Título: Cold hands, warm heart
Classificação: K+
Capítulos: 3/5
Completa: [ ] Sim [X] Não
N/a: Gosto de finais felizes! Só lembrando...

Vitoria, Brennanite, Aline, Ms. Pad's e mary-gwg, um abraço de urso em cada uma de vocês!


3. Uma escavação, um professor
*Para ler ouvindo: 3 Doors Down – When I'm gone*

Everything I am,
(Tudo que eu sou)
And everything in me,
(E tudo em mim)
Wants to be the one you wanted me to be.
(Quer ser aquele que você queria que eu fosse)
I'll never let you down,
(Eu nunca te decepcionaria)
Even if I could,
(Mesmo que eu pudesse)
Give up everything,
(Eu desistiria de tudo)
If only for your good
(Se fosse para o seu bem)

Booth saiu do edifício do FBI direto para o Jeffersonian. Encontrou apenas Cam lá, que lhe confirmou a história, mas não pôde dar muitas informações adicionais, tais quais para onde Brennan havia ido e quando voltaria. Com um sorriso, disse a ele que desse um tempo à antropóloga.

Ele passou a semana mal saindo do prédio do FBI, deixando toda sua papelada burocrática em dia. Só voltava tarde para casa e, enquanto estava trabalhando, o pensamento de voltar para uma casa vazia, sem ninguém lhe esperando, o perseguia.

Para o caso que surgiu, na falta de Brennan, o Instituto Jeffersonian enviou um antropólogo que normalmente trabalhava no laboratório, em uma experiência de campo. Para Booth, foi pavoroso. O cara só falava grego, e foi com muito esforço que Booth conseguiu arrancar dele, em linguagem normal, os dados sobre o corpo encontrado. Ele nunca havia trabalhado com perícia forense antes e, além de tudo era extremamente arrogante. Não do tipo ingênuo-e-bonitinho de Brennan, mas de um jeito que denunciava que só de estar na presença de Booth e ouvir suas perguntas simplórias, o cara queria sair correndo.

Uma nova semana começou, e ele não pôde mais suportar. Estava tentando ser forte, mas estava enlouquecendo sem Brennan. Sem a sua Bones. Decidiu que, antes de ir para casa, iria passar pelo Jeffersonian novamente, e ver se desta vez conseguia encontrar Angela. A desenhista com certeza saberia onde Brennan estava, talvez tivesse até um telefone.

Andando pelos corredores, ele parou para pensar há quanto tempo não ia ali sem a necessidade de um compromisso oficial – apenas por ir. Ele não se lembrava.

A noite já havia caído e, vendo grande parte das luzes apagadas na sala de Angela, ele achou que ela não estivesse ali. Mas ouviu ruídos, e se aproximou.

Ela estava sentada à frente da tela, assistindo um vídeo. A mão da desenhista repousava na barriga – uma barriga que não estivera denunciando a gravidez da última vez que Booth a vira. Ela sorria, mas tinha lágrimas nos olhos, e tentava enxugá-las com a outra mão.

Booth olhou para a tela e se espantou ao ver o próprio rosto ali. Ele, Brennan, Hodgins, Angela e até Zach.

Zach ria como poucas vezes o agente o vira fazer, segurando um tubo de ensaio na mão, por pouco não derrubando seu conteúdo. Angela usava um gorro vermelho e roupas verdes, tão festivas quanto possível. A câmera voltou para ele e Brennan que riam, os olhos um no outro, esquecidos do resto do mundo.

-Booth? – Angela notara sua presença e ele se virou para encará-la.

-Ei, Angela. Como está?

-Bem. Na medida do possível.

-Não sabia que vocês tinham filmado esse dia.

-A Cam estava com uma câmera, mas estávamos tão ocupados, rindo da peça que você e a Brennan pregaram no Zack...

Booth sorriu também com as boas lembranças.

-Sinto falta disso. De como costumávamos ser. – disse Angela, secando uma última lágrima.

-Angela, quando a Bones volta? – perguntou Booth, optando por ignorar a declaração dela.

-Ela já voltou, Booth. Ontem.

-Já...? Mas como...

-Foi o que a Cam falou, foi só ela que a Bren avisou. Ela volta a trabalhar na quarta.

-Angela, ela está bem?

-Eu não, sei grandalhão! – ela se levantou, exasperada – Eu acho que não, mas já esgotei toda energia que tinha tentando ajudá-la...

-O que quer dizer?

-Desde aquele caso da cirurgiã que ela não está bem, Booth. Talvez você não tenha percebido, dado quão pouco você se importou com ela, ou conosco ultimamente.

Booth ia protestar, mas Angela continuou falando.

-Mas foram alguns dias depois... que as coisas realmente ficaram estranhas. Acho que foram alguns dias depois que fechamos o caso.

Booth meneou com a cabeça. Provavelmente o dia seguinte ao do evento da ponte.

-Ela chegou cedo, e passou o dia... não diria aérea. Ela estava totalmente focada em tudo que fazia. Mas não respondia às nossas tentativas de conversa, não sorria. Foi como se... como se a Brennan que conheci vários anos atrás tivesse retornado, mais fria e alheia a tudo que nunca. E esse foi o primeiro dia de vários.

Booth sentiu o peito se apertar com a descrição. Ela realmente ficara tão mal assim e ele não percebera?

-E então a Cam veio nos contar um dia que a Brennan estava simplesmente indo viajar e ia ficar algum tempo fora em um campo de escavação com alguns alunos. No dia da viagem! Booth, ela não contou para ninguém, só avisou a Cam que não iria vir trabalhar no dia seguinte.

-Eu fiquei sabendo pelo Sweets. – disse Booth, infeliz.

-Eu fui até a casa dela naquela noite. Queria saber o que estava acontecendo com minha amiga! Ela abriu a porta e me deixou entrar, mas pra tudo que eu perguntava ela dizia que estava bem! Ela não respondeu a nenhuma das minhas perguntas, então comecei a tentar adivinhar... foi o caso da cirurgiã que mexeu com você? É algo com seu pai? Você já conversou com o Booth?

Booth se encolheu à menção de seu nome.

-E quando eu falei em você, Booth, ela... começou a chorar. Sem explicação nenhuma, simplesmente chorou. Eu fiquei terrivelmente preocupada, mas ela continuou a não responder o que eu perguntava e a fugir das minhas tentativas de acalmá-la. Limpou o rosto e disse que estava bem, que não sabia por que eu estava tão preocupada. E... ela me pediu para ir embora.

-E você foi?

-O que eu ia fazer? Fiquei duas horas conversando com ela e, no final, ela estava pior do que quando eu havia chego. Cheguei à conclusão que era um problema entre vocês dois, que ela não iria me contar de forma alguma...

-Devia ter ligado pra mim.

-Se fossem outros tempos eu talvez tivesse ligado. – disse ela, um tanto mais seca do que normalmente seria.

-Ela está em casa?

-Não tenho ideia. Ela está me evitando, está evitando todos nós.

Booth saiu da sala sem dizer mais nada.

Ele não podia acreditar em quanto havia magoado todos eles. Brennan, a sua Bones, os seus squints. Eles eram como uma família, não eram? Então por que, desde que Hannah viera morar com ele, passara menos tempo com os amigos? Seu desespero em criar a vida perfeita, o relacionamento perfeito, era tanto que precisava se afastar de tudo que lhe lembrasse o passado? Não era justo com nenhum deles, e ele sabia disso.

Booth correu para o carro, finalmente acordando do torpor das últimas semanas, desde que Hannah havia ido embora. Iria até o apartamento de Brennan, preparado para tudo. Para ficar, como Angela, duas, quatro, oito horas. Para entendê-la e se fazer entender. Mas não estava preparado para o que encontrou.

-Booth. – disse ela ao abrir a porta, não parecendo surpresa – Algum caso novo?

-Eu... não, na verdade... só queria conversar.

-Sobre o quê?

-Posso entrar?

Ela deu de ombros e abriu mais a porta. Sua postura era distante. Booth entrou, indo até a sala, quando percebeu que já havia um homem sentado no sofá. Se virou para a parceira.

-Booth, esse é o Dr. Joshua Scott. Josh, esse é o Agente Seeley Booth.

O homem tinha os cabelos claros e olhos argutos. Quando se pôs de pé, Booth percebeu que ele era um pouco mais alto que ele. Scott estendeu a mão.

-Agente Booth, é um prazer conhecê-lo. Tempe falou de você.

Tempe. Booth não se deu ao trabalho de apertar a mão do homem que, simpático, a puxou de volta.

-Desculpe interromper, Bones. – ele disse se virando para a parceira – Não sabia que estava acompanhada. Mais tarde conversamos.

-Estávamos fazendo algumas anotações sobre as escavações, podemos continuar mais tarde. – disse Brennan – Me diga o que você veio falar.

-Não era importante.

-Para vir até meu apartamento depois do expediente, depois de tanto tempo sem fazer isso, deve ser algo importante.

Booth olhou para o homem que se sentara novamente, um sorriso simpático no rosto. E para a mesa, cheia de anotações e fotos sim, mas também com uma garrafa de vinho pela metade e duas taças.

-Não era urgente, quando você voltar ao trabalho conversamos.

E saiu, sem se importar com a educação ou o bom senso.

Assim que a porta se bateu, Joshua comentou:

-Fui só eu quem teve a impressão que ele ficou com ciúmes?

-Não, isso é impossível. – respondeu Brennan – Ele tem uma namorada, alguém que realmente ama.

-Você gosta dele?

-Já superei. Agora vamos terminar isso tudo, Josh. Quero enviar o relatório para a Universidade amanhã.