Capítulo 15: So Here I Am, Doing Everything I Can
Ele deveria saber que não ia durar muito. Qualquer um iria prever isso, por que todo mundo sabia que coisas boas e ótimas se perderiam muito antes de terem a chance de serem salvas. A prova viva disso foi sexta-feira. Seria a quarta noite consecutiva que David estava dormindo na casa de Pierre, e ele parecia estar ficando bastante irritadiço, como se estivesse suprimindo o desespero que sentia de voltar para casa e, esperançosamente, quebrar a tensão que estivera crescendo entre ele e sua mãe desde a não prazerosa conversa deles, há dois dias.
Eles mal tinha se beijado o dia todo. David parecia quieto, distante, mas sempre que Pierre perguntava, ele jurava que nada estava errado. Ele simplesmente se sentou no sofá e assistiu TV, e quando ele ficava entediado disso, ele achava algo para comer da comida próxima-a-data-de-validade na cozinha. Durante tudo isso, entretanto, David não sorriu muito. Pierre ia, às vezes, citar uma frase dos Simpsons, na esperança de que isso iria animá-lo, e receberia um sorriso, mas não durava muito, e Pierre se sentiu derrotado quando ele voltou para sua atual fonte de entretenimento.
Era difícil, mesmo que não fosse por muito, andar pela casa com o peso do secreto sentimento de infelicidade. Cada hora parecia se arrastar mais lentamente do que deveria. Infelizmente, Pierre nunca aprendeu o conceito de confrontar as coisas de uma maneira apropriada, então se impediu de perguntar qualquer coisa sobre a mãe de David ou do dinheiro roubado, e se prendeu à perguntar de uma maneira bastante repetitiva "você está bem?" ou "o que está errado?". Nenhuma das duas perguntas trazia respostas produtivas.
David fez um pouco de macarrão Kraft Dinner para eles dois, e eles se sentaram à mesa da cozinha, em silêncio; o único som era o da televisão, que ninguém estava assistindo, desde que nenhum deles a tocou desde que estavam assistindo 24 horas, há quinze minutos. Nenhum deles fez contato ocular, embora Pierre olhasse longamente para seu namorado incomodado, curioso sobre o que estava passando na cabeça dele (naturalmente, essa era uma área perigosa para se ir). A tigela de macarrão estava ganhando mais olhares do que Pierre.
A próxima vez que eles conversaram, foi quando a pia estava cheia de louça, e David imediatamente foi lavá-las. Pierre insistiu que podia fazer isso, mas David disse que ele faria, e eles discutiram o problema pelos próximos cinco minutos. Eventualmente, Pierre percebeu que ele não queria irritar David mais do que ele já estava, então se jogou no sofá e assistiu TV, mais uma vez, ocasionalmente olhando para David, cujas costas estava virada para si.
Sarah chegou em casa por volta das seis horas, quando David tinha terminado com a louça e estava sentado no sofá ao lado de Pierre, a mão descansando em sua coxa. Ela cumprimentou Pierre, e perguntou sobre a visita que ele tinha. "Meu namorado, mãe." Respondeu. Ele não estava ansioso para apresentá-los, desde que David não precisava estar mais na vida de Pierre do que ele já estava, mas seu namorado se levantou do sofá antes que pudesse impedi-lo, um sorriso enorme em seu rosto (o que fez Pierre sentir uma dor aguda, por que ele não conseguiu fazer David sorrir o dia todo).
Ele ofereceu sua mão para ela, cuja mão ossuda e desgastada pegou a dele, sorrindo gentilmente. "Eu sou David. É ótimo finalmente conhecê-la." Ele falou entusiasmadamente. Pierre girou os olhos, desviando o olhar, para se garantir de não ver o gesto. Ele já não conseguia sentir o cheiro de maconha e whiskey?
"É ótimo conhecê-lo, também. Pierre nunca me disse que tinha um namorado." Gah, ela soou tão feliz e materna. Ela não sabia que ele tinha um namorado por que ela nunca se importava com sua vida! Ela sempre fazia isso. Agora David ia se perguntar por que Pierre era tão desagradável em relação a ela, e por que ele sempre falava mal de sua família, por que ele não teria uma chance de vê-la de verdade. A mulher endurecida, drogada, que amaldiçoava a plenos pulmões com a qual ele se acostumara nos últimos anos.
Depois de seu encontro 'agradável', Sarah andou até os quartos, e David voltou para o sofá, sentando-se na mesma posição que estava antes. Pierre estava grato que não estava sentado do outro lado do sofá. Ao menos eles estavam se tocando, então ele sabia que David não estava tão irritado para fazer isso. A expressão tristonha de David voltou, e ele apenas descansou sua mão na coxa de Pierre, olhando para a televisão.
Oh, como Pierre odiava essa expressão. Ele queria tirá-la de lá, e substituí-la com uma expressão feliz, uma expressão que ele estava mais acostumado a ver, e uma que ele preferia, de longe. Afinal, essa era uma das razoes por estar com ele. Se David fosse do tipo 'criminal', como Pierre era, ele provavelmente não teria o notado. Ele o teria evitado, na verdade.
Mas quando as dez e meia chegou, David estava bocejando. Ele ergueu sua cabeça do ombro de Pierre, onde ela tinha, cansadamente, e esticou os braços, erguendo-se. "Indo para a cama?" Pierre perguntou. Todas as luzes estavam apagadas, e eles tinham acabado de assistir o Clube da Luta. David assentiu, então Pierre se levantou, também. Percebeu que seria melhor dormir um pouco, então, talvez, trabalhar um pouco mais para conseguir um bom plano para conseguir dinheiro.
Ele desligou a televisão, e teve que ajudar David pela a atravessar a escuridão até seu quarto. Ele acendeu a luz, e David entrou primeiro, indo para o outro lado da cama. Ele ainda não estava falando, e Pierre pensou que esse dia nunca chegaria... Nunca. Ele se perguntou se fora assim para sua família no ano em que Daniel morreu: atingidos pelo silêncio de David, com nenhum jeito de passar dele. Se fosse, ele meio que se simpatizava com eles.
"Há, uh, um quarto de hospedes, se você, er, quiser, você sabe..." Pierre sugeriu.
David pegou a caixinha de sua lente de contato do bolso de sua jaqueta, que estava no chão, e colocou as lentes lá. "O quê? Você não quer mais dormir comigo?" ele perguntou, um pouco mais rispidamente do que deveria.
"Não foi isso que eu disse." Pierre rosnou, mais aborrecido pela mudança súbita de humor de David, do qualquer outra coisa. "Só achei que você está muito bravo comigo para querer dividir a cama comigo."
Com um suspiro, David puxou a camiseta pela cabeça. "Não estou bravo com você." Explicou. Pierre zombou, enquanto ele começava a tirar a roupa. "Não estou!" Pierre deixou isso de lado, enquanto David erguia seu lado do cobertor e se sentava. Ele tirou as meias, antes de se deitar sob o cobertor, suas costas ainda para Pierre. "Mas não estou satisfeito." Continuou, vários momentos depois de Pierre ter pensado que o assunto tinha sido esquecido.
"Eu já te disse que conseguiria seu dinheiro, maldição!" Pierre respondeu, seu volume de voz aumentando, o que fez David se virar para olhá-lo. "Eu não sou bom em ganhar dinheiro, no caso de você não ter percebido isso quando eu tive que roubar dos seus pais, então por que você não dá um tempo? Não é minha culpa que você quer ir para casa!" isso era mais palavras do que os dois tinham falado naquele dia. Combinados.
"É sua culpa o motivo por que eu não posso ir para casa!" David gritou de volta, antes de perceber o que estava dizendo. Pierre parou, pensando no que ele tinha dito. Ele tinha assumido que a razão de David estar brigado com sua mãe era por sua casa, mas não sabia que era a razão por ele não podia voltar para casa. "Quero dizer... Não é... Apenas... Urgh, deixa pra lá! Eu vou para casa amanhã cedo, se é a porra de um problema ficar aqui!" com isso, ele girou, socou seu travesseiro para ficar mais confortável, e deitou a cabeça nele. Pierre assumiu que seus olhos tivessem se fechado.
Depois de um momento para absorver a primeira briga dele como casal, Pierre tirou suas próprias meias, e apagou a luz. Ele se juntou à David sob os cobertores, mas se deitou do mesmo jeito que ele, de costas para seu namorado.
Seus olhos permaneceram abertos por um longo tempo, fixos na escuridão de seu quarto. Ele pensou sobre o comportamento de David durante o dia. Ele pensou sobre o fato de era puramente por sua causa. Era estranho que David tivesse aceitado a novidade de Pierre roubando o dinheiro tão bem, mas ele não era muito calmo e paciente quando se tratava de Pierre conseguindo o dinheiro de volta. Ele sabia que devia ser punido por isso, e esse David distante era o bastante para fazer isso, mas ele já tivera demais. Ele queria seu namorado hiperativo de volta.
Depois de uns quinze minutos deito lá, pensando em um plano que poderia lhe ajudar, uma idéia passou por sua mente. A única coisa que ele conseguia pensar. Ele olhou para David, que estava roncando levemente e parecia estar adormecido. Pierre murmurou seu nome, apenas para garantir, e quando recebeu apenas roncos em resposta, cuidadosamente saiu da cama. Seus olhos estavam em David, enquanto se vestia.
Ainda observando David, ele abriu a porta, e se esgueiro para fora do quarto o mais silenciosamente possível. Ele pausou do lado de fora da porta, apenas para se garantir de que não o acordara. Quando não ouviu nada, ele continuou. Ele acendeu a luz na sala de estar e procurou na mesinha de centro pelo cartão que recebera algumas semanas antes. Ele demorou um pouco, mas eventualmente o encontrou e olhou para o endereço. Dunce Street West. Era só há algumas ruas. Ele certamente poderia andar até lá; ele não queria ligar o carro e acordar a casa toda.
Ele apagou a luz, colocou a jaqueta e o tênis, enquanto saiu da casa da maneira mais silenciosa possível. Uma vez do lado de fora, ele andou apressado pela rua. Ele não queria perder muito tempo, desde que não queria voltar muito tarde. Aí David suspeitaria de que algo estava acontecendo, e ele não queria ter de inventar uma desculpa. Embora ele duvidasse que David sequer fosse perguntar, por que ele provavelmente ainda não queria falar consigo.
Demorou apenas quinze minutos para que ele chegasse ao lugar. Era em um beco, com intermináveis latas, sujeira e lixo. Ele andou até a porta com um número '543' prateado. Respirando fundo e flexionando suas mãos congeladas, Pierre ergueu seu pulso e bateu no metal cinza da porta. Demorou um momento, mas a porta foi aberta eventualmente para revelar Vince Randall, usando uma calça de moletom e uma camiseta preta.
"Pierre?" perguntou, apertando um pouco os olhos, como se tivesse acabado de acordar. "O que você está fazendo...?"
"Eu preciso de dinheiro. Imediatamente. Essa noite." Pierre o interrompeu. Suas vozes eram baixas, como que para não atrair atenção indesejada.
Ele pausou, como que registrando o que Pierre estava dizendo, então falou: "Eu não posso, cara. Sem cliente essa noite. E está muito tarde para conseguir um. No lugar." Pierre olhou para ele com desespero, um olhar que pareceu fazer algo estalar na cabeça de Vince, e ele suspirou. "Quanto você precisa desse dinheiro?"
"Muito." Pierre respondeu. "E precisa ser imediato."
Vince olhou ao redor, garantindo-se de que eles não estavam sendo observados, então saiu do caminho, gesticulando para Pierre entrar. "Ótimo." Falou. "Não conte a Travis ou Ben que eu estou fazendo isso." Pierre também olhou ao redor, e o seguiu para dentro. Uma vez que a porta se fechou, Pierre sabia que não havia volta. Ele apenas desejou que tivesse visto esse ato pecaminoso como pecaminoso, antes de já tê-lo feito. Quando percebeu, já era muito tarde.
Mas quando eles terminaram, Pierre se encontrou muito exausto para partir imediatamente, e decidiu que ele ia dormir por algumas horas, antes de voltar. Além do mais, David não iria levantar até, pelo menos, oito horas, então ele tinha bastante tempo.
Ele acordou com um pulo, e não conseguiu se lembrar por que estava lá, por um momento. Mas quando ele Vince, ele se lembrou do que tinha feito, e se sentiu muito envergonhado para continuar lá. Ele saiu da cama e se vestiu, pegando o dinheiro que tinha ganhado pela noite. Quando ele terminou, ele foi para a porta, mas assim que sua mão tocou a maçaneta, ele ouviu uma voz vir de trás. "Pierre?" ele se virou e viu Vince, sentado com apenas metade do corpo coberto pelo cobertor marrom claro.
Eles pausaram, e Pierre esperou que Vince falasse alguma coisa, mas o outro homem apenas abriu a boca múltiplas vezes, sem emitir um som. Pierre deu um meio sorriso, apenas para suavizar o embaraço, e se perguntar o que ele estava vendo. O que Vince estava pensando? "Te vejo por aí, Vince." Falou, assentindo, então saindo do prédio, voltando para casa.
O sol já tinha nascido quando ele entrou em seu quarto, e o relógio marcava sete horas. Bom, ele estava na hora. Ele tirou a roupa, trocou sua boxer, e esperou que o cheiro de sexo ainda não estivesse óbvio em si. Ele não teria tempo de tomar banho, e temia que isso lhe entregaria. Então, ele lentamente escalou a cama, relaxando, como se estivesse estado lá à noite toda. Ele estava de costas para David, e seus olhos tinham acabado de se fechando, quando o movimento do corpo de David perto do seu o fez abrir os olhos e seu coração bater mais rápido.
Ele fingiu acordar, e deitou de costas, bocejando e se espreguiçando. David olhou para ele, percebendo que ele tinha 'acordado'. Ele cheirou o ar. "Por que você cheira à fumaça?" ele perguntou. Bem, isso era outra coisa que o entregaria. Ele estava tão acostumado ao cheiro que ele não o notava. "Você estava fumando? Eu pensei que você tinha parado."
"Então, você está falando comigo?" ele decidiu que mudar de assunto era melhor do que responder a pergunta.
O outro garoto ignorou sua pergunta e se sentou. "Eu preciso de uma carona." Falou David, enquanto ele se levantava e pegava o caixinha de suas lentes de contato. "Eu já volto, então você não vai precisar agüentar minha presença muito mais." Pierre o observou sair do quarto, lembrando-se do humor dele, e desejando poder entregar o dinheiro nesse momento. Mas então seria muito óbvio que o tinha conseguido durante a noite, desde que ele não tinha o dinheiro noite passada.
Na próxima meia hora, o casal se vestiu em silêncio, então andaram até o carro, pelo qual Pierre tinha pedido. Ele levou David até sua casa em silêncio, embora tenha se garantido se ligar o rádio. Ele enlouqueceria com mais silêncio sepulcral. Enquanto o som das bandas de metal dos anos 80 enchiam o ar, eles evitaram contato ocular, mesmo que Pierre olhasse para ele de vez em quando, para se garantir que o outro não estava lhe olhando.
Quando o carro parou, Pierre não deixou David descer. "Espere." Falou, antes que a porta pudesse ser aberta. "Eu, uh, sinto muito. Desculpe pelo o que eu fiz." David olhou para ele, como se esperando que ele continuasse com as desculpas. "Eu sou um idiota, e eu não devia ter roubado o dinheiro. Mas eu vou te pagar. Eu... Eu prometo. Ok?" depois de um momento, David sorriu, embora não fosse muito exuberante, e Pierre estava aliviado que tivesse conseguido esse tanto.
"Eu sei. Desculpe. Tem sido frustrante, mas eu sei que você está tentando, e eu aprecio isso." Falou. Ele se inclinou e lhe deu um beijo, embora não tenha sido profundo ou longo. "Eu te ligo mais tarde." Com outro beijo curto, ele saiu do carro e Pierre dirigiu de volta para sua casa, satisfeito que tivesse resolvido isso. Mas ele não estava satisfeito com o jeito que tinha resolvido o problema do dinheiro, mesmo que não tivesse tido escolha.
[...]
Foi o som do telefone tocando que acordou Pierre no dia seguinte. Embora ele desejasse que não tivesse o acordado; ele estava gostado do sonho que estava tendo. O telefone tocou de novo, e Pierre chegou a conclusão de que sua mãe não estava em casa para atender. Então, com um gemido longo e dramático, Pierre se levantou da cama e caminhou até a cozinha, onde o telefone estava.
A luz vermelha da secretária eletrônica estava piscando o número um repetidamente. Pierre pressionou o botão e se escorou contra o balcão, enquanto ouvia a familiar voz. "Hey, Pierre." David disse na mensagem. "É o David. Bem, claro que você sabe disso. Duh, eu sou seu namorado. Você conhece bem a minha voz, espero. De todo modo, eu sei que você provavelmente ainda está dormindo. É... meio dia, afinal. Então, me liga. Eu tenho algumas novidades realmente maravilhosas. Au revoir."
Bem, ele não podia ficar cansado e irritado depois disso. Era muito alegre e fofo. Um sorriso enorme apareceu no rosto de Pierre uma vez que o telefone apitou, sinalizando o final da mensagem. A voz de David sempre o animava, não importava seu humor. Isso era verdade desde o primeiro instante em que o vira, mesmo que não deixasse isso aparente. Isso era estranho, desde que mais ninguém conseguia isso.
Ele pegou o telefone sem fio e andou até seu quarto, deitando-se em sua cama novamente, em suas costas. Usando o *69, Pierre retornou a ligação de David.
Ele esperou pela voz animada, que não demorou muito para atender. "Ah, eu sabia que você não conseguiria resistir muito." David falou. "Você acabou de acordar? Ou eu te acordei? Se o fiz, sinto muito. Essa novidade é muito boa para esperar até mais tarde. E eu não sei como isso aconteceu, ou porque, mas eu nunca recebi esse convite em toda minha vida. Parece ser por causa de você."
"O que é, David?"
Com um gritinho agudo e feminino, David falou: "Nós fomos convidados para uma festa!" o gritinho era tão agudo e ensurdecedor, de fato, que Pierre teve que afastar o telefone do ouvido para ter certeza de que não ficaria surdo. Ele riu levemente quando trouxe o telefone de volta à orelha.
"Sabe esse cara da minha aula de Inglês? Patrick Cunningham? Cabelo loiro, um sorriso tonto, sempre com uma câmera na mão? Bem, seus pais o deixaram em casa para o Ano Novo. Ele está dando uma festa, é claro. Ele ia apenas me convidar, mas quando eu disse que você era meu namorado, ele insistiu para que você fosse, também. Não é maravilhoso?"
Pierre deu de ombros. "Acho que sim." Respondeu.
"Você acha? Que diabos, Pierre? É uma festa! Você devia estar animado. Não tão animado quanto eu, mas pelo menos um pouco. Qual o problema em ir à festa de Patrick?"
"Nenhum, nenhum." Pierre falou. "É só que... Bem... Uh, eu não quero mais ir à festas. Eu estou tentando ficar limpo, lembra? Isso não vai ajudar."
David gemeu. "Pierre, você sempre tem que ser tão difícil. Qual é o motivo real para você não querer ir?"
"Esse é o motivo real."
"É, ta bom."
"É sério."
"Eu sei quando você mente. Te conheço há tempo o bastante."
"Aparentemente não."
"Patrick é um cara legal, e eu não vejo por que você não gostaria dele."
"Nunca disse que não gostava."
Houve uma pausa, e Pierre sabia que estava recebendo algum tipo de olhar cético de seu namorado. "Ok, acho que acredito em você..." Ele falou. "Mas se você causar qualquer merda nessa festa, eu vou arrancar suas bolas."
Um sorriso apareceu no rosto de Pierre. "Aw, mas eu preciso delas..." brincou. Ele recebeu uma risada apreciativa de David. Ele respirou fundo. "Certo, quando é essa festa? Desde que eu claramente não tenho escolha se quero ou não ir."
Pierre praticamente conseguiu ouvir David girando os olhos. "Eu te passo o endereço amanhã, quando você vier me buscar. A festa começa quando fica realmente escuro, então acho que você deveria vir lá pelas noves." Explicou. "E eu sei que você está tentando parar com todas as festas, bebidas e sei lá mais o que, mas você não tem que beber. Talvez eu beba."
Perante isso, os olhos de Pierre se arregalaram. "David Desrosiers vai beber? Eu não achei que algum dia iria ouvir essas palavras na mesma frase."
David riu. "Eu sei, mas você tem que tentar tudo uma vez, certo? Ao menos você vai estar lá, então você pode... Você sabe... Me monitorar ou algo assim. Eu não acho que vou beber muito, entretanto. Eu experimentei a cerveja do meu pai uma vez, quando era mais novo, e não gostei, então eu não sei se vou beber..." ele suspirou. "De todo modo, eu vou para aí agora, desde que eu não tenho nada para fazer aqui. Mas você pode voltar a dormir, se quiser."
"Surpreendentemente, eu não estou mais cansado." Pierre falou. David riu de novo, começou um longo pedido de desculpa e explicação, então se despediu e eles desligaram. Pierre colocou o telefone na mesa de cabeceira e relaxou de novo, fechando os olhos.
As coisas estavam ficando realmente, realmente estranhas. Agora parecia que todas as coisas que Pierre estava tentando ficar longe, as coisas que ele estava tentando evitar a todos os custos, eram exatamente as coisas pelas quais David estava procurando.
