Capítulo 12: I Put My Faith In You, So Much Faith
Quando Pierre chegou na escola no dia seguinte, ele ficou surpreso por não ser recebido no armário pelo seu namorado sorridente. Ele não estava nenhum lugar à vista, mesmo quando passou pelo armário do garoto. A área dos alunos, a cantina, a secretaria, e os corredores estavam privados na presença maravilhosa e exuberante do garoto. Hmm. Talvez ele tivesse ido para a sala antes de falar com Pierre? Ainda assim, isso era bastante improvável.
Ele apenas deu de ombros e se serviu de café. Não era como se não pudesse passar o dia sem ele. Eles não eram próximos ainda e, honestamente, Pierre não estava realmente ansioso pela dia em que seu relacionamento chegasse a esse ponto. Então (Deus proíba) isso mostraria um pouco de vulnerabilidade com a qual ele não estava confortável. Ele sabia que ele nunca acabaria tão aberto e disposto quanto David. Mesmo que David não fosse aberto por toda aquela história de Daniel, isso era apenas um assunto, então ele não estava nem um pouco perto de Pierre.
Quando chegou a hora da aula de matemática, Pierre ainda não tinha visto David em lugar nenhum. Ele usualmente estava na sala antes do sinal tocar. Mas o assento na frente da sala permaneceu vazio mesmo quando a professora entrou alguns minutos depois do sinal. Ele contorceu levemente seu rosto, enquanto continuava a olhar a frente do seu livro, se perguntando por que seu namorado tinha decidido tirar o dia de folga da escola pela primeira vez desde que o ano começara.
"Bem, aí está algo estranho." A professora disse assim que sentou atrás de sua mesa com a lista de chamada. "O Senhor Desrosiers não veio. Alguém sabe por quê?" todos responderam negativamente, mas principalmente por que eles não o conheciam fora da sala. Pierre o conhecia, mas ele sequer sabia o por que de David não tinha vindo para a aula hoje.
Ele pareceu se esquecer da ausência de David uma vez que a aula começou, e foi capaz de se concentrar na tarefa. Ele esperaria até a hora do almoço. Se ele ainda não estivesse na escola, talvez Pierre lhe ligasse, apenas para ter certeza de que nada aconteceu com ele. Pierre não confiava em Travis e, mesmo que ele já tivesse o dinheiro, ninguém sabia se ele ainda tentaria fazer algo com ele. O cara parecia estar em todos os lugares possível da Cidade dos Loucos.
Assim que a aula terminou, Pierre foi direto para seu armário para deixar suas coisas e procurar por algumas moedas para usar o orelhão na frente da escola. Mas ele tinha que deixar isso claro em sua mente: ele não estava ligando por que precisava ouvir da voz de David para conseguir agüentar o dia. Ele conseguia fazer isso sozinho. Tudo o que ele queria fazer era ser o namorado preocupado que deveria ser, e perguntar por que David não estava na escola.
Finalmente encontrando as moedas, Pierre foi até a frente da escola, onde estavam dois orelhões lado a lado. Um estava ocupado, então ele andou até o outro, levando o telefone até seu ouvido. O telefone começou a chamar uma vez que os números foram pressionados. Ele olhou brevemente para a adolescente de fala suave ao seu lado, antes de transferir seu olhar para seu tênis sujo. Pela quantidade de chamadas que ele já tinha ouvido, era claro que ninguém iria atender. A secretária eletrônica confirmou.
Ele queria deixar uma mensagem, mas ele tinha que ter certeza de não soar como um namorado maluco e obcecado, que tinha que checar seu namorado a todo momento que não estavam juntos. Ele tinha que pensar em um motivo para estar ligando. Ele podia estar ligando por causa... Do carro? É, o carro. Era um motivo pelo qual se ligar. Ótima improvisação, seu grande idiota.
BEEP!
"Uh, hey, David, sou eu. Pierre..." ele começou. "Notei que você não veio à escola hoje. Eu estou, uh, eu só estou me perguntando sobre... O c-carro. Eu posso mexer nele sozinho? Por que você não gosta quando eu faço isso, e eu provavelmente vou acabar consertando muito mais do que faríamos juntos. Então, uh, você não teria muito e..." ele estava tagarelando agora, e decidiu que tinha que ser rápido. "Bem, você me entendeu. Tchau." Ele pendurou o telefone e mordeu o lábio, meio que ficando um pouco preocupado agora. Se David estivesse em casa doente, ou qualquer coisa assim, ele teria atendido, certo?
Balançando a cabeça, Pierre se afastou, percebendo que seria idiota ficar obcecado com isso. Ele provavelmente estava dormindo, ou em algum compromisso importante, ou algo assim. Nada com o que se preocupar. Ele provavelmente receberia uma ligação quando chegasse em casa, de todo modo. Eles quase sempre conversavam pelo telefone à noite. Não todos os dias, mas mais que o bastante. E Pierre sequer gostava do telefone.
Depois da escola, Pierre foi direto para casa, sem nenhuma distração. Ele não estava com vontade de fazer nada além de relaxar em casa, na frente da televisão, algum tipo de comida não saudável, e seus pensamentos malucos, consumidos por David. Ele foi capaz de se proibir fumar um cigarro durante o caminho, desde que ele tinha parado de preocupar por que David não tinha ido a escola há um bom tempo. Nesse momento ele não estava preocupado, nem estressado, desde que tinha pagado Travis, e alguns dias passaram sem nenhuma suspeita pelo dinheiro roubado.
Com uma coca-cola e um saco de Doritos, Pierre se sentou no sofá, os pés sobre a mesa de centro, a TV ligada em algum filme de ficção cientifica, ao qual ele não estava particularmente prestando atenção. Só por precaução, o telefone estava sobre o sofá, ao seu lado, o identificador de chamadas virado para cima. Se David fosse ligar essa noite, ele não queria ter que correr a casa toda para atendê-lo, e correr o risco de não conseguir, então teria que ligar de volta, e provavelmente não seria atendido.
De repente, e bastante inesperadamente, uma batida na porta da frente soou. Ele achava que receberia uma ligação de David, mas seria ótimo se ele tivesse vindo lhe ver. Ele não tinha conseguido encostar naquele corpo gostoso o dia todo. A batida soou novamente, quando ele se levantou. "Estou indo!" falou para o visitante, enquanto seus pés passaram pelo carpete manchado de álcool até a porta. Ele olhou pela janela para ver quem era, e ficou surpreso. Ele abriu a porta cuidadosamente. "Vince?"
O garoto de jeans escuros tirou o óculos escuro para olhar para Pierre. "Hey, Pierre." Falou. Pierre estava surpreso que ele tivesse usado seu primeiro nome. Eles usualmente sempre o chamavam de Bouvier, desde que isso o fazia parecer bem menos importante e bem menos que um amigo deles. "Trav queria que eu viesse falar com você, desde que ele perdeu seu telefone. Ele é um idiota." Pierre apenas ficou lá parado embaraçosamente, sem realmente saber o que falar. "De todo modo, ele queria saber se você ainda vai comprar dele."
Pierre coçou a cabeça, incerto sobre o por que de Vince o estar visitando sozinho. Ele nunca tinha feito isso antes. "Uh... Não. Não, não dele. Nem de ninguém. Não mais." Respondeu. "Por que ele quer saber? Eu já dei o dinheiro para ele."
"Bem, você conhece Travis. Sempre quer ter certeza de que todos com quem ele negocia são leais. Não quer que, você sabe, encontrem outros traficantes. Deus não permita que ele consiga um emprego de verdade."
Assentindo, Pierre tamborilou seus dedos na maçaneta, que ainda segurava. "Isso é... Tudo que você queria?" perguntou, querendo que esse encontro estranho acabasse imeditamente.
Vince tossiu e desviou os olhos brevemente. "Uh, sim." Falou. "E te dar meu número. Eu estou começando um novo negócio. Não drogas, mas paga o aluguel." Ele ofereceu um cartão para Pierre, que o aceitou hesitantemente. "Se você precisar de algum dinheiro extra, eu posso te conseguir algo. Não é algo com o que você não esteja acostumado." Pierre manteve seus olhos em Vince, não querendo olhar para baixo, apenas no caso de algo acontecer. Mesmo que estivesse sendo generoso, Vince era uma pessoa de duas caras.
"Obrigado." Pierre disse, sem saber o que mais falar. "Te vejo por aí." Vince assentiu, despedindo-se no mesmo tom, então Pierre fechou a porta. Ele pausou, balançando a cabeça, então voltou para mais dentro da casa. Não era comum ver Vince andando por aí sem Travis. Pierre tinha escutado a voz de Vince, talvez, duas vezes desde que o conhecera, o que já fazia cinco anos. Ele raramente falava, e especialmente em um tom normal. Ele era sempre meio que bravo e negativo.
Ele leu o cartão, enquanto andava na direção do sofá.
Apenas Homens
543 Dunce St. W
(555) 555-7426
Uma hora para um, por: $200
Uma noite para um, por: $300
Uma noite para dois ou mais, por: $400+
Era o estilo de Vince pensar em algo que envolvesse prostituição para conseguir dinheiro. Ele não era o drogado; Vince gostava de sexo. Era por isso que ele e Pierre se conheciam tão bem. Embora eles não tivesse realmente transado com o outro, Vince era sempre capaz de agitar Pierre para o melhor dos melhores. Ele tinha tido experiências sexuais malucas como cortesia da discrição dos negócios de Vince (ele sempre fazia isso pelas costas de Travis), do que ele desistiu mais ou menos na época em que Pierre foi preso.
Com um suspiro, ele jogou o cartão na mesinha de centro, onde logo colocou os pés. Ele voltou a assistir... Star Wars: Episódio II. Ele rapidamente esqueceu completamente sobre a visita estranha de Vince, e, ao invés, pensou sobre como desejara que o visitante tivesse sido David.
Mas, quando deu oito horas, Pierre ainda não tinha ouvido o telefone tocar. Bem, ele ouviu uma vez, mas era telemarketing, tentando lhe vender os produtos da Avon. Ele se perguntou por que seu namorado não tinha lhe ligado para lhe contar o que o mantivera afastado o dia todo, ou para simplesmente conversar. Se ele estivesse doente, certamente ele teria ligado Pierre, por que essa era a natureza de David. Ele falava quando não se sentia bem. Ao menos, fora isso que ele havia contado a Pierre.
Por volta das nove horas, Pierre ficou muito curioso e decidiu ligar para David mais uma vez, apenas para ter certeza de que ele estava bem. Se ele houvesse ido ao médico, ele já estaria em casa agora. Pierre discou o número quase familiar, mas não recebeu nenhuma resposta que não a secretária eletrônica, que estava gravada toda em francês. "Hey, Pierre de novo." Falou para a secretária. "Só queria conversar. Me liga, uh, se puder. Tchau."
Ele desligou e esperou mais uma hora por um telefonema. Mas depois disso, ele percebeu que seria melhor não se preocupar, e apenas ir dormir. Se David não estivesse na escola novamente no dia seguinte, então o visitaria, para ser se era algo sério. Nesse momento, ele se deitou em sua cama, e caiu no sono quase imediatamente.
[...]
Pierre provavelmente falou muito cedo sobre a falta de suspeita quanto ao dinheiro roubado. Em algum lugar de sua mente, ele sabia que acabaria aparecendo. Seria difícil não notar duzentos dólares roubados de uma reserva, que, claramente, era importante. Pierre não entendia isso, por que a família parecia bem de vida, e não precisava juntar trocados para conseguir algo, como Pierre tinha experimentado sua vida toda, desde que sua família nunca tinha tido uma quantidade vasta de dinheiro.
Comparada à sua vida, os Desrosiers estavam bem. Eles não precisavam ter três empregos de uma única vez apenas para pagar o aluguel da casa, da qual sequer podiam ser donos ainda. Eles não precisavam roubar dinheiro das pessoas, por que eles não tinham outro jeito de conseguir. Por que eles deveriam ser permitidos a reclamar ou surtar por causa disso? Eles provavelmente nem sabiam onde os verdadeiros problemas financeiros realmente estavam, de todo modo. E se soubessem, era apenas porque tinham mimado demais seus filhos.
Ele não ligava que David era mimado, mas ele com certeza tinha bem mais do que Pierre já tivera em toda sua vida. Ele não conseguia se lembrar de ter um sistema de vídeo game. E eles não tinham um computador até Pierre ter quase dez anos, um pouco antes de Michelle morrer.
No dia seguinte, agradecidamente, Pierre viu David nos corredores da escola, desde que ele tinha chegado cedo demais. Mas estava muito cheio para Pierre ir até ele, e David não parecia estar prestando atenção. Seu rosto estava inexpressivo, os olhos focados no nada a sua frente, enquanto ele carregava a mochila até o armário. Pierre o chamou algumas vezes, mas o garoto não respondeu, e Pierre teve que se perguntar por que ele estava agindo desse jeito. Primeiro, ele tinha faltado na escola, e depois ele estava quieto e de cenho franzido? O que estava errado?
Ainda havia um tempo antes da aula começar, então Pierre deixou isso de lado, e percebeu que ele encontraria com David na aula de matemática ou, se demorasse mais, na aula de mecânica. Ele começou a tirar os livros que trouxera de casa da mochila, desde que não iriam precisar deles ainda. Foi quando ele foi cumprimentado, embora não amigavelmente, por David.
O garoto andou até ele e, pela esquina dos olhos, Pierre que sua expressão facial não tinha mudado nada. Ao invés de lhe dar um cumprimento educado, doce e formal, David o socou no braço, uma ação que fez Pierre pular e momentaneamente parar o que estava fazendo. Ele olhou para seu namorado, um pouco confuso, mas sequer se assustou com o contato do punho de David com seu braço. "Você roubou o dinheiro?" David perguntou imediatamente, sem nem mesmo resmungar um 'olá'.
Uma expressão confusa apareceu no rosto de Pierre. Ele podia se fingir de confuso por um tempo, mesmo que ele soubesse que provavelmente não duraria muito. "O quê?" perguntou inocentemente. Ele sabia o que estava sendo dito, mas não ia deixar David saber disso.
Com um rolar de olhos dramático, David cruzou os braços sobre o peito. Ele cerrou as sobrancelhas um pouco, como se tentando provar para Pierre que esse era um assunto de extrema importância e seriedade. "Você sabe do que eu estou falando." Falou, a voz mais firme do que Pierre já tinha ouvido por todo o tempo em que estavam juntos. "Você pegou?"
Pierre voltou a olhar para seu armário, colocando seu último livro lá dentro, e então começou a procurar por uma caneta que ele sabia estar lá dentro. "David, você está falando chinês." Sua mão apalpou a prateleira de cima do armário para ver se estava lá, mas ele só conseguiu encontrar um pacotinho pela metade de Skittles, que ele tinha dividido com David há não muito tempo, e uma garrafa quente de água, que ele não tinha certeza de que ainda estava boa.
O garoto ao seu lado franziu o cenho. "Estou falando sério, Pierre."
"Por que você não veio ontem?" Pierre perguntou, instantaneamente mudando de assunto, enquanto procurava a caneta no fundo do armário.
"Não mude de assunto." David falou. "Avez-vous pris l'argent de mes parents? Aí está uma língua que você entende." ("Você roubou dinheiro dos meus pais?")
Como previsto, a caneta não estava em seu armário, então Pierre começou a procurar em sua mochila. "Je ne sais pas, David." ("Eu não sei, David.") David bateu no seu braço de novo, mas ainda Pierre não sentiu de verdade. David precisava melhorar sua força, por que Pierre tinha apanhado o bastante para ser imune à dor. "Ow, que diabos, cara?"
"Pare de ser um idiota, cara." David falou, um pouco zombeteiramente. "Me fala se você pegou ou não os duzentos dólares do dinheiro que meus pais estavam guardando para as Férias de Primavera."
Pierre parou tudo, olhando nos olhos de David, e ele respirou fundo, olhando brevemente para baixo, antes de encontrar os olhos de David novamente. Ele se inclinou para mais perto, para poder sussurrar, então ninguém iria ouvi-lo e a inevitável explosão de David. "Era duzentas pratas. Qual o grande problema?" falou, e assim que a última silaba saiu de seus lábios, o punho de David bateu em seu braço de novo. Pierre sequer estremeceu, mas olhou para o chão, um pouco envergonhado pelo que tinha feito, e sabendo o quanto ele merecia aquele soco. Cada soco e tapa, na verdade.
"Eu não acredito, Pierre. Roubar os meus pais? Isso é realmente baixo. E eu te vi na cadeia."
"Eu sei." Pierre falou, voltando a olhar para ele cuidadosamente. "Mas... Eu posso garantir... Eu tive uma boa razão."
"É, como se realmente houvesse um bom motivo para isso." Ao invés de explicar o que tinha acontecido, Pierre fechou a boca e olhou para baixo novamente. David respirou fundo. "Eu não estou... Bravo com você. Estou desapontado. Eu realmente achei que você estava falando sério quando disse que tinha deixado tudo isso de crime pra trás."
Esse crime ser cometido, entretanto, não era culpa de Pierre. Tudo aconteceu por causa de David. Tudo que ele fazia, ultimamente, era por causa de David. David, David, David. "Desculpe." Murmurou, quase incoerentemente, mas David entendeu. Ele não sentia como se merecesse ter David ali, em sua frente, tentando aceitar o recente ato de estupidez que Pierre tinha feito na casa dos Desrosiers. Ele decidiu que seria melhor apenas deixar David sozinho até que eles fossem forçados a ficar juntos na aula de mecânica.
Ele fechou a porta de seu armário e começou a andar, o livro na mão. Mas David não o deixou ir muito longe. Antes que sequer chegasse ao final do corredor, David segurou o braço de Pierre e o forçou a se virar para olhá-lo. "Hey, hey." Falou. "Eu já disse. Eu não estou bravo, certo? Não precisa fugir. Nós podemos ir lá fora e conversar sobre isso, se quiser. É um assunto bem importante, por que minha mãe está, oficialmente, pau da vida comigo."
Pierre ousou olhá-lo nos olhos, surpreso perante o otimismo que viu lá. Bem, ele não estava realmente surpreso. David geralmente era otimista em relação a tudo. "Eu não sei." Falou. Então David segurou sua mão, entrelaçando seus dedos, e o puxou na direção da porta mais próxima.
Do lado de fora, o chão ainda estava coberto de branco. O ar estava gelado, era metade de novembro, mas a neve ainda não tinha tocado o chão de Montreal ainda. Estranho, por que estava na época em que começava a nevar. Talvez tivesse algo a ver com a mudança climática ou mudança de tempo ou... Algo que Pierre não se importava o bastante para elaborar.
A caminhada toda foi, surpreendentemente, silenciosa. David não falou, absolutamente, e simplesmente olhou ao redor do jardim, que estava, literalmente, cheio de adolescentes. Pierre sabia que algo estava errado, o cenho franzido aparente em seu rosto provando isso. E ele odiou isso. Ele queria abraçar David bem ali, e falar algo para colocar um sorriso em seu rosto. Mas nenhuma palavra passou por sua mente, e ele se sentiu muito envergonhado por suas ações para fazer isso.
Uma vez que eles chegaram à mesa de piquenique, o casal se sentou em lados opostos. Pierre ainda tinha que fazer contato ocular com o garoto. Depois de alguns momentos sentados em silêncio, David segurou a mão de Pierre. "Pierre, você é meu namorado." Começou. "Então, eu vou te apoiar cem por cento. O que quer que tenha te feito fazer isso... Eu vou entender."
"Eu sinto muito." Se desculpou ao invés de explicar.
"Pierre."
"Eu estava pagando alguns caras, está bem? Eu estava devendo dinheiro de drogas, mas eu não tinha. Foi uma idéia estúpida, eu sei." Respondeu, incapaz de recusar algo a David quando ele usava esse tom firme, como tinha aprendido durante sua conversa na cadeia um mês anterior ou um pouco mais. Ele soltou sua mão da de David, não se sentindo digno do contato intimo. Sua cabeça se abaixou novamente, inteiramente nauseado de si mesmo. Estaria tudo bem se David não tivesse descoberto, por que sua consciência era algo que ele aprendeu a ignorar, mas ele não podia ignorar a voz de David.
Um olhar compreensivo em seu rosto, David pegou sua mão. "Está tudo bem." Falou. "Meus pais não sabem que foi você. Minha estúpida mãe me falou isso a última vez que você foi lá em casa. Foi por isso que ela te fez ir embora. Eu disse que não foi você, porque eu estava com você o tempo todo, o que não é verdade, agora que eu penso sobre isso." Ainda assim, Pierre não disse nada, nem levantou a cabeça. "Eu disse que tinha sido eu."
Foi quando Pierre olhou para ele. "O quê?" perguntou, atordoado. "David, v-você... Você disse a eles que... Por que, David?"
"O que mais eu sou suposto a falar? Haveria menos conflito se eles soubessem que fui eu. Se eles soubessem que foi você, seria a porra da terceira guerra mundial. Minha mãe já desaprova nosso relacionamento. Eu nunca veria o fim disso." David falou. "Além do mais, minha mãe é meio insana. Tem sido pelos últimos cinco anos da minha vida. Se não fosse pelo meu pai, ela pularia no meu pescoço a todo segundo. Agora só pula no meu pescoço a cada minuto."
Ótimo. Agora Pierre se sentia pior ainda sobre sua estupidez de menos de uma semana. David estava assumindo a culpa por um crime que ele, Pierre, tinha cometido. Um crime que ele que deveria ser punido. Ao invés, David estava com problemas com sua mãe, porque ela achava que ele que tinha roubado o dinheiro da reserva para as férias de primavera. Mas qualquer um que conhecesse David, saberia que era impossível esse garoto cometer um crime tão patético e baixo.
Pierre tinha que se perguntar se isso estava ligado de alguma forma ao que ele passou durante sua pequena fase de drogas, antes de Daniel morrer. Ele sabia que ele seria uma mãe super protetora se isso acontecesse, também.
Coçando o nariz com a mão livre, Pierre apertou os olhos na direção do menino, a luz do sol ficando mais forte agora que uma nuvem tinha saído do caminho. "Ontem..." começou. "Você faltou. Quando isso começou a acontecer? Achei que freqüência perfeita significava notas perfeitas e essas merdas todas?"
David balançou a cabeça. "Não foi nada. Eu estava doente. Isso é tudo. Acontece. Nada com o que você deveria se preocupar." É, isso era o que tinha dito sobre os seus outros namorados também, mas Pierre não acreditava nele de verdade. Ele desviou o olhar, como se esperando encontrar um jeito de mudar de assunto o mais rápido possível, então voltou a olhar pra frente. "Hey, eu recebi sua mensagem. As duas mensagens, mas a primeira... O carro está bem?" Pierre assentiu. "Você não fez muito, né? Por que eu teria que te dar um tapa se fez." Ele riu e Pierre sorriu.
"Não, não fiz muito." Pierre respondeu. Ele olhou brevemente para a mesa quando um pensamento passou por sua mente. "Sobre o dinheiro..." seus olhos encontraram os de David, cujo sorriso lentamente sumiu, dando lugar a uma expressão simples e normal. "Eu vou te pagar."
Perante isso, David soltou a mão de Pierre imediatamente e a usou para dispensá-lo, como se a ideia fosse tolice. "Não importa." Falou. "Minha mãe espera que eu devolva, e eu tenho certeza de que tirar a neve e outros trabalhos estranhos ao redor da cidade cobrem a quantia."
Quando sua mão estava entre a de David novamente, Pierre firmemente balançou a cabeça. "Não. Não, eu fiz isso. Eu causei isso, então eu posso acertar." Falou, determinado a aceitar as conseqüências, especialmente se a alternativa fosse David sofrê-las. "Eu vou... Eu vou, uh, conseguir o dinheiro. Para você."
"Sério, Pierre..."
"E aí você pode pagar sua mãe." Pierre o interrompeu. "E falar pra ela que fui eu. Eu não me importo."
"Que tal você conseguir o dinheiro assim que possível, eu pago minha mãe, e assumo todo o crédito? Então, ela nunca vai saber que foi você, e nós dois vamos estar salvos de um tumulto dramático e sem fim." David sugeriu. "Justo?" Pierre deu de ombros. "É, justo. Foi uma coisa estúpida a se fazer, Pierre, mas não é o fim do mundo. Esse traficante é passado, e eu tenho certeza de que ele não vai aparecer de novo, por que você não usa mais drogas." É, mas você ainda usa?
Inclinando-se sobre a mesa, David capturou os lábios de Pierre em um beijo suave, o primeiro que eles dividiam em quase dois dias. "Eu tenho fé em você, Pierre, você devia saber disso." David falou. "Eu tenho fé em você desde o primeiro dia, e eu não vou desistir dela. Promete não fazer isso de novo?"
Se não fosse David sentado bem na sua frente, segurando sua mão, falando maduramente, ele teria se rebelado instantaneamente. Ele começou a soar como uma figura de autoridade em relação a Pierre, e a pessoa em questão usualmente receberia uma série de 'que seja'. Mas esse era David, e era impossível para Pierre ficar verdadeiramente bravo com ele, mesmo que ele meio que estivesse lhe tratando como uma criança, o que o aborreceu mais do que ele teria gostado.
"Prometo." Pierre falou, olhando-o nos olhos, o estômago incerto se queria correr ou vomitar, nenhum dos quais parecia ser um bom plano.
Um sorriso enorme apareceu no rosto de David, iluminando toda a área em que eles estavam instantaneamente. "Exatamente o que eu queria ouvir." Falou. "Venha cá..." Pierre obedeceu, inclinando-se, assim como David, e juntando os lábios nos de seu namorado. Ele correu uma mão para, levemente, acariciar o cabelo que ele tanto amava tocar. Ele imaginou como o cabelo dele ficaria espalhado por seu travesseiro, apontando para todas as direções, choramingo com cada jogada de cabeça.
Os pensamentos o fizeram segurar a cabeça de David e beijá-lo mais intensamente, a língua encontrando seu caminho para dentro da boca do garoto, que a aceitou graciosamente. O quanto mais ele pensava sobre o corpo de David, como ele... Seria, Pierre quis terminar logo com isso. Qual é, eles estavam juntos há um mês. Nessa altura, certamente, ele e outros garotos já teriam chegado 'aos finalmentes'.
Infelizmente, ele tinha se prendido no que parecia ser um relacionamento de longo tempo, então mesmo que ele quisesse, ele não poderia ir satisfazer, com outros, essa sede pela única coisa que o manteve são pelos últimos anos de sua vida. Isso seria considerado 'traição', e Pierre sabia que o assunto era bastante desagradável. Ele tinha ido muito afundo, já. Ele sabia muito sobre David, e isso não era um bom sinal. Uma vez que eles soubessem os segredos um do outro, não havia volta.
David sabia que Pierre estivera na cadeia; Pierre sabia que David tinha um antigo amigo que morrera. Ambos eram seus demônios mais sombrios, e eles já haviam sido libertos, mesmo que David não tivesse realmente contado sobre Daniel para Pierre. A questão era, ele sabia, e não era algo que ele podia simplesmente esquecer. Ele estava se envolvendo com emoções, e isso era território desconhecido até então.
A única coisa que separou o casal, foi o segundo sinal, declarando que estava na hora de eles irem para suas salas à tempo do próximo sinal, que tocaria em uns dez minutos. Eles sorriram para o outro e dividiram mais um último beijo, antes de se levantarem. Pierre deu a volta na mesa até David, que pegou sua mão imediatamente, entrelaçando seus dedos, e eles andaram na direção do prédio da escola, onde Pierre deixou David na sala de ciências.
Então, David não aceitou tão mal assim toda essa história de roubar dinheiro, como ele tinha previsto. Ele era bastante tolerante, mas Pierre supôs que fosse apenas sua natureza. Ele era calmo, e essa qualidade provavelmente salvaria a pele de Pierre muitas vezes no futuro, mas ele estava esperando que não fosse necessário, por que Pierre não ia mais fazer coisas idiotas. Bem, ele podia ter esperanças. Ele não era adivinha, afinal.
E ele não era o mestre de autocontrole, também.
