CAPITULO VINTE E SETE – FRIDAY THE 13TH
(Sexta-feira 13)

Eu podia sentir a presença gelida perto do meu corpo, o ar frio que exalava de suas narinas, próxima do meu pescoço esposto. Não havia mais o medo de ser mordida, às vezes, havia até mesmo a vontade.

Seus braços, grandes e fortes enlaçavam minha cintura, enquando eu o sentia respirar fundo. Não porque necessitava, mas porque gostava do aroma, era o que ele dizia. Eu sabia que ele não dormia, mas também sabia que o entretia com os meus sentimentos enquanto eu dormia.

Nossa recém descoberta vida sexual estava indo muito bem, tirando o fato de que já faziam cinco dias que eu não passava nem perto da casa dos Cullens, mesmo que Esme insistisse para que eu e meus amigos fossemos jantar lá no sábado, antes do baile. Ou seja, amanhã. Mas eu simplesmente não conseguiria olhar para a cara dela agora. Bem, talvez eu até conseguisse, se Emmett não estivesse por perto.

— Uhm... — soltei o som quando senti Jasper me apertar mais, provavelmente entendendo que eu estava acordada, já que fiquei aflita quando pensei em encontrar com Emmett novamente. Pela minha sanidade mental, eu não poderia encontrá-lo tão cedo. Pelo menos não até ser uma vampira, porque ai eu seria tão forte quanto ele, e poderia usar a ameaça da violência contra ele.

Jasper me puxou para cima do seu corpo e me beijou, fazendo com que eu risse, enquanto tentava me soltar para ir ao banheiro.

— Para onde você vai? — ele perguntou manhoso, enquanto sentia meu corpo afastar-se do seu. Seus braços me prenderam a ele com mais força.

— Preciso tomar banho. Tenho provas finais, lembra? — falei me apoiando em seu peito e o olhando.

— Ah, você vai ser vampira, será que você não pode faltar? — pediu fazendo manha.

— Lógico que não, eu preciso me formar. — fingi indignação.

— Arg, não vejo a hora de você ser uma vampira. — ele brincou, trocando nossas posições e beijando meu pescoço, me fazendo rir com as cossegas. — Ai você pode usar seu charme irresistivel pra sair dessas. — disse contra a minha pele.

— E eu não posso usar agora? — falei passando as mãos por seus cabelos, sentindo meu corpo se arrepiar ao entrar em contado com o corpo gelado dele.

Jasper parou e me olhou por alguns segundos, mordendo o lábio inferior enquanto pensava. Abri a boca realmente indignada e bati em seu ombro, o tirando de cima de mim.

— Você acha que eu não tenho charme? — perguntei ofendida.

— Lógico que não, é claro que você tem, Allie. Não foi o que eu disse, — deitou-se ao meu lado, se defendendo. — Aliás, você nem me deixou dizer nada! — ergueu as mãos como se quisesse — ou precisasse — se defender dos meus leves tapas.

Enrolei-me no lençol e levantei da cama, o encarando.

— Pois fique o senhor sabendo que eu sou muito charmosa. — parei segundos para pensar a minha frase, e ver a expressão de Jasper de quem prendia o riso me fez rir também. Mas tratei de logo ficar seria novamente.

— Você vai ver só, Jazz. — e entrei no banheiro, em uma saida que eu gosto de pensar que foi bem dramatica.

Soltei o lençol no chão e entrei no box do chuveiro, ligando a água e deixando que o liquido quente esquentasse o meu corpo. Enchi minha mão com o liquido arroxiado que cheirava a jasmin e fechei os olhos, enquanto o esfregava nos meus cabelos.

— Você sabia que eu adoro o seu cheiro, mesmo sem ter o de jasmin misturado a ele?

Ouvi sua voz suave escorregar pelo banheiro, como se estivesse analizando o campo, tentando descobrir se eu estava muito zangada ou se estava de brincadeira.

— Eu ainda estou brava, Jazz. — informei, retirando a espuma do cabelo.

— Allie, qual é. Não foi o que eu quis dizer, me desculpa. Ok? — vi pelo vidro enfumaçado quando ele se encostou na pia.

Encostei-me na parede e fiquei ali, recebendo os jatos de água quente enquanto nós dois mergulhávamos em um silencio terrível. Eu odiava ficar em silêncio com Jasper, parece que nós sempre temos algo para dizer, algo importante a dizer.

— Acho melhor eu ir. — Jasper falou, e eu pude ver sua silhueta se encaminhar para a porta.

— Hei, não vai me levar a aula hoje? — perguntei um tanto quanto magoada. Ele sempre me levava para a aula.

— Desculpa pequena, mas eu também tenho as minhas provas.

Quando ouvi a porta sendo aberta me apressei para fechar o chuveiro e me embrulhar na toalha.

— Jazz, espera. — chamei, me atrapalhando toda para enrolar a toalha em meu corpo e sair do box sem cair de cara no chão. O que foi quase impossível.

Jasper me olhou e eu sorri, jogando meus braços em volta de seu pescoço e o puxando para mim. Suas mãos passaram pelo meu quadril e ele sorriu em resposta.

— Desculpa. — sorri, selando nossos lábios. — E boa sorte nas suas provas. — pisquei o olho para ele e voltei a beijá-lo.

[ . . . ]

Estava andando para a escola nervosa pelas provas. Hoje seria francês, química e matemática. E eu era péssima em duas das três, em francês eu me garantia um pouco. Mas mesmo com a preocupação instalada em minha cabeça, eu estava mesmo era remoendo as palavras anteiores de Jasper. Não vejo a hora de você virar vampira. Eu nunca havia realmente pensado nisso. Quer dizer, em mim como vampira.

Por algum motivo eu ainda achava que Jasper e eu casaríamos, teríamos filhos, seguiríamos carreias, passaríamos finais de semana no Ruby Pier brincando com as crianças e namorando...

Mas eu não podia ter um filho de Jasper, porque isso me mataria, ou me transformaria em vampira. E se eu virasse vampira, eu teria de morrer para todos os meus amigos, e principalmente para Cynthia e Anna.

Eu acho que não agüentaria não mais vê-las. Eu sonho em ver o primeiro dia de aula de Anna, de vê-la na escola. De estar no casamento de Cynthia e Richard. Eu tenho certeza se quero ser uma vampira. Desistir de tanta coisa, abandonar tantas pessoas que eu amo...

Não me entendam mal, eu amo Jasper, eu adoro sua família... Mas eu amo a minha vida.

Parei no sinal, olhando em volta. Havia um garoto parado encostado em um Impala 1997 azul marinho, ele estava com um casaco de capuz e lendo um jornal, mas eu pudia perceber que ele olhava por cima das folhas.

Meu coração acelerou e eu vi seus olhos se estreitarem. Sai correndo para atravessar a rua e quase fui atropelada, algumas pessoas me olharam como se eu fosse louca e eu acabei sujando minha bota de camurça em uma poça de lama. Pela primeira vez eu não me importei de estragar o camurça de um Jimmy Chooes; porque agora eu temia pela minha vida, pela minha família.

Virar vampira me afastaria da minha família, mas continuar humana só os colocaria mais em risco. Eu precisava de uma saída. Eu precisa escolher ficar com elas e defende-las, ou ir embora e afastar todo o perigo de vez de Cynthia e Anna.

Afinal de contas, se aquela garota dos meus sonhos ou Michael – se ele realmente fosse um vampiro agora, como ditam minhas visões – decidirem entrar na minha casa para me pegar, podem encontrar uma das duas pela frente... E eu não posso arriscar o pescoço de nenhuma delas, literalmente.

Bella e Edward estavam atravessando o portal principal quando me viram chegando. Bella se despediu de Edward e ficou parada, me esperando.

— Primeiro tempo é a prova de matemática, certo? — me perguntou sorrindo.

Sorri de volta e assenti com a cabeça. Durante a semana inteira eu havia evitado Bella e Edward o máximo que pude. Eu não sabia como encara-la, eu não queria me apegar mais, sabendo que entre natal e ano novo, os filhos mais novos do casal Cullen sofreriam um terrível acidente de carro e perderiam a vida, os três.

Foi assim que eles decidiram desaparecer, pelo menos foi o que Jasper me disse.

— Encontramos uma casa. — ela falou, animada.

Paramos no meio do patiu do colégio, ao lado do chafariz. Eu sabia que estava de cara fechada.

— Fica no interior da Russia ocidental, parece muito legal. Quem sabe vocês não vem nos visitar no ano que vem?

— Claro, porque não? — sorri novamente. — Acho melhor nos apressarmos, ou vamos nos atrasar.

— Voce está bem, Allie? — seus olhos me examinaram atentamente e eu senti um impulso de contar tudo a ela.

Mas eu não podia. Não podia correr do risco dela contar tudo a Jasper. As aulas acabariam hoje, o baile de inverno amanhã abriria o ressesso de natal, e além do mais, hoje é sexta-feita. Treze. Não preciso de coisas dando errado e certamente não preciso de nada mais além de minha visão idiota.

Mordi meu lábio inferior e sorri o melhor que pude para Bella.

— Estou ótima, estou super feliz por terem encontrado uma casa para vocês. Acho que a Russia deve ser um país interessante, agora podemos, por favor, ir para a sala? O teste de francês começa em dez minutos.

Bella largou as mãos ao lado do corpo e assentiu com a cabeça. Nós duas caminhamos em direção a sala de aula em silêncio. Também não havia muito a dizer. Eu não podia contar sobre minhas visões, sobre o meu medo de tornar-me vampira (mesmo que, talvez, essa fosse a minha única salvação) e também não podia contar sobre a enorme frustração que eu sentia por ela "ter de morrer" em breve, e me abandonar aqui.

As coisas não seriam mais as mesmas.

Sentei-me na fila ao lado de Bella, apenas uma carteira a sua frente. Madamme Dubois entregou os testes e nos disse que teriamos uma hora e meia para responder as "fácilimas" 78 questões, em suas palavras. Comecei a fazer a prova e meio que estqueci os ruidos de minha vida que vinham me atrapalhando nos ultimos tempos. Desde que voltei a ter visões (mais perturbadoras do que as de antes, que se baseavam apenas nas decisões bobas e alegres tomadas por aqueles que eu amava) as coisas estavam ficando complicadas. Nada parecia mais normal e eu tinha medo de que qualquer passo ou decisão errada pudesse colocar as pessoas que eu mais amava em risco. E eu sabia o que eu precisava fazer para tirá-las desse risco eminente. Eu tinha uma decisão a tomar. Uma decisão que estava me consumindo. Eu precisava abrir mão de alguém, eu só não conseguia decidir quem: minha familia e amigos, ou Jasper.

Quando eu estava começando a responder a ultima questão, minha mente ficou branca. A caneta escapou de minha mão e eu só pensava braco, só via branco. E uma voz esplendida cantando uma canção em espanhol. Então eu comecei a sentir. A sentir a dor. Era como se eu estivesse caindo em um buraco que jamais teria fundo, e ele estivesse em chamas. Essas chamas lambiam o meu corpo, ardiam. Era tanta dor que eu só queria desistir de tudo. Morrer para poder parar de sentir. Mas algo em mim, uma parte que eu não estava controlando de meus sentidos, dizia que eu precisava lutar; que o resultado valeria a pena. Eu só gritava, enquanto as chamas me consumiam e meu corpo me mandava continuar a lutar. Eu estava me cansando.

Bella's point of view

Eu estava brincando com a caneta, escutando atentamente a murmurios muito baixos para que a professora conseguisse ouvir. No geral, a sala estava em completo silêncio, eu podia identificar a diferente sonoridade do grafite sendo usado, e da tinta da caneta percorrendo o papel. A borracha apagando, a respiração acelerada, nervosa. E o cheiro de sangue fluindo. Os sons tão organicos estavam preenchendo a sala para mim, mas para os outros a sala estava extremamente quieta. Eu adorava esse novo eu. Sorri para a folha rabiscada sob minhas mãos, mas logo fiquei alerta novamente. Os gritos de Alice acabaram com qualquer paz que a classe tinha.

A professora se levantou com pressa e eu também. Corremos ambas para a carteira de Alice enquanto as outras meninas apenas olhavam incrédulas. Alice gritava como se estivesse em chamas, e de repente começou a pedir para parar.

— Pare, Pare! Façam isso parar! — gritava a plenos pulmões.

Mademoseille Brandon! Mademoseille Brandon! — a professora gritava sacodindo Alice levemente.

Me coloquei entre as duas, percebendo que alice poderia, muito provavelmente, estar tendo uma visão.

— Pode deixar, madame Dubois, eu vou levá-la a enfermaria. — Falei, afastando a professora e ajudando Alice a sair da sala.

Andamos pelos corredores silenciosos de Saint Candense acordando a todos em suas salas. Porfessores assustados apareciam nas portas pedindo silêncio e apresentando um olhar apavorado quando percebiam o que Alice estava gritando. Eu precisava saber o que ela estava pensando. Eu precisava de Edward.

Antes que pudessemos chegar ao patio secundário da escola, Alice parou de gritar. Seu olhar ficou extremamente sem foco, longe. Ela parecia apenas uma boneca. Coloquei-a sentada em um banco no pátio e pedi que não saisse, em seguia, corri em disparada para os predios de Saint Patrick, procurando pela sala onde Edward estava fazendo seu teste de química. Parei em frente à sala C145 e olhei pela pequena vidraça que havia na porta, Edward estava sentado na janela, também brincando com a caneta.

Encostei-me na parede ao lado da porta e me concentrei. Coloquei as mãos em minhas temporas e fiz exatamente o que Kate havia me ensinado; excpulsando o escudo de minha mente, comecei a gritar mentalmente para meu marido "Edward, por favor, me ouça. Edward, Alice surtou. Não sei o que aconteceu, começou a gritar dentro da sala como se fosse uma visão e agora parece em transe. Saia da sala agora, venha me ajudar. Edward!" gritei por fim, quando não consegui mais segurar o escudo longe de minha mente. Alguns batimentos cardiacos após, Edward estava ao meu lado.

— Graças a deus você ouviu, vem... — peguei sua mão e saimos correndo, moderadamente, até o patio interno onde eu havia deixado Alice.

— Ela esta bem?

— Não sei, por isso vim te procurar. Ela parece entorpecida e... — parei de subto quando senti um cheiro estranho no ar.

Definitivamente, não era humano.

Edward freiou ao meu lado e nos escondemos atrás da estatua de st. Candence. Alice caminhava hipnotizada até uma garota morena, vestida apenas com um vestido branco de algodão.

— Ela esta sendo manipulada. Bloqueie a mente dela, eu vou até lá. — Edward sibilou para mim.

Assenti com a cabeça e comecei a me concentrar. Eu não havia usado muito meus poderes, mas fiz o máxio. Comecei a expulsá-lo, avançando sobre todo o pátio e caminhando para que ele pudesse alcançar Alice e Edward sem muito trabalho. Quando Edward chegou perto o suficiente de Alice, a garota saiu correndo. Ele ia atrás dela, mas Alice simplesmente desabou desmaiada, e ele voltou para pegá-la.

Alice's Point of view

Minha mente voltou a processar minutos depois. Ou seria séculos? Abri meus olhos e eles estavam borrados, embaralhados. Minha cabeça latejava, pisquei os olhos algumas vezes até que pudesse enxergar bem. E então apenas um ruido de dor saiu de meus lábios.

— Oh... O que aconteceu? — pedi, sentando-me com dificuldade.

Percebi que estava com a cabeça no colo de Bella e que estavamos no pátio interno — e vazio — de Saint Candence.

— Era Maria. — Edward começou a examinar minha expressão. O nome trouxe a tona varios pesadelos com ela e Michael que eu tivera anteriormente.

— Aquela era Maria? - — a voz de Bella se sobressaltou.

— O que? — me sentei mais depressa, olhando em volta. — O que ela queria? — podia sentir meu coração acelerar tanto que poderia rasgar meu peito e saltar para fora.

— Não sei. Ela estava concentrada demais, chamando você. — ele suspirou e disse. — Você precisa contar sobre suas visões para Jasper.

Coloquei minhas mão na cabeça e o olhei ultrajada

— Fique longe da minha mente, eu já disse.

— Que visões? — Bella voltou a perguntar, ainda confusa.

— Alice... — ele ia começar, mas eu o interrompi.

— Não, vocês não podem falar nada para ele. Eu vou falar. Mas só depois de amanhã. As aulas acabam hoje e amanhã é o baile de inverno. Eu espero por isso desde o começo do ano, não vou estragar por causa dessa garota. Eu estou controlando isso. Vou contar a ele, mas só depois, quando tiver certeza do que estou fazendo. — falei firme. Edward continuou a me olhar apreensivo. — Por favor... — supliquei, derrotada. — prometo que vou contar a ele. Mas eu preciso de mais tempo. Só isso.

Edward suspirou e largou as mãos ao lado do corpo. Bella continuava sem entender nada quando ele disse.

— É o seu pescoço em jogo... — e deixou o resto no ar.

— É, é o meu pescoço. — murmurei baixinho.

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N/A: Ah, desculpem a demora. Acho que todas já estão cansadas de saber o motivo, assim como eu estou cansada de mencioná-lo. : D

Mas venho com boas novas, o próximo capitulo já está começado, e não devo deixá-las muito tempo na agonia, a fic tem apenas mais dois ou três capítulos e o epilogo, então chega ao fim. Viu que bom?

Espero que gostem desse capitulo e comentem, não me abandonem hein.

Beijosemordidas!