Capítulo VI

Especial Segunda Temporada

Parte Final – O Passeio

Assim que os cinco atores entraram no camarim, Shun desferiu um soco na cabeça de Alexei, que fez o loiro se encolher em uma dor confusa.

- O que foi isso Shun?! Está maluco?! – gritou, com os olhos encharcados de lágrimas e as mãos na cabeça.

- Você quem está maluco! Que declaração foi àquela na frente da imprensa?

- Ore (1)... Achei que não tivesse se importado, você ficou tão quieto.

- É claro que fiquei! – disse ele, estralando os dedos de tão irritado. - Você acha que vou fazer escândalos para sair nas revistas do mundo inteiro?! Eu não sou sensacionalista como certas pessoas!

- Duas caras... – cochichou, Alexei.

- Repete se for homem! – provocou Shun, com o rosto totalmente vermelho.

- Eu disse: DUAS CARAS! – gritou ele - Você se faz de bonzinho na frente das câmeras só para fazer pose para as fãs!

- NANI (2)?!

- Meninos! Por favor, temos cinco meninas que vieram aqui, somente para conhecê-los, vamos tentar manter os ânimos menos exaut...

- DUAS CARAS! – interrompeu Hyoga, mostrando língua para o menino.

- ALEXEIIIIIIII!

- DUAS CARAS!

PLAFT

- Porque me deu um tapaaaaaaaaaaaaaa?!

- Isso não muda nunca... – suspirou os demais.

- Se as fãs desses dois imaginassem... – diz Michelle, suspirando.

XXX

Enquanto isso, no camarim ao lado.

- Parece que foi o barulho de um tapa? – desconfiou a jovem ruiva, encarando a parede do lado esquerdo, de onde vinha o barulho de vozes masculinas.

- Estou tão nervosa que já não tenho mais unhas! – anunciou Naluza, nem prestando atenção no que amiga acabara de dizer.

- Anna, porque você está com o rosto tão vermelho? – perguntou Kami, que parecia a mais calma do grupo.

- Ai... – ela abaixa o rosto, olhando para os sapatos. – Àquele Alexei! – disse nervosa, crispando os punhos. - Que raiva! Como ele ousou dizer àquilo na frente da imprensa.

- Está falando da declaração? – quis confirmar, Kami.

- Eu achei tão kawai... – interrompeu Layza, com os olhos brilhando e o ar de sonhadora. - Lay-chan, àqueles não são Os Garotos que conhecemos, são os atores, é a vida real. E você ouviu o Shun dizendo que...

- Eles são tão lindos juntos, vocês viram o selinho. Zi, você tirou fotos?

- Ela nem está me ouvindo. – suspirou Kami, que olhou de soslaio para a Anninha ao seu lado. A menina tinha os olhos vermelhos, e parecia que iria se desaguar em choro a qualquer momento. E sorriu gentilmente, colocando uma das mãos no ombro da nova amiga.

- Hei, Anninha, não fique assim, eu não acho que o Shun vá retribuir o que o Alexei sente.

- Como você pode ter tanta certeza, Kami-chan?

- Eu não tenho. – disse ela, olhando para a parede de onde ainda vinham os gritos. – Mas algo no olhar do Shun me deu calafrios. Não sei não, mas ele não me parece tão delicado como é na série.

- Hã?

De repente a porta se escancara.

- Ahhhh! Àqueles dois tiram qualquer ser humano do sério! – Michelle, entrou irritada na sala onde as meninas aguardavam.

Os cinco olhares se paralisaram em cima da assessora de imprensa do grupo, que estava com a cara fechada.

- Desculpem, meninas... – pediu, tentando relaxar a face. – Venham, eles estão esperando.

- Espere, senhorita Michelle! Assim? – disse Zibel, nervosa, procurando algo na bolsa. - Espera eu retocar a maquiagem.

- Eu também vou passar batom... – anunciou Anna.

Kami e Layza ficaram olhando a amiga Naluza, que estava paralisada.

- Nalu, o que foi? – perguntou Layza. – Está pálida.

- Eu não consigo me mexer.

-...

XXX

De volta ao camarim dos meninos.

- Não fale comigo! – gritou Shun, virando a cara para o lado oposto.

- Não se preocupe, eu não vou! – respondeu Hyoga.

- Mas os dois estão falando um com o outro.

- Cale a boca, Seiya! – gritaram os dois.

- Ikki, sinceramente, não sei como você aguenta. – cochichou Shiryu, para o amigo ao lado. - o Shun parece uma mulher na TPM.

- EU OUVI, SHIRYU! – gritou ele, se levantando e apontando o dedo para o chinês. E batendo o pé de forma pirracenta no chão. – Repete se for mesmo o cavaleiro de Dragão!

O Chinês o olha com cara de tacho, depois de se acalmar do susto.

- Isso não teve graça.

- Eu já ia te alertar, não fale nada, ele tem ouvidos aguçados.

- ONII-SAN!

A porta se abre e a assessora entra na sala acompanhada de cinco meninas, e vê Shun de pé, na sua posição hostil de sempre, o dedo em riste. Agora a vítima era seu irmão mais velho, e provavelmente o Shiryu, que tinha um olhar aterrorizado.

"Esse menino é tão impaciente...", pensou ela, procurando os outros. Percebendo que estavam todos ali. Seiya estava no sofá de frente para Ikki e Shiryu, provavelmente onde Shun estava também. E Hyoga estava sentado no braço de uma poltrona de um lugar, transversal aos outros dois sofás.

- Sente-se, por favor, Shun. – pediu ela, delicadamente, sabendo que agora, ele iria obedecer.

- Ha- Hai (3)... – concordou ele, quase que no sussurro, mudando de expressão como se fosse mágica.

Michelle até percebera que o rosto do menino avermelhara-se. E ele voltou em silêncio para o lado de Seiya. E sua expressão antes de quase demoníaca, mudou completamente, para algo suave, pleno, quase divinal. Ela suspirou mais uma vez, incrédula.

Seiya, que não conseguia se acostumar com àquela mudança súbita de comportamento do Shun, olhou assustado para o amigo que se posicionara novamente ao seu lado. Mas teve quase certeza de ver uma aura angelical envolvê-lo.

"Como ele consegue isso?!"

- Bem meninos, vou apresentá-los para "As Garotas". As cinco meninas que foram sorteadas para conhecê-los pessoalmente e passarem o dia com vocês.

- Vamos começar pela mais nova. - informou a assessora sorrindo, e saindo da frente da menina, mostrando-a. – Essa é a Anna, tem 15 anos, nasceu no Sul do país, mas mora há algum tempo aqui no Rio de Janeiro com a mãe. - Anna deu um passo à frente, ficando do lado da assessora, arrancando olhares de surpresa do grupo.

A menina era bem mais baixa, que a alta Michelle ao seu lado. A assessora do grupo deveria medir 1,80 com salto alto que usava. Anna media provavelmente em torno de 1,65, era bem magra, e tinha os olhos esverdeados. Ela estava usando um vestido branco, de alça fina com rendas, com bordados de flores rosa no busto e na barra do vestido, que morria nos joelhos; estava calçando sandálias brancas, com alguns detalhes de estrass. Os cabelos lisos, em um tom quase loiro, estavam soltos, ao longo de suas costas, apenas uma pequena mexa estava presa no alto da cabeça. Sua maquiagem era bem suave, um batom no tom da boca, as bochechas rosadas e uma sombra verde destacavam seus olhos claros; nas mãos, pulseiras douradas de argolas e nas orelhas, um brinco pequeno com várias pedrinhas de estrass. Ela sorriu muito envergonhada, olhando para os cinco rapazes a sua frente e sentiu o coração disparar feito louco. Principalmente, porque Shun, a olhava, boquiaberto.

- Hajimashite!(4) – cumprimentou ela, curvando o corpo para frente, cumprimentando-os na forma oriental.

Eles se levantaram e também se curvaram, respondendo ao cumprimento:

- Hajimashite, Anna-chan! – pronunciaram, de forma desordenada, um após o outro.

- Hei, Shun! Ela é linda, não é mesmo? – cochichou Seiya, cutucando o amigo ao seu lado. Seiya sabia muito bem, que apesar da imprensa, dos fãs e do amigo Alexei, se esforçarem para levar Shun para "o outro lado", ele sabia muito bem o quanto o amigo apreciava a beleza feminina.

- E- eu... E- eu percebi. – engoliu ele, em seco, sentindo o rosto corar. - Ela me lembrou a Bella.

- De todas as cinco que estão aqui, apesar de ser a caçula, a Anna é uma das fãs mais velha da série. Anna, pode apertar a mão deles, eles não mordem... quer dizer... – a mulher fuzila Shun com os olhos, que tenta ignorá-la. – Nem todos.

Anna obedece e timidamente ela cumprimenta um por um, e ganha ainda, um beijo no rosto de todos os cincos. Enquanto isso, Layza já se posicionava ao lado da Michelle com um sorriso nervoso no rosto.

- Eles são bem mais lindos de perto! – observou a menina, com um ar ainda mais sonhador.

- Sim, lindos. – concordou a assessora do seu lado, admirando a jovem que tinha o sorriso mais belo e mais simpático das cinco. – Mas não se preocupe. – aproveitou para confortá-la. - São humanos como qualquer um de nós. E acredite, tão cheios de problemas e defeitos como qualquer ser humano. Então, não precisa ficar tão nervosa.

- Sim, sim. Obrigado.

A jovem Layza tinha a pele morena clara, os cabelos pretos, curtos e lisos, que mediam até a altura dos ombros; seus olhos tinham um tom castanho escuro. Ela usava óculos de lentes quadradas e aros grossos e negros que lhe davam um charme intelectual, sem tirar suas feições de menina sapeca. A menina estava vestida com um vestido estampado com flores brancas e pretas, estilo tomara-que-caia, deixando seus ombros a mostra; sandálias preta, de salto fino, com amarras que subiam até o tornozelos. Ela também usava brincos brancos com pedras pretas; e nos pulso, pulseiras quadradas nas cores branca e pretas, tudo combinando perfeitamente com o vestido. No rosto uma maquiagem média, o batom em um tom avermelhado, as bochechas cobertas por um bluche arroxeado, e os olhos delineados por lápis preto.

Michelle olhou para os meninos que se posicionaram todos na frente do sofá do lado esquerdo, enquanto a pequena Anna, se posicionou automaticamente, no sofá do lado oposto. Assim, a assessora prosseguiu.

- Essa é a Layza, tem 17 anos, também mora no Rio de Janeiro.

Layza apesar de extremamente nervosa continuou muito sorridente.

- É um prazer conhecê-los! – disse ela, também se curvando do mesmo jeito que a Anna fizera.

- O prazer é nosso, Layza-chan. – repetiu todos.

Em seguida ela mesma foi até eles cumprimentá-los, antes que a Michelle mandasse. Hyoga abriu um grande sorriso ao cumprimentá-la.

"Que sorriso lindo." – pensou ele, ao segurar a mão da menina e beijá-la na face. "Até parece o sorriso daquela pessoa quando ele se propõe a sorrir..." completou seus pensamentos olhando de canto, para Shun.

E claro que Layza, que era atenta, e fã incondicional do casal yaoi, notara aquele olhar de canto, aproveitando para apertar mais forte a mão dele, como se quisesse lhe transmitir forças. E mesmo sem dizer nenhuma palavra os dois pareceram ter se entendido muito bem. Ele meneou a cabeça positivamente, quando ouviram Michelle, falando:

- Layza, pode se posicionar aqui no lado da Anna. – pediu ela, observando que a próxima menina já estava ao seu lado. - Meninos, essa é a Kami-chan, ela tem 19 anos, e mora em Minas Gerais.

Todos olharam para a pequena, admirados. Na verdade, Kami é quem parecera a mais nova do grupo, por ser a que tinha a menor estatura, provavelmente 1,54. A menina, assim como a maioria dos meninos presentes, tinha traços orientais, seus olhos eram bem puxados, um pouco escondidos, pelas lentes dos óculos de formato oval. Os cabelos dela eram escorridos e castanhos escuros brilhantes, curtos, até a altura dos ombros, que ajudavam a destacar seu rosto muito claro.

Mas o que chamara atenção dos meninos para a àquela jovem, era seu jeito não tão feminino de se vestir, como das outras duas apresentadas até o momento. Kami, era diferente, parecia não ser tão vaidosa - o que não significava que não era bonita. Na verdade, sua beleza era natural, o que a deixava mais encantadora. Kami vestia roupas comuns, uma calça jeans no tom azul escuro, com alguns rasgos e uma corrente de lado, uma blusa preta de alcinha, com um dragão prateado pintado no centro. O calçado era um tênis preto, com detalhes em prata. Nos pulsos duas pulseiras brancas, bem discretas, assim como os brincos de florzinhas. Quanto a maquiagem, só um batom em um marrom bem clarinho nos lábios, um lápis preto bem leve nos olhos, e as bochechas, que eram bem salientes, estavam muito vermelhas, mais provavelmente não era da maquiagem, e sim, devido o embaraço do momento.

- Haji- haji- haji- ma-shi-te... – gaguejou ela rápido e um tom muito baixo, olhando para os próprios tênis, e em seguida curvando-se, deixando-a ainda mais encantadora.

- Kawai (5)! – gritou Seiya, saindo na frente de todos e a abraçando. – Você é linda! – disse ele, esfregando sua bochecha com a dela, como se a menina fosse um bichinho de estimação.

Todos se assustaram com atitude de Seiya. Não mais do que a própria menina que até então tinha só as bochechas vermelhas, mas depois do abraço de Seiya, ficou com o rosto todo virado em um tom vermelho pimentão. Esmagada no peito de Seiya ela tentou falar.

- Estou sufocando...

- Ai, ai... – suspirou Michelle. - Estava demorando.

Shun, por algum motivo desconhecido, olhou feio para Seiya, como se ele tivesse abraçando sua própria namorada.

- Hei, Seiya! Pare com isso! - implicou, Shun - Nós queremos cumprimentá-la também!

Seiya afastou a menina do seu peito, e segurando-a pela mão, a carregou para ficar na sua frente, abraçando-a pelo pescoço.

- Ela não vai cumprimentar mais ninguém. – disse ele, seriamente. – Ela é minha!

Depois de alguns minutos de confusão. Michelle conseguiu ordenar novamente as coisas. E com muito custo, conseguiu fazer Seiya soltar a fã, e deixá-la cumprimentar os demais e em seguida posicioná-la junto das outras. É claro que ele não gostou nenhum pouco. E mesmo separados, ele não tirara os olhos dela.

As duas meninas ao lado de Kami se surpreenderam, e cochicharam para ela.

- Eu acho que o Seiya gamou em você. – falou Layza.

- Eu não acho, tenho certeza. – complementou, Anna.

A menina apenas se encolhera ainda mais nervosa. Tentando evitar os olhos furtivos de Seiya em cima de si. E por um momento imaginou uma cena de desenho, onde coraçõezinhos sobrevoavam em cima da cabeça do moreno.

- Que estranho. Por essa eu não esperava. – sussurrou ela em um resmungo para as outras duas. Olhando para o Shun em seguida, e depois baixando os olhos para sua própria mão, lembrando-se do momento em que apertara a mão dele. "Seria muito, se essa reação tivesse vindo dele...". suspirou ela, desolada.

- Vamos continuar, não é senhor Seiya?! Esperamos não ter esse tipo de reação novamente! Não se esqueçam que nosso tempo aqui é muito curto. – bronqueou Michelle, encarando o moreno, que virou a cara para o outro lado, mostrando-se emburrado.

- Então, a próxima é a Zibel, ela tem 22 anos e é Paulistana. – mostrou ela, a jovem de cabelos vermelhos intensos, ondulados nas pontas, que mediam pouco abaixo dos ombros.

Zibel tinha a pele muito branca que era ainda mais destacada pelo vermelho brilhante dos seus cabelos e das sombras escuras que delineavam seus olhos. Ela também tinha uma estatua mediana, entorno de 1,60. E um sorriso radiante. Estava usando um vestido azul claro, bem acentuado na cintura, deixando seu busto avantajado. Os cabelos vermelhos, antes preso por um rabo de cavalo no alto da cabeça, agora estavam soltos.

Os meninos olharam para ela impressionados. Ela provavelmente era a mais madura do grupo, assim como Ikki, e foi ele, quem a apontou, estalando os dedos.

- Hei, você não é jornalista, não é? Eu vi você em meio aos fotógrafos. – disse Ikki, se lembrando.

- Tem uma memória boa... – sorriu ela, totalmente transtornada de vergonha. Era certo que ela estava no meio, mas havia tantos lá dentro, como ele se lembraria dela, em especial? – Na verdade eu sou fotógrafa. Mas fico feliz que tenha lembrado. – ela se curva. – Prazer em conhecê-los.

- Zibel, pode ir cumprimentá-los. – avisou a assessora, deixando a última a ser apresentada aparecer.

Seiya que estava do lado de Ikki, o cutuca.

- Hei, Ikki! Como você conseguiu se lembrar dela no meio de tanta gente?

- Não é da sua conta. – bronqueou ele, fazendo uma cara de sério.

- Argh! Pegou o mal do Shun em dar más respostas, é seu estúpido?!

Ikki o ignorou, quando a percebeu estender a mão para cumprimentar Seiya ao seu lado, que além de apertar a mão lhe deu um beijo no rosto, da mesma forma que estava fazendo com as outras. Em seguida, Zibel estendeu à mão para Ikki.

- Prazer, senhor Ikki. – disse Zibel, sorrindo, sentindo o rosto esquentar. Percebendo que o Ikki a sua frente era bem mais bonito do que via pelas fotos e pela televisão.

- Pode tirar o "senhor", por favor. – pediu ele, segurando à mão dela com força entre as suas. "Que mãos macias. Ela é tão linda...", pensou, olhando-a nos olhos.

- Ham! Ham! – pigarreou, a assessora dos meninos, ao perceber o clima que se instalara entre os dois.

Até mesmo Shun olhava Ikki com estranheza. "Grrrrr! Esse meu onii-san! Depois reclama de mim!"

E os dois ao perceberem os olhares em cima deles, se distanciam.

- Bem, como eu estava falando. – prosseguiu Michelle. - Essa é a última fã do sorteio. E também posso dizer, que a Naluza é também a mais fã de todas. Naluza tem 22 anos e mora aqui no Rio de Janeiro.

Tanto os meninos, quanto as meninas, contemplaram a última do grupo a ser apresentada. A jovem Naluza era bem morena, os olhos castanhos amendoados e os cabelos lisos, curtos até as orelhas. Ela estava vestida com uma blusa vermelha, com detalhes em preto; uma calça Jeans comum, de cós baixo, bem acentuada no corpo, mostrando o quanto era esbelta. Sandália preta; nos cabelos os óculos escuros, de lentes quadradas. No rosto uma maquiagem leve, apenas um batom marrom avermelhado delineavam seus lábios. Em um dos ombros havia uma bolsa preta e branca de tecido, com uma estampa de flores, e na mão direita, presa em seu pulso por uma pequena alça, sua inseparável câmera fotográfica. E apesar dos olhos dela estarem bem abertos, pareciam estáticos, e todos a olharam assustados, pois além de visivelmente pálida, a menina não se movera em nada, desde que Michelle a anunciara.

- Ih! Acho que agora ela parou de vez... – comentou Anna, mordendo a unha do seu dedo indicador.

- Para Anna! Ela está bem, está de olhos abertos. – comentou, Lay.

- Naluza?! – chamou Michelle, tocando-a no seu ombro, o que foi suficiente, para que a morena fechasse os olhos e cambaleasse em direção ao chão. – Meu Deus! – exclamou a mulher.

Mas Shiryu, o mais próximo delas, correu imediatamente até ela, segurando-a pela cintura, não permitindo cair no chão.

- Hei...?

Todos se aglomeraram em torno da fã desmaiada. Michelle saíra correndo até a sala de enfermagem, buscar um enfermeiro. Enquanto os outros tentavam acordá-la, chamando-a pelo nome.

- Pôxa! Eu deveria ter pensado nisso! – comentou Anna, batendo uma mão na outra.

- Está querendo dizer que ela fez de propósito, Anninha? – Layza olhou pra Anna, assustada.

- Claro que não, meninas! – contrapôs a jovem ruiva. - Vocês viram o quanto ela estava ansiosa, foi um choque!

- Se foi de propósito eu não sei... - comentou Kami, pensativa. - Mas que eu estou com uma inveja isso estou. Olham como eles estão todos entorno dela, e preocupados de verdade.

Shiryu segurava a mão da morena entre as suas, olhando-a preocupadamente. Quando a viu se mexer.

- Ela está voltando a si. Pessoal, ela precisa respirar, saiam de cima. – pediu, Shiryu.

- E desde quando você é médico, Shiryu? - reclamou, Seiya.

- Essas coisas básicas, nós aprendemos, até quando tiramos a carteira, Seiya!

- Shiryu... – sussurrou, a menina ainda trêmula.

- Se acalme, vou tirá-la do chão. – Shiryu a pegou no colo, e a levou para o sofá.

- Eu já estou bem... – disse ela, muito vermelha, ao ser carregada por ele.

- Acho que ela já está melhor mesmo, pelo menos a cor do rosto já mudou pra vermelho.

- Anna! – repreendeu as colegas.

- O que eu disse?

Michelle chegou com a enfermeira. E depois de medir a pressão da menina e lhe dar um remédio, saiu.

- Desculpem? – pediu ela, muito envergonhada. – Eu não consegui evitar.

- Ah! Isso acontece o tempo inteiro! – disse Seiya.

- Não precisa ser tão pretensioso, Seiya! – resmungou Shun.

- Não se desculpe. Você não teve culpa de passar mal, Naluza. – disse Shiryu, ainda segurando as mãos dela.

O que deixou a morena, mas vermelha ainda, fazendo o seu coração disparar. Shiryu não era diferente do que ela sempre imaginou, ele era gentil, educado e delicado.

- Hei, Shiryu! Já pode largar da mão dela, ou ela vai passar mal de novo.

- Cale a boca, Seiya!

Todos riram.

- Bem, agora que todos já se conhecem, vamos começar o passeio, certo? – Michelle abriu o guia. – Vamos começar com o Pão de Açúcar.

- Hummm eu estava mesmo com fome. – disse Seiya, deixando todos incrédulos.

- HÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁ – explodiram todos, em uma gargalhada estrondosa. Menos Seiya, que não entendera.

- Ué, o que eu disse?

- Seiya, se você conseguir comer o Pão de Açúcar do Rio, daremos pra você o prêmio de estômago de ouro. – brincou Zibel.

- Então, vamos!

-...

XXX

E assim, o grupo seguiu em uma vã contratada só para atendê-los. As próprias meninas que moravam no Rio, serviam de guia. E ao saírem do Hotel, já deram de cara com a belíssima praia de Copacabana, todos eles pregaram os rostos na janela da vã. Admiravam as belas mulheres e até homens que caminhavam na praia. Dali dava pra ver ao longe, o Pão de Açúcar de um lado e do outro o Cristo Redentor, envoltos por um céu azul anil, e a grande praia ao fundo.

- Com certeza é a visão do próprio paraíso... – comentou um deles, enquanto seguiam.

Seiya era o mais moleque. E amou andar no Bondinho. Shun, que tinha medo de altura, ficou levemente esverdeado e segurava na mão da Anna na ida e volta.

- Está bem mesmo, Shun?

- Juro que estou.

- Até de avião ele enjoa. – informou, Ikki para a menina ao lado do irmão.

Ao chegarem ao topo, e contemplarem a vista do alto, os cinco sentiram um arrepio correr seus corpos. Ali, acima daqueles mais de 400 metros de altura, sentiam-se livres como jamais poderiam sentir. Dali, podiam contemplar a vegetação abaixo, as praias e a própria cidade do Rio. Era uma beleza inigualável, era verdadeira harmonia entre homens, cidade e natureza.

- É só contemplando uma vista como essa, que temos certeza de que o homem e a natureza podem viver em perfeita harmonia. – filosofou Shiryu.

- Meu coração está batendo tão forte, olha que já viajamos para muitos lugares, não é Ikki? – falou Shun, deixando o vislumbramento, vencer seu medo por alturas.

- É Shun, estou realmente surpreso. Esse lugar é magnífico.

- E vocês ainda não viram quase nada! – anunciou Michelle, olhando para o guia. - Próxima parada: Estádio do Maracanã e Cristo Redentor! Vamos nessa!

E assim, seguiram o passeio. Os cinco já estavam mais empolgados que as próprias meninas, e faziam pergunta sobre tudo o que vinham. Zibel e Kami, que também eram turistas no Rio, se juntaram aos cinco para admirarem. Até as outras três moradoras também estavam impressionadas. Afinal, moravam ali, mas também não tinham o luxo de conhecer tudo ainda.

Em cada parada eles tiravam fotos entre eles, e junto com as meninas. E também eram parados por outros fãs ao longo do caminho, para tirarem fotos ele, quando não causavam um pequeno tumulto. No Estádio do Maracanã, Seiya se sentiu uma criança, tirou inúmeras fotos em frente aos painéis dos grandes jogadores e dos grandes times do Brasil. No gramado, quis fazer de conta que estavam jogando, mas foi pego por um dos seguranças do local. Que dissera que o campo não podia ser pisado para conservar a grama. O que o deixou emburrado. Mas logo sua chateação passou ao chegarem ao Cristo Redentor. E ali, sim, sentiram o que era estar verdadeiramente, mais próximo de Deus. Contemplaram mais uma vez o Rio de Janeiro das alturas. Shun, já estava começando a ficar enjoado novamente. Quando decidiram parar para almoçar, ali mesmo.

- Aonde será nossa próxima parada, Michelle? – perguntou Hyoga.

A assessora consultou o relógio.

- Vai dar três horas. Vamos fazer assim, agora que estamos empanturrados, menos o Shun... – disse ela, apontando para o menino, que continuava com a cor esverdeada. Apesar de que... – de repente os olhos de Michelle brilharam. - Ele fica lindo mesmo verde.

- Mi- Michelle?! – se surpreenderam os meninos, olhando a assessora assustados, até àquele momento, ela não havia elogiado nenhum deles.

- Ham! Ham! – pigarreou ela, tentando recompor sua voz e sua conduta. - Vamos ao Jardim Botânico?

- Esse jardim é no alto também? – perguntou Shun, nervoso.

Eles riram.

- Não, Shun. É bem no chão. Na verdade, é um jardim no centro do Rio de Janeiro. Vocês vão adorar. Em seguida, podemos encerrar o passeio, na praia de Copacabana, o que acham?

- Ahhhhhhhhh! – resmungaram todos.

- Ué? Não entendi.

- É que já está terminando, Michelle... Esperamos tanto por esse dia. – reclamou, Naluza.

- É verdade. – concordou, Anna.

- E nós também estamos gostando da cidade. – resmungou Seiya. - É tudo tão lindo.

- Bem, pelo menos no Jardim e na praia, vocês poderão se espalhar e se conhecerem melhor. Não precisaremos andar em um único grupo, até para não chamar muita atenção.

Os rostos das meninas ficaram vermelhos, só de pensar naquela possibilidade.

Mas Shun, já estava na escada rolante.

- Eu encontro vocês lá, então, estou indo!

- Nossa, ele realmente odeia alturas. – riram novamente.

E após pagarem a conta, seguiram para o Jardim Botânico.

-...

XXX

Michelle estava estancada na entrada do Jardim Botânico. Havia se distanciado por um minuto para pegar alguns folders com a história do lugar. Quando voltara, não tinha mais ninguém. Ela suspirou, soltando os ombros.

- Acho que eles queriam mesmo ficar sozinhos...

Anna e Shun caminhavam em silêncio, um do lado do outro. Shun olhou pra ela e a percebeu com o rosto vermelho, fitando os próprios pés enquanto caminhava, e acabou ficando vermelho também. A brasileira era mesmo muito linda. Pensou. Sem conseguir fazer nada.

Não muito longe dali, Seiya gritou:

- Veja, que lindo! – apontou ele para um pequeno lago.

- Seiyaaaaaaaa! Me solta! – gritou Kami, mais uma vez tentando desgrudar as mãos de Seiya da sua cintura.

- Não solto!

- Ah, é? Veja, dinossauros! – apontou ela pra cima.

- Onde? – ele a soltou e a menina aproveitou para sair correndo.

- Bakaaaa!(6)

- Isso não foi justooooo! Volta aqui, Kami-chan!

- Não volto! Eu quero encontrar o Shun!

- Ele está com àquela outra garota, esqueça ele! Eu farei você feliz. – ele deu um amplo salto e a alcançou.

- Hei, você não deveria fazer isso só no anime? – olhou a menina, arqueando uma das sobrancelhas.

- Eu treinei tanto que acabei ficando bom nisso. – disse todo convencido. Agora que estamos a sós... que tal um...

PLAFT!

Kami agira totalmente por um impulso, havia desferido um tapa tão forte em Seiya, que o menino havia caído no chão.

- Opa... acho que desconheço minha própria força... – disse ela, agachando para ver o Seiya que havia sido nocauteado, e se contorcia no chão. – Gomenasai (7), Seiya? Você está bem?

- O que vocês garotas vêem no chato do Shun, hein? – resmungou ele, quase chorando.

- Hmmm deixe-me ver... – pensou ela, levando o dedo na boca. – Ele é lindo, têm olhos verdes, um rosto de príncipe, um corpo magnífico, uma voz de anjo...

- Já chega! Eu entendi!

Ela sorriu. E o moreno levantou-se sacudindo a roupa.

- Eu já me cansei de ouvir isso. Estou indo!

- Matte yo (8), Seiya! – correu a menina atrás dele. - Ficou bravo mesmo?

- Baka! – continuou caminhando, ele.

- Hei, Seiya espera, eu vou com você!

Ele parou e a esperou se aproximar.

- Agora você quer ficar comigo?

- Claro, preciso de ajuda, para encontrar o Shun!

- Nani?

- E temos que fazer isso rápido, antes que... – o sorriso de Kami se desmanchou ao imaginar, Shun e Anna em uma daquelas cenas românticas estilo Jack e Rose no filme Titanic. Sacudiu a cabeça, e cerrou os punhos, segurando o braço do Seiya com força. – Eu não posso deixar isso acontecer! Vamos!

- Hei, porque eu tenho que ir junto?!

Não muito longe dali.

- Acho que vi o Seiya sendo arrastado por àquela pequenina. – comentou Ikki, para a ruiva ao seu lado.

- Certeza? Acho que está enganado. A Kami é uma pequena flor de cerejeira. Jamais ia conseguir puxar o grandalhão do Seiya. – disse ela olhando para Ikki, que havia subido em uma pedra para olhar mais adiante, ficando bem mais alto do que já era. – Por falar nisso... Vocês são tão altos. Achei que os japoneses fossem mais baixos.

Ele sorriu, voltando-se para ela, e pulando da pedra.

- Vocês brasileiras que são diferentes. Japoneses se parecem, fora algumas exceções, mas vocês cinco são todas tão diferentes uma das outras. – sorriu ele, repousando às mãos sobre os ombros dela. – Seu cabelo tem a cor mais linda que já vi. Eu tenho uma amiga muito querida com o cabelo da mesma cor.

- A Marin?

- A Seicka. – corrigiu ela. - Ela fez o papel da irmã do Seiya na série.

- Sim, é verdade. Eu vi algumas fotos dela, ela é muito linda. Apesar de que... sou mais a Sheena. – sorriu, desconcertada. – Vocês estão namorando não é mesmo?

- Na verdade... – ele coçou a cabeça. – Estamos brigados, de novo. Ela é bem geniosa.

- Que coincidência!

- Você também está brigada com ela?

- Não, Ikki. Como vou estar brigada com ela, se nem a conheço.

- Brincadeira.

- Eu e o meu namorado tivemos uma discussão boba antes de vir pra cá, e... – ela soltou os ombros, suspirando profundamente. – Acabamos terminando.

- Mesmo?

- É... – confirmou ela, sentindo o rosto corar. – Ele me lembra muito você, sabia? Digo, seu personagem.

Ikki sorriu.

- Sei... - ele estendeu o braço. – Vamos andar mais um pouco, esse lugar é muito romântico, quero dizer... bonito.

Do outro lado do jardim, escondido atrás das moitas.

- Porque temos que seguir o Shun? – perguntou Hyoga chateado, agachado atrás de Layza.

- Shhhhhhhh! Fale baixo ou eles vão nos ouvir! – cochichou ela.

Hyoga fechou a cara.

- Temos que cuidar daquilo que é seu! Já pensou esses dois sozinhos? – ela fez uma cara assustada ao visualizar os dois em uma cena bem romântica, estilo Jack e Rose no filme Titanic. E balançou a cabeça em um "não" bem forte. – De jeito nenhum! Não podemos deixar isso acontecer, ou você vai ser jogado pra escanteio.

- Deixa eu te contar uma novidade, Lay-chan, eu já fui jogado para escanteio por ele o faz tempo.

- Abaixa! - pediu ela, empurrando a cabeça dele pra baixo. - Acho que eles nos ouviram.

- O que foi, Shun? – perguntou Anna, percebendo que o menino havia parado e graninha como um cachorro com os dentes serrados. "Só falta ele latir!" pensou ela, sorrindo.

- Grrrrrrrrr... Sinto a presença daquele maldito!

- Que maldito, Shun? – assustou-se Anna. – Vocês podem mesmo sentir a presença um do outro, como se tivessem cosmos?

- Não é bem isso. – Shun farejou o ar. – Mas o cheiro desse perfume enjoativo no ar, só pode vir dele! Vem! – Shun pegou a mão dela, e começou andar rápido. – Vamos despistá-los.

Layza tirou a mão da cabeça de Hyoga, permitindo-o olhar também.

- Viu! Eu disse pra não falar alto.

- Perfume enjoativo?! – falou ele irritado. - Eu vou arrancar a cabeça do Shun!

- Hyoga, você é tão bobo que nem percebe, não é?

- O que eu deveria ter percebido?

- Deveria ter percebido que ele conhece seu perfume.

- Ele não gosta do meu perfume.

Ela dá um tapa na própria testa.

- Vocês homens, não enxergam as mínimas evidências! Mesmo que elas estejam bem na frente dos seus narizes!

- Ficou brava?

- Estamos perdendo eles de vista! Você me distraiu! Venha! – ela segurou o pulso do loiro e o puxou.

-...

XXX

- Essas pedras são tão interessantes. – comentou Shiryu, passeando dentro do labirinto de pedras que tinha bem no centro do parque, em uma parte mais elevada.

O chinês colocou a mão no queixo, enquanto observa intrigado.

- Será que isso é natural?

Sua atenção se dispersou ao ouvir o disparo de um flash. Ele ergueu a cabeça e viu Naluza, tirando mais uma foto dele, enquanto estava distraído. Sorriu um pouco desconcertado.

- Você gosta mesmo de tirar fotos?

- Fotos gravam momentos que ficarão eternos. E com certeza, eu quero guardar muito bem esse momento. – disse ela, tirando mais uma foto.

- Vocês brasileiros são tão afetuosos. Acabamos de nos conhecer, mas já sinto como se fizéssemos parte de uma grande família.

- Essa é a nossa magia. – sorriu ela. Aproximando-se dele. – Ainda não acredito que desmaiei e agora estou passeando ao seu lado normalmente.

- Não se preocupe, essas coisas acontecem. – sorriu ele, repousando as mãos nos ombros dela, o que fez o coração da brasileira disparar. – Shy- Shy...

- Olha mamãe, é o Cavaleiro de Dragão!

- Cavale... o quê filhinho?

- Tão pequeno e já nos conhece. – sorriu Shiryu, se voltando para o pequeno que já estava grudado na perna de Shiryu.

- Essa é a magia dos cavaleiros, transcendem gerações. – sorriu Nalu, tirando uma foto dos dois.

- Cavaleiro, me pega!

- Claro! – pegou ele o pequenino no colo. – E a mãe do menino e a Naluza se posicionaram para tirar fotos. – Olha pra câmera! – pediu ele, sorrindo.

- Cólera do Dragão! – brincou Shiryu, chamando a atenção das pessoas que estavam ali perto.

- Hei, será que àquele ali é o ator que interpreta o Shiryu de Dragão.

- É eu ouvi falar que eles estavam fazendo uma visita ao Brasil.

- É ele sim, eu vi o noticiário.

- Então você é famoso mesmo? – olhou a mãe impressionada para o rapaz, percebendo-o que ele parecia mesmo estrangeiro.

- Eu disse mamãe. – sorriu o pequenino, por sua esperteza.

- Shy... estão se aglomerando. – observou Naluza, ficando com receio.

Shiryu devolveu o pequeno para o colo da mãe.

- Tchau garotão, temos que ir. Vem Naluza! – ele pegou na mão dela. – Vamos sair antes que vire tumulto!

- Espere, eu quero um autógrafo!

- E eu quero tirar foto.

- Nossa, como ele é gato!

- Quem é àquela garota ao lado dele?!

- Vamos segui-los!

As pessoas que haviam se aglomerado, saíram atrás deles, e nem perceberam que os dois haviam se escondido dentro de umas das pedras.

- Eles já foram! – anunciou Naluza, que estava esmagada, naquela fresta tão estreita.

- Desculpe? – pediu ele. – Mas eles estavam prestes a estragar nosso passeio.

- Tudo bem, Shy. Só vamos sair daqui, porque estou ficando sem ar.

- Nossa, é mesmo. – ele saiu primeiro, e a puxou. – Desculpe tê-la enfiado junto comigo no mesmo buraco. Mas é que não vi outra saída.

- Tudo bem. Eu não fiquei com falta de ar por isso. – pronunciou ela, sugando ar urgente para dentro dos pulmões.

- E porque foi? – perguntou ingênuo.

- Ficar muito perto de você é que causa a falta de ar... opa! – ela tampou a própria boca. – "O que estou dizendo! Shiryu é casado! Ele vai achar que sou uma dessas garotas descaradas que dão em cima de homem casado!"

- Hã?

- Eu não acredito que eu disse isso! – se repreende, ficando vermelha, percebendo Shiryu se aproximando do seu rosto, deixando-a ainda mais envergonhada. – Shy, espere! Eu não quis dizer isso... o que você vai fazer? Não esqueça que é...

- Olha aquilo! – exclamou ele, passando direto por ela.

Ela suspira aliviada. "Então ele não estava me encarando. Estava olhando o que tinha atrás de mim? Aff! Como sou boba!"- ela o acompanha para ver o que ele tinha encontrado.

- É o Hyoga e a Lay-chan?

- É verdade. – concorda, Naluza. E olhando para o outro lado ela avista outra dupla. – E veja! Ali está a Kami-chan e o Seiya.

- Mas que diabos eles estão fazendo? Por que estão amoitados?

Naluza sorriu.

- O que foi?

- Eu já vi tudo...

- O quê?

- Só olhar mais adiante! – ela segura o rosto do Shiryu, direcionando a cabeça dele para o centro das atenções. Shun e Anna.

Shun havia acabado de colocar uma flor nos cabelos claros da menina. E agora ele tinha ambas as mãos nos ombros dela, enquanto se encaravam, admirando-se profundamente, com os rostos ruborizados.

- Entendi. – suspirou Shiryu - E o Shun ataca de novo.

- Eles formam um casalzinho bonito. – disse ela, deitando-se nas pedras e apoiando os cotovelos no chão, para assistir melhor.

Shiryu, a acompanha, deitando-se do mesmo jeito.

- Será que eles vão se beijar? – perguntou ele, curioso.

- Se depender daquelas duas duplas ali, eu acho que não. – observou Naluza, apontando para a dupla Layza e Hyoga. - Se você reparar a Layza está tentando puxar o Hyoga que está grudado naquela árvore, provavelmente, para que ele faça algo para impedi-los.

- É verdade.

Na parte de baixo...

- Vai lá, Hyoga! – Layza puxava Hyoga que havia se agarrado a uma árvore.

- Eu porque eu iria?! – protestou ele, se grudando mais ao tronco.

- Porque você o ama, oras! Largue de ser covarde! E vai lá, agora!

- Mas ele não me ama!

- Não interessa! Vai logo!

- Pare de me puxar, Lay-chan! Eu não vou!

Do outro lado.

- Me solta, Seiya! Eu vou lá! – anunciava Kami, tentando tirar as mãos de Seiya da sua cintura.

- Não, bonequinha, porque você quer fazer isso?! Deixe os dois! – chorava Seiya, jogado no chão agarrado a cintura de Kami.

- Seiya, seu baka! Me solta! Eu não vou deixar a Anna fazer isso!

- Parece que os dois querem! E se quer tanto um beijo eu posso te dar... – disse ele se levantando e tentando beijá-la.

- Seiyaaaaaaa! Não se atreva! Eu lá quero beijo de um sapo! Você não se enxerga!

- O que ele tem que eu não tenho?!

- Vamos começar com isso de novo!

No centro da confusão. Shun apertava os ombros da menina, estava irritado, era impossível não ouvir a gritaria que vinha das moitas ao redor deles.

- Shun-kun? Porque está cerrando os dentes de novo?

- Porque estamos sendo vigiados!

- Sério? Mas não tem ninguém...

- Anna?!

- O quê?

Shun segurou o rosto dela.

- Desculpe, eu quero fazer algo, antes que nos atrapalhem. Será que...

Ela se agarra o pescoço dele, não o permitindo concluir a frase.

- Estava esperando tanto por isso... – ela o beija.

Shun se espanta no primeiro momento. Fazia algum tempo que ele estava querendo pedir para deixá-la sozinha enquanto procurava um banheiro, no entanto, não entendera o motivo do beijo. Mas, decidira aproveitar, a menina era linda, e ele fechou os olhos, e correspondeu ao beijo.

De volta a parte de cima:

- Nossa! Não é que aconteceu? – observou Shiryu.

- Isso não vai acabar bem... – comentou, Naluza.

Ao ver àquilo, Kami ficou chocada.

- Eu não acredito, Annaaaaaaa! – gritou Kami, se soltando do japonês e indo em direção do casal.

No entanto, Seiya a segurou pelo pulso e acabou puxando-a com tanta força de volta para si, que o baque dos dois corpos, fizeram os lábios dos dois se encontrarem. E Seiya aproveitou o momento, para roubar um beijo de Kami, segurando-a firmemente pela cintura. E ao contrário do que ele pensava, ela não relutou, não soube se fora do choque. Mas podia sentir que o rosto da menina havia corado, porque a pele dela estava quente.

Do lado oposto aos dois.

- Eu não acredito Hyoga, eles estão... – ela o puxou com tanta força da árvore, que ele ao soltar do tronco, acabou sendo puxado, o que fez a menina tombar no chão e ele cair em cima dela.

A queda fizera os dois caírem na gargalhada.

- Você é mesmo, obstinada. – observou ele, vendo que os óculos dela haviam voado para longe, admirando o rosto da menina.

- E você é mesmo um covarde. – brincou ela, admirando o imenso azul dos olhos dele. – Seus olhos são mesmo lindos.

- Não deve ser tanto quanto seu sorriso, Lay-chan.

Ela ficou vermelha.

- Não diga isso.

- Obrigado por tentar me ajudar. Mas eu já sou conformado, acredite... – ele segurou o queixo dela e lhe deu um beijo leve nos lábios.

A menina olhou para o loiro, incrédula.

- Porque fez isso?

- E um beijo sincero de agradecimento, não só por ser minha fã, mas por ser essa menina tão especial, e obstinada. Obrigado.

Ela sorri e os dois se abraçam.

- Você que é especial, e nem sabe o quanto. Eu sei que um dia, tudo vai dar certo para você.

De volta ao alto das pedras.

- Quem disse que não acabaria bem? – brincou Shiryu, deixando Naluza com o rosto vermelho.

- Para ver como são as coisas. Nunca imaginei que esse tipo de coisa pudesse acontecer entre ídolos e seus fãs.

- Os ídolos também são feitos de carne, osso, alma e coração, como qualquer ser humano. Porque não aconteceria?

Naluza sorriu de forma carinhosa. E voltou a olhar sério para o trio de casais mais abaixo.

- Isso é verdade. – suspirou ela, tentando se levantar. "Pena que você seja casado...", pensou desolada.

Shiryu se levanta primeiro, e estende à mão para ela. Mas a morena fica receosa, e dispensa à ajuda, se levantando sozinha.

- Não se preocupe... Vamos descer e nos encontrar com eles, já está ficando tarde. – observou ela, passando por ele de cabeça baixa.

- Naluza?

Ela entortou o pescoço, erguendo os olhos para ele.

- Sim?

- Ficou triste?

Ela abriu um grande sorriso e sacudiu a cabeça em um "não".

- De forma alguma! Não existe nada que apagará esse momento da minha cabeça. Eu só... o respeito. – confessou timidamente.

Shiryu sorriu o que fez os olhos de Naluza brilharem. Era o sorriso e olhar mais perfeito que já havia contemplado ao longo de sua existência. E ela acabou sorrindo também.

Ele se aproximou de vagar e buscou as duas mãos dela segurando-as entre as deles. O que fez o coração dela disparar loucamente.

- E estou honrado de conhecer fãs, tão especiais como você, e como as outras meninas. Acredite, esse presente foi nosso também... – ele se aproximou do rosto dela e lhe deu um doce beijo na face, em seguida, tocou levemente os lábios dela com os seus, dando-lhe um singelo selinho.

- Naluza? – assustou-se ele, ao vê-la estática de novo. O rapaz a sacudiu, segurando-as pelos ombros. – Naluza, respire! Respire! Por favor! Não desmaie de novo! O que eu fiz?!

-...

XXX

Algum tempo depois, o sol já se punha. Todos os quatro casais esperavam na entrada do parque.

- Cinco horas, o lugar vai fechar! Cadê a ruiva e o Ikki? – perguntou-se Naluza, já irritada.

- Desse jeito não teremos tempo de ir a praia. – resmungou Anna.

- Ainda bem que a praia é de frente ao Hotel. – lembrou-se Seiya.

- Oniisan-teme (9)! – praguejou, Shun.

- Vejam, eles vem vindo! – observou Kami, percebendo que os dois vinham caminhando tranquilamente, entre o corredor de árvores.

- Então naquela cena, eu ri tanto, você nem imagina. Ver o Ikki, o todo poderoso, botando ordem no galinheiro foi hilário. – dizia Zibel, conversando com Ikki normalmente.

- Particularmente foi uma das cenas que mais gostei de fazer. – confirmou ele, rindo.

- Parecem um casal de namorados.

- Ô casalzinho, apressem-se! – gritou Hyoga. - Vamos perder o pôr-do-sol na praia!

- Aonde vocês se enfiaram, afinal? – perguntou Michelle.

- Ah, o Ikki foi meu modelo, tiramos tantas fotos que a bateria da minha câmera arreou. – manifestou-se Zibel, ao alcançar o grupo.

- Só isso? – desconfiou, Shun.

- E estávamos conversando também. – completou Ikki, não entendendo a pergunta do caçula - Falamos da série, falamos da nossa vida pessoal.

- Sei, e só conversaram?- perguntou Seiya, ainda desconfiado.

- Ih, não estou entendendo. – olhou a ruiva de um para o outro.

- Isso não é hora para discutirem, última parada: praia de Copacabana! – berrou Michelle.

E eles partem rumo ao último destino.

No caminho, Michelle avisou ao grupo que parariam longe do Hotel, devido ao tumulto de jornalistas que ainda estariam por lá, e seguiriam caminhando pela praia. Enquanto a vã voltaria vazia e assim prenderia atenção dos repórteres enquanto eles passeavam.

Não demorou muito e o grupo chegou, em um quiosque da praia. Ali eles puderam se trocar, e foi quando conversavam sobre como havia sido o passeio no Jardim Botânico, que Zibel, soltou um grito.

- Nãooooooooooooooooooooooooooooo!

- Calma, Zi! – pediu, Naluza.

- Eu não acredito que TODAS vocês ganharam beijo e eu NÃO! Achei que vocês tivessem se comportado.

- Alguns dos beijos foram bem por acaso. – explicou Layza.

- É, o meu por exemplo. Foi só um selinho, o Shy é casado. Mesmo assim, nunca mais vou lavar minha boca.

- O meu também foi selinho, o Alexei é gay, se esqueceram? – lembrou Layza.

- E aquele maldito, Seiya! – enfureceu-se Kami mais uma vez, só de lembrar. - Como ele ousou a roubar um beijo dos meus lábios tão puros.

- Menos, Kami-chan, menos. – disse Naluza, balançando a cabeça negativamente.

Todas sorriram.

- E você, hein Anna? Espertinha, tascou um beijão no Shun, não foi? – indagou Layza.

- E não minta porque vimos! – ameaçou Kami.

- Eu nunca disse que eu era santa. – mostrou língua, ela. - Mas... ele beija tão bem. – confessou com os olhos brilhando.

- Ainda tem tempo, Zi. – animou Naluza, dando tapinhas de consolo nas costas da amiga.

- Ainnnnn... espero que sim.

XXX

O sol tingia de dourado e alaranjado as nuvens brancas do céu antes azulado. As ondas do mar carioca quebravam na praia, umedecendo o vento leve que acariciava os rostos do grupo. As chamas da fogueira crepitavam, enquanto Shiryu tocava seu violão, sentado na areia, em uma canga que havia sido estirada ali, ao lado da Naluza.

- Que paz... – suspirou Naluza, admirando o horizonte.

- Verdade. Já ouvi dizer que o bater das ondas é como o bater das asas dos anjos. Por isso sentimos tanta paz perto do mar... – explicou Shiryu, parando com o violão e passando os braços pelos ombros de Naluza.

- Isso deve ser verdade. – inspirou ela profundamente. – Poderia até dormir agora, se o meu coração não tivesse querendo me deixar surda. - completou, um pouco mais desinibida, encostando a cabeça no ombro dele.

- O dia foi mesmo perfeito. – revelou ele, ouvindo a música romântica da cantora Ivete, tocando em um rádio qualquer ali perto.

Duvidava, não entendia
Quando alguém me falou
Suspirava de agonia
Pra sentir esse amor

Shun e Anna caminhavam de pés descalços na beirada do mar, pareciam um verdadeiro casal de namorados.

- Desculpe? Você tem namorada, e eu nem pensei nisso, antes de te agarrar. – reconheceu Anna, agora mais centrada. – Acho que foi a euforia do momento.

- Tudo bem. – sorriu ele. – Eu não fiquei chateado, na verdade... Eu até gostei. – sorriu ainda mais simpático. - Mas prometa que será nosso segredo?

- Nosso e deles. – corrigiu ela, apontando com a cabeça os demais.

- É verdade. – Shun buscou a mão dela, e os dois continuaram caminhando. – Vou sentir saudades desse dia. – declarou ele, fazendo-a sorrir.

- Eu também...

Tempo mestre de todas
Horas e dias
Passou sem ver
Te amar de verdade
Sentir saudade
Mas só de você, Só de você

Kami estava sentada na areia, no inicio da praia, abraçado com seus joelhos, observando Shun e Anna se distanciarem na caminhada. Ficando vermelha ao vê-los pegar na mão.

- Isso é um absurdo! – protestou ela.

- Ainda reclamando por causa do Shun? – perguntou Seiya, emburrado. – Mulheres, humpf!

- Homens! Humpf! – ela virou o rosto para o Seiya, mas de repente, sentiu um friozinho na barriga ao lembrar-se do beijo dele. – Hei, Seiya-kun?

- O que é? – perguntou emburrado. - Não precisa ficar com cara de brava, daqui a pouco eu vou embora pra sempre! E você nunca mais terá o desprazer da minha companhia.

- Nossa... que dramático. Mas eu ainda irei vê-lo e muito na série. Você quem vai se esquecer do meu rosto, na velocidade da luz.

- Eu nunca vou esquecê-la! – ele a repreendeu. - Como poderia esquecer um lugar lindo como esse, e pessoas tão carismáticas?

Ela sorriu, fazendo Seiya ficar vermelho.

- Não é justo me desarmar assim.

- Senta aqui. – pediu ela, apontando a areia do seu lado.

- Tem certeza?

- Hai! – consentiu. – Só não tente me agarrar de novo, ou vai levar um soco no meio da fuça!

- Hai. – concordou ele, passando a mão no rosto, ao lembrar-se do soco que ganhara depois que roubara o beijo dela. E sentou-se, observando-a ficar em silêncio e admirar o horizonte.

- O que foi?

- Nada. Só queria ficar assim... – respondeu ela, estendendo a mão para ele. – Pode ser?

Seiya assentiu com um menear de cabeça, e sorriu, segurando a pequena mão que ela havia estendido entre a sua e sentiu-se feliz de verdade.

-...

Agora eu já sei
Quando falta a respiração
É a prova que um coração
Já não sabe mais
Viver sem você

- Ah! Não achei nenhuma.

- O que está procurando, afinal? – perguntou Hyoga, que estava com as calças dobradas até os joelhos, nas margens do mar, perto de umas dunas.

- Conchas. – respondeu tranquilamente. Layza estava agachada revirando a areia embaixo do mar. – Mas acho que não tem conchas em águas tão frias como essa.

- Você acha essa água fria? – ele se agachou também, apoiando os cotovelos nos seus joelhos e olhando a menina ainda empenhada em encontrar as conchas.

- Claro que está fria. Mas acho que para alguém que nasceu na Rússia essa água deve estar quente.

- Esta sim. Eu sempre me admiro quando vejo paisagens tão coloridas e quentes como essa do Brasil.

- É lindo não é?

- Sim. Mas... pra quê você quer conchas?

- Eu queria que você levasse como lembrança da nossa terra.

- Mas compramos uma tonelada de souvenir nos pontos turísticos que visitamos.

- Ah, é verdade. – lembrou-se ela, segurando seu rosto com as mãos. - Mas isso seria algo dado por mim.

Ele sorriu.

- Ter te conhecido, e vivido esse dia aqui, nesse país lindo. Já é um grande presente, Lay-chan.

- Obrigado. – ela sorriu, enfim. – Vocês todos são tudo o que sempre imaginei. E até mais... – disse ela, pensativa. – Só foi uma pena você ter visto o Shun agarrar a Anna.

Ele levou à mão na cabeça dela, esfarelando os cabelos.

- Eu já estou acostumado com isso. Se você torcer por nós na estória, já será suficiente, pode acreditar.

- Hai! Eu vou torcer mais do que nunca! – prometeu ela.

Agora eu já sei
Que me falta sempre a razão
Traduzir melhor a emoção
Do que trago aqui
Bem dentro de mim

Zibel e Ikki escalaram uma parte de rochas e agora admiravam o céu.

- Isso sim, é uma obra de arte! – suspirou ela, deslumbrada com a paisagem. - Que pena que a bateria da minha câmera acabou! Aqui daria para tirar umas fotos lindas.

Ikki parou do lado dela, abraçando a cintura da menina.

- Ikki-san?

- Eu estou maravilhado também...

- E não é de se ficar, bobo? – perguntou ela, tentando evitar o nervosismo que ganhara sua voz.

- Mas... – ele segurou o queixo da ruiva com firmeza, olhando profundamente em seus olhos. – eu estou deslumbrado, é com outra beleza...

- Ikki-san... – mas não teve tempo da ruiva dizer nada, apenas sentiu os lábios do japonês de olhos azuis, tocarem os seus, beijando-a ternamente. Sem querer seu coração disparou.

No início a brasileira assustou-se, relutando, mas acabara deixando-se envolver, abraçando-o e correspondendo ao beijo. Mas logo a sua consciência falou mais alto. Amava o seu namorado, e com certeza a briga que tiveram, estaria no passado em alguns dias e pensando nisso, criou forças para afastá-lo.

- Ikki, não!

- Desculpe! Eu não consegui res...

- Me desculpe eu! – interrompeu ela, impedindo-o de continuar. Eu não deixei claro. Eu amo meu namorado.

- Eu também amo a minha. – ele passou às mãos nos cabelos, sentindo-se um pouco acanhado. – Acho que fiquei fora de mim por um instante, talvez seja a mágica desse lugar. Por favor, me perdoe a ousadia?

- Tudo bem. Vamos esquecer isso. – propôs ela, com o rosto muito vermelho. Ainda sentindo o calor que àqueles lábios proporcionara.

"Afinal, isso tudo, é como se fosse um sonho bom. E amanhã, a vida volta ao normal."– pensou ela, sorrindo admirando o homem que agora colocara a mão nos bolsos da calça e contemplava as primeiras estrelas que começavam a despontar no céu.

Zibel levou à mão no peito, e sentiu o amor que tinha pelo seu namorado ganhar mais forças se renovar e talvez até aumentar. Agora tinha certeza do quanto o amava. Afinal recusar o beijo de um homem como àquele em um lugar tão lindo, só deveria significar que ela o amava e muito, o seu "verdadeiro Ikki".

Agora eu já sei
Quando falta a respiração
É a prova que um coração
Já não sabe mais
Viver sem você

Fim?

É o que pensam...

XXX

Enquanto isso, no Copacabana Palace.

- Finalmente, conseguimos entrar!

Quatro rapazes uniformizados como trabalhadores do Hotel, conseguem adentrar o quarto onde deveriam estar hospedados os cinco atores da série Os Garotos.

- Hei, Choquito?! Tem certeza que é esse o quarto? – perguntou o rapaz de cabelos negros e vestido de Jardineiro. – Ele parece que está vazio.

- Foi o Tino quem investigou o quarto que eles estariam, Dinho! Nem venham colocar a culpa em cima de mim. – respondeu Choquito, cruzando os braços, e sentando-se na cama. Ele estava vestido de camareiro.

Matheus, que estava com uniforme de segurança, encostou-se na janela do Hotel admirando a bela vista da praia do lado de fora. E falou calmamente:

- E vocês ainda acreditam naquele lobo safado?! Não sei como concordei com essa idiotice.

- Falar no Tino, cadê ele? – perguntou Victor, que estava vestido de chefe de cozinha.

- No verdadeiro quarto, com certeza... – contrapôs Matheus.

- Ele não faria isso com a gente? – perguntou Victor, incrédulo.

- Coloquem à mão no fogo por ele se quiserem. Mas com certeza eles devem estar hospedados em outro Hotel.

- O Matheus pode ter razão! – concordou o Dinho. – Já ouvi dizer, que muitos artistas, dizem que estão em um lugar, mas estão em outro, só para despistar os fãs e a imprensa.

Todos suspiraram desolados.

- Maldito, Tino! – irritou-se Choquito. – Se eu pegou àquele lobo safado, eu escaldo ele! Eu juro!

- E me digam uma coisa... – interrompe Victor. - Do que ele viria disfarçado, afinal?

- Ele disse que seria uma surpresa. – lembrou-se, Choquito.

- Até agora, tudo está sendo uma surpresa! – suspirou, Dinho. – E eu achei que finalmente iria conhecê-los.

Enquanto isso, no elevador de serviço, os cinco rapazes voltavam para o Hotel, haviam entrado pela parte dos fundos, para despistar a multidão de repórteres.

- Temos que confessar que estamos impressionados, Michelle! Você pensou em tudo! – elogiou, Shiryu.

- É verdade. Não fomos perturbados em nada. – lembrou-se o loiro.

- Os nossos quartos não foram invadidos. – notou, Seiya.

- Nem parece que somos artistas. – disse Ikki, pensativo.

- Obrigado, meninos. – disse ela, levando a mão no rosto, sentindo-o corar. - Eu fiz o que pude. E tem outra coisa, só pra reforçar a comodidade de vocês, pedi para que mudassem os quartos, para o andar debaixo.

- Arigato! – respondeu todos. Saindo animados do elevador.

- É o último quarto do corredor. – informou ela, para os meninos que já seguiam na frente.

- Estou precisando de um banho. – disse, Shun.

- E eu de uma bela massagem. – falou, Seiya.

- O dia foi maravilhoso, não foi?! – indagou Hyoga.

- Se foi! – respondeu Shiryu, animado. - Vamos voltar no Brasil, o mais rápido que pudermos.

Ao abrirem a porta do quarto eles se assustaram com àqueles quatro empregados lá dentro.

- Michelle? – Hyoga a chamou - Você pediu serviço de quarto?

A mulher riu atrás deles, retirando sua peruca loira e os óculos que usava. E engrossando a voz disse:

- Sim! Na verdade eu providenciei uma festinha de despedida. HÁHÁHÁHAHAAHUAHAUAHUA – gargalhou a mulher, que na verdade não era uma mulher e sim um homem!

- Tino?! – surpreenderam-se os meninos do lado de dentro.

-...

Com certeza, continua...

XXX

Owwwwwwwww God!

Desculpem a demora! Minha vida virou de ponta cabeça, nesses últimos meses! Agradeço de coração as palavras de apoio à minha cirurgia e todos os comentários lindos que vocês fizeram no final da primeira temporada de Os Garotos!

Peço desculpa para Kami! A Anninha tinha pedido o Shun primeiro, bem antes mesmo dela enviar o questionário. Então deixei o Shun pra ela. Espero que me perdoe Kami, por colocá-la com o Seiya, mas eu não podia deixar o coitado sozinho. (xD). E confesso que acabei adorando fazer os dois juntos. hauahuahauaha.

Esse especial foi feito de coração para vocês, fãs da minha fic. Desculpem se algo não saiu a contento. E vocês sabem o quanto adoro um romance, por isso esse final todo cheio de floreios.

Agradeço em especial, ao meu amor beta eterno: Rafa! Por ele dar a idéia que gerou o final! E ao Tino, por aceitar se vestir de mulher. Thanks lobinho! Essa foi uma forma de dizer que também não me esqueci dos meus fãs meninos!

Agradecimentos a todos que me acompanham ao longo dessa jornada e espero que continuem comigo na continuação dela.

Meu beijo coletivo e comentem!

See you next!

XXX

Vocabulário

1 Ore – Hum?

2 Nani - O quê? Como?

3 Hai – sim.

4 Hajimashite – prazer em conhecê-los;

5 Kawai – bonito/bonitinho (a), fofo/fofinho (a), lindo/lindinho (a), etc; Normalmente se traduz como uma exclamação: "Que graça!", "Que lindo!", "Que fofo!" e assim por diante;

6 Baka – bobo, idiota;

7 Gomenasai – desculpe-me, sinto muito;

8 Matte yo – espere;

9 Teme – maldito;