Bonjour. Eu não sei como começar, mas... Eu sou Matthew Williams, e estudo aqui desde sempre, então você já sabe como eu sou e você já sabe como Francis é. Mas ele entrou na 5ª série, quero falar de gente que fez bem para mim durante todo esse tempo (não que seja muita gente mas) e que eu espero que continue por perto até eu ficar velhinho e caquético.
O primeiro acho que deve ser o Alfred. Al é meu irmão gêmeo e nem temos o mesmo sobrenome (mas você também já sabe disso)! O que causa estranhamento em todo mundo. Não que eu esteja dizendo que eu mesmo não estranharia... Mamãe é canadense, Kate Williams, e queria que tivéssemos o seu sobrenome. Papai é americano e se chama Joe F. Jones, e ele queria que nosso sobrenome fosse o dele... Como eles não são casados para ter o mesmo nome, resolveram dividir, e assim ficamos Matthew Williams e Alfred F. Jones. Você pode imaginar quem puxa o saco de quem, não é?
Mas voltando, sempre fomos aquele tipo de gêmeos "yin-yang". Digamos que eu seja a parte direita do cérebro e ele a esquerda, você pode imaginar até como eram os esquemas de cola (estamos no final do terceiro ano, acho que apesar de nenhum professor achar devo confessar que colei o Ensino Médio inteiro). Não parece, eu sei, mas Al é muito bom em matemática, todo mundo sempre achou que o mérito era todo meu, que eu que o "salvava" – o que é exatamente o contrário, já que eu sou uma negação – mas ele nunca se importou com isso.
Desde que começamos a andar, papai nos colocou em escolhinhas de todo tipo de esporte que você possa imaginar, futebol; karatê; natação; até de escoteiro e tudo mais... Então digamos que nosso "currículo" hoje em dia é bem abastado. E essa semana vamos nos despedir do time de futebol americano daqui em nosso último jogo, você está convidado. Confesso que vou sentir muitas saudades, encontrei muita aceitação lá. Mas disso eu falo depois.
Al é super protetor e apesar de estar mais do que ciente que eu sei me defender só ele prefere tomar a frente (as vezes, tomar uma surra por mim também). Já brigou muito com o Francis – principalmente – até por quê, eu admito, se a situação fosse contrária, com a fama que o Francis tem... Com certeza eu não seria um puxa-saco. Mas eu conheço mais o Francis que muita gente, então... Enfim, Alfred é muito ciumento. Boa sorte, Arthur.
E ele foi meu melhor amigo de infância e é até hoje. Não que eu tenha tido tantos amigos assim – e não que eu não tenha tentado. Não que não fosse a coisas que eu mais desejei por muito tempo, mas para mim não é tão fácil como para o Al. Eu não sei me aproximar, mal consigo ser notado, nem segurar uma conversa... Acho que sofro daquilo que chamam de ansiedade social. E então Francis se aproxima de mim por vontade própria, sem que eu tenha ido tentar. Não que isso não tenha me deixado desconfiado, mas também me deixou muito feliz.
Você acredita nesse negócio de que emanamos energia? Eu acredito. É a única explicação "lógica" para eu ser tão solto na internet... A maioria das pessoas que eu considero amigos são de lá. Conheci poucos na vida real, mas consigo ser eu quando conversando com essas pessoas que conheci por lá (mesmo depois de conhecer na vida real). Estranho, não? Como por exemplo o Abel, conheci-o num fórum de literatura quando tínhamos 14, pode acreditar que hoje temos 18 e ele já tem livros publicados? No total, são 3, fui no lançamento de todos e agi muito naturalmente. Mas quem disse que eu teria as caras de ao menos pedir um autógrafo se não o conhecesse? Ele diz que eu sempre fui uma grande ajuda, fonte de inspiração, ouvinte e conselheiro e que eu sou indispensável... O que eu acho muito legal, porque quem me ajuda sempre de verdade é ele. Ele me encoraja em tudo, dá dicas, conselhos, ajuda em trabalhos... Enfim, o Abel também entraria nos ~melhores amigos~.
Outras pessoas muito importantes foram as do time. Creio que foi o meu primeiro grupo de amigos. Alfred fazia parte do time uns 6 meses antes de mim, quando ele decidiu que seria bom para mim e me arrastou dizendo que eu ia adorar os caras, me enturmar fácil, bla bla... E na verdade foi ótimo, fui muito bem recebido e eles fizeram de tudo para que eu me sentisse confortável. E eu admito, Antonio é tão gentil que eu já tive uma queda (estilo avalanche) por ele. Não, eu não me declarei nem fiz nada que pudesse me "entregar", mas passou relativamente rápido.
Deixa eu ver o que mais... Uh... Bom, os professores sempre dizem que sou bem estudioso e essas coisas... Na verdade eu não sou, desculpem. Fora da escola os únicos livros que eu abro são os não-letivos, os únicos cadernos que eu abro são de música, de desenho ou de francês – o que eu me orgulho muito em ser auto-didata. Adoro videogames e quadrinhos, acho que peguei isso do Alfred, então como nenhum de nós era comprometido, nossas tardes sem treino eram preenchidas na frente do Xbox ou discutindo Marvel x DC. Claro que a DC é bem melhor, mas o Al é chupa rola do Capitão América, caso contrário ele admitiria.
Eu gosto de ir a galerias de arte, museus, shows, eventos assim... Mas isso a noite. Sim, Alfred me acompanha, claro. Ele tem uma moto e eu tenho um carro, mas ele insiste em ir de moto a ter outra pessoa no comando. Um desses dias eu fui com ele, na moto, ao lançamento do livro do Abel, que seria o dia em que finalmente o conheceria pessoalmente. E encontramos... certas pessoas lá.
Mas antes, deixe-me construir o cenário para você. Abel fechou uma boate. Uma boate para o lançamento de um livro. You go, Abel, you go! Agora, de onde ele tirou que alguém leria lá...? Mas ótima jogada de marketing. Ele me passou o endereço e só descobrimos onde era quando chegamos lá – completamente combinando com "boate"... Qualquer jeans, moletom vermelho com capuz e um all star vermelho qualquer. Alfred estava basicamente igual, porém uma blusa de capuz mais fina e a blusa de frio do time por cima. Tudo a ver, obrigado Abel, por avisar antes.
Mas enfim, o lugar estava lotado e não tinha muito espaço para movimentar-se então fomos para as mesas no canto, que estavam praticamente vazias – parece que todo mundo queria mesmo é dançar. Bom, nesse ambiente o som ficava consideravelmente mais baixo, então era bem melhor para conversar. Eu e Al nos sentamos em qualquer mesa, frente a frente.
– E aí, como você pretende encontrar seu namorado aqui? – ele disse.
– Pra começar, ele não é meu namorado – revirei os olhos – e ele me disse que depois que ele disser umas palavrinhas no palco para que eu fosse naquela área lá.
– Ok então... "namoradinho".
– Tá, falando nisso, como vão as coisas com Arthur?
– Na mesm- pera, como exatamente isso tem a ver com o assunto? Eu hein.
– Você sabe. Namoradinho, coisa e tal.
– Eu não tenho nada com ele além de amizade, ok?
– Tem sim, tensão sexual emana de vocês – é engraçado porque eu não diria isso assim abertamente para ninguém além do Al. Ele só me olhou feio, sem resposta. Até por que, ele sabia que era verdade.
Conversamos por mais um tempo sobre diversas coisas, até que a música parou e a voz do Abel a substituiu. Disse algumas palavras de boas vindas aos convidados e deu continuidade à música.
– Bom, essa é minha deixa. Me acompanha? – disse para Alfred, que revirou os olhos mas me seguiu. Apesar de ser mais socialmente apto que eu, tem situações que ele prefere não enfrente (mas mesmo assim tiraria de letra, entende?).
Com muita dificuldade, chegamos a frente da pequena sala nos fundos do palco, mas um carinha queria nos barrar. Mas Abel – que estava lá dentro conversando com outras pessoas – virou-se para a porta e acenou para que o carinha nos deixasse entrar. Então entramos.
– Matthew! Achava que você era mais feio pessoalmente. – e me abraçou.
– Achava que você era mais... baixo.
– Arthur? – bom, parece que o Alfred notou as outras pessoas antes que eu pudesse.
– Olá – disse Arthur.
– Mas que surpresa agradável, Alfred – acenou com uma mão com uma taça e a outra se fechando em torno de Arthur propositalmente – e Matthew, mon cher, nunca mais falou comigo... – para a infelicidade de Al, Francis também estava lá.
– Bom, você também não – geralmente não respondo a pessoas assim, mas hipocrisia me dá nos nervos.
– Todo mundo aqui se conhece? Melhor ainda! Venham, sentem-se. Assim é mais fácil conversarmos todos sem aquela estranheza.
E terminamos assim. Eu, Alfred, Arthur, Francis e Abel, falando sobre música, livros, filmes, esporte... Mentira, Alfred estava totalmente calado e inclusive parecia mais emburrado que o normal. Já imaginava o porquê, mas isso ele que teria que resolver.
