Os capitulo serão postados segundas e se tiver comentários eu talvez poste na quarta.

Beijos e espero que gostem, mas aviso que o capitulo sete vai pegar fogo!

CAPITULO seis

Bella se vestiu com mais cuidado para visitar Edward. Depois de hesitar, escolheu uma saia de brim longa e uma camiseta preta de seda rústica, de mangas compridas. Escovou os cabe los e os prendeu com uma presilha, na nuca.

Não sabia se a roupa a protegeria das lembranças e detestava a idéia de enfrentá-lo, mas se recusava a ser covarde. Quanto menos falasse sobre o embaraçoso episódio, melhor seria.

Desta vez, bateu mais forte na porta do quarto e esperou que ele a mandasse entrar. Edward estava sentado à escrivaninha, usan do a roupa da terapia, short e camiseta.

Ele estava concentrado no computador e ela teve tempo de se recompor por vê-lo tão sensual. Não adiantou muito.

— Bom dia, Edward. Vejo que já está trabalhando.

Buona mattina, bella mia. Dormiu bem? Na hora, ela sentiu a sua compostura sumir.

— Dormi.

— Você estava exausta quando a deixei.

— Você garantiu isso.

O sorriso dele era conquistador.

— Não pode haver dúvidas que vou satisfazer suas necessi dades no casamento, tesoro.

Edward precisava provar a sua masculinidade para si mesmo e tinha feito aquilo. Uma parte doeu, por ela ter sido pouco mais que outra forma de terapia para um homem frustrado por suas limitações. Outra parte, a que o amava, se alegrou em poder devolver a ele um pouco de seu orgulho, vendo a reação dela ao seu toque.

— Mas você não será feliz, Edward. Não quer casar comigo.

— Você disse isto ontem, mas eu provei diferente, não?

O que dizer? Ela não podia ferir o seu ego. Por outro lado, como ele podia pensar seriamente em casar com ela se ontem de manhã ainda estava noivo de Tânia?

— Tânia voltará, Edward. Estava com raiva, mas perceberá o erro e você não vai querer estar ligado à outra mulher quando ela voltar.

— Eu já disse que está tudo acabado com Tânia.

— Mas...

— Não argumente. Você quer casar comigo.

— Quem disse?

— Eu digo.

— Há pouco tempo, você estava me usando para fazer ciú mes em sua noiva. Esqueceu?

— Não fiz isso!

— Fez.

— Quando?

— Quando me tocou naquele dia, sabendo que ela veria. Nem tenho certeza se o beijo de ontem de manhã não foi por causa dela — disse, deixando escapar os seus maiores temores.

— Eu só a toquei porque queria, meu tesouro. Como pode pensar outra coisa? Acha que sou um patife que a usaria?

Colocado assim, ela ficou quieta. Ele parecia realmente ofendido.

— Não nego que gostei do ciúme inicial dela com a sua atenção, mas nunca faria tal coisa. Eu, Edward Cullen, não preciso disso.

Ótimo. Agora ela tinha ofendido não apenas o seu senso de integridade, mas também seu orgulho.

Não ajudou notar que o gesto atraiu a sua atenção para os músculos dele.

— Você levantou pesos?

— O quê?

Seu rosto corou quando percebeu o que tinha dito, olhando para o rosto divertido dele.

— Não importa.

— É verdade. Temos outras coisas para discutir. Você ficará desapontada em não ter um grande casamento?

— Não tem importância.

Ela não se importaria em casar no cartório se achasse que Edward queria realmente casar com ela.

— Bom. Quero casar antes de voltar para a Itália.

— Eu não disse que aceito. Veja, se é pelo que disse ontem, não se preocupe. Sei que não falava sério. Estava enraivecido.

— Eu, Edward Cullen, não fico enraivecido. Essa é uma emoção para mulheres idosas e garotinhas.

E quanto a mulheres jovens? Ela estava perto daquilo.

— A questão é, não vou fazê-lo cumprir o que disse ontem.

— Querida, eu quero que você cumpra.

— O que quer que eu cumpra?

— Você deixou que a amasse. Isso implica em compromis so. Quero que cumpra tal compromisso.

Para o seu próprio bem, ele era esperto. Ela nem tentou dizer que eles não tinham feito amor, porque até achava que tinham.

— Mulheres fazem amor com homens o tempo todo sem casar.

— Não você.

— Talvez eu faça.

— Você já admitiu não ter sido tocada. Agora, não pode prevaricar.

— Só por não ter feito sexo não significa que nenhum ho mem me tocou.

Como tinha esquecido como ele ficava quando provocado? Em um segundo, a cadeira dele atravessou o quarto e parou diante dela, as mãos agarrando os seus ombros. O aperto não era doloroso, mas firme.

— Diga-me a verdade — falou, asperamente.

— Por que está com tanta raiva?

— Você pergunta isto depois de ontem?

Engraçado que, por algum motivo, ela tinha visto o dia ante rior como algo acontecendo apenas com ela. Claro que Edward tinha feito acontecer, mas ela não pensava que o afetasse. Apa rentemente, dar a uma mulher o seu primeiro orgasmo, ou vá rios, tornavam um sujeito possessivo.

— Nunca deixei um homem me tocar como você.

— Acredito. Não me provoque novamente.

— Você é muito mandão.

— Porque sou mais velho.

— Seria assim se fosse o mais novo de seis filhos. Ele mudou de assunto.

— Os médicos disseram que posso voltar para casa em uma semana.

— E a terapia?

— Encontrei um ótimo terapeuta para me tratar, em nossa casa, em Milão.

— Edward, você ainda ama Tânia?

Podia lidar com tudo, menos se casar com um homem apai xonado por outra mulher.

— Os meus sentimentos por Tânia não são da sua conta.

— Como pode dizer isso? Quer que me case com você pen sando que ama outra mulher. Isso é cruel, Edward.

— Porque você me ama, não? Amá-lo? Claro.

— Não ponha palavras na minha boca. Estamos falando dos seus sentimentos.

— Não estamos. O que eu sentia por Tânia está no passado, como ela.

— Por que quer se casar comigo?

Talvez se ele enfrentasse os motivos percebesse como era irreal.

— Eu disse ontem. Estou na idade de casar. Mamãe quer uma nora e eu quero filhos. Você e eu nos entendemos, queri da. Sempre nos entendemos. Será uma ótima esposa e mãe.

— Quer se casar comigo por achar que serei boa mãe?

— Também acredito que será boa esposa. Eu me conheço. Você conhece as minhas limitações, não vai esperar mais do que posso dar.

Ela poderia? Talvez não, mas não significava que não que ria. Mas, algo ficou em sua mente. Você conhece as minhas limitações. Ele ainda estava preso na paralisia temporária. Per cebeu que nunca tinha sido uma escolha real. Agora, ele estava vulnerável e, para um homem como Edward, era terrível. Ela não podia aumentar aquilo, rejeitando-o.

Mas não podia se enganar, acreditando que a sua decisão era apenas altruísta. Se casasse com Edward, teria novamente uma família. Era sozinha desde a morte da mãe.

Os Cullen tinham sido gentis, mas não eram sua família. Ela não fazia parte do clã, mas se cassasse com Edward, aquilo mudaria. Teria um lar, um lugar no mundo para chamar de seu. E quando os bebês viessem, teria muito mais. Poderia compar tilhar com eles o tipo de ligação que tinha com sua mãe.

Só que seria a mãe.

— Casarei com você.

Emmet voltou para Nova York tarde, naquela noite. Bella estava enrolada numa poltrona vendo televisão na sala, quando ele entrou. Sabia que tinha ido visitar Edward e mal podia esperar para ver a reação dele.

Ele tirou o casaco, pendurando nas costas do sofá antes de sentar na frente dela. Medindo-a com o olhar, falou.

— Então, vai se casar com meu irmão. É bem rápido, consi derando que ele estava noivo de Tânia pouco tempo atrás.

Bella se sentiu nervosa.

— Eu não o fiz cair numa armadilha. Emmet sorriu, dando de ombros.

— Mas conseguiu, minha pequena. É uma coisa boa.

Era? Estava cheia de dúvidas, desde que deixara o quarto de Edward, depois do jantar.

— Ele não quer se casar comigo.

— Garantiu que quer.

— Pensa que quer. Ele está se sentindo diminuído porque ainda não está andando e Tânia rompeu o compromisso deles. Assim que se acalmar, lamentará essa loucura.

— Ele não está louco — se inclinou, olhando-a fixamente. — Edward precisa de você agora e reconhece isso. Inferno, eu acho que sempre precisou de você. Só não reconhecia, até pen sar que a tinha perdido para sempre.

Então Edward tinha contado a ele o confronto com Tânia...

— A resposta do meu irmão à sua necessidade é o casamen to. Considerando o que você sente por ele, é a solução ideal.

— Ele nem me disse se ainda ama Tânia.

— Não é tão estúpido.

— Eu mesma pensava que era bem esperta, até que concor dei em casar com ele.

Ainda estava questionando sua inteligência e sanidade. Que mulher normal se casaria com um homem que não a amava, e nem pretendia amá-la, mesmo se o casamento preenchesse os desejos mais profundos do seu coração?

— Mas é uma boa decisão. É o que ele quer, o que você quer. O que poderia ser melhor?

Edward não a queira pelos motivos certos. Mas ela nem tentaria explicar. André não entenderia. De muitas maneiras, ele e seu arrogante irmão eram parecidos.

— Vamos, você terá mamãe e papai como seus novos pais e eu como seu irmão — ele indicou a si mesmo com um grande gesto. — Isso só pode ser bom.

— Acha mesmo que estou fazendo a coisa certa? Emmet se esticou e pegou a mão dela.

— Acho, não apenas a coisa certa, mas uma boa coisa, mi nha pequena. Será muito bom tê-la em nossa família. Não será bom se tornar minha irmã?

Ela concordou sorrindo ligeiramente, suas preocupações temporariamente afastadas pelo apoio dele. Mas, o que pensa riam os pais dele? A mãe pensaria que Bella tinha amarrado Edward em um momento de fraqueza.

As preocupações a mantiveram acordada quase toda aquela noite e as duas seguintes, antes do casamento.

— Mamãe ficará furiosa com esse negócio de cartório — comentou Emmet, quando ele, Edward e Bella entraram na sala do juiz para a rápida cerimônia civil, três dias depois da pro posta de Edward.

— Ela se acostumará — Edward virou a cabeça.

— Provavelmente, insistirá em uma bênção na igreja e todas aquelas convenções de um casamento tradicional — Emmet re plicou.

— Por mim, tudo bem, mas ela terá que esperar até eu poder andar até o altar.

A insistência de Edward em uma rápida cerimônia civil come çava a fazer sentido. Ele não queria se exibir para a família e os amigos em sua condição atual. Emmet dissera para não se preo cupar, mas como?

Edward não a amava.

Enquanto ela repetia os rápidos votos, manteve os olhos abaixados, focalizados no pequeno buquê de rosas brancas que Edward tinha providenciado. Mas, quando ele fez os seus votos, ergueu o rosto dela e os disse para ela, prometendo fidelidade e honra, em uma voz que não deixava dúvidas quanto à sua sinceridade. Ela não pôde deixar de ficar emocionada.

O juiz deu permissão para Edward beijá-la e ele o fez, um beijo suave e doce, que a deixou confortada.

— Parabéns, irmão.

Emmet abraçou o irmão, beijando seu rosto, num típico cari nho italiano. Depois, virou para Bella e a levantou no ar, num abraço de urso.

— Bem-vinda à família, irmãzinha.

Bella riu, apesar de encabulada, e o abraçou de volta.

Grazie!

Quando Emmet a colocou no chão, ela virou para Edward, sor rindo, só para ser atingida por uma expressão enigmática.

Eles chegaram a Milão de manhã, muito cedo, e, sonolenta, Bella passou pela alfândega e deslizou no banco da limusine que os aguardava, com uma cansada sensação de alívio. Tinha dormido tão pouco nos últimos dias, mal podia manter os olhos abertos. Edward e Emmet sentaram no banco em frente e ela soube que havia algo errado naquela cena.

Estava casada, sem se sentir casada. Tudo era irreal. Edward a tinha tratado como um móvel desde o casamento. Não espera va pela atenção exclusiva dele no jato dos Cullen, afinal, havia outras pessoas. Emmet estava voltando com eles, o pes soal da segurança e o assistente pessoal de Edward, que estava em Nova York na semana passada, trabalhando com Edward.

Mas também não esperava que ele tivesse esquecido que ela estava lá. Tinha passado as quase oito horas de vôo trabalhan do. Só notara a sua presença na hora do jantar, quando a aero moça, uma morena alta, linda, tinha se desmanchado, desne cessariamente, sobre ele.

Se Bella se desmanchasse assim, Edward teria reclamado com ela, mas sorriu indulgente para a aeromoça. Imagens do prato posto no colo do seu recente marido eram pequenas dian te do sentimento de raiva que a assolou.

Ela esperou que ele entrasse na limusine e sentou do outro lado. Emmet hesitou, antes de sentar ao lado dele.

Ela ignorou o marido, olhando pela janela, fingindo que es tava sozinha. Doía menos.

— Papai e mamãe voltarão das férias na semana que vem — Edward quebrou o silêncio.

Bella não disse nada, imaginando que ele estava falando com Emmet. Afinal, não tinha dirigido a palavra a ela nas últi mas oito horas.

— Bella.

— O quê? — ela não deixou de olhar pela janela.

— Ficará feliz de ver a mamãe, não?

— Claro.

Mas, seria verdade? Ela ainda temia que os pais de Bella pensassem que ela o tinha manipulado enquanto estava vulne rável, forçando uma proposta de casamento.

— Não parece entusiasmada.

— Estou, cansada.

— Eu não gosto de falar com você de rosto virado de lado, querida.

Ela virou o rosto e os olhos deles se encontraram. Era difícil ler a expressão dele, na penumbra da limusine.

— Tive a impressão de que você não estava particularmente interessado em falar comigo, ponto.

— Por que isso? Quando eu disse algo assim?

— Ações falam mais do que palavras.

— Qual é o problema?

Bella deslizou o olhar para Emmet, para ver como ele acei tava aquilo. Ele tinha um aspecto inexplicável de satisfação. Gostava de ver o irmão discutir com a esposa?

— Eu fiz uma pergunta, querida.

— Eu preferi não responder.

Com essas palavras, ela o despachou e ao irritantemente di vertido Emmet.

Tentando, claramente, suavizar águas turbulentas, Emmet fez uma pergunta a Edward e logo eles estavam fazendo planos para a volta dos pais. Bella se distraiu. Lutava com um incrí vel medo de ter cometido o maior erro de sua vida. Estava claro que Edward lamentava ter se casado com ela, mas não sabia por que ele não tinha acordado para a realidade antes da cerimônia.

Quando chegaram à vila dos Cullen, ela esperava fora da limusine a cadeira de rodas ser tirada quando Edward falou:

— Entre, você não precisa esperar.

Os olhos dela se arregalaram de dor e ela obedeceu, entran do. Foi direto para o quarto que sempre usava, quando ficava na vila. Não pretendia se arriscar a ser expulsa da suíte.

Encontrou a camisola que tinha deixado lá no verão passa do, a pegou e foi para o banheiro. Enrolou os cabelos numa toalha e tomou um banho rápido. Depois, sentou diante da pen teadeira e escovava os cabelos, quando Edward entrou.

— Que diabos está fazendo aqui?

— Escovando meus cabelos.

Virou os cabelos para o lado oposto e voltou a escovar. Hou ve um silêncio de onde Edward estava, perto da porta.

Afinal, ela repartiu os cabelos em três mechas e começou a trançá-los para dormir.

— Não!

A ordem a assustou e seus dedos pararam.

Per l'amore di cielo, é lindo!

Os dedos dele afrouxaram as laçadas, desfazendo o início da trança.

— Sempre quis ver seus cabelos assim. Mas, é muito maior do que eu imaginava.

Olhando para ele através da cortina de cabelos, a respiração presa pelo intenso olhar dele, perguntou:

— Você gosta dos meus cabelos?

Parecia uma coisa inconseqüente. Ela o deixava longo por que sua mãe gostava e, assim, se sentia mais perto dela. Nunca tinha pensado que Edward podia achar suas mechas tão fascinan tes.

— Vem cá.

Ele tentou puxá-la para seu colo, mas ela se afastou.

— Estou cansada. Quero ir para a cama.

Os olhos de Edward brilharam com mensagens.

— Eu também quero ir para a cama.

— Então, é melhor ir, não?

— Quer que eu volte para a minha cama enquanto você dor me aqui?

Dando de ombros, com uma indiferença que não sentia, ela respondeu.

— Que diferença faz?

Queria dizer que, como ele não a amava nem a queria, não importava saber onde ela dormiria.

Ele afastou a cabeça, como se tivesse levado um soco.

— De fato, minha cara, que diferença? Não posso realizar o ritual tradicional da noite de núpcias e, sem dúvida, comparti lhar a minha cama não é uma boa idéia.

— Não foi isso que eu...

— Não importa — cortou ele. — Eu compreendo perfeita mente que você não espere que eu cumpra minhas obrigações de marido. Não é mesmo muito atraente se não posso participar totalmente e não sou sequer necessário para dar-lhe filho.

As palavras pareceram de gelo, cruéis. Ela ficou lá, muda de dor, enquanto ele virava a cadeira e saía do quarto.

Andou para a cama, se sentindo uma velha. Toda a sua ener gia para trançar os cabelos desapareceu com a fria rejeição de Edward.

Mesmo se Edward não estivesse paralisado, ela não saberia como acariciá-lo. Tânia estava certa. Bella não era mulher para um homem como ele, independente de sua condição. En tão, por que tinha desejado se casar com ela?

A resposta veio em outra onda de dor. Porque ele não a amava ou desejava. Ela podia ter seus filhos, mas não seria uma lembrança constante do que ele não podia ter. Não sabia o que aconteceria quando ele recuperasse a parte inferior de seu corpo. Provavelmente, lamentaria o casamento deles.