Nota 1: Continuação dos bastidores de Os Garotos, um pedido especial feito pela Naluza! Feliz Aniversário atrasado minha funcionária e leitora mais amada e pentelha: Naluza! Pra compensar por não ter te dado nada o ano passado, vou tentar fazer essa série em três capítulos e pretendo postar o último, até o dia do seu níver. Espero que goste, foi feito com muito carinho.

Nota 2: A personagem principal da trama (Nayuri) é em parte da autoria da Naluza, assim como Yukihiro é da autoria do meu leitor e "marido" amado, RafaChoquito. Algumas das informações sobre ambos tiveram alterações minhas, não só para encaixá-los como personagens na trama, mas também, para privar suas identidades. :D

Nota 3: Vocabulário de japonês no fim da página.


Os Bastidores de Os Garotos

Capítulo 10

A nova Roteirista – parte I

O Diretor Soujiro entrou na sua sala, nos estúdios de gravação da série Os Garotos, com o apresentador do Show do Intervalo da série em seu encalço.

— Isso é um absurdo, Soujiro-san! — o rapaz reclamou, após fechar a porta em um baque.

— O que não é absurdo pra você, Yukihiro? — o homem mais velho perguntou, levando dois dedos na testa na testa e fazendo uma breve massagem para aliviar a dor de cabeça. Em seguida, acomodou-se na cadeira, atrás de uma escrivaninha de madeira, enquanto o rapaz continuava reclamando.

— Mas você viu a data da última atualização do episódio? Setembro do ano passado! Setembro? São quase seis meses!

— Quatro meses, Yukihiro — ele o corrigiu calmamente. — E o que eu posso fazer? Não tenho como trabalhar se eu não tiver os roteiros, não é? Você deveria reclamar com sua esposa, hã?

— Parece que você e a Loira até compartilham no desdém aos fãs! — o rapaz espalmou as mãos na mesa de madeira, mesmo assim, não conseguiu tirar a calma do diretor japonês.

— Você já percebeu o quão é dramático? Deveria ser ator ao invés de apresentador, Yukihiro-kun.

— Não desconverse! — ele continuou esbravejando. — Apesar de que eu sei que sou um bom ator! Ha, ha, ha!

O diretor revirou os olhos, ironizando em seguida:

— Quanta modéstia...

— Você está fugindo do assunto, jiji!

— Não, eu não estou — afirmou. — Eu ando estudando uma maneira de obtermos atualizações mais rápidas da série. O nosso grande problema é que a autora se tornou mais ocupada do que já era por ela ter começado a escrever fanfictions de outros animes, o que tornou sua atenção disputada. Mas, eu tenho a solução bem aqui... — Soujiro falou, abrindo uma das gavetas da mesa e retirando dela um papel, o qual empurrou na direção do rapaz ruivo, que finalmente, se sentou na cadeira diante dele, apanhando o formulário que tinha uma foto três por quatro no canto. Leu com os olhos as primeiras informações descritas ali.

— Nayuri Ishigawa? O que é isso?

— Não é óbvio: um currículo, idiota.

— Não me xingue, Jiji!

— Quem é Jiji aqui, Gaki?

— Quem é Gaki?

De repente a porta se abriu e a filha do diretor, Kalya Setta, apareceu.

— Tá dando pra ouvir os gritos de vocês do outro lado do quarteirão. Posso saber qual é o motivo de tanto alvoroço? — ela perguntou, mas não esperou por respostas, foi até o rapaz ruivo que havia se virado na cadeira para olhá-la e retirou o papel que ele tinha nas mãos. — Uau! Essa garota além de ter uma boa formação parece uma grande fã da série Saint Seiya e dos Garotos. Aqui diz que ela acompanhou tudo que foi publicado deles até hoje.

— Kalyaaaa! Sua má educada! — Yukihiro gritou, arrancando o formulário da mão dela. — Só podia ser filha desse oyaji mesmo! Como é que tira as coisas das minhas mãos assim, sem pedir permissão?

— Nossa, quanto estresse, vermelhinho...

— Não me chame assim!

— Eu estava tentando mostrar para esse cabeça-dura, minha filha... — o homem interrompeu a discussão. — Uma forma de fazer com que as atualizações da fic Os Garotos voltem a ser como antes. Faz algum tempo que recebi esse currículo. Essa garota é brasileira, assim como a autora da série Os Garotos. Acho que ela daria um apoio interessante para nossa equipe.

— Seja mais claro, pai.

— A minha ideia, meus caros. É contratar essa jovem para integrar a nossa equipe, o que vocês acham?

Os três trocaram olhares de cumplicidade e em seguida sorriram abertamente.

...

Rio de Janeiro, Brasil, Apartamento na zona leste...

— Filha, não se esqueça de ir até o trabalho do seu pai e pegar a CPU, ele disse que iria ficar pronto hoje.

— Certo!

— O jornal também chegou, dê uma olhada nos classificados.

— Okay.

— Não coma só lanches no almoço, tem verduras na geladeira.

— Tchau, dona Ishigawa!

— Volto à noite.

A Jovem ouviu o bater da porta do apartamento e então suspirou, levantando-se da mesa do café e indo para o quarto vestir-se para poder ganhar o dia. Apesar da descendência japonesa vinda do pai, Nayuri tinha herdado a pele morena da mãe, conservada pelo bronzeado das belas praias do Rio de Janeiro. E mesmo aparentando ser uma típica brasileira, a jovem sentia-se mais nipônica por ser Otaku - uma espécie de aficionado pela cultura japonesa, principalmente por animes e mangás.

Um dos seus hobbies era passar horas no computador interagindo com os amigos da internet em tempo real e trocando com eles informações sobre os seriados que mais curte, mas principalmente, aquele pelo qual sempre foi apaixonada: Saint Seiya.

Nayuri colocou os óculos escuros, um jeans, sandália baixa, uma camisa regata verde bem justa, tudo que valorizasse mais o corpo esbelto; então apanhou sua bolsa, fechou a porta e deixou o apartamento. Enquanto descia as escadas, continuava pensando que foi graças a essa sua paixão por animes que ela conheceu grandes amigos e um grupo interessante em comunidade dedicada a uma nova roupagem da série Saint Seiya, produzida por uma fã brasileira, chamada Os Garotos.

Desde que entrou para a comunidade da série no Orkut, a qual descobriu por intermédio de uma amiga online conhecida como "Ruiva", tornou-se uma seguidora assídua do novo seriado, que teve só na primeira temporada mais de cinquenta capítulos. Porém, algo havia acontecido com a autora nos meados da segunda temporada, e a partir do capítulo doze, mais ou menos, as atualizações do seriado se tornaram muito lentas.

Claro que não poderia ficar parada, logo, usou da sua arma principal — a internet — para descobrir o que estava acontecendo, mandou e-mails para redação da série, conversou com os produtores e conseguiu até falar por e-mail com a autora. Foi então que descobriu que a Andréia Kennen estava trabalhando em novos seriados de fanfictions, desta vez do fandom mais atual e popular: Naruto. A popularidade dos seus trabalhos no fandom acabou gerando mais investimentos nesse novo seriado, o que acabou afastando-a da série Os Garotos, deixando-os para segundo plano.

Claro que não aceitou essa situação tão facilmente. Conhecera a autora em uma visita que ela fizera aos parentes no Rio de Janeiro. Depois disso, ainda se encontra com ela e o grupo de fãs da história em eventos como o Anime Friends em São Paulo. Ela lhe garantira que iria retomar as atualizações de forma mais assídua, contudo... ficou sabendo que ela havia passado por vários problemas pessoais, e até aquele momento, tudo continuava muito lento.

A jovem saiu do prédio onde morava e foi para o ponto de ônibus, apanhou a condução com destino a estação de metrô. Sentou-se em um assento no fundo, o horário de pico já havia passado por isso tinha muitos lugares disponíveis e alguns gatos pingados dentro do transporte. Ligou o som Mp3 do seu celular e colocou os fones nos ouvidos, enquanto o ônibus sacudia, adentrando as vias movimentadas da cidade, sua cabeça ainda na série.

Havia feito Letras, mas ao terminar descobriu outra paixão: Cinema e TV, o qual começou a fazer faculdade em seguida ao término da primeira. Fazia um ano que havia terminado e estava a procura de um emprego. Até havia mandado para os produtores do seriado no Japão o seu currículo, querendo arrumar uma forma de também ser apoio da autora, nem que fosse ali mesmo no Brasil. Mesmo que, seu sonho verdadeiro fosse trabalhar nos bastidores, conhecer e conviver com os atores que interpretavam os personagens da série. Sim, seria um sonho e tanto.

Muitas vezes se pegava imaginando se o Shiryu ao vivo seria tão bonito quanto o da série. Se o Seiya era tão engraçado. Se o Shun era tão meigo. Se o Ikki era tão bravo. Se o Hyoga era tão sério. Se o Ken era tão sensual e boca suja... Apesar de que, o Ken e o Shun eram feitos pelo mesmo ator. Até conseguira vê-los de longe quando vieram para a divulgação do segundo ano da série no hotel que ficaram hospedados no Rio. Mas só conseguiu assistir a coletiva que deram, pela televisão.

Sorriu e de repente, se sobressaltou, ao olhar pela janela e ver que estava passando da estação do metrô. Ergueu-se de súbito e apertando a campanhinha que pareceu mais alta dentro do ônibus vazio, gritou:

— Eu vou descer aqui, motô*!

— Tava dormindo, moça? — o motorista parou o veículo, perguntando com sorriso aberto no rosto, demonstrando a simpatia autêntica do povo carioca, enquanto a olhava pelo grande retrovisor próximo a ele.

Ela sorriu um pouco sem graça e confessou: — Dormindo, não. Mas sonhando acordada.

— Ha, ha, ha, ha! Tenha um bom dia, minha jovem! — o homem moreno desejou, gargalhando alto e abrindo a porta para condutora descer. Em seguida, voltou a sua cantoria: — "Viver! E não ter a vergonha de ser feliz... Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz. Ai, meu Deus! Eu sei... que a vida deveria ser bem melhor e será, mas isso não impeça que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita! Lá, lá!"

Nayuri balançou a cabeça negativamente, então deu de ombros, voltando a erguer o som da Rihana que tocava alto em seu Mp3.

— Tsc, Tsc... Coisas de carioca... — ela garantiu, seguindo para a entrada da estação.

Cinco minutos depois ela estava em seu destino. Mas antes de ir até o serviço do pai, pausa do Cyber. Primeiro Orkut, depois twitter, MSN, Youtube, por último o site onde estava seus seriados no "Nyah Fanfiction" e no "FanficitionNet". Quando sua hora estava acabando e ela já se despedia dos amigos, abriu rapidamente seu e-mail, e viu uma mensagem estranha na caixa de entrada. Primeiro achou que fosse algum tipo de Spam, mas ao abrir, percebeu que era um e-mail de uma produtora do Japão. Abriu e leu rapidamente e enquanto assimilava o conteúdo do e-mail, seus olhos castanhos foram dobrando de tamanho, e sua boca se entreabrindo. Ao concluir, não conseguiu segurar o grito que escapou da sua garganta.

— EU CONSEGUI! Eu não acredito! Sou a nova roteirista da série Os Garotos! Ahhhhhhhh!

O dono do Cyber, assim como os frequentadores, se ergueram curiosos. Tentandor saber se a moça havia ganhado na loteria.

— Eu vou para o Japão. Vocês têm ideia do que é isso? Eu acabei de conseguir o emprego dos meus sonhos!

— Parabéns! — alguém gritou e novos murmúrios se espalharam pelo lugar. Então ela voltou-se para o rapaz que trabalhava no local.

— Pode aumentar para mais duas horas, eu tenho que contar essa novidade pra meio mundo.

...

Enquanto caminhava na rua que levava à sua casa, Nayuri falava ao telefone:

— Você teve alguma coisa haver com isso, Loira?

— "Ah... Em partes, né? Na verdade, eu só mandei seu currículo pra lá com uma recomendação minha. Creio que você vai poder me ajudar mais integrando a equipe, assim como o Yuki."

— Eu ainda não consigo falar o quanto estou feliz... Sabe, tô anestesiada ainda.

— "Eu imagino. Considere o presente de aniversário atrasado..."

— Ha, ha, ha! Bota atraso nisso, hein?

—"Ai, Ai... Você sempre me cobrando. Mas me diz, o que o Soujiro-san falou no e-mail? Quando você vai?"

— Ele disse que imediatamente. Mandou os dados de uma empresa de viagem pela qual ele já ajeitou tudo, acho que daqui uns quinze dias. Mas antes, eu preciso tirar o passaporte, comprar roupas pra viagem, fazer um monte de coisa. Avisar meus pais! Ah, eu estou voltando pra casa e até esqueci de pegar o computador... — ela lembrou-se, estapeando a própria testa.

— "Hã? Ainda não arrumou esse computador?"

— Pois é... — ela concordou, desanimada. — Hein, Loira... Como eles são? Digo, os meninos, os nossos garotos, eles são legais, como eles são pessoalmente?

— "Como vou saber? Eu nunca estive lá. E aquela vez que eles vieram no Rio pra participar da coletiva, eu não pude comparecer por que estava trabalhando, lembra?"

— Quer dizer que você ainda não os conhece pessoalmente? – a jovem desacreditou.

— "Não. Eu escrevo a história, elaboro o roteiro e mando pro Soujiro-san. De lá, ele faz o resto... Talvez eu vá conhecer eles logo... ha, ha, ha! Boa sorte, Nayu. Nós vamos continuar nos falando muito por e-mail, celular, ou teleconferência... É assim que eu me reúno com eles".

— Obrigada pela força, Loira.

— "Não a de quê, Nayu. E dê seu melhor. Mostre do que nós brasileiras somos feitas. Cuida do Yukihiro pra mim, tá?"

— Ah, nem vou prometer isso.

— "Eu já imaginava. Faça uma boa viagem e me ligue quando estiver lá."

— Okay!

Nayuri desligou, detendo-se diante do prédio o qual vivera desde a infância. E de repente, sentiu-se nostálgica como se fosse a primeira vez que o vislumbrava depois de muito tempo.

"É... Daqui quinze dias, talvez eu esteja diante de condomínios japoneses, ruas japonesas, paisagens japonesas..." Ela pensou, soltando um suspiro profundo. "Acho que não terei problemas com os meus pais, já que eles sempre me deram muito apoio em tudo que quis fazer. Mal vejo à hora de partir... Garotos, me aguardem! Ha, ha!"

Continua...


Notas:

*motô – gíria para motorista.


Vocabulário de expressões japonesas:

Jiji- vovô, velhinho, senhorzinho. É uma forma mais íntima e até um tanto pejorativo de crianças chamarem os idosos.

Gaki – moleque. Uma forma pejorativa dos adultos chamarem as crianças. Haha!

Oyaji – velho. É uma forma também pejorativa que os filhos usam para chamar o pai.


O que será que essa nova roteirista vai aprontar nos bastidores?

Façam suas apostas!

See you next! o/