CAPITULO VINTE E OITO — FOREVER MEANS 'TIL WE DIE

(Para sempre significa até morrermos)

— Distensão muscular? — Izzie perguntou pela quinta vez a respeito da história que eu havia contado.

Os acontecimentos na sala de francês haviam corrido o colégio inteiro, mas Izzie parecia a única a não comprar minha desculpa. Eu havia dito que fora uma distensão muscular muito forte e que a enfermeira havia me dado remédios, por isso já estava tão bem. Já eram quatro da tarde e estávamos no The Pie Hole, comendo nossos habituais pedaços de torta com chocolate quente, ouvindo rock'n roll dos anos 50 e vendo os meninos se acabarem de dançar. O lugar estava uma festa e Tay estava se divertindo com toda aquela bagunça. Sorri, me sentindo verdadeiramente feliz por fazer parte daquilo. Bella e Edward haviam rejeitado o convite para se juntar a nós, pois queriam ir para casa ficar com Nessie. Jasper ainda estava na faculdade, terminando um trabalho com prazo final para a meia noite de hoje. Eu estava só, apenas com Izzie e Sara, como nos velhos tempos. Como naquele dia em que Jasper entrou pela porta e mudou toda a minha vida. As meninas falavam empolgadas sobre o baile, e pela primeira vez eu me senti eu mesma em muito tempo. Falei com elas sobre os vestidos no baile passado, sobre sapatos e acessórios, cores da estação. Fizemos planos de ano novo e de verão, antes da faculdade.

— Meu pai quer que eu entre para a universidade sem parar, então vou ter ir para o extensivo no outono que vem. — Izzie suspirou brincando com um pedaço de sua torta de cereja, mas logo abriu um sorriso. — Mas sabe que eu estou bem empolgada? Não vejo a hora de começar a faculdade de veterinária... Logo vou cuidar dos animaizinhos feridos... — seus olhos brilhavam com as palavras e eu sorri para ela, segurando sua mão com firmeza.

— Eu vou parar um ano para viajar, já avisei meus pais. Não quero fazer faculdade aqui, vou ir para a escola de musica em Paris, morar com minha avó. — Sara sorriu, comendo mais um pedaço de seu bolo.

Elas estavam tão convictas de que seus sonhos seriam realizados. Como se não houvesse outra alternativa que não fosse aquela.

— E você, já pensou o que vai fazer? — Izzie me olhou, terminando de comer sua torta.

Antes que eu pudesse abrir a boca para contar meus planos de voltar aos Estados Unidos, Sara me cortou, rindo enquanto falava.

— Casar com o Jasper, é claro. Não vejo outro futuro para você se continuar com ele.

A olhei sem entender e perguntei.

— Porque você está falando isso? — minha voz soou meio ofendida, o que eu realmente estava. Eu tinha tanta coisa para realizar, assim como ela. E queria poder falar, como se não tivesse outra opção, assim como ela.

— Sejamos sinceras Mary, eu amo você, mas desde que você começou a namorar o Jasper você mudou, muito. — fez uma expressão exagerada e continuou tomando seu chocolate.

Olhei para Izzie, buscando ajuda, e ela apenas deu de ombros, concordando com Sara.

— Qual é, as pessoas mudam depois que começam a namorar. Eu preciso abrir um tempo na minha vida para o meu namorado, e eu só posso fazer isso de uma maneira: diminuindo o meu tempo com as outras pessoas ou inventando um dia com 30 horas!

— Quando você o inventar, me avisa. — Tom apareceu na nossa mesa, pegando um pedaço de doce, e depois desaparecendo.

— Sim, a gente precisa arrumar tempo. Mas você mudou Allie. Não arrumou apenas tempo. — Izzie falou pela primeira vez sobre o assunto.

As olhei completamente indignada. O que elas estavam falando?

— Olha, você perdeu a liquidação de inverno da Macy's, perdeu o lançamento das novas botas Steve Madden. Ignorou completamente o show que o Coldplay fez há dois meses em Brighton. E nem saiu mais conosco! — Sara falou como se tudo aquilo estivesse muito obvio. — O show do coldplay eu até entendo, eles são melosos demais. Mas perder uma liquidação? Um novo lançamento? Você só amava mais a Zara do que a moda, Alice.

Merda, era verdade. Já havia passado da época de liquidação na Macy's e eu havia simplesmente perdido. E eu queria tanto aquela saia e aquele sobretudo listrado! E como assim o Steve Madden ta lançando uma linha de botas? Quando isso aconteceu? Eu preciso de uma... Ou umas... Já! E... Coldplay não é tão meloso assim, é perfeito. Ainda mais com um show em Brighton, quem é o responsável por não em avisar sobre isso?

— Eu sei que eu estou diferente agora mas... Ultimamente o Jasper parece ser o único que entende os meus problemas. — confessei. Eu não podia falar sobre vampiros e visões com ninguém mais que não fosse de sua família.

— Problemas esses que só surgiram depois dele. — Sara continuou a acusar, e eu realmente me senti ofendida.

— Qual é a sua, hein? Eu amo ele, será que você não pode dar um desconto? Ele não é igual a todos os idiotas que você teima em sair, ele é melhor do que qualquer cara que você já conheceu, Sarabeth. E melhor do que qualquer um que possa aparecer para você, porque você não enxergaria um cara bacana nem que eu esfregasse ele na sua cara! — me levantei irritada, jogando algumas libras sobre a mesa. Reuni meu material e sai, pegando minha bolsa que estava pendurada no encosto da cadeira.

— Allie, aonde você vai? — ouvi a voz de Izzie me chamar, mas eu simplesmente ignorei.

[ . . . ]

Quando cheguei a casa eu estava com dor de cabeça. Belo dia minhas amigas escolheram para me falar o que as angustiava. Eu também queria poder falar como me sentia. Como morria de medo que a ex-namorada vampira do meu namorado vampiro pudesse matar a elas e a minha família; como o irmão do meu melhor amigo agora era um vampiro que estava me perseguindo, e não morto em uma vala qualquer; como cada vez que Jasper e eu estávamos juntos eu consigo perceber que é dolorido para ele, mesmo ele fingindo que esta tudo bem sentir o cheiro do meu sangue; sobre como ele quer que eu vire uma vampira e vá morar com ele no Alasca ou em qualquer lugar parecido, e eu estou me apavorando porque não nos conhecemos nem a um ano...

Eu queria poder falar sobre essas coisas para Izzie e Sara, que sempre estiveram ao meu lado. Queria poder falar sobre os vampiros e sobre a assassina que me persegue, sobre os meus medos e as minhas inseguranças adolescentes em relação a esse amor que me pegou com a guarda tão baixa que me deixa tonta só de ouvir a voz dele ou sentir o seu perfume.

Mas eu não posso. Não posso porque isso as colocaria em perigo, e eu as amo demais para fazer isso. Não posso dizer nada porque eu prometi guardar segredo, e agora o segredo dos Cullens me corroi por dentro.

Bati a porta de entra as minhas costas e quando me senti segura o suficiente eu gritei, gritei o mais que pude, sentindo lágrimas quentes brotarem em meus olhos e escorrerem as minhas bochechas. Joguei minha pasta no chão e deslizei pela porta até sentar no chão.

Eu queria tanto que Jasper fosse um cara normal. Que eu não tivesse visões. Que nós fossemos um casal normal, com aspirações normais e ex-namorados normais.

Senti um fucinho gelado tocar minha mão e quando ergui a cabeça, Zara estava parada a minha frente com seu cabeção a alguns centímetros do meu, a língua enorme para fora, babando todo o chão e os olhos negros brilhando. Ela parecia estar sorrindo. Quando viu meu rosto animou-se, seu rabo balançou tão rápido que suas patas traseiras balançaram junto, deslizando pelo piso de madeira. Ela encostou o fucinho no meu rosto e muxoxou, me fazendo sorrir.

— Obrigada, meu amor. Eu amo você, sabia disso? — sorri para ela, abrindo os braços.

Essa era a sua deixa para pular sobre mim, e ela o fez exatamente como fazia todas as outras vezes, me derrubando no chão e me fazendo rir.

Era por isso que eu a amava tanto. Cachorros não ligam se você tem muito ou pouco tempo para eles, se você perdeu uma liquidação, não comprou as botas da estação ou não foi no show da banda tendência do momento. Se você chegar em casa triste, eles te alegram. Se chegar nervosa, eles te fazem rir. Se chegar feliz, eles fazem a festa com você.

— Quer saber de uma coisa, hoje você merece um osso bem grandão. — falei para ela, e Zara parecia entender tudo que eu dizia. Seu rabo balançou para cá e para lá, arrastando duas patas junto. — E eu mereço um banho de banheira.

Me levantei e comecei a andar até a lavanderia. Na geladeira havia um bilhete de minha irmã, falando que Anna estava com a babá e que hoje ela deixaria a bebê em casa quando fosse para a estação de trem ali perto. Cheguei aos fundos e abri o armário, tirando um grande osso branco que eu sabia que Zara destruiria em segundos, espalharia por toda a casa e se divertiria vendo enquanto eu transformava a busca pelos pedaços em uma caça ao tesouro com ela e Anna.

Mas hoje ela merecia. Ela merecia muito.

Entreguei-lhe o osso e passei a mão em sua cabeça, sussurando para que ela o usasse com sabedoria. No mesmo instante ela desapareceu até a sala, e depois para o quarto de Anna. Desde que Jasper começou a passar todas as noites aqui (com exceção das que ele está em caça) Zara não dormia mais comigo, e sim com Anna.

Andei até o quarto de minha irmã e depois até seu banheiro e liguei a água da banheira, tirei meus sapatos e as meias grossas que usávamos para ir a escola nos dias de inverto. Tirei o suéter e a gravata, indo até meu quarto buscar um par de roupas intimas limpas e o meu roupão. Meu banheiro não tinha banheira, então nós sempre usávamos a do quarto de Cynthia.

Na gaveta de meu cômodo tirei os sais de banho relaxantes que havia ganhado de Sarabeth no meu aniversario deste ano. Olhei os frasquinhos por alguns segundos, me sentindo culpada pela maneira que havia deixado o café. Mas eu não havia feito por mau e elas haviam me irritado com todo o papo de que Jasper não me fazia bem.

Qualquer pessoa que te ame na mesma intensidade com a que ele me ama, te faz bem.

Voltei para o banheiro e joguei os sais dentro da banheira, terminei de tirar a roupa e desliguei a água, entrando na banheira em seguida. Deitei-me, deixando que a água morna cobrisse meu corpo completamente, peguei uma toalha de mão e dobrei-a, apoiando a cabeça na beirada da banheira e fechando e colocando-a sobre meus olhos fechados, soltando um longo suspiro.

[ . . . ]

Eu podia sentir um leve calor batendo na minha pele e uma brisa calma com cheiro de maresia bater em meu rosto. Quando comecei a recobrar os meus sentidos, eu pude sentir algo fofo entre meus dedos, e logo descobri ser areia. Como se fosse ao meu lado, eu ouvia risadas e barulho de água. Pessoas pulando nela e ondas quebrando. Mais longe de mim eu podia sentir um cheiro delicioso, encantador. Um cheiro de... Sangue!

Abri meus olhos tão rápido quanto me sentei. Não me senti tonta nem nada, olhei ao redor e pude ver que o mar não estava ao meu lado, e sim a uns sete metros. Onde as marolinhas quebravam, Edward, Bella e Nessie brincavam, com suas peles brilhando debaixo do sol. Rosalie e Emmett estavam mais ao fundo, a loira deitada em uma bóia com óculos escuros tomando sol, sua pele brilhava tão divinamente quanto ela era bonita. Emmett nada por perto, falando com ela e fazendo-a rir.

Não vi Carlisle nem Esme por ali, mas pude ouvir passos atrás de mim. Virei-me e me deparei com Jasper. Ele usava uma bermuda florida e um rayban estilo aviador, caminhando em minha direção com uma bóia redonda.

— Achei! — Falou agitando a bóia, e eu sorri. — O que vai querer fazer? — ele sorriu para eu e me beijou os lábios, com delicadeza e carinho.

Sorri para ele e mordi os lábios, travessa. Levantei-me e roubei a bóia de seus braços.

— Assistir ao pôr-do-sol, é claro! — dei meu melhor sorriso, estendendo minha mão para segurar a sua.

Minha pele brilhava na mesma intensidade que a de Jasper.

[ . . . ]

Acordei de súbito, sentindo uma enorme falta de ar. Arfei enquanto lavava meu rosto e piscava seguidamente. Olhei tudo a minha volta e não havia nada de mais. Era só o banheiro do quarto de minha irmã, minha pele estava no seu tom de branco normal e eu não ouvia nada que não fosse o sol da água se agitando pelo meu movimento brusco recente. Também não sentia cheiro de nada, especialmente de sangue.

Soltei o ar lentamente pela boca, cobrindo meu rosto com as mãos e tentando me manter calma. Era mais uma visão. Mas dessa vez não tinha nada a ver com Maria, Michael ou com as ameaças que eu sofria por eles. Era com o destino que eu tinha escolhido para mim. Vampira, ao lado de Jasper e sua família.

Então por que isso me assustou tanto? Por que o cheiro de sangue me surpreendeu, e minha pele brilhante me chocou?

O som estridente que meu sidekick fez ao vibrar sobre a pia do banheiro me assustou, no meio da minha calmaria. Levantei da banheira e coloquei meu roupão, atendendo o telefone em seguida.

— Alô? — pedi, sem nem mesmo olhar quem estava ligando.

Caminhei de volta para a banheira e tirei a tampa do ralo.

— Hei, sou eu. Izzie. — sua voz soava receosa do outro lado.

— Reconheci a voz. O que você quer? — me surpreendi pelo tom rude em minha voz. Não era assim que eu queria começar a conversa.

Ouvi Izzie suspirar do outro lado da linha. Me encostei na pia, jogando a cabeça para trás. Idiota.

— Olha Allie, eu só liguei para pedir desculpas. Eu e Sarabeth pegamos pesado hoje. Nós estávamos tendo uma tarde ótima, como não tínhamos há muito tempo... Sinto muito por ter entrado na onda da Sara e ter estragado tudo. — ela falou tudo de uma vez só, como se tivesse medo que eu desligasse o telefone antes que tivesse a chance de terminar seu discurso.

— Eu que peço desculpas. Eu sei que não tenho sido eu mesma ultimamente. As coisas aconteceram rápido demais, mas eu ainda sou a Alice que vocês conhecem. — sorri sozinha.

Isobel riu do outro lado, e logo perguntou, empolgada.

— Ainda vamos todos juntos ao baile?

— Claro! — falei empolgada, me desencostando do balcão da pia. — E segunda-feira também!

— Segunda-feira? Onde? — sua voz parecia confusa, e eu ri.

— Se Steve Madden está lançando uma linha de botas é claro que eu preciso de uma... Ou mais! — nós duas rimos ao telefone.

Ouvi a campainha tocar.

— Iz, eu ligo pra você mais tarde. A babá acabou de chegar com Anna.

— Ok, fico esperando então. Até amanhã.

— Até. — falei, e depois voltei a chamá-la.

— O que? — sua voz infantil e despreocupada perguntou.

— Eu amo você. — falei um pouco mais baixo.

Eu sabia que ela estava sorrindo do outro lado da linha.

— Eu também amo você. E nós vamos ser amigas para sempre. E você sabe o que para sempre significa. — ela falava de uma maneira risonha e cativante.

Era impossível não responder no mesmo tom.

— Até morrermos. — falei.

— Isso ai, até morrermos. Agora vá atender a porta. Tchau! — ela estava bem mais empolgada.

— Tchau. — respondi, menos empolgada que ela, desligando o sidekick.

Até morrermos. Mal sabia ela que esse dia podia estar mais próximo do que ela imaginava.

Caminhei até a porta da frente e abri, dando de cara com uma garota loira e sorridente, segurando a mochila rosa com verde em uma mão, e mãozinha gorducinha e adorável de minha sobrinha na outra.

Anna disparou para dentro de casa, correndo atrás de Zara que já havia espalhado pedaços de osso pela casa. Eu sorri para a garota a minha frente e estendia mão para pegar a mochila.

— Uma garotinha cheia de energia. — ela falou, entregando-me a mochila.

— Muita energia. Queria descobrir um botão de desliga nela. — ela riu e acenou, se distanciando.

Fechei a porta e peguei minhas coisas de perto da porta, onde haviam ficado anteriormente.

— Anna, não se suje. Eu já vou fazer a comida. — falei entrando em meu quarto para guardar minhas coisas e colocar uma roupa. — O que acha de macarrão com queijo?

— Adolo! — ela gritou, e eu ri sozinha.

Era adorável o jeito que Anna trocava todos os "r" por "l". Ela era adorável. Encantadora. Eu sentiria muito a falta dela. Seria doloroso não vê-la todos os dias.

N/A: Ahhh, desculpem a demora de quase dois meses. Eu to com pena de terminar essa fic, verdade. Mas bem, essa fic vai só até o capitulo 30, então preparem-se porque fortes emoções vem pela frente.

Espero que não tenham me abandonado.

Beijos,
Bibs.