Novo amigo

Sirius' POV

Sorri para Tiago e estiquei minha mão para cumprimentá-lo. Ele esticou a sua e nos cumprimentamos. Quando soltamos nossas mãos, nós reclinamos nossos corpos para trás e encostamos-nos aos bancos. Um breve silêncio pairou, porém eu fiquei incomodado e logo busquei algum assunto para conhecer melhor meu possível futuro amigo.

- Tiago – chamei. Ele me olhou dando uma rápida empinada com o queixo. – Você tem preferência por alguma casa? Quer dizer, você sabe sobre as casas? Ou você é filho de trouxas e nunca teve muito contato com o mundo mágico?

Durante minha pergunta, Tiago tinha um olhar pensativo e no momento refletia sobre sua resposta.

- Sim, eu sei sobre as casas. Nunca ouviu falar dos Potters? Somos uma família poderosa do mundo bruxo, e eu já ouvi falar de sua família, os Black. – ele tinha uma expressão explicativa no rosto, como a de um professor. Encolhi-me por não ter ouvido falar dos Potters, minha mãe nunca os mencionara. - E devo admitir que sim, eu tenho uma preferência para entrar na Grifinória.

Ao terminar, ele já exibia um sorriso de cobiça pela casa dos corajosos.

- E você? – perguntou-me ele com um sorriso gentil. – Deseja entrar em alguma casa?

- Eu gostaria de entrar na Grifinória também, ou na Corvinal. Tanto faz, eu gostaria das duas. Mas acho que não sou esperto suficiente para a Corvinal, e nem corajoso o suficiente para a Grifinória.

Tiago assentiu. Ele contemplou um pouco a janela e eu deduzi que seus pensamentos certamente não estavam naquele trem.

- Mas você acha que vai entrar em qual casa? – questionou-me enfim.

- Acho que vou para a Sonserina. – ele arregalou os olhos e percebi que ele se encolheu um pouco. Ta, o povo da Sonserina não tem a fama dos mais gentis, mas isso não quer dizer que eu sou alguém horrível, não é?

- Ah. – disse ele constrangido, fitando o chão. Eu me arrependi na mesma hora por ter dito para qual casa eu estava destinado. Tiago parecia ser alguém legal e divertido, um amigo pelo qual você poderia contar para qualquer coisa, aquela pessoa com quem você gostaria de passar o tempo e de quem sentiria falta quando estivesse entediado. Imaginei que eu passei uma má impressão dizendo meu destino praticamente traçado.

- É que minha família vai para esta casa há algum tempo. Então acho que eu não serei diferente, por que seria? – expliquei-me tentando melhorar as coisas.

- Os Black – começou ele, parecendo hesitar. – são uma família que vão para esta casa não por tradição da família, o chapéu seletor não funciona por tradição. Já ouvi falar de famílias que seus membros pertenceram a diferentes casas. Se alguém vai para uma casa, é porque tem as características necessárias para se tornar um membro dela. Minha família é da Grifinória há gerações, mas isto não significa que eu irei para esta casa também.

Ao terminar, ele me olhou por alguns segundos e voltou a contemplar a janela como se nada tivesse acontecido. Fiquei incomodado pelo que ele disse, como se Tiago fosse mais velho que eu e estivesse me ensinando.

- O que eu quis dizer – comecei um pouco ríspido. – É que existe uma grande possibilidade de eu ir para esta casa. Eu sei que existem membros da mesma família que foram para a mesma casa, você não precisa dizer.

Um silêncio pairou sobre nós, desagradando a nós dois. Enquanto eu falei, Tiago apenas me olhava pelo canto do olho, nunca virou a face da janela. Tiago respirou fundo e começou a dizer:

- Só me diga uma coisa. – eu assenti. – Você tem nojo dos nascidos trouxas?

Arregalei os olhos com sua pergunta, ele havia me pego desprevenido, porém esta era o tipo de pergunta fácil que eu saberia responder.

- Claro que não. Acho que somos todos bruxos, não importa como nascemos. Minha família discorda de mim, e eu acho errado.

Tiago finalmente virou todo seu rosto para mim e abriu um grande sorriso, o que me surpreendeu.

- Então acho que seremos amigos, se você quiser.

Meu coração deu um solavanco de empolgação e eu retribui seu sorriso, e eu tinha certeza de que meus olhos brilhavam.

- Amigos. – concordei e apertamos as mãos.

Uma batida surgiu na porta e ambos soltamos as mãos virando os olhos para a porta da cabine. A porta se abriu, revelando uma senhora de cabelos grisalhos e olhos cinzentos. Ela tinha a expressão simpática e tinha em sua frente um carrinho cheio de guloseimas que me deixaram com água na boca.

- Olá, queridos – cumprimentou ela.

- Oi – dissemos eu e Tiago em uníssono.

- Desejam algum doce? Tenho sapos de chocolate, feijõezinhos de todos os sabores, varinhas de alcaçuz e outras coisas, podem olhar o carrinho.

Observando todos aqueles doces, eu percebi que estava faminto. Eu e Tiago nos levantamos e corremos ao carrinho, fuçando-o por completo. No fim, Tiago levou uma caixa dos feijõezinhos, dois sapos de chocolate e três varinhas de alcaçuz (doce que ele jurou a eu ser o melhor de todos). Eu peguei uma tortinha de abóbora, duas caixas dos feijõezinhos, uma varinha de alcaçuz e quatro sapos de chocolates (doce que eu amo).

- Obrigado – agradecemos e a mulher começou a andar com o carrinho.

Bastou às rodinhas começarem a rolar pelo frio chão do extenso corredor do trem quando um menino chegou bufando. Ele não era muito alto, tinha a pele muito pálida e parecia um pouco abatido. Tinha os olhos muito negros e seu cabelo era um pouco comprido, tanto que cobria-lhe as orelhas. Seus cabelos eram muito lisos e eram extremamente nojentos, pois eram oleosos e tinham a aparência sebosa. Senti náuseas apenas de imaginar algum tipo de proximidade com aquele cabelo.

- Senhora, eu gostaria de uma tortinha de abóbora! – pediu ele a mulher do carrinho de doces. Ela se reclinou sobre o carrinho, procurando a tortinha. Eu e Tiago colocamos nossos doces em nossos bancos e o ele se aproximou de mim e sussurrou em meu ouvido:

- Caramba. O que leva um cabelo a ser assim? Sinto náuseas só de pensar em ter um cabelo destes.

- Somos dois. – sussurrei em resposta.

- Ta a fim de brincar com ele? – convidou-me Tiago com um sorriso maroto. Eu dei o mesmo sorriso e tive certeza de que aprontaríamos muito juntos, e seríamos ótimos amigos.

Tiago entendeu meu sorriso como um sim e logo que a mulher de doces estava distraída com a próxima cabine, Tiago chamou o menino.

- Ei! Você aí! – gritou ele e o menino se virou, fitando-nos com seus olhos negros.

- Sim? – disse ele. Sua voz parecia tímida.

- Então, eu não sei se você já ouviu falar, então vou te contar. Você já ligou algum chuveiro na vida?

Tiago sempre o olhava com um sorriso maroto, e o menino parecia se encolher a cada palavra dele. Por um momento, senti que ao estar ao lado de Tiago, eu seria poderoso, e que controlaríamos Hogwarts. Sim, eu gostava desta ideia. Hehe.

- Claro que sim, eu tomo banho. – respondeu o menino rispidamente.

- Jura? Não parece – eu comecei, me intrometendo na conversa dos dois. - Você já lavou o cabelo?

O menino de óculos ao meu lado soltou uma risada.

- Sirius, o que acha de darmos um apelido para nosso novo amiguinho?

- Ótima ideia, Tiago. Do que acha que ele tem cara?

- Não sei. Talvez... Seboso? – sugeriu ele e eu ri alto.

- Ou talvez Ranhoso! – agora nós dois ríamos muito alto. Eu nunca havia me divertido tanto com alguém como eu estava me divertindo com Tiago, eu me sentia muito feliz.

- Adorei! Vai ser Ranhoso! – concordou Tiago.

Ranhoso nos assistia com uma face incrédula, que aos poucos, se transformou em uma face de raiva.

- Idiotas! Vocês vão levar uma azaração agora que vão aprender a nunca mais me chamar de Ranhoso! – berrou ele ardendo de raiva.

Ranhoso colocou a varinha em punho e eu e Tiago fizemos o mesmo, e antes que Ranhoso pronunciasse o feitiço, Tiago já começara a azará-lo. No mesmo tempo em que Tiago disse a azaração, uma menina de cabelos muito ruivos e olhos verdes apareceu.

- Severo – começou ela se aproximando de Ranhoso e ao ver Tiago pronunciando a azaração, ela gritou. Muitas pessoas já tinham as cabeças fora de suas cabines para ver o que havia no corredor.

O feitiço de Tiago errou seu alvo de Ranhoso, porém atingiu em cheio a ruiva. Ela tropeçou e caiu, e eu deduzi que aquela fosse a azaração do tropeço.

Tiago arfou surpreso. Eu encarava a cena incrédulo e Ranhoso ajudava a ruiva a se levantar.

- Me desculpe! – se apressou em dizer Tiago. – Eu não queria te acertar! Juro! É que você apareceu e daí sem querer foi em você! Ah, eu juro por Mérlin que você não era meu alvo, me desculpe mesmo.

- Dá pra calar a boca? – disse a ruiva irritada, massageando a têmpora que ela provavelmente batera em seu tropeço. – Eu já bati a cabeça e tá doendo! Você tagarelando só piora as coisas!

- Desculpa – murmurou Tiago baixinho.

- E para de pedir desculpas! – os olhos verdes da ruiva já ardiam de raiva neste momento.

- Você tá legal? – perguntou Ranhoso delicadamente, eu e Tiago cerramos os olhos para ele.

- To melhor, Severo. Volta pra cabine, nossas coisas estão lá. Quero dar uma palavrinha com alguém. – ela fitou Tiago ao dizer alguém. Eu imaginei que não seria uma boa ideia mexer com esta ruiva, já que ela parecia deixar claro que qualquer mal feito a ela seria pago.

Ranhoso se afastou e a menina parecia assassinar Tiago apenas com o olhar. Eu e Tiago sentamos em nossos bancos e a ruiva entrou na cabine, fechando a porta atrás dela.

- Você, seu ridículo – ela olhava para Tiago ao falar, e eu me sentia como uma mosca que nem estava ali, mas que assistia a cena. – Por que azarou meu amigo?

- Peraí! – eu me intrometi. – Se a questão é a defesa do amigo, você que não comece a xingar meu amigo! Ele tem um nome, que não é ridículo. – entrei em defesa de Tiago que me lançou um breve sorriso, por mais que sorrisse maroto para a ruiva.

- Que seja! Quais são os nomes de vocês, já que você – ela me fitou – faz questão de apresentações?

- Meu nome é Sirius Black – eu me apresentei.

- Sou Tiago Potter, e você?

- Sou Lílian Evans. E é bom que você, Potter, não azare mais ou meu amigo! Sabe? Não se ache o centro do universo que pode azarar qualquer um, porque você não é! – caramba, a Lílian era uma fera. Porém, Tiago não parecia se intimidar com as ofensas da ruiva, e não tirou os olhos dos dela e nem o sorriso maroto da face.

- Espera! Ranhoso nos ameaçou com sua varinha. Então seu amiguinho não é tão inocente assim, tá legal? – defendi Tiago novamente.

- Ranhoso? – perguntou-me ela com a testa franzida.

- É o apelido que eu e o Tiago demos para ele.

- Que ridículos. – murmurou Lílian com desprezo. – E você, fica longe do meu amigo, ouviu?

- Recado dado, Lílian.

- Eu vou voltar para minha cabine.

Ela começou a abrir a porta da cabine e quase já se perdia ela de vista quando Tiago a chamou.

- Que foi? – perguntou ela parecendo irritada e impaciente.

- Você tem lindos olhos, Lílian – elogiou ele e eu abafei o riso com a mão. Lílian corou e ficou parecendo um tomate.

- Ahn, obrigada. E pra você, é Evans, Potter.

Ela finalmente saiu da cabine e eu não segurei mais o riso, eu e Tiago gargalhamos um pouco e após isto, aproveitamos o resto da viajem devorando os doces que nós havíamos comprado no carrinho de doces e conversamos sobre Hogwarts, juntos sonhando com ela tentando imaginá-la. Aos poucos, a escola foi ficando mais próxima eu ficava cada vez mais ansioso.

N/A: Oiiiiie gente! Então, esta ai mais um capitulo. Espero que vocês tenham gostado, escrevi tudo de uma vez em um surto de inspiração, hehe. Então, não se esqueçam da REVIEW! Beijinhos, Sunny.