Suas noites eram frias, e escuras. Apenas uma lâmpada em cima da mesa de metal, a luz da mesma era amarelada. O cheiro forte era realçado pela sala que continha apenas uma pequena janela. Era nessas condições que divertia-se.
Para ela o ambiente era perfeito e limpo. Junto com seus instrumentos de beleza passava noites alegres naquele lugar. Apenas maquiando, cortando cabelos, ajeitando roupas daqueles que não necessitavam mais de beleza e boa aparência. Seus clientes não discutiam sobre seu trabalho, nem reclamavam de suas idéias.
Os cadáveres eram velhos amigos, e podia se apegar mais a eles do que aos vivos. Não entendia como podia ganhar dinheiro com o trabalho estúpido, mas aparentemente mesmo depois de mortos as pessoas não se livram da pressão em relação a beleza. Seus corpos eram escravos de seus parentes vivos até finalmente ser enterrado, junto com toda sua elegância.
Quando morresse não queria que nenhum ser ousasse toca-la, queria ser cremada. Se livrar das impurezas. Estava desprotegida durante a vida, mas tinha certeza que para onde quer que fosse seria limpo. Puramente limpo. Poderia respirar sem preocupação.
A morte era a liberdade, era o simples ato puro e belo da natureza. Era pelo que esperava desde seu nascimento. Era quando finalmente estaria protegida da sujeira.
