Capítulo 7: It's Like It All Falls Into Place

Estava tudo bem em se sentir desse modo? Você sabe, pronto para vomitar por alguma razão desconhecida? Bem, estando bem ou não, Pierre estava se sentindo assim. Para ser honesto, a sensação de eu-vou-vomitar meio que o assustou. Principalmente por que ele estava ciente de que essa sensação só era provocada por ninguém mais que o jovem, doce, adorável David, que o tinha chamado para um encontro.

Para um encontro. Você tem alguma idéia de quanto tempo fazia desde que Pierre sequer ouviu essa palavra? Ele não tinha certeza de como ele era suposto a agir em tal situação. Ele era suposto a ser o 'homem', e comprar coisas, abrir portas, segurar a mão dele? Ele não tinha certeza. Na cama, ele sempre sabia quem o 'homem' era. Nesse caso, ele podia apenas assumir que ele, Pierre, era o 'homem'. Ele sabia que ele teria problemas apenas em lidar com isso.

A manhã toda, a cabeça de Pierre estava girando como um carrossel quebrado em um furacão. Embora ele estivesse completamente ciente dos sentimentos românticos que ele tinha em relação a David, isso ainda era estranho, por que ele não os queria de verdade. Se ele entrasse nessa (possivelmente se apaixonasse por ele), ele poderia acabar machucado, e/ou David poderia. Apenas por que Pierre era um exemplo vivo de problema e azar.

Pela primeira vez em toda sua vida, Pierre estava realmente preocupado com o que ele estava vestindo. Ele, provavelmente, tentou três combinações diferentes, antes de finalmente escolher uma. Parecia que um tornado tinha passado por seu quarto, por que as roupas estavam espalhadas por ele. Seu armário estava revirado e o espelho virou seu pior inimigo. Agora ele estava preocupado com sua aparência? Maldição, o que David estava fazendo consigo? Mais uma roupa foi mudada, e Pierre finalmente se jogou na cama, exausto.

Então, ele tinha encontrado uma roupa. Uma que parecesse remotamente com algo que David podia achar atraente (David o achou atraente quando eles se conheceram, aparentemente, então ele não tinha que tentar tanto quanto tinha tentado). Ele tinha pegado dinheiro 'emprestado' com sua mãe (ele nunca realmente se importava em pedir dinheiro, então apenas o pegou). Agora, tudo o que ele precisava era do carro (e uma quantidade insana de confiança, da qual ele estava em falta) para ir pegar David. O menor tinha lhe dado as direções pelo telefone alguns dias antes.

Depois de uma dolorosa conversa sobre o plano do outro para a noite, Pierre teve permissão de usar o carro. Ele pegou as chaves na mesa próxima a porta e saio da casa, para o Volkswagen velho, parado na entrada de carros.

Quando ele estava no assento do motorista, ele parou por um segundo, antes de sequer ligar o carro. Ele virou um pouco o retrovisor, de modo que se visse nele. Não importava o que ele fizesse, ele nunca ficava realmente satisfeito com sua aparência. E desde que era um encontro mais intimo com David, sua aparência seria examinada a todo o momento. Então, ele estava sendo cuidadoso com isso. Ele não se surpreenderia se David o imaginasse em um macacão laranja e algema.

Ele ajeitou o retrovisor e deu a partida no carro. Com um suspiro, ele saiu da entrada de carros. Ele não tinha certeza de estar pronto para isso, mas ele não podia dar para trás agora. Não depois de tudo pelo que ele passou para chegar a isso.

Sem mencionar 'encontro'; fazia um ano desde que Pierre realmente esteve com outro cara, como mais que amigo. Em outras palavras, ele não transava há algum tempo. Havia algumas experiências na cadeia, das quais ele não tinha orgulho, mas fora isso, nada. Ele se perguntou como conseguiu durar tanto com apenas sua mão e uma foto velha, arrancada de uma revista de cowboy nu. Talvez se ele levasse David para sair mais algumas vezes e o deixasse realmente bêbado...

Uau, Pierre, você sequer sabe quão baixo isso soa? Bem... Uh... É, ok. Verdade.

Antes que ele sequer tivesse a chance de pensar em voltar, ele estava estacionando na frente da casa dos Desrosiers. Uma casa bacana; não um barraco, mas também não uma mansão. Era, basicamente, a casa que Pierre apenas sonharia em morar. Mas a família nunca teve a chance, antes de Michelle morrer.

Agradecidamente, Pierre não teve que buzinar ou nada assim (ele não tinha certeza de que ele tinha permissão para), por que a porta da frente se abriu e David apareceu. Aquele sorriso animado de sempre estava em seu rosto, como sempre estava, e ele pulou (não usual, mas não era muito animado) até o carro.

Quando ele entrou do lado do passageiro, todo o carro foi preenchido com essa luz de vivacidade, que poderia ser trazida apenas pela presença de David Desrosiers. As esquinas dos lábios de Pierre se ergueram levemente, enquanto a porta era fechada e David olhava para ele. "Hey." Ele disse, tão simples, puxando o cinto de segurança e o afivelando.

Então, Pierre voltou a dirigir, um pequeno 'hey' deixando sua boca. "Seus pais estão de acordo de, uh, você vir comigo?" ele perguntou, embora ele tivesse certeza de que já sabia a resposta. Ele sequer conhecia os pais de David, mas já sabia que eles não teriam gostado de si.

"Não." David respondeu o óbvio. "Mas, hey, quem ouve os pais? Além do mais, foi apenas minha mãe, meu pai não." David fazia vários gestos com a mão enquanto falava, Pierre notou. As mãos dele deviam ficar cansadas, por que ele falava bastante. "Desde que meu pai é um advogado, ele tem que considerar as pessoas, antes de julgá-las. Mas minha mãe... Bem... Ela é um pouco das antigas. Ela não tem problemas com coisas gays, mas ela quer que eu case com um garoto todo-Canadense."

Bem, que bom. Pierre estava longe de um garoto todo-Canadense. Sem falar nada, ele apenas ficou quieto. O que ele era suposto a dizer? David fazia um ótimo trabalho em preencher silêncio, Pierre não. Essas qualidades pareciam complementar a outra bem, ele pensou. E Pierre tirava vantagem do fato.

Agradecidamente, entretanto, David mudou de assunto. "Então," ele começou. "Aonde você está me levando?" ele tinha que ter visto essa pergunta chegando.

Ele não tinha, realmente, uma idéia firmada em sua cabeça. Ele apenas tentou adivinhar o que os outros fariam. Digamos, o que os atores de cinema fariam. Eles pareciam sempre fazer a coisa certa nessas situações. Ainda que elas fossem todas do roteiro. "Bem, como você deve ter adivinhado," Pierre disse. "Eu não faço isso com freqüência." David assentiu.
"Então, uh... Cinema?" ele mordiscou seu lábio inferior levemente, se garantindo que seus olhos permanecessem na rua a sua frente.

David sorriu. "Típico, inautêntico..." Ouch. Pierre sabia que isso era estúpido. "Eu gostei." Uh, o quê? Pierre olhou para David. "Qual é, Pierre, eu não ia te dispensar por causa disso. Não é como se você estivesse me levando para pular de pára-quedas – embora isso fosse ser legal. É o cinema. Eu já estou animado com o fato de que eu estou saindo com você, em primeiro lugar. Relaxa."

Pierre sorriu timidamente e procurou por uma vaga no estacionamento. Mas ele não tinha certeza do que falar, então ele não o fez. Ele ainda estava saboreando o fato de que David estava tão direto sobre o que ele pensava. Isso deixava as coisas bem mais fáceis, desde que a maioria dos outros homens não eram assim sobre seus sentimentos.

Uma vez que o carro estava estacionado, Pierre saiu e andou até a porta do passageiro, onde ele a abriu e ajudou David a sair. Mas ele não ficou segurando a mão dele. Ele ainda não tinha certeza de fazer isso. Uma coisa que ele sabia era que ele devia abrir as portas, o que ele fez. E pagar pelos ingressos. O que ele também fez.

Depois de comprar os ingressos de Beleza Americana, que era o filme que eles concordaram em ver, eles pararam na fila não tão longa do balcão de guloseimas. "Nós dividimos um saquinho. Eu não como muita pipoca. E nós precisamos das Barrinhas de Amendoim Amanteigadas da Reese. Definitivamente." David explicou as opções de comidas. "Você pode comprar qualquer doce que quiser. Oh, e eu quero uma coca-cola. Diet, por favor. O que você vai querer?"

Pierre demorou mais alguns momentos para entender apenas o que ele tinha acabado de falar. "Uh," ele piscou. "Balas de goma de pêssego. E um Mountain Dew.¹" com tudo isso, Pierre tinha que se perguntar se ele sequer tinha dinheiro o bastante. Ele tinha gastado uns vinte dólares nas entradas. Agora quase vinte em besteiras. E ele achando que quase cinqüenta dólares eram o bastante. Esperançosamente, não sairia muito caro.

David pousou sua mão no braço de Pierre. "Está tudo bem," ele começou. "se você não puder pagar. Eu trouxe um pouco de dinheiro." É, isso o fez se sentir melhor.

Pierre balançou a cabeça e afastou seu braço da mão de David. "Eu posso pagar. Eu tenho dinheiro." Ele disse, soando um pouco mais defensivo do que deveria. Eles chegaram à frente da fila e Pierre fez o pedido. Mas quando ele foi informado do preço, ele percebeu que alguns dólares ficariam faltando. Por que sempre alguns dólares ficavam faltando? Então, ele viu David entregando a diferença que Pierre não tinha, para o adolescente que os estava atendendo. Antes que Pierre pudesse se opor, entretanto, eles estavam andando com sua comida e bebida. "Você não..."

"Nem termine essa frase." David o interrompeu. "Não foi nada." Eles sorriram um para o outro, e Pierre o agradeceu muito suavemente.

Nos próximos quinze minutos, eles se sentaram na sala número quatro. Eles estavam no fundo, longe das outras pessoas. David, à sua esquerda, tinha o pé sobre o assento à sua frente, desde que estava vazio. A pipoca estava em seu colo, quando os trailers começaram a passar. Os olhos de David estavam fixos na tela; tão entretido. Era fofo, e Pierre não podia evitar observá-lo pelo canto de seus olhos, se garantindo que não fosse óbvio que ele o estava fazendo.

Meia hora depois de o filme ter começado, David bateu na perna de Pierre e se sentou direito. "Espere um pouco. Eu já volto." Ele disse. Pierre apenas assentiu, observando-o descer pela sala, em direção à porta. Finalmente, Pierre pôde prestar atenção ao filme, sem ser distraído por algumas pequenas táticas de David; as pequenas coisas que ele parecia notar sobre David, que mais ninguém percebia.

Foi dez minutos depois que Pierre viu David entrando na sala novamente. Ele andou rápida e silenciosamente, passando por algumas pessoas para se sentar ao lado de Pierre novamente. Ele tinha algumas coisas nas mãos. "Esqueci desses." Ele sussurrou, segurando uma caixa de chocolate, que Pierre não conseguiu identificar, por que a marca estava virada errada. "E esses chamaram minha atenção, então achei que seria legal comprá-los. Mesmo que sejam um pouco femininos, eles chamam a atenção. Mas, sério, o que não chama minha atenção? Ha."

Pierre sorriu timidamente e observou David tirar duas caixinhas de plástico de seu bolso. Ele as abriu para revelar dois anéis de plástico, de crianças. Um era roxo e o outro era rosa. Ele olhou curiosamente, se perguntando por que David tinha comprado isso. Ele ergueu o rosa, que representava um coração. "Esse é para você. Espero que não seja muito brega, mas você não precisa usá-lo para sempre. Você sequer tem que usá-lo agora, a não ser que queira."

Dando de ombros, Pierre disse. "Certo." Ele não ia negar, quando era claro que iria deixá-lo feliz.

David colocou o anel no dedinho direito de Pierre. Então, ele mostrou para Pierre como o seu era no formato de uma flor. Brega, sim. Feminino, sim. Ridículo, sim. Algo que Pierre iria tirar essa noite, ou amanhã de manhã... Provavelmente. David colocou seu anel, no mesmo dedo que o de Pierre estava. Ele sorriu para o maior, e Pierre derreteu, sem mais se preocupar com o quão estúpido o anel em seu dedo deveria estar.

"O que mais você comprou?" Pierre perguntou suavemente.

David ergueu a caixa que ele tinha mostrado antes. "Junior Caramels." Pierre ainda parecia confuso, claramente não conhecendo o doce. Ele nunca os tinha comido antes. "Você nunca experimentou?" David perguntou, lendo a mente de Pierre e soando chocado. Pierre balançou a cabeça, enquanto David abria a caixa. "Aqui, abre a boca." Pierre abriu a boca tentativamente e David colocou uma bala coberta de chocolate em sua língua.

Ele fechou a boca e mordeu o doce de chocolate, então engoliu. "É bom." David sorriu novamente e comeu alguns também. Ele se ajeitou confortavelmente em seu assento e se inclinou para mais perto de Pierre, os ombros se tocando. Ele continuou dando os chocolates para Pierre.

Com o quão perto David estava, Pierre entendeu a dica. Ele tinha visto isso em filmes, antes. Ele ergueu seu braço e o passou ao redor do pescoço de David, permitindo que o outro garoto se aproximasse ainda mais. Dentro de seu peito, o coração de Pierre estava enlouquecido. Ele nunca tinha tocado tanto alguém sem esperar por algo mais. Ele certamente estava esperando por mias, mas não contando com isso. David parecia muito inocente. Era como se ele tivesse 'virgem' escrito em sua testa em letras garrafais.

E Pierre sequer tivera que perguntar.

O filme todo, tudo o que Pierre fez foi se focar no cheiro de David, desde que ele estava perto o bastante para cheirá-lo. Antes que ele percebesse, os créditos finais estavam passando na tela e David estava se sentando. Ele esticou seus braços para cima e tirou o de Pierre do seu pescoço. Pierre o esticou e secou o suor nas suas palmas na sua calça. David se virou para ele e sorriu, recebendo outro em retorno.

David se ergueu e esticou sua mão para Pierre pegar. Ele o fez, e se levantou, permitindo David lhe guiar para fora da sala do cinema. Não foi até eles estavam do lado de fora, que o menor soltou sua mão. Estava um pouco frio do lado de fora, comparado a como estava duas horas mais cedo. A noite estava se aproximando, e era o final de setembro. O ar de outubro era sempre mais frio no Canadá. Era o que lembrava as pessoas de que o inverno estava chegando.

Quando eles estavam do lado de fora, David se lembrou de que ele estava usando apenas uma camiseta, e se arrepiou levemente, enquanto eles começavam a andar pela calçada, na direção de onde o carro estava estacionado. Pierre notou isso no meio do caminho e os parou. "Por que você não trouxe uma jaqueta ou algo assim?" ele perguntou.

Os braços de David se cruzaram sobre seu peito, tentando aquecer seu corpo. "Eu não sabia que iria esfriar. Estava quente o dia todo." David explicou, dando de ombros. Em um ato de compaixão e simpatia, Pierre tirou seu suéter e o ofereceu a David. O garoto pareceu confuso, enquanto o aceitava. "Mas... Agora você não tem um para vestir..."

Pierre deu de ombros. "Estou bem." Ele estava usando uma blusa de manga comprida, afinal. Depois de uma breve hesitação, David parou e colocou o suéter de Pierre. Ficou um pouco largo nele, mas não era um problema. Pierre achou que ele ficara malditamente adorável, e não ia comentar sobre isso. Ele apenas sorriu para David, enquanto o garoto tirava o capuz de sua cabeça e se garantia de que o suéter estava certo em seu corpo.

Mas o sorriu sumiu antes que David o olhasse. "Obrigado." Ele disse. Pierre apenas assentiu; ele não se importava nem um pouco. David pegou sua mão e eles continuaram andando na direção do carro.

[...]

Depois do filme, eles decidiram que não estavam completamente prontos para ir para a casa, ainda. Pierre sabia que ele não queria ir, mas David queria ficar fora até o anoitecer. É claro, Pierre não ia se opor, então dirigiu até o parque mais próximo. Era simples, e havia todos os tipos de brinquedos divertidos, que poderiam manter David ocupado. Talvez, então, eles não teriam que falar e Pierre podia apenas olhar para a toda fofura dele pelo resto da noite.

Eventualmente, David se parou, afundando seus calcanhares na área do playground. Pierre, sentando no outro balanço, desviou o olhar, tentando esconder o fato de que ele estava observando o garoto no balanço à sua esquerda. Ele se balançou em seu balanço, apenas para fazer parecer que ele estivera fazendo isso o tempo todo. Mas o balanço mal balançou. "Então," David começou, atraindo a atenção de Pierre para si. "A semana passada foi bastante agitada. Bem, para dizer o mínimo. Um pouco mais dramática do que eu estou acostumado, eu posso te falar isso."

Pierre olhou para baixo e contorceu um pouco o rosto, encolhendo os ombros. "Acho que sim." Ele disse e olhou inexpressivamente para o chão. "É normal. Para mim." A ponta de seu pé afundou na areia, enquanto ele mordia seu lábio inferior. David assentiu e girou em seu balanço.

Bem, isso era fascinante. Nenhum deles estava falando muito, o que provavelmente era uma primeira vez para David. Quando alguém falava algo, era apenas David, o que não permitia que o medidor de diversão fosse para mais longe do que 'tedioso'. Pierre não estava reclamando, entretanto. Até agora, a noite estava indo muito bem. A última vez que ele sorrira assim, fora antes de seu pai ser diagnosticado com câncer. Mas ele não tinha certeza de como isso o fazia se sentir.

De novo, David foi quem quebrou o silêncio. "Então, o que você fez?" ele perguntou e Pierre o olhou confuso, se perguntando do que ele estava falando. "Quero dizer, o que você fez, você sabe, para ser preso? Quanto tempo você pegou? Se foi um pouco, deve ter sido algo ruim, certo? Bem, meio que. Er, você, tipo, matou alguém ou algo assim? Roubou um banco? Pirateou filmes de terror japoneses e músicas de bandas suíças obscuras?"

Balançando a cabeça, e rindo levemente com a última sugestão, Pierre desviou o olhar. Ele se perguntou como David criava essas coisas. "Não exatamente." Pierre finalmente respondeu, limpando a garganta, como se fosse contar uma história. "Um ano. Tecnicamente, eu fiquei lá uns dez meses." Ele coçou a cabeça embaraçosamente, tentando esconder o quão desconfortável estava em falar disso.

David tinha o olhar curioso, da mesma maneira quando Pierre falava sobre carros. "Aproximadamente um ano antes disso..." Pierre continuou. "Eu, er, meu namorado, ou seja lá o que ele fosse, terminou comigo. Eu não aceitei realmente bem." Ele umedeceu os lábios e mordeu o inferior brevemente, antes de continuar. "Ele deu uma festa na casa do tio dele, e eu entrei de penetra. Meu cigarro fez a cortina pegar fogo, eventualmente queimando todo o prédio. Ninguém morreu nem nada assim. Eles saíram em segurança."

"Mas foi um acidente. Você não poderia pegar um ano por isso, poderia?"

"Não, mas aparentemente ameaçar de 'queimar essa porra toda' é ilegal, também. Eu poderia ter saído mais cedo, mas ninguém que eu conhecia podia pagar minha fiança. Exceto por Richard, que me tirou dessa vez." Pierre disse. "Eu sai quase dois meses mais cedo, entretanto. O que é bom, eu acho."

David assentiu. "Entendo." Ele disse. "O mais perto que eu já estive de uma prisão, foi quando eu fui para o trabalho do meu pai." Pierre apenas assentiu também. "E só para você saber..." eles se viraram a mesmo tempo e seus olhos se sondaram. "O fato de você já ter sido preso não afeta em nada entre nós. Eu ainda gosto de você, e eu ainda acho você maravilhoso. E bastante corajoso, na verdade. Eu quero dizer, se os rumores sobre a cadeia forem verdadeiros. Eles são? Tipo, as brigas e o estupro...?" Pierre assentiu. "Wow. Bem, pelo menos você está livre agora. E se eu fosse do tipo crítico, eu teria te dispensado há muito tempo."

Ele abaixou a cabeça perante as palavras de David. "Você é louco." Disse, então se levantou. "Na verdade, eu acho que esse gesto te certifica como insano." Ele se afastou da área dos balanços, indo para o equipamento de madeira no meio da areia. Ele não estava mentindo. Ele via David como um louco, pela maneira como ele estava disposto a aceitar alguém tão problemático quanto Pierre.

David o olhou de modo estranho e também se levantou. Ele seguiu o mais velho e quase riu. "Por quê? Por que eu sou insano?" perguntou. Ele escalou a estrutura, então ele estava na plataforma mais alta, onde Pierre estava. "Por que eu escolhi não ser mente fechada, cínico, crítico e idiota, como todos os outros? Por que eu gosto de você pelo que você é, e não pela sua ficha criminal?" eles ficaram cara a cara, barrados pelas redes de madeiras. "Ou por que eu te vejo como mais que uma boa transa e quero te conhecer?"

Ótimo, seus jogos de palavras. E seu jogo de mente. Ele era ótimo neles. Por mais que Pierre os preferisse à conversar, eles eram mentalmente cansativos. E David era, provavelmente, bom neles, por que sua mente trabalhava trinta vezes mais rápido que a mente de um ser humano normal. "Eu não sei do que você está falando." Pierre disse. David riu e balançou a cabeça. "Mesmo que soubesse, você está errado."

"Você sabe exatamente do que eu estou falando, e eu estou certo." David disse. "Eu posso ser um ano mais novo do que você, mas eu sei um monte sobre pessoas e seus comportamentos, graças ao meu pai e o que ele faz. Então, eu entendo de onde você vem. Um monte de gente, especialmente os caras, têm problemas em expressar seus sentimentos, o que usualmente torna os relacionamentos gays difíceis, mas felizmente eu nunca fui assim quando se trata de falar o que eu penso, e..."

"David!" Pierre o interrompeu. Ele queria dizer algo mais, mas seja lá o que estivesse na ponta de sua língua, tinha lhe escapado quando ele encontrou os olhos de David. Sua boca abriu várias vezes, mas se fechou quando falhou em produzir algum tipo de som.

David sorriu para Pierre, o que o garoto mais velho não esperava como uma resposta para sua súbita explosão. Pierre o olhou estranhamente. "Então," ele começou, o sorriso ainda em seu rosto. "desde que você já explicou minha sanidade, ou falta dela... Seria louco fazer isso...?" de repente, as mãos de David estavam descansando nas laterais do rosto de Pierre, o puxando para mais perto, então seus lábios se juntaram.

Foi um pouco chocante, e Pierre não sabia como reagir. Por instinto, ele não retribuiu. A língua de David não tinha aparecido, por que ele deve ter sentido que Pierre não estava se esforçando. Quando seus lábios se desconectaram lentamente, Pierre pôde sentir o desapontamento e derrota na respiração de David, que se chocou com seus lábios. Ele temia ter desapontado o garoto ao não fazer nada.

Afastando-se dele, David balançou a cabeça. "Desculpe, desculpe. Eu sei... Eu sei que você não está pronto." Pierre se socou mentalmente. Escolha estúpida. "Desculpe. Eu não devia ter feito isso." Ele desceu da plataforma, indo para a de baixo. Pierre o observou e não conseguia se lembrar da última vez que se sentiu tão arrependido.

Ele respirou fundo. "David," ele começou e eles se olharam. Isso deixou mais difícil para Pierre falar com confiança. "Eu... Eu não..."

"Não, Pierre." David o interrompeu, balançando a cabeça. "Se você não quer corresponder, você não tem que. Eu sei que você não está pronto, está tudo bem." Ele parou no nível do chão, mas não olhou para Pierre. "Acredite ou não, eu sei ser paciente. E eu gosto de você, então eu posso esperar o quanto você quiser." Ele encolheu os ombros e colocou as mãos nos bolsos do suéter de Pierre.

Suspirando, Pierre olhou para ele. "Eu gosto de você, David." Disse, maravilhado que ele realmente tivesse dito isso em voz alta. Eram cinco palavras que fizeram seu coração entrar em um estado de pânico. "Eu só... Você é... Ugh. Isso é difícil pra mim, certo?" David lhe deu um olhar simpático e, pra variar, não disse nada. Pierre virou a cabeça, correndo uma mão pelo cabelo. Ele não sabia o que mais falar. Ele não sabia se ele queria falar mais alguma coisa.

David ergueu seu braço direito para olhar para o relógio que ele sempre usava naquele pulso. "São quase nove horas." Ele anunciou, atraindo a atenção de Pierre para si novamente. "É melhor se eu for para casa, antes que minha mãe tenha um ataque de pânico, por que ela acha que nós fugimos para Vegas." Pierre assentiu e se juntou a David no chão. De lá, eles andaram até o carro de Pierre, onde David entrou do lado do passageiro e Pierre do motorista.

Pierre, o garoto que se sentia o maior idiota do mundo. Por que, maldição, ele fez de novo!

Enquanto ele dirigia para longe do playground, o único pensamento na mente de Pierre era estúpido, estúpido, estúpido! Ele sempre tinha se amaldiçoado por sua falta de habilidade de se comunicar, e dessa vez não foi diferente. O silêncio no carro o estava matando, e ele estava com medo de perguntar a David como ele estava se sentindo. Mas ele sabia que o tinha machucado de algum modo e, mesmo que não soubesse como, ele sabia que não queria ver David dessa maneira.

Não foi até o carro estar completamente parado na frente da casa de David, que alguém falou. É claro que esse alguém não foi Pierre. "Eu me diverti, Pierre." David disse, virando-se para olhá-lo. Pierre, cuidadosamente, virou a cabeça para ver uma expressão otimista no rosto de David. Incomum, para o que tinha acabado de acontecer. "E eu realmente gostaria de fazer de novo." Então, ele se inclinou para dar um beijo na bochecha de Pierre. Droga, o beijo de amigo. "Te vejo na segunda."

Mas quando ele ia embora, algo disse a Pierre que ele não podia deixá-lo ir. Essa coisa foi as milhares de centenas de cowboys dentro de seu estômago, com armas. Isso o fez se sentir mal, e ele percebeu o que ele tinha que fazer. "David," ele o parou e o garoto se virou, a porta nem completamente aberta ainda. "Eu... Uh, sinto muito que eu tenha feito isso. Er, não tenha... Antes. Não é que eu não quero, ou quero... Uh, eu... Eu não sei como falar isso..."

David sorriu. "Bem, eu sou conhecido pelo meu conhecimento de palavras." Ele disse, repousando sua mão na lateral do rosto de Pierre. "Talvez eu possa ajudar?" Pierre sorriu nervosamente, enquanto sua cabeça se abaixava. Mas não por muito tempo, por que David ergueu seu queixo e o puxou para perto. Seus olhos se encontraram por tanto tempo quanto puderam, antes de seus lábios se juntarem, então seus olhos se fecharam. A princípio, Pierre não tinha certeza, mas ele se deixou levar pelo momento e retribuiu o beijo.

Sua língua correu pelo lábio inferior de David, sua mão indo se enroscar no cabelo de David. Suas línguas se moveram sensualmente, não muito ansiosas ou grosseiras. Esse era seu primeiro – oficial – beijo, afinal. Nenhum deles queria ir muito longe. Por isso, David lentamente fechou sua boca, sugando o lábio inferior de Pierre brevemente, antes de terminar com qualquer contato entre seus lábios.

Seus olhos se abriram e se prenderam. Pierre queria dizer algo, mas não sabia o que. Um sorriso simplório apareceu em seus lábios, entretanto. E David o retribuiu. "Não é realmente difícil." Ele disse e o coração de Pierre derreteu levemente. "Eu te ligo. Ou te vejo na segunda. O que seja." Com isso, ele saiu do carro. O coração de Pierre encontrou uma freqüência normal uma vez que a porta foi fechada.

Uma vez que David estava dentro de casa, Pierre dirigiu para longe de lá, indo para sua própria casa. Embora que um pouco relutantemente. Quando eles se conheceram, Pierre nunca achou que ele iria querer passar o tempo com David. Mas se ele comparasse como a vida era com David por perto com como ela era sem ele lá, a ciência certamente apontaria a primeira opção como a melhor escolha. E se Pierre fosse pensar cientificamente, ele chegaria a essa conclusão. Mas Pierre nunca tinha sido bom em ciência.

Em casa, ele se deitou em sua cama, perdendo-se em pensamentos ao som de Bad Religion. Ele deixou as memórias de toda a noite passar por sua mente de novo e de novo, particularmente a do beijo. Ele não achava que esqueceria. A sensação era maravilhosa; era algo que ele nunca experimentara antes. Bem, ele já tinha beijado. Muitas vezes. Mas não assim. Nenhum dos outros eram David. Era uma história completamente diferente.

Pierre ficou deitado, brincando um anel de plástico em dedinho direito, que David tinha lhe dado. Seu dedão correu pelo coração cor-de-rosa no pedaço de jóia barata. Ele riu e balançou a cabeça. Era um acessório estúpido para garotinhas, que custava vinte e cinco centavos. Esse tipo de coisa podiam ser compradas em qualquer lugar. Na verdade, Pierre se lembrava de todas as meninas ganhando um desses na festa de seu primo, há mais de dez anos.

Então, por que isso colocava um sorriso em seu rosto?

...

¹ Ou Orvalho da Montanha, é um refrigerante de cor verde limão.