Halloween

Sirius' POV

O clima de Halloween pairava sobre Hogwarts. Faltava uma semana para o dia 31 de outubro, mas todos os alunos já estavam animados. Todos os estudantes do segundo ano para cima afirmavam que o banquete de Halloween era maravilhoso, tão bom quanto o natalino. Bem, era o que diziam os que já optaram pelo Natal em Hogwarts.

- Será que eles fazem alguma decoração especial no salão? – imaginava Remo enquanto ele, Tiago, Pedro e eu íamos para as masmorras para assistir á aula de poções.

- Quem se importa? – disse Pedro dando de ombros, parecendo indiferente. – Uma das coisas que se aprende na vida é: não importa o lugar que você coma, desde que a comida seja boa.

Todos o encaramos.

- O.K., vocês ouviram – murmurou Tiago. – O que acham de tacarmos ele numa pilha enorme de lixo e dar a ele tortinhas de abóbora? Aposto cinco galeões que ele come direitinho lá!

Eu e Remo rimos enquanto Pedro revirou os olhos.

- O que acham que o Prof. Slughorn vai nos mandar fazer hoje? Tomara que seja uma poção mais fácil do que a da aula passada, porque a minha ficou horrível – lamentou Remo.

Só para constar, Remo é simplesmente o guri mais nerd que eu já vi. Nós quatro não íamos nada mal nas aulas, porém Remo sempre achava que isto não era suficiente.

- Ah, Remo. – gemeu Tiago parecendo cansado daquilo tudo.

Entramos na abafada sala de poções ali nas masmorras, ocupando uma mesa. A maioria dos alunos ou já estava ali ou estava chegando. Esperamos um momento e, quando parecia que já estavam todos presentes, o professor começou a aula.

O Prof. Slughorn era um ótimo professor. Era sempre bem-humorado e não se irritava se nós tivéssemos alguma dúvida. Ele era também o diretor da Sonserina, casa com a qual tínhamos aulas de poções, porém ele não demonstrava preferência pelos alunos de sua casa, o que era legal da parte dele, eu acho.

- Bom dia, alunos! – cumprimentou alegremente o professor. – Hoje, eu quero que vocês façam em duplas a poção da página vinte e quatro.

Tiago formou dupla com Pedro e eu com Remo. Trabalhamos duramente, sempre conferindo novamente o livro. A poção que no começo era verde virou laranja e agora se encontrava em vinho.

- Adoro a mudança de cores das poções – falou Remo parecendo maravilhado. – É o que acho mais legal. É incrível o jeito que as cores mudam, assistir é o melhor.

- É sim. – concordei jogando um pouco de um ingrediente mencionado na receita.

Continuamos a fazer a poção, em grande parte do tempo em silêncio, fazendo apenas em certos momentos comentários ocasionais sobre a poção.

- Acho que estamos fazendo corretamente – eu disse animado. Nas aulas de Magia em Hogwarts, sempre que eu conseguia um bom resultado em algo, qualquer que fosse, eu ficava bem alegre. E pelo jeito, Remo também. Não pude deixar de ver o brilho em seus olhos ao olhar para a poção após meu comentário.

Já estávamos quase no fim da poção e eu arrastei meu olhar para o lado, para dar uma espiada no resultado de Tiago e Pedro. A poção não parecia ter um resultado positivo, pois o livro dizia que ela deveria ficar azul escuro, quando a deles estava vermelho berrante. Porém, ao mesmo tempo os dois ficavam rindo, o que dizia que por mais que a poção não estivesse correta eles estavam se divertindo.

Então, voltei a ajudar Remo com a poção quando Lílian apareceu em nossa mesa.

- Sim, Lily? – perguntei á ruiva.

- Sirius, você poderia me emprestar Losna? É aquela plantinha esverdeada. – pediu ela indicando uma planta verde que havia em cima da mesa.

- Claro – concordei dando á ela um pouco.

- Obrigada – agradeceu sorrindo.

A ruiva estava se retirando enquanto eu fazia uma prece mental para Tiago não implicar com ela.

Minhas preces foram ouvidas? Só se quem ouviu não goste de mim, pois aconteceu justamente o contrário.

- Hey, Lílian – cumprimentou Tiago já em um tom provocativo.

- É EVANS, Potter – protestou ela irritada. – É realmente tão difícil de entender?

- O fato de você ficar andando e fazendo dupla com uma pessoa com aquele cabelo nojento? Sim, é meio difícil de entender.

- Não fale assim do Severo!

- Puxa, Lily! Que jeito mais severo de se falar!

Após Tiago falar, vários alunos da Grifinória abafaram um riso.

- Cale a boca, Potter. Você se acha melhor que os outros, não é? Seu ridículo.

- E ainda por cima, ele é da Sonserina! O que você tem na cabeça além de cabelo ruivo, cara Lílian?

- Algum problema com gente da Sonserina? – murmurou uma voz fria atrás de nós. Todos se viraram e viram um garoto de cabelos tão louros que pareciam brancos. Seu olhar era frio e o garoto fazia expressão de que cheirou algo ruim. Os cabelos dele além de loiros eram lisos e compridos, batendo no ombro dele. Não era tão diferente do meu, que também batia no ombro, porém o meu era escuro, cacheado e completamente bagunçado, pois eu já havia desistido da batalha para arrumá-los.

- E você é...? – perguntou Tiago olhando desconfiado para o menino.

- Lúcio Malfoy – apresentou-se ele.

Eu e Tiago arqueamos as sobrancelhas para ele. Os Malfoy eram uma família poderosa no mundo bruxo, porém nada amigável.

- E então? Você tem algum problema com sonserinos? – insistiu.

- Não. Acho que eles que tem problema comigo. – gozou Tiago dando um sorrisinho ao Malfoy. – Aliás, você tem um coisa de baixo do nariz.

- O que? – perguntou rudemente colocando a mão em baixo do nariz.

- Não sei, mas pela sua expressão deve feder.

Tiago soltou uma gargalhada e foi acompanhado por vários alunos da Grifinória. Lily, é claro, não ria.

- Ei, gente! – disse o professor abrindo a porta. Ele se ausentara por uns minutos para conferir uma coisa com McGonagall. – Vamos ver estas poções!

- Você vai ter troco, Potter – ameaçou Lúcio rapidamente, voltando ao seu lugar.

Enquanto eu assistira a cena, Remo colocara os últimos ingredientes na poção e a nossa estava pronta. No final da aula, o professor disse que a nossa poção ficara boa, porém ele elegeu como a melhor a de Lílian e Severo, que ganharam um sapo de chocolate para cada.

O resto da semana foi tranqüilo tirando as pequenas toneladas de lições de casa passadas pelos professores. É claro que nenhuma lição fora maior do que a de História da Magia, pra variar. Tiago e eu havíamos começado há passar mais tempo estudando, então se tornara freqüente nós sermos encontrados na sala comunal com a cara enfiada em algum livro. Logo, o resultado aparecia: nas aulas, na maioria das perguntas dos professores, nossas mãos se erguiam no ar e tínhamos a resposta na ponta da língua.

Até que enfim chegou 31 de outubro e o castelo de Hogwarts fazia questão de demonstrar a data: as armaduras do castelo foram iluminadas por dentro, dando um ar meio aterrorizante quando elas se encontravam em um ambiente sem muita claridade, e o salão principal era o mais magnífico: haviam enormes abóboras ocas que continham luzes laranjas dentro e por fora haviam faces desenhadas e pequenos morcegos voavam sobre as mesas das casas.

Todos no dormitório masculino do primeiro ano estavam se arrumando cedo para o jantar de Halloween. Então, assim que todos estavam prontos, começamos a descer para o Salão Comunal.

- Psiu! – chamou alguém atrás de mim. Virei e encontrei Tiago.

"Tenho algo para te mostrar!"

Eu, de fato, não queria me atrasar para o jantar de Halloween, porém a curiosidade venceu.

- O que é, Tiago?

- É apenas algo herdado do meu pai.

Com um sorriso maroto, ele se aproximou de seu malão e, de lá de dentro, tirou uma capa prateada que parecia velha.

- Uau. Você herdou uma capa velha do seu pai. Incrível, podemos ir? – falei irônico.

Tiago me olhou com desaprovação como se eu tivesse o ofendido gravemente.

- Você vai pagar por estas palavras depois de ver o que é esta belezinha aqui. É uma capa da invisibilidade.

- Não. Elas são muito raras, não pode ser. – falei incrédulo, estudando a capa com os olhos.

Então, Tiago jogou a capa sobre si e ele sumiu. Depois, apareceu apenas sua cabeça, que parecia flutuar. Minha boca ficou em formato de "O".

- Mérlin! – foi tudo o que pude dizer.

- Incrível, não é? – falou ele orgulhoso da própria capa.

- Sim! – exclamei animado.

- Agora, acho que temos de ir, a não ser que queiramos chegar atrasados.

Tiago guardou a capa dentro de seu malão e logo descíamos as escadas, indo em direção ao Salão Comunal. Lá, encontramos Lily e Marlene. Tiago e Lily se fuzilaram com o olhar enquanto eu e Marlene sorrimos em lugar de um cumprimento um para o outro.

Chegamos ao Salão e boa parte dos alunos já se encontravam sentados lá. Eu, Tiago, Remo e Pedro pegamos nossos lugares e nos sentamos.

Depois de mais ou menos dez minutos, o Prof. Dumbledore pediu para todos ficarem em silêncio, ordem que foi obedecida imediatamente. Então, ele foi breve: desejou um feliz Halloween a todos e logo depois, olhamos para as mesas e vimos que ela havia sido posta. O cardápio estava diferente dos habituais jantares da escola: haviam salgados diferentes, mas ninguém olhava para eles por causa dos doces, que com certeza havia milhares de tipos que davam água na boca só de olhar. Nós quatro comemos em silêncio, ninguém se atrevendo a falar para não atrapalhar a concentração do delicioso paladar da comida.

Logo após todos comerem, os pratos ficaram limpos novamente e a comida foi retirada. As velas que pairavam sobre nós de apagaram, dando uma iluminação sinistra ao local. Dumbledore de levantou novamente e começou a falar:

- Agora, para a data do Halloween não passar de apenas um jantar maravilhoso, devo dizer, os fantasmas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts vão fazer um pequeno show para vocês. Esperamos todos que gostem.

O show foi realmente assustador: os fantasmas surgiam de lugares mais inesperados e eles contavam histórias de terror, que causaram arrepios em todos os alunos. Então, quando acabou, todos os alunos estavam demasiados assustados e atordoados que saíram em silêncio do Salão.

Na volta para a Torre, nós quatro andávamos novamente juntos até lá (eu, Tiago, Remo e Pedro). Cansados e perturbados, andávamos sem falar nada, fitando o chão. Estávamos passando por um corredor com armaduras e parecia que ninguém se atrevia a olhar pra elas, como se alguém pudesse saltar de trás delas e nos matar.

- Caramba, aquele show foi horrível, não é? – comentou Tiago com a voz rouca. Todos assentiram.

Depois disto, tudo aconteceu muito rápido: estávamos no final do corredor das armaduras quando de trás delas surgem duas pessoas gritando. Era Lily e Marlene, que se esconderam para nos assustar. Todos nós gritamos e apenas Tiago dera um pulo para trás esbarrando em uma armadura, que bateu na parede e depois se voltou contra ele, fazendo ele cair no chão com a armadura sobre si, prensando-o contra o chão. As garotas rolavam de rir no chão enquanto eu, Remo e Pedro tirávamos a armadura de cima de Tiago e ajudávamos ele a se levantar. Ele lançou um olhar furioso as meninas que se esforçavam para respirar entre as brechas das risadas.

- Isso não foi engraçado – disse entre dentes.

- Ah não, é? – provocou Lily. – Imagine. Você dando um gritinho e depois...

A ruiva não continuou a frase: a risada a impediu.

- Vamos embora daqui – falou Tiago voltando a andar, como se nada tivesse acontecido.

Chegamos ao Salão Comunal e Tiago foi direto ao dormitório. Os outros meninos se sentaram nas poltronas do Salão Comunal, porém eu fui atrás de Tiago.

- Você está bem, cara? – perguntei quando cheguei lá. Ele se virou para mim com um sorriso maligno de vingança no rosto, que eu achei estranho.

- Estou ótimo. – então ele tirou a mão de trás das costas e eu percebi que ele estava com a Capa da Invisibilidade na mão. – Até porque com isto aqui aquelas garotas vão aprender o verdadeiro significado de um bom susto.

N/A: Oiiii gente. E aí? Gostaram do capítulo? Desculpem a demora pra postar... Fiquei assistindo seriados e não escrevi muito. Eu ia fazer já a continuação, mas resolvi parar aí pra dar uma suspense, hehe. Então, deixem uma review, por favor? Beijinhos, povo!

Sunny Weasley