rolei os olhos mais uma vez. Serio que elas perdiam tempo falando de mim?

—Estou lhe contando Bree. Eles até sumiram durante a festa, se agarrando em algum canto imagino. Mas eu não percebi, lógico, estava ocupada demais conversando com o meu futuro namorado. — a loira riu maliciosa para a ruiva e eu pedi para que um raio caísse na minha cabeça e/ou para que eu ficasse surda no exato minuto.

— Você e o Cullen, hein? Formam um casal perfeito, parecem dois modelos. — a lambisgóia ruiva e bajuladora disse com admiração.

Vontade de vomitar, foi o que eu tive. E quando raciocinei, tive vontade de vomitar em cima dos sapamos Steve Madden estação passada que elas usavam. Cullen? De que Cullen estavam falando? Espero que não seja o meu Cullen. Hello, agarota muito ciumenta aqui!

— Jasper é lindo não é mesmo? Eu não sabia que ele estudava em Cambridge. John me contou naquela noite. Parece que dois irmãos dele estudam aqui. Que tal fazermos novas amizades? Eu adoraria ser a nova melhor amiga da Garota-Cullen-Eu-Sou-Linda. — ela falou de Bella com desprezo, e eu senti raiva. — Só preciso de dois minutos com ele, e ele vai estar... — eu não conseguia ouvir mais nada.

Era o meu Cullen. Era a minha amiga. Eram meus e não dela. Lambisgóia loira oferecida nojenta fora de moda. Ah, ela deveria morrer, e acreditem, eu pediria para Bella drenar todo o sangue dessa garota asquerosa. Mesmo sabendo que eu era, tipo, um meio metro menor que ela, passei bufando e rapidamente pelo meio das duas, esbarrando em ambas e sorrindo satisfeita quando vi que o fichário de Violet caiu de suas mãos.

— Hei não vê por onde anda? — a ruiva, a seguira Brianna, perguntou, e eu simplesmente ignorei.

Nunca senti mais vontade de matar alguém do que eu sentia agora. Quando estava quase passando pelos portões de St. Candence, ouvi a voz de Sarabeth me chamar, alarmada.

— Hei, — ela chegou ofegante perto de mim. Apoiou a mão no meu ombro e respirou fundo. — Você está bem?

Rolei os olhos pela milhonésima vez no dia. Era pedir demais que não me perguntassem isso?

— Estou ótima! Porque não param de perguntar sobre isso. Aliás, o que você sabe sobre isso? — perguntei arqueando uma sobrancelha e a encarando.

— O que toda a escola sabe, oras. Tom está super mal, e Izzie se sentiu tão culpada por ter mandado aquela mensagem como se fosse culpa sua e...

— Espera! — falei erguendo a mão e impedindo que ela continuasse a falar desenfreadamente. Minha cabeça girou. — Toda a escola? O que eles sabem?

— Bem, rolam boatos que Michael agarrou você, pra valer. — ela falou com ênfase nas ultimas palavras. — E que o garoto Cullen, o loiro mais velho, desceu a mão nele...

Ela continuou a falar mais eu não prestei atenção. Merda! Coloquei a mãos na cabeça e fechei os olhos apertando-os fortemente. Quando toda essa historia poderia acabar e eu poderia me concentrar somente no vampiro pelo qual eu estou apaixonada? Como se já não fosse difícil o suficiente...

— Alice! — o grito de Izzie ecoou atrás de mim e ela me abraçou. — Sinto muito por ter sido grossa com você na mensagem. Eu realmente não sabia o que havia acontecido. Achei que o garoto só estava com ciúmes... — ela começou a desandar seu discurso de desculpas, e eu só a abracei de volta. Meus olhos estavam fixos no garoto moreno e de semblante preocupado parado logo atrás dela. — Então, me perdoa?

Me afastei dela e sorri fraco.

— Não há nada a perdoar. Eu estou bem. Está tudo bem. Não foi nada de mais. Isso acontece em qualquer lugar. — falei mais para Tom do que para Izzie, e ela suspirou aliviada, enquanto ele ainda continuava preocupado.

— Mas então.. E o loiro? Por que ele foi atrás de você? E que historia é essa de vir embora com ele? — ela perguntou interessada em assuntos que para ela eram mais importantes.

E eu meio que fiquei feliz. Eu queria falar dele. Somente dele. Eu queria que tudo fosse normal de novo.

— Ele só achou que deveria fazer algo. Não tem nada de mais. O pai dele é amigo de Cynthia. — informei, e ela ficou triste. Talvez pelo pouco romance que minha mentira tinha.

O sino bateu antes que ela abrisse a boca.

— Droga, tenho física. — reclamou Sarabeth.

— Droga dupla, eu não fiz o trabalho de física! — Izzie se assustou, correndo para pegar Sara pela mão. — Preciso urgente do seu trabalho...

As duas saíram rápido de perto de nós. E eu me senti bem por não ser o centro das atenções. Ao menos do meu grupo, visto que todos que passavam por mim me olhavam e cochichavam.

— Estou me sentindo um animal no zoológico. — brinquei olhando Tom com um sorriso nos lábios. Ele abaixou a cabeça.

— Desculpe por isso.

— Você não fez nada. — falei me aproximando dele e passando meu braço pelos seus ombros, me dirigindo até a entrada de St. Patrick com ele.

— Mesmo assim. Me sinto responsável. Meu irmão é um idiota. — ele falou raivoso.

— Não se preocupe. Não fique com raiva dele. Ele teve o que merecia e você não é ele. É passado, e tudo que eu mais quero é que todos esqueçam. — sorri e vi o sorriso se formar aos poucos nos lábios de Tom. Nos abraçamos, e o segundo sinal tocou novamente.

— Acho melhor você correr ou vai chegar atrasada para aula de biologia. — ele falou e eu acenti com a cabeça. Dei um beijo em sua bochecha e corri de volta para os portões de Saint Candence, atravessando eles e me dirigindo até a sala de Biologia. Todos já estavam lá, e todos me olhavam como se eu fosse o bichinho novo do zoológico. Algumas com pena, outras como se eu merecesse, e outras ainda faziam comentários.

Bella também estava lá, e ela também me olhava. Mas ela não cochichava e tão pouco parecia sentir pena ou desprezo de mim. Sorri fraco e acenei de leve, antes de sentar no meu lugar, e ela retribuiu.

Acho que não preciso mencionar o quão difícil foram os primeiros tempos. Horríveis! Eu queria pular de algum lugar, de verdade. Eu não conseguia me concentrar em nem um terço da aula. Tudo que eu pensava era em Jasper e na lambisgóia loira que tinha certeza que ficaria com ele. Ta que ela era um par perfeito para um vampiro, visto que ele era lindo e, bem, mesmo que artificialmente, eu devo admitir que Violet também era linda, com seus olhos azuis, os cabelos loiríssimos, a boca sempre vermelha, a pele branquinha, os traços marcantes, construídos pelo melhor da medicina plástica. Ninguém desconfiaria de que ela não poderia ser uma vampira. Já a mim... Teriam suas duvidas.

Mas mesmo assim ainda foi duro vê-la tentar falar com Bella no nosso tempo livre. Eu estava sentada no mesmo canto de sempre, perto do portão de Saint Patrick, revirando as varias opções de permanecer perto de Jasper sem lhe causar muita dor, e Bella se sentou ao meu lado.

— Você está bem? — ele me perguntou, e eu não pude deixar de rir.

— É a centésima vez que me perguntam isso. — eu disse a olhando. — Não se preocupe, Jasper foi excelente comigo.

Bella mordeu o lábio e continuou a me encarar.

— O que foi? — perguntei curiosa, não entendendo. Geralmente tínhamos uma conversa que se baseava em mais de uma pergunta e resposta. Falávamos do tempo, das provas, da vida..

— Jasper falou com você está manha? — perguntou me encarando preocupada. Seus olhos estavam mais longe do caramelo de sempre, e eu conclui que ela deveria estar começando a ficar com fome. Me perguntei qual seria a freqüência com que caçavam.

— É, mais ou menos. Trocamos algumas palavras. Eu estava atrasada. — informei tentando fingir indiferença. E eu sabia que eu nunca conseguia isso.

— Você é uma péssima mentirosa. — Bella informou aos risos e eu ri também.

— Mas sou bem convincente. — pisquei para ela.

—Isabella, querida. — ouvimos a voz de Violet logo a nossa frente e erguemos o rosto para a garota monstruosamente maior que nós duas. Bella também não era muito mais alta do que eu.

— Querida? — perguntei confusa.

— Você é...? — Bella perguntou, enquanto observávamos a loira se sentar a nossa frente.

— Violet querida, Jasper já deve ter comentado algo sobre mim. Sou amiga do John. — ela disse como se aquilo explicasse muita coisa.

— Desculpe, creio que Jasper ocupa seus pensamentos com coisa melhor. — Bella revirou os olhos visivelmente irritada e me olhou.

Violet ficou desconcertada. Mas logo pensou em algo mais.

—Então, estava pensando. Você está sem dupla para o trabalho de Biologia certo? Eu poderia fazer dupla com você. Poderíamos ir até a sua casa depois da aula... — Ahá, os seus dois minutos com Jasper. Vai sonhando que você vai tê-lo.

— Alice é meu par. — Bella a cortou fria. — Mas obrigada pela gentileza, eu sei como você se sente incomodada com as novatas, principalmente com aquelas que ameaçam os padrões de beleza do seu colégio.

Vocês ouviram o barulho do chicote? Porque eu ouvi! Me segurei para não rir. Violet continuou mais alguns segundos desconcertada a nossa frente, e em seguida se levantou, com a desculpa de que teria ouvido Brianna chamar por ela.

—Eu amo você! — falei a abraçando e nós duas quase caímos no chão. Cair sentada seria como um mico.

Bella riu junto de mim.

— Não gosto dessa garota. Edward diz que seus pens... — Bella parou no mesmo instante e fechou os olhos apertando-os fortemente, como se estivesse se repreendendo por algo dito.

— Edward diz? — incentivei.

— Edward diz que ela é muito oferecida para com os garotos do time. Garotas assim não fazem o meu perfil de amizades. — ela respondeu rapidamente, tentando corrigir algo que havia feito de ruim.

— É, não fazem o meu também. — sorri para ela, e a conversa meio que parou ali. Ela parecia querer falar tanto, mas se repreendia. — Você está bem, Bella?

Ela olhava para o portão que dividia a ala feminina da masculina, e quando a chamei me olhou assustada.

— Eu? Eu estou bem... — ela se apressou em dizer, se levantando. — Acabei de lembrar que não fiz as atividades de francês. Vou ver se consigo adiantar algo. Até mais Ali.

— Até... — falei fraco, vendo-a desaparecer na esquina das salas de aula. Será que meu sangue a incomodava tanto quanto a Jasper?

Droga. Agora eu não poderia ser amiga dela por causa disso também. Durante o almoço, Bella e Edward só cochicharam e vez ou outra me olhavam. Meus olhos não desgrudaram de sua mesa. Eu precisava saber o que acontecia. Por que eles estavam tão estranhos. Bella não falou comigo o resto do dia. Nem se quer respondeu quando agradeci por ela ter pego meu lápis antes de cair no chão. É, ela definitivamente era uma vampira. Ninguém poderia ter um reflexo tão rápido assim!

— A srta. Millow disse que eu poderia entregar o trabalho na próxima aula. Eu tive tanta sorte, pensei que meu coração ia saltar pela boca! —Izzie contava como havia se escapado de não levar um F no trabalho de física, dizendo que havia passado a semana com a avó enfartada no hospital. Uma grande mentira, visto que Izzie já havia perdido as duas avós, e de causas naturais.

Rimos com ela. Sarabeth estava ao meu lado esquerdo e Tom ao direito. Ao seu lado Izzie ainda contava como não acreditava que a historia ainda colava. E pra falar a verdade, nem eu acreditava. Quando desviei meus olhos dela, pude perceber o Corvette preto na saída de Saint Candence, o garoto loiro e a garota loira. Ou melhor, lambisgóia! Estanquei no meu lugar.

— O que foi Ali? — Tom perguntou, passando o braço em volta da minha cintura e me empurrando para perto de onde ele e as outras duas garotas estavam.

— Quem ela pensa que é? — perguntei para mim mesma, cerrando meus olhos para os dois.

— Oh, aquele não é Jasper? — Izzie perguntou animadamente.

— Com Violet? — Sarabeth falou incrédula.

—Você deveria ir lá, falar com ele. — Izzie continuou. Abria a boca em um O quando vi Violet jogar os cabelos para trás e em seguida Jasper rir. Bastante. Cerrei meus olhos na direção dos dois novamente.

Ele estava gostando de falar com ela? Que absurdo!

— Eu não vou falar com ele. —bati o pé firme.

—Deixe de ser boba, vá falar com ele.

—Eu não vou! — falei mais uma vez, olhando furiosamente Izzie.

— Iz, amor. Deixa, se a Ali não quer, ela não quer. Vamos embora logo. — ele avisou. Envolveu com o outro braço a cintura de uma Izzie emburrada e eu puxei Sarabeth pelo braço.

Vi quando Brianna puxou Violet para dentro da limusine que as aguardava, e quando Jasper respondeu o tchauzinho dela. Idiota!

— Fale com ele. — Izzie sibilou mandona.

— Não! — continuei birrenta, e saímos os quatro grudados, para fora dos portões do colégio.

— Alice. — ouvi ele me chamar, mas não dei bola e continuei andando.

— Ele chamou você. — Tom comunicou.

—Eu sei.

— Ele quer falar com você. — Sara avisou.

— Eu sei. — falei frustrada.

— Alice, espera. Eu quero falar com você. — ele chamou de trás de mim, e eu me virei para ver que ele não estava mais encostado no corvette.

— Mas eu não quero falar com você. — me virei nos braços de Tom, e todos os três pararam de andar. Eu estava com raiva por ele estar falando com Violet. Ele não via os planos terríveis dela? E se ele se apaixonasse perdidamente por ela? Nem amizade poderia rolar entre nós dois.

Ele me olhou surpreso, depois feliz, e depois surpreso de novo. E começou a rir. O idiota começou a rir. Da pra acreditar?

—Por acaso tenho cara de palhaça? — perguntei irritada, cruzando os braços em frente ao peito e batendo o pé no chão.

A essa altura eu já estava mais a frente de Tom, Izzie e Sarabeth. Eu tinha a impressão de que eles me deixariam ali sozinha com ele.

— Você está com ciúmes? — ele perguntou risonho e convencido.

— Oh, oh! Eu? Com ciúmes de você? Poupe-me senhor Hale. — falei cínica. É claro que eu estava com ciúmes. Ele era o meu vampiro. Era o meu sangue que ardia na garganta dele. Era a mim que ele não deveria gostar ou se importar

—Você fica mais linda ainda com ciúmes. — ele falou de uma maneira tão meiga que a raiva se desmanchou dentro de mim. Aquele sorriso tímido voltou aos seus lábios e eu quase tive um enfarto e cai dura no chão. Como ele podia me fazer esquecer de respirar e o coração de bater?

— Eu não estava com ciúmes.. — murmurei feito uma criança mimada, desviando meus olhos do dele.

— Você não consegue esconder seus sentimentos de mim. Ninguém pode. — ele falou sorrindo, mas triste ao mesmo tempo. — será que eu poderia levá-la para um café?

—Não estou com fome. — falei olhando por cima do ombro e constatando que os amigos da onça não estavam mais ali.

— E que tal uma caminhada. No Hyde Park, é perto da sua casa, certo? — ele me olhava com expectativa. Ele realmente queria falar comigo.

— Ok. Um passeio eu concordo. — falei lentamente, e ele me indicou o carro.

Abriu a porta do carona para mim, e assim que terminei de atacar o cinto de segurança ele já estava ao meu lado, ligando o motor.

— Você é rápido. — comentei, quando vi que rapidamente o colégio já ficava para trás.

— Você sabe de muitas coisas ao meu respeito. — ele disse serio.

— Você também. A propósito, eu não estava com ciúmes. — declarei. Precisava ficar claro que eu não estava com ciúmes dele. Mesmo que isso não seja verdade.

Ele riu desgostoso e desviou os olhos da estrada. Por um segundo eu tive medo de batermos. Mas de alguma maneira que eu não consigo explicar, eu simplesmente confiava nele. Confiava que com ele eu nunca estaria mal, sempre protegida, e sempre feliz. Eu confiava nele.

— Você ainda não entendeu que não pode esconder seus sentimentos de mim?

— A.. A estrada Jasper. — pedi meio perdida. Como ele tinha tanta confiança nos meus sentimentos, se eu não os revelava?

Ele voltou a olhar a estrada. O parque não estava muito longe. Na verdade, acho que só procurávamos por um bom lugar para estacionarmos.

— Como você sabe? — ele perguntou. E eu sabia muito bem ao que se referia.

— Acho melhor não... Pode soar como loucura. — ri nervosamente.

Ele fez uma manobra perfeita, e estacionou rapidamente, sem nem mesmo precisar dar a ré para se encaixar entre um Sandero e um Opala.

— Eu sou um vampiro. O que mais pode soar loucura para você? — ele perguntou direto, sem rodeios. Eu congelei. Não sabia se seria capaz de chamá-lo de vampiro. Mesmo que eu o chamasse de meu vampiro.

— Podemos andar? — pedi. As pessoas que passavam ao redor do carro estavam sempre encarando. Mesmo que eu soubesse que elas mal nos viam, a conversa não parecia ser reservada o suficiente.

— Tenho em mente um lugar para levar você. Se você concordar. — ele acrescentou, como um verdadeiro cavalheiro.

— Claro. — respondi dando de ombros. Será que ele achava que eu tinha medo de ficar sozinha com ele?

Logo ele já estava abrindo a porta para mim, e eu sorri para o gesto. Ele era tão preocupado, tão educado. Às vezes eu o via tão distante, quer dizer, ele era como todos, intocável. Eu não merecia ele. Não merecia mesmo, eu era apenas uma garota muito comum com visões nada comuns.

Começamos a caminhar para o parque, e sua mão se postou nas minhas costas, me guiando. Eu queria abraçá-lo ali mesmo. Eu queria dizer que não me importava o que ele era, só me importava se ele me queria. E eu quis gritar que ele era especial, e o quanto eu estava me sentindo especial por estar com ele.

Jasper continuou me guiando, e ao em vez de irmos junto com todas as outras pessoas, que corriam em volta do lago no parque, ou brincavam com seus cães, ou simplesmente estavam deitados na grama, aproveitando aquele fim de tarde, nós entramos pela trilha que tinha no bosque. Eu não gostava daquele bosque, as pessoas se perdiam ali, e haviam animais por ali. Cervos e gatos do mato já foram encontrados. Anote que gatos do mato são muito perigosos. Eles arranham primeiro e perguntam depois. Saímos da trilha, e eu fiquei com medo. Medo de nos perdermos. Mas eu me lembrei. Eu confiava nele. Ele não iria se perder por ali comigo. Ele se importava tanto que havia me tirado de perto de Michael e me impedido de voltar para lá. Ele se importava comigo, e isso era um estimulante. Isso me deixava feliz.

Comecei a ouvir um barulho de água correndo e estranhei. Quem diria que por aqui passava água?

— Tem água aqui? — perguntei curiosa, olhando Jasper, que estava tão serio.

Ele sorriu, quebrando aquela mascara e me fazendo parar de respirar, de novo.

— É. É um lugar muito bonito, eu descobri logo que nos mudamos para cá. — ele disse, e apontou para a frente, foi então que eu vi. Era lindo! Sem palavras. Eram varias pedras, e a água passava por cima delas, e caia em algumas piscinas que dali eu não tinha noção se eram fundas ou não. Você poderia ficar sentada em plena segurança sobre a pedra, e esticar a mão para tocar na água, que corria ao seu lado. Era um lugar perfeito. — Meu cantinho secreto. — Ele falou com tom de riso, ao pé de meu ouvido.

Senti uma corrente elétrica percorrer o meu corpo e arrepiar todos os meus pelos. Deus, como ele podia?

— E não se importa de dividir comigo? — perguntei me virando para ele, e me chocando contra o seu peito duro de mármore. Seus olhos dourados encontraram os meus, e eu senti minhas bochechas queimarem. Ele sorriu e passou o indicador levemente pela minha bochecha.

— Não. Queria poder dividir toda a minha vida com você. — ele confessou, com aquele sorriso tímido que eu tanto amava.

— Acho que posso dizer o mesmo. — desviei brevemente meus olhos dos dele. Eu queria que o rubor fosse embora. Era um acumulo de sangue desnecessário e que faria a garganta dele queimar.

— Então porque não me conta como descobriu o que eu sou? — desviei os olhos dele mais uma vez, e seu indicador elevou meu rosto. Senti minhas bochechas queimarem novamente. — Tem medo de me olhar?

Balancei a cabeça negativamente e ele sorriu.

— Então? — incentivou, e eu busquei em minha mente ao que ele se referia.

— Como eu descobri? — sorri fraco e ele acentiu com a cabeça.

Me desvencilhei de suas mãos e caminhei por cima das pedras, para mais perto da água, me agachando ali perto e tocando-a com a ponta dos dedos. Gelada.

— Digamos que eu vejo coisas.

— Vê coisas? — ele perguntou, a voz cada vez mais próxima de mim, até que percebi que ele estava sentado ao meu lado. Me sentei também.

— Sim, vejo coisas. Como... Visões, sabe? É como um sonho, e eu simplesmente sei que elas são visões. As vezes elas vem como dor de cabeça, enquanto eu estou acordada, mas são raras as vezes. — continuei brincando com meus dedos sobre a superfície da água gelada.

— Você tem visões?

— Do futuro. — completei, e o olhei por um segundo. Eu tinha medo de ele me achar uma louca desvairada. Vampiros podiam existir, mas super-poderes? Acho que não. — São estranhas. Por exemplo, eu vi você caçando. Ou pelo menos eu acho que era caçando. Você corria pela floresta, era rápido de mais, forte de mais. Brilhava a luz do sol, e atacava os cervos.

Ele fez uma careta e eu parei de falar automaticamente. Me encolhi, esperando que não tivesse o ofendido nem nada do tipo. As vezes eu realmente achava que não era bom falar sobre isso.

— Você me viu... Caçando? — ele perguntou, e eu afirmei com a cabeça, devagar. — E o que achou disso?

Dei de ombros e torci a boca.

— Normal. Quer dizer, todos caçamos. — me virei para encará-lo, olhando em seus olhos. — A única diferença entre nós dois, é que você se alimenta do sangue, enquanto eu me alimento da carne.

Ele riu. Na verdade gargalhou, e eu busquei em minhas palavras o que poderia ser tão engraçado para que ele quase chorasse de tanto rir.

— Você realmente acha que isso é a única coisa que nos diferencia?

— Basicamente. — dei de ombros mais uma vez. — Sim, você é super rápido e forte, e você brilha no sol. Grande coisa. — falei a ultima frase rindo, esperando que ele entendesse o sarcasmo. E ele entendeu. E riu de novo.

— Eu não quero que haja segredos entres nós. —ele continuou, retomando sua mascara de seriedade.

— Todos os meus segredos são seus agora. — falei sem pensar muito. E era verdade. O maior de todos estava com ele, ele precisaria guardar. — Você promete guardar o meu segredinho sujo? — pedi com um meio sorriso, e ele acentiu com a cabeça.

— O meu segredo não te assusta?

— Você não me acha louca? — perguntei arqueando a sobrancelha esquerda. — Claro que não tenho medo. Quer dizer, não de você, ou da sua família. Eu posso guardar o seu segredo, eu sou boa com segredos. — sorri satisfeita.

— Do que você tem medo?

— Como? — perguntei confusa.

— Você disse que não tinha medo de mim e de minha família. Mas do que tem medo? — desviei meu olhar do dele como já havia feito varias vezes antes. Não era fácil encará-lo quando tinha de me expor tanto assim.

— Bem.. Eu tenho medo de que.. Tenho medo de que meu jeito. Que o fato de ser humana incomode você. Que isso o machuque, e que você se machuque por não querer me magoar. Quero que você saiba que não deve fazer nada se preocupando comigo ou com meus sentimentos. Não quero vê-lo sentir dor ou sofrer. — falei com sinceridade, e o meu coração se apertou e o buraco vazio no meu peito deu sinal de vida. Pronto para voltar assim que ele falasse que não queria ficar perto de mim, que isso era impossível para ele.

Mas ele riu. De novo!

— Medo de me machucar? Lembra-se que eu sou o caçador aqui?

— Eu sei como a sua garganta arde... Quando senti o cheiro de sangue. Eu senti isso. Eu sei que dói. Eu não quero que você sinta isso porque se sente na obrigação de não me magoar. —abaixei os olhos, encarando meus dedos sobre a superfície da água.

— Essa... Dor?! — ele mais perguntou do que afirmou. — Não me incomoda tanto. O sangue das outras pessoas não tem mais valor para mim. O seu é o único, e esse ardor na minha garganta. Não sei se conseguiria viver sem ele. Não mais. Eu só quero ficar perto de você. Ter uma chance de lhe fazer tão feliz quanto você me faz, pelo simples fato de me olhar.

Eu sorri daquilo. Como ele poderia ficar mais fofo do que já era? Ele era perfeito. E ele estava dizendo que gostava de mim, que queria ficar comigo.

— Eu quero continuar a te fazer feliz, então. — sorri para ele, e ele me abraçou. E eu fiquei ali, presa ao seu peito, absorvendo aquele delicioso aroma, desejando para que ele jamais me deixasse.

— Não te assustada? — ele perguntou contra os meus cabelos.

— O que? — perguntei intrigada, me afastando centímetros do seu peito, apenas o suficiente para que pudesse olhá-lo.

— Minha alimentação. Você está ciente que vampiros caçam humanos?

Congelei. Era agora que ele diria que estava indo contra sua natureza ficar comigo? Mas, hei hei, espere ai. Ele estava caçando animais na minha visão. E os olhos dele não estavam vermelhos.

— Mas vocês não são vampiros normais. — confirmei, e ele me olhou intrigado.

— Como sabe que somos diferentes dos outros do nosso tipo?

— Seus olhos. São dourados, e não vermelhos. O site dizia que seus olhos são vermelhos quando se alimentam de sangue. E eu o vi caçando cervos e não humanos. — expliquei, sorridente.

— Será que não vou ter o prazer de lhe contar nada. Você já sabe tudo? — ele perguntou risonho.

Eu simplesmente sorri. Jasper se deitou ao meu lado, e eu o observei. Ele estendeu a mão e eu deitei, com seus braços em volta de mim. Ficamos assim por muito tempo. Eu pude analisar cada centímetro do rosto dele. Todas as marcas, a cor, a textura. Eu deveria estar enchendo ele de perguntas, eu queria encher-lhe de perguntas. Mas eu queria aquele silencio. Só aquele toque e aquele cheiro. Eu queria ele, e eu queria acreditar que tudo era verdade.

Ele tinha os olhos fechados, mas os abriu quando sentiu meu indicador traçar a forma da cicatriz que ele tinha no queixo. Meu toque deve ter sido quente, pois ele sorriu.

— Pode me contar sobre a sua cicatriz. — murmurei, me referindo a pergunta feita a tempos atrás.

— Talvez mais tarde, acho que agora eu deveria levá-la para casa. Já esta tarde.

Eu nem havia percebido o tempo passar. Era cômodo de mais estar com ele. Era bom de mais. Meu sidekick apitou.

"Liguei para sua casa e Cynthia atendeu. Não sabia que ainda não havia chegado, agora ela está atrás de você. Está preocupada. Desculpe, mil desculpas. Só queria saber como tinha sido com o tal de Jasper. Amor, I."

— Izzie, sua enxerida! — murmurei olhando o aparelho. — Agora minha irmã está atrás de mim.

Jasper se levantou e estendeu a mão para que eu segurasse. A segurei firme e me levantei, rapidamente.

— Eu levo você até em casa, prometo. — ele sorriu.

— Não queria ir embora agora. Adorei este lugar. — confessei.

— Será parte do nosso segredo. Podemos voltar quando você quiser. — ele sorriu, e acariciou meu rosto com a sua mão.

— Ok, a verdade é que eu não queria que você fosse embora. A noite seria longa de mais.

Ele riu.

— Já que estamos sendo sinceros. Acho que posso finalmente pedir sua permissão.

— Permissão?

—Veja bem, desde que a conheci não consegui deixar de vê-la nem que por um segundo. Não me leve a mal e nem pense mal de mim, mas todas as noites eu a observo dormir. Será que teria sua permissão para fazer isso esta noite?

Corei violentamente, me esquecendo do que isso poderia causar a ele.

— Você... Me... Observa... Dormir? — perguntei incrédula. — De verdade, você vai estar no meu quarto? — estava tão feliz quanto surpresa. Não que não fosse desagradável tê-lo me olhando durante a noite, mas a idéia de não deixá-lo ir era boa. Muito boa.

— Se você deixar. Se não quiser, prometo procurar outra coisa para fazer a noite. — ele jurou solenemente e eu revirei os olhos rindo.

— É claro que eu deixo. Adoraria tê-lo comigo. Alguém para conversar durante a noite.

Ele sorriu satisfeito e voltamos ao silencio. Um silencio que eu gostava. Olhei seu rosto fixamente. Minha cabeça gritava, fazer ou não? Falar ou não? Eu só queria sentir como era, sentir seu sabor. Eu queria ter a sensação, para adormecer com ela mais tarde.

— Bem, já que estamos pedindo permissão, será que eu teria a sua? — pedi, sentindo meu rosto queimar em brasa. Ele sorriu divertido.

— Para?

— Tentar uma coisa. Prometo não ir além, não forçar as coisas. Juro que só quero ver se é possível.

— Permissão concedida. — ele falou como um soldado a um general, e eu tive a impressão de que mesmo sem falar ele sabia o que eu queria.

Coloquei a mão esquerda em sua face. Me elevei nas pontas dos pés, aproximando cada vez mais meu rosto do dele, até o ponto em que seus olhos se fecham automaticamente, e senti seus lábios gelados nos meus. O choque percorreu o meu corpo, e foi a melhor sensação que já tive na vida. Os lábios de Jasper abriram os meus gentilmente, e sua língua, igualmente gelada, pediu passagem para aprofundar o beijo, que foi logo concedida. Eu não sentia malicia, eu não sentia perversão, eu só sentia carinho naquela hora. Eu só sentia a ternura com que suas mãos se fecharam em volta da minha cintura, sustentando meu peso, minhas mãos ao redor da sua nuca, e nossos lábios se movendo em um ritmo só deles, em um ritmo nosso, um no outro.

O beijo terminou de maneira calma, e ofegante pela minha parte. Ele me fazia esquecer de respirar apenas me olhando, imagine me beijando. Ele se afastou o suficiente para que seus olhos encontrassem os meus, e eu corei mais uma vez. Eu corei e eu estava morrendo de vergonha. Encostei a cabeça em seu peito e logo senti seus lábios encostados na minha orelha.

— Não precisa ficar com tanta vergonha. Não é como se nunca mais fossemos fazer isso. — e o tom do riso estava sempre ali.

Como ele poderia saber tão bem a intensidade do meu embaraço?

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N/A: Nossa esse capitulo ficou uma merda. Eu odiei ele. de verdade, eu queria escrever alg bem legal, mas eu fiquei DUAS HORAS na frente do pc tentando reescrever ele, e não saiu NADA! Odiei ele. espero que me perdoem. Esse capitulo precisava sair, eu só não esperava que tão mal feito. O próximo capitulo vai ter mais explicações, e daqui pra frente os capítulos vão ser mais engraçados (se é que eu sei fazer uma boa comedia) e mais fluffy *-*

Prometo tentar fazer do próximo o melhor capitulo. Porque no próximo ele mostra as cicatrizes e conta a historia. E pq no próximo é só Jazz e Ali (L)

Gente, eu estou em fim de bimestre no colégio, o que significa provas, provas e mais provas e um mundo de trabalhos. Eu vou escrever as fics nesse feriado, mas não vou conseguir postar essa terça, pq eu tenho um trabalho e três provas na semana que vem, então eu vou perder muito tempo estudando e fazendo trabalho, o que significa que eu não vou conseguir terminar o capitulo, e já que eu quero ele muito fofo (e eu sei que vocês também) acho que podemos esperar até sexta que vem né?

Alias, sinto muito por não ter postado ontem, mas eu terminei de escrever o capitulo as duas da manha e tava morrendo de sono. Ai não ia conseguir betar a tempo.

Amanhã, assim que eu tiver um tempinho eu respondo as reviews do capitulo quinze, prometo!

Até sexta (?).

xo . xo

Bih.