Se eu tiver uma dose de comentário nessa fic eu me comprometo a postar duas vezes por semana sem exceção.
Comentem! vocês são a razão pela qual eu posto.
CAPÍTULO UM
Os lábios dele hesitaram sobre os dela.
Eles se tocariam? Nunca tinha acontecido independente do quanto ela queria. Ele começou a abaixar a cabeça e o coração dela disparou. Sim. Ah, sim. Mas, quando ela se adiantou, ele se afastou as feições mudando ao ouvir o som do telefone. Ela acordou.
Bella Swan pegou o telefone sem fio, ainda sonhan do, num lugar onde Edward Cullen não estava noivo da supermodelo Tânia Denali.
Com a voz rouca de sono e das emoções do sonho, atendeu.
— Alô?
— Bella, houve um acidente.
O tom de Emmet Cullen a fez arregalar os olhos.
— Um acidente? — perguntou ela, acendendo o abajur.
— Porca miséria. Como dizer isto? — hesitou ele, enquanto ela esperava receosa. — E Edward. Está em coma.
— Onde ele está?
Ela pulou da cama, apertando o fone no ouvido, os olhos marrons cheios de medo. Nem perguntou o que aconteceu, des cobriria depois. Precisava saber onde Edward estava e como che garia lá. Começou a tirar o pijama.
— Está num hospital em Nova York.
Nova York? Não sabia que Edward estava na América, porque tinha evitado notícias dele desde que o seu noivado com Tânia tinha sido anunciado, dois meses atrás.
— Qual? — anotou. — Estarei lá assim que puder! Desligou antes de Emmet poder dizer qualquer coisa. Ele entenderia. Tinha ligado para ela no meio da noite, enquanto os pais de Edward teriam esperado amanhecer, com extrema corte sia. Porque o irmão de Edward sabia que Bella amava Edward Cullen desde os quinze anos.
Oito anos de amor não-correspondido e secreto, que não diminuíra nem com o recente noivado.
Correndo pelo pequeno apartamento, ela juntou o que preci sava para a viagem. Pensou em verificar os vôos, mas desistiu. De carro, levaria duas horas e meia; demoraria mais chegar ao aeroporto, marcar uma passagem e tomar o avião. Não era como os Cullen. Não podia se dar ao luxo da atenção da primeira classe ou esperar que houvesse um lugar na classe econômica no próximo vôo.
Mal se vestiu, ignorando o sutiã e enfiando um jeans usado, um casaco leve e tênis, sem meias.
Duas horas depois, estava no hospital, pedindo para ver Edward.
— É da família? — a atendente perguntou.
— Sou — mentiu. Os Cullen sempre diziam que ela era da família. A única família que tinha. Agora, o fato de não ser de sangue não importava.
— Chamarei alguém para acompanhá-la.
Cinco minutos depois, que pareceram cinco horas, um jo vem usando uniforme verde, a levou à UTI.
— Estou contente que esteja aqui. Ligamos para a família dele na Itália, três horas atrás — pouco antes de Emmet ligar, pensou. — Eles não chegarão antes de cinco ou seis horas. Em casos assim, ter os entes queridos por perto nas primeiras horas pode fazer toda a diferença.
Bem, ela não era um ente querido, mas o amava e achava que podia valer alguma coisa.
— O que quer dizer com em casos assim?
— Sabe que o Sr. Cullen está em coma?
— Sei.
— Comas são misteriosos, mesmo com todo o conhecimen to médico. Há uma questão quanto à presença de pessoas im portantes na vida do paciente para tirá-lo do coma. O enfermei ro falou, com uma amargura que ela não entendeu.
Entrou na Unidade de Tratamento Intensivo sem reparar a parafernália médica em volta dele. Só viu o homem na cama.
Quase um metro e noventa de vitalidade, parecendo um boneco de cera. Os cílios abaixados cobriam os olhos Verdes que ela tanto amava. O rosto ferido e também um ombro.
Parecia estar sem roupas, exceto pelo lençol e cobertor por cima. A respiração era tão pequena, que o coração dela, literal mente, parou, pensando que ele não estava respirando.
Andou até ele e ficou a seu lado, o corpo contra a grade de metal da cama. Tocou-o de leve. Precisava desesperadamente sentir a força da vida pulsando sob sua pele. Não vendo curati vos, pousou levemente a mão do lado esquerdo do peito dele. Seus joelhos quase enfraqueceram de emoção.
As batidas estáveis do coração dele sob o toque suave eram a prova de que Edward ainda estava vivo, mesmo tão pálido.
— Eu amo você, Edward. Não morra, por favor. Não pare de lutar.
Não percebeu que estava chorando até o residente oferecer um lenço de papel.
— O que aconteceu? — perguntou ela.
— Não contaram?
— Eu desliguei antes do irmão dele poder contar. Chegar aqui parecia mais importante do que ouvir os detalhes.
— Ele levou um tiro, ao salvar uma mulher de um assalto.
— Levou um tiro? — Ela só viu curativos na cabeça dele.
— Foi de raspão — o jovem mostrou as tiras brancas. — Perto do crânio, mas ele caiu na rua e foi atingido por um carro.
— Os ferimentos?
— Feitos pelo carro.
— Há danos permanentes?
— Os médicos não acreditam, mas não saberão até ele acor dar.
— Conte-me mais.
— A natureza de alguns dos ferimentos pode resultar em paralisia temporária ou permanente, mas não há como saber até que ele saia do coma.
— Onde está o médico?
Queria mais informações, além da opinião do residente, não importando quanto ele podia saber.
— Ele está fazendo a ronda. Logo virá ver o Sr. Cullen e você poderá falar com ele.
Voltou a olhar Edward, esquecendo que o residente estava lá. Só Edward importava. Ele tinha enchido o seu mundo por tanto tempo que a perspectiva de uma vida sem ele tornava insignifi cante o noivado dele.
— Você tem que acordar Edward. Tem que viver. Eu não pos so viver sem você. Nenhum de nós pode. A sua mãe, seu pai, seu irmão... Todos precisam de você. Por favor, não nos deixe. Não me deixe.
Até se esforçou para mencionar Tânia.
— Você se casará e logo será pai, Edward. Sei que deseja isso. Sempre quis ter uma casa cheia de crianças.
Em seus sonhos ingênuos, esperava que aqueles bebês fos sem dela, mas não se importava que Tânia fosse a mãe. Bella só queria que Edward vivesse. Continuou pedindo para ele acordar, não desistir e disse, muitas vezes, o quanto o amava.
Segurava a mão de Edward, pedindo para ele sair do coma, quando o médico chegou. Ele examinou a papeleta de Edward e os monitores elétricos na cama.
— Todos os sinais vitais parecem bons.
— Não pode fazer nada para ele acordar? — perguntou ela, a voz rouca pelas lágrimas.
— Sinto muito. Já tentamos estimulantes, sem efeito.
— Então, acho que ele terá que acordar sozinho. Sei que vai. Edward é mais teimoso do que uma mula.
— Tenho certeza. Ter a família perto também ajuda. O tom era de censura, mas não para ela.
— Os pais e o irmão dele estarão aqui logo que possível. É uma longa viagem de Milão, mesmo no jato mais rápido do mundo.
— Você está certa. Pena que a noiva dele não pôde ficar.
— Tânia está aqui em Nova York?
— Encontramos a Srta. Denali no hotel. Veio aqui e ficou histérica ao vê-lo, furiosa por ele ter arriscado a vida por uma mulher tão estúpida por andar sozinha à noite.
Agora, a censura dele era clara.
— Mas, por que não está aqui?
— Ela ficou cerca de uma hora, mas quando dissemos que ele estava em coma, resolveu ir embora. Deixou um telefone, para ligarmos quando ele acordar — disse num tom de des gosto.
— Ela deve estar muito chateada — Bella olhou novamen te para o semblante imóvel de Edward e não entendeu. Não se imaginava longe dele, mas cada um tinha um jeito de lidar com o medo.
— Ela dormirá bem esta noite. Insistiu para lhe prescrever mos um sedativo.
Ausente, Bella concordou, vendo apenas Edward. Roçou a mão dele com o polegar.
— Ele está tão quente. É difícil dizer que não está dormindo normalmente.
O médico comentou sobre diferenças psicológicas entre coma e sono normal, que ela mal escutou.
— Está bem se eu ficar? — perguntou, sabendo que precisa ria de vários residentes para tirá-la dali.
— E se eu dissesse não?
— Eu roubaria um uniforme e uma máscara, e me esconde ria debaixo da cama.
— Como eu pensei. É irmã dele?
Ela ficou ruborizada. Devia mentir novamente?
— Não. Sou amiga da família.
A curiosidade passou pelos olhos dele, antes de concordar.
— Está claro que você se preocupa. A sua presença não atrapalha e pode até ajudar muito.
— Obrigada.
— É o melhor para o paciente.
O médico saiu da enfermaria, pensando que era uma pena seu paciente não estar noivo da pequena mulher que se impor tava tanto com ele, tão diferente da estonteante amazona com o coração de pedra.
Bella mal notou a saída do médico, perdida nas lembran ças de Edward. Pegou a mão dele. Estava pesada e ela beijou a palma, antes de pousá-la novamente, pondo a sua por cima.
— Lembra do ano em que mamãe morreu? Eu tinha cinco anos e você, treze. Deve ter detestado eu ter grudado em você. Emmet me chamava sempre de peste, mas você não. Segurava a minha mão e conversava sobre a mamãe. Você me levou à linda catedral Duomo e disse que lá eu podia ficar perto dela. Doía muito e eu estava assustada, mas você me consolou.
Tentou esquecer como tinha sido diferente, um ano atrás, quando o pai dela morrera. Edward estava namorando Tânia, que tinha feito de tudo para que Edward não tivesse tempo para ela.
— Edward, agora não quero consolo. Está me ouvindo? Quero que melhore. Pensei que não podia haver nada pior quando você anunciou o seu noivado, mas estava errada. Se você mor rer, não quero continuar vivendo. Está me ouvindo, Edward? — ela encostou a cabeça no antebraço dele. — Por favor, não morra — pediu as lágrimas molhando a pele dela e dele.
Estava cochilando quando uma voz familiar a chamou.
— Bella? Acorde, piccola mia.
Ela ergueu a cabeça do ombro de Edward. Em algum momento das últimas cinco horas, ela tinha abaixado a grade da cama e deitado a cabeça perto dele. Precisava de contato físico, como que para garantir que Rico ainda estava vivo.
Lentamente, seus olhos se acostumaram à luz suave da UTI.
— Emm, onde estão seus pais?
— Dois dias atrás eles partiram num cruzeiro no iate de um amigo, para comemorar o aniversário deles. Papai insistiu em privacidade e segredo. Não voltarão senão em um mês e não sei como falar com eles. Só Edward sabia.
— Se ele morrer... — a emoção apagou a voz de Emmet. Olhando para a versão mais jovem e mais musculosa de Edward, ela exclamou:
— Ele não vai morrer. Eu não vou deixar.
Emmet apertou os ombros dela, sem dizer nada. Ambos sa biam que ela não podia fazer nada, mas podia tentar.
— O médico disse que não houve mudança nas condições dele desde que chegou.
— É... — ela estava lá todas as vezes que uma enfermeira vie ra para medir a pressão e ler os monitores, anotando na papeleta.
— Quando você chegou?
— Duas horas depois que você ligou.
— A viagem demora mais do que isto. Ela deu de ombros e ele suspirou.
— Ainda bem que não foi multada... Edward não gostaria de saber.
— Quando ele sair do coma pode fazer o discurso que quiser sobre como dirijo.
— Eu sei... — olhou pelo quarto, como se procurasse algo. — Onde está Tânia? Pensei que ela estava com ele nesta via gem. Ela estava desfilando, enquanto Edward participava de uma conferência de banqueiros.
Ela contou o que o médico dissera e Emmet praguejou em italiano, depois em árabe, quando viu o rosto dela vermelho.
— Desculpe. Ela é tão egoísta e meu irmão tão cego por não ver.
A imagem de um Edward cego de paixão era dolorosa e engra çada.
— Emmet, não é possível imaginar o julgamento de Edward anulado por um rosto bonito. Deve haver coisas em Tânia que ele admira. Afinal, vai casar com ela. Deve amá-la.
— É mais provável que ele esteja sexualmente atraído por ela, que sabe como usar seu corpo para obter vantagens.
Se o rosto dela estava vermelho, agora estava em chamas.
— Eu...
— Você é tão inocente, menina.
Ela não podia lutar contra o seu jeito virginal, aos vinte e três anos. Nunca quisera qualquer homem, exceto Edward e ele nunca a tinha notado, a não ser como uma irmã mais nova.
— Como foi o seu vôo? Emmet balançou a cabeça.
— Não sei. Passei o tempo todo rezando, preocupado. Ela apertou a mão dele, sem se afastar de Edward.
— Ele ficará bem, Emmet. Precisa.
— Você comeu alguma coisa desde que chegou?
— Não estou com fome.
— Já passou da hora do café da manhã.
Foi assim que se passaram os quatro dias seguintes. A pedi do de Emmet, Edward foi transferido para um quarto particular. Bella aproveitou para tomar banho. Mas se recusava a sair do quarto. Passava cada momento, acordada ou cochilando, ao lado dele. Emmet a forçava a comer e beber, trazendo comida e bebida para o quarto.
Tânia vinha visitá-lo diariamente, ficando por cinco minu tos. Ela olhava para Bella com um misto de escárnio e pena.
— Você realmente acha que essa vigília vai fazer qualquer diferença? Ele acordará quanto tiver que acordar e, então, irá me querer ao seu lado.
Bella nem respondeu. Tânia devia estar certa, mas não importava.
Eram três horas da manhã do quinto dia. Os corredores do hospital estavam silenciosos, a enfermeira tinha verificado os sinais vitais de Edward à meia-noite e ninguém mais apareceu. Emmet estava dormindo numa cadeira reclinável no canto. Bella não conseguiu cochilar, e estava falando e tocando em Edward. Acariciou o braço dele, olhando com amor para o rosto imóvel.
— Eu te amo, Edward. Mais do que a minha vida. Por favor, acorde. Não me importo se é para casar com Tânia e dar a ela todos os bebês que eu queria ter. Não me importo se me afastar de sua vida, depois de saber a boba que fui nos últimos cinco dias. Só acorde.
Pronunciou as palavras com tanto desespero, esperando tan to algum sinal de que ele tinha ouvido, que quando ele mexeu, pensou ter imaginado. Os músculos dos braços dele tiveram um espasmo e a sua cabeça balançou de um lado para outro.
Ela apertou a campainha, gritando para Emmet.
— Ele está saindo! Emmet, acorde!
Emmet levantou completamente acordado. A enfermeira veio correndo, seguida por um médico e, depois, outra enfer meira. Emmet e Bella foram afastados do quarto. Veio a espe ra. Finalmente, o médico apareceu. Era o mesmo da noite em que Edward chegara. Sorriu para Emmet e Bella.
— Ele está acordado, mas um pouco desorientado. Podem vê-lo por cinco minutos, um de cada vez.
Emmet foi primeiro. Voltou com a expressão preocupada.
— Espere querida. Há algo que preciso dizer.
— O que é?
— O que está errado? Ele não voltou do coma? — pergun tou, com horror.
— Não é isso. Ele não pode mover as pernas.
