Capítulo 18: Into A Room Where It's Nine In The Afternoon
Finalmente. Finalmente! Malditas duas semanas mais tarde, e David tinha realmente passado dois dias inteiros com apenas Pierre, sem mencionar o nome de Patrick nem uma vez. Isso fez Pierre se sentir ótimo, e ele estava bastante aliviado. Mesmo que algo tivesse acontecido entre os dois antes, eles não estavam mais envolvidos. Então, desde que continuasse assim para... Bem... Sempre, as coisas ficariam bem.
Além do mais, se Pierre visse Patrick com David de novo, ele provavelmente acabaria fazendo algo de que se arrependeria depois. Agora era apenas ele e David, e era uma sensação muito boa. Ele nunca achou que iria, mas ele gostava de passar o tempo com David. Se eles iam se amassar ou apenas olhar um para o outro, ele esperava ansiosamente por esse momento. Havia um nome para esse sentimento, mas ele não conseguia descobrir qual era nem que sua vida dependesse disso.
Hmm.
Fevereiro começou e o semestre terminou. As provas estavam estressando David alucinadamente, então eles raramente se amassavam, por que ele estava estudando. Pierre, é claro, não estudava muito (exceto por matemática, mas só por que David estava na mesma turma). A prova de mecânica era a menor de suas preocupações, ele tinha se dado bastante bem em Ciências e História o semestre todo, então não tinha nenhum problema com essas matérias. David parecia sempre ter dificuldade, então Pierre o ajudava com várias coisas.
Depois das provas, entretanto, eles não teriam aula por uma semana, e ele e David aproveitaram essa chance para se focarem em seu relacionamento. Em outras palavras, eles estavam se amassando bastante, alternando entre suas casas. As sessões de amassos nunca ficavam muito intensas, entretanto, e nunca tinha qualquer nudez. Pierre tentou colocar a mão sob a camiseta de David uma vez, e o menor não tinha feito objeções, então esse era o mais longe que Pierre tinha chegado. Ele podia estar bem com isso, mas não tinha certeza de qualquer outra coisa, e ele realmente não queria tentar.
Na quinta-feira, David apareceu na casa de Pierre. Demorou um pouco, mas eventualmente ele admitiu que estava lá por que ele e sua mãe tinham brigado (que, supostamente, não tinha sido sobre Pierre), e ele tinha escapulido de casa para passar a noite com o maior. Pierre estava um pouco relutante em concordar, mas deixou David ficar, e aí David não ia falar de sua mãe ou sua situação nunca mais.
Pelos próximos dois dias, David passou a noite na casa de Pierre, dividindo a mesma cama. David foi para casa no sábado. É claro, isso não os manteve separados, por que – contra a verdadeira vontade de Pierre – David o persuadiu a se esgueirar para dentro da casa do menor, e dividir a cama de David, onde eles continuariam juntando os lábios e dando risadinhas sob os cobertores, tentando não serem ouvidos pelos pais de David. O que não ajudou, entretanto, por que quando Pierre desceu as escadas com David na manhã seguinte, era bastante claro o que tinha acontecido na noite anterior. Ele sabia que Vanessa estava furiosa, mas ela não mostrou isso.
Era só Pierre, ou David parecia fazer bastante esse tipo de coisa? Que seja. Ele nunca realmente prestou atenção a isso. Eles não se conheciam há muito tempo para que isso tivesse muito efeito neles. Faziam apenas quatro meses.
Ele tirou sua jaqueta quando chegou em seu armário na terça-feira seguinte, e o pendurou no gancho que havia do lado de dentro. Estava quente dentro do prédio, então ele estava bem apenas com sua camiseta. Ultimamente, ele não tinha sentido a necessidade de usar um capaz todos os dias, especialmente dentro de um prédio aquecido, como a escola. Antes, ele o usava para esconder seu rosto o tempo todo. Ele não tinha mais que se esconder. David parecia estar fazendo um trabalho bastante bom em lhe manter seguro.
Quando ele fechou a porta do armário, uma figura estava parada lá, que não estava ali um segundo antes. O súbito aparecer de David o assustou um pouco. "Merda." Amaldiçoou sob a respiração. "David, você não faz nenhum barulho. Você devia ser um maldito espião ou algo assim." Tudo o que David fez, foi sorrir larga e inocentemente, as mãos atrás das costas, como se ele estivesse segurando algo. Pierre escorou o ombro contra o armário e suspirou. "O que você está escondendo, ser maligno?"
De trás de suas costas, David tirou o novo Cd do New Found Glory. "Feliz dia dos namorados!" falou em um tom doce e cantado. Ele o ofereceu a Pierre, fazendo um sorriso aparecer em seu rosto, olhando para a caixinha em suas mãos. "Pour vous, de moi." Ele disse, cutucando Pierre gentilmente no peito. "E antes que você comesse a falar como não precisava ou seja lá a merda que você está pensando, eu precisava. Por que você é meu namorado e eu queria te mostrar o quanto eu... O quanto eu me importo."
Pierre sorriu para David, uma sensação que ele nunca sentira antes aparecendo em seu peito, e que ele não conseguia reconhecer. "Obrigado." Falou. "Você é maravilhoso, sabe?" David apenas deu de ombros. "Mas eu não comprei nada para você..."
"Não importa. Não é o ponto. Eu sei que você acha uma comemoração idiota. Você merece. Totalmente." David falou, soando um pouco sentimental. Pierre colocou seu novo CD dentro de seu armário, desde que sabia que não ia conseguir ouvir agora. "Mas... Você podia me dar um beijo. Você sabe, só para garantir que estamos empatados." Ele sorriu afetadamente e Pierre fechou seu armário e se virou para ele novamente.
Pierre pousou uma mão na lateral do rosto de David, acariciando sua bochecha com o dedão, então se inclinou para capturar seus lábios com os próprios. As mãos de David pousaram nas laterais do corpo de Pierre, se aproximando ainda mais quando ele aprofundou o beijo, acariciando a língua de Pierre com a própria apenas algumas vezes, antes de decidir se afastar. Seus lábios se separaram lentamente e David sorriu, os olhos presos nos de Pierre.
"Agora nós estamos complemente empatados." Concluiu. Pierre sorriu. "Mas não é o bastante." Seu rosto ainda estava perto, a respiração batendo nos lábios de Pierre. "Nós sempre podemos ir para a minha casa durante o almoço. Fica vazia o dia todo, já que todo mundo está trabalhando." Ele deu uma piscadela sedutora e Pierre sorriu de novo.
"Tudo bem." Assentiu, beijando brevemente os lábios de David, antes de se afastar. David pousou a mão no braço de Pierre.
"Hey, Pierre." Falou, seu tom suave e sério. "Eu tenho... Eu tenho que te contar algo. É... É meio que importante." Pierre o olhou diretamente nos olhos. Ele ficou surpreso ao ver um pouco de medo na íris castanhas. Ele nunca tinha visto David tão... Nervoso. "Uh... Você não vai estar ocupado no almoço, né? Bom. Você... Você vai para minha casa. Duh, você acabou de concordar com isso. Nós, uh, nós conversamos lá. É. Certo? Te vejo na aula de matemática."
Um Pierre estupefato recebeu um beijo, antes de ser deixado sozinho, confuso sobre o que David estava falando.
Durante toda a aula de economia, Pierre olhou janela a fora, ponderando as possíveis razões para o comportamento estranho de seu namorado, até o sinal tocar. Essa aula era uma das duas que ele dividia com David, que acontecia de ser Artes, uma matéria eletiva que ambos pareciam se precipitar.
Pierre estava gostando mais desse semestre do que do anterior. A aula de mecânica era a única que ele tinha gostado antes, mas agora ele gostava de mais algumas. Artes era boa, por que era fácil, e depois vinha Inglês, que ele também achava fácil. Depois do almoço, ele e David tinham Educação Física, e depois ele tinha Estudos Empresariais, uma aula que ele fora forçado a ter, desde que não podia escolher outra eletiva. Honestamente, essa era a única aula que ele detestava.
Graças a todos esses pensamentos, Pierre estava achando bastante difícil se focar no circulo monocromático que o professor estava tentando explicar para a sala de adolescentes barulhentos. David acontecia de ser um deles, por que ele estava rindo com uma morena ao seu lado, e desde que ele estava falando com ela, ele não incomodou Pierre, dando-lhe mais chance de pensar.
A única vez que eles se falaram foi quando David trouxe a tona o fato de que eles iam para sua casa na hora do almoço. Ele deixou bastante claro que ele estava levando Pierre para sua casa por um motivo e um apenas. Esse motivo pareceu assustar Pierre, por que ele não tinha certeza de que queria levar esse relacionamento para o próximo nível. Ele fecharia o negócio e a única maneira que ele sairia disso, seria com uma enorme quantidade de culpa no fundo de seu estômago.
Depois disso, eles não se falaram, por que David tinha aula de ciências e Pierre de Inglês. Era estranho não ter David consigo no segundo período, mas agora ele realmente tinha a chance de prestar atenção ao que o professor estava falando. Não importava muito, desde que ele, usualmente, completava suas tarefas, enquanto conversava com os outros (bastava ver os últimos oito anos de escola).
Como prometido, Pierre parou perto da porta da frente na hora do almoço, esperando por seu namorado chegar e os levar para sua casa temporariamente vazia. Ambos sabiam, entretanto, que não tinham muito tempo. Primeiro, eles tinham que voltar para a próxima aula; segundo, David não tinha certeza de que sua mãe não estaria em casa o dia todo. Oh, ótimo. Quão estranho seria se ela chegasse quando eles estivessem se tornando íntimos? Muito, e Pierre teria caído fora disso de boa vontade se houvesse uma possibilidade.
Meros momentos mais tarde, David apareceu do lado de Pierre, sem sua mochila e uma expressão inocente em seu rosto, embora Pierre tivesse certeza de que era forçada. Ele sorriu e segurou a mão de Pierre, entrelaçando seus dedos. "Hey." Falou levemente. "Pronto?"
Pierre mordeu sua bochecha nervosamente, mas um pouco ansioso também. Ele assentiu e recebeu um beijo suave. "Certo, vamos." Ele falou. Então, David praticamente correu, com Pierre o seguindo, para a casa dos Desrosiers. Antes que ele notasse, eles estavam na varanda da casa. David estava testando a maçaneta da porta para ver se sua mãe tinha trancado. Quando percebeu que ela o tinha feito, ele procurou sua chave nos bolsos.
Quando eles entraram, Pierre jurou que suas palmas estavam começando a ficar um pouco suadas e se sentiu bastante agradecido que David tivesse soltado sua mão. Eles pararam apenas para tirar os tênis e as jaquetas. "Mãe?" David chamou, confirmando que a casa estava vazia. Quando não houve resposta, um sorriso satisfeito apareceu em seu rosto e ele olhou para Pierre com a expressão mais maligna que o maior já tinha visto. "Parece que estamos sozinhos."
Dentro de seu peito, o coração de Pierre pulou. Ele sorriu nervosamente, mas tentou esconder essa emoção, enquanto David se aproximava e juntava os lábios com os seus. Ele trancou a porta atrás das costas de Pierre, então se afastou. "Vamos lá para cima." Falou, segurando Pierre pelo pulso e o puxando escada à cima e para dentro de seu quarto. A porta foi fechada atrás dele, e o coração de Pierre falhou uma batida quando ele ouviu o 'click'. Eles realmente iam fazer isso?
David lhe lançou aquele olhar de novo, e Pierre engoliu secamente. Ele tentou seu melhor para esconder seu medo, por que ele não queria deixar David saber que, na verdade, ele tinha se envolvido tanto nessa coisa de 'relacionamento', que estava sendo cuidadoso até sobre quando eles transavam. "Uh, David, você disse que precisava..." David andou para onde ele estava, na frente da cama. "Eu achei que você quisesse me contar algo."
Parando na frente de Pierre, David desviou os olhos. "Oh, é." Falou. Ele descansou uma mão no ombro de Pierre e o empurrou gentilmente para a cama. Pierre caiu com um leve 'umph' e olhou para cima, curiosamente. David sentou sobre seu corpo, as pernas de cada lado. "Acho que é apropriado agora." ele se inclinou e depositou um beijo no inocente nos lábios de Pierre. "Eu não sabia como dizer... Ou se devia dizer... Eu..." o coração de Pierre acelerou. "Nós podemos apenas nos amassar? Por que toda a conversa? Normalmente, você nunca quer conversar."
"Eu nunca... Nunca quis conversar. Na verdade, eu nunca neguei isso verbalmente." David segurou o cabelo de Pierre, inclinando sua cabeça para a esquerda e colando seus lábios no pescoço dele. Pierre ainda tentou falar. "E eu realmente estou curioso sobre o que você queria..." Maldição. Ele estava beijando aquele lugar de novo. Ele estava lhe manipulando. Ele sabia que Pierre não conseguia negar nada quando beijava aquele local. "David..." mas ele se recusou a ouvir e continuou a beijá-lo. Eventualmente, Pierre juntou força e empurrou David de cima de si. "David, chega!"
David se sentiu no colchão, olhando para seu namorado, que tinha se levantado e estava passando uma mão pelos cabelos. "Por que você está fazendo isso? O que nós estamos fazendo? Eu achei... Eu achei que seria diferente, acho. Com você me falando que queria que fosse... Especial, ou seja lá o que você disse."
"O que isso importa, se eu digo que estou pronto? Se eu estou pronto agora, o que eu disse antes é irrelevante."
Pierre ergueu um pouco a voz. "É claro que é relevante!" David não pareceu assustado, mas simplesmente cerrou os olhos. "Eu... Eu não vou... Você realmente espera que eu, de repente, acredite que você está pronto, quando você não esteve nos últimos quatro meses? Você nem explicou como está pronto de repente."
"Eu não preciso!" David falou, se ajoelhando na cama. "A não ser que você, por algum motivo estranho, não esteja pronto, não há nada que realmente nos impeça, há? Nós temos uma hora, sozinhos. Tempo o bastante." Pierre não disse nada. "Bem... Você está pronto?" David estava menos irritado e mais sincero agora.
Imediatamente se sentindo defensivo, Pierre assentiu brevemente. "É claro que estou pronto. Eu estou pronto desde..." suas palavras morreram, desde que ele não tinha certeza de quão gentil seria falar a David que só tinha pensado em dormir com ele desde que começaram a sair. "Você que é virgem. Eu não quero fazer... Algo com isso, se você não tem cem por cento de certeza de que você não vai se arrepender ou sei lá o que."
David se levantou. "Agora, por que eu me arrependeria?" Pierre deu de ombros. "Eu não me arrependeria. Mas se você quer esperar, tudo bem. Talvez, uma situação mais romântica fosse melhor. Eu só estava... Eu não sei, eu meio que encontrei um motivo." Ele desviou os olhos quando disse isso.
Nisso, Pierre estava solenemente interessado. Ele queria saber exatamente por que David estava tão ansioso para transar agora, quando ele tinha negado isso a maior parte de seu relacionamento. "Qual... Qual motivo é esse?"
Houve um longo silêncio, antes de David voltar a olhar para Pierre. "Eu... Eu am—" ele foi interrompido pelo som da porta da frente abrindo, e ambos quase pularam de susto. David claramente não estava esperando que alguém voltasse para casa ainda, mas Pierre pulou por uma razão completamente diferente. O começo da palavra fez as palavras bêbadas de David voltarem a sua cabeça, e isso foi o bastante para fazê-lo se sentir mal. David suspirou.
"V-vá em frente. Termine o que ia falar." Pierre falou, agora curioso para saber o final da frase. "É... Provavelmente só é sua mãe."
David sorriu para Pierre, embora fosse claro que era forçado. "Eu amei seu ciúmes de Patrick. Eu achei meio que admirável. Eu gosto de ver você brigando por mim." Falou, e Pierre suspirou silenciosamente. Ele seriamente achou que ele ia falar... A outra coisa.
Pierre sorriu de volta. "Se eu tivesse batido nele, talvez nós já tivéssemos transado." Falou, rindo levemente, esperando que David encarasse isso como a brincadeira que era para ser. Agradecidamente, David também riu levemente.
"Talvez." Falou. "Vamos descer para comer algo. Minha mãe deve ter ido fazer compras." Pierre assentiu, enquanto David abria a porta e ambos saiam do quarto.
[...]
O dia vinte e um de fevereiro era uma quarta-feira naquele ano. David foi para a casa de Pierre e eles assistiram um pouco de televisão. Desde que nenhum deles estava com vontade de cozinhar, e Sarah não estava em casa, eles decidiram que iam a algum restaurante no centro da cidade. Ambos entraram no carro e Pierre começou a viagem deles (que levaria em torno de dez ou quinze minutos) até o coração de Montreal. Eles tinham planejado em ir a um dos restaurantes favoritos de David, ao qual ele 'não ia há muito tempo'.
Mas, ao invés, o carro passou direto pelo restaurante, na direção de uma área ao céu aberto, de grades pretas e levemente escura, que parecia sempre ter uma nuvem de tempestade em cima, coberto pelas sombras das poucas árvores ao redor. "O quê?" David perguntou. "Eu, uh, achei que íamos ao Subway." Seu rosto empalideceu, lembrando o de um fantasma, o que, provavelmente, era a expressão mais apropriada ao momento, desde que eles estavam estacionando próximo ao Cemitério de Montreal.
"Eu preciso fazer uma parada antes." Pierre explicou. "É o... Bem, eu não sei se deveria ser chamado..." David pareceu confuso e Pierre respirou fundo. "Meu pai morreu hoje. Há oito anos. Eu sempre... O visito. Eu acho que sou o único, mas seria segredo se Johnny ou a minha mãe tivessem vindo. Eles são assim."
A cor lentamente voltou ao rosto de David, como se ele estivesse aliviado com essa resposta. "Oh. Uh, certo." Falou, correndo uma mão pelo cabelo, mas então percebeu o que tinha feito, e freneticamente o colocou no lugar. "Certo, então, tudo bem, eu acho. Você tem certeza de que, você sabe, você quer? Nós podemos..."
"Não." Pierre o interrompeu. "Está tudo bem. Eu fiz isso várias vezes antes. Sozinho, quero dizer."
David olhou para Pierre, que estava congelado desde que o carro tinha sido estacionado; ele ainda estava com o cinto de segurança e as mãos no volante, os olhos fixos nas lápides. "Pierre," disse lentamente. "tem certeza de que você está bem? Eu posso ir com você, se quiser."
Isso pareceu trazer Pierre de volta ao momento presente, e seu olhar se voltou para David. Ele assentiu letargicamente. "Seria ótimo." Falou quietamente. "Ob-obrigado."
Um sorriso compreensivo apareceu no rosto de David. "Sem problemas." Respondeu. Ele soltou seu cinto de segurança e abriu a porta, saindo do carro. Pierre o observou pelo canto dos olhos, mas estava mais focado nas lápidas novamente. Ele os tinha colocado no de seu pai e não conseguia desviá-los.
David deu a volta no carro, mas não abriu a porta de Pierre; era provavelmente melhor se o maior decidisse quando queria sair, sozinho. Ele ficou parado perto do carro, dedos ajeitando sua roupa, antes de se esconderem em seus bolsos.
Alguns momentos mais tarde, Pierre finalmente tirou o cinto de segurança e abriu a porta. Uma vez que estava do lado de David, o meninos mais novo pegou sua mão. Mas, de repente, Pierre se soltou. David o olhou, confuso, mas Pierre não estava no momento presente. Ele subiu na grama e começou a andar dolorosamente até o tumulo de Michelle Bouvier. Ele conhecia o caminho perfeitamente. A fileira da árvore de bordo, a sétima lápide.
Ele parou na frente da pedra cinzenta. Gravada nela estavam as palavras:
Michelle Bouvier
Pai e marido devotado.
Entusiasta dos automóveis
David estava ao seu lado um momento mais tarde. Pierre ficou lá, as mãos nos bolsos, olhando para os lírios quase mortos, descasando na frente das palavras. Isso deveria significar que sua mãe ou Johnny estiveram lá, há não muito tempo. "Hey, pai." Finalmente falou. David apenas olhou para frente, um pouco afastado, as mãos entrelaçadas atrás de seu corpo. "Eu sei que você está aqui. Você sempre está. Descobri faz um tempo." Pausou. "Desculpe não ter te visitado ano passado. Eu fiz besteira e acabei na cadeia. Sai no final de agosto."
Pierre não olhou para David e seus olhos permaneceram grudados nas letras gravados no nome de seu pai. Ele pausou de novo, procurando pelas palavras. "As coisas realmente mudaram desde então. Johnny e eu ainda não nos entendemos, mas eu acho que o problema da mamãe está piorando. Eu tenho estado... Ocupado com a escola, e você ficará feliz em saber que eu não estou mais matando aula ou tirando notas ruins. Eu passei nas minhas quatro primeiras aulas do ano." Falou com um pouco de orgulho, um pequeno sorriso em seu rosto. Mas isso sumiu logo e ele estava olhando inexpressivamente para a lápide novamente.
Ele tentou pensar no que mais falar. Ele nunca falava muito quando vinha aqui e, usualmente, falava superficialmente das coisas. "Eu tenho um namorado agora." falou, se lembrando. Pelo canto os olhos, ele viu a cabeça de David se erguer, claramente interessado nesse tópico. "O nome é David. Desrosiers. Você deve ter conhecido os pais dele, parece que eles freqüentavam a loja." Ele falou isso tudo como se David não estivesse parado bem ao seu lado. O garoto mais novo o observou, como que esperando que ele se aprofundasse mais no relacionamento deles. Mas, ao invés, ele rapidamente mudou de assunto e pigarreou. "A loja ainda está aberta. E indo bem, de acordo com Johnny."
Um longo silêncio se seguiu, e se David não estivesse vendo os olhos de Pierre, teria pensado que o maior tinha adormecido. Mas não durou mais do que cinco minutos, antes de ele pigarrear novamente. Isso meio que sinalizou que ele tinha terminado seus breves momentos de silêncio. David se aproveitou dessa oportunidade para falar, o que não incomodou Pierre nem um pouco. Ele amava ouvir David falar com ele nesse tom suave e sincero, ainda mais em um momento como esse.
"Então, seu pai trabalhou com carros a vida toda?" perguntou, parecendo interessado.
Pierre assentiu. "Desde que ele tinha doze anos. O ensino médio oferecia aulas de mecânica, e ele agarrou a chance. Era para ele virar o novo dono da loja de hardware do pai dele, mas ele odiava quando o pai lhe falava o que fazer, então ele largou a escola, conseguiu um trabalho na mecânica local, e depois montou a própria aos vinte e três."
"Você acha que vai fazer isso também? Eu achei que você era um entusiasta de automóveis? Um entusiasta de carros transados? Sendo quem você é, eu duvido que não faça isso." Ele riu levemente, obviamente tentando deixar as coisas mais leves.
Por que ele tentou, Pierre achou que seria apenas certo rir levemente. Mas a risada sumiu tão rápido quanto começou, seu olhar ainda preso na lápide. Seu rosto voltou a ficar inexpressivo e ele pausou, antes de falar. "Eu realmente não sei quem eu sou." David claramente não sabia o que dizer, pela primeira vez, por que ele ficou em silêncio. Depois de um momento, Pierre pigarreou novamente. "Qual o próximo item da lista, agora? Vitaminas?"
Ele não olhou para David, então ele demorou um segundo para descobrir se Pierre estava falando com ele ou com seu pai. "O que você quiser." Respondeu. "Eu não me importo."
Pierre finalmente se virou para olhá-lo, um pequeno sorriso no rosto. Ele o estava forçando e era fácil de perceber. "Acho que uma vitamina parece bom." Falou. David sorriu para ele, obviamente apenas querendo deixar as coisas mais leves, então se inclinou para beijar os lábios de Pierre. Mas não durou muito, e ele se afastou rapidamente. Então, suas mãos se entrelaçaram. Ele balançou a cabeça na direção de onde o carro estava estacionado e Pierre assentiu, andando com ele.
Logo eles estavam sentados na lanchonete, uma única vitamina entre eles, com dois canudos. Eles iam pedir duas, mas Pierre explicou que estava se sentindo um pouco mal e não estava com vontade de beber uma inteira. Ele se sentou de frente para David, os dedos batucando na mesa distraidamente, e ele encarava o tampo azulado, a mente em outra coisa, que não era David na sua frente. Ele sempre ficava assim perto da morte de seu pai: fechado e pensativo.
David não pareceu aborrecido com isso, por que ele ficou em silêncio a maior parte do tempo, permitindo que Pierre pensasse em tudo o que precisava. Ocasionalmente, ele falaria sobre algo que não estivesse relacionado com o assunto 'pai', na esperança de que isso faria Pierre rir. E ele riu algumas vezes, capturando os olhos de David e se perguntando por que ele se importava tanto em lhe animar. Por que ele se importava tanto em ficar por perto.
Tinha virado mais do que consideração ultimamente, por que faziam completos quatro meses e alguma coisa desde que eles viraram um casal e David ainda estava lá. Por quê?
A vitamina fora comprada por David e os dois canudos eram algo da década de 50. Se David estivesse usando uma saia branca, um pequeno casaco rosa, que cobria tudo, e uma fita rosa no cabelo... Se Pierre estivesse usando uma calça colorida, passada a ferro com uma prega na frente, mocassins limpos, uma camisa pólo branca e seu cabelo fosse mais curto e arrumado... A cena quase o fez rir, mas ele decidiu mantê-la em sua cabeça ao invés de explicar para David. Ele podia gostar de interpretar, e Pierre não sabia se ele iria querer essa cena ser posta em prática.
Havia apenas um pouco de vitamina. Pierre começou a falar mais, a responder as perguntas de David e rir com ele. Ele não gostava de ficar naquele humor sombrio por muito tempo, mas sabia que ia ficar por um tempo. A pedido de David, Pierre terminou a vitamina e eles se levantaram para ir embora.
A mão de Pierre estava na base da coluna de David, enquanto eles iam embora, caminhando até o carro. Ele abriu a porta para David, e o levou para casa. Embora David choramingou sobre querer ficar na casa de Pierre ao invés de ir para a própria, Pierre recusou. Ele não precisava que Vanessa o odiasse mais do que já odiava.
"Hey, David, eu queria te perguntar algo." Pierre começou quando David ia sair do carro, quando o estacionara. "Sobre Patrick. Eu achei que vocês fossem... Uh... Amigos? Eu sei que vocês terminaram o projeto, mas ainda assim... Por que você não sai mais com ele?" ele não estava dizendo que era algo ruim, mas ele ainda estava curioso.
David pausou, desviou os olhos, abriu a boca, mas voltou a fechá-la. Ele se recusou a olhar para Pierre quando respondeu. "Eu não queria te contar, por que eu sabia que você ia ficar todo convencido e ia me falar um monte de 'eu te disse', mas Patrick..." ele suspirou e voltou a olhar para Pierre. "Ele deu em cima de mim, certo? Ele tentou me beijar. Feliz?"
O monstro em seu peito acordou e rosnou. "Não particularmente." Respondeu honestamente. Ele sabia que tinha um motivo para querer socar a vida para fora de Patrick. "Você fez? O beijou, quero dizer."
"Não, é claro que não." David falou. "Eu não sou esse tipo de pessoa."
Houve um silêncio no carro e David pausou de novo. "Bem, te vejo amanhã." Falou, o tom mais leve, como se essa conversa nunca tivesse acontecido. Ele se inclinou e beijou Pierre na boca, então sorriu e saiu do carro. Pierre o observou andar até a porta e quando ela foi fechada, ele foi embora.
