Capítulo 4: No One Makes Me Feel This Way
"Errrt! Whoa, espere! Você vai atropelar alguém! Você vai... CRASH! Ah, o Spider quase conseguiu! Triste, triste fim para essa história..." Pierre rolou sai miniatura prata do Spider para longe dos seus outros carros de brinquedo. Ele tinha sido colocado na 'garagem' para ser consertado. "Próximo, nós temos um Lamborghini. Ele irá percorrer todo o caminho sem bater? Nós vamos descobrir..."
Johnny olhou estranhamente para seu irmão mais novo. "Por que você ainda brinca com essas coisas infantis?" perguntou, abaixando seu gibi do Super Homem. Pierre não respondeu e apenas continuou a brincar com seus carros de brinquedos. "Papai tem carros de tamanho real lá na loja. Por que você não vai trabalhar com ele? Ele nunca se importa. Nós o ajudamos bastante, às vezes."
"Ele não me deixa." Pierre finalmente respondeu. "Ele diz que ele tem coisas importantes para fazer." Ele parou e se virou para olhar para Johnny. "E eu só tenho dez anos. Mamãe diz que eu posso brincar com os carrinhos o tanto que eu quiser." Johnny deu de ombros e continuou a ler seu gibi. Pierre voltou para seus carros. "E o Super Homem é gay, então por que você está lendo isso?"
"O Super Homem não é gay!" Johnny defendeu seu super herói favorito. "Não tão gay quanto você!"
Pierre girou os olhos. "Não é o ponto." Disse. "Wolverine pode acabar com ele qualquer dia." Johnny apenas o dispensou e continuou a ler.
A mãe deles entrou na sala, parecendo mais pálida e desgrenhada do que os garotos já a tinham visto. "Meninos," ela disse, a voz um pouco trêmula. "Eu sei que vocês não vão querer ouvir isso, mas... O pai de vocês está no hospital. De novo." As duas crianças congelaram e olharam para ela, engolindo simultaneamente. "O médico ligou, e disse que seu pai quer que nós vamos lá visitá-lo."
"Por que ele está internado de novo?" Johnny perguntou, mal escondendo o terror da sua voz de treze anos.
"Bem, quando eles pensaram que o câncer tinha sumido, eles descobriram que tinha apenas se espalhado por seu corpo. Se espalhou bastante rápido, e desde que seu pai espero tanto para voltar, está muito avançado. O médico disse que eles podem fazer a quimo, mas eles duvidam que vá funcionar." Whoa. Muito para processar de uma vez. E apenas ontem, ele estava ensinando Pierre sobre carros antigos comparados aos novos. "Então, coloquem seus tênis e agasalhos, e vão para o carro."
Pelos próximos poucos dias, eles continuaram voltando para o hospital para visitar seu pai, que estava ficando mais fraco e doente a cada dia. Michelle teve uma conversa com cada um de seus filhos, assim como também com Sarah. Finalmente, no quarto dia de visita, era a vez de Pierre falar com seu pai. "Eu sei que é duro e assustador para todos nós, Pierre." Ele começou, sua voz falha e suave. "Mas eu quero que você saiba que eu sempre vou estar com você. Não importa o quê. Você é maravilhoso e forte, e eu sei que você pode fazer isso."
Os olhos de Pierre se encheram de lágrimas. "Mas eu não quero que você morra, pai."
"Eu sei, filho, eu sei. Mas tudo vai ficar bem, eu prometo." Ele disse. "Eu sei que nós não falamos sobre isso frequentemente, mas eu quero que você saiba que eu estou orgulhoso de você. Em todos os aspectos. Eu espero que você encontre um homem que você ame, e que te ame de volta. E é melhor que ele te trate bem, por que eu vou estar observando. Eu vou saber." Pierre forçou uma risada, mesmo que ele só sentisse vontade de chorar. "Sabe meu colar? Aquele que eu consegui quando o Tio Ted foi para a China? Está com a enfermeira agora, mas eu quero que você fique com ele. Apenas você, certo?" Pierre assentiu. "Eu amo você, Pierre. Seja forte. Eu sei que você é."
Algumas lágrimas escaparam dos olhos de Pierre. "Eu amo você, pai."
Pierre se sentou num pulo em sua cama, suando frio. Seu coração estava batendo rapidamente e sua respiração estava pesada. Não era o sonho de uma lembrança. Era a porra de um pesadelo! Ele sonhou bastante sobre a morte de seu pai alguns poucos anos depois do evento, mas desde então, ele não tinha sonhado. Talvez fosse por que ele tinha pensado sobre seu pai o dia todo, ontem.
O ano após a morte, Pierre procurou num dicionário de sonhos o que esses sonhos significavam. É claro, a pesquisa se provou inútil. Se ele tivesse dinheiro, ele teria ido a um terapeuta profissional. Mas antes que ele pudesse registrar esse pensamento, ele descobriu um pouco sobre sonhos. Aparentemente, eles eram apenas um reflexo do que tinha acontecido durante o dia, ou o que você tinha pensado. Desde sua (que mal podia ser chamada assim) conversa com David na aula do dia anterior, tudo sobre o que ele pensou foi seu pai.
Sonhos sobre a infeliz morte de seu pai sempre o aterrorizavam. Eles o deixavam inquieto, com dor de estômago e fraco. Ele odiava as sensações invocadas. Era por isso que ele sempre tentava não pensar ou falar sobre ele frequentemente.
Pierre olhou para o relógio, mas ele só mostrava que era cinco e meia da manhã. Ótimo. Ele nunca ia voltar a dormir agora. Não com o quão abalado o sonho o tinha deixado. Com um longo bocejo, Pierre tirou suas pernas de cima da cama. Ele colocou uma calça esportiva. Ele coçou a cabeça e andou pelo chão encapetado até a porta, onde ele saiu para a casa vazia e escura. O sol não tinha nascido ainda, então a escuridão da noite ainda preenchia a casa.
Pelas próximas poucas horas, Pierre ficou sentado no sofá, assistindo desenhos. Quando era por volta de sete e meia, Pierre finalmente decidiu se arrumar para a escola. Ele estava pronto em menos de uma hora, o que teria sido bem mais cedo, exceto pelo fato de que ele não conseguia encontrar roupas limpas. Ele precisava lavar as suas roupas. E desde que sua mãe raramente o fazia, Pierre sempre lavava suas próprias roupas. Às vezes as dela, se ele sentisse compaixão o bastante. A única vez que ele se sentia assim era perto do aniversário de morte do seu pai.
A primeira metade do dia foi boa, e Pierre não tinha esbarrado em ninguém que ele não queria. Em outras palavras, ele não tinha esbarrado em David Desrosiers. Não era que ele não gostava do menor. Ele era, na verdade, bastante atraente. Mas Pierre não queria se envolver com ele de qualquer outra forma além da de ser a dupla dele na aula de mecânica. Ele não queria amigos, ele não queria um namorado. Ele queria explicar isso para David, mas também não queria machucá-lo. Ele temia que fosse soar como um idiota se fosse fazê-lo, e ele definitivamente não queria transformá-lo em um inimigo.
Essa semana, a palavra que se espalhou por toda a propriedade escolar era 'baile'. Não importa onde você fosse, essa palavra estava sendo dita igualmente por garotos e garotas. "Hey, você vai ao baile essa sexta?", "Quer ir ao baile comigo?", "Você tem um par para o baile?". Pierre ignorava essas vozes, na maior parte do tempo. Mas de vez em quando, uma sensação estranha se espalhava por seu estômago. Ele se lembrava de um tempo em que ele realmente queria ser convidado para um baile da escola. Mas, agora, ele não podia se importar menos.
Durante a aula de matemática, quando a professora saiu temporariamente da sala, a turma toda começou uma conversa. Apenas adivinhe o tópico que saia da boca de todos. O baile da escola, é claro. O que era mais importante? Era como se ninguém tivesse mais nada sobre o que falar, além do evento dessa sexta-feira. Essa escola era pequena e não muito rica, afinal, então era algo realmente grande quando o menor dos eventos acontecia.
No assento vazio na frente de Pierre, ele viu um garoto se sentar. Quando ele se virou, ele notou que era David. "Hey, Bouvier" ele disse em um tom animado e alto. Ele estava sentado quase completamente ao contrário na cadeira. "E aí?" Pierre deu de ombros. "Oh, é, eu esqueci. Você não fala." Ele provocou. "Eu queria falar com você. Ontem, na verdade, eu queria. Mas desde que você se fez verdadeiramente inacessível, eu tive que esperar até hoje. E eu vou estar ocupado no almoço, então não vamos conseguir conversar, e a próxima vez que vamos ter uma chance de conversar de novo é..."
"David." Pierre interrompeu calmamente.
David assentiu. "Certo, certo, a questão..." ele continuou. "Eu não quero te assustar nem nada assim, desde que só nos conhecemos há um pouco mais de uma semana, mas eu..." ele foi interrompido, entretanto, pela professora entrando na sala novamente. David a olhou, então de volta para Pierre. "Eu..." ele tentou continuar, mas a voz da professora chamou sua atenção novamente. "Eu... Ugh." Ele olhou para Pierre novamente. "Eu falo com você depois." Com isso, ele se levantou e voltou para seu lugar, perto da frente, como sempre.
Pierre olhou para o assento vazio a sua frente por alguns momentos, as sobrancelhas cerradas, enquanto ele tentava entender sobre o que ele estava falando. Mas uma vez que a professora começou a falar e a distribuir pedaços de papéis, Pierre balançou sua cabeça, voltou a sua expressão normal e deixou isso de lado. Ele tinha certeza de que fosse o que fosse, ele ia descobrir mais tarde naquele dia. Claramente, David tinha algo para lhe dizer, então não importa o quê, a mensagem seria entregue. Isso seria capaz de surgir em algum momento, considerando quão apressada a fala de David era.
Ele sabia que David teria continuado a falar naquela hora, exceto pelo fato de que ele era um aluno exemplar. Embora ele tivesse assumido ao contrário, David não se metia em problemas por falar na aula. Qualquer um pensaria, se eles tivessem presenciado um David tagarela e hiperativo, que essa era a única falha do garoto na escola. Mas, alas, David permanecia quieto e respondia educadamente quando lhe perguntavam algo.
Depois da aula, Pierre se lembrou ter ouvido outro aluno falar para David que eles iam se encontrar do lado de fora, sob o carvalho para a reunião deles. Pierre assumiu que fosse o conselho da escola ou o clube de teatro ou... Qualquer outro grupo que existisse. Aquela noite, quando ele ajudou a decorar para o baile, ele descobriu todas as coisas diferentes que David fazia na escola. É claro, qualquer conhecimento sobre David que ele obteve àquela noite lhe escapou instantaneamente, por que era a coisa mais incoerente que ele já tinha escutado. Entretanto, quanto mais ele falava com Pierre, mais sua velocidade diminuía consideravelmente. Mas um monte, mas consideravelmente.
Antes de ir para a cantina, Pierre parou no seu armário para guardar seus livros e pegar a nova revista que ele tinha comprado aquela manhã. Era uma Alternative Press dessa vez. Ele estava com vontade de uma mudança. Bem, ele preferia ler as que ele tinha em casa, mas ele não sabia como um pasquim sujo e gay iria se encaixar com os professores, ou alunos. Então, ele achou melhor permanecer com revistas sobre carro e música. Como todo mundo.
"Hey" ele ouviu vindo do lado do seu armário. Ele fechou e trancou a porta, para revelar um David ofegante. "Bom, eu te peguei antes de você ir almoçar. Eu odiaria ter que ir procurar por você em todos os lugares." Ele disse. Ele respirou fundo e pegou algo de seu bolso, finalmente se acalmando da aparente pressa que sentia. "Eu não posso falar muito, por que eu tenho um lugar para ir agora, então eu escrevi o que eu tenho para falar aqui." Ele ofereceu para o maior o pedaço de papel dobrado. "Me devolva a próxima vez que nos vermos. Ou qualquer hora. Não importa. Certo? Te vejo mais tarde."
Apressadamente, David se perdeu no meio da multidão de adolescentes, deixando Pierre um pouco confuso, com um pedaço de papel não lido em sua mão. Uhh..., foi tudo o que Pierre pensou no momento. Sim, seus encontros com David eram sempre estranhos; bizarro, e esse não foi uma exceção. Inferno, provavelmente tinha sido mais estranho. Quem acharia que David iria exceder a própria esquisitice? Pierre não o conhecia há muito tempo, mas a sanidade dele não tinha progredido muito absolutamente.
Balançando sua cabeça, Pierre colocou o bilhete dentro de sua revista para ler mais tarde. Ele estava com fome, e suas pontadas de fome não perdiam para mais nada, mesmo a curiosidade dominante sobre o que aquele bilhete podia tratar. Ele fez caminho até a cantina primeiro, e se sentou sozinho em uma das mesas pequenas com um pedaço de pizza de pepperoni, o especial do dia. O prato estava um pouco para o lado, sua revista bem na sua frente. Ele também tinha comprado uma Pepsi diet, então tomou um gole enquanto examinava a capa, que tinha uma foto do Jimmy Eat World.
Mas, então, sua curiosidade levou a melhor e ele puxou o bilhete de dentro da revista. Ele sequer tinha tocado o pedaço de pizza ainda. Ele desdobrou o papel para revelar uma caligrafia inacreditavelmente bem feita. Bom, bem feita para um homem. Eles geralmente tinham uma letra horrível. Dizia:
Isso pode ser um pouco clichê ou brega ou o que for, e eu não sei como dizer isso, mas eu sei que você provavelmente vai apenas dizer "só diga, David!", então certo...
Você quer ir ao baile comigo?
O coração de Pierre pulou uma batida. Algumas batidas, na verdade. Ele teve quer ler novamente as palavras pelo menos cinco vezes antes de ele verdadeiramente entendê-las. Ele não conseguia acreditar. David... David realmente tinha acabado de chamá-lo para o baile de sexta-feira? Sua décima leitura do bilhete confirmou isso em sua cabeça. Esse garoto, que Pierre conhecia a menor de três semanas, o estava chamando para ir ao baile, um evento sobre o qual ele era cínico desde o começo. Como, por todos os diabos, ele era suposto a responder?
Ele não tinha idéia. Por isso, ele não respondeu. Primeiro de tudo, ele não tinha um utensílio para escrever no momento; segundo de tudo, ele não sabia o que ele poderia responder; e terceiro, bem, ele estava com fome. Ele dobrou o papel novamente e o colocou no bolso do seu moletom. Então, ele decidiu comer seu almoço e ler sua revista, ao invés de responder a um pedido idiota que ele ia acabar respondendo com um 'não'. É, essa seria sua resposta. Como ele tinha dito a si mesmo muitas vezes antes, ele não estava ali para ter amigos e/ou namorados! Deus!
Mesmo enquanto ele lia um artigo de "Novas Bandas", ele não estava realmente focado. Sua mente estava em outro lugar. Ele não sabia exatamente onde. Ele não estava particularmente focado em nada. Ele só estava achando difícil manter sua mente em uma única linha de raciocínio, o que não lhe acontecia há um longo tempo. A página da revista se transformou num borrão, enquanto ele ainda comia seu pedaço de pizza. Ele sequer ainda estava lendo.
Quando ele terminou de comer, ele apenas apoiou sua cabeça na mão, o cotovelo próximo à revista aberta. Seus olhos ainda estavam fora de foco e ele finalmente conseguiu se prender em um único pensamento. Ele nunca tinha sido convidado para um baile antes, em toda sua vida. E ele sequer tinha certeza de como ele verdadeiramente se sentia sobre David. Ele não pensava em David como amigo, mas agora ele era suposto a ser o par dele? Ele não entendia toda essa coisa de pares muito bem. Quando ele alcançou a idade para começar, ele não estava com vontade graças ao luto que ele ainda sentia em relação ao seu pai.
Ele tinha uns doze anos quando ele começou a se interessar em garotos. Mas sua mente estava em várias outras coisas. Então, naturalmente, ele deixou isso passar. Quando ele tinha quase quinze anos, ele conheceu Lucas Reese. Ele lhe apresentou cigarros, beijos inescrupulosos, e... Bem... Sexo. Desde então, ele não esteve em nenhum relacionamento sério com alguém. Ele não sabia como era ser tocado ou beijado afetuosamente. Ele não sabia como era olhar dentro dos olhos de alguém e apenas saber.
Mas ele tinha descoberto alguns mecanismos bastante úteis. Ele não pensava sobre isso frequentemente, então isso não o afetava. Era difícil bloquear, mas ele se esforçava para isso, desde que ele preferia lutar suas emoções o que deixá-las levar o melhor sobre si.
Mais uma vez, ele abriu o bilhete e o leu. Ele o colocou de volta dentro da revista e se levantou, sem realmente saber para onde ia. Ele afastou seu prato, então carregou sua bebida e revista para fora da cantina. Enquanto ele andava, ele realmente não percebeu ninguém ao seu redor. Podia-se dizer que ele estava um pouco fora da realidade, as palavras escritas por David se repetindo de novo e de novo em sua mente e isso parecia ser mais forte do que qualquer outra coisa.
Ele estava planejando em voltar para seu armário para pegar uma caneta, ou um lápis, para que finalmente pudesse escrever sua resposta no papel, só para o caso de ele esbarrar em David antes da aula de mecânica. Ele não sabia o que escrever exatamente. Ele sabia que seria não, mas ele precisava dar uma explicação, não precisava? Afinal, ele não queria os sentimentos do outro garoto.
Ele tirou uma caneta preta de sua mochila, então fechou seu armário, andando em direção ao par de portas mais próximo, indo para o lado de fora. Estava um dia bom do lado de fora, então parecia uma besteira perdê-lo do lado de dentro. Ele evitou completamente o carvalho, sabendo que David estava lá. Ele se sentou em uma mesa de piquenique vazia perto do prédio, depositando a revista, o bilhete, a caneta e sua bebida em sua frente na mesa, enquanto se sentava, inspirando profundamente quando se sentou completamente.
Sua cabeça caiu para frente e descansou sobre a revista, olhos fechados. Ele já tinha tomado algumas decisões difíceis antes, como quando ele decidiu voltar para a escola, ao invés de uma vida de crime e mínimas chances de vida além dos quarenta anos. Mas essa era difícil. Talvez não mais difícil, mas o bastante para deixá-lo incomodado. Ele não ia falar que estava assustado, por que medo não corria nas veias de um Bouvier, mas os nervos eram propensos a tremer de vez em quando. O que eles estavam fazendo.
Percebendo o que ele tinha que fazer, Pierre ergueu a cabeça do tampo da mesa. Ele respirou fundo novamente, enquanto pegava o bilhete mais uma vez, pegando a caneta com a outra. Ele realmente queria pensar em como ia dizer isso. Ele não queria soar como se o estivesse rejeitando diretamente, por que isso poderia machucá-lo, mas ele também não queria dar a ele nenhum sinal de 'gostar' ou até mesmo (encolher de ombros) 'amor'. E ele definitivamente não queria mandar nenhum sinal confuso.
Depois de alguns momentos, ele finalmente decidiu escrever algo. A caneta rabiscou 'não' bem à baixo de onde David havia escrito sua pergunta. Mas quando ele olhou, ele percebeu que apenas não era certo responder dessa maneira. Ele riscou o 'não' e respondeu com uma frase completa:
Bailes não são minha praia.
Isso parecia certo. Não é? É. Não era uma recusa dura e direta, então ele não soou como um bastardo, quando ele estava apenas tentando dizer não. E ele tinha deixado claro que o motivo de ele recusar não era por causa de David, mas as próprias escolhas pessoais de Pierre. Então isso não iria machucá-lo tanto. Esperançosamente. Ele não queria machucar David. Mesmo que ele não fosse admitir isso para ninguém que ele gostava do sorriso de David. E sua risada.
Oh, Deus, o que estava acontecendo com ele?
Ele dobrou o bilhete novamente e o colocou no bolso para dar para David mais tarde. Ele teria ido até o menor para devolver imediatamente, desde que ele estava bem do outro lado do pátio, mas ele parecia ocupado, então Pierre não quis interrompê-lo. Seria rude. Eles estavam, obviamente, fazendo algo importante, desde que David usualmente fazia... Coisas importantes do redor da escola.
Deixando a caneta de lado, Pierre voltou a atenção para a revista a sua frente. E ele realmente foi capaz de ler mais do que meia página da entrevista de Jimmy Eat World, o que era mais do que ele tinha lido na primeira vez. Mas quando ele chegou ao final da pagina, ele ouviu um som agudo vindo da propriedade. Isso chamou sua atenção e ele se virou para ver aquele (exageradamente gay) garoto, que Pierre não conseguia tirar de sua cabeça.
Ele estava sentado de lado no banco, uma perna de cada lado, e ele observou David sentando com um grupo de garotas e garotos, rindo. Ele viu o jeito que David agia com eles, e se perguntou por que David estaria passando todo esse tempo com ele, quando o menor obviamente era popular com todos os outros. Que seja. Ele o viu evitar o trabalho e seus lábios se curvaram para cima, em um sorriso.
Perante isso, seus olhos se arregalaram e ele imediatamente desviou o olhar de David. Ele voltou para sua posição anterior e olhou para a mesa, o sorriso sumindo de seu rosto quase que instantaneamente. Ele sorriu. Ele sorriu. Fazia muito tempo desde a última vez em que Pierre tinha sorrido genuinamente. Nada em sua vida era feliz o bastante para fazê-lo sorrir. Obviamente, sempre que ele via David, era o bastante para fazê-lo sorrir.
Sorrir!
Seu coração bateu um pouco mais rápido com esses pensamentos. Ele sabia que esse David tinha alterado seu balanceamento químico mental, mas sorrir? Ele tinha que ser honesto, isso meio que o assustava. Talvez ele tivesse mais sentimentos por esse menino do que ele achava ter, mesmo que isso não quisesse dizer muito, por que Pierre não tinha pensado ter qualquer sentimento por ele. Parece que ele estava errado. Bem, essa não seria a primeira vez.
Ele tomou mais um gole de sua Pepsi , quando ele decidiu que não estava mais com vontade. Nesse momento, ele não estava no humor para se sentar sozinho e fingir ler os artigos idiotas de uma revista, sobre coisas que ele não se importava tanto assim. Ele não queria o bilhete o incomodando no bolso. Se ele deixasse isso acontecer, ele provavelmente enlouqueceria apenas pensando sobre isso.
Erguendo-se, Pierre foi até seu armário, onde ele deixou suas coisas, incluindo o bilhete. De lá, ele saiu da propriedade escolar, virando a esquerda, na direção totalmente oposta à sua casa. No final da rua, estava aquela pequena lanchonete, onde ele podia apenas passar o tempo. Ele tinha dinheiro o bastante para comprar uma das famosas 'vitaminas', como David tinha dito uma vez. Ele não conseguiria ficar perto de David agora. Não até que ele resolvesse todos esses sentimentos recém descobertos e tal.
Sem sequer se importar, Pierre matou sua próxima aula. Ele passou o tempo todo na lanchonete, brincando com seu colar e olhando para o nada. Era uma perda de tempo grande e ridícula, mas ele não se importava. Ele não conseguiria se focar nas aulas com sua mente tão confusa. Talvez se ele esperasse até isso se resolver, então voltasse para a escola, ele não se sentiria tão nervoso, e poderia realmente trabalhar no carro com David, sem se preocupar com o que ele poderia pensar.
Ele sempre conseguia se distrair com carros, entretanto, então ele tinha certeza de que não teria problemas.
Quando ele olhou para o relógio na parede, que mostrava que faltava quinze minutos para a última aula começar, Pierre achou melhor voltar para a escola, de modo que ele não se atrasaria. Ele não ligava de matar aula de história. Ele sempre podia inventar alguma desculpa esfarrapada e se livrar disso, como sempre.
Em menos de dez minutos, Pierre voltou para a escola, onde os adolescentes estavam lotando os corredores, indo para a última aula do dia. Pierre estava aliviado. Ele podia ir para casa, cair na cama, e dormir. Mesmo que ele tivesse seu estranho sonho sobre super-heróis ou estranhas criaturas espaciais, isso era melhor do que o que vinha passando por sua cabeça nesse momento. Não David! Ele estava pensando sobre... Carros. É, ele estava pensando sobre carros.
Ele sabia que ele não precisaria do seu livro naquele dia, então apenas pegou o bilhete do seu armário, colocando-o em seu bolso, para então ir para a garagem junto à escola, onde os carros estavam. O sinal tocou apenas alguns momentos depois de ele entrar na sala, e foi seguido por alguns outros desocupados. O resto da sala estava ou se sentando em suas mesas ou nas dos outros, até o Senhor Williams entrar na sala para acalmar todos.
David se sentou ao lado de Pierre e sorriu para ele. "Hey," ele disse em um tom alegre, e Pierre apenas assentiu em um modo de cumprimentá-lo. "Bem, eu não consegui encontrá-lo no almoço, desde que minha reunião terminou mais cedo, então eu não consegui te achar antes da aula. Eu estava apenas me perguntando se você já respondeu ao meu bilhete?" ele ouviu confiança em sua voz, mas quase no final, David soou mais como um pequeno, assustado e inocente menino do que ele usualmente soava.
Pierre assentiu e tirou o pedaço de papel (a porcaria que ele tinha amaldiçoado o almoço todo e essa aula) para fora de seu bolso. Ele o ofereceu para David e observou o rosto do garoto pelo canto dos olhos. Ele queria saber sua reação, mesmo sabendo que ele não ficaria muito satisfeito. David abriu o bilhete, seu rosto cheio de esperança, ainda que com medo escondido, e assim que ele leu as palavras, seu rosto se abateu e o coração de Pierre caiu para seu estômago.
"Oh," David disse, tentando soar bem, mas falhando. Ele assentiu e tirou uma caneta de sua mochila. Pierre ouviu o 'click' quando ele a apertou, e viu David rabiscando algo no papel. Ótimo. Mais algumas palavras que ele não tinha idéia de como responder. Ele demorou quase meia hora apenas para responder as primeiras!
Quando Pierre recebeu o bilhete, ele o abriu e leu:
Certo. Eu estava só perguntando.
Eu estou, basicamente, obrigado a ir, mas não tenho ninguém para ir comigo.
Sem querer manter David esperando, Pierre escreveu a primeira coisa que passou por sua cabeça.
Vou estar ocupado. Desculpe.
Isso podia ser mentira, mas ao menos ele estava o dispensando discretamente. Ele poderia ter sido um completo idiota e apenas dito, 'Sai do meu pé, pirralho chato!'. Mas isso o levaria a qualquer lugar? Não, não realmente. David assentiu, um meio sorriso em seu rosto, enquanto ele lia o bilhete, então o respondeu. Pierre temia pegar o bilhete de volta, temeroso de que falasse algo que o estapeasse no rosto.
Está tudo bem.
Mas eu vou estar lá, de todo modo, então dê uma passada, se puder.
Pierre olhou para ele, surpreso ao ver um sorriso no rosto de David. Pierre não estava sorrindo, entretanto. Ele afundou em sua cadeira, colocou o bilhete em seu bolso, e tentou ignorar a dor que sentiu em seu estômago. Ele se sentia um completo idiota ao rejeitar alguém tão gentil e tão doce. O garoto estava apenas oferecendo, mas Pierre o dispensou tão rapidamente, como se ele não importasse. Quando, claramente, Pierre importava para David se algum modo. O que deixava Pierre um pouco confuso. Ele? Importar para alguém? É, que seja.
Eles não falaram um com o outro pelos próximos cinco, dez minutos, nos quais o Senhor Williams estava falando com a sala e explicando as instruções para hoje. Pierre mal prestou atenção. Não foi até David o cutucar no braço que Pierre forçou seus olhos de volta ao foco. Ele olhou para David e o garoto lhe disse quês tinham que ir até o carro. Eles iriam trabalhar no motor hoje. Pierre assentiu e se levantou, oferecendo a David as chaves e o seguindo o zeloso garoto para o lado de fora, para onde os carros estavam, ainda do outro lado do estacionamento.
David foi o primeiro a chegar no carro, sendo o primeiro a abrir o capô e erguê-lo. "Eu acho que eu estou realmente começar a gostar de carros. Quero dizer, eu sempre gostei, mas apenas do tipo 'uau, esse é legal', sabe? Não de todos os detalhes, realmente. É interessante." Ele disse, abrindo o zíper de seu moletom para revelar a camiseta do Weezer que estava por baixo. Ele olhou para Pierre, mãos no quadril, quando ele finalmente alcançou o carro. "O Bouvier está com vontade de dar algumas dicas de como consertar um motor a um idiota?"
Pierre balançou a cabeça. "Você não é um idiota." Ele disse, não muito alto. David ainda o ouviu. "Há algumas partes do motor. Ele é o cérebro de todo o carro. Ferre o motor e seu carro não irá funcionar, não importa quão bem as outras partes do carro estão funcionando." David assentiu, prestando atenção com os olhos largos e animados. Pierre se lembrava de uma época em que ele tinha essa aparência. Quando ele tinha quatro anos e seu pai estava lhe ensinando sobre a exata mesma coisa.
Mas, então, Pierre parou. Ele não estava com vontade de falar no momento. A tensão entre eles era algo que qualquer um podia sentir. Mesmo que David estivesse tentando esconder com sua tagarelice de alta velocidade, Pierre ainda conseguia sentir, e não desaparecer até que alguém confrontasse o assunto de um modo que não fosse rabiscando palavras em um pedaço amassado de papel. Mas esse alguém seria Pierre? Há, há, é, certo. Ele mal conseguia responder por escrito, quem diria responder verbalmente?
Quando David notou seu silêncio, ele falou, mas não de um jeito hiperativo. Como se ele fosse o garoto de dezessete anos maduro que ele deveria ser. "Eu não me importo, Pierre, que você não quer ir ao baile comigo. Não é tão importante assim. Não é como se eu estivesse perdidamente apaixonado por você ou desesperado." David disse, finalmente tocando no assunto que Pierre não conseguia parar de pensar. "Eu já fui ao baile sozinho antes, de todo modo. Nós estamos aqui para trabalhar nesse carro, e vamos apenas esquecer sobre isso. Foi idiota, para começo de conversa. Você provavelmente sequer é gay."
"Não, eu sou." Pierre respondeu imediatamente, mas internamente se amaldiçoou por não se segurar. Ele desviou seus olhos, embaraçado que ele tivesse acabado de admitir isso. Ele não tinha problemas em contar às pessoas sobre sua sexualidade, mas isso era diferente. De algum modo.
David riu. "Eu nem tive que forçar isso de você." Ele disse. "Eu percebi, de todo modo."
Pierre desviou os olhos. "Como?" ele perguntou, realmente se perguntando isso. Ele não achava que ele parecesse ser gay. David sim, mas não Pierre.
"Você é tão machão. Sem ofensas. Você é como um lutador, que age como um durão para esconder a sexualidade. Eu estou bem com isso. Você não é o primeiro cara que não quer admitir sua sexualidade." Ele disse. "Mas que seja. Vamos voltar para o que somos supostos a estar fazendo." Pierre assentiu, deixando a coisa toda ser processada, antes de tirar sua mente disso e se focar no carro. O que o fez se sentir bem mais confortável. David se virou para o motor, apontando para o carburador. "Agora, o que é isso?" perguntou.
Pierre deixou as palavras de David se assentarem, mas as deixou de lado e parou ao lado de David. "É o carburador. Sua função é misturar a quantidade certa de gasolina e ar, para que o motor funcione apropriadamente. Se não há gasolina o bastante misturada com ar, o motor 'empobrece', e ou não vai funcionar ou estragar o motor. Se há muita gasolina misturada com ar, o motor 'enriquece', e ou vai encher, esfumaçar, enguiçar facilmente ou, no mínimo, gastar gasolina.", Pierre explicou. Ele pausou quando ele ouviu o Senhor Williams falando com a sala.
Ambos viraram a cabeça para olhá-lo. Ele começou a falar sobre o motor e suas partes, o que elas faziam e tudo o mais. Pierre não ouviu, ele apenas observou David, que olhava para o Senhor Williams como ele olhara para Pierre, quando este estava lhe explicando sobre o carburador.
Isso fez Pierre sorrir de novo. Agradecidamente, os olhos de David não estavam focados em uma direção que lhe permitisse ver. Pierre o escondeu antes que ele tivesse uma chance de ver. Mesmo que isso o assustasse por dentro, ele foi capaz de lidar com isso bem melhor do que ele o fez na primeira vez. Ele não queria interromper o Senhor Williams, então ele ficou quieto até que o professor tivesse terminado. Quando ele o fez, David se virou para o carro, olhando para Pierre, que tentou fazer parecer que ele não estivera observando o garoto pelas suas costas.
"Bem," David disse. "Ele explicou tudo. Faça sua mágica, Houdini. Eu não sei uma maldita coisa." Que mentira. O Senhor Williams tinha acabado de explicar tudo o que eles eram supostos a fazer. Mas esse garoto estava agindo como se ele não tivesse nem idéia do que tinha sido dito. É, certo! Ele só queria uma desculpa para Pierre realmente falar com ele! Ah, as peculiaridades dos machos da espécie humana.
Ao invés de falar sobre carros, Pierre falou sobre algo além disso pela primeira vez desde que ele e David se conheceram. "Hey, David" ele disse e David o olhou, os olhos curiosos similares aos de um filhotinho de cachorro hiperativo. "Sobre o negócio do baile..." ele começou. "Eu não vou realmente fazer algo. Uh, essa sexta." David ainda o olhava, como que esperando que o maior elaborasse o que tinha dito. Pierre olhou para baixo. "Eu vou." Falou quase inaudívelmente. David perguntou o que ele tinha dito, então Pierre limpou sua garganta e olhou para ele. "Eu vou. Com você."
O rosto de David se iluminou tanto, que Pierre jurava que ele seria capaz de iluminar a Torre Eiffel. "Maravilha!" ele disse e Pierre teve que segurar um sorriso. Ele não queria mostrar a David essa emoção. "Bem, começa às seis. Eu ainda vou estar na escola, desde que eu tenho que garantir que tudo esteja funcionando antes do baile realmente começar, então apenas apareça a qualquer hora. Não importa pra mim." Pierre assentiu e apontou para o motor. "Oh, certo, beleza. Nós devíamos começar a trabalhar."
Pela próxima hora, os dois falaram sobre carros. Pierre explicou as coisas mais simples sobre o motor, ao invés de confundi-lo com fatos que ele provavelmente ou esqueceria ou não entenderia. Ele podia admitir, ele estava se divertindo um pouco. Por um tempo, ele não tivera ninguém com quem conversar sobre carros, por que eles estavam sempre preocupados com a escola ou encontros ou festas. Era bom ter alguém que ele pudesse guiar quando se tratava de explicar como os carros funcionavam.
Ele percebeu que a única maneira de agüentar esse baile de sexta-feira, era falando sobre... Carros. Que patético.
