Primeiro dia

Sirius' POV

Abri os olhos pela manhã, porém, não visualizei meu quarto, e sim o dormitório masculino para alunos do primeiro ano da Grifinória. Esfreguei os olhos com as mãos em punho e levantei-me. Afastei a cortina que havia em volta da cama e vi que ninguém se levantara, exceto Tiago. Apurei os ouvidos e pude escutar o chuveiro ligado.

- Bom dia, Sirius – disse uma voz fraca atrás de mim que fez-me dar um pulo. Virei e vi que a origem da voz era Pedro Pettigrew. - Desculpe, te assustei?

- Bom dia, Pedro. – respondi. – Sim, você me assustou, mas só um pouquinho.

Na mesma hora que eu terminava de falar, a porta do banheiro se abriu e Tiago aparecera. O garoto vestia as roupas da escola e seus cabelos negros estavam molhados. Os óculos no rosto estavam meio tortos, porém ele os arrumou logo.

- Bom dia Sirius, Pedro – cumprimentou ele. Nós respondemos e Pedro lançou um olhar ao seu relógio.

- Gente, eu vou tomar café da manhã. Tomarei um banho mais tarde. Se importam? – perguntou ele com a mão na barriga, querendo dizer que seu estômago roncava.

- Claro que não, seu comilão! Vai lá – respondeu Tiago dando risada de nosso novo amigo guloso. Pedro passou correndo por nós e logo já havia deixado o quarto.

Fui até uma cômoda ao lado de minha cama onde continha minhas roupas. Separei um conjunto de roupas com todo o uniforme da escola e dirigi-me até Tiago com as roupas na mão. O garoto estava com a cabeça virada de cabeça para baixo, a toalha vermelha sobre os cabelos, e ele agitava a mão freneticamente sobre a toalha, tentando secar os cabelos que antes pingavam.

- Vou tomar um banho rápido, o.k.? – avisei. O moreno levantou a cabeça rapidamente e sua toalha voou para trás. Eu ri da cara dele e ele me fuzilou com o olhar.

- O.k. Vou te esperar no salão comunal, certo?

- Certo. – respondi.

Fui correndo para o banheiro. Lá, era um banheiro normal, de piso de azulejos, quatro pias para lavar as mãos, seis boxes para tomar banho com ganchos para pendurar toalhas e pequenas e baixas prateleiras para colocas a roupa, e por fim, ao lado das pias, havia uma pilha de toalhas vermelhas empilhadas, limpas e macias. Peguei uma e coloquei no gancho do terceiro boxe e coloquei minhas roupas na prateleira abaixo. Despi o pijama e entrei no chuveiro, ligando água quente. Após dez minutos, desliguei-o e enxuguei-me com a toalha, utilizando a mesma técnica de Tiago para secar os cabelos. Vesti o uniforme da escola, escovei os dentes e logo estava saindo do dormitório, encontrando os outros garotos, antes aprofundados no sono, acordados. Desejei-lhes bom dia e encontrei Tiago discutindo com Lílian no salão comunal.

- Pois pelo menos eu sou gentil! – gritava enfurecida a ruiva. Tiago pareceu se chocar com a resposta dela.

- Gentil? Você? Ah, me poupe, Lílian! Não foi...

- É EVANS, POTTER! EVANS! E-V-A-N-S! – assustei-me com o grito dela e dei um salto pra trás, porém, sem querer, eu pisei em alguém que murmurou um "ai". Virei e encontrei Lene, meu coração falhando brevemente uma batida ao vê-la.

- Desculpe, Lene – falei. Ela viu quem falava com ela e deu um sorrisinho para mim.

- Tudo bem, Sirius – perdoou-me ela. Percebi naquele momento que os gritos de Lílian e Tiago haviam cessado, será que a briga havia acabado?

- Como eu estava dizendo antes de ser interrompido por uma garotinha metida que fica brava por chamá-la por seu NOME, não foi você que chegou mandando-me calar a boca? Que disse que eu achava que sou o centro do universo? Que sou ridículo? E depois de tudo isto, você é GENTIL?

- Caramba – disse eu. – Como isto começou?

- Ahn – começou Lene, mas ela parecia um pouco confusa ao responder. – Tiago deu bom dia pra Lílian, daí não sei da onde eles começaram a discutir.

- Eu sou metida? EU? Se enxerga, Potter! Se eu sou metida você é o que? E sim, eu posso ter dito todas estas coisas, mas foi por que você ofendeu meu amigo! – retrucou Lílian ferozmente. Todos já acordados no salão assistiam a briga dos dois, porém, ambos nem pareciam perceber.

- Aquele seu amiguinho seboso da Sonserina? – perguntou Tiago cinicamente.

- O cabelo dele não é muito bonito, eu sei – Tiago riu com o comentário da ruiva, mas ela pareceu não ver e prosseguiu – mas ele não é metido! E seu cabelo também não é lindo! Ainda sim, sou bem mais gentil do que você. Eu não saio por ai julgando as pessoas pelo cabelo que elas têm!

- Você não é mais gentil do que eu! – vociferou Tiago. – Eu pelo menos elogiei seus olhos!

Lílian corou.

- Oras, seu metidinho... – a ruiva bufou fortemente, mas logo eles pararam de brigar, pois a monitora da Grifinória, Suzane, acabara de aparecer nas escadas que levavam ao dormitório feminino.

- O que está acontecendo aqui? Só ouço berros! – censurou. Ninguém na sala se manifestou e todos estavam imóveis. A primeira a fazer alguma atitude foi Lílian.

- Vamos tomar café, Lene. É bem melhor do que ficar aqui discutindo com certas pessoas – disse a ruiva friamente sem tirar os olhos de Tiago. Marlene saiu do meu lado e foi até Lílian. As garotas estavam quase saindo, quando de repente Lílian volta e, sem dizer nenhuma palavra, deu um tapa na cara de Tiago. A expressão de Tiago era difícil de decifrar, mas eu sabia que misturava ódio com surpresa.

- Bem, não quero mais discussões aqui – disse a monitora. – Circulando, todos!

Caminhei até Tiago e chamei-o pra tomar café. Ele apenas assentiu, a expressão séria ainda no rosto.

Saímos do salão comunal e fomos até o Salão Principal, onde iríamos comer. Tiago parecia uma pedra, e eu poderia jurar que ele era se ele não estivesse movendo as pernas para andar. As mãos em punho ao lado do corpo e o jeito carrancudo parecia afastar as pessoas da sua volta.

- Tiago – chamei sabendo que estávamos perto do salão. Ele gesticulou para eu falar. – Esquece a discussão e o tapa. É nosso primeiro dia em Hogwarts! Vamos ter aulas e tudo mais, dá pra ficar legal?

- Ela me bateu e me ofendeu! Quer que eu esqueça tudo? – retrucou ele grosseiramente.

- Por favor! – supliquei.

- Está bem – cedeu ele e murmurei algo parecido com "ótimo".

Chegamos ao salão e muitas pessoas já tomavam seus cafés da manhã. Não demorei muito para encontrar Lene, porém Tiago também não demorou a encontrar Pedro. Eu sabia que Lílian estaria com Lene, e era óbvio que Tiago não iria tomar o café da manhã perto da ruiva, e vice e versa.

- Vem, vamos lá com Pedro – sugeriu ele. Andamos até onde estava o miúdo e gordinho garoto de cabelos castanhos e sentamo-nos ao seu lado. Ele comia ferozmente de um jeito até um pouco repulsivo de olhar, e perguntei-me quantos quilos de comida caberiam em seu estômago, já que fazia pelo menos meia hora que ele descera para tomar o café, e se ela comia na velocidade de agora...

- Pom fia – disse ele de boca cheia em uma tentativa de dizer bom dia. Eu e Tiago respondemos e eu me servi de uma torrada, jogando manteiga por cima, e servi-me de suco de abóbora.

O café da manhã parecia ser uma refeição tão maravilhosa quanto o jantar. Tudo ali era delicioso e provei um pouco de cada coisa, em uma pequena quantia. Pedro já saíra do salão, e pouco tempo depois eu e Tiago já havíamos terminado.

- Guloso o Pedro, não? – comentou Tiago dando uma risadinha. Concordei com ele, já que isto era um fato que não podia ser negado.

Nós estávamos saindo do Salão quando avistamos Lílian conversando com Ranhoso. Seu cabelo parecia mais nojento e oleoso do que o dia anterior, e perguntei-me como alguém consegue deixá-los assim.

- Então, Evans - começou Tiago se dirigindo à ruiva, e a conversa com Ranhoso parando abruptamente. Ela olhou-o com um ar superior e levantou as sobrancelhas. Ranhoso parecia não saber o que fazer.

- O que você quer, Potter? – perguntou ela rispidamente.

- Queria falar com seu amiguinho – Ranhoso enrijeceu atrás de Lílian. Tiago olhou para ele com um falso sorriso. – Qual é seu nome, Ranhoso?

O garoto fuzilava Tiago com o olhar e parecia em dúvida se revelava seu nome ou não. Por fim, ele acabou falando.

- Snape, Severo Snape.

- Então, Snape, você acha que uma pessoa gentil dá tapa na cara dos outros? – perguntou Tiago e Lílian arfou. Snape franziu o cenho para Tiago.

- Não, eu não acho que pessoas gentis dão tapa na cara dos outros.

- Está vendo, Lílian? – exclamou Tiago subitamente animado e com um sorriso vitorioso no rosto. – Até mesmo seu amiguinho concorda que sou mais gentil que você!

- Cala a boca, Potter!

- O que está acontecendo, Lily? – perguntou Ranhoso parecendo confuso.

- Eu não sou a Lily, mas eu respondo – adiantou-se Tiago ao ver que Lily já abria a boca pra responder. Snape levantou a sobrancelha para Tiago. – Hoje, a Srta. Evans surtou porque eu dei bom dia para ela. Então discutimos, e ela se diz ser mais gentil que eu, só que ela me deu um tapa na cara. Entende, Ranhoso?

- Não chama ele assim! – protestou Lílian com os olhos brilhando de raiva.

- Foi isto mesmo que aconteceu, Lily? – perguntou Ranhoso. A ruiva corou um pouco e engoliu em seco.

- E se for? Algum problema? – retrucou ela parecendo irritada. – Vem, Lene. Vamos pra aula de feitiços.

As duas garotas estavam saindo, mas, exatamente como no salão comunal, Lílian voltou, porém ela se dirigiu a Ranhoso.

- Você vai ter aula do que agora? – perguntou parecendo curiosa.

- Herbologia.

- Boa aula, Sev! – desejou a ruiva sorridente.

- Pra você também, Lily!

A ruiva se afastou e Snape também não se demorou a sair. Observei que Tiago acompanhou-os com o olhar, até ambos saírem de seu campo de visão.

- Vamos, Tiago. Caso contrário, iremos nos atrasar. – chamei.

- Vamos. Não queremos chegar atrasados em nossa primeira aula, né? – respondeu ele subitamente animado.

- Claro que não!

Saímos caminhando pela escola, parando algumas vezes para perguntar a alunos mais velhos onde se localizava a sala. Finalmente, encontramos a sala e logo nos sentamos.

- Sirius – chamou Tiago parecendo intrigado com algo.

- Sim? – respondi.

- Está vendo ali, atrás da mesa do professor? – meu olhar foi em direção aonde Tiago descrevera e vi que atrás da mesa havia uma grande pilha de livros. – Estranho, não é?

- Aham – concordei.

Todos os alunos na sala conversavam agitados, pois aquela era a primeira aula de magia que eles teriam na vida. Tiago e eu estávamos igualmente agitados e ansiávamos a chegada do professor.

- O que será que vamos aprender? – tentei imaginar. Tiago ficou um pouco pensativo, porém logo desfez o rosto.

- Tomara que algum feitiço – respondeu dando de ombros.

- É. Seria legal – comentei e, pouco tempo depois, um homem baixo (menos do que uma mesa) aparecera na sala. Seus cabelos eram brancos, ele tinha olhos castanhos e um bigode branco também.

- Bom dia, alunos – cumprimentou ele com uma voz fina e aguda. – Esta é a primeira aula de magia que vocês têm na vida – ei, ele leu meus pensamentos alguns minutos atrás? – e sei que isto é importante para vocês. Sou o professor Flitwick, e ensino feitiços, que é uma matéria muito importante, como vocês devem imaginar. Bruxos sábios e inteligentes conhecem muita magia, e digam-me todos em voz alta: qual é o maior companheiro do bruxo?

- A varinha – responderam em uníssono, porém, eu e Tiago não acompanhamos o resto da turma no coro.

- E o que uma varinha faz?

- Feitiços – desta vez, toda a sala respondera, inclusive eu e Tiago.

- Entendem a importância desta matéria? Pois eu espero que sim! – o professor pareceu observar atrás dele e ler um pedaço de pergaminho, então ele sobe em cima de todos os livros que eu e Tiago havíamos estranhado antes do inicio da aula e por fim, fica mais alto que a mesa e visível para todos os alunos.

- Isso faz sentido – sussurrou Tiago em meu ouvido e eu assenti.

- Hoje, na primeira aula de vocês, aprenderão um feitiço simples – murmúrios animados percorreram toda a sala. – Antigamente, a primeira aula de feitiços era teórica, mas mudamos isto por reclamações de muitos alunos e para mostrar-lhes no inicio como é fazer feitiços. É um feitiço muito simples, mas fazer um feitiço não é simplesmente murmurar palavras a uma varinha! Você tem que saber os movimentos a fazer, a pronuncia correta do feitiço e existem feitiços até que você tem que imaginar coisas para ele sair corretamente, como o feitiço do Patrono, em que você tem de imaginar algo feliz para fazê-lo, porém este é um feitiço dificílimo! Vocês o aprenderam em um futuro distante! Então, o nosso feitiço de hoje é feito com o movimento da varinha de girar e sacudir – o professor pegou a própria varinha e desejou um circulo no ar e, ao fechá-lo, sacudiu a varinha verticalmente. – Vamos! Façam o mesmo!

A sala inteira empunhou suas varinhas e todos repetiram o movimento que o professor fizera.

- Muito bem! O feitiço que vamos fazer é de levitação! Para realizá-lo, fazemos este movimento com a varinha e pronunciamos: Wingardium leviosa. Repitam!

- Wingardium leviosa – pronunciou a sala em uníssono.

- Isso! – exclamou o professor contente, a voz ficando um pouco mais aguda que o normal. – Agora façam o movimento e repitam isto! Observem! Wingardium leviosa! – uma pena que havia na mesa em frente ao professor levitou pela sala e todos os alunos a olhavam maravilhados. Logo, todos pronunciavam o feitiço, porém nenhuma pena voava.

- Vamos tentar? – perguntou Tiago animadamente ao meu lado. Assenti sorridente e logo começamos a murmurar o feitiço, porém a pena não se movia.

- O que será que há de errado? – indaguei desapontado. Seria assim tão difícil realizar este feitiço que o professor diz ser simples? Será que eu iria me dar bem em magia? Será que eu não iria conseguir fazer magia, e teria de simplesmente voltar para casa?

- Não sei – concordou Tiago parecendo igualmente desapontado. Passei os olhos pela sala e todos pareciam ter dificuldades em realizar o feitiço. Isto havia me aliviado um pouco, pois então eu não era o único com dificuldade.

Eu e Tiago continuamos tentando, sem produzir efeito na pena, até que nos assustamos com um grito animado e histérico que vinha do outro lado da sala. Olhamos na direção de onde o som viera e então que vimos Lílian, com o rosto maravilhado e com um sorriso de orelha a orelha, sacudindo a varinha com os olhos pregados no teto: sua pena flutuava a alguns metros acima das cabeças de todos nós aqui em baixo.

- Parabéns, Srta. Evans! – guinchou o professor maravilhado. – Cinco pontos para Grifinória!

Pelos pontos ganhos, os alunos da Grifinória parabenizaram a ruiva e ela corava de orgulho. Os alunos da Lufa-Lufa olharam-na com admiração, porém não falaram com ela.

- O.k. – de repente ouvi Tiago dizer ao meu lado. Virei e encontrei-o com a cara fechada para Lílian, e ele parecia extremamente irritado – Agora eu vou fazer este feitiço de merda! Wingardium leviosa!

O feitiço parecia ter sido feito corretamente, e isto foi confirmado ao ver a pena começar a levitar suavemente até atingir a altura aproximada da que a pena de Lílian estivera há pouco tempo. Observei a pena até que voltei meu olhar para Tiago novamente, que sorria vitorioso e de vez em quando lançava olhares superiores a Lílian, que o fuzilava com os olhos.

- Ah, mais um Grifinório! – exclamou o professor animado. – Parabéns, Sr. Potter! Mais cinco pontos para a Grifinória!

Ao observá-lo sendo admirado pela sala toda, não pude deixar de sentir um pouco de inveja. Esforcei-me um pouco mais para realizar o feitiço, porém a pena não subiu mais que dez centímetros da mesa. No final da aula, mais dois alunos da Grifinória haviam conseguido realizar o feitiço (entre eles Remo) e mais quatro da Lufa-Lufa, então as duas casas haviam obtido 20 pontos. Desapontado, guardei a varinha no final da aula enquanto era consolado por Tiago:

- Não liga, Sirius – dizia ele. – É difícil realizar o primeiro feitiço mesmo!

- Você, Remo, Lílian e mais sei lá quem conseguiram! – protestei.

- Eu fui motivado pra tirar aquele sorrisinho idiota da cara daquela garota. E ela deve ter conseguido só porque é metida e quer ficar mostrando pra todo mundo que ela sabe fazer magia. E Remo... sei lá!

- Humpf – foi só o que eu tive a dizer. Resolvi abandonar o assunto enquanto caminhávamos para a aula de História da Magia com os alunos do primeiro ano da Corvinal.

Seguimos alguns alunos da Grifinória que pareciam já saber o caminho, até que chegamos a uma sala de aula comum, com um quadro negro na frente de toda a sala.

- Dizem que esta é a matéria mais chata de toda. História da Magia, deve ser, não é? – comentou Tiago.

- Também me falaram isto – concordei, lembrando que meu tio havia me dito isto uma vez. – Tem jeito de ser, mas vamos ter que esperar pra confirmar isto, certo?

- Aham. Onde será que está o professor? Minha família havia me dito que ele era diferente, por que será?

Na mesma hora que Tiago acabava de falar, algumas meninas deram gritinhos assustados, e não poderíamos culpá-las: um fantasma acabara de atravessar a parede onde se encontrara o quadro negro. Não pude negar que me assustei também, afinal, ver fantasmas atravessarem paredes não é algo que eu estava acostumado a ver.

- Bom dia, alunos – disse o fantasma em uma voz rouca e estranha. Seu rosto parecia cansado e ele parecia uma tartaruga velha e enrugada (N/A: de acordo com a Wikipédia!). – Sou o Prof. Binns, e ensino História da Magia. Sou o único fantasma a ensinar em Hogwarts. Certa noite, ainda vivo, adormeci na frente de uma lareira e acordei morto, mas sem perceber isto, levantei e fui dar aula, percebendo isto algum tempo depois. Isto é o máximo que eu digo de mim, não quero alunos bisbilhoteiros metendo o nariz na minha vida ou morte.

Devo admitir que a minha primeira impressão do professor não foi das melhores. Ele parecia mal humorado, chato e emburrado.

- Agora – continuou ele – já aviso que passamos toda a aula lendo. Sabem o que isto significa? Que isto é uma aula teórica, ou seja, não é necessário o uso da varinha, então, todas guardadas dentro das vestes!

Todos os alunos guardaram suas varinhas onde o professor pedira, pois assim como eu, pareciam ter percebido que ele não parecia ser do jeito brincalhão. Bem, meu primeiro pensamento sobre esta aula foi: vai ser um tédio agüentar isto por sete anos.

- Todos agora, peguem seus livros! A História da Magia de Batilda Bagshot. Abram-no na página doze e vamos começar a ler!

Passamos toda a aula lendo sobre Convenções Internacionais de Bruxos de 1289 e, devo dizer, eu não ansiava a próxima aula de História da Magia. Tive vontade de gritar e dar pulos de alegria quando a aula acabou, pois estava quase dormindo, e o jeito monótono que o professor lia e explicava a matéria não colaborava para manter-me acordado.

- Finalmente! – disse Tiago bocejando assim que saímos da aula. – Esta deve ter sido a coisa mais chata que já vi na vida!

- Concordo! Ter que passar sete anos aprendendo isto vai ser horrível!

- Com certeza! Estou pensando seriamente em matar algumas destas aulas e...

- Não sei se você sabe, Potter – interrompeu uma voz vindo de trás de nós dois. Viramo-nos e vimos Lílian acompanhada de Marlene. Esta sorriu para mim e eu corei, sorrindo de volta, ao mesmo tempo em que um arrepio percorria meu corpo. – Mas a matéria de História de Magia tem alta importância se você quiser passar nos N.O.M.s. Níveis Ordinários...

-... De magia! – completou Tiago parecendo irritado. – Eu sei, tá legal? Mas agora você vai vir dizer que achou a aula legal? Por que, se for, não ligue se eu te chamar de queridinha do professor. Quem é sua mãe, afinal? Ela ficou te ensinando magia antes de vir para cá e lhe falando coisas sobre Hogwarts pra você ficar se exibindo por aí, dando uma de inteligente, repetindo tudo?

A ruiva não havia ficado feliz com as palavras de Tiago. Assim como ele, parecia muito irritada e prestes a explodir.

- Eu nasci trouxa, seu ridículo! Eu apenas me informei sobre a escola e suas matérias antes de vir para cá, está bem? Só estou lhe avisando que a matéria é importante se você quiser passar! Mas se você reprovar, o que eu tenho com isto, não é? O problema será inteiramente seu!

- Exatamente! Não fique se metendo na minha vida, sua metida a inteligente!

A briga dos dois parecia ter terminado e Lílian parecia prestes a chorar: seus olhos verdes ganharam lágrimas que teimavam em rolar pelo rosto e seu lábio inferior tremia um pouco. Ela e Lene se afastaram sem dizer mais nenhuma palavra.

- Cara – murmurei – vocês dois tem que parar de discutir.

- Ela me irrita tanto! Odeio esta garota! – exclamou irritado.

- Mas você devia pedir desculpas a ela. Você meio que chamou de burra.

Após eu sugerir isto, Tiago ficou calado e pareceu hesitar em dizer alguma coisa. Por fim, ele bufou e disse:

- Tá legal. Eu peço, só que mais tarde, no salão comunal, certo?

- Certo.

A próxima aula era Transfiguração. Esta, como diziam, era uma das matérias mais difíceis de Hogwarts, então eu estava particularmente nervoso para ela. E se a professora pedisse para eu transfigurar algo na frente de toda a sala? E agora a aula era com a turma da Sonserina, conhecida casa rival a Grifinória...

- Estou com medo – disse uma voz ao meu lado, fazendo-me dar um pulo na cadeira da sala de aula. Era Remo.

- Somos dois – disse eu.

- Três. – completou Tiago. – Dizem que Transfiguração é difícil.

- Ei! – protestei. – Pelo menos as penas de você voaram! A minha não!

- Calma, Sirius. – tranqüilizou-me Tiago, porém suas palavras não fizeram efeito sobre mim. Meu estômago parecia ter virado ginasta dentro de minha barriga, por que ele insistia em ficar dando voltas?

Eu achava estar prestes a vomitar quando a professora entrou na sala. Era Minerva McGonagall.

- Bom dia, alunos – cumprimentou ela não parecendo muito gentil, mas sim um pouco seca. – Já vou avisando, Transfiguração é uma matéria difícil. E não quero graçinhas na minha aula. Sou Minerva McGonagall, como já sabem. Porém, vocês me chamem de professora McGonagall, estamos entendidos?

A sala toda pronunciou "sim", porém, não em uníssono. A professora pareceu aceitar, pois virou-se e colocou alguns livros que carregava em cima da mesa.

- Para começar... – começou ela, porém, ela foi interrompida pela entrada de um aluno. Era Snape.

Com os cabelos oleosos, Ranhoso chegou ofegante e deu uma rápida e amedrontada olhada para a professora.

- Sr. Snape – censurou Minerva. – Posso saber porque está chegando agora?

-Desculpe-me, professora! – gritou ele, esganiçado. – Eu me perdi!

- Sente-se – ordenou um pouco sombria. – E espero não ter que dar-lhe um mapa para achar a sala na próxima aula, certo?

Seboso assentiu e corou. Ele olhou por volta da sala, em busca de um lugar para sentar. Então olhei para Lily, que acenava para ele e parecia quicar na cadeira.

- Sev! – chamou a ruiva. – Aqui!

O garoto olhou agradecido para ela e foi ao seu encontro, sentando-se no lugar que ela apontava.

- Como estava dizendo – recomeçou McGonagall. – Transfiguração é uma matéria difícil, em que você transforma um objeto em outro. Nós começamos com coisas muito simples, como transformar palitos em agulhas, entende? Peço que não fiquem desapontados caso não consigam transformar nada a princípio, é realmente complicado e acredito que poucos de vocês vão conseguir. Agora, observem.

Com um aceno de varinha, ela transformou a mesa em sua frente em uma cadeira. Alguns alunos exclamaram maravilhados, e eu apenas maravilhei-me em silêncio. E então, a professora transformou a cadeira em uma mesa novamente.

E assim se foi a aula. A professora disse para tentarmos murmurar um feitiço para um palito, tentando transformá-lo em uma agulha. Não pude conter-me de alegria quando meu palito foi perdendo a aparência original e foi ficando prateado, até eu encontrar uma agulha em minhas mãos. A professora mostrou para toda a sala, elogiou-me e até lançou a mim um sorrisinho, e por fim, acrescentou dez pontos a Grifinória.

O resto do dia foi igualmente legal. Tivemos aulas de várias matérias bruxas, cada uma mais interessante que a outra. Remo adorou Herbologia, Tiago preferiu Feitiços e eu, talvez por meu bom desempenho, adorei Transfiguração.

Ao final do dia, tivemos o jantar. Deliciosas comidas se estendiam sobre a mesa e cada aluno adorou tudo, exatamente como no jantar da noite de abertura. E de uma coisa todos tinham certeza: estar em Hogwarts não significa estar mal alimentado.

Após o jantar, eu, Remo e Tiago ficamos conversando um pouco no salão da Grifinória, até estarmos demasiados cansados para dormir. Subimos para o dormitório, tomamos um banho, e todos deitamos. Antes de dormir, o dia se passou como um filme por minha mente, até que eu não pude mais lutar contra o cansaço. Adormeci após meu primeiro dia em Hogwarts.

N/A: Oiiiie gente! Este capitulo ficou grande, não é? Era o que eu queria fazer, deu mais de quatro mil palavras *-*. Eu espero que vocês tenham gostado, eu tentei representar os sentimentos do Sirius no primeiro dia dele, o desapontamento por não conseguir fazer o feitiço na aula do Flitwick e a alegria por conseguir transfigurar na aula da Minerva. Ficou bom? Espero que sim. A opinião do leitor é sempre muito importante para mim, então não esqueçam de deixar um review, ok? Não precisa ser longa, se você gostou, pode mandar apenas "legal" ou outro elogio e se você não gostou pode mandar "merda". Agora, antes de eu finalizar, eu gostaria de fazer algumas indicações, lembrando que todos os autores estão na minha lista de favoritos:

Se você gosta de Harry Potter...

Lys Weasley – recomendo a fic "Longitude" do Scorpius e da Rosa, muito boa.

Lola Potter Weasley – se você adora HG, recomendo a fic Mrs. Potter (que é continuação de outra fic, a My Complete Heart)

Ginevra Gryffindor – caso você ame o Sirius e sua relação com o Harry, recomendo a fic "Férias de Verão".

Nessie Potter Black – com a fic "Não sofrerei mais".

Se você gosta de Percy Jackson...

Bella Potter Cullen – e a romântica fic "Nosso futuro"

Monica Maria – que possui uma fic que eu amo demais, chamada "A Escolha"

Então é isto gente, não deixem de conferir estas fics! Todas maravilhosas, garanto!

Beijinhos

Sunny Weasley