Os Bastidores da fic (Os Garotos)
Capítulo 9
Quem não dança, dança! – Parte II
A música americana e de embalo agitado daquele grupo feminino, se repetia pela vigésima vez no rádio portátil da coreógrafa contratada para auxiliar Shun Carter, - o ator da série Os Garotos -, a trabalhar os movimentos sinuosos de um dança no ritmo árabe. A coreografia seria parte de um dos capítulos da série.
A mulher, que deveria ter em torno dos seus trinta anos de idade, estava impressionada com o empenho do rapaz que, apesar de ter pouco conhecimento sobre dança, esforçava-se para decorar os passos. Contudo, ele mantinha resistência quanto o requebrar do quadril, o que não era incomum encontrar no sexo masculino; já que estes mantinham suas mentes presas – consciente ou inconscientemente – as tolas convenções humanas que ditam que: dançar é coisa feminina.
Todavia, Shun era jovem; ator e esforçado. Assim, a dificuldade dele, provavelmente, não vinha de preconceitos machistas. Prova disso, era que, depois de muito ensaio, o jovem Carter já estava conseguindo reproduzir os movimentos de forma quase perfeita.
A dançarina profissional, detida atrás de Shun, pedia para que ele ficasse atento a própria imagem no espelho enquanto ela segurava o quadril dele e mais uma vez repetia as instruções.
- Mantenha o abdômen contraído, Shun. Você está relaxando. Não o relaxe, mantenha.
- É... difícil... – ele informou, com a respiração entrecortada.
A mulher sorriu, e apertando os ombros dele, pediu:
- Ok. Relaxe um pouco. O importante é que você está conseguindo fazer.
O ator soltou os ombros e suspirou. A instrutora percebeu que apesar do ar-condicionado ligado, Shun estava suando muito, pois seus fios de cabelos estavam molhados e grudados ao pé da nuca, assim como a camisa nas costas.
A coreógrafa não deixou de notar o quanto o ator era bonito. Já o havia visto pela televisão inúmeras vezes, mas constatara que a tela era enganosa, afinal, não mostrava nem um terço do quanto ele era belo pessoalmente.
Shun estava com os cabelos castanhos claros presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça, uma camisa preta de manga curta, sobreposta por outra regata branca; a calça era de malha, também preta, justa ao corpo, delineando muito bem suas pernas, bumbum e quadril. Os pés estavam descalços, para facilitar o trabalho dos movimentos.
"Ele poderia ser um dançarino profissional, tem um perfil perfeito, além de ser magro e ter sido agraciado coma face tão bela..." a dançarina pensou consigo, enquanto o acompanhava com os olhos.
Com o olhar disperso, Shun foi até um dos apoios metálico que ladeavam a sala, aonde havia deixado a mochila pendurada. Retirou de dentro desta, o celular e, mais uma vez naquela noite, consultou o display, para em seguida voltar a guardar o aparelho.
Secando a nunca com uma toalha branca que retirara da bolsa, arqueou o pescoço para trás, entornando metade da água da sua garrafa plástica, em um gole só.
A dançarina soltou um breve suspiro. Sabia que o ator – com quem Shun iria gravar a tal cena – estava por vir. Porém, o atraso do colega de trabalho parecia deixá-lo cada vez mais perturbado e tenso; o que atrapalhava no ensaio. Mesmo assim, não o ouvira reclamar uma única vez sequer, sobre a displicência do ausente.
- Vamos continuar, Bara-san? – Shun de repente, quebrou o silêncio, fazendo-a sobressaltar.
- Ah, bem... Você quem sabe, Shun. Se quiser, esperamos pelo seu amigo mais um pouco.
- Acho melhor continuarmos. Pelo que percebi, é bem provável que ele não...
Mas de repente, Shun se deteve, ao ouvir passos abruptos subindo as escadas metálicas. Logo, a porta do lugar se escancarou em um baque, e o Hyoga, suado da subida enérgica, surgiu ofegante.
- Go- go- go... gomenasai, Shun!! – o loiro se desculpou rapidamente, para em seguida, acrescentar sua justificativa: – Meu carro deu problema no caminho e...
- Não precisa se desculpar, Alexei. – o mais novo o interrompeu, com um tom claro de chateação. Tinha ciência que pontualidade não era uma das dádivas do amigo nem em seus compromissos diários, não estava esperando maior atenção de um pedido de favor. – O importante é que você veio... – ele se deu por satisfeito, voltando-se para a bailarina. – Essa é a senhorita Katsushiro Bara; Bara-san, esse é o Alexei Hyoga...
A moça meneou a cabeça discretamente e sorriu.
- Já o conheço das telinhas. É um prazer senhor Alexei.
- O prazer é meu, Katsushiro-san. – Hyoga se curvou.
- Pode me chamar pelo primeiro nome, por favor.
- Certo, Bara (1). É um belo nome, faz jus a dona. Só espero só que não me fira com seus espinhos...
- Engraçadinho...
Os dois riram.
Bara também notou algo peculiar: o loiro parecia bem diferente do personagem o qual interpretava. O Hyoga da série era um jovem sério e introspectivo. Já Alexei, - pelo pouco que percebera – parecia ser um rapaz bem alegre, espontâneo e cheio de vida. A mulher acabou achando engraçada a contradição dos dois diante de si. Já que o personagem de Shun era também, o contrário dele: carismático, dócil e gentil. Diferente daquele com quem estava ensaiando há alguns dias: sério, dedicado, firme, pouco sorridente.
Após as apresentações descontraídas, a senhorita Katsushiro explicou para o russo como a coreografia ocorreria na cena, enquanto ela mesma se fazia de modelo. Bara também acrescentou qual era o motivo da necessidade da ajuda do loiro, eles iriam ensaiar no cenário onde a cena ocorreria. Já que havia uma grande diferença em se praticar em uma sala ampla como àquela e no espaço cenográfico delimitado.
- Além do que, já aproveitaremos, Alexei, e ensaiaremos nossas falas. – Shun expôs.
- Ok. Por mim tudo bem. – o loiro confirmou, batendo as mãos de forma animada. - Quando quiserem começar, estou a disposição.
Assim, o trio desceu para o estúdio que ficava montado no piso inferior daquele prédio. A cena se passaria na sala da casa dos Boys Saints. Hyoga só não conseguia entender o motivo da seriedade, mais do que o normal, do amigo. Será que dançar era algo tão difícil assim para ele?
- Bem, eu vou ligar o som. – Bara se prontificou, assim que adentraram o local, indo procurar uma tomada fora do cenário.
Hyoga percebeu Shun se movimentando de um lado para o outro, olhando o cenário. Estava começando a sentir-se incomodado com o nervosismo dele. O amigo era um ótimo ator, desta forma, era raro vê-lo inseguro.
- Pronto. Podem se posicionar. – a coreógrafa anunciou.
- Senta no sofá, Alexei. – Shun pediu e o loiro obedeceu.
- Ligo o som, assim que você me der o "Ok", Shun. – a dançarina avisou, direcionando o dedo indicador no play do aparelho.
- Tá. - o mais novo concordou, inspirando profundamente, tentando amenizar sua ansiedade, para em seguida, dar o comando de "Ok".
Hyoga acompanhou com os olhos atentos, Shun afastar a mesa - que estava no centro da sala cenográfica - com o pé descalço, e na sequência, fingir que desabotoava os botões de uma camisa imaginária. Logo, ele firmou o dedão do pé direito no chão, a frente do corpo e juntou as mãos no alto da cabeça. Era uma pose que o russo conhecia muito bem, afinal, fizera balé durante algum tempo.
Porém, quando o som dançante invadiu a sala, com acorde de uma melodia indiana, o loiro tornou sua atenção para o corpo a sua frente, e o bater alto de palmas.
Shun vociferou, junto com as vocalistas do grupo americano, o grito de "Jai ho"... A partir dali, Hyoga não acreditou no que vislumbrava. Entreabriu os lábios; surpreso. Shun pusera às mãos no quadril, e requebrando-o de um lado a outro, foi aproximando-se de si de uma forma extremamente sensual.
Apesar do ritmo da canção ser frenético, o mais novo movimentava-se de uma maneira sinuosamente suave, vencendo – lentamente – a distância entre seus corpos. Tentou forçar seus olhos a fixarem-se nos dele. Mas se arrependeu. Estava sendo enfeitiçado, e não pôde controlar o ritmo louco que o seu coração acelerou.
Da boca de Shun saíam sussurros, mas que para Hyoga, não faziam sentido algum. Só conseguia ver o movimentar daqueles lábios tão delicados. O mais novo apoiou as duas mãos nos ombros do amigo, e encostando a boca ao pé do ouvido deste, vociferou a letra da música.
Hyoga fechou os olhos, deliciando-se com a excitação que percorreu cada fibra do corpo. Não conseguiu segurar o afloramento rápido dos seus sentidos, e dominado por seus instintos, segurou o rosto de Shun com ambas as mãos e avançou sobre os lábios deles, tomando-os para si em um beijo cheio de desejos.
Fora a vez da coreógrafa arregalar os olhos e entreabrir os lábios; totalmente perplexa. Aquela cena não estava descrita no roteiro, o qual apanhou rapidamente e passou a folhear. Porém, acabou largando o manuscrito de lado ao perceber, - de onde estava -, que o ator loiro forçava a boca dele a manter-se grudada na de Shun. Enquanto o mestiço, - com o rosto encoberto por uma intensa vermelhidão -, parecia resistir ao beijo, apertando os ombros do colega e tentando impor alguma força para afastá-lo.
Não soube exatamente se deveria se manifestar. Resolveu só observando de longe, enquanto o ardor da vergonha tingia seu rosto. Era a primeira vez que assistia a cena de dois homens se beijando. E acabara constatando, - devido ao revirar do seu estômago - que era algo realmente estranho.
Shun conseguiu, - depois de muito se impor -, vencer a resistência de Hyoga e separar suas bocas.
O loiro sentiu um tapa arder em sua face esquerda. Sem ter intenção de reagir – já que sabia o quanto estava errado – apenas levantou os olhos e encarou o rosto transtornado diante de si.
- O que pensa que tá fazendo, Alexei?! – Shun esbravejou a pergunta.
A coreógrafa que assistia a cena do lado de fora da sala cenográfica, permaneceu estática. Não entendendo nem o motivo da ousadia de Hyoga, muito menos, da reação de Shun.
- Eu... eu...
- Você leu a droga do script? – o amigo inquiriu ao loiro, mantendo seu timbre de revolta. – É o Ken e o Hyoga nessa cena, Alexei! O Hyoga não toca, nem beija o Ken! Merda! Você estraga tudo! Você me irrita! Você é um idiota! Pervertido e nojento! – após xingar o amigo aos gritos, Shun deu as costas à ele e saiu correndo do estúdio.
- Espere, Shun!
O loiro fez menção de segui-lo, mas foi impedido pela dançarina:
- Alexei... – ela o chamou. – Deixe-o esfriar a cabeça um pouco. O Shun 'tá treinando desde cedo. É normal que ele se sinta um pouco irritadiço, é o cansaço.
- Eu sei. Só quero me desculpar por ter...
- Errado a cena. – a instrutora de dança completou a frase, abrindo um sorriso singelo para o russo. Bara não precisava de explicação para compreender que havia algo muito intenso entre aqueles dois.
- Fui um idiota. – ele confessou, retribuindo o sorriso. - Sei lá onde eu estava com a cabeça para fazer aquilo, nem lembrei da porra do roteiro.
Ela riu mais abertamente, ao constatar que atores também tinha a boca sujo.
- O Shun não quis me falar o porquê, mas ele estava nervoso bem antes de você chegar. Atribuí o estado ao fato dele ter que dançar como uma garota.
- Não deve ser isso, não, Bara. O Shun é muito profissional. Além do que, ele aceitou o papel consciente de que desenvolveríamos um relacionamento homossexual ao longo da série.
- Você acha que foi devido ao beijo que não estava roteiro? – a dançarina o inquiriu, arqueando uma das suas finas sobrancelhas.
Alexei sorriu sem graça. Mexeu nos cabelos e confirmou:
- É, pode ser. Por isso preciso ir me desculpar. O Shun não está deixando o personagem fluir, e eu sei que a culpa é minha.
- Se você acha que pode ajudá-lo, não vou interromper. Aguardarei aqui. Quietinha.
- Arigato.
...
Hyoga deixou o galpão com uma direção certa. Sabia onde encontraria Shun: na área de fumantes no lado de fora. Era um pequeno jardim, em uma parte elevada, com mesas e bancos de pedras. Assim que chegou, o viu sentado no pequeno muro que ladeava o lugar, o vento fresco da noite balançava seus cabelos presos e suados, e o cigarro crepitava preso entre os dedos.
Shun notou a presença do amigo, ao mirá-lo de rabo de olho. Porém, não se moveu. Repôs o cigarro na boca, sugando-o com certa urgência e soltando a fumaça pelo nariz.
Alexei aproximou-se a passos lentos, e notou que o rosto do colega ainda estava vermelho, a expressão contraída e as sobrancelhas juntas.
- Logo terá rugas, se continuar franzindo o rosto desse jeito.
- Não enche.
- Ou câncer. Se continuar fumando nessa velocidade.
Shun suspirou, apagou o cigarro e o jogou na lixeira metálica perto de onde estava.
- Satisfeito?
- Desculpe? – o loiro pediu, tentando olhá-lo nos olhos. Mas não conseguiu, pois Shun estava de cabeça baixa; mesmo assim, prosseguiu: - Eu sei que você está se esforçando além do normal pra fazer essa cena e... Eu venho te ajudar e acabo por estragar tudo. Só que... você não está parecendo o Shun que eu conheço. O ator determinado que se transforma de corpo e alma, deixando o personagem possuir seu corpo. Aquele lá na sala não era o Ken. O Ken não tem medo de nada, Shun. E teria menos ainda, de requebrar o quadril para o Hyoga. Eu fiz errado, confesso. Eu li a droga do script, sim! Mas... naquele momento, como não era o seu personagem ali, eu também esqueci de invocar o meu Hyoga. Perdoe?
O mestiço suspirou e suavizou seu semblante. Sentiu-se muito infantil; o que o Hyoga estava lhe dizendo era pura verdade. Como poderia exigir dele concentração, se ele mesmo – Shun – não o estava fazendo. Não suportou mais conter a vontade de chorar, e as lágrimas acabaram descendo por seu rosto; involuntariamente.
O que apavorou Hyoga.
- Shun, pelo amor de Deus! O que foi agora?!
O colega ator o viu esfregar o rosto e limpar o pranto com as costas das mãos, lamber os lábios, deixando toda a face dele ainda mais vermelha do que já estava.
- Desculpe? – desta vez o pedido veio do mais novo, que sorria em meio ao rosto afogueado do lamento. – Você tem razão. Eu quem estou paranóico e você que apanha.
- Ah, pode me bater o quanto quiser se isso te alivia. Eu fui ousado, eu sei. Mas... Nossas cenas vão ficar ainda mais intensas daqui para frente, Shun. Acho que você precisa se livrar dessa aversão que sente de mim, para podermos desenvolver bem nossos papéis.
- Não é aversão!
- Então o que é?
- Medo...
- Medo de quê?
- Eu tenho medo de perder o controle, de não saber mais quem eu sou! Não sei até onde essa angustia que sinto é devido o sentimento intenso que vive nossos personagens... Ou... Eu me sinto tão confuso, Alexei. Estou começando a misturar as coisas... E parte disso é culpa sua!
- Minha?
- Sim! – o outro afirmou, virando o rosto para fixar seus olhos verdes aos azuis claros do seu lado. - Você e esse bendito sentimento por mim!
- Shun, como eu vou controlar o que sinto?! Me explica? – o loiro também se esquentou, abrasando a discussão. – Eu faço o possível pra me conter. Além do que, esse sentimento é meu! Como ele pode atingir o seu desempenho?
O caçula desceu do pequeno muro e deu as costas para o loiro, apoiando as mãos onde antes estava sentado. Precisava se acalmar. A verdade é que não deveria se incomodar tanto pelo fato do amigo ser apaixonado por si. Mas como conseguiria ser insensível a tal ponto?
- Meus sentimentos realmente te incomodam, não é? – o russo quis saber. - Se eu pudesse voltar atrás eu apagaria aquela primeira declaração e todas as outras seguintes... – Hyoga sorriu, apoiando os cotovelos na mureta. – Não quero prejudicá-lo, Shun. Já pedi desculpas. Quer que eu faça algo a mais, quer que eu tampe meus olhos no ensaio?
O mestiço sorriu.
- Eu é que sou patético, Alexei. Você está certo. Não tem culpa do que sente. Além do que, é errado esconder seus sentimentos. Você fez bem em se declarar e em se assumir homossexual e tudo mais, faz mal ficar guardando essas coisas. Eu o admiro por isso. São poucos que tem a sua audácia. Eu é quem sou o idiota e anti-profissional, por sempre levar as coisas pro lado pessoal. Às vezes eu sinto como... se sua sinceridade fosse uma afronta a mim, entende? Eu já cheguei a pensar que você me irrita de propósito, só pra me desestabilizar e me ver errar, sucumbir, ou quem sabe até, confessar que na verdade eu...
O loiro arregalou os olhos e sentiu o coração disparar. O que Shun estava tentando te dizer, afinal?
- Confessar?
Mas Hyoga não teve resposta, o silêncio do ser que amava, manteve-se por longos e tortuosos segundos; parecendo até uma eternidade. Só podia estar imaginando coisas, não é? Shun jamais lhe diria que estava correspondendo seus sentimentos como estava imaginando. Apesar da festa do ano novo ele ter dito que ainda não se sentia pronto ainda.
- Você ainda não está pronto? – Hyoga perguntou, o que mais pareceu uma afirmação para o mais jovem. Aproveitando-se também, da guarda baixa dele, aproximou-se mais, jogando um dos seus braços sobre os ombros dele.
- Hm... Não. – ele lhe respondeu, sorrindo.
Alexei desejou mesmo que àquele momento se eternizasse. Por mais que, ter alguma retribuição de Shun parecia impossível; a cada dia que se passava, gravando aquela série, sentia aquela mínima esperança brotada dentro si e começando a criar raízes.
Uma imensa euforia lhe dominou. Contudo, Shun era imprevisível. Por isso, ainda não era o momento de forçá-lo. Iria deixar as coisas acontecerem de vagar, ao seu tempo. Mas era certo: a vontade que sentiu naquele instante foi de abraçá-lo e beijá-lo como nunca fizera com ninguém antes.
- Vamos voltar? – ele irrompeu seus pensamentos com uma voz mais calma e suave.
- Se sente preparado agora?
- Sim. Eu sinto que vou conseguir. Estava precisando exasperar um pouco da tensão. E... você acabou me ajudando da forma mais chata, mas ajudou. Porém, não se atreva a sair do personagem novamente, e também, tem carta branca pra brigar comigo quando achar que estou fora do meu.
- Hã? Eu chamando sua atenção, Shun? Isso seria hilário. Mas, pode deixar! – o loiro, ainda com o braço por cima dos ombros dele, o puxou, para voltarem para o estúdio. – Vamos nessa!
...
Diferente do clima tenso de antes, a coreógrafa assistiu, encantada, a forma profissional com que os dois atores interpretaram a cena da dança. Shun parecia outra pessoa, mais confiante, movendo-se mais sensual, sustentando um o olhar ousado, uma pose mais altiva. Ela sabia que ali, não era mais o ator, o jovem cheio de preocupações de meia hora atrás, e sim, o personagem.
Da mesma forma era Hyoga, que, na primeira vez ficara fora de si ao ver o amigo dançando, agora ele ignorara totalmente os movimentos. Parecia frio e indiferente. Ela nem imaginava que tipo de conversa os dois havia tido, mas agora tinha uma grande certeza: interpretar era mesmo uma arte.
Depois de repassarem a cena umas três vezes, a mulher se despediu da dupla, dizendo que só viria acompanhá-los no dia da gravação.
Os dois também deixaram a sala e rumaram para o estacionamento, conversando, mais animados.
- Está deixando seu carro aqui dentro agora? – o mais novo perguntou, curioso, ao ver Hyoga destravando o alarme do veículo ao lado do seu.
- Pois é... Peguei um baita resfriado da última vez, não foi? Graças àquela aguaceira. Além do que, fiquei incomodando os amigos.
Shun sorriu.
- Aquele dia você me assustou.
- É, eu sei. Desculpe?
- Tudo bem...
- Shun?
- Hã?
- Quer sair pra comer algo ou beber?
- Hyoga, eu estou suado, e também... fiquei de ir ver a Bella hoje ainda. Outra hora. Pode ser?
- Ah, sim... a Bella. – Hyoga comentou, desfazendo seu semblante animado. - Eu sempre a esqueço. – coçou a cabeça. - Como ela está?
- Bem.
- Diz que mandei um abraço?
- Digo. – Shun assentiu e em seguida, entrou no seu carro.
O loiro abriu a porta do seu veículo vagarosamente, ficou esperando Shun sair na frente. Ouviu o buzinar de despedida e o acenar dele pela janela do carro. Retribuiu o aceno e esperou ele ir.
Novamente, aquele vazio lhe tomou. Shun tinha aquele dom: ao mesmo tempo em que conseguia enchê-lo de esperanças, conseguia esvaziá-lo. Havia esquecido completamente que o amigo tinha uma linda namorada, a Bella.
Entrou dentro do carro pensativo e antes de ligá-lo, as lembranças de como seu amado ficara nervoso quando ele o beijou fez seu coração bater acelerado, reavivado. É, não poderia deixar aquela pequena faísca se apagar. Deu partida no veículo e sorrindo, concluiu:
- Eu vou continuar esperando até você se sentir pronto, Shun. Ou... Até essa minúscula fagulha de esperança que ainda crepita em mim, se apagar...
Continua...
Sei que vocês estavam esperando mais. Principalmente, por esse capítulo ter demorado TANTO a sair. Mas, enfim. Eu ainda acho que não é a hora desses dois se atracarem. Afinal, se eu juntar os dois agora... Pense: eles são adultos, bem entendidos, então, rolaria um lemon de cara. E eu não posso antecipar a cena de amor dos dois aqui... 8D
Pra quem não sabe, a Bella é uma fake que namorava (ou ainda namora, não sei, não to acompanhando mais) o Shun do jogo dos Bastidores. Eu sei que o Alexei também tem um namoradinho, mas como não lembro direito, achei melhor deixar quieto. 8D
Mas, recebi uma dica de uma leitora sobre ajudar o Hyoga a causar ciúmes no Shun e vou aproveitá-la. No mais, vou voltar às atualizações da fic Os Garotos – Segunda temporada.
Mais uma vez, peço desculpas pela demora. Mas eu estava na maior correria atrás de emprego. Ç__Ç
Meu beijo coletivo!
See you next! o/
Notas:
1. Bara [Japonês]: Rosa;
