Capítulo 13: Closer, Closer, Lean On Me Now

Então, Pierre não era fã de feriados. Ele costumava gostar deles quando era menino, mas quando seu pai morreu, eles viraram apenas mais uma coisa a ser abandonada em suas tradições anuais. Ninguém mais comprava presente para o outro, e eles certamente não passavam o tempo juntos. Johnny jantava e coisas assim com Jessica, e Sarah usualmente ir à algum bar com suas amigas. Pierre ou ficava em casa, bebendo e vendo um filme, ou ia encontrar o Homem da Noite, o que nunca era realmente difícil de achar.

Entretanto, esse feriado acontecia de ser o Natal, e era diferente. Muito diferente, de fato, do que os outros. E a única coisa que mudou isso foi um namorado. A nova presença de David em sua vida fez o feriado valer a pena. Comparado a seu último natal – que, não esqueçamos, fora passado na cadeia, sem nenhuma visita – esse poderia ser ótimo. Ele finalmente tinha quem presentear. Ahem, um presente que não ia ser roubado, isso é.

Ele não estava excitado demais com esse feriado, entretanto. Apenas por que ele tinha um namorado agora não significava que ele, de repente, ia acreditar no verdadeiro significado do natal, ou confessar algum tipo de amor eterno por seu parceiro. Ele esperava que o presente que estava planejando comprar fosse – na falta de palavra melhor – deixá-lo com tesão. Pierre não entendia como esse garoto adolescente, com hormônios que deveriam estar correndo soltos, não estava tão ansioso para ir para a cama, como Pierre estava.

Agradecidamente, Pierre vinha tentando desenvolver a paciência como uma qualidade, então foi capaz de controlar um pouco de suas vontades até que tivesse certeza de que David queria. Era difícil pensar que nem todo mundo era igual aos alunos da Beaubois quando se tratava de sexo.

Como um bom namorado devia, apenas uma semana antes das aulas acabarem para o feriado de natal, Pierre foi ao shopping, o qual ele freqüentou mais nos últimos meses do que em toda sua vida. Era por volta do meio dia quando ele chegou, desde que sábado a manhã chegava mais tarde pra ele, e ele esperava não demorar muito. Ele realmente não era fã de compras. Ele usualmente entrava, conseguia o que queria, e ia embora, sem muita demora.

Mas, infelizmente, duas da tarde chegou, e Pierre sentou na praça de alimentação, o presente de David ainda para ser comprado. Ele devia conhecer o garoto bem o bastante, desde que ele falava bastante, mas aí ele começou a perceber o quão pouco ele falava sobre o que gostava, ou queria, ou algo muito profundo sobre seu passado. Por exemplo, ele ignorara o tópico sobre Daniel completamente, e qualquer coisa com esse nível de privacidade, segredo e assuntos pessoais.

O único dinheiro que ele tinha para usar nessa [que deveria ter sido] breve ida ao shopping era um pouco mais de cinqüenta dólares que ele pescou do novo esconderijo da sua mãe, no porão, junto com todo o resto que tinha a ver com seu 'negócio'. Ele sabia que não conseguiria comprar algo para comer, por que seu presente tinha que ser bom o bastante para persuadir David a dormir com ele. Então, ele apenas descansou na praça de alimentação, ao invés de comprar algo para si.

Sua busca pelo presente 'perfeito' foi um fracasso, para falar o mínimo. Ele procurou por qualquer coisa que falasse 'isso é romântico o bastante para te seduzir?' Infelizmente, tal item poderia ser encontrado apenas em joalherias e lojas de maquiagens. Mesmo que David estivesse perto o bastante, ele não era feminino, e ele provavelmente não iria gostar tanto quanto na teoria. Mas ele também não era muito machão, então Pierre tinha que encontrar o perfeito centro para fazer David se apaixonar o bastante para querer Pierre do jeito que ele queria David. Bem, queria seu corpo.

Talvez fosse melhor se ele ligasse para David para algumas sugestões. Com certeza ajudaria, e ele podia encontrar um jeito de ser bastante discreto sobre isso. Se ele o enchesse de perguntas não relacionadas ao presente, ele descobriria fatos que o guiariam para encontrar o melhor presente deixe-David-com-tesão.

Depois de procurar em seus bolsos por uma moeda, ele discou os números do telefone de David em um orelhão perto à porta de vidro da entrada do shopping. Como esperado, para essa época do ano, o prédio estava lotado com compradores de último minuto, freneticamente indo de loja em loja para conseguir o presente perfeito para aqueles que amavam. Ele estava lentamente começando a concordar com David: todos estavam querendo fazer esse feriado virar algo que não era para ser, verdadeiramente.

"Olá, Pierre." David atendeu, animadamente do outro lado da linha, depois de dois toques que pareceram durar para sempre. Pierre estava impressionado que ele soubesse quem estava ligando, desde que não iria aparecer seu nome no identificador de chamadas. Mas também, quem mais iria ligar para ele em sua linha particular?

Pierre se inclinou contra o telefone. "Hey." Falou, o tom não tão animado, mas soando como se ele estivesse se esforçando o bastante para assim soar. "Não posso falar muito. Só preciso te perguntar algumas coisas, certo?" o outro garoto apenas concordou com esse pedido inesperado, e ficou em silêncio. "Bem, uh, primeiro... Quem é, uh, seu autor favorito? Quero dizer, se você sequer gostar de livros."

"É, eu gosto de livros." David respondeu, e Pierre o ouviu sorrir, o que ele achou ser impossível, mas ele conseguia apenas imaginar David em sua mente, deitado em sua cama, o telefone no ouvido, sorrindo do jeito mais fofo possível. "Eu tenho tanto tempo livre, que eu preciso me ocupar de algum modo, certo? Ha. De todo modo, recentemente, eu tenho lido bastante coisa do Stephen King. Eu não tenho certeza de quantos livros ele tem, e eu duvido que colecionar todos seja uma possibilidade, mas eu olho toda vez que vou à livraria." Pierre mentalmente anotou isso. Então, a pergunta óbvia veio. "Por quê?"

Felizmente, Pierre tinha pensado em uma maneira apropriada de responder a essa pergunta, antes de ligar. "Por que não?" isso fazia sentindo em sua mente. Houve um silêncio, enquanto o outro garoto estava, claramente, confuso com essa resposta. "Só mais algumas perguntas." Ele decidiu continuar, quebrando o silêncio. "Eu sei que você tem mais de uma banda favorita, mas, uh, quem é seu favorito, recentemente? Quero dizer, ultimamente. Que você tem, bem... Escutado?"

"Ultimamente?" ele pausou, pensando. Um momento mais tarde, ele respondeu. "Paramor." Pierre sorriu, percebendo que ele e David tinham algo em comum.

Outra anotação foi feita na mente de Pierre, como uma lista dentro de sua cabeça. "Uh, só mais uma..." ele procurou em seu cérebro por mais uma pergunta. Ele queria algumas opções diferentes para escolher. "O que você gosta de fazer no seu tempo livre?" as perguntas estavam em todos os lugares, e eram aleatórias, mas se ele comprasse um presente para David que combinasse com seus passatempos, havia uma chance maior de ele gostar.

Do outro lado da linha, David riu incredulamente, e Pierre o imaginou em casa, balançando a cabeça e se perguntando por que, diabos, seu namorado estava sendo tão estranho. "Você é ridículo. Bem quando eu achei que tinha entendido Pierre Bouvier..." Pierre sorriu um pouco, mordendo seu lábio inferior levemente. "Bem, além de ser, eu gosto de jogar golfe. Acredite se quiser, eu não sou o melhor, mas eu tenho praticado no campo do meu pai, e eu acho que estou melhorando, pelo menos."

Quando essa nota mental foi feita, ele decidiu que seria melhor terminar a conversa, para não permitir perguntas de David sobre o que ele estava fazendo, ou onde ele estava. "Bem, obrigado. Te vejo depois." Falou, esperando que esse fosse o final.

Mas, é claro, não era. "Espera, espera, Pierre." David o parou, e Pierre ouviu uma batida do outro lado da linha. David murmurou algumas maldições sob a respiração, e o telefone fez um barulho, que fez Pierre franzir o cenho, se perguntando o que estava acontecendo. "Uh, espere. Tropecei..." Pierre abafou uma risada. "Onde você está?" David perguntou, respirando fundo e finalmente se acalmando. "Você pode vir me pegar? Eu estou preso em casa o dia todo. Seja lá o que você está fazendo, é mais interessante."

"Desculpe, não posso. Tchau." Com isso, ele desligou, sem se preocupar que não tinha recebido uma despedida em retorno. David teria que esperar e ver o que ele estava fazendo. Suas notas mentais o fizeram continuar pelos próximos vinte minutos que ele demorou para escolher algo. Não importava qual caminho ele seguisse, ele sempre terminava na Toys 'R Us. Parecia ser o melhor lugar para encontrar um presente para alguém como David, mesmo que ele estivesse apenas levando em conta a superfície de David, mas ele sequer tentara olhar mais a fundo? Exatamente.

Eventualmente ele decidiu por um vídeo game. Mas não qualquer um. Desde que David já tinha deixado claro que ele usava o campo de seu pai, e ele sabia que nunca seria capaz de comprar um para ele, ele comprou para David o jogo de Golfe do Mario para o Nintendo que sabia que o menor tinha. Aí ele seria capaz de praticar – mesmo que com um controle – mas não teria que ir do lado de fora, desde que não estava exatamente o melhor tempo para jogar golfe.

Pela hora que ele estacionou o carro na entrada de carros, ele estava pronto para dormir, embora ainda fosse três da tarde. Fazer compras era extremamente exaustivo, então era completamente compreensível que tudo o que ele queria fazer pelo resto do dia era ficar deitado, sem mais preocupações de conseguir um presente de natal para seu namorado.

Natal estava chegando, e Pierre estava, de verdade, ansioso por ele. Pela primeira vez em muito tempo.

[...]

Ele observou sua mãe cambalear para fora do quarto, tentando colocar seu sapato de salto preto, enquanto andava na direção da porta, claramente atrasada para a festa de natal que ela ia aparecer àquela noite. Não importava que era o dia de natal; não importava que Pierre estava totalmente sozinho na casa agora; não importa que Pierre ainda tinha que receber um 'feliz natal' de alguém. Que seja. Ele não precisava. Era um feriado idiota, de todo modo. Uma idiotice inútil.

Sarah parou na porta da frente, puxando seu vestido vermelho, sem mangas, um pouco para baixo, então ele alcançava a metade de suas coxas. Ela checou o cabelo, que estava elegantemente puxado para cima, no espelho uma última vez, antes de colocar uma jaqueta clara por cima e pegar a bolsa. "Eu não vou voltar essa noite." Ela avisou Pierre, mal olhando para ele, que usava apenas uma camiseta e uma boxer, no sofá, segurando o controle remoto e a observando deixando-o sozinho no natal. Então, ela saiu da casa.

Pierre não desviou os olhos da porta, mesmo quando já estava fechada. "Eu gosto mais quando seu cabelo está solto." Falou para sua mãe ausente. Ele sentiu uma onda de nostalgia acertar seu corpo, como o que ele sentira no funeral de Michelle. Pierre sentia que tinha perdido sua mãe do mesmo jeito; ela poderia ter morrido, se Pierre não a visse e ouvisse de vez em quando. Machucava, por que ela era, realmente, tudo o que ele tinha, quando se tratava disso. Ela e, bem, David.

Com uma mudança de assunto, Pierre se voltou para a televisão, agora pensando sobre seu namorado. O casal não tinha conseguido passar o tempo juntos nos últimos dias. Eles não queriam trocar os presentes antes da data, então David prometeu que acharia algum tempo antes do jantar, hoje à noite, para que eles trocassem os presentes.

Mas por volta das duas da tarde, ele recebeu um telefonema do seu namorado claramente mal humorado, lhe avisando que não seria possível escapar de sua família durante a noite, e que ele passaria na sua casa logo cedo na manhã seguinte. Não era o que Pierre teria preferido, mas era bom o bastante. Ao menos o veria, e era isso que importava.

Não muito mais tarde, quando deu dez horas, e Pierre ligou o especial de natal do Charlie Brown, na falta de coisa melhor para fazer ou assistir. Ele não estava cansado, mas não estava acordado. Ele sentia como se estivesse no piloto automático, mal prestando atenção em qualquer coisa, e óbvio à tudo ao seu redor, embora ele tivesse certeza de que não tivesse nada acontecendo.

Se esse fosse um Natal como os outros, ele provavelmente estaria em uma festa com o que ele achava ser um grupo de amigos. Mas por que ele estava em um relacionamento monógamo com um namorado, ele tinha que ser fiel não importa o quê. Ele não podia ficar pra lá de bêbado e "acidentalmente" foder com alguém.

Meia hora mais tarde, e as coisas ainda não tinha melhorado. Ninguém tinha vindo resgatá-lo nesse feriado, e nada de especial aconteceu. Ele se sentiu um pouco estúpido por sequer pensar que alguém se preocupava o bastante para querer passar o tempo com ele. Ele sabia que David queria, mas ele também sabia ser impossível para o menor escapar de sua família e amigos (embora, provavelmente, fossem amigos de seus pais), e era provavelmente isso que manteve todo mundo longe também.

Ele desligou a televisão e se levantou, pronto para ir para a cama e encerrar a noite, desde que ele não sentia a necessidade de ficar sentado lá, assistindo filmes ruins – embora às vezes fossem boas – Natalinos cheios de amor e bons sentimentos. Coçando a cabeça, ele saiu da sala de estar para o corredor, a última esperança natalina empurrada para debaixo do tapete quando ele entrou em seu quarto. Foi quando ele foi interrompido por algumas batidas na porta da frente.

Podia ser? Seu namorado tinha, de verdade, escapado de sua família para passar pelo menos algumas horas do natal com ele? Essas perguntas estavam ecoando em sua cabeça, enquanto ele saia do quarto e andava na direção da porta, ansioso para encontrar David lá, com um grande sorriso no rosto. Talvez ele tinha deixado um pouco de esperança nele, antes que o natal estivesse completamente terminado.

Quando ele chegou à porta da frente, ele espiou pela janela primeiro; ele presumia que era David, mas não podia ter certeza nessa área da cidade. Mas toda a esperança que ele construiu durante o caminho até ali sumiu, novamente, quando ele não viu ninguém. Ninguém estava sob a luz amarelada brilhando sobre a porta. Ninguém pronto para bater de novo. E, mais infelizmente, David não estava lá, o que teria deixado tudo melhor.

Quando ele voltou para seu quarto, ele se sentia mais deprimido do que antes. Ele começou a entender por que as taxas de suicídio eram tão altas nessa época do ano. A falta de um amigo, da família, do namorado, ou namorada, podiam fazer as pessoas desgostarem de suas vidas. A coisa triste era, poderia ser bem pior, e Pierre sabia disso. Por isso ele decidiu que seria uma boa idéia dormir, e aí ele veria David, e as coisas ficariam bem de novo.

Apagando a luz e escurecendo o quarto inteiramente, Pierre escalou a cama, deitando sobre o lado esquerdo, olhando para a porta. Depois de um tempo, ele se acostumou a viver na casa sozinho, sem medo. Ele costumava ter medo, o que era a razão de ele ou chamar outras pessoas para ficarem ali (usualmente Chuck), ou ele ia para a casa deles. Mas o que havia para temer? Sério? Ele já tinha visto horrores na prisão, e nada dessa área podia ser pior.

Ele ficou deitado por quase dez minutos, os olhos abertos fixos na porta, antes de finalmente permitir seus olhos se fecharem. Mas assim que o fez, ele ouviu um barulho e os abriu novamente. Sentou-se, um pouco assustado, quando ouviu fracas batidas na porta do quarto. Então, a porta se abriu e o coração de Pierre disparou. Uma vez que viu o rosto, e ouviu a voz, ele sabia quem era. "Tem alguém com o nome de 'meu namorado sexy' por aqui?"

Quando a cabeça de David apareceu, o coração de Pierre imediatamente relaxou. Ele sorriu, enquanto David acendia a luz e entrava, deixando a porta aberta. "David, cara, você me assustou." Riu. "Por que você não bateu? Na porta da frente, quero dizer." Mas ele não recebeu uma resposta. Ao invés, David depositou dois presentes na cama e se inclinou para lhe dar um beijo insanamente profundo. Quando acabou, Pierre conseguiu apenas gaguejar repetidamente.

David sorriu inocentemente. "Eu tenho morrido para fazer isso." Falou. Então, ele escorregou para debaixo dos cobertores, acariciando a cintura de Pierre e juntando seus lábios. Os presentes quase caíram da cama, mas pareciam firmados, quando Pierre passou os braços ao redor da cintura de David, retribuindo o beijo. Ele nem se importou em perguntar por que, de repente, ele estava em cima de si, por que uma sensação engraçada passou por sua virilha, que não era algo que ele conseguiria ignorar. Então, ele o puxou para mais perto e o beijou com mais vontade.

Então, de repente, David interrompeu o beijo. Ele sorriu, acariciando a lateral de seu rosto. "Feliz natal, Pierre." Murmurou, e, aparentemente, nada mais importava. Ele não sabia o quanto essas palavras significavam, nem quão maravilhoso elas o faziam se sentir, mas ele estava sentindo algo.

Automaticamente, ele sorriu de volta. "Feliz natal, David." Falou em um volume similar. "Eu... Uh, não achei que você conseguiria vir. Você, uh, disse que não ia conseguir escapar." David não respondeu, mas apenas deu de ombros e o beijou de novo. "Uh, o que são esses presentes?" claramente, David não queria falar sobre suas razões, então Pierre decidiu que seria melhor abandonar o tópico completamente.

"Oh, sim." David disse, e saiu de cima dele para se sentar no colchão à sua esquerda. Ele pegou as caixas do pé da cama. "Eu encontrei essa na porta." Ele ofereceu para Pierre a caixa claramente embrulhada em uma loja com flocos de neve azuis. "Não havia um bilhete, então eu não sei de quem é. Talvez, você saiba?" então, ele ofereceu a caixa não tão bem embrulhada, com um papel vermelho. "E essa é minha. Não é muito, mas é um kit de sobrevivência dos dias modernos."

Pierre olhou para o pacote desconhecido por um momento, então o deixou de lado, sem se importar com ele. Então, se esticou para pegar o pacote mal embrulhado debaixo de sua cama, que ele tinha que dar a David, um cartão de natal preso sobre ela. "Esse é pra você." Falou, oferecendo o presente. "Você, uh, certamente é difícil de encontrar um presente. Só pra você saber..." David sorriu timidamente, enquanto tirava o cartão do envelope.

O cartão de Pierre estava preso no final da caixa, então ele o pegou. A letra bem desenha de David tinha desenhado seu nome, circulado por vários corações, flocos de neve e árvores de natal. Ele abriu o envelope para revelar o que parecia ser uma história completa. Ele estava agradecendo Pierre, lhe falando o quanto ele se importava, e como o maior o afetava. Tudo o que Pierre tinha escrito no cartão de David foi um 'feliz natal' e uma rápida sentença de como ele estava feliz em ser seu namorado, que era um comentário não muito bem pensado.

Então, ele foi para o próximo presente. O 'kit de sobrevivência dos dias modernos', como David chamou. Dentro, estava um CD do No Doubt, a última temporada de Simpsons, o primeiro livro de Harry Potter, e um ursinho de pelúcia em miniatura, com um moicano verde, um colar de espinhos, e uma camiseta com o símbolo dos Ramones na frente.

Ele sorriu. Esse presente devia ter custado um bom dinheiro. De repente, ele se sentiu mal por comprar um jogo estúpido de vídeo game, que mal lhe custara algo.

Mas antes que ele pudesse se sentir mal sobre isso, ele foi atacado por David, sufocado por beijos. Ele não entendeu o porque, desde que seu presente não era maravilhoso. Ele aceitou os beijos, entretanto, e os retribuiu. Quando David se afastou, ele estava sorrindo. Pierre ia perguntar, mas foi respondido antes que pudesse. "É um presente maravilhoso." Falou suavemente. "E eu nunca tive um namorado que me comprasse um presente de natal, antes. Eu comprava para eles, mas eles não compravam pra mim."

"Bem, obviamente, você teve vários namorados idiotas." Pierre falou sem pensar. David riu e o beijou novamente. "Muito... Obrigado pelo presente." Falou. "É maravilhoso, de verdade. Eu não consigo acreditar que você fez isso por mim."

David deu um olhar confuso a Pierre. Então, ele tirou os presentes da cama, colocando-os na mesa de cabeceira de Pierre. Ele voltou e se sentou, de modo que suas pernas estivessem uma de cada lado do colo de Pierre. Ele ainda parecia confuso, enquanto passava os braços ao redor dos ombros de seu namorado. "Eu não entendi." Falou, calma e inteligentemente. "Eu comprei tudo isso para você, por que você é maravilhoso, e merece mais do que tudo. É verdade, não importa o que digam. Por que você não pensa isso?"

Não houve resposta, entretanto. Pierre sabia que ele não tinha nenhuma confiança, mas nunca se importou. "Como você chegou aqui?"

"Não mude de assunto."

"Eu só estou curioso. Sua mãe não iria te trazer."

David pausou, então falou. "Eu andei." Até aqui? Bem, ele tinha feito isso antes, então Pierre sabia que era possível. Mas ele tinha que estar em um jantar em família ou qualquer coisa assim? Ele olhou em curiosidade, ainda ponderando suas razões. Mas David ignorou esse olhar. "Quer escutar seu novo cd?" ele mudou de assunto, pelo que Pierre, na verdade, era agradecido.

Ele assentiu e sorriu. "Parece bom." Falou. David se levantou da cama e pegou o CD na mesa de cabeceira. Pierre o observou andar até o rádio, que estava em cima da mesa. Uma vez que o Cd estava dentro, ele apertou o play, e praticamente pulou até a cama, sentando-se ao lado de Pierre. Ele estava cheio do espírito natalino, claramente, mas Pierre não podia evitar sentir que algo estava errado.

"Se importa se eu tirar minhas calças?" David perguntou. "É desconfortável deitar com jeans."

Pierre assentiu. "Vá em frente." Respondeu. David tirou a calça, ficando com a boxer de Simpsons, então se deitou sob os cobertores novamente, com Pierre. Ele se encostou em Pierre, que colocou seus braços ao redor de David. O mais novo escondeu seu nariz no pescoço de Pierre, enquanto a voz de Gwen Stefani soava em um volume médio ao fundo. "Você tem certeza de que não quer... Dormir em outro lugar? Quero dizer... Se você... Uh..."

David o olhou. "Nós não vamos transar, Pierre. Está tudo bem. Eu só quero ficar com você. É algum crime?"

Bem, talvez não fosse um crime, mas era meio que medonho. Nessa velocidade, não demoraria muito antes de David ficar todo afetuoso e pegajoso, querendo que Pierre comemorasse o aniversário de namoro deles todo mês, ou o que seja. "Não, não tem problema." Respondeu, e David o beijou, antes de colocar seu nariz no pescoço de Pierre novamente, o corpo relaxando contra o maior.

Nenhum problema, absolutamente.