Eu não vou mentir, eu fiquei puto. Por um minuto eu não entendi o porquê. Bom, na verdade o porquê é que o Arthur estava lá – na verdade nem era esse o problema –, o Arthur estava lá com o FRANCIS! E isso foi o que eu não entendi, o porquê de eu estar puto com isso. Eu deveria estar feliz que as mãos dele estão bem longes do Matt, mas elas estão no ArtieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeARGHHH. Só de lembrar eu já fico puto de novo. PUTO MESMO, PORRA, FALO O CARALHO QUE EU QUISER, NÃO VENHA ME JULGAR. Ok, respira.
Mas não me adianta nada ele desistir do meu irmão se ele for atrás da pessoa que eu gosto. Mas Arthur também né, como assim ele não via quem o Francis era? Mas eu não podia deixar ele lá, quem sabe o que Francis ia fazer depois com o pobre inocente menino! Mas... mas... mas... ò.ó. Desculpa, eu meio que estou revivendo a raiva e a confusão. Enfim, eu tinha que arrumar um jeito de tirar ele dali. Só não sabia como.
Enfim, parece que só eu estava incomodado, então resolvi ficar na minha. Sentamos numa mesa lá naquela salinha e todo mundo começou a conversar. Primeiro que agora nada me interessava, principalmente quando eles entravam nos assuntos de literatura. Segundo que eu estava muito ocupado pensando sobre o tal motivo de ficar bolado quando o problema é do Arthur. Porque francamente, está escrito na testa do Francis o que ele é, só se ele for muito masoquista. Argh nem era da minha conta também. Mas minutos, talvez horas se passaram e eu cheguei a conclusão que eu estava ferrado. Eu descobri que estava gostando gostando gostando mesmo do Arthur. Eeeeita.
Mas se eu finalmente tive minha resposta, agora eu não teria motivos pra deixar o Francis fazer o que ele quisesse, poderia ter um contra-ataque. O problema é que eu sou muito tímido, pra esse tipo de assunto. Claro, nunca aconteceu antes. Sabe como é, eu nunca gostei desse negócio de "ficar", então esperaria alguém que eu gostasse mesmo... Agora não sabia o que fazer, haha. Mas enfim, sutilmente peguei meu celular, consultaria um parceiro experiente. O Google. Ou melhor, o Yahoo Respostas. "Como faço pra chegar na pessoa que eu tô gostando?". Que beleza. Eu sei que é idiota, mas eu tava desesperado, precisava me orientar.
Tantas respostas pra se garimpar basicamente três opções: diga logo, conquiste ou desista. Eu não poderia chegar no Arthur e dizer "ei eu gosto de você", isso só iria afastá-lo mais (nos conhecemos há tão pouco tempo, ele ficaria com medo). Desistir? Não, ainda mais pra deixar o Francis machucar ele? Nananicanão (desculpa usar isso depois dos 10 anos de idade mas... não sei, eu quis usar). Então me sobrou uma alternativa, eu só precisava pensar em como eu poderia começar, a vida me deu essa oportunidade e eu não desperdiçaria. Nem a pau eu deixaria ele voltar com o Francis. Eu só precisava pensar em como tirá-lo de lá, não é como se o assunto que estavam debatendo não o interessasse.
Então voltamos para o celular, dessa vez, uma mensagem pro Matthew. "Vou tentar tirar Arthur daqui, ok? Ok". Matthew não mandou resposta no celular, mas acenou pra mim com a cabeça. Bom, não daria pra eu levá-lo pra casa por motivos óbvios... Mas deixar ele nas mãos de Francis? Hmmm... Esperava que ele fosse com Abel mesmo. Mas isso era o de menos agora, Matthew tem juízo, acho. Agora eu só precisava resolver como ia ser.
– Tem uma tal teoria aí de que O Mágico de Oz, o filme clássico, foi todo esquematizado pra combinar com um álbum aí de Pink Floyd... não lembro qual é... – Abel falando. É engraçado porque da ultima vez que eu prestei atenção eles estavam falando sobre recheios de churros, agora uma coisa mais conspiratória, né.
– Ah e você acredita que se ouvir o cd da Xuxa ao contrário cê vai ouvir Satan? – ok, eu falei sem pensar, mas nesse ponto todo mundo já me encarava esquisitamente. Depois de o que pode ser horas, a primeira coisa que eu disse é rude pra caramba – brinks, cara – e tentei sorrir, acho que consegui, todo mundo riu e tals. Bom, pelo menos eu estava já voltando a me encaixar na conversa, pra começar a desenvolver a fuga. Não, eu ainda não sabia o que faria.
Daí então continuei conversando de boa com eles, normalmente, sem aquela cara de tacho. Mas não sem desistir, eu só estava arquitetando meu plano, até que uma oportunidade surgiu.
– Parece que o copo de todo mundo já está vazio demais para que eu furte alguns goles, alguém poderia ir lá pegar mais bebida, não é, Alfred? – oh Francis, de primeira eu queria quebrar tua cara mais ainda por isso mas depois percebi que era a ideia mais brilhante.
– Claro – e me levantei, apreciando a carinha de satisfação dele fechar quando eu disse –, Arthur, pode me ajudar? Não tenho mãos o suficiente, sabe...
– Claro – sem demonstrar nem um pingo de contrariedade, o que foi bom, né?
Tentando atravessar a multidão, segurei sua mão por impulso (não, eu não notei de primeira) mas não iria soltar por nada agora. Não daria pra tentar falar com ele ali, mas já que estávamos indo para o bar e lá era mais silencioso – menos barulhento – eu esperaria. Chegando lá, pedimos qualquer coisinha e o cara não pareceu nem desconfiar que éramos menores de idade. Acho que ninguém hoje em dia sabe dizer a idade de ninguém só olhando, pra ser sincero. Nos foram entregues os copos e quando Artie já fazia menção de voltar eu o puxei de volta.
– Ei, podemos conversar um pouco antes de ir?
– Hum, ok... Mas sobre o que? Estávamos conversando lá com eles... Não vejo diferença.
– Não, realmente é algo específico... V-você... sss... cê... – ai caralho, ele fez uma expressão que ditava bem um "desembucha" e eu fiquei mais nervoso ainda. Então tomei uns goles de ~qualquer coisa~, sabe, pra tomar coragem – Cê tá saindo com o Francis?
– Bom, isso depende do seu conceito de sair...
– Arthur, você entendeu.
– Não, Alfred, não estou. Só aceitei vir hoje com ele porque me interessa o assunto, satisfeito?
– Muito, na verdade. Não dá bola pro Francis não, tá? Ele só quer te comer – bom, já contei o quanto eu sou muito fraco com álcool? Pois é, não que me deixe embriagado nem nada, o único efeito é que eu saio falando um monte de verdades por aí. Incrível. Mas não, ele não respondeu, só ficou vermelho – Cê planeja voltar com ele?
– Sim, por quê? Ele se ofereceu para me trazer e levar de volta, a hora que eu quisesse.
– Direto pra sua casa?
– Sim.
– E você acreditou mesmo que ele não vai parar em uma rua deserta e tentar algo contigo? Bahahaha.
– Aonde você quer chegar, Jones? – vish, chamou pelo sobrenome, isso não é um bom sinal.
– Arthur, fala a verdade, você quer mesmo estar aqui? Você não parece tão confortável para mim quanto você aparenta querer aparentar.
– Bom, é claro que- quê?
– Não me venha com esse quê, você sabe que fez lógica.
– E se eu responder que não, que na verdade eu quero ir embora mas realmente gostei de Abel e não queria parecer que estou fugindo?
– Então vamos fugir.
– Alfred, tem certeza que você bebeu só isso? Olha o que você ta dizendo, haha.
– É sério, Arthur. Não é como se você nunca mais fosse ver o Abel na vida, o Matthew é bff dele, depois te arranjo o facebook dele e tudo mais.
– O que é bff?
– Enfim, eu já mandei uma mensagem pro Matthew dizendo que fomos embora. Aonde você quer ir?
– Alfred!
– Oi? Ah para, você quer sair daqui, eu também, qual é o problema?
– E o Francis? Eu nem me despedi do Abel!
– Quem liga? – bom, aí eu já estava meio sem paciência e peguei o Arthur estilo noiva (e até hoje eu não entendo o porquê pegar uma noiva assim, aqueles vestidos devem complicar pra caralho essa função) e levei-o pra fora. Claro que ele protestou um pouquinho mas ok.
– Moto, Alfred?
– Sim, tem medo?
– Não!
Então subi na minha princesa e fiz sinal pro Artie tomar o seu lugar, pegamos os capacetes e fomos em direção à... Ele não tinha dito onde queria ir.
– E aí, Artie? Pra onde vamos?
– Arthur. Eu cheguei nessa cidade agora, não faço ideia. Você mora aqui há anos, não conhece um lugar legal?
– Ok, minha casa então.
Bom, acho que ele realmente tinha medo, sabe quando você abraça a pessoa por trás de leve, só pra não cair da moto? Então, Artie estava assim, só que como se fosse uma sucuri. De lá até minha casa não levou nem 5 minutos – agora se fosse a pé... Nossa.
– Chegamos.
O que dizer da minha casinha que mal conheço e já considero pakas? Eu nasci aqui, cresci aqui, pretendo morrer aqui, então acho que isso resume tudo. Enquanto entrávamos e nos dirigíamos ao lugar que mais me interessa, Arthur levantou uma questão interessante.
– E o que tem de tão legal pra fazer aqui na tua casa?
– No meu quarto tem uma TV enorme, poderíamos assistir pornô em 50 polegadas e HD! – ount, ele corou – to de brinks, cê gosta de jogos?
– Xadrez... WAR, não sei... Conheço bem poucos.
– Tô vendo. Eu quis dizer jogos digitais, tipo de Xbox, sabe?
– Oh. Acho que não preciso mais responder isso, certo?
– Haha, vem, eu vou te ensinar a gostar, de um jeito ou de outro – nossa, quem pegasse essa conversa pelas metades... Ensinar a ver pornô na tela grande querendo ou não D: soa como se eu fosse um aliciador de menores mesmo sendo menor.
Chegando no meu quarto, fiz sinal para que se sentisse a vontade. Claro que mesmo assim ele não se sentiria a vontade, sentou-se na beirada da cama, todo desconfiado da vida, ainda mais depois que comecei a tirar a roupa. Não, não é brincadeira dessa vez, mas só a jaqueta e a blusa de dentro, o cinto e os sapatos. A calça eu fui trocar no banheiro mesmo, até porque eu tenho (tinha) vergonha sim. Voltei com uma blusa cinza velha e largada e calças pretas folgadas e bem aconchegantes.
– Você vai me levar de volta pra casa de pijama mesmo? – Arthur me olhou de cima a baixo e disse isso.
– Se for o caso, sim. Mas eu queria esperar um pouco até você pegar as manhas desse jogo pra ver se você ia querer voltar pra casa hoje. Cê sabe, te chamar pra dormir aqui.
– Olha, Alfred...
– Nope, cala a boca, vamos seguir o meu plano. Segura esse controle assim. Você mira aqui, atira aqui, pula aqui e é isso que você precisa saber por agora, depois eu vou explicando o resto. Tá vendo aquilo ali? É um zumbi, você precisa... Isso, matar ele, hah- NÃO MATE PESSOAS NÃO-INFECTADAS, ARTIE.
E sim, ele foi aprendendo aos poucos e na verdade até gostando, aceitou o meu convite de dormir aqui depois de ligar pro pai pra saber se tudo bem, e então eu emprestei umas roupas minhas. O problema é que eu sempre fui o dobro do tamanho de Arthur, então a minha menor camiseta ainda escorria um pouco pelos ombros dele. A calça era caso perdido, simplesmente não segurava. Muito maneiro o guri que tu gosta dormir contigo só de camiseta – e sua camiseta ainda por cima, você não entende o quão sexy isso é – e cueca sem você poder fazer nada.
