N/A: música do capitulo "Far From Home – Five Finger Death Punch" link aqui http: / / www .youtube .com /watch?v=elKCehIAzck (é só tirar os espaços)
N/A²: link para os vestidos do baile http: / / picasaweb .google .com /bids28 /MuroDasMaravilhas# (só tirar os espaços)


CAPITULO VINTE E NOVE — TO EVERY ACTION A REACTION
(Para cada ação uma reação)

A chuva lá fora caia torrencialmente. Quando abri a porta do apartamento estava tudo escuro, não havia sequer a lua para iluminar qualquer coisa. Jasper havia me deixado no apartamento sozinha, ele precisava caçar. Tentei acender a luz da sala quando fechei a porta as minhas costas, mas ela não acendeu. Eu sabia que a energia do prédio não havia caído — e nem a da rua — porque todo o resto estava iluminado.

Abri meu sidekick tentando iluminar qualquer coisa com ele, sem sucesso. Sua lanterna não era muito potente.

— Cynthia? — chamei baixinho por minha irmã, começando a andar pela casa.

Meu vestido estava molhado e meus sapatos machucando meus pés, enquanto continuava a chamar por minha irmã, apoiei uma de minhas mãos na bancada da cozinha e tirei meus sapatos, logo sentindo algo viscoso tocar meus dedos. Úmido e frio, eu não conseguia ver sua cor e ele não tinha cheiro.

Um raio cortou o céu e iluminou a sala um pouco. A casa estava completamente bagunçada, como se alguém tivesse brigado ali. Meu coração apertou, por um momento ele parou, e depois acelerou mais ainda. Limpei a mão no vestido, a inda sem saber o que o liquido era e comecei a andar pela casa, tropeçando nos objetos caídos no chão.

— Cynthia, Anna! — comecei a gritar descontroladamente, já sentindo lágrimas nos olhos. — Zara, garota? Onde está você? Zara! Cynthia!

Quando tomei o telefone na mão para ligar para a policia as luzes da casa se acenderam. Eu fiquei algum tempo parada no corredor que dava para os quartos. Haviam roupas espalhada pelo chão e todos as portas estavam abertas. Larguei o telefone e comecei a andar com cautela, até que vi a grande cabeça de Zara na porta do quarto de Anna. Os olhos aberto e aquele sorriso inconfundível, respirei aliviada por um segundo.

— Zara, porque não veio quando chamei, você quase me matou do susto. — parei novamente ao chegar na porta do quarto, quase caindo para trás. Foi impossível prender o grito de terror quando vi que a cabeça de minha doce cadelinha não estava mais presa ao seu corpo.

Senti meu corpo todo tremer e corri para a cama de Anna, onde havia um montinho de edredom. Corri até a cama e quando mexi no edredom enrolado eu senti a raiva e o pavor tomarem conta do meu corpo.

Minha boneca estava dilacerada, com a garganta esfacelada. Me senti enojada, e tudo que consegui fazer foi gritar mais, chorar mais. Sai correndo dali para buscar o telefone, o quarto estava coberto de sangue, será que ainda conseguiriam salvar Anna?

Quando cheguei ao final do corredor, encarando a bancada onde mais cedo havia me apoiado e onde o telefone se encontra, mais grito, mais mãos tremendo. O corpo de minha irmã estava jogada sobre a bancada, o pescoço dilacerado como o de minha boneca. A expressão de horror em seu rosto, o sangue cobrindo a bancada. Olhei minha mão, vermelha e gritei mais, chorei mais. Tentei limpar o sangue das mãos no meu vestido, manchando o tecido amarelo com o vermelho pegajoso.

— Achou que ia ficar por isso mesmo? — uma voz feminina apareceu as minhas costas. Quase infantil.

Virei-me bruscamente para ver Maria coberta de sangue, parada a apenas alguns centímetro do meu corpo.

— Achou que iria ter Jasper para si e que não sofreria as conseqüências? — seus olhos cor de rubi se projetaram raivosos, seu corpo em posição de ataque. — Pois está só começando. — e jogou-se na minha direção.

[ . . . ]

Acordei em um pulo, sentindo meu coração acelerado e o suor escorrer meu rosto. Vi Anna dormindo em meus braços e a televisão ligada em um desenho qualquer. A casa estava com tudo no lugar — na medida do possível. Abracei minha pequena bonequinha com delicadeza para não acorda-la.

Maria estava me provocando, mas eu não ia desistir assim tão fácil. Ela só poderia atacar minha família como havia decidido se eles estivessem em casa. Mas eu não planejava deixa-las em casa, não amanhã. Não sozinhas.

— Allie, tudo bem com você? — minha irmã chamou atrás de mim. Ela estava chegando do hospital.

— Vou colocar Anna na cama. — falei, segurando-a firme em meus braços e me dirigindo a seu quarto.

Parei no corredor quando tive um déja vu do sonho. A cabeça de Zara aparecendo na porta do quarto de Anna. Os olhos abertos e o sorriso no rosto. Senti um tremor passar pelo meu corpo e comecei a andar em direção ao cômodo devagar.

— Alice? Algo errado? — ouvi a voz de minha irmã novamente.

Não respondi, apenas caminhei. Caminhei e fechei os olhos, respirando aliviada quando cheguei próximo o suficiente para que Zara se levantasse com o rabinho abanando e o corpo junto a cabeça.

— Você ainda me mata de susto! — ralhei em sussurros com ela, e ela pareceu não se importar muito.

Coloquei Anna na cama e a cobri com o edredom, beijando sua testa em seguida.

— Eu vou cuidar de vocês, eu prometo. Nada de mal vai acontecer enquanto eu estiver aqui. Custe o que custar.

Chamei Zara e sai do quarto, apagando a luz antes de fechar a porta, deixando apenas uma pequena fresta por onde a luz poderia entrar. Na cozinha, Cynthia estava colocando um prato com o jantar no microondas. Ela se virou para mim rindo quando fechou o aparelho.

— Macarrão com queijo? A especialidade de tia Alice.

Ri com ela.

— Sim, e Anna fez o favor de jogar muito de minha especialidade do chão para que Zara também provasse.

Rimos novamente. Sentei-me em uma das banquetas enquanto minha irmã pegava suco na geladeira. Respirei fundo, tentando me manter calma e parecer casual quando fizesse o pedido.

— Tudo bem com você? Desde que eu cheguei que você está assim estranha, Allie. — Cynthia colocou a jarra de suco na bancada e sentou-se na banqueta ao meu lado.

— Eu só queria saber o que você e a Anna vão fazer amanhã, quando eu for para o baile. — boa Alice, casual. Como se não fosse nada.

— Vamos ficar em casa, vendo desenhos e brincando com a Zara. O de sempre. — Cynthia deu de ombros e se levantou para tirar a comida do microondas que já apitava.

Voltou a se sentar ao meu lado.

— Por que a pergunta? — pareceu confusa.

— Eu só... Acho... Eu só acho que vocês deveriam sair. Não sei, ir ao Ruby Píer, passar a noite com o Richard. Quem sabe levar Zara com vocês. — falei sorrindo. Mas eu sabia que a essa altura eu já não estava mais sendo casual. Podia notar um tênue tom de desespero em minha voz.

— Saímos com Richard a três dias. Acho que ele vai estar de plantão amanhã. Não se preocupe, estaremos bem Alice. — ela riu, enquanto comia.

— Não, Cynthia. — falei balançando a cabeça negativamente. — Você não esta entendendo, você não pode ficar em casa amanhã. Você tem de pegar Anna e sair junto comigo, e só voltar no domingo. Certo? E se puder levar a Zara, por favor, leve-a. — falei agora mais agressiva. Sentia em minha alma que eu precisava tirá-las dali, ou me arrependeria muito.

Muito mesmo.

— Alice, você está me assustando. O que aconteceu? — perguntou preocupada.

— Nada. Não aconteceu nada, mas eu estou com esse péssimo pressentimento. Por favor, faça o que eu estou pedindo... Por favor, Cynthia, não fique em casa depois que eu sair, por favor. — senti lágrimas encherem meus olhos e o desespero tomar conta.

— Alice... — Ela ia começar a falar, mas eu não dei tempo. Eu não tinha tempo a perder.

— Cynthia, por favor. Confie em mim. Por favor. — implorei pela ultima vez.

— Certo, ok, ok.

Respirei aliviada, limpando o canto de meus olhos para impedir que lágrimas escorressem.

— Allie, ta tudo bem? — Cynthia perguntou depois de um breve tempo em silêncio.

Eu sabia que a preocuparia ainda mais falando que tudo estava bem. Mas eu não podia me dar o luxo de não parecer assustada, porque na verdade eu estava apavorada; ter Cynthia preocupada comigo por um dia ou dois era o de menos agora, eu tinha que pensar na vida delas.

— Tudo bem. Só estou cansada, preciso dormir. — informei, me direcionando para o quarto. — Não esqueça... — parei no meio do caminho e a encarei. — Você sai junto comigo e só volta no domingo!

Minha irmã assentiu com a cabeça e eu respirei novamente, voltando a andar para o meu quarto. Fechei a porta atrás de mim e me joguei na cama, embrulhando-me nos lençóis e fechando os olhos sem querer pensar em mais nada. Eu só queria terminar aquele pesadelo e voltar para a minha vida normal.

Maria podia ser mais forte do que eu, mas eu podia ver o que ela pretendia fazer antes de fazê-lo, eu não precisava de força.

[ . . . ]

Acordei no dia seguinte com os latidos de Zara e os gritinhos finos e divertidos de Anna enchendo a casa. Esfreguei os olhos e rolei até ficar de barriga para cima, observando o teto branco do quarto. Passei as mãos no lençol a procura de qualquer vestígio de que Jasper estivesse ali, mas tudo que senti foi um caule e quando virei-me pude ver uma grande rosa amarela e um bilhete na cama.

"Amarelo é a sua cor, quando olhar para esta rosa lembre-se de que eu estarei cuidando de você.

Amor, J."

Sorri para o bilhete, segurando a rosa na mão e sentindo seu aroma adocicado perfeito. Jasper conseguia me conquistar com as coisas mais banais. Deixei a rosa sobre minha cômoda e vesti meu roupão, saindo do quarto em direção a cozinha, mas não sem tropeçar nos brinquedos de Anna no caminho.

Na sala, ela e Zara travavam algum tipo de batalha muito divertida, que envolvia gritos, latidos e os ursinhos carinhosos no ultimo volume.

— Serio, ser mãe é assim fácil? — falei rindo e indicando as duas na sala, quando cheguei a cozinha.

— Receita secreta: um labrador barulhento e uma televisão no ultimo volume. Aprenda cedo, nunca da errado. — ela riu, jogando um pedaço de bolo dentro da boca.

— Não fale assim da Zara, ela é muito comportada quando esta longe da sua filha. — brinquei, abrindo a geladeira e tirando a garrafa de suco de laranja.

Cynthia permaneceu com os olhos colados em mim, observando cada movimento meu, desde colocar suco no copo a me servir de bolo.

— O que? — perguntei de boca cheia, olhando-a.

— Que nojo Allie, não fale de boca cheia. — ela terminou o café e colocou a xícara na pia, virando-se e encostando-se nela em seguida, me encarando. — Você está melhor?

— Depende. — dei de ombros, bebericando meu suco.

— Do que?

— Você ainda vai sair essa noite e voltar somente amanha? — olhei-a por cima de meu copo de suco.

— Sim. Anna quer ir a sessão de leitura infantil no shopping, e Richard convidou-nos para ir a casa da mãe dele. Seu irmão está em Londres e tem uma filha na idade de Anna.

— Parece divertido. — comentei sorrindo, enquanto terminava de comer. — E sim. — respondi, pegando minha louça suja e me levantando, levando-a à pia. — Eu estou bem e vou continuar bem, contando que você passe a noite fora com Anna e, se possível, com Zara também.

Frisei uma ultima vez. Eu duvidara que Maria fizesse qualquer coisa se encontrasse apenas Zara, ela era uma vampira idiota que vivia isolada do mundo externo a muito tempo para ter qualquer noção da afeição entre cães e donos. Além do que, ela notaria que não existiria nenhum coração humano batendo dentro dessa casa, e pelo que Jasper diz, Zara fede.

Não que ela seja uma cadela fedida, mas porque cachorros têm um odor forte e desagradável para vampiros, assim como lobos.

Os sábados em nossa casa eram sempre os mesmo, mesmo quando Jasper estava por aqui. Comíamos porcarias, assistíamos a televisão, brincávamos com Anna e Zara. Quando Jasper estava ali — especialmente quando ele estava ali — as coisas pareciam tão normais. Não parecia que ele era um vampiro ou que eu podia prever o futuro. Parecíamos apenas dois adolescentes apaixonados planejando o futuro. E o futuro que os outros achavam que nós planejávamos não me assustava nem um quarto do que o futuro de verdade que me aguarda.

Quando eu comecei a me arrumar achei que não teria tempo o suciente, toda aquela preocupação havia acabado com o meu cabelo e eu estava com profundas olheiras, mas quando vi a reação de Jasper respirei aliviada, sabendo que as horas gastas com cosméticos e maquiagem haviam feito valer a pena.

— Encantadora, pequena. — ele sussurrou em meu ouvido enquanto me abraçava.

— Oh, vocês estão tão lindos! — Cynthia falou empolgada. — Rick, pegue a câmera para mim, sim? — ela gesticulou para Richard que estava com a bolsa de Anna jogada em seu ombro.

Ele sorriu para mim e passou a câmera para minha irmã, que se apressou em nos mandar fazer poses. Jasper estava lindo dentro de um smocking preto e gravata borboleta, ele havia me entregado um pequeno buquê de flores do campo amarelas para combinar com o vestido longo amarelo que eu estava usando. Minha irmã nos fez tirar varias fotos juntos, depois com ela, com Anna e até mesmo com Zara; nos enrolou por muito tempo até que Richard conseguiu de te.

— Querida, por favor. Você vai atrasar as crianças para o baile e nós não vamos conseguir pegar o jantar.

Cynthia o olhou emburrada enquanto ele tirava a câmera de sua mão e chamava Anna, ela ainda murmurou algo sobre ser uma experiência única na vida quando estávamos saindo de casa. Quando sentei no carro eu não pude evitar o sorriso triunfante em meus lábios. Eu queria ser uma pequena mosca para ver a cara de Maria quando chegasse a minha casa e não encontrasse ninguém ali, a fúria dela.

— Esse sorriso se deve? — Jasper perguntou, dando a partida em direção ao hotel Woldorf onde seria feito o baile.

— Nunca imaginei que poderia ser assim namorar com você. — falei sinceramente.

Quando comecei a sonhar com Maria, quando descobri quem era ela, não achei que conseguiria manter minha relação com Jasper, pelo menos não enquanto ela ameaçasse a vida de todos que eu amava, mas o fato de que eu consegui estar a sua frente, de que eu consegui vencê-la sem ter de realmente combate-la me deu um novo ânimo. Eu podia vencê-la sem nunca precisar vê-la, poderia prever tudo que ela pretendia e isso me deixava feliz.

— Assim como? — ele perguntou um pouco confuso, arqueando uma sobrancelha.

— Normal. — virei o rosto, encarando-o.

Jasper me olhou sorrindo e estendeu uma mão que eu segurei firme imediatamente. O que mais me impressionava em relação a nós dois, o que mais me fazia sentir especial perto dele era que não precisávamos de palavras para nos entender. Eu só precisava saber que ele estava ali, perto de mim para que tudo ficasse bem.

Quando chegamos ao hotel havia um cavalete anunciando o baile de inverno anual de St. Candence, Jasper tomou minha mão na sua e atravessamos as grandes portas de vidro e ferro retorcido do local, passando pelo lobi refinado até o salão de festas. Atravessamos uma porta enfeitada com flores brancas e paramos em frente a um fotógrafo para a tradicional foto da entrada; depois seguimos descendo mais algumas escadas em direção a festa; flocos de neve feitos de papel luminoso estava pendurados ao teto, caindo sobre nossas cabeças, haviam luzes caindo em forma de cascata por todos os cantos, dando a impressão de milhões de vaga-lumes enfileirados brincando. Toda a decoração era em tom de gelo e azul claro, lembrando o ártico gelado.

Avistei meus amigos e os cumprimentamos, Sara apresentou seu acompanhante, Joshua, completamente empolgada. Acenei para Edward e Bella que estavam na pista de dança, com Bella provavelmente tentando argumentar que aquilo não fazia o menor sentido. Passamos algum tempo todos juntos conversando, Sarabeth não cansava de informar que Violet não estava no baile e que provavelmente não iria aparecer por falta de acompanhante, Joshua estava em uma espécie de inquisição sobre Cambridge com Jasper — aparentemente ele queria entrar para a universidade — e Tom e eu conversávamos sobre coisas banais como o que faríamos no recesso de natal e combinando sobre esquiar após o ano novo.

Quando as músicas lentas começaram a tomar conta do ambiente todos os casais, incluindo eu e meu namorado, se dirigiram a pista de dança, onde podia-se ver no chão as pequenas luzes redondas refletirem-se. Jasper enlaçou minha cintura e eu deitei a cabeça em seu peito, enquanto Wonderwall do Oasis tocava suavemente ao fundo.

— Nossa música. — ele murmurou contra meu cabelo.

— Estava tocando no carro naquele dia... — relembrei com certa amargura. — Because maybe, you're gonna be the one that saves me... — sussurrei para ele, acompanhando a musica.

Jasper sorriu e segurou meu queixo, fazendo-me olhar para ele.

— Você é que me salvou. Me salvou da vida que eu levava. — ele tocou o meu nariz com o seu e eu ri.

— And after all, you're my wonderwall... Meu muro das maravilhas. — selei nossos lábios, sem me importar de ficarmos estáticos no meio da pista enquanto todos os outros continuavam a dançar.

Jasper me abraçou forte e voltou a movimentar nossos corpos, retribui o abraço e voltei a deitar minha cabeça em seu peito, fechando os olhos e inspirando fundo, sentindo seu perfume me invadir. Lembrei-me da primeira vez que nos vimos na torteria e de nosso encontro tramado por Zara no parque, e ri baixinho. Parecia que tudo aquilo tinha acontecido há tanto tempo, parecia que estávamos juntos a uma eternidade.

Eu não acreditava que as coisas pudessem ficar mais perfeitas.

Quando abri os olhos vi Izzie sinalizando para encontra-las no banheiro, e seguiu seu caminhou com Sarabeth em seus flancos. Ri baixinho de novo.

— Você está muito risonha hoje. — Jasper comentou, fazendo com que eu o encarasse.

— Preciso ir. — Sorri para ele. — Reunião no banheiro feminino. — selei nossos lábios.

— Quase duzentos anos de vida e eu ainda nao entendo essa necessidade que as garotas têm de irem juntas ao banheiro.

Revirei os olhos e comecei a me afastar de Jasper, alcançando as meninas na porta do banheiro apenas. Quando entramos a ultime menina que restava lá dentro terminava de guardar seu batom na bolsa e saia porta a fora.

Sarabeth olhou-nos curiosa, mordendo o lábio inferior e logo perguntou, preocupada.

— Então?

Eu e Izzie nos entreolhamos, criando um suspense e depois olhamo-na com cara de que não era grande coisa.

— Nada demais. — Izzie falou, e o queixo de Sara caiu no chão.

— Foi o melhor que conseguiu? — perguntei arqueando uma sobrancelha.

Sara nos olhou chocada e encostou-se na pia, olhando desolada para as cabines de mármore e aço escovado do banheiro.

— Eu realmente achei que ele era o melhor.

Eu e Izzie nos olhamos novamente e então começamos a rir.

— Ah Sara, era brincadeirinha. — Izzie encostou-se ao lado dela. — Ele é o melhor garoto que você já encontrou em toda a sua vida. — ela a abraçou pela cintura.

— De verdade, ele é inteligente, bonito e sabe falar bem, diferente de todos aqueles idiotas anteriores. — me encostei do seu lado também.

— Vocês realmente acham isso? — ela nos olhou ressabiada.

— Claro que sim. — respondemos juntas. — Acho que ele pode vir a ser o primeiro namorado seu com o qual eu realmente poderia ter uma conversa. — respondi com sinceridade.

— E que não daria fiascos em todas as festas que fossemos. —Izzie completou.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que Sarabeth começou a rir, e falou completamente feliz.

— Ele é lindo, não é?

Eu e Izzie rimos novamente.

— Um fofo. — Izzie respondeu.

— E se eu fosse você não desperdiçaria mais tempo ficando aqui dentro com nós duas. — avisei.

— Verdade, né? — Sara nos olhou mordendo o lábio e logo se virou para o espelho, ajeitou o cabelo e mandou beijinhos, saindo toda sorridente do banheiro.

— Nunca achei que esse dia chegaria. — Falei com sinceridade.

Com o péssimo gosto para rapazes que Serabeth tinha, eu tinha quase certeza de que ela chegaria aos quarenta anos de idade procurando namorado em sites de encontros.

Izzie riu e virou-se para mim.

— Mas esse dia chegou para todas nós. — ela falou, segurando firmemente minha mãe. — Sinto muito mesmo por tudo aquilo que falamos de Jasper e você. Tenho certeza que vai ser ótimo todos os anos que passaremos juntos. Todas as festas, as datas comemorativas, as férias, as viagens... Tudo que fizermos juntos vai ser ótimo, Allie.

Sorri para ela e a abracei.

— Obrigada. Eu também tenho certeza de que seremos todos ótimos amigos, sempre.

Izzie afastou-se sorrindo e limpou o cantinho do olho, demonstrando que com mais algumas palavras o coração mole que ela tinha a faria começar a chorar.

— Mas bem, descobri que batizaram o ponche e que Tom está lá pertinho. Acho melhor voltar antes que quem dê fiasco aqui seja o meu namorado.

Nós duas rimos e eu a vi sair pela porta no mesmo instante em que Bella entrou. Estávamos apenas nós duas lá dentro.

— E ele disse que o meu baile no colégio de Forks seria o ultimo. — ela fungou, parando em frente ao espelho. — Congelada aos dezoito anos e ele quer que eu acredite que nunca mais iríamos a um baile de colégio?

Ri com ela, virando-me para o espelho também, ajeitando meu cabelo.

— Jasper nos contou sobre a sua decisão. — ela disse, mirando-me no espelho.

— O que? — perguntei um pouco confusa.

— Sobre a sua decisão de tornar-se uma de nós. — Bella sorriu para mim, ainda me olhando pelo espelho.

— Ah. — murmurei sorrindo, voltando a ajeitar meu cabelo. — Bem, se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé.

Bella voltou a rir.

— Achei você bem corajosa. Quando eu decidi virar vampiro não tinha metade do que você tem. Quer dizer, eu tenho uma mãe que mora da Florida e odeia o fato de só falar comigo por e-mails ou telefone, mas que nunca exigiu me ver, um melhor amigo que compreende a situação e um pai que sabe o suficiente. Mas você... — ela falou, agora encarando meu perfil. — Ninguém da sua família ou do seu circulo de amizades pode se quer sonhar com o que realmente somos sem correr perigo, e você tem tanta gente para deixar para trás... Em fim, muito corajosa. Saiba que estou aqui para o que precisar.

Demorei um tempo para assimilar tudo que Bella havia me dito, para entender o que ela queria dizer com que eles correriam perigo caso soubessem o que eu era e que eu teria de deixá-los para trás.

— Bem, uma garota faz o que é preciso fazer... Eu acho. — falei parada, encarando a nós duas no espelho.

— Isso é uma boa verdade. Vai ser estranho no começo, com toda aquela sede por sangue e você pode chegar a se assustar com o fato de querer matar aqueles que ama apenas pelo sangue... Mas no final tudo da certo. Estaremos todos aqui, prontos para lhe ajudar com tudo que precisar.

Sorri em agradecimento e Bella apertou de leve meu ombro antes de sair do banheiro.

Voltei para a festa com as palavras de Bella ainda martelando em minha cabeça, sem entender direito o porquê de meus amigos e família não poderem me ver ou de correrem riscos ao saber, sem contar o fato de que eu teria de deixa-los para trás.

Passei o resto do baile no piloto automático, Jasper perguntou algumas vezes como eu estava, mas menti falando que estava tudo bem, foi somente quando estávamos novamente dentro do carro que me arrisquei a falar qualquer coisa para ele.

— Bella me disse... — fiz uma pequena pausa, pensando na maneira mais correta de começar a conversa. — que você falou para a sua família... Sobre a decisão que eu havia tomado.

Jasper me olhou, mas continuei a encarar o pára-brisas, tentando tornar tudo casual. Eu não queria que ele soubesse o quanto aquela breve conversa havia mexido comigo.

— Desculpe, eu estava tão empolgado que esqueci completamente que provavelmente você gostaria de falar com eles.

Encarei minhas mãos por alguns segundos e depois voltei a olhá-lo com um sorriso nos lábios.

— Tudo bem, não tem problema. — dei de ombros.

Jasper voltou a me olhar com o cenho franzido.

— Então o que está lhe incomodando?

— Nada. — dei de ombros novamente, apressando-me em minha resposta.

— Alice, eu consigo sentir tudo que você esta sentindo. — ele arqueou uma sobrancelha, dando ênfase as palavras.

Abri a boca para tentar falar algo, mas tudo que saiu foi um suspiro. Escorreguei um pouco pelo assento do carro e cruzei os braços em frente ao peito, olhando pela janela antes de responder a pergunta anterior.

— É que Bella disse.. Bem, ela me falou algumas coisas... — parei novamente, não sabendo como fazer uma pergunta que parecesse apenas casual, e não desesperada. Então eu desisti. — Porque minha família iria correr perigo se soubesse o que eu me tornarei? E porque eu não poderia mais ver eles? — minha voz saiu mais esganiçada do que eu esperava.

— Ah... — foi tudo que ele murmurou. Parou o carro em frente ao meu prédio e desligou o motor, desprendendo-se do sinto de segurança e me encarando. — Seria perigoso para eles saberem o que nós somos, pelo mesmo motivo que é para você. Os vulturis não estão de brincadeira com suas regras, e só porque ainda não nos descobriram, não quer dizer que nunca o irão fazer. Além do mais, como uma recém-nascida você teria problemas para controlar sua sede de sangue e não iríamos querer arriscar que você atacasse seus amigos ou a sua família.

Voltei a encarar minhas mãos. Mas é claro que me transformar em vampiro não seria nada fácil. Não podia ser tão simples quanto eu pensava, os filmes nunca mostravam a verdadeira realidade.

— Mas eu os amo, jamais conseguiria pensar em machucá-los. — murmurei, sabendo que ele me ouviria perfeitamente bem.

— É mais forte do que você, Alice. — ele respondeu, e é claro que eu sabia o que era a sede de sangue, o sonho que eu tive na pele de Jasper caçando havia me mostrado como era difícil. — E você vai mudar... Fisicamente. Seus olhos vão perder a cor natural e ficar vermelhos, mas com o tempo e com a dieta de sangue animal eles logo se tornam dourados, eles também iriam notar como você se tornou mais atraente... O predador perfeito. São muitas diferenças para arriscar uma convivência normal com todos aqueles que você ama, Allie.

Continuei em silencio, apenas encarando minhas mãos. Eu parecia uma criança pequena que havia descoberto que dois e dois são quatro e que jamais poderão ser cinco.

— Pensando em mudar sua decisão? — eu podia sentir a dor em sua voz.

Balancei a cabeça negativamente, embora todas as novas descobertas estivessem me fazendo pensar melhor em minhas decisões. Era fácil demais decidir dar as mãos para Jasper e fugir mundo afora com ele, quando estávamos apenas nós dois juntos; mas agora que eu entendia tudo que eu teria que abrir mão, era mais difícil.

— É só... Muita informação ao mesmo tempo. —o olhei sorrindo. Passei a mão por seu rosto e selei nossos lábios rapidamente. — Podemos esquecer toda essa conversa e deixar para pensar sobre isso uma outra hora? — pedi, afastando-me apenas alguns centímetros dele.

— Como você quiser, stra. O'Hara¹. — ele brincou.

Nesse momento eu entendi o porquê de Scarlett sempre deixar para pensar sobre seus problemas no dia seguinte: era mais fácil fingir que eles não existiam e deixar para lidar com eles apenas quando a situação ficasse insustentável.

Jasper sorriu e me beijou uma ultima vez, antes de dar a volta no carro e abrir a porta que eu pudesse sair. Jasper abraçou minha cintura e eu encostei a cabeça em seu peito, deixando que seu aroma me embriagasse como sempre. Eu podia senti-lo inspirando o perfume de meus cabelos, enquanto conversávamos monossilabicamente.

O que aconteceu em seguida foi tão rápido que eu quase nem senti. Jasper jogou-me para trás de si e parecia tão concentrado que não me ouvia, segurou minha mão e me arrastou por todo o corredor de meu andar.

— Jasper, para! — praticamente gritei, esquecendo-me completamente de meus vizinhos. — O que aconteceu?

Ele me segurou pelos ombros e falou calmo, em um tom baixo.

— Precisamos sair daqui.

Ele já começava a me arrastar para as escadas quando me neguei a descer.

— Para com isso, fala comigo! Porque precisamos ir?

— Alguém esteve aqui, no seu apartamente. Já faz algum tempo, mas não posso arriscar que voltem!

Me corpo congelou quando ele me esclareceu.

— Al... Alguém como... Um vampiro? — sussurrei a ultima parte.

— Sim, mas eu não estou reconhecendo o cheiro. Pode ser alguém da guarda vulturi. Precisamos sair daqui...

Mas eu não consegui prestar atenção no que ele me dizia. Eu sabia que não era ninguém da guarda vulturi. Eu sabia muito bem quem era, tinham apenas dois vampiros que poderiam ter estado em meu apartamento. Senti meu coração bater acelerado, machucando meu peito.

Me desvencilhei das mãos de Jasper e corri até a porta, lutando com a fechadura para que ela abrisse. Jasper continuava a tentar me levar dali, mas eu o soquei, chutei e gritei desesperada, até que ele finalmente me deixasse entrar em casa.

O apartamento estava todo bagunçado, a estande da sala onde ficavam os DVDs, CDs, livros e porta retratos estava no chão, com todas as fotos rasgadas, havia cacos de vidro para todos os lados no que parecia ter sido um assesso de raiva.

Quando vi o rastro de sangue correndo pelo corredor dos quartos, por um instante tive medo de que minha irmã tivesse esquecido algo, ou que Anna não tivesse se dado bem com a sobrinha de Richard. Tive medo de que ele também estivesse ali, de os encontrar mortos de maneira brutal; vampiros não são conhecidos por sua delicadeza com as vitimas.

Quando cheguei a porta do quarto de Anna, cambaleei para trás, deixando que os gritos ecoassem pelo local, bati na parede e cai de joelhos, observando o corpo peludo e destroçado daquela que havia sido minha melhor amiga nos últimos seis anos.

- XXX -

N/A: Olá minhas lindas, desculpem pela demora, tentei dar uma agilizada agora nas férias, mas eu fico tendo idéias novas e ai não descanso enquanto eu não coloco as idéias novas no papel e tals. Esse é o penúltimo capitulo da fic, o próximo (capitulo 30) será o ultimo, ai depois do 30 tem um epílogo pequenino. Quero ver se eu consigo postar o ultimo capitulo antes do ano novo, vou correr contra o tempo para terminar esse capitulo ainda essa semana. Vou tentar mesmo, quero muito terminar essa fic ainda em 2010.

Espero que estejam gostando dela, porque eu sei que estou adorando. HAHAHA'

Feliz natal para todas vocês (caso eu não as veja nas outras fics), espero que ganhem muitos presentes e que todos eles sejam aqueles que vocês pediram para o Papai Noel. E lembrem-se de agradecer ao velhinho, quer dizer, ele enfrente esse calor que faz no Brasil, com aquela roupa quente, só para entregar os nossos presentes.

Boas festas amores!

PS: para quem ta afim de ler alguma fic nova quando essa daqui acabar, no meu perfil tem uma votação para ver qual vai ser a próxima fic que eu vou postar, adoraria a opinião de vocês, afinal de contas, são vocês que estão comigo desde que cheguei ao FF no ano passado.

Beijos,
Bibs.