Capítulo 9: Shining The Light On The Darkest Places
[Entrevista de Emprego 1: Mercado Loblaws]
"Então, senhor Bouvier, você tem alguma experiência na indústria de comida?"
A boca de Pierre se abriu e fechou várias vezes, a mente trabalhando no que ele poderia responder. "Bem, eu..." ele batucou os dedos nervosamente em seu joelho. "Uh... Uh... Defina 'experiência'."
[Entrevista de Emprego 2: Loja West 49]
"Eu vejo aqui, senhor Bouvier, que você foi sentenciado a um ano de prisão por incêndio criminoso..."
[Entrevista de Emprego 3: Mcdonald]
"Senhor Bouvier, para poder trabalhar aqui, você deve ter alguma experiência em cozinhar."
Pierre tossiu levemente. "Oh, na verdade, uh, eu não estou me candidatando para... Cozinhar." Explicou.
O homem assentiu. "Então, é necessário que você, pelo menos, tenha habilidades de comunicação."
"Uh, bem, eu, uh... Eu, uh..."
[Entrevista de Emprego 4: Estação Radio Shack Store]
"Mais recentemente, senhor Bouvier, você foi acusado de furto..."
Com um suspiro longo e dramático, Pierre saiu da loja e andou até onde seu namorado estava, inclinado contra a grade do andar de cima do shopping, enquanto tomava um milkshake. "Então" ele disse, assim que Pierre se aproximou. "Como foi?" Pierre gemeu e apoiou sua testa na grade, os braços pendurados. David riu. "Bem assim, huh?" mas essa brincadeira não pareceu divertir Pierre tanto quanto divertia David.
Ele ergueu a cabeça e respirou fundo. "Sem graça..." resmungou.
David lhe deu um olhar simpático e parou de sugar o canudo de seu copo. Ele o ofereceu para Pierre, um sorriso inocente em seu rosto. "Milkshake de chocolate? Cura todas as preocupações. Como você acha que eu sorrio tanto? Acredite ou não, não acontece naturalmente." Olhando naqueles olhos esperançosos, Pierre não pôde evitar sorrir. Ele aceitou a bebida e tomou alguns goles. "Tente outro dia. Talvez hoje não seja seu dia. De fato, eu li seu horóscopo e falava que esses riscos em sua vida não deveriam ser tomados até terça-feira. Ainda é sábado. Você tem dois dias e meio.
Mas ele não entendia. Ele não sabia por que Pierre estava procurando um trabalho. Por que ele não podia saber. Isso estava sendo feito exclusivamente por causa dele. Se Pierre não conseguisse o dinheiro, Travis e sua 'gangue' podiam machucar David. E Pierre estava disposto a fazer qualquer coisa para garantir que isso não acontecesse. Se isso significava trabalhar em um trabalho de merda no shopping, então Pierre colocaria a plaquinha de nome e fazer um completo idiota de si. Tudo para proteger David.
Ontem, quando ele encontrou Travis e aqueles outros idiotas, ele entrou em pânico. A todo custo, ele ia impedir qualquer coisa de acontecer com David. Era por isso que logo no dia seguinte, David acompanhou Pierre até o shopping, na esperança de que ele fosse conseguir um trabalho para 'ajudá-lo a ganhar mais dinheiro para a escola e... etcetera.' Bem, eles foram ao shopping depois de David ter surtado por bons quinze minutos por causa do corte na bochecha de Pierre. O cara tinha tantos instintos paternais, e ele tinha apenas dezesseis anos.
Tomando mais alguns goles do milkshake, Pierre o devolveu para David e olhou para o primeiro andar lotado do shopping de Montreal. David terminou a bebida, então jogou o copo numa lixeira próxima. "Hey," ele disse, se aproximando de seu namorado, sua mão nas costas de Pierre. "Está tudo bem. Qualquer um com... Uma ficha criminal como a sua teria problemas em ser contratado em qualquer lugar. Eles todos são intolerantes." Pierre se virou um pouco para olhar para ele e David passou os braços ao redor de sua cintura.
Pierre suspirou, passando os braços ao redor dos ombros de David instintivamente. "Não é... Eu só... Preciso de um trabalho. Conseguir um pouco de dinheiro, para que eu possa viver de verdade. Os ganhos de... Uh... Craque da minha mãe não duram muito."
Os olhos de David se arregalaram. "Sua mãe vende craque?"
"Entre outras coisas..." disse, desejando tardiamente que não tivesse dito nada. Ele não queria que David soubesse muito sobre sua família. Ele tinha vergonha de sua família, e quanto menos as pessoas soubessem, melhor. "Uh, bem, vamos apenas dizer que... Eu não estou tão ansioso para você conhecer minha família quanto você está para eu conhecer a sua." David assentiu, como se tivesse entendido, e se inclinou contra Pierre para beijá-lo. Eles olharam dentro dos olhos do outro, testas se tocando.
Pierre desejou que ele fosse do tipo que conseguia ler a mente das pessoas por seus olhos. Ele frequentemente se perguntava se havia algo sobre David, que este não mostrava. Todos tinham algo sobre si mesmo que não estava na superfície. Pierre era o exemplo disso.
Então, se sentindo um pouco estranho, Pierre se afastou. Ter íntimos momentos de olhar-nos-olhos-do-outro era apenas para relacionamentos mais avançados. Eles sequer estavam perto disso. David segurou sua mão. "Se isso te faz se sentir melhor" ele disse. "Eu também não consegui um trabalho. Eu não sei por que, mas ninguém me contrata." Pierre o olhou estranhamente. "Eu sei, é estranho. Eu seria ótimo em um trabalho." Ele suspirou. "Mas, que seja. Nós vamos comprar mais alguma coisa?"
Pierre deu de ombros. "Não sou eu que tenho dinheiro." Falou.
David segurou sua mão, enlaçando seus dedos, e eles começaram a andar. Ele balançou suas mãos entre eles. "Eu não sei. Vamos só relaxar. Procurar por um trabalho é estressante." Disse. Oh, ele entendia perfeitamente. "Tem várias promoções de natal rolando."
"Natal? Nós ainda estamos no meio de outubro."
"Bem, Ação de Graças já acabou, então as lojas estão no próximo feriado que eles podem usar para convencer as pessoas que é solenemente sobre comprar presentes, quando não é." Falou. "Talvez eu te compre um presente pré-natal, huh?"
Balançando a cabeça, Pierre soltou a mão de David. "Não é necessário." Falou. Ele não queria que David se preocupasse com a maneira que Pierre se sentia, por que isso não tinha importância. Ele repousou sua mão nas costas de David e o guiou até a loja mais feliz que ele conseguiu encontrar. Toys 'R Us.
Quando eles estavam dentro, David facilmente se distraiu com vários brinquedos. Pierre jurava que eles seriam expulsos por causa da quantidade de brinquedos com que eles estavam brincando, mas isso fazia David feliz, e Pierre gostava de ouvi-lo rir, então ele não se importava. Ele apenas sorriu para o menor e pegou a bola azul que era jogada para si. E, então, se juntou a David para pressionar todos os botões de cada brinquedo barulhento de todos os corredores, de modo que eles não conseguiam sequer distinguir qual brinquedo estava produzindo cada barulho.
Eventualmente, eles pararam no corredor que tinha legos e bonequinhos de ação. "Hey, Pierre, posso te perguntar algo?" David perguntou, olhando para um Transformer. Pierre assentiu. "Como você se sente sobre conhecer meus pais?"
[...]
Quando estacionou na entrada de carros da sua casa, poucas semanas mais tarde, ele notou que havia três caras indesejados parados no seu jardim. Ele gemeu enquanto parava o carro. Ótimo, o que os três patetas queriam agora? Seu sangue, junto com o dinheiro? Ele saiu do carro e olhou para Travis, que estava lá com Vince e Ben. Mas Travis não ficou ofendido pelo olhar. Ele apenas o retribuiu com um sorrisinho afetado. "Por que tão irritado, Bouvier? Esse é apenas nosso segundo encontro. Os olhares normalmente não começam antes, no mínimo, o quarto." Falou, os dedos digitando algo em seu celular, o qual ele fechou e colocou no bolso.
Pierre cruzou os braços sobre o peito e seu rosto ostentava uma expressão inexpressiva. "Não achei que você sequer se lembraria de que estou vivo." Pierre disse. "Se não fosse pelo Vince, você perderia sua maldita cabeça."
Ben riu. "Pelo menos você nunca terá esse problema." Ele disse e Pierre olhou para ele, confuso. "Por que você já perdeu a sua!" ele começou a rir histericamente, mas mais ninguém achou engraçado. Pierre apenas balançou a cabeça, Vince girou os olhos, e Travis voltou a olhar para Pierre, sequer incomodado pela péssima piada e constante necessidade de se fazer de idiota de seu amigo.
"Eu sei que faz um tempo desde a nossa última adorável conversa, mas eu também sei que se eu for especifico com você, eu nunca vou receber meu dinheiro." Travis disse. "Então, eu vou te dar um tempo limite, Bouvier. Desde que eu gosto tanto de você, eu vou te dar... Hm, vejamos. Hoje é sábado. O primeiro de novembro. Se você não tiver o dinheiro até o começo da pausa de natal, o Menino Bonito vai desejar ter olhos atrás da cabeça, por que eu não vou te dar mais nenhuma folga."
Da maneira mais falsa que ele conseguia, Pierre sorriu. "Que gentil. Você gosta tanto de mim..." então seu sorriso sumiu, seu rosto voltando a ficar inexpressivo. "Eu não vou deixar você machucar David. Você pode me machucar, mas não ele."
Travis cerrou as sobrancelhas para ele. "Você quer um olho roxo para acompanhar o adorável corte em sua bochecha? Por que eu ficaria mais do que feliz em obedecer."
Pierre balançou a cabeça. "Eu já te falei que eu ia conseguir seu dinheiro."
"Sim, mas eu percebi que você esperaria até o natal, do ano que vem, para me dar meu dinheiro, desde que você é um filho da puta mentiroso e furtivo." Travis falou, e Pierre apenas girou os olhos para ele. "Vinte e dois de dezembro. Ou você vai me dar o dinheiro, ou o Menino Bonito vai saber o que acontece quando ele se envolve com pessoas do outro lado do trilho."
Pierre riu. "Não tem trilhos nessa parte de Montreal. E mesmo que tivesse, eles não estão dividindo nenhuma parte dessa cidade. Cara, eu acho que você realmente aumentou em idiotice desde a última vez que nos falamos. O que quer dizer bastante, desde que foi há apenas algumas semanas. Vince contra todas as partes do seu cérebro agora ou apenas o raciocínio lógico?" Dando um passo para frente, Travis empurrou o ombro esquerdo de Pierre. O outro garoto quase nem cambaleou, e apenas sorriu afetadamente. "Você me assustou para caramba, Cohen. Eu vou conseguir seu dinheiro assim que possível." Disse sarcasticamente.
Bufando, Travis tirou o telefone do bolso. "Eu não consigo nem começar a falar o quanto seu sarcasmo não me diverte..." ele disse, balançando a cabeça. Ele pressionou alguns botões no teclado, então fechou novamente o aparelho, colocando-o de volta no bolso. "Consiga o dinheiro, Bouvier, ou o Menino Bonito é que vai pagar. Simples assim." Ele passou por Pierre, acertando-o com força com o ombro, e Pierre observou enquanto os três desciam a rua.
Com outro balançar de cabeça, Pierre continuou seu caminho para dentro da casa. Ele não estava se sentindo tão ameaçado dessa vez, já que ele se lembrou de que Travis, Vince e Ben não eram tão assustadores. Nem um pouco ameaçado, absolutamente. A única coisa que o preocupava era quantas vezes Travis tinha mencionado o 'Menino Bonito'. Ele estava gostando de usar David como uma ameaça, mesmo que Pierre tivesse oitenta por cento de certeza de que elas eram vazias. Era com isso que ele estava preocupado. Com o bem estar de David.
Quando ele estava dentro de casa, ele andou até a cozinha, onde ele sabia que tinha um calendário preso na parede, ao lado da geladeira. Ele olhou os próximos meses e viu que ele tinha sete semanas para conseguir cento e oitenta dólares. Para a maioria das pessoas, isso não seria um problema. Mas pela sorte que Pierre vinha tendo desde sua primeira procura por emprego há algumas semanas, não havia esperanças de que ele fosse conseguir o dinheiro trabalhando para tê-lo.
Ele podia sempre... Roubar um banco.
Enquanto ainda em condicional? É, esse seria o crime perfeito.
Correndo uma mão pelo cabelo, Pierre respirou fundo e pegou uma lata de Mountain Dew da geladeira. Ele andou até o sofá, onde se jogou, fechando os olhos brevemente. As coisas estavam ficando cada vez mais difíceis, e ele precisava de uma solução. Agora.
[...]
A sexta-feira seguinte foi uma noite que Pierre não conseguiria dormir, mesmo que ele realmente estivesse tentando. E, honestamente, ele não estava. Sua mãe ia passar a noite fora, então ele estava sozinho, usando apenas meias, uma boxer dos Simpsons e uma camiseta preta. Depois de esquentar a comida que ele achou na geladeira, ele se sentou no sofá e ligou a televisão, os pés sobre a mesinha bagunçada.
Na televisão, só estava passando programas de culinária, então Pierre mudou de canal até, eventualmente, parar em um em que estava passando o desenho de Transformers. Ele relaxou no sofá e continuou comendo o macarrão que sua mão devia ter comprado em um restaurante. Era nove da noite, então Pierre não estava muito incomodado pelas fisgadas de fome e... O que quer que o estivesse mantendo acordado. Ele estava acostumado a não dormir. Os círculos escuros sob seus olhos certamente mostravam isso.
Desde que ele e David começaram a namorar, o que acontecera há três semanas (é, o tempo passava rápido), ele fora arrastado para fora de sua casa a todo o momento para passar o tempo com esse garoto. Ou eles estavam no shopping, ou na lanchonete, em algum restaurante, no parque ou apenas andando; David sempre o fazia ir a lugares. Ele era grato por isso, claro, desde que ele não queria virar uma batata e engordar vinte quilos que ele não precisava.
Eles passaram um tempo juntos na quinta-feira, depois das aulas, para trabalhar mais um pouco no carro. Foi quando Pierre notou que David tinha a habilidade de mexer os pauzinhos que ele quisesse. O carro estava evoluindo bem, e o interior era, de fato, a única coisa com que eles tinham que se preocupar. De resto, o carro estava oitenta e cinco por cento pronto. David era uma ajuda tremenda. Ele aprendia tudo rapidamente. Além do mais, sempre que David estava se sujando um pouco, trabalhando no carro, ferrando as coisas e se desculpando, Pierre o queria mais e mais e mais.
Era difícil para Pierre não querê-lo a todo movimento que David fazia. Isso podia ser baixo, e fazer parecer que ele só estava interessado em David por que ele o julgava uma boa transa, mas era assim que ele se sentia em relação a ele. Era sua culpa que seu pênis tomasse o controle de seus pensamentos quando ele estava perto de garotos bonitos e jovens como David? Ele achava que não.
Depois de ficar sentado no sofá por quinze minutos, Pierre ouviu uma batida na porta e gemeu. É melhor que alguém esteja morrendo. Ele se sentou e colocou a tigela de macarrão na mesa à sua frente. Bateram novamente. "É, é, estou indo!" falou para o intruso, enquanto se levantava e, preguiçosamente, caminhou até a porta. Ele se garantiu de olhar pela janela antes, só no caso de ser alguém (como Travis e tal) com quem ele não queria falar.
Felizmente, não era ninguém assim, mas, na verdade, alguém que ele estava mais feliz em ver, embora o tivesse visto há meras seis horas, quando ambos saíram da propriedade da escola. Seu humor melhorou, não mais irritado, e ele abriu a porta. "David?" perguntou, meio confuso sobre o por que de ele estar na sua porta pela primeira vez em... Sempre. "O que... Uh... Quero dizer, como você conseguiu meu endereço? Eu não me lembro de ter lhe dito..."
David sorriu. "Quando eu digo que eu tenho influência na escola, eu realmente quero dizer isso. Eu consegui entrei no seu arquivo, no computador, e consegui seu endereço. Pensei em te surpreender, se você não achar isso medonho. Eu não quero que seja, por que não é como se eu estivesse seguindo você, ou qualquer coisa assim, por que isso é um pouco louco até pra mim, mas desde que você nunca, nunca, nunca iria me dar a localização da sua residência, eu achei que deveria fazer isso sozinho."
A essa altura, ele já estava acostumado com a velocidade que David falava, então foi capaz de decifrar o que ele falara um pouco mais rápido do que há algumas semanas. "Isso é ótimo." Falou, sorrindo o menor dos sorrisos. "Uh, entre." Ele deu passagem para David entrar e fechou a porta atrás dele. "Está um pouco bagunçado. Nossa emprega não trabalha mais para nós."
David percebeu a piada e riu levemente, tirando o tênis. "É um lugar legal, ainda assim." Falou. Ele tirou a jaqueta e a pendurou no cabide perto da porta. "Eu realmente não entendi por que você não me permitia vir à sua casa. A não ser que você esteja escondendo algum outro namorado, do qual eu não estou ciente." Ele riu, enquanto se virava para olhar para Pierre.
O menino mais velho sorriu nervosamente. "Eu não tive outro cara aqui há um bom tempo." Assegurou. Embora ele não estivesse ofendido pelo fato de David ter sugerido isso. Não seria a primeira vez que ele teria se dedicado a um garoto, e ser encontrado se amassando com outro. Ele não era um 'traidor', mas ele nunca realmente entendeu a 'monogamia'. Ele nunca realmente acreditou nisso.
Depois de uma rápida apresentação da casa (o que foi realmente rápido, desde que a casa não era grande), os dois terminaram no sofá. Pierre terminou de comer seu macarrão, enquanto David segurava o controle remoto, mudando de canal, com os pés em cima da mesa, como os de Pierre. Ele estava se apoiando levemente em Pierre, suspirando dramaticamente. A princípio, Pierre ignorou. Mas, então, outro suspiro dramático se fez presente, e ele percebeu que David devia estar tentando chamar sua atenção.
Ele terminou seu macarrão e colocou a tigela e o garfo na mesa. "O que foi?" perguntou.
David finalmente deixou no Much Music, que passava um clipe do Fall Out Boy. "Então, você sabe como eu trouxe a tona o assunto de você ir conhecer meus pais na loja e você teve um mini surto..."
"Não tive, não."
Ele o descartou com um gesto de mão. "Que seja." David continuou. "A questão é... Eu achei que seria legal mencionar com a minha mãe. Nós estamos namorado há quase um mês agora, e eu pensei 'mas que diabos?'. Um grande erro, esse. Ela começou a surtar comigo por um motivo desconhecido, sequer relacionado a você, e então eu..."
"Fugiu." Pierre terminou sua frase. David ficou em silêncio e apenas se inclinou ainda mais contra Pierre, a cabeça em seu ombro. Pierre assistiu a televisão, de repente se sentindo desconfortável que ele fosse o motivo (mesmo que Davis tentasse falar o contrário) de o mais novo estar em sua casa. Por que ele fora a causa de uma briga. Isso era suposto a fazê-lo se sentir melhor? Isso o fez querer se arrepender de se meter nessa, em primeiro lugar. Ele estava causando merdas que ele não queria causar. "Sinto muito."
David o olhou. "Não sinta." Falou. Seus olhos se encontraram. "Não é sua culpa. Minha mãe é meio psicopata, meio excêntrica – não do jeito bom – e meio super controladora. Está na natureza dela gritar comigo por causa de quem eu sou, o que eu estou fazendo, bla, bla bla. Ela quer um filho quieto, puro e nota dez, desde que eu sou a única esperança dela. Seth se recusa a ir para a faculdade, e Ian nunca se importou com a escola. Esse é o único problema dela. Ela quer que eu seja seu bom filho. Pena que não sou."
Instantaneamente, Pierre respondeu um "Sim, você é." Ele acidentalmente pensou em voz alta, e esperou não ter se feito de idiota.
Um sorriso gigante apareceu no rosto de David. "Obrigado." Falou. "E pare de se preocupar com o que meus pais pensam de você. A opinião deles não importa. Certo?" Pierre assentiu e eles se beijaram. "Então, como você se sente sobre ir conhecer meus pais agora?"
Pierre sorriu nervosamente. "Uh..." ele procurou em seu cérebro por alguma maneira de responder a essa pergunta. "Eu não sou... Muito fã... Da idéia de... Conhecê-los."
David riu. "O que acha de sexta-feira? Você, minha casa, cinco horas, sem desculpas. Entendeu?" Pierre não sabia se deveria assentiu ou não. "Ian vai vir passar o fim de semana, Seth estará lá, Steph estará lá, minha mãe provavelmente vai ter um ataque antes, mas vai agir normal na sua frente, e meu pai vai fazer piadas sobre pessoas ricas e a educação moderna. Não há como você errar." Bufando, Pierre desviou os olhos. Então, David o socou no braço.
Olhando novamente para David, Pierre suspirou. "Ótimo." Falou. "Eu vou conhecer seus pais." Um sorriso ainda maior apareceu no rosto de David e ele se inclinou para beijá-lo.
"Você é maravilhoso." ele guinchou e Pierre sorriu, sabendo que tinha deixado David feliz. David deixou o controle sobre a mesa e se moveu, de modo que estava sentado na cintura de Pierre, uma perna de cada lado do corpo do outro, juntando seus lábios. E pela maior parte do tempo que eles passaram lá, eles se amassaram, David deu risadinhas e guinchou em animação. Embora David tentasse, sua animação não deixava Pierre nem um pouco mais ansioso para conhecer seus pais.
Havia apenas uma palavra para descrever como a próxima sexta-feira seria: um desastre. Vai, Pierre! Destrua tudo com seu comportamento estúpido e habilidade única de falar as coisas erradas.
Era por volta das onze horas quando David decidiu que seria melhor ele ir para casa. Ele achou que sua mãe estaria surtando por causa de sua ausência, desde que ele não tinha ligado para ela. Pierre esperava que ele passasse a noite, mas ele sabia que David acharia isso inapropriado para o ponto em que o relacionamento deles estava. Eles sequer estavam namorado há um mês. Dividir uma casa, ou o que fosse, não seria certo.
Bem, nesse novo relacionamento. Nos relacionamentos antigos de Pierre, esse fato não importava de verdade.
Os dois pararam na porta da frente. David colocou o tênis e a jaqueta. "Eu posso te dar uma carona." Pierre ofereceu por cortesia.
David balançou a cabeça. "Não, não tem problema. Você não mora realmente longe. Eu andei até aqui, pra começar. Além do mais, andar me ajuda a queimar o excesso de energia, e eu estou extra energizado por causa... De um motivo que você provavelmente já sabe. Você sabe. Deveria. Oh, eu estou tão feliz que você decidiu vir. Realmente significa muito pra mim." Pierre sorriu um pouco, sem realmente saber como ele deveria responder. "Obrigado por... Você sabe... Me consolar em um momento em que minha mãe foi um monstro."
'Consolar' devia ser o código para 'me beijar até eu não conseguir mais pensar nela'. O sorriso de Pierre se alargou. "Sem problemas." Falou. "Eu sei bastante sobre mães monstros." Ele silenciosamente esperou que David não entendesse errado.
Mas, agradecidamente, o menino mais novo apenas riu. "Bem, eu tenho certeza de que eu gostaria de conhecer sua mãe, também." Pierre balançou a cabeça. "Sério?" Pierre assentiu dessa vez. "Ela é... Tão ruim assim?"
Pierre deu de ombros e mudou de assunto, se inclinando para pressionar seus lábios nos de David. Mas quando Pierre ia se afastar, David passou os braços ao redor de seu pescoço e se inclinou para ainda mais perto, aprofundando o beijo para algo longo. Quando ele se afastou, Pierre estava ofegante, e David sorriu, mordendo o lábio inferior. "Desculpe." Disse. "Não consegui... Não consegui resistir." Ele riu. "Te vejo amanhã. O carro está ótimo até agora, e eu morreria se tivesse que trabalhar nele sem você."
Balançando a cabeça, Pierre afrouxou seu aperto no quadril de David. "Eu acho que você está melhorando. Você já aprendeu um monte." Falou. David sorriu timidamente e olhou para baixo. "Como beijar. Você ficando cada vez melhor." David riu e girou os olhos. Pierre riu levemente, mordendo o lábio.
David se inclinou para beijá-lo levemente. "Você é adorável." Falou. "Au revoir." com isso, Pierre abriu a porta para ele, que saiu para a noite escura.
Da porta, Pierre observou David se afastar, só para se garantir de que ele conseguiria andar o mais longe possível, seguramente. Essa não era a melhor parte da cidade, afinal, e David era alguém não conseguiria sobreviver em tal lugar. Ele era o que chamavam de 'Menino Bonito' por aqui, o que explicava por que Travis o chamava assim quando se encontraram na outra semana. E não apenas era esse lado da cidade perigoso para 'meninos bonitos', era também perigosa à noite.
David já tinha descido metade da rua, quando a noite fria e quieta mudou. David apertou sua jaqueta ainda mais contra seu corpo e olhou ao redor. De repente, ele ouviu um assobio. "É!" algumas vozes de homens vieram até perto de onde o corpo de David estava passando. "É uma ótima bunda que você tem aí! Por que se cobrir, querido, deixe-nos ver esse seu corpo gostoso!" houve algumas risadas.
No momento em que o assobio se fez presente, Pierre tinha colocado seu tênis e se apressou até David, o mais rápido que ele já tinha se movido em um bom tempo. Ele alcançou David bem na hora e passou o braço ao redor do pescoço dele, puxando-o para mais perto e o assustando um pouco. "Desculpe." Falou ao assustá-lo. "Eu te levo até em casa." Ele encarou os homens por que eles passavam, e eles os deixaram em paz. Todos sabiam que Pierre Bouvier era, e alguns de fato queriam interagir com ele.
Ele altamente duvidava ser por causa de medo ou por que ele era intimidador. Ele não sabia por que eles não o atacavam mais depois de ter passado um tempo na prisão.
David deu um pequeno sorriso a Pierre, relaxando contra ele e passando um braço ao redor da cintura de Pierre. "Obrigado." Ele disse suavemente. Pierre apenas deu de ombros. Não era nada demais, de verdade. Não era como se fosse permitir que David fosse ser incomodado daquele modo. Ele nunca tinha permitido isso, com ninguém. A mão de David escorregou para dentro do bolso de trás de Pierre, e eles andaram o resto do caminho até a casa de David desse modo, próximos.
Eles pararam quando chegaram à varanda, onde a luz estava acessa, brilhando sobre tudo, criando suas sombras na madeira de cor clara e recentemente pintada. David finalmente soltou a camiseta de Pierre (a qual ele agarrara firmemente umas duas vezes, quando algo fazia barulho no escuro), e se virou para olhar para ele, um sorriso gigante em seu rosto, como sempre. "É oficial: você é meu herói." Falou. "Muito obrigado."
Pierre deu de ombros. "Sem problemas." David se inclinou para beijá-lo, antes de se despedir e entrar na casa. Uma vez que a porta fora fechada, Pierre desceu os degraus e começou a andar de volta para casa.
Através dos anos que Pierre estivera nas ruas, ele se acostumara com a escuridão. Ele aprendera quais coisas faziam barulhos, e como assimilar isso no escuro. Eventualmente, o medo da noite virara nada, e ele passou a gostar de andar a esmo pela cidade no meio da noite. O ar da noite sempre o re-energizava, e ele amava a sensação. Às vezes, quando ele não estava com vontade de ficar em casa, ele perambulava pelas ruas, apenas pensando. Ele se meteria em alguns problemas, mas nada que o prejudicasse.
Pela hora que ele chegou em casa, ele não estava com vontade de dormir, então ficou acordado, lendo uma revista em quadrinhos dos X-Men até cair no sono.
