"A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente".

Soren Kierkergaard

Capítulo 2

Bolinhas de Sabão

A trouxe forte em seus braços, enterrando o rosto em seu pescoço, enquanto aspirava profundamente o perfume doce que exalava daqueles cabelos rosa molhados pela fina chuva que caía. – Fique calma... – Sussurrou novamente com aquela voz rouca inebriante, o hálito quente chocando-se contra a pele fria do pescoço dela.

Ela não podia ver o dono daquela voz, mas sabia exatamente de quem se tratava. – I-itachi... – O nome escapou-lhe entrecortado por causa do choro.

Ele a soltou lentamente, permitindo que ela se virasse. E quando finalmente as esmeraldas encontraram os ônix, uma onda de felicidade a invadiu. – Itachi! – Exclamou, colocando-se na ponta dos pés para alcançar o pescoço dele e enlaçá-lo entre suas pequenas mãos.

O choro dela aumentou e isso o incomodou demasiado.

Como podia ficar na frente da mulher que tanto deseja sem poder tocá-la? Queria tanto ajudá-la... Compartilhar a dor com ela, amenizar aquela terrível agonia que a consumia.

Sabia porque ela sofria e odiava o irmão mais novo por estar causando tanta sofrimento àquela que só sabe fazer o bem a todos que a cercam.

Por dois anos Itachi a ama em silêncio, desejando-a mais a cada dia e ficava cada vez mais difícil vê-la feliz ao lado do irmão. Vê-los contentes com os preparativos do casamento e planos de lua-de-mel era definitivamente um desgosto para o irmão mais velho. Então, ele resolveu afastar-se para que não fizesse uma bobagem, como se declarar a ela, e acabar estragando a boa relação que tinha construído com ambos. Mas, assim que soube do sumiço de Sasuke com Karin após ter sido flagrado aos beijos por uma câmera de segurança de um restaurante chique, Itachi imediatamente voltou para Tokyo e ficou ao lado de Sakura, para consolá-la, dar-lhe forças para agüentar a fase difícil pela qual estava passando.

Entretanto, nesse final de semana Haruno disse que queria ficar sozinha, para pensar na vida e decidir o rumo que daria a ela. Isolou-se então em sua casa na montanha Miyogi-san, uma da mais belas e imponentes de todo o Japão.

Itachi disse para si mesmo que respeitaria aquela decisão. Não iria atrás dela, deixaria que tivesse seu próprio tempo. Se um tempo sozinha era o que desejava, então ele proporcionaria isso a ela. No entanto, sua mente brincou tantas vezes com ele, trazendo-lhe imagens horríveis do rosto dela enquanto chorava e era até mesmo capaz de ouvi-la lamentar-se. Os soluços de Sakura martelavam dentro da mente do Uchiha mais velho e alguma coisa lhe dizia que a mulher que tanto ama sofria sozinha. Não podia deixar isso acontecer, então pegou o carro e partiu em direção a ela, descumprindo a promessa que havia feito a ela e a si mesmo.

Estava certo, assim que chegou, caminhou sorrateiro surpreendendo aquela figura feminina, que mais parecia um anjo com aquele vestido branco rendado de alcinhas, que emoldurava perfeitamente o esbelto corpo. Ela estava sofrendo sozinha...

Chorava enquanto falava consigo própria e o último sopro de pensamento que escapara por seus lábios o fez querer tomá-la para si, e dizer que a amava e que nunca a deixaria sozinha. Em vez disso, contentou-se em somente abraçá-la forte. Precisava confortá-la de alguma forma.

Ele afastou-se lentamente dela e tocou com carinho sua face. – Sakura... – O tom preocupado, cenho franzido. – O que está fazendo aqui fora? – Esfregou as mãos freneticamente pelos braços dela tentando dar-lhe um pouco de calor. – Você está gelada. – E retirando a jaqueta preta que usava, pousou-a sobre aqueles ombros frágeis, trazendo-a em seguida para próximo de si. – Vamos entrar.

Levou-a para dentro, disse para ela subir e se trocar enquanto ele preparava algo quente para ela tomar. Mas a demora de Haruno o estava preocupando, já havia se passado mais de trinta minutos e Sakura não havia descido. Resolveu subir e verificar o que havia acontecido.

Subiu degrau por degrau da escada feita em madeiramento maciço, carregando consigo uma xícara de chá calmante bem quente em uma das mãos. – Sakura...? – Chamou, antes de entrar no quarto, mas não obteve resposta. – Abriu lentamente a porta do quarto e pode ouvir o barulho do chuveiro ligado vindo do banheiro dela.

Itachi hesitou.

Esperou um minuto, pensativo. Sua vontade era de entrar e se juntar a ela, entretanto imaginou que a reação da moça seria a pior possível. O que pensaria dele? Tarado, é claro. E isso ele não era, mas a idéia que lhe passou pela cabeça naquele instante o estava deixando louco: queria encontrá-la, precisa dela assim como ela dele...

Balançou a cabeça em reprovação, levou a mão às têmporas e as massageou. – Foco! – Repreendeu-se, lembrando que ela era Sakura, a mulher que amava e respeitava, acima de tudo.

Mas e se ela não estivesse bem? E se algo tivesse acontecido? E se estivesse chorando, sofrendo sozinha? Não permitiria isso, não estando tão perto, a passos de distância. – Sakura...? – Chamou novamente, mas num tom mais insistente.

Novamente sem resposta.

Bateu na porta entreaberta várias vezes, antes de tomar a decisão de entrar. E por mais que soubesse que não o deveria ter feito, a imagem que vislumbrou tomou todos os seus sentidos, fazendo-o esquecer-se completamente do que o que fazia agora era extremamente errado: estava espiando.

Sakura estava perdida em pensamentos enquanto a água quente descia e lhe percorria o corpo inteiro.

E nesse instante Itachi teve inveja daquele precioso líquido que podia tocar o que não lhe era permitido.

Ficou durante minutos, observando como ela estava linda, como era belo quando ela fechava os olhos para receber aqueles pingos de água pelo rosto. O modo como sorria quando sentia a espuma do sabonete líquido em contato com sua pele delicada e de como brincava como uma criança com as bolinhas de sabão que criava com ajuda da esponja azul em suas mãos.

Observava quieto cada detalhe, cada mínimo movimento que ela fazia naquele ato tão básico, mas que para ele tanto significava. Estava maravilhado com a beleza dela, nunca a tinha visto dessa forma tão íntima e sorriu consigo próprio ao imaginar a loucura que seria se ela o surpreendesse ali.

Sakura estava tão distraída e por mais estranho que pudesse parecer, estava inexplicavelmente feliz. Tinha que admitir que a simples presença dele a deixava contente. Gostava de ouvir sua voz, olhar dentro de seus ônix profundos e mesmo que talvez no inicio só procurasse o irmão mais novo naqueles olhos, chegara à conclusão que Itachi tinha se tornado muito mais do que seu futuro cunhado e melhor amigo. Ele tinha se tornado uma presença indiscutivelmente fundamental na vida dela...

Sentia-se estranhamente culpada em pensar assim, afinal tratava-se do irmão de Sasuke, e mesmo depois de sua cruel traição com Karin, parecia tão errado envolver-se mais intimamente com seu irmão mais velho. Algo a fazia se sentir culpada. Não sabia exatamente porque, mas a mente reprovava a verdade que o coração martelava incessantemente no peito. A verdade que omitiu durante semanas e pela qual precisou se esconder esses dois dias, pois não conseguia mais olhar naqueles ônix sem que sentisse vontade de beijar o dono deles. Num misto de tristeza e culpa foi refugiar-se longe daquele que agora também passara a atormentar a mente.

Uchiha Itachi...

E ao vislumbrar mentalmente a imagem dele, deixou que seu nome escapasse baixinho pelos lábios, enquanto sorria levemente, mantendo os olhos semicerrados. – Ita-kun...

No entanto, um barulho do lado de fora do box a tirou violentamente dos pensamentos proibidos que tinha com o Uchiha mais velho.

Eram passos. Passos que se aproximavam perigosamente dela.

Abriu os olhos lentamente e a imagem dele entrou subitamente em seu campo de visão.

Ficaram durante longos segundos se encarando através do vidro do box.

Sakura estranhamente não dava qualquer sinal de vergonha ou surpresa. Somente o encarava, sem que nenhum traço de emoção lhe estampasse a face. Até que levantou a mão e a colou no vidro, enquanto o olhava.

Itachi a observou com serenidade.

Estava confuso, não sabia até então se ela o estava repreendendo por espiá-la num momento tão íntimo. No entanto, aquele ato, a mão colada no vidro embaçado pelo vapor quente que saía da ducha, era algo tão convidativo. Parecia que ela o estava chamando para que pousasse sua mão sobre a dela e o único impedimento ao toque das peles seria o próprio vidro.

Levou lentamente sua mão ao local indicado e suspirou aliviado quando um sorriso lindo abriu nos lábios dela.

"Sentiram-se" um ao outro naquela carícia distante.

Sorriam um ao outro com aquele ato singelo, até que lágrimas invadiram novamente os olhos de Sakura, deixando Itachi totalmente preocupado.

E num movimento brusco e impensado, abriu o vidro para tocar-lhe a face alva torturada pelas lágrimas. – Sakura, o que houve? – Indagou alarmado, sem sequer, nesse primeiro momento, se dar conta de que estava junto com ela, dentro do box .

E é claro o mero detalhe de sakura estar nua ao seu lado.

Ela o fitou com um sorriso fino e o acalmou com uma simples palavra. – Sim...

Ambos saíram rapidamente do torpor da situação, quando notaram o calor que emanava dos corpos pela proximidade extrema.

A vontade dele era de continuar ao lado dela, de tomá-la para si, de tê-la ali mesmo, a mulher que lhe invadia os pensamentos de forma avassaladora. Ainda assim, mesmo após tê-la ouvido chamar seu nome num sussurro, sabia que ela ainda sofria por seu irmão. Ele tinha quase certeza de que Sakura, mesmo tendo sido covardemente abandonada, ainda amava Sasuke.

Itachi não queria que o que tivessem fosse uma simples transa ou algo assim, queria mais. Queria ser dono daquele sentimento forte que ela tinha pelo irmão. Queria tudo.

Desejava seu o único.

Por isso, afastou-se sem vontade, tentando evitar a tentação de olhá-la novamente e perder o vestígio de juízo que ainda lhe restara. Ergueu o braço para alcançar uma toalha e trouxe para cobri-la, pois assim poderiam conversar sobre o motivo do choro repentino.

Mas, ela repudiou.

Sakura aproximou-se lentamente dele até que seus rostos ficaram muito próximos, olhos não se perdiam nem por um segundo sequer e respirações misturavam-se naquela atmosfera quente por causa da ducha ligada.

Tocou o rosto dele com o canto da mão molhada, fazendo-o suspirar sob delicada carícia. – Itachi... – Murmurou o nome dele com a voz rouca, já não agüentava mais enganar a si mesma. Precisava dele, tanto quando ele dela.

E a última coisa que o Uchiha esperava ouvir naquela tarde acabou de acontecer, materializada naquelas palavras turvas pelo desejo evidente.

- Preciso me sentir viva... – E deslizando o dedo indicador delicadamente até os lábios dele, prosseguiu praticamente suplicante. – Me ajuda...

Continua...

Próximo Capítulo: Banho de Espuma.


Oi lindas!

Puxa, domo arigatou pelos reviews lindos *adorei cada um*

Arigatou a:Ary-chan12, neko hime,Blum Fox ,lele,lady vampie ,Tsukyomiuchihasama ,eric (amoremio),Tsunade Uchiha,Hanna Haruno Sakura ,caio louco,Uchiha no sabaku,mel-chan,Uzu Hiina ,Yuuki ai. (seus recados estão todos fofamente respondidos no proprio espaço review this story)

Bom flores, como vocês puderam perceber, essa fic sobe um degrau na escala etária ( UP 18) por motivos evidentes heheh

Então é isso, gente, espero que tenham gostado do momento intenso desses dois (ui ui) Posto a continuação em breve.. E please, deixem a autora feliz e não saiam antes de deixar um comentário ;D

Beijinhos

Hime-chan

PS:

Temos uma nova fic Itasaku online: Metamorfose (tradução, 18 anos, UA)

Além disso, uma nova sasusaku: Propostas Indecentes (tradução, 16 anos, humor/romance, UA)

Convido aos leitores a conhecer ;D