Título: Cold hands, warm heart
Classificação: K+
Capítulos: extra
Completa: [X] Sim [ ] Não
N/a: Acho que consegui transmitir as ideias que queria para poder fechar a história, tinha achado brusco demais inserir no final do capítulo 5.
Obrigada por acompanharem a história, comentarem e me divertirem. E até a próxima.
Epílogo
Brennan puxou mais o edredom para junto do corpo, a leve brisa da noite acariciando seu rosto. Sentiu algo raspar contra seu ombro nu, e riu.
-Booth!
-Não me diga que tem cócegas! – disse ele, parando de passar o nariz pela pele dela em um movimento brincalhão.
Fazia uma semana que Brennan estivera ali, naquela mesma sacada, refletindo a respeito de si, e de como mudara. De como não conseguia mais compartimentalizar seus sentimentos da forma como um dia conseguira. E naquela semana, ela e Booth haviam dado vários passos no sentido de restaurar a velha amizade e a velha parceria. Não voltar ao que eram, uma vez que isso seria impossível. Eles sabiam que, por mais que tivessem concordado em fechar o ciclo, nunca voltariam a ser o que eram, uma vez que ambos estavam mudados. Mas talvez isso não fosse algo ruim. Talvez, o que teriam dali em diante seria algo melhor, mais forte, nascido dos ensinamentos de um período difícil.
E Brennan sabia que aquela familiaridade que sentia ao lado do parceiro sempre existira. Sabia que, desde o começo ele estivera certo, ele sabia. Mas também sabia que eles só tinham aquela ligação sólida devido a tudo pelo que haviam passado. Quem poderia dizer o que aconteceria se tivessem dormido juntos naquela noite pouco depois que se conheceram, na noite em que se beijaram pela primeira vez? Teria sido cedo demais, eles não teriam a base emocional que havia sido construída ao longo dos anos. Brennan iria encarar como uma noite de sexo, Booth iria querer ir além, e a briga do dia seguinte seria ainda pior do que a que realmente havia acontecido. Será que eles conseguiriam se reencontrar um ano depois? Dois? Ou achariam que não, que, uma vez que já haviam tentado, sabiam que não iria dar certo?
E naquela semana, na primeira noite em que eles realmente dormiram juntos, Booth disse à ela que tudo aquilo havia acontecido por um motivo – que tudo pelo que passaram os havia levado àquele exato momento. Por uma vez, Brennan não negou o que ele clamava ser produto do destino ou da sorte. Por uma vez ela sorriu, o beijou e se deixou embalar pela crença dele de que havia algo mais regendo a imensidão das coisas, algo mais além do mundo físico.
Booth se ajeitou melhor, trazendo-a para perto e segurando o edredon firmemente, para que cobrisse o corpo de ambos. O ruído de fim de noite era baixo e tranquilo, e o céu estava sem nuvens, deixando à mostra uma imensidão de constelações.
-Booth... o que significa aquela expressão que você escreveu no bilhete?
-Qual expressão?
-Mãos frias, coração quente.
-Se refere a uma pessoa aparentemente fria, mas que tem um coração enorme – apenas não demonstra. Exatamente como você.
-Eu não entendo a metáfora... por que mãos frias? E todo ser humano vivo tem o coração quente!
-Não faça perguntas difíceis, Bones... só aceite o que eu estou falando. Você é como a Islândia.
Ela sorriu, lembrando-se do pequeno sonho compartilhado que os dois haviam tido, e que agora, à luz da realidade, parecia tão antigo e monocromático.
-Booth... – disse ela baixinho, brincando com as mãos dele nas suas – Por que não deu certo com a Hannah?
Ela o sentiu se retesar às suas costas.
-Por que está me perguntando isso?
-Por que uma vez que sei como é estar em um relacionamento romântico com você... eu nunca abriria mão disso. Por que ela recusou seu pedido de casamento?
Ele suspirou.
-Ela disse que nosso relacionamento era perfeito demais. Que relacionamentos normais deveriam ter discussões, reconciliações e disputas, e que o nosso não iria mais para frente do que já estava.
Ele pousou um beijo no topo da cabeça de Brennan, como se quisesse pedir para não falarem mais naquilo. Mas ela ergueu os olhos, o encarando intensamente e, ainda que se entendessem só com o olhar, ela falou em voz alta, e ele a amou por isso.
-Nós brigamos, discutimos e disputamos, Booth.
Ele sorriu.
-E nos reconciliamos.
-E discutimos de novo.
Os dois começaram a rir baixo, sem que perdessem o contato de olhares.
-Estou vendo que nunca vou levar uma vida monótona com você, Bones...
-Eu sou ou não sou a Islândia?
Ele sorriu antes de beijá-la docemente. Uma vida com ela. Era grande demais para absorver, então, ele se contentou em absorver o momento que viviam. Mais tarde a levaria para a cama, e mais uma vez quebrariam as leis da física. E talvez ele acordasse de madrugada, sentindo que estava sendo observado, e se depararia com um par de olhos azuis na escuridão, o observando como se não acreditassem no que viam. E talvez ao acordar ela lhe diria que faria um café da manhã saudável para que os dois comessem juntos, e que ele devia se alimentar melhor e se preocupar com a saúde. Talvez ele lhe desse um beijo longo e apaixonado antes que tivessem que sair – para seus trabalhos, para seu dia. Ou talvez tudo acontecesse de uma forma surpreendentemente nova, como às vezes acontecia com eles.
Mas naqueles pequenos momentos ele via o enorme coração de Brennan, a forma como ela se preocupava e se importava. E o fato dele ser um dos poucos para quem ela realmente demonstrava isso o fazia se sentir único e especial.
FIM
