Capítulo 6: I'm A Fuck Up Kid, Is What They Said

Como ele podia ser tão estúpido? Honestamente? "Eu não estou realmente pronto para ter um namorado. Nesse momento." É, isso era inteligente. Ele, basicamente, dispensou David, confirmou que não queria nada com ele e, então, assumiu que o coração do menor ainda estava inteiro. Ele sabia que não estava. Por mais que David tentasse esconder, Pierre sabia o que ele estava sentindo no momento em que Pierre lhe negara um encontro, era o mesmo com o que ele vinha vivendo há anos. Um sentimento que ele nunca desejou para ninguém.

Por todo o sábado, Pierre não conseguiu parar de pensar nisso. Em David. Ele tinha realmente quebrado seu coração? Não fora intencional, de maneira alguma. Ele não estava mentindo; ele não precisava de um namorado nesse momento. Havia a escola, se manter limpo, havia... A escola. Hábitos antigos não eram algo com o que Pierre queria se acostumar novamente. Tudo o que tinham feito era metê-lo em problemas. Talvez, em algum momento do futuro distante, ele se acomodaria. Mas esse era um futuro distante.

David sabia que o baile fora um passo enorme para Pierre, mas ele fez parecer que Pierre estava com medo; um covarde, mesmo que ele não houvesse dito isso. E ele se sentia muito ofendido por causa disso. Pierre Bouvier não tinha medo. Essa palavra sequer aparecia em seu vocabulário. E esse certamente não era o motivo de sua negação. Medo? Não. Ele ria na cara do medo; ele comia covardes no café da manhã. Como David se atrevia a acusar Pierre de tais coisas. Isso era ridículo. Se Pierre estivesse com medo, ele não teria aparecido nesse baile estúpido. Ele não teria falado com David. Nada disso estaria acontecendo.

Agora, que ele pensava sobre isso, talvez ele devesse ter sido mais covarde.

A noite passada fora estranha. Sim, aí estava essa palavra novamente. A maneira como Pierre aceitara o convite dele para dançar, a maneira como David falara. Ele sabia que podia soar mais maduro se ele realmente quisesse, e provara isso. E isso apenas fez Pierre ainda mais interessado nele, como se ele já não tivesse o bastante do comportamento aborrecedor, mas inegavelmente fofo e atraente de David.

Ele se sentia um completo idiota pelo que tinha feito. Pelo fim de semana, lhe fora dado dois dias para realmente pensar sobre isso. O tempo todo fora gasto no sofá, vendo televisão e, ou fazendo sua lição de casa, ou comendo um saco de Doritos, que ele encontrou no armário. Alternando entre desenhos animados e a MTV, Pierre deixou sua mente vagar livremente. E durante toda essa analise das experiências que ele teve durante toda a semana, ele chegou a percepções importantes e cruciais.

Apesar da maneira como Pierre se sentia em relação à namoros, o jeito que ele se sentia sobre David devia significar algo. Ele se desentendeu com esses sentimentos, e se Pierre ainda não estava fascinado, no momento, do que jeito que ele via, ele poderia pensar direito. Ao invés, ele fez o que usualmente fazia, e se acovardou, negando a ele um encontro, e jogando fora qualquer chance que tivesse de realmente conseguir algo de David. E não apenas de uma maneira sexual.

"Hey." Pierre ouviu através da porta do armário, na qual a pessoa batia repetidamente. Isso ainda não atraiu completamente sua atenção, enquanto ele continuou a olhar inexpressivamente dentro de seu armário, sem realmente fazer algo mais. "Talvez tenha algo melhor em outro canal?" isso, lentamente, tirou Pierre de seus pensamentos, e olhou para o lado, apenas ver David, que tinha um sorriso enorme em seu rosto. "Bonjour, mon ami. O que há com você? O fim de semana passou, e nada de você. Embora eu não esteja surpreso. Nunca há nada de você. Mas, que seja."

Um meio sorriso apareceu no rosto de Pierre, enquanto ele pegava seu livro de matemática, assim como seu caderno, e então fechou o armário. Ele planejava ficar na biblioteca no intervalo do almoço, para fazer o resto do seu dever de casa, que ele tinha apenas feito metade no dia anterior. "Hey." Ele disse. E isso era tudo o que ele conseguiu. Ele bocejou e esfregou os olhos, piscando algumas vezes, tentando focar sua atenção em David.

"Então, eu estava pensando no carro." David começou. "Vai estar pronto no final do semestre? Por que se não, eu estava pensando, nós devíamos passar mais tempo nele. Se precisar. Eu não sei, eu estou realmente dependendo de todo o seu conhecimento para me ajudar com isso."

Pierre ergueu uma sobrancelha. "Todo meu conhecimento? Quanto, exatamente, você acha que eu tenho?" perguntou. David deu de ombros. "Claro. Na hora do almoço. Eu te encontro na garagem... Uh, tente não fazer nada antes de eu chegar, certo? Não iríamos querer explodir a escola, afinal." Agora ele estava apenas provocando, tentando ganhar uma risada de David. Com essa risada, ele ganhou um tapinha no braço, também. Pierre sorriu, se defendendo de outro tapa.

Olhando-o zombeteiramente, David murmurou. "Idiota." Pierre encolheu os ombros inocentemente. "Eu explodi coisas antes, mas um carro não será uma delas." Eles começaram a andar pelo corredor, os livros de Pierre e a mochila de David entre eles. "Onde você está indo?" ele perguntou a Pierre, enquanto andavam.

"Biblioteca." Pierre respondeu. "Ainda tenho dever de casa para fazer."

David deu um tapinha ansioso em seu braço. "Oh, matemática? Eu já terminei. Eu posso ajudar." Ele disse. "Ou você pode apenas copiar minhas respostas. Isso, ou você podia corrigir minhas respostas, e depois copiá-las." Pierre riu. Surpreendentemente, eles foram capazes de andar até a biblioteca em silêncio. Não era um silêncio desconfortável, entretanto, pelo que Pierre era agradecido. Era confortável, e eles ocasionalmente olhavam para o outro. Na maior parte do tempo olhavam para as outras coisas, entretanto.

Quando eles chegaram à biblioteca, Pierre abriu a porta para David. Ele entrou e Pierre o seguiu. Eles passaram por algumas mesas vazias, até estarem fora do caminho de qualquer um. David se sentou em um lado da mesa e Pierre no outro. Ele soltou seus livros e respirou fundo, relaxando, antes de se sentar para fazer o dever. David tirou seus livros da mochila, colocando-os na mesa.

"Então, se você não se importar, eu realmente iria gostar se você desse uma olhada no meu dever. Quero dizer, seria legal ter um amigo para fazer isso, já que meus pais não podem fazer nada." David riu. "Quando você terminar o seu, é claro. Se você quiser, eu posso te deixar em paz." Pierre apenas balançou a cabeça. "Certo, eu vou calar a boca, ainda assim."

Pierre abriu seu livro e caderno, então puxou um lápis de seu bolso. Ele apoiou a cabeça em seu cotovelo, batendo o lápis do livro aberto, enquanto lia. Mas quando ele percebeu que não iria progredir muito com David sentado lá, ele decidiu que ele deveria começar uma conversa. "Bem," ele disse e tossiu. "Viu algum filme bom recentemente?" Foi tudo o que ele conseguiu pensar.

David folheou seu caderno até uma página em branco e começou a rabiscar com sua caneta. "Eu não vou muito ao cinema. Quero dizer, minha família tem dinheiro o bastante, é claro, mas não sobra muito para fazermos isso o tempo todo. Eu nem consigo lembrar a última vez que eu fui ao cinema. Quando nós temos dinheiro, geralmente eu gasto em roupas ou CD's, ou maquiagem, não no cinema ou qualquer coisa assim."

Ele observou David desenhar o logo do Super Homem em um rabisco rápido. Mas ficou pronto tão rápido, que parecia que ele o tinha feito várias vezes. "Então, qual foi o último CD que você comprou?" Pierre perguntou.

"Eu realmente, realmente quero o último CD do Linkin Park." David disse animadamente, mas então olhou para baixo, contorcendo um pouco o rosto. "Mas meus pais estão guardando dinheiro para irmos para Miami, na Flórida, nas férias de primavera. Eles acabaram de começar a guardar, então eu acho que consigo pedir um pouco de dinheiro, mas não sei. É daqui há sete meses, o que é um pouco ridículo, mas eles não me dão. Eles são estritos com dinheiro. Assim como eles são comigo, e várias coisas."

Pierre assentiu e olhou para David, notando o leve franzir. Isso o aborreceu, e ele decidiu que precisava melhor o clima de algum modo. Por debaixo da mesa, ele cutucou o pé de David com o próprio. David olhou para cima e Pierre lhe mostrou a língua. David riu levemente e girou os olhos. "Você é tão estranho." Ele disse e Pierre deu de ombros, querendo falar 'olha quem está falando', mas decidindo deixar isso de lado. David provavelmente sabia que isso aconteceria.

O sorriso sumindo de seu rosto, Pierre olhou novamente para seu livro. Ele tentou ler, mas isso se provou difícil. "Bem, você pode voltar ao seu dever. Eu vou calar a boca de novo." David disse e sentou, ainda rabiscando seu caderno. Finalmente, Pierre foi capaz de se focar um pouco, e conseguiu terminar.

Pelo final da aula de mecânica, Pierre chegou a uma grande compreensão. Ele não conseguiria continuar sendo apenas amigo de David por muito mais tempo. Ele precisava fazer algo sobre isso. Especialmente sobre o quão malditamente fofo ele pareceu a aula toda. Quando ele deixou cair o macaco, quando ele derrubou o martelo, quando ele repetia constantemente a palavra 'desculpe'... Pierre não conseguia agüentar isso. Ele o quis naquele momento. Se o carro estivesse terminado, o banco de trás teria sido o lugar perfeito.

Mas David não parecia ser do tipo que estaria aberto a ficadas sem significados, como essa.

Quando o sinal tocou, David colocou seu suéter e olhou para Pierre, que estava fechando o capô do carro. "Te vejo amanhã, Pierre." Ele disse. "Não trabalhe no carro sem mim. Se você for mexer nele fora da aula, não esqueça de me ligar. Eu não vou deixar você terminar essa coisa sozinho." Pierre assentiu. "Au revoir." então ele foi embora. Enquanto ele o fazia, Pierre o observou, limpando suas mãos no pano.

Alguns momentos mais tarde, ele seguiu o resto da sala para fora da garagem e para o corredor. Enquanto ele pegava suas coisas no seu armário, ele pensou em várias maneiras que ele poderia lidar com esses sentimentos. Ele tinha que expressá-los, ele sabia disso. Mas, como? Ele não se dava bem falando, então ele não conseguiria falar. E ele não era um daqueles românticos incorrigíveis, que podiam pensar em um gesto elaborado. Ele apenas tinha que fazer... Algo.

Não foi até ele estar andando para casa, a mochila pendurada nas costas, que ele chegou à percepção do que ele poderia fazer. Mais cedo naquele dia, David tinha mencionado algo sobe um CD do Linkin Park que queria, mas não tinha dinheiro. Isso o acertou. Era perfeito! Ele podia simplesmente comprar o CD para ele, e este seria um gesto simples, mas ainda doce. Talvez, então, David entenderia a dica de que Pierre não queria ser apenas amigo dele.

Então, quando ele chegou em casa, Pierre foi direto para o quarto de sua mãe para achar dinheiro. Sarah não estava em nenhum lugar, e o carro ainda estava lá, então Pierre sabia que ele podia apenas roubar o dinheiro, então dirigir até o shopping para comprar o CD. Ele abriu a gaveta do armário, onde Pierre sabia que sua mãe guardava todo seu dinheiro de, você sabe, vendas de droga.

Infelizmente, quando ele a abriu, ele não encontrou dinheiro. O que era estranho, por que ela sempre o matinha lá. Talvez ela finalmente o tenha tirado de lá, por que descobriu que Pierre vinha roubando o tempo todo para suas próprias drogas e bebidas e... Outras coisas que não importavam realmente. "Droga." Ele murmurou, enquanto fechava a gaveta. "Como, diabos, eu vou comprar o CD agora?" ele colocou a mão no bolso para ver se ele tinha dinheiro.

Tirando a mão do bolso, ele encontrou apenas um dólar em moedas. Ele foi até seu quarto, ver se ele tinha algum dinheiro lá. Ele sempre mantinha seu próprio dinheiro escondido sob seu colchão. Quando ele o ergueu, ele encontrou um pouco. Com sua sorte, entretanto, não seria muito. E não era. Apenas quinze dólares. Meh, era melhor do que nada. Quanto CDS custavam atualmente, de todo modo?

Quando ele entrou no oh-tão-familiar (bem, ele tinha que matar as aulas em algum lugar) Shopping de Montreal, ele se deparou com uma pequena multidão. Não muito pequena, mas não tão grande quanto era nos finais de semanas. Com seus quinze dólares, Pierre foi até a HMV. Ele não queria se distrair com outra coisa, só no caso de ele acabar gastando seu dinheiro e, então, ele não seria capaz de comprar o presente para David.

Na primeira prateleira da loja, Pierre viu o CD. O que era bom, por que ele não conhecia Linkin Park, e se não estivesse na prateleira de 'NOVIDADES', ele provavelmente não saberia qual era o último lançado. Ele o pegou e olhou o preço, apenas para se garantir que ele tinha o bastante. Ele não podia ter tanta certeza.

Malditos dezoito dólares? Você 'ta me zoando? Desde quando os CDS são tão caros? Tem só onze músicas nessa porcaria.

Ele procurou em todos os bolsos por mais dinheiro, para ver se ele conseguia a diferença. Infelizmente, ele não encontrou nada. Ele amaldiçoou internamente várias vezes, frustrado com o quão ruins eram esses preços. A última vez que ele comprou um CD, foi o último do Green Day, e era bastante barato na época. Mas as coisas mudam, é claro.

Pierre olhou ao redor, para as pessoas na loja. Estava bastante cheia, então ninguém ia prestar atenção nele. Ele podia apenas roubar. Não era como se ele fosse ser pego. Havia muitas pessoas ao redor para...

BEEP! BEEP! BEEP! BEEP!

Assim que Pierre caminhou para fora da loja, os sensores dispararam. Ele tentou continuar andando, como se não fosse com ele, mas já era muito tarde. Um segurança estava se aproximando rapidamente. Ele queria virar para o outro lado, mas foi parado por outro segurança. Eles o mantiveram preso lá, e não havia como sair agora. Havia apenas algumas pessoas que estavam saindo da loja ao mesmo tempo.

Os seguranças fizeram cada um deles passar pelos detectores para saber quem era. A primeira pessoa, sem som. A segunda, sem som. Pierre, BEEP! BEEP! BEEP! BEEP!. Maldição. Ele jurava que podia sair ileso dessa. Ele tinha roubado alguns CDS antes. Fora assim que ele conseguira todos os CDS do Good Charlotte. Dessa vez, entretanto, ele não teve tanta sorte.

Quando o CD fora removido da jaqueta de Pierre, os dois seguranças seguraram seus braços e o guiaram para longe da loja, para longe das pessoas, para longe da única chance que ele tinha de fazer David gostar dele de novo.

[...]

Ali estava ele, de novo. Que patético. Pierre era, agora, o Rei de Tomar Decisões Estúpidas. Tinham lhe dito uma vez, que ele não era uma má pessoa, que apenas fazia as decisões erradas. As únicas pessoas que lhe falavam isso eram os professores, é claro, mas eles tinham que falar isso para todo mundo. Eles sempre davam o sermão de 'potencial'. Era uma obrigação de todas as figuras de autoridades. Eles não iriam seguir com 'você é um perdedor e você deveria apenas desistir'.

Foi isso o que Pierre disse a si mesmo.

Ele estava usando aquele uniforme laranja de novo. O cheiro de naftalina e bolor invadia suas narinas, como antes. Ele reconheceu tudo e odiou. A cama dura, onde ele estava sentado, a aparência dos homens ao redor (a maioria deles se lembrava dele) e a insanidade que essas quatro paredes traziam. Ele não podia estar aqui de novo. As coisas estavam começando a funcionar com David. Ele ia, realmente, fazer algo. Ele não podia estar de volta na cadeia.

Mas, alas, lá estava ele. Ele já estava lá há duas noites, e estava pronto para começar a puxar o cabelo. Agora ele entendia por que cadeias abandonadas eram sempre assombradas. Era fácil ficar completamente louco em alguns meses. Pierre quase chegou lá, mas saiu bem a tempo. Outro mês lá e ele teria começado a gritar.

David estava em sua mente o tempo todo. Ele se sentia ainda mais estúpido por fazer isso. Foi algo que ele fez pelo momento, sem pensar. Ele sabia que não podia comprar o CD, por não ter dinheiro, então ele fez a única coisa que ele sabia fazer. Ele roubou. E foi pego. E foi jogado de volto para o único lugar que ele tinha certeza de que nunca mais colocaria os pés. Bem, fora isso o que Richard lhe dissera.

Ele se inclinou, os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos. Seus olhos estavam fechados apertadamente, enquanto ele se amaldiçoava de novo e de novo. Ele tinha sorte por estar sozinho ali, então as pessoas não lhe olhariam estranho por murmurar 'idiota' e 'imbecil' para si mesmo. Ele nunca teria uma chance com David. Qualquer chance que ele tinha de fazer David um caso de uma noite foi pelo ralo. Não mesmo que David ia sair com ele, quem dirá dormir com ele.

Houve uma batida nas barras da sua cela e Pierre olhou para cima, apenas para ver um dos guardas. "Bouvier, você tem visita." Ele estava destrancando a grade, enquanto Pierre se levantava. Com a cabeça baixa, ele saiu e foi guiado pelo guarda até a área de visitas. Quem seria seu visitante? Ele não tivera nenhuma visita quando estivera lá. Era sua mãe? Johnny? Richard? Richard era seu melhor palpite.

Ele se sentou na cadeira de plástico cinza, olhando para o assento vazia do outro lado do vidro a prova de balas. Seus olhos se fecharam, enquanto ele pegava o telefone e o colocava em seu ouvido. Ele estava aterrorizado com quem poderia ser. Se fosse Richard, ele receberia um sermão, e depois conselhos. Se fosse sua mãe, ele receberia o sermão de 'imbecil'. Se fosse Johnny, ele receberia o sermão de 'se recomponha, seu idiota!'. Nenhuma das opções parecia boa.

Pierre ouviu o telefone ser pego e abriu os olhos para ver quem era. Sua cabeça abaixou, uma vez que ele viu quem estava se sentando do outro lado. David se sentou, o telefone agora em seu ouvido. Pierre esperou que David viesse cheio de perguntas ou sermões, como todos os outros. Mas ao invés de surtar, David falou em um tom calmo. Não importava, entretanto, por que Pierre podia ver que ele estava surtado por toda essa provação. Ele não sabia que Pierre tinha estado na cadeia.

Ambos ficaram sentados lá em silêncio por alguns momentos. Pierre não se atrevia nem a olhar para ele. Ele não estava com vontade de ver a expressão de desapontamento que ele sabia que estava no rosto de David agora. "Hey," David finalmente falou. Pierre não disse nada. "Eu ouvi sobre isso. Do meu pai." Houve outro silêncio, e Pierre estava impressionado que o garoto não estivesse falando na velocidade da luz, como ele sempre fazia. "Eu sabia que você tinha alguns demônios, mas roubo?"

Pierre sentia uma guerra sendo travada dentro de seu estômago. Ele se sentia tão nauseado consigo mesmo por ter deixado isso acontecer de novo. Que ele tinha arruinado seja lá o que ele estivesse tentando construir com David. "Não foi minha culpa." Pierre disse, finalmente olhando para David, se garantindo de não olhar nos olhos dele. Ele não sabia como explicar, sem contar diretamente a David que ele estava lhe comprando algo, para fazer o menor gostar de si. De novo.

"Não foi sua culpa? Então, o quê? O CD apenas caiu dentro da sua jaqueta?" David vociferou, o volume de sua voz se erguendo algumas oitavas. Pierre abaixou seus olhos novamente, como se ele tivesse acabado de receber um tiro no peito. Ele, basicamente, tinha recebido. David respirou fundo. "Desculpe. Não queria ser ríspido com você." Ele se desculpou, sua voz no volume normal. "Eu só estou... Surpreso. Eu podia ter jurado que sua aparência de 'bad boy' era apenas aparência. Eu não sabia que era realmente verdade."

De novo, Pierre não disse nada. Quando Richard lhe deu um sermão desses, ele não se sentiu mal consigo mesmo. Quando professores o faziam, quando sua mãe o fazia, quando qualquer figura de autoridade o fazia: nenhum deles o fazia se sentir tão culpado quanto David estava fazendo. E ele sequer estava gritando. Ele estava bastante calmo e composto. Mas era provavelmente por isso que estava atingindo tão forte Pierre.

Depois de alguns momentos de silêncio, David falou de novo. "Por quê?" ele perguntou. "Por que você fez isso? Era realmente tão importante assim conseguir o CD?"

Sua voz estava baixa, monótona, e quase inaudível. Ele fixou a mesa a sua frente por tanto tempo, que estava completamente fora de foco; apenas um borrão verde para seus olhos. "Eu não fiz isso... Pra mim. Não, uh, foi. Não foi pra mim." Ele conseguiu falar. Seu coração bateu mais rápido com essas palavras. Ele sabia que tinha que dizer a David que fora por ele, por que era a única desculpa que ele tinha. Embora não fosse realmente uma desculpa, por que desculpas eram coisas falsas. Isso era totalmente verdade.

David pausou, confuso. "O quê?" perguntou. "Bem, para quem era?" Pierre fechou os olhos apertadamente, tentando se livrar do peso em sua cabeça. "Pierre."

"Era para você." Ele respondeu instantaneamente, um pouco mais alto que sua fala anterior. Ele estava surpreso por não ter vomitado naquele momento, ele se sentia tão mal. Ele queria conseguir o CD para David como um presente, para que ele não tivesse que falar para David como se sentia. Ele podia mostrar a ele, ou ter alguém falando por si. Isso acabava completamente com o propósito de conseguir o CD.

As sobrancelhas de David se ergueram, surpreso pela resposta, desde que era inteiramente inesperada. "Oh." Ele disse, o rosto voltando ao normal. Ele limpou a garganta, ainda olhando diretamente para Pierre, cuja cabeça ainda estava abaixada. "Uh, bem... Por quê? Meu aniversário foi há mais de mês, e o Natal é daqui alguns meses. Qual a ocasião?"

"A ocasião é..." Pierre começou, cerrando os dentes, um pouco frustrado com quantas perguntas David estava fazendo. Mas uma vez que ele encontrou os olhos de David, seus dentes nãos mais cerrados, e ele não conseguiu continuar bravo. A mesma sensação de culpa voltou no fundo de seu estômago, ele desviou os olhos. "Não foi nada." Disse, baixo. "Só... Só um presente. Para, uh, te agradecer por... Ser meu amigo...?" Uau, que patético.

Ele ouviu uma risada vir do outro lado da linha e olhou para cima, apenas para se deparar com um sorriso no rosto de David. "Seu besta, você podia ter apenas me dito. Eu não precisava de um presente." Disse. Então seu sorriso se abrandou. "Você fez tudo errado, é o que te digo. Mas eu gostei do gesto, então, obrigado." Pierre deu de ombros e olhou para baixo de novo. "Hey, se você precisar de um advogado ou algo assim, eu posso pedir pro meu pai. Ele está querendo te ajudar, mesmo que você não seja mais um menor."

Pierre balançou a cabeça. "Não. Eu tenho um." Disse. Então, desejou que não o tivesse feito, por que isso era confirmar que ele tinha estado lá antes. Ele não podia mais negar. Por que mais ele teria um advogado? 'Só no caso?' Ele não tinha dinheiro o bastante para isso.

David o olhou estranhamente. "Você tem?" perguntou. Pierre sequer se moveu, quanto mais disse algo. "Mas, por quê? Você nunca... Bem, eu não sei se você... Você foi julgado por algo? Por que alguns advogados podem ser bem caros. Eu nem acho que eu seria capaz de pagar por um." Ainda assim, Pierre não disse nada. Ele tamborilou os dedos na mesa, em um ritmo desconhecido. "Você esteve aqui antes?"

"Sim, está bem?" Pierre finalmente disse, aborrecido pelas perguntas. Ele olhou para David. "Eu já estive aqui antes. Feliz?" Assim que ele viu o rosto um pouco horrorizado de David, ele olhou para baixo novamente. Ele sibilou um 'porra' sob sua respiração, respirado fundo.

Os dois ficaram em silêncio por, pelo menos, cinco minutos. Pierre não estava ciente das expressões faciais de David, mas ele sabia que ele provavelmente estava processando isso. Então, ele iria embora, nunca mais falaria com Pierre e não iria querer nada com ele. Ele sabia como essas histórias terminavam.

"Por que você não me disse antes?" David perguntou.

Pierre deu de ombros. "Por que eu sou um idiota." Ele disse simplesmente, soando deplorável e melodramático.

"Não, você seria um idiota por não mencionar isso. O que você não fez, então eu acho que deveria te chamar disso." David disse, as sobrancelhas cerradas. Pierre apenas mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça. David suspirou. "Bem, pelo menos agora eu sei, então podemos deixar isso no passado." Ele correu uma mão pelo cabelo, ajeitando-o, como sempre. "Quando você sai daqui? Ou você tem alguém para pagar sua fiança?"

Finalmente, Pierre olhou para David. "Bem, eu tenho Richard, meu advogado. Err, defensor público, que seja." Disse. "Ele vai pagar minha fiança. Cara, ele vai ficar pau da vida. Eu prometi que não ia mais me meter nessa merda. Droga." Ele se inclinou, de modo que sua cabeça estivesse em sua mão, os olhos fechados.

"Pelo menos você tem alguém, então isso é bom. Como eu disse, meu pai pode sempre ajudar. O trabalho dele pede que ele seja mente aberta quanto às pessoas." David disse.

Pierre respirou fundo. "Eu sinto muito, David." Se desculpou. "Eu... Sinto muito que eu deixei isso acontecer. Eu te deixei virar meu amigo, e eu não deveria. Nada de bom sai disso, nunca. Você não merece isso.'" Essa foi, provavelmente, o maior número de palavras que David o ouvir falar de uma única vez no tempo todo que eles se conheciam. Mas ele tinha que se desculpar por isso. Era tudo sua culpa por estar na cadeira de novo. Era sua culpa que David estava do outro lado, provavelmente com uma batalha acontecendo dentro de sua cabeça, que não teria começado se Pierre não tivesse se envolvido. Não o tivesse deixado se envolver.

Ao invés de David se erguer e ir embora, Pierre ficou chocado ao ouvir uma risada. "Uau. Seja duro consigo mesmo, certo? Nossa." David disse e Pierre olhou para ele, um pouco confuso. "Pierre, é minha culpa que eu sou seu amigo. E por que você está fazendo parecer que isso é uma coisa ruim? Não é. Eu sou seu amigo, por que quero. E não é como se algo ruim tivesse acontecido. Eu não estou na cadeia, não estou morto. E não é como se fosse perigoso estar perto de você. Eu te conheço há um mês, e isso não é nada. Certo? Fica frio."

Seus olhos se juntaram, mas não ajudou Pierre se sentir melhor. Ele ainda estava nauseado com seu comportamento. Ele ainda era um idiota, não importava o que. De qualquer jeito que fosse. Se Pierre não contasse para David sobre isso, ele era um idiota. Se ele contasse, ele ainda era um idiota. Era uma situação totalmente perdida.

David apoiou o telefone em seu ombro, de modo que pudesse fechar o zíper de sua jaqueta. Os olhos de Pierre seguiram o zíper subir o corpo de David, mas foi capaz de se recuperar e esconder o fato de que estava observando. Seus olhos se encontraram de nodo e David estava sorrindo. "De todo modo, é melhor eu ir para casa. Minha mãe não sabe aonde eu estou, então ela pode começar uma porcaria de grupo de procura."

"Ela não sabe?" Pierre perguntou.

"Bem, ela não iria realmente aprovar que eu viesse ver 'meu amigo, o criminoso'." Ele disse. Pierre deu de ombros. Era verdade. Qualquer mãe desaprovaria isso. "Então, quando você sair daqui, me liga. Nós vamos sair. Apenas nós dois. Parece bom?" Pierre assentiu, uma sensação não usual aparecendo em seu peito. Parecia que as coisas estavam acontecendo ao seu favor, afinal. "Eu te vejo depois, Pierre. Se comporte." Ele brincou e Pierre sorriu um pouco. Só um pouco.

David desligou o telefone e se levantou, acenando para Pierre, antes de começar a andar. Pierre desligou seu telefone e sorriu, mais largamente do que o que ele deu a David. Uau. Ele ia ter um encontro. Ele nem tinha certeza de que sabia o significado dessa palavra. Ele nunca tinha ido a um.