Último capítulo... Espero que apreciem! Boa leitura.

Segunda Chance

No dia seguinte, Yao havia jurado que Kiku tinha se envenenado. Por ver que ele ainda respirava, mandou chamar o Dr. Jan o mais rápido possível. Quando este chegou e se aproximou do oriental, recebeu o frasco que estava a substância que ele bebera. Suspirou, não precisava pensar muito para saber o que Kiku fizera, lembrando-se da conversa do outro dia.

- E então, Doutor? Pode ajudá-lo? – Yao indagou, aflito.

- Bem... Ele que escolheu ficar assim.

- O quê, aru? – Franziu o cenho. - Não vai ajudar meu irmãozinho?

- Não é isso... Ele quem procurou o sacerdote e obteve essa poção.

Yao estava em choque.

- Ele disse que queria se lembrar... Me procurou outro dia no consultório para conversar – disse calmamente, quase inexpressivo. – Ele sabia dos riscos.

- Uh... – recompondo-se, voltou a falar. – E quais são os riscos, aru?

- Ele voltar a ficar naquele estado "zumbi". Dessa vez, para sempre.

-... – franziu o cenho, irritado. – Chamem aquele maldito Arthur aqui! AGORA!

As ordens imediatamente foram obedecidas. Um dos empregados se dirigiu até a casa do loiro, de onde o retiraram no meio do café-da-manhã, deixando-o confuso ao saber apenas que Yao requisitara sua presença.

- A culpa é sua, aru! Seu maldito!

Mal chegara, Yao avançara em sua direção, o olhar irado de fúria. Se não quisesse manter o nível, espancaria o loiro ali mesmo! Arthur não entendera, piscando os olhos de maneira confusa, mas acabou vendo por cima do ombro do outro a figura de Kiku deitado no futon, com as mãos sobre o corpo, como se houvesse... morrido. Afastou Yao, aproximando-se rapidamente do oriental, ajoelhando-se e tomando-lhe o corpo nos braços.

- Kiku...? – Chamou, em choque. Só suspirou aliviado quando viu o tórax do menor se movendo, denunciando sua respiração. Voltou-se aos outros dois presentes, franzindo o cenho. – O que houve aqui?

- Ele–

- Ele foi até aquele sacerdote fajuto – interrompeu Yao, impedindo que o holandês explicasse a situação, o tom cortante saindo áspero. – E pegou uma poção maldita só para se lembrar de você! Mesmo sabendo que pode não voltar ao normal, aru! É tudo culpa SUA! O que pretende fazer quanto a isso, maldito?

- Eu... – não acreditava no que ouvia! Voltou o olhar para o asiático desacordado, passando de leve as pontas dos dedos pelos fios negros, acariciando-os. – Eu cuidarei dele – respirou fundo, mudando um tom sério para um carinhoso. – Hey, Kiku...

- Idiota – resmungou Yao, contrariado.

Arthur fuzilou-o de esguelha, logo voltando às atenções ao que tinha nos braços, sorrindo levemente ao prosseguir a carícia, dessa vez sobre a pele macia. Tão bem cuidada...! Mudou a expressão ao ver as pálpebras do oriental tremendo, como se estivessem prestes a se abrir. Pressionou-lhe sem perceber contra si, na expectativa.

- Kiku...? Você está bem...?

- Uhm... – remexeu-se com desconforto. – Por favor, não salgue muito a comida...

Todos ficaram surpresos – embora Jan não demonstrasse. Arthur foi o primeiro a se recuperar, sentindo os olhos ardendo. Tentando escondê-los – e sem conseguir refrear o desejo – abraçou o menor com força, afundando a face na curva do pescoço dele. O oriental sorriu, pousando de leve as mãos nas costas do outro em retribuição ao gesto. A voz de Arthur, consequentemente, saiu abafada:

- Não se preocupe, Kiku... Dessa vez, eu vou fazer tudo certo.

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E foi pensando nisso que Arthur agora estava na sala da casa de Yao, esperando-o de maneira impaciente, tamborilando os dedos nos próprios joelhos. Estava nervoso. Muito nervoso. Abrindo a porta, Yao fechou a expressão quase que por reflexo.

- O que está fazendo aqui, aru? Estou ocupado agora! Virá alguém interessado em se casar com meu irmãozinho, não tenho tempo para você, aru.

Sim, Arthur acabou, mandando uma carta para o outro avisando que faria uma visita, pois estava interessado em se casar com Kiku. Por sorte, Yao não reconhecera a caligrafia – caso contrário, nem seria recebido. Agora era hora da verdade.

- Esse pretendente sou eu! – Disse de maneira energética, inclinando rapidamente o corpo, apoiando as mãos no chão em uma reverência (e odiou fazer isso, nunca imaginou que faria aquilo para Yao... Mas era tudo por Kiku). – Por favor, ofere-

- Saia daqui, aru! Pare de brincar! – exclamou o asiático, cerrando um dos punhos.

- Não estou brincando, idiota! Se estivesse, acha que estaria aqui? Fazendo isso?

- Você não merece meu irmãozinho! Seu crápula, aru! Quer apenas se aproveitar dele!

- Não fiz nada!

- Você o agarrou na frente de todos, aru!

Kiku, que ao ouvir os gritos adiantara-se a sala, travou ao ouvir a fala do irmão. Corou violentamente. Ele estava falando daquele abraço...?

- Oras, seu...!

Mas não tinha tempo para pensar nisso, era bem possível que ambos começassem a brigar mais sério, então adentrou o local.

- P-por favor, não briguem...!

Ambos pararam e olharam para o menor. Arthur passou à frente de Yao, segurando a mão de Kiku, fitando-o nos olhos.

- Case-se comigo.

Sentiu a face queimando, mas não conseguiu conter um sorriso discreto – ainda sim bobo.

- Seu abusado, aru! Como posso cogitar essa hipótese? Esse aí – indicou Arthur. – Não tem nem mais um tostão, gostou tudo com aquele...! Feiticeiro de quinta, aru!

- Eu já pedi desculpas! – esbravejou o loiro. – E era um xamã!

- Xamã uma ova, aru!

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Após muita relutância, Yao acabou aceitando que Arthur e Kiku realmente se amavam, permitindo o casamento entre ambos. O bom partido havia sido assegurado por Viet, mas o mais velho ainda achava que seu irmãozinho merecia algo melhor. Bem melhor. Suspirou pesadamente, vendo Arthur andando de um lado para o outro.

- Calma, Artie! Logo ele chega, hahah!

- E você deveria ficar um pouco mais nervoso, idiota! É seu casamento também!

- Ué, mas vai ser simples... – Alfred deu de ombros.

- Calem-se os dois, aru! Estão chegando.

Todos no templo se calaram e Yao foi até a porta para guiar tanto Kiku quanto Viet – os quais vestiam um traje tradicional branco, adornado com pérolas e flores - até os noivos. Alfred e Arthur vestiam um kimono negro, em contraste. E a atitude dos dois também diferia: enquanto Alfred sorria de maneira boba, Arthur parou no mesmo lugar, enrijecendo a postura. Lentamente, Yao entregou os mais novos a seus pretendentes, relutando um pouco mais com Arthur, que teve de puxar a mão do noivo para que o irmão mais velho soltasse, fazendo com que Kiku risse sem graça.

Tradicionalmente, os casais prestaram homenagem ao Céu e a Terra, aos familiares passados e aos deuses. Terminado isto, fizeram uma vênia em sinal de respeito e caminharam até uma mesa e sentaram-se um de frente para o outro. Segundo a tradição, olhando-se nos olhos, deveriam dar um gole de sake e pousar o copo – ao mesmo tempo – de volta à mesa. Claramente, Arthur deu apenas um gole, mesmo assim ficando com a face avermelhada, acabando por ser ajudado por Kiku a ir até a recepção.

A recepção foi simples, os recém casados trocaram de traje e cortaram juntos o bolo de várias camadas, de baixo para cima, simbolizando a estrada até o sucesso no casamento. A música era feita por uma orquestra. Foi feito um brinde e os casais fizeram um rápido discurso ao final, agradecendo a presença de todos.

- Finalmente estamos sozinhos.

Arthur suspirou com alívio enquanto entrava na casa, sendo seguido por Kiku. O local era simples, mas bem organizado.

- Sim... Acho que agora podemos descansar.

Rumaram até o quarto, mas quando o asiático abriu a porta, teve uma surpresa: velas vermelhas estavam acesas, espalhadas pelo local, com candelabros de Fênix e dragões. Aquilo tudo para afastar os maus espíritos? Ainda podiam-se ver pétalas de rosas vermelhas e uma garrafa de vinho junto a duas taças atadas com um fio vermelho. O que Yao estava querendo? Deixar Arthur bêbado? Ou somente provocá-lo, jogando em sua cara o quanto não tinha condições de fazer algo do tipo? – Porque Yao sabia que o loiro não tinha condições de dar uma noite de núpcias seguindo adequadamente as tradições para seu irmãozinho. Arthur até conseguia imaginá-lo falando: "Por isso tratei de arrumar tudo, aru!". Suspirou, apesar de sentir-se humilhado, não podia reclamar.

- Heh, parece que Yao deixou tudo preparado... – abraçou o menor pela cintura, carinhosamente, mas escondeu o rosto no ombro dele. – Desculpe por não poder dar-lhe mais no momento...

O menor piscou os olhos, surpreso pelo que o outro falava, mas abriu um sorriso gentil, virando-se de frente para ele. Tomando-lhe a face entre as mãos e encostando as testas, murmurou:

- Não fale isso... Já tenho tudo que precisava: uma segunda chance para viver com quem eu amo.

- Kiku...

Arthur não se segurou mais, fechando os olhos e finalmente tomando aqueles lábios tão desejados.

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Espero que tenham gostado! O que acharam?

Obrigada a todos que leram ^^ Até a próxima. ~