Título: Cold hands, warm heart
Classificação: K+
Capítulos: 2/5
Completa: [ ] Sim [X] Não
N/a: Não me matem!
Brennanite, Thayn, Aline e Vitoria, obrigada! São seus comentários que me incentivam a escrever! ^^
2. Um pedido de casamento
*Para ler ouvindo: Taylor Swift - The Way I loved you*
I miss screaming and fighting and kissing in the rain
(Eu sinto falta de gritar e brigar e dos beijos na chuva)
It's 2am and I'm cursing your name
(São duas da manhã e estou xingando seu nome)
I'm so in love that I acted insane
(Estou tão apaixonado que ajo insanamente)
And that's the way I loved you
(E foi assim que eu te amei)
Duas semanas se passaram. O clima entre os dois parceiros estava tão tenso que só se encontravam quando era estritamente necessário. Brennan não fez mais coisas estúpidas que exigissem salvamento. Na verdade, ela não fez muitas coisas mais. Se limitava a ir cedo para o laboratório, se focar no trabalho, ficar até tarde, e então ir direto para casa. Booth não impôs sua presença a ela, tampouco tocou no delicado assunto levantado por ela aquela noite na ponte. Assim como não respondeu à pergunta.
Ele mudara? Ou mentira ao dizer que Hannah não era um prêmio de consolação, que ele realmente a amava?
Esses questionamentos o levavam ao momento em que se encontrava. Sentado à mesa de um ótimo restaurante, com a linda namorada.
Sentiu o peso em seu bolso. O peso da caixinha de veludo era mínimo, mas de alguma forma, naquele momento, ela parecia afundar em seu bolso. Havia comprado o anel várias semanas antes, no dia que ele vira quão bem Hannah havia se dado com seu filho. Mas não revelara o anel por que esperava o momento perfeito. E naquela noite, havia se decidido.
Não sabia se era o momento perfeito. Mas sabia que tinha que provar a si mesmo, e a Hannah, que aquilo era sério. Que ela não era apenas a segunda melhor opção.
Eles haviam terminado de comer, e Booth aproveitou o fato dela estar entretida com a banda de jazz que tocava para juntar coragem. Colocou a caixinha de veludo sobre a mesa, sobre o prato de porcelana que não havia sido usado, e esperou ela voltar os olhos para a mesa. E isso aconteceu, alguns segundos depois. E ela olhou, da caixinha para ele.
Booth abriu a caixa escura que estava voltada para ela, nunca abandonando o olhar de suas expressões.
-Hannah... você quer casar comigo?
Hannah não falou nada por alguns segundos e Booth se sentiu congelar. Ela não deveria estar pensando, não é? Não por tanto tempo.
Por fim ela se inclinou e, com mãos delicadas fechou a caixinha na mão dele. Booth reprimiu um suspiro, baixando os olhos.
-Seeley, você é algo incrível em minha vida. É alguém divertido, carinhoso e protetor e adoro o tempo que passamos juntos. É fácil.
-Então por que...
-É fácil demais. É perfeito demais.
-E isso não é algo bom?
-Não é algo que vá durar. Não muito tempo. Nos falta algo, Seeley, aquilo que relacionamentos de verdade têm. Discussões e reconciliação, provocações, disputa, diferentes pontos de vista, mal-entendidos e pedidos de perdão.
Por mais que Booth quisesse dizer que não, que tudo estava perfeito da forma que estava, parte de sua mente sabia que ela tinha razão. Ele estivera cego demais, colocando todo esforço possível em ter um relacionamento perfeito, tão cego que não notara aquilo?
Agora que Hannah falara... quando foi que os dois haviam discutido sobre algo? Discutido por horas a fio, cada um defendendo seu próprio ponto de vista, brigado, para então se arrepender e voltar correndo pedindo desculpas?
-Há quanto tempo... você vem pensando nisso? – perguntou ele derrotado.
-Desde a noite na ponte.
Ele riu sem humor algum.
-Por causa da Bones.
-Não é por culpa dela que nosso relacionamento não vai mais longe. É por causa da sua fixação em superá-la.
Booth pegou a caixinha de veludo sobre a mesa. Não ia discutir aquilo com Hannah. O assunto havia se tornado sensível entre os dois também, mas desde que Booth lhe explicara sua louca história com Brennan, não haviam mais tocado nele.
-Acho que vou ter que aceitar o fato de ter meu segundo pedido de casamento negado.
-Acredite, Seeley. é melhor fazermos isso agora, quando o estrago será menor. Antes que nos magoemos.
~X~
Booth adentrou o FBI, pronto para socar a primeira pessoa que o irritasse. A dor de cabeça que lhe perseguia desde a manhã parecia a ponto de explodí-la.
-Ei, Booth! – ele ouviu a exclamação excitada, e se virou para ver Sweets, também vindo da entrada.
O sorriso do psicólogo sumiu assim que viu a expressão frustrada de Booth.
-Agente Booth, não me diga...
-Não deu certo, ela não aceitou, está bem? Não quero falar sobre isso.
Sweets havia sido de grande valia, alguns dias antes, quando Booth precisara de alguém para conversar. O agente havia falado sobre o anel de noivado, e suas intenções, e o psicólogo o incentivara. Mas naquele momento Booth não queria lembrar de nada daquilo.
Booth recomeçou a andar, e Sweets o seguiu.
-Espere um pouco, ela recusou? Deu alguma explicação para isso?
-Aparentemente ela queria brigar mais! – disse Booth, socando o botão do elevador com força.
-O quê?
Sweets entrou no elevador com o agente, e Booth percebeu que não conseguiria se livrar dele tão facilmente. Aproveitando o fato de só estarem os dois no elevador, ele falou, baixo:
-Ela disse que o nosso relacionamento não iria muito longe por que era perfeito demais.
Sweets fez uma cara de compreensão soltando um murmúrio.
-Não me olhe desse jeito, Sweets. E não quero ouvir você esmiuçando a minha vida, está bem?
-Ela foi embora?
Booth lançou um olhar duro ao psicólogo, os lábios em uma linha fina.
-Ei, estou perguntando como amigo!
Booth suspirou, passando a mão pela testa. Por fim falou.
-Juntou as coisas dela ontem, e ligou para uma amiga. Nos despedimos amigavelmente.
-E agora, Agente Booth?
Agora. Aquela pergunta que ele tentara evitar na noite anterior, quando tivera por companhia apenas uma garrafa de uísque. Tudo que havia planejado e todo esforço em fazer com que tudo fosse perfeito havia ruído de uma vez só.
-Agora parece que vou ficar sozinho novamente, não é?
As portas se abriram, e Booth desceu.
-Mas isso não é o que importa, ainda tenho muitos assassinos para pegar. - disse ele, tentando demonstrar que nada daquilo o afetava - Depois de tanto trabalho burocrático, Cullen me disse de manhã que encontraram uma ossada bem antiga na região de Arlington e nós vamos até lá...
-"Nós"? você e a Dra. Brennan?
-Do que está falando, Sweets? Claro que é ela! E não venha com esse papo de psicólogo, que nada disso influenciou meu relacionamento com a Bones, nós ainda somos os mesmos parceiros de sempre e...
-Não é disso que eu estou falando. Você conversou com a Dra. Brennan nos últimos dias?
-Andei meio ocupado, na verdade, a última vez que falei com ela foi na semana passada.
-Então você não está sabendo?
-Sabendo o quê?
-Ela viajou, Agente Booth.
-O que há de mais nisso? – disse ele, rapidamente deixando de lado a mágoa por não ter ficado sabendo disso antes - Ela pode muito bem viajar, ela sempre vai visitar o irmão dela nas...
-Você não está entendendo. Ela viajou há uma semana. Só avisou à Cam horas antes de ir, alegando que havia uma escavação importante em que ela precisava estar presente. A Angela só ficou sabendo em cima da hora e ficou realmente brava, e eu só descobri por ela...
-Quando foi isso, Sweets?
-Quarta-feira.
Booth entrou no elevador novamente, apertando o botão do térreo, e antes que Sweets pudesse perguntar o que estava acontecendo, as portas se fecharam.
