Capítulo 17: Every Time I Call You Don't Have Time

Pela primeira vez, Pierre acordou na manhã após a virada de ano, sem uma dor de cabeça ou a sensação de querer vomitar todos seus órgãos internos. Ele se sentia bastante agradecido por isso, por que sua mente estava presa em Patrick, e isso já era o bastante para deixá-lo enjoado. Agradecidamente, isso não o enjoou o bastante para pôr seus órgãos para fora. Não, esse não era seu trabalho hoje, para variar. Agora, seu trabalho pertencia a David, que, no momento, estava pondo a alma para fora no banheiro.

Pierre acordou por volta das dez e meia para encontrar um espaço vazio ao seu lado, o que ele assumiu que estaria ocupado, desde que David festejara bastante noite passara e, provavelmente, não iria querer levantar por medo de que sua cabeça pesada o fizesse cair. Então, sentindo-se perfeitamente bem, Pierre se levantou e saiu do quarto para ir checar seu namorado, jogado no chão de cerâmica do banheiro, com sua cabeça sobre a privada e os braços ao redor do assento. Sua camiseta estava jogada no chão, sua calça estava puxada até a metade de suas canelas, sem meias, embora isso provavelmente acontecera durante a noite.

Ele se escorou na batente da porta, e não pôde evitar rir. David tirou o cabelo bagunçado do rosto e olhou para Pierre. "Que diabos você está rindo?" perguntou, e Pierre apenas sorriu afetadamente. "Oh, cale a boca." Ele se voltou para a privada, e Pierre riu novamente. Então, como uma resposta, David lhe mostrou o dedo, embora não tenha durado muito por David se agarrado ao assento da privada e vomitar mais.

De novo, Pierre riu, balançando a cabeça. "Eu nem vou começar, por que eu sei que você não vai ouvir." Falou, enquanto entrava no banheiro, o pé descalço sentindo um pouco de frio quanto tocou a cerâmica, ao invés do carpete em que estivera pisando até agora.

"Pode crer." David falou, mas quase foi interrompido ao vomitar novamente. Pierre suspirou e se sentou na banheira, ao lado da privada. Ele lançou ao menor aquele olhar desapontado que namoradas normalmente usavam quando seus namorados faziam algo estúpido e ela sabia que ele podia fazer melhor. David percebeu sua expressão pelo canto do olho, e a reconheceu instantaneamente. Ele gemeu, e descansou a testa na frente da privada. "Não me olhe assim, Pierre, eu posso fazer isso pelo menos uma vez na minha vida. E não faz muito tempo, que era você aqui."

Exatamente. Ao invés de responder, Pierre esticou a mão para afastou o cabelo do rosto de David. Apesar de se sentir levemente divertido por essa irônica mudança de eventos, Pierre realmente se sentia compreensivo. Ele sabia como era a manhã depois da primeira vez que se vai a uma festa e se fica tão bêbado que não se sabe mais nem em qual país você mora. Era uma droga, especialmente quando ele se divertira tanto na noite anterior. Era uma severa punição.

"Eu já volto. Você precisa de remédio se quiser se levantar logo." Pierre falou e se levantou. David assentiu, antes de vomitar novamente. Pierre estremeceu, enquanto saia do banheiro. Ele atravessou o corredor até seu quarto, onde ele pegou o frasco de aspirina, que guardava em seu criado mudo para manhã como essa. Ele não precisava mais dele para isso, mas ele sempre vinha à mão se ele precisasse deles para, digamos, as brigas que ele se metesse algum adolescente por dar em cima de seu namorado. (Patrick).

Quando ele entrou na cozinha, ele ouviu David vomitando mais uma vez, e não pôde evitar estremecer novamente. Ele pegou um pequeno copo e o encheu de água, antes de voltar para o banheiro. Ele colocou o copo e as duas pequenas pílulas brancas sobre o fundo do vaso sanitário. "Tome depois que parar de vomitar, senão vai pôr para fora." Falou, enquanto voltava a se sentar na borda da banheira.

"Obrigado." David murmurou. "Então, enquanto eu estou passando o tempo no banheiro, se importa de me contar o que eu fiz noite passada? Não consigo lembrar nada depois do nosso beijo de ano novo."

Quando questionado isso, um pensamento voltou para a mente de Pierre. Ele se lembrou de Patrick tentando, sutilmente, tirar vantagem de um bêbado David a noite toda; ele se lembrou do quase show de strip de David sobre a mesa; ele se lembrou de um David quase adormecido em sua cama, lhe dizendo que lhe amava. "Na verdade, eu fiquei bastante surpreso com seu comportamento. Já passava da meia noite e nós ainda não estávamos nus." Pierre começou e David riu. "Você não foi tão ruim assim. Tirando sua, bem, dança sobre a mesa..."

David riu de novo, arregalando seus olhos cansados para Pierre. "Dança na mesa? Wow. Eu dancei bem?" Pierre deu de ombros, mas preferiu não responder. "E Patrick? O que aconteceu com ele? Por que estamos na sua casa?" Ah, as várias perguntas. Fazia um tempo desde que Pierre tinha experimentado isso.

"Eu não sei sobre Patrick. Depois que eu o impedi de dar em cima de você, eu não sei o que ele fez." David desviou os olhos, claramente pensando sobre o que ele tinha dito. "Eu te trouxe cá, por que eu sabia que sua mãe cortaria minha cabeça se eu te levasse para casa, bêbado. E eu também sei que você não iria querer lidar com isso."

Voltando a olhá-lo, David assentiu. "Isso é verdade." Falou. "Eu... Eu..." suas palavras se perderam, quando ele se voltou para a privada, abrindo a boca algumas vezes, antes de vomitar mais um pouco. Ele tinha que parar logo, desde que Pierre tinha certeza de que uma pessoa tão pequena como ele nunca conseguiria produzir tanto vomito. Ele limpou a boca com as costas da mão, e voltou a olhar para Pierre. "Eu quase estou com medo de ir para casa. Você vai entrar comigo?"

"Para que sua mãe corte meu pinto fora?" falou, rindo. "Não, obrigado. Ela irá fazer menos estrago em você, acredite."

David riu incredulamente. "É, não é você que tem lidado com ela..."

Pierre franziu o cenho. Então, ele decidiu falar de outra coisa, além da estúpida mãe de David. "Então," começou, mordicando o lábio inferior nervosamente. "Você tem certeza de que não se lembra de nada que aconteceu depois da virada de ano?" ele queria saber se David se lembrava de ter lhe dito que lhe amava. Se ele não lembrasse, então não havia nada com que se preocupar, certo? Bem, exceto pelo fato de que as pessoas tendiam a falar a verdade quando estavam bêbadas, mas Pierre meio que deixou isso de lado e fingiu que isso não era um fato.

Para a sorte de Pierre, David balançou a cabeça, a testa repousando sobre seu braço, que estava apoiado no assento da privada. "Não." Respondeu. "Não realmente. Eu... Eu lembro... Logo depois do nosso beijo... Que Patrick me contou um pouco sobre ele. Você sabia que ele é da Califórnia? É. Santa Monica. Os pais dele o transferiram para cá ano passado, por que ele foi suspenso por fazer merda na aula, ou algo assim. Ele é um cara bastante legal, eu não sei por que você é tão contra ele."

"Eu não sou contra ele. Eu só... Não gosto muito dele."

Com um suspiro, David se esticou para puxar a descarga. "Bem, foi divertido, ainda assim." Falou. "Você se divertiu? Mesmo que não tenha bebido. Você não bebeu, né?"

Pierre balançou a cabeça. "Não, eu não bebi." Falou. "E acho que me diverti." É, exceto por ter de observar David como um falcão e protegê-lo de Patrick, ele... Se divertiu.

David assentiu e sorriu. "Isso é bom." Falou e se apoiou na privada. Pierre se levantou e o pegou pelo braço, ajudando-o a se levantar. Uma vez que David estava em pé, sua mão instantaneamente foi para sua cabeça, e ele amaldiçoou violentamente. "Porra, por que minha cabeça parecer do tamanho dessa maldita província?" Pierre tentou não rir, mas não conseguir. "Oh, cale a boca, Pierre."

Pierre pegou as aspirinas e o copo de água, enquanto ajudava David para fora do cômodo. Eles foram para a sala de estar, e David se deitou no sofá, os olhos se fechando. "Eu não acho que vou conseguir voltar para casa até semana que vem, se eu continuar me sentindo assim." David falou, se erguendo sobre os cotovelos para olhar para Pierre, que estava lhe oferecendo uma aspirina. O menor a pegou e a colocou na boca, antes de aceitar o copo, então conseguiria engoli-la. Quando ele terminou, ele voltou a se deitar sobre o sofá, os olhos fechados mais uma vez.

"Você pode ficar o quanto quiser." Falou, andando até a cozinha para colocar o copo na pia.

David sorriu, se ajeitando de forma mais confortável sobre o móvel, arrumando a almofada sob sua cabeça. "Você é o melhor, Pierre." Suspirou. "Eu estou cansado. Eu provavelmente vou dormir mais um pouco." Pierre voltou para onde ele estava e puxou um cobertor azul do encostou do sofá. Então, ele o usou para cobrir David, afastando o cabelo de seu rosto, antes de se sentar aos seus pés, pegando o controle da televisão.

Ele ouviu a respiração de David se acalmar conforme ele passava pelos canais, a noite anterior passando por sua cabeça de novo e de novo.

[...]

O sinal tocou, tirando Pierre de seus pensamentos melancólicos das últimas semanas. O sinal indicava o intervalo do almoço tinha terminado e as pessoas tinham menos de dez minutos para juntar suas coisas e ir para suas aulas. Os últimos quarenta e cinco minutos foram passados sozinhos, ou sentado na cantina ou sentado no corredor da sala de música, para ouvir no que a banda estava trabalhando. As aulas tinham voltado há quase uma semana agora, e nunca Pierre tinha passado o almoço todo sozinho desde que começou a namorar David. Mas, alas, ali estava ele, sentando contra a parede, perto da sala 317, ouvindo o som das pessoas a limpando, antes da próxima turma entrar.

Na aula de matemática, Pierre e David conversaram sobre seus planos para o almoço, e Pierre tinha bastante certeza de nessa sexta-feira, depois de quatro dias sendo literalmente ignorado, David iria passar o intervalo com ele, comprando uma vitamina na lanchonete da esquina. Mas, às onze e meia, David encontrou com Pierre em seu armário e lhe disse que ele ia passar o tempo com Patrick na biblioteca, para fazer um "trabalho". Certo, realmente era um trabalho, mas isso não acalmava o monstro no peito de Pierre.

No começo da semana, a aula de inglês de David e Patrick recebera um projeto. É claro, esse projeto em particular tinha que envolver parceiros, e David fora, convenientemente, designado a trabalhar com Patrick. Claro, agora eles estavam passando o tempo juntos para o projeto, mas Pierre tinha certeza de que essa não era a única razão pela qual eles estavam passando o tempo com o outro. Desde a festa, David estava praticamente obcecado por Patrick, falando sobre ele em todas as ocasiões possíveis, mesmo quando Pierre e David estavam se amassando (o que irritou Pierre mais do que qualquer coisa).

Na última quinta-feira, ele e David estavam em uma sessão meio romântica de beijos afetuosos na cama de Pierre, mas David permanecia interrompendo os beijos para rir sobre algo que Patrick tinha lhe dito no telefone, ou algo que Patrick fizera quando eles tinham saído no dia anterior, ou qualquer outra coisa que ele aprendia sobre o idiota. Pierre se irritou, estourou com David, então sugeriu que eles mudassem de tarefas se tudo o que David ia fazer era falar sobre Patrick. Isso expôs sua suspeita para David, e agora o mais novo constantemente chamava Pierre de "ridículo" e "louco". Pierre continuou com suas desconfianças, mesmo que David as achasse estúpidas, e agora o casal não tinha se beijado descentemente há um bom tempo.

Mesmo durante a aula de mecânica, David se recusou a falar sobre qualquer coisa além de Patrick, ou ele não falaria absolutamente. Eles tinham apenas mais algumas semanas antes do semestre terminar, então o carro estava quase terminado, e David preferia se apoiar no carro e olhar para o nada. Pierre não se importava, por que trabalhar em carros o acalmava, mas David não estava falando com ele, e isso o incomodava.

Uma vez que o sinal tocou, liberando as turmas, David praticamente disparou para seu armário, dizendo a Pierre que provavelmente o veria mais tarde. Balançando a cabeça, Pierre se preparou para ir embora e saiu pela porta da frente, mais aborrecido do que irritado agora. Ele queria que Patrick voltasse de onde ele tinha surgido e ficasse longe de David. Cara, ele estava grato que tinha ido àquela festa com David. Patrick o teria estragado para sempre, e, então, Pierre não teria outro escolha que não... Bem... Matá-lo.

Ele se escorou contra a parede perto da porta da frente, do lado oposto do estacionamento. David disse que 'provavelmente' lhe veria mias tarde, então ele queria esperar um pouco para ver se isso significava 'vou' ou 'não vou'. Ele se sentia extremamente estressado, e não conseguia se livrar dessa irritação causada por Patrick. Então, enquanto ele estava escorado na parede, ele procurou pelo maço de cigarros e o isqueiro, que ele ainda guardava no fundo de sua mochila.

No momento em que ele acendeu um e deu a primeira tragada, todos os seus problemas pareceram sumir. Ele sentiu esse enorme peso sair de seus ombros, e ele se perguntou por que ele tinha parado com isso. Ele achava que o drama sumiria quando mudasse seu estilo de vida, mas isso nunca iria acontecer, e ele deveria ter sabido disso quando decidiu parar com esse hábito sujo.

Ele observou os alunos entrarem no ônibus escolar ou dar a volta nele, ou indo embora ou conversando com amigos, antes de irem embora. Dois desses alunos foram facilmente reconhecidos por ele, que os observou atentamente. Patrick estava dando tapinhas nas costas de David e rindo, enquanto David ria entusiasmadamente, fazendo vários gestos com as mãos. Suas sobrancelhas se cerraram na direção deles. Como Patrick se atrevia a tentar dar em cima do seu cara? Pierre não se julgava como do tipo possessivo, mas ele não podia evitar. Ele sabia quais eram as intenções de Patrick, e ele não estava procurando por uma simples amizade.

Enojado, Pierre olhou para o chão, dando outra longa tragada em seu cigarro. Alguns momentos depois, ele foi interrompido por um par de tênis aparecendo na frente dos seus, sujos. "Hey, James Dean." Pierre ergueu o olhar para ver David, que sorriu afetadamente perante o apelido usado. "Achei que você tinha parado com essa merda?"

"Nunca disse isso." Pierre balançou a cabeça, soltando a fumaça para a direita, evitando o rosto de David. "Eu acredito ter dito que eu tentaria parar."

David tirou algo do bolso. "Bem, eu não posso te beijar com esse hálito de cinzeiro." Falou e Pierre o viu tirar um chiclete de uva de um pacote. "Jogue isso fora e pegue um desses. Nós vamos para minha casa, porque não nos amassamos lá há um tempo." Eles não se amassavam há um tempo, ponto final.

Pierre deu uma última tragada em seu cigarro, então o jogou no chão, pisando nele, amassando-o contra o concreto. "Engraçado. Achei que você fazia isso na casa de Patrick." Falou, enquanto aceitava o chiclete, colocando-o dentro da boca.

David girou os olhos. "Você é tão imaturo, sabia? Não há nada rolando entre Patrick e eu." Falou. "Nossa, você é tão super protetor."

"Eu não sou super protetor." Pierre respondeu. Então, ele emoldurou a cabeça de David, puxando-o e beijando-o profundamente, mas não tão profundamente a ponto de David não ter tempo de reagir. Ele queria ver se ele estava, pelo menos, a fim de lhe beijar a qualquer momento, e não apenas enquanto na privacidade de suas casas. Felizmente, David pousou suas mãos na cintura de Pierre e se inclinou para mais perto, pressionando as costas de Pierre contra a parede. Ele retribuiu do mesmo modo, chupando o oxigênio para fora dos pulmões de Pierre.

Quando o beijo terminou, David sorriu. "Isso te faz se sentir melhor?" perguntou. Pierre deu de ombros e David segurou sua mão, entrelaçando os dedos. "Vamos, estou cansado de ficar em público." Ambos se afastaram da escola, virando na esquina em direção à casa de David.

Uma vez que eles entraram, eles ouviram uma briga acontecendo entre Vanessa e Seth. David falou para Pierre ficar quieto, enquanto eles tiravam os tênis e as jaquetas. Ele claramente queria ouvir a briga que sua mãe estava tendo com seu irmão. "Bem, eu não me importo! Eu amo a Keiko, e eu vou vê-la quando me der vontade!" Seth exclamou, enquanto saia de onde estavam, indo na direção das escadas.

Vanessa seguiu, mas parou ao pé da escada. "Você vive sob meu teto, então você segue minhas regras!"

"Isso vai mudar logo, não se preocupe!" ele gritou finalmente, antes do som da porta sendo batida ser ouvido. Sua mãe suspirou.

"Sobre o que foi isso, mãe?" David perguntou.

Ela se virou para olhá-lo. "Oh, Seth tem faltado ao serviço para ficar com..." suas palavras morreram quando ela viu Pierre, e ela forçou um sorriso. Ela realmente precisava melhorar sua veracidade. "Oh, olá, Pierre. Faz algum tempo."

Pierre retribuiu o sorriso, como sempre. "Faz, não é?" falou gentilmente. Então, David o arrastou para o andar de cima. Antes que ele se desse conta, Pierre estava no quarto de David, a porta fechada (contra os desejos de sua mãe). "Essa Keiko é a namorada de Seth?" Pierre perguntou, enquanto David soltava sua mochila em um canto e se sentava na cama.

"É, eles começaram a namorar há uns seis meses." David explicou, se arrastando sobre a cama e esticando as costas. "Ela nasceu na Coréia do Sul, mas quando o pai dela decidiu deixar a família, a mãe a trouxe para o país onde ela foi criada a vida toda. Ela é canadense."

Pierre assentiu, mas sua mente estava em algo inteiramente diferente. Ele subiu na cama, cobrindo o corpo de David com o próprio, e olhou para ele. "Eles parecem estar bastante apaixonados." Falou. Antes que David pudesse continuar falando desse tópico, Pierre o beijou. David pareceu esquecer sobre o que ele estava falando e passou os braços ao redor do pescoço de Pierre, retribuindo o beijo. Pierre tocou a lateral do corpo de David, mas se garantiu de não ir muito além, desde que ele ainda não sabia com o que um David sóbrio concordava.

Depois de alguns minutos, David riu dentro do beijo e isso fez Pierre parar brevemente. O olhou inquisitivamente. "Sabe, eu estava pau da vida em um momento, mas agora eu só acho fofo." David falou. "Você está virando protetor e possessivo em relação a mim, e eu tenho a impressão de que isso nunca aconteceu com você antes."

Pierre sorriu. "Terminou?"

"Eu estou dominando você." Ele falou em um tom cantado. Pierre apenas sorriu, se recusando a responder. "Ok, terminei." Rindo levemente, Pierre voltou a juntar seus lábios.

David os girou, então ele estava por cima e eles continuaram a se beijar do mesmo jeito. As mãos de Pierre se moveram pelas costas, a sua curva aumentando quando David pressionou o quadril contra o de Pierre. David correu uma mão pelo cabelo de Pierre e a outra acariciou a lateral de seu rosto.

Bem quando ele começou a correr uma mão sobre a camiseta de David, o telefone tocando o interrompeu. Eles continuaram se beijando até o segundo toque, mas aí David claramente pensou que a ligação era muito importante para ser ignorada. Ele se afastou. "Espera aí." Falou e se esticou para pegar o telefone, o corpo ainda sobre o de Pierre. "Alô?" atendeu. "Oh, hey. Oi. O que foi?" ele saiu de cima de Pierre e se sentou na ponta da cama, rindo de uma maneira parecida com quando ele interrompia os beijos. "Sim, ele está aqui. Por quê? ... Há há, eu sei."

Pierre conteve o gemido enquanto se sentava, se apoiando em suas mãos. Ele temia que ele sabia exatamente quem era do outro lado da linha, e se ele estivesse certo, ele podia tirar o telefone das mãos de David e quebrá-lo.

"Sim, claro, eu posso falar." David disse e Pierre o olhou boquiaberto, embora o garoto não pudesse vê-lo, já que estava de costas para o maior. A expressão facial de Pierre se transformou em uma carranca, que ele não se deu ao trabalho de esconder quando David se levantou e olhou para ele, cobrindo o bocal do telefone com a mão. "Eu já volto. Só espere um pouco. Nós vamos continuar isso mais tarde, prometo." Falou, antes de levar o telefone ao ouvido novamente e sair do quarto.

Eles não continuaram aquela noite.

[...]

Era uma boa coisa que Pierre tivesse aprendido a controlar seu temperamento. É. Ra. Boa coisa, certo? Por que se ele não soubesse controlar seu temperamento, ele poderia ter feito algo maluco, como balançar seu punho já cerrado e socar todos os dentes para fora da boca do estúpido Patrick. Ou poderia, digamos, ter confessado para David por que Patrick realmente estava se aproximando. Confessado que podia não ser por causa que ele não se importava com David absolutamente. É, era realmente uma coisa ótima que ele não mais agisse por impulso.

Pelos últimos oito anos, a pior coisa que acontecia era quando ele se metia em problemas, não importa quanto ele tentasse evitar. Então, naturalmente, ele assumiu que qualquer situação em que ele estivesse era a pior, porque isso era tudo o que ele sabia. Não importa quantas vezes David lhe garantisse ou tentasse convencê-lo do contrário, havia algo acontecendo entre ele e Patrick. Eles podiam não estar dormindo juntos (honestamente, ele nem tinha pensado que era isso), mas ele tinha noventa e oito por cento de certeza que os dois tinham, pelo menos, se beijado uma vez, e isso o preocupava mais do que ele podia acreditar.

É, isso vindo daquele que o traiu com Vince. Aquilo não tinha sido traição! Ele não tinha nenhum plano de ficar com Vince, eles deixaram bastante claro que era apenas por dinheiro, e ele não dar a David nenhuma chance de passar o tempo com ele. As circunstâncias eram diferentes e não podiam sequer ser comparadas.

O sol estava se pondo e o ar do lado de fora estava razoavelmente mais gelado: não estava dolorosamente frio, mas era noite, então ficava frio sem o sol. Seria sábio se Pierre ficasse dentro de casa, no calor, mas ele não conseguia se acalmar. Muitas coisas estavam passando por sua cabeça, e depois de se sufocar com ela por várias horas em seu quarto, ele se aventurou para o lado de fora, para o jardim coberto de neve, tentando encontrar algo em que descontar sua onda racional de raiva. Sim, era racional. Ele tinha todo o direito de estar bravo.

Ele poderia ter perdido seu namorado por causa desse "inocente" perdedor, Patrick. O dia todo se passou e David tinha o beijado apenas uma vez. Tinha sido antes da chamada, e tinha sido o beijo mais rápido que ele já tinha recebido. Em um momento, ele estava lhe cumprimentando, no momento seguinte ele tinha sumido, provavelmente com Patrick. Ele não era ciumento, mas ele não tinha conseguido sentir a língua de David contra a sua há muito tempo.

Preguiçosamente, ele perambulou na frente da casa. Ele tinha tirado a neve da entrada de carros, por que ele era quem estava mais usando o carro ultimamente. A neve tinha se acumulado em alguns metros, o que compensou pela falta de neve em novembro e dezembro. Francamente, Pierre nunca gostou desse tipo de clima, mas provavelmente por que ele não era mais capaz de fazer anjos ou bonecos de neve. Ele estava muito velho para esse tipo de coisa.

Desde que ele chegara em casa da escola, ele estivera esperando por um telefonema de David, mas ainda não recebera nenhum. Mais cedo, na aula de mecânica, David tinha lhe dito que ele ia passar algumas horas na casa de Patrick depois da aula, para trabalhar no projeto, então talvez fosse por isso que ele não tinha ligado. Mas 'algumas horas' tinha acabado há algumas horas atrás. Por que ele não ligou se, claramente, estava em casa? Vanessa odiava quando David ficava fora de casa depois do pôr do sol. Mas, também, David quase não ouvia mais sua mãe.

A maioria das pessoas simplesmente se perguntaria por que Pierre apenas não ligava para seu namorado, se garantia de que ele estava em casa e sozinho, então ia dormir com o conhecimento de que ele não estava passando a noite na casa de Patrick. Mas ele já tinha se metido em problemas por causa de sua desconfiança e acusações, e ele não queria ouvir o discurso de "Pierre, ciúmes não fica bom em você", mas isso não cessar a desconfiança ou acalmar o monstro em seu peito, que rugia toda vez que o nome de Patrick era mencionado.

Por tédio, ele checou brevemente o carro, apenas o óleo e a condição geral, nada muito difícil ou intricado, desde que ele não estava no humor para mexer no carro nesse momento. Ele estava com os ouvidos aguçados para a voz de sua mãe, que ele esperava que fosse lhe chamar logo, anunciando que o telefone era para ele e que era David. Mas mesmo quando outra meia hora passou e a escuridão, oficialmente, caiu por toda a cidade, ele não recebeu nenhuma mensagem de que seu namorado tinha ligado.

Então, ele voltou a entrar na casa, sua mente um pouco tonta. Poderia David realmente estar lhe traindo? Ele não estava realmente certo de que se importava, por que ele não estava sério com David afinal, mas parecia ferir que ele fosse infiel, quando Pierre vinha tentando tanto se manter direito, mesmo com todos seus hormônios e libido. Mas você o traiu! Ahem, é. Pierre vinha tentando seu máximo permanecer fiel a David, então ele sentia que merecia o mesmo tipo de resposta.

Sua mãe estava deitada no sofá, quase adormecida, uma garrafa barata de bebida alcoólica pela metade em sua mão. Era apena oito horas, então ela ainda não tinha apagado. Ele a olhou brevemente, antes de continuar o caminho até seu quarto. Quando a porta estava fechada, ele começou a tirar a roupa, pronto para ir para a cama, mesmo que ele não quisesse adormecer. Claro, era apenas oito horas, mas ele estava um pouco cansado, graças a sua raiva. Então, ele apagou a luz, deitou de costas na cama, as mãos atrás da cabeça, e olhou para o teto. Ele tentou esvaziar sua mente, mas não era realmente possível.

Depois de alguns momentos, ele esticou a mão até a mesa de cabeceira e pegou o telefone sem fio, que estava lá desde que ele falou com David na noite anterior. Ele olhou para os números por um momento, então discou o de David. Chamou algumas vezes, antes de ser atendido.

"Eu estava esperando você ligar..." David falou do outro lado da linha. É, o mesmo aqui, meu bem.

"Uh, é, oi." Pierre falou. "Você está em casa."

Houve uma pausa, então David gemeu. "Você está me checando, não é?" Pierre não respondeu. "Maldição, Pierre, qual seu problema? Eu sei que eu disse que era fofo, mas isso é ridículo." lá estava essa palavra de novo. Não querendo se ferrar ainda mais, Pierre manteve a boca fechada. "Sim, eu estou em casa. Eu não estou comendo o Patrick. Agora você pode dormir, idiota?"

De repente, Pierre se sentiu tremendamente culpado. Toda sua especulação sobre o que David estava fazendo com Patrick e tinha sido tudo exagero. Ele ainda não tinha certeza de que nunca acontecera nada, mas ele sabia que essa noite nada tinha acontecido. "Desculpe. Eu, uh, sinto muito." Pierre se desculpou. "Você... Você não me ligou, e eu achei que, talvez, você ainda estivesse no Patrick, sabe..."

"Transando?" David completou sua sentença, mas Pierre não respondeu. "Eu não pude te ligar, por que estava tentando consolar o Seth. Eu ia te ligar, mas o drama nessa casa faz o 7th Heaven parecer um show da Disney."

Pierre ficou confuso e esqueceu quase completamente por que ele realmente tinha ligado. Tinha uma nova fofoca com a qual ele estava mais preocupado. "O que aconteceu com Seth? Ele está bem?"

David suspirou. "Está, ele só é estúpido. Sabe a namorada dele? Keiko Woords, aquela de quem eu te falei?" Pierre concordou. "Bem, ela está grávida."

"O quê?"

O outro garoto riu e Pierre o imaginou balançando a cabeça. "É, o imbecil a engravidou. A mãe da Keiko está pronta para arrancar a cabeça de Seth, e minha mãe está pronta para pronta para trancar todos os seus filhos em um quarto sem janela, com nada além de um sofá, comida e água, por que ela está... Aborrecida, eu acho. Eu também estaria, mas Seth parece estar levando numa boa."

Pierre se sentiu. "Tem certeza de que é dele?"

"Cem por cento. Ele foi é o único com quem ela transou nos últimos seis meses." David falou. "O bom é que ele quer estar completamente envolvido com o bebê. E eles se amam, então eles não vão terminar nem nada assim."

Ele assentiu. "Isso é bom." Uma leve risada saiu de sua boca. "Sabe, quando eu o conheci, eu meio que assumi que algo assim aconteceria." Ele imediatamente desejou que não tivesse falado isso, por que ele não sabia se estava indo longe demais.

Houve uma pausa, então David também riu. "Tristemente, eu também. Ele é um idiota descuidado, e eu sei disso há um bom tempo..." o inevitável momento de silêncio veio, mas não incomodou Pierre como usualmente incomodava. "Então, se isso é tudo por que você ligou, eu tenho que ir ver sobre o que eles estão gritando agora. É sempre interessante nessa casa, deixa eu te falar." Pierre sorriu. "Oh, e deixe essa coisa de ciúme pra lá. Eu não estou com Patrick, certo? Supere."

Pierre suspirou. "Certo." Falou. "Falo com você amanhã. Mande um 'parabéns' para Seth ou algo assim." David riu, lhe desejou boa noite, mas foi interrompido por Seth gritando seu nome. O telefone foi desligado rapidamente e Pierre demorou um momento para reagir e desligar o próprio.

Ele se virou de lado e suspirou novamente. Bem, ele podia dormir sabendo que David estava ocupado com outra coisa que não Patrick, mas o resto de seus pensamentos não pareceram fazer qualquer diferença. Ele ainda queria que Patrick desse o fora. Ele queria que Patrick focasse longe de seu namorado.